A abertura oficial da 19ª Fenasul e da 46ª Expoleite será realizada nesta quarta-feira (13/5), às 10h, na Pista do Gado de Leite, no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS). A solenidade marca o início de uma programação voltada à pecuária leiteira, à agricultura familiar e à divulgação técnica do setor, com atividades previstas até domingo (17/5).
Segundo informações da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), o secretário Márcio Madalena participa da cerimônia ao lado de representantes das entidades copromotoras e de outras autoridades. A entrada de autoridades e da imprensa será pelo portão 7, na via lateral ao parque, pela Avenida Celina Chaves Kroeff.
A feira terá entrada gratuita durante os cinco dias de realização e reunirá concursos de ordenha, julgamento de animais, provas, rodeios, feira da agricultura familiar, multifeira, seminários técnicos, atrações culturais e gastronomia. A proposta do evento é concentrar, no mesmo espaço, atividades de exposição, capacitação e promoção comercial ligadas à cadeia agropecuária.
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A Fenasul Expoleite é promovida pela Seapi e pela Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando). Também participam da correalização a Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac), a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) e a prefeitura de Esteio.
Na prática, a programação amplia a visibilidade de produtores, criadores, agroindústrias e entidades do setor, além de criar espaço para difusão de informações técnicas e de produtos ligados à produção rural. Até o momento, o material divulgado pelas entidades organizadoras não detalha estimativa de público ou número de expositores.
A Itaúsa informou nesta segunda-feira (12) lucro líquido recorrente de R$ 4,491 bilhões no primeiro trimestre de 2026. O valor representa alta de 17% em relação ao mesmo período de 2025. Segundo a holding, o desempenho foi sustentado principalmente pelo resultado do Itaú Unibanco e pelo avanço do portfólio de empresas não financeiras.
A principal contribuição para o resultado veio do Itaú Unibanco, que adicionou R$ 4,383 bilhões ao balanço da holding entre janeiro e março. O montante ficou 10,9% acima do registrado em igual intervalo do ano passado.
Entre os ativos não financeiros, a participação da NTS somou R$ 157 milhões, com alta anual de 86,9%. A Aegea Saneamento contribuiu com R$ 89 milhões, revertendo resultado negativo de R$ 1 milhão no primeiro trimestre de 2025. A Copa Energia entregou R$ 73 milhões, avanço de 28,8%, enquanto a Motiva gerou R$ 65 milhões, alta de 15,8%. A Alpargatas respondeu por R$ 52 milhões, crescimento de 50,5%.
Na direção oposta, a Dexco apresentou resultado de R$ 20 milhões para a Itaúsa, queda de 27% na comparação anual.
No consolidado, o portfólio de empresas não financeiras gerou resultado recorrente de R$ 454 milhões no trimestre, com expansão de 75,6% em relação ao mesmo período de 2025. Já as despesas administrativas da holding totalizaram R$ 44 milhões, alta de 10,8% em base anual.
Os números indicam que o banco segue como principal vetor de geração de resultado da Itaúsa, mas também mostram aumento da participação das investidas não financeiras na composição do lucro. Não há, no conteúdo divulgado, detalhamento adicional sobre novas projeções financeiras ou distribuição extraordinária de proventos.
No relatório que acompanha o balanço, o presidente da companhia, Alfredo Setubal, afirmou que a empresa segue “com disciplina, visão de longo prazo e responsabilidade”. Para o mercado, os dados do trimestre oferecem referência sobre o ritmo de contribuição das investidas e a evolução da diversificação do portfólio ao longo de 2026.
O índice de expectativas econômicas da Alemanha subiu de -17,2 em abril para -10,2 em maio, segundo pesquisa divulgada nesta terça-feira (12) pelo Centro para Pesquisa Econômica Europeia (ZEW, na sigla em alemão). O resultado veio acima da projeção de analistas consultados pela FactSet, que esperavam recuo para -22 no mês. Já o índice de condições atuais piorou no mesmo intervalo.
Os números mostram uma leitura menos negativa para os próximos seis meses na maior economia da Europa. Mesmo assim, o indicador de expectativas permaneceu em terreno abaixo de zero, o que ainda sinaliza cautela entre os agentes consultados pelo ZEW.
No mesmo levantamento, o índice de condições atuais caiu de -73,7 em abril para -77,8 em maio. O movimento indica deterioração da percepção sobre o quadro econômico corrente, apesar da melhora nas expectativas.
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A diferença entre os dois indicadores ajuda a explicar o cenário. De um lado, houve revisão positiva sobre os próximos meses. De outro, a atividade presente segue avaliada de forma fraca. Como a pesquisa do ZEW é acompanhada por investidores e analistas como termômetro antecedente da economia alemã, o dado reforça a leitura de recuperação ainda irregular.
Para o mercado, o resultado também teve relevância por contrariar o consenso da FactSet. A projeção era de piora para -22, mas o índice avançou 7 pontos em relação a abril.
Para exportadores e setores ligados ao comércio exterior, o indicador serve como sinal sobre o ambiente econômico da Alemanha e, por extensão, do bloco europeu. A pesquisa, porém, não detalha efeitos por segmento produtivo, o que limita uma leitura setorial mais específica neste momento.
A combinação entre melhora nas expectativas e piora nas condições atuais sugere que a economia alemã ainda enfrenta fraqueza no curto prazo, mas com percepção menos negativa para os próximos meses, segundo o ZEW.
A taxa anual de inflação ao consumidor da Alemanha subiu para 2,9% em abril, acima dos 2,7% registrados em março, segundo dado final divulgado nesta terça-feira (12) pelo Escritório Federal de Estatísticas da Alemanha (Destatis). O resultado também ficou acima da expectativa de analistas ouvidos pela FactSet, que projetavam alta anual de 2,2%.
Na comparação mensal, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) avançou 0,6% em abril. O número ficou ligeiramente acima do consenso de mercado, de 0,5%, também segundo levantamento da FactSet.
O dado final confirma uma aceleração da inflação em relação ao mês anterior. Em termos técnicos, o movimento indica que os preços ao consumidor mantiveram ritmo de alta na maior economia da Europa, tanto na base anual quanto na mensal. A comparação com março mostra avanço de 0,2 ponto percentual no acumulado de 12 meses.
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A diferença entre o resultado efetivo e a previsão de mercado também amplia a atenção sobre a trajetória inflacionária no país. Quando o CPI supera o consenso, o mercado passa a reavaliar expectativas para juros, consumo e atividade, especialmente em economias com peso relevante na zona do euro.
No material disponível, não foram detalhados os grupos de produtos e serviços que mais pressionaram o índice em abril. Também não houve, no conteúdo informado, nova manifestação de autoridades monetárias sobre o dado.
Como a Alemanha é a principal economia europeia, a inflação local costuma ser acompanhada por agentes do comércio, da indústria e do setor financeiro. Para exportadores e empresas ligadas a custos de energia, insumos e consumo no continente, a leitura mais alta pode influenciar avaliações sobre demanda e ambiente de preços nos próximos meses.
O dado final de abril reforça o monitoramento sobre a inflação na Alemanha e seu efeito sobre as expectativas econômicas na Europa. Os próximos indicadores serão importantes para medir se a aceleração foi pontual ou parte de um movimento mais persistente.
O governo brasileiro concluiu novas negociações sanitárias e fitossanitárias que abriram mercado para produtos agropecuários na União Econômica Euroasiática, no Peru e no Togo. As autorizações envolvem exportações de grãos secos de destilaria de milho, material genético de pólen de batata e equinos vivos destinados à reprodução.
Na União Econômica Euroasiática, formada por Armênia, Belarus, Cazaquistão, Quirguistão e Rússia, a abertura foi destinada aos grãos secos de destilaria de milho, conhecidos como DDG. O produto é um subproduto da indústria do etanol e utilizado na alimentação animal, ampliando as possibilidades de mercado para a cadeia produtiva do milho brasileiro.
Segundo os dados divulgados, o bloco euroasiático importou mais de US$ 1,4 bilhão em produtos agropecuários brasileiros em 2025, com destaque para café, proteínas animais e fumo.
No Peru, a autorização permitirá a exportação de material genético de pólen de batata. A medida abre espaço para cooperação em pesquisa, melhoramento vegetal e diversificação produtiva. O país sul-americano importou mais de US$ 729 milhões em produtos agropecuários brasileiros em 2025, principalmente produtos florestais, proteínas animais, itens do complexo soja, cereais, farinhas e preparações.
Já no Togo, a abertura envolve a exportação de equinos vivos destinados à reprodução. A expectativa é ampliar as oportunidades para o setor de genética animal brasileiro. Em 2025, o país africano importou mais de US$ 148 milhões em produtos agropecuários do Brasil, com destaque para itens do complexo sucroalcooleiro, proteínas animais e couro.
Com os novos anúncios, o agronegócio brasileiro soma 609 aberturas de mercado desde o início de 2023. O resultado é atribuído ao trabalho conjunto do Ministério da Agricultura e Pecuária e do Ministério das Relações Exteriores.
As bolsas europeias operavam em baixa na manhã desta terça-feira (12), pressionadas pela alta do petróleo e pelo aumento da aversão ao risco no continente. Por volta de 6h40, no horário de Brasília, o índice pan-europeu Stoxx 600 caía 0,71%, aos 608,43 pontos, segundo dados de mercado.
O movimento foi influenciado, primeiro, pela piora no cenário geopolítico no Oriente Médio. Os desdobramentos mais recentes indicam maior distância entre Estados Unidos e Irã para uma solução diplomática da guerra iniciada há cerca de dois meses e meio. Na segunda-feira (11), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou como “lixo” a contraproposta iraniana ao plano de paz da Casa Branca e afirmou que o cessar-fogo entre Washington e Teerã está em “estado crítico”.
Esse ambiente sustentou a valorização do petróleo pela terceira sessão seguida. No mesmo horário, o Brent avançava quase 3% e superava US$ 107 por barril. A alta da energia ampliou a pressão sobre os ativos europeus e também apareceu nos indicadores econômicos da região.
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Na Alemanha, o Departamento Federal de Estatística (Destatis) confirmou aceleração da inflação anual ao consumidor para 2,9% em abril. Já o índice ZEW de expectativas econômicas mostrou melhora em maio, ao subir para -10,2, apesar de permanecer em campo negativo.
A crise política no Reino Unido também pesava sobre os negócios. O primeiro-ministro Keir Starmer declarou, após reunião de gabinete nesta terça-feira (12), que não pretende renunciar, mesmo sob pressão depois da derrota do Partido Trabalhista nas eleições locais da semana passada.
Às 6h54, a Bolsa de Londres recuava 0,65%, Paris perdia 0,68% e Frankfurt cedia 1%. Milão, Madri e Lisboa registravam baixas de 0,93%, 1,04% e 0,28%, respectivamente.
No curto prazo, o comportamento das bolsas europeias segue condicionado à evolução do conflito no Oriente Médio, ao efeito do petróleo sobre a inflação e ao quadro político britânico. Não foram divulgadas, no material de origem, novas projeções de instituições financeiras para o fechamento dos mercados nesta sessão.
As bolsas asiáticas encerraram o pregão desta terça-feira (12) sem direção única, em meio ao aumento da cautela nos mercados internacionais. O principal destaque foi a queda de 2,29% do índice Kospi, da Coreia do Sul, para 7.643,15 pontos, após cinco sessões consecutivas de renovação de máximas históricas. No mesmo ambiente, os preços do petróleo avançaram pela terceira sessão seguida.
Em Seul, o recuo do Kospi veio depois de um rali recente de ações ligadas ao setor de chips, apoiado pelo otimismo com inteligência artificial. No Japão, o Nikkei subiu 0,52%, aos 62.742,57 pontos, com suporte de papéis do segmento eletrônico. Em Hong Kong, o Hang Seng caiu 0,22%, aos 26.347,91 pontos, enquanto o Taiex, de Taiwan, avançou 0,26%, para 41.898,32 pontos.
Na China continental, o viés foi negativo. O índice Xangai Composto recuou 0,25%, aos 4.214,49 pontos, e o Shenzhen Composto perdeu 0,63%, aos 2.903,98 pontos. Na Oceania, o S&P/ASX 200, da Austrália, cedeu 0,36%, aos 8.670,70 pontos.
O movimento foi influenciado pelos desdobramentos do conflito no Oriente Médio. Segundo declarações públicas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a contraproposta do Irã ao plano de paz da Casa Branca foi classificada como “lixo” e “inaceitável”. Trump também afirmou que o atual cessar-fogo entre Washington e Teerã está em “estado crítico”.
Nesse cenário, o petróleo Brent subia 2,5% por volta de 5h40, no horário de Brasília, perto de US$ 107 por barril. A valorização da commodity reforça o monitoramento de custos de energia e logística, fator relevante para cadeias produtivas e exportadoras.
O comportamento das bolsas na Ásia indica que o mercado segue sensível ao risco geopolítico e ao petróleo. No material de referência, não há projeções adicionais de analistas para os próximos pregões.
No morning call desta terça-feira (12), a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta que o petróleo acima de US$ 104 por barril pressiona juros globais e reacende temores inflacionários após deterioração das negociações entre EUA e Irã.
Wall Street renovou máximas, mas o Ibovespa caiu mais de 1% com abertura da curva doméstica. O real segue resiliente abaixo de R$ 4,90.
Hoje, atenção ao CPI dos EUA e ao IPCA de abril no Brasil.
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O possível retorno do El Niño começa a ganhar peso no mercado da soja em maio, segundo informações da Grão Direto. O fenômeno pode aumentar as chuvas no Sul do Brasil e manter irregularidade hídrica no Centro-Oeste, em um momento em que produtores ainda finalizam a colheita e já planejam os próximos ciclos.
El Niño entra no radar da soja
O clima voltou ao centro das atenções no mercado da soja. De acordo com informações da Grão Direto, sinais de retorno do El Niño começam a aparecer neste mês de maio, exigindo atenção redobrada de produtores, tradings e investidores.
No Sul do Brasil, a tendência é de aumento das chuvas nas próximas semanas. O cenário pode afetar produtores que ainda estão finalizando a colheita ou organizando a safra de inverno, especialmente em áreas mais sensíveis ao excesso de umidade.
Chuvas no Sul podem atrasar operações no campo
A intensificação das chuvas no Sul tende a impactar diretamente o ritmo das atividades agrícolas. Produtores que ainda não concluíram a colheita precisam monitorar janelas de tempo firme para evitar perdas operacionais e dificuldades logísticas. Além da colheita, o planejamento da safra de inverno também pode ser afetado. Solos encharcados dificultam a entrada de máquinas, atrasam o plantio e podem comprometer o calendário agrícola em algumas regiões.
Centro-Oeste segue sob atenção por calor e chuva irregular
Enquanto o Sul deve enfrentar maior volume de chuva, o Centro-Oeste continua no radar por causa da irregularidade das precipitações e do calor acima da média. Esse cenário pode afetar a umidade do solo para os ciclos seguintes. A condição é relevante porque o Centro-Oeste concentra parte expressiva da produção nacional de soja e depende de regularidade climática para manter o potencial produtivo das próximas safras.
Apesar do foco crescente no El Niño, outros fatores seguem influenciando os preços. O contrato de soja spot em Chicago, com vencimento em maio de 2026, encerrou a semana cotado a US$ 11,94 por bushel, com leve alta de 0,59%. O contrato março de 2027 também avançou, com valorização de 0,42%. No Brasil, o índice FOB Santos, indicador exclusivo da Grainsights, teve alta de 0,10% na semana, encerrando cotado a R$ 132,82 por saca.
A Grão Direto aponta que o movimento foi sustentado inicialmente pela força do complexo energético, especialmente o petróleo, e pela alta demanda das indústrias de esmagamento nos Estados Unidos. No Brasil, os prêmios de exportação seguiram firmes diante da demanda externa, ajudando a compensar a pressão da ampla oferta sul-americana.
Nos Estados Unidos, o clima também influencia as cotações. O avanço acelerado do plantio e as previsões de tempo favorável no Corn Belt passaram a funcionar como um teto para novas altas. Com esse cenário, o mercado começou a precificar uma oferta global confortável. Sinais vindos da China sobre uma possível redução gradual nas importações de soja também trouxeram cautela aos investidores e limitaram ganhos mais expressivos no encerramento da semana.
A expectativa agora se volta ao relatório mensal de oferta e demanda do USDA, o WASDE, previsto para terça-feira, 12 de maio. De acordo com a Grão Direto, o mercado projeta que o órgão norte-americano possa elevar as estimativas de produção para o Brasil e apresentar projeções mais robustas para a safra 2026/27 dos Estados Unidos.
A visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China, prevista para começar na quinta-feira, 14 de maio, também deve ser acompanhada de perto. A Grão Direto informa que há expectativa de novos acordos de compra de soja norte-americana pelos chineses, o que poderia alterar o fluxo global da commodity e dar novo suporte aos preços na CBOT.
Impacto para o produtor
Para o produtor brasileiro, o retorno do El Niño reforça a necessidade de atenção ao planejamento operacional. No Sul, o excesso de chuva pode interferir na colheita e na implantação da safra de inverno. No Centro-Oeste, calor e precipitações irregulares mantêm a preocupação com a umidade do solo. Com clima, geopolítica e oferta global no radar, o mercado da soja deve seguir volátil. A sustentação dos preços ainda depende do comportamento da demanda externa, do avanço das lavouras nos Estados Unidos e da intensidade dos efeitos climáticos nas principais regiões produtoras.
A elaboração do documento é resultado de uma trajetória de anos de pesquisa em doenças infecciosas na Embrapa e também uma demanda de criadores de caprinos leiteiros que foi enfatizada durante atividades de campo do Projeto Dom Hélder Câmara (PDHC), entre 2019 e 2023, na região da divisa entre os estados da Paraíba e Pernambuco.
Segundo o pesquisador da área de Sanidade Animal da Embrapa Caprinos e Ovinos (CE) Selmo Alves, a interação com os produtores mostrou alguns aspectos que podem ser melhorados com orientações específicas de manejo e implementadas por meio de planos, em conjunto entre criadores, extensionistas e agentes públicos.
“Nós verificamos a necessidade de uma orientação para biosseguridade, envolvendo questões como quarentena e outros cuidados na entrada e trocas de animais nos rebanhos, para que tudo seja feito com melhor critério sanitário”, ressalta Alves, um dos autores do Guia.
“Vimos uma ânsia de informações muito grande, por parte de técnicos e de produtores, sobre como ter um rebanho mais saudável, aumentando produção e qualidade”, acrescenta Rizaldo Pinheiro, também pesquisador da Embrapa Caprinos e Ovinos e outro autor da publicação.
De vacina a resíduos da produção
No Guia, estão recomendações de protocolos para quarentena e monitoramento de animais, vacinação, higienização de instalações, fornecimento de alimentação e o manejo adequado de animais enfermos e de resíduos da produção.
A publicação traz também um anexo com um check-list que permite aos usuários verificar como está o cumprimento de orientações de manejo sanitário nas propriedades, ajudando a verificar aspectos para melhoria que podem prevenir enfermidades como a Agalaxia Contagiosa, Artrite Encefalite Caprina, Clamidiose, Paratuberculose e Toxoplasmose.
A ideia da publicação com informações acessíveis ao público entusiasma produtores rurais como Geneci Lemos, de Coxixola, na região do Cariri Paraibano. “É excelente, algo essencial para fazermos um controle e acompanhar o rebanho”, ressalta.
O criador, que há anos é parceiro da Embrapa em projetos de pesquisa e transferência de tecnologia, destaca que a troca de informações sobre biosseguridade para seu rebanho já trouxe autonomia e melhorias na rotina da atividade.
“Com o aprendizado dos cursos, dos dias de campo, hoje eu sei coletar fezes de uma cabra para fazer OPG (exame de contagem de ovos de larvas em fezes de animais que permite mensurar grau de infecção por verminose), dou remédios se for preciso, essas atividades mais básicas. Com essas informações, já consigo evitar vários prejuízo”, frisa Geneci.
Para o médico-veterinário Flávio Mergulhão, que integrou as ações da Embrapa no Cariri Paraibano como bolsista do PDHC e hoje atua na região pelo projeto InovaCapri, o Guia traz a vantagem de ser referência para um roteiro de procedimentos sanitários que podem ser monitorados por técnicos, consultores e produtores rurais.
“Um monitoramento analítico identificaria pontos estruturais da propriedade e falhas no manejo que auxiliam na disseminação das adversidades sanitárias. Dessa forma, é possível direcionar ações preventivas e de tratamento das enfermidades”, diz Mergulhão.
Evitar prejuízos
Além do potencial de promover bem-estar aos rebanhos, a elaboração do Guia também tem como objetivo evitar que caprinocultores tenham prejuízos com impactos de doenças na qualidade do leite e, consequentemente, perdas de mercados consumidores.
Alves ressalta que a contaminação de doenças infecciosas pode tornar o leite inadequado para o processamento e para que seja comercializado para mercados do Brasil e do exterior.
“Se houver oportunidade de um mercado aberto para o leite caprino brasileiro, a primeira providência que outro país adota é analisar, em concordância com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que tipos de doenças podem contaminar os rebanhos locais. Essa questão de mercado é muito delicada”, frisa o pesquisador.
Saúde Única e prevenção de zoonoses
Foto: Adilson Nóbrega
A preocupação em disseminar boas práticas de manejo para controle e prevenção de doenças na caprinocultura leiteira também contempla uma apreensão mais abrangente, relacionada à estratégia de Saúde Única. Algumas enfermidades que acometem os animais são zoonoses, capazes, portanto, de infectar pessoas e trazer riscos à saúde humana.
“Não podemos estudar uma doença de forma estanque, só em uma espécie. No período das pesquisas no PDHC, vimos relatos de que vários produtores rurais tiveram problema com a toxoplasmose, com problemas neurológicos, oculares e até relacionados a abortos. É uma doença problemática e hoje disseminada em todo o Nordeste”, alerta Pinheiro.
Um exemplo dessa abordagem integrada voltada para a saúde única aconteceu durante a execução das ações do PDHC, quando a prevalência elevada de toxoplasmose em rebanhos da região chamou a atenção da equipe do projeto, que convidou secretários de saúde dos municípios para uma reunião, em 2021, que discutiu os riscos do contágio para a saúde humana.
“Dessa forma, os secretários puderam correlacionar a doença com alguns casos clínicos em humanos, como problemas de visão e crianças infectadas por agentes teratogênicos (que atuam durante a gravidez e podem ocasionar problemas como malformações ou até mesmo mortes de bebês). A toxoplasmose pode ser transmitida via caprinos leiteiros, por meio do consumo de leite cru ou da carne sem tratamento satisfatório”, detalha Mergulhão.
Para Pinheiro, essa estratégia de foco em saúde única também é uma vantagem do caráter participativo que faz parte das orientações para a construção dos planos de biosseguridade. Ao reunir produtores, técnicos e profissionais de forma multidisciplinar em sua elaboração, essas ações podem identificar problemas e soluções de forma mais abrangente e completa.
“Muitas vezes um médico vai para o campo, fica centrado na ocorrência de doenças humanas e algumas zoonoses podem ser negligenciadas. A partir de um alerta sobre a prevalência do problema, isso pode facilitar diagnóstico, tratamento e tempo de resposta”, diz.
Aplicação e rotinas de manejo
Foto: Rizaldo Pinheiro
Ao disponibilizar orientações a respeito do manejo sanitário, a ideia do Guia é trazer a agricultores, extensionistas e gestores públicos informações que sirvam como referência para a saúde animal e a saúde pública.
Uma das ferramentas presentes na publicação é um formulário de diagnóstico para que as propriedades rurais possam monitorar o cumprimento de normas sanitárias.
Segundo Alves, o formulário atende a um contexto da caprinocultura leiteira, atividade predominantemente composta por agricultores familiares, que necessita de informação sobre cuidados com aspectos como movimentação de animais que podem exigir medidas de isolamento e quarentena.
“Na propriedade pode acontecer compras de animais, trocas, participações em feiras e exposições em que é preciso prevenir as possibilidades de disseminação de doenças. E é importante que o técnico ou o produtor tenha um olhar para qualquer mudança de comportamento no rebanho: um animal que não chega na instalação, que fica isolado, já é possibilidade de estar com algum sintoma”, exemplifica Alves.
O questionário presente no formulário permite que o usuário possa observar:
Questões relacionadas às instalações e equipamentos;
Condições de alimentos e água;
Protocolos para entrada de pessoas e veículos na propriedade; e
Descarte de resíduos de produção.
“Acredito que esse Guia vai auxiliar muito técnicos e produtores na obtenção de produtos melhores, além de maior produção e satisfação, impactando diretamente o bem-estar do animal e das famílias”, observa Pinheiro.
Além de Alves e Pinheiro, o Guia também conta com a coautoria de Alice Andrioli (pesquisadora da Embrapa Caprinos e Ovinos) e das zootecnistas Zenaide Olímpio e Ana Milena Lima, que atuaram como bolsistas no PDHC.
A atenção para controle e prevenção de doenças infecciosas requer atenção para as frentes da biosseguridade externa (controle prévio para evitar introdução de agentes causadores de doenças na propriedade) e interna (controle dos fatores dentro da propriedade rural). As principais medidas recomendadas no Guia são:
1) Biosseguridade externa
Quarentena e monitoramento: período de isolamento para animais recém-adquiridos, com monitoramento da saúde para detecção precoce de enfermidades;
Controle de entrada de animais e de materiais genéticos: exames clínicos, diagnósticos de enfermidades e desinfecção;
Cercas externas: para limitar o acesso de animais domésticos de vizinhos e animais selvagens, que podem ser portadores de doenças;
Controle de visitantes: medidas rigorosas para visitantes e técnicos, como o uso de vestimentas e calçados adequados;
Limpeza de veículos e equipamentos: devem ser devidamente limpos e desinfetados antes de entrar na propriedade, para evitar a disseminação de patógenos;
Pedilúvios (recipientes que contêm solução para desinfetar os cascos dos animais): Instalação de pedilúvios na entrada da propriedade para a desinfecção de calçados e pneus.
2) Biosseguridade Interna
Separação por categoria: manter animais separados por faixa etária ou categoria produtiva para reduzir o risco de transmissão de doenças entre grupos;
Isolamento de animais doentes: isolar rapidamente animais com sintomas, tratando-os em áreas separadas para evitar que a doença se espalhe pelo restante do rebanho;
Manejo sanitário: cumprir rigorosamente os planos de vacinação e de vermifugação, orientados por médicos-veterinários;
Higiene de alimentos: fornecer água potável limpa e alimentação balanceada, armazenando rações em bombonas plásticas fechadas para evitar contaminação por roedores e insetos;
Controle de pragas: implementar o controle integrado de roedores, insetos e outras pragas dentro das instalações;
Destino adequado de resíduos: descartar restos de placenta, fetos abortados e animais mortos, utilizando locais apropriados como composteiras ou áreas de descarte que sigam normas sanitárias;
Uso de esterqueiras: armazenar o esterco em local isolado e adequado para garantir sua decomposição controlada e evitar a contaminação ambiental;
Limpeza das instalações: manter um cronograma de limpeza e desinfecção de comedouros, bebedouros e equipamentos de ordenha.