terça-feira, maio 12, 2026
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El Niño pode impactar a soja no Brasil?


O possível retorno do El Niño começa a ganhar peso no mercado da soja em maio, segundo informações da Grão Direto. O fenômeno pode aumentar as chuvas no Sul do Brasil e manter irregularidade hídrica no Centro-Oeste, em um momento em que produtores ainda finalizam a colheita e já planejam os próximos ciclos.

El Niño entra no radar da soja

O clima voltou ao centro das atenções no mercado da soja. De acordo com informações da Grão Direto, sinais de retorno do El Niño começam a aparecer neste mês de maio, exigindo atenção redobrada de produtores, tradings e investidores.

No Sul do Brasil, a tendência é de aumento das chuvas nas próximas semanas. O cenário pode afetar produtores que ainda estão finalizando a colheita ou organizando a safra de inverno, especialmente em áreas mais sensíveis ao excesso de umidade.

Chuvas no Sul podem atrasar operações no campo

A intensificação das chuvas no Sul tende a impactar diretamente o ritmo das atividades agrícolas. Produtores que ainda não concluíram a colheita precisam monitorar janelas de tempo firme para evitar perdas operacionais e dificuldades logísticas. Além da colheita, o planejamento da safra de inverno também pode ser afetado. Solos encharcados dificultam a entrada de máquinas, atrasam o plantio e podem comprometer o calendário agrícola em algumas regiões.

Centro-Oeste segue sob atenção por calor e chuva irregular

Enquanto o Sul deve enfrentar maior volume de chuva, o Centro-Oeste continua no radar por causa da irregularidade das precipitações e do calor acima da média. Esse cenário pode afetar a umidade do solo para os ciclos seguintes. A condição é relevante porque o Centro-Oeste concentra parte expressiva da produção nacional de soja e depende de regularidade climática para manter o potencial produtivo das próximas safras.

Apesar do foco crescente no El Niño, outros fatores seguem influenciando os preços. O contrato de soja spot em Chicago, com vencimento em maio de 2026, encerrou a semana cotado a US$ 11,94 por bushel, com leve alta de 0,59%. O contrato março de 2027 também avançou, com valorização de 0,42%. No Brasil, o índice FOB Santos, indicador exclusivo da Grainsights, teve alta de 0,10% na semana, encerrando cotado a R$ 132,82 por saca.

A Grão Direto aponta que o movimento foi sustentado inicialmente pela força do complexo energético, especialmente o petróleo, e pela alta demanda das indústrias de esmagamento nos Estados Unidos. No Brasil, os prêmios de exportação seguiram firmes diante da demanda externa, ajudando a compensar a pressão da ampla oferta sul-americana.

Nos Estados Unidos, o clima também influencia as cotações. O avanço acelerado do plantio e as previsões de tempo favorável no Corn Belt passaram a funcionar como um teto para novas altas. Com esse cenário, o mercado começou a precificar uma oferta global confortável. Sinais vindos da China sobre uma possível redução gradual nas importações de soja também trouxeram cautela aos investidores e limitaram ganhos mais expressivos no encerramento da semana.

A expectativa agora se volta ao relatório mensal de oferta e demanda do USDA, o WASDE, previsto para terça-feira, 12 de maio. De acordo com a Grão Direto, o mercado projeta que o órgão norte-americano possa elevar as estimativas de produção para o Brasil e apresentar projeções mais robustas para a safra 2026/27 dos Estados Unidos.

A visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China, prevista para começar na quinta-feira, 14 de maio, também deve ser acompanhada de perto. A Grão Direto informa que há expectativa de novos acordos de compra de soja norte-americana pelos chineses, o que poderia alterar o fluxo global da commodity e dar novo suporte aos preços na CBOT.

Impacto para o produtor

Para o produtor brasileiro, o retorno do El Niño reforça a necessidade de atenção ao planejamento operacional. No Sul, o excesso de chuva pode interferir na colheita e na implantação da safra de inverno. No Centro-Oeste, calor e precipitações irregulares mantêm a preocupação com a umidade do solo. Com clima, geopolítica e oferta global no radar, o mercado da soja deve seguir volátil. A sustentação dos preços ainda depende do comportamento da demanda externa, do avanço das lavouras nos Estados Unidos e da intensidade dos efeitos climáticos nas principais regiões produtoras.





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