O uso da inteligência artificial (IA) no agronegócio tem se mostrado uma solução eficaz para reduzir custos e aumentar a vida útil de equipamentos em até 40%. A afirmação foi feita por Rodrigo Quimura, diretor de energia da CESB Engenharia, durante uma entrevista no Dia Mundial da Energia, celebrado em 29 de maio.
Importância da energia no agronegócio
A data, instituída em 1981, visa conscientizar sobre o uso racional dos recursos energéticos e promover a transição para fontes limpas e renováveis. A energia é fundamental para diversas atividades do agronegócio, como:
Refrigeração
Bombeamento
Ordenha
Irrigação
Armazenagem
Como a IA pode otimizar o uso da energia
Quimura destacou que a IA permite um monitoramento em tempo real, possibilitando a detecção precoce de falhas e a realização de manutenções preditivas. Isso contrasta com as manutenções corretivas e preventivas tradicionais, que podem ser mais custosas e menos eficientes.
Benefícios da manutenção preditiva
Com a manutenção preditiva, é possível identificar problemas antes que se agravem, resultando em:
Redução de custos operacionais
Aumento da segurança no fornecimento de energia
Maior durabilidade dos equipamentos
Mensagem para o futuro energético
Quimura finalizou sua participação enfatizando a importância de buscar uma energia limpa, renovável e acessível, que traga segurança e inovação para o setor. Ele reforçou que a adoção de novas tecnologias, como a inteligência artificial, é essencial para garantir um futuro energético sustentável.
Uma certeza absoluta e inequívoca da vida na Terra está na mudança. Mas não basta ter essa consciência. Existem dois aspectos sagrados na gestão da mudança. O primeiro está na velocidade.
As mudanças fazem parte da história humana desde sempre. No início, ocorriam no clima, nos conflitos, nas pragas e nas doenças. Quem sobrevivia estava na mesma análise de Charles Darwin: “A inteligência não está no mais forte, mas em quem se adapta mais velozmente”.
Mas isso ainda era lento demais. O ser humano começou a captar antes as inexoráveis mudanças e as impulsionou com seu poder de criação. Criamos o inimaginável, como a eletricidade. Descobrimos as ondas do rádio e da telecomunicação. Desenvolvemos sementes novas, anestesias, medicina e ciência da saúde, o que expandiu consideravelmente a expectativa de vida no planeta. Fomos à Lua e sabemos o destino da Via Láctea, sua velocidade e para onde está indo.
Criamos sistemas, revoluções industriais e tecnológicas, e chegamos à era digital, da robótica e da inteligência artificial. Na agropecuária, nos últimos 50 anos, fizemos uma verdadeira revolução tecnológica. E temos, daqui para frente, a certeza de que os próximos 50 anos irão acontecer dentro dos próximos cinco.
Por isso, quem irá ao futuro? Quem já ficou no passado?
Vai ao futuro quem não perde o foco. Quem não fica distraído em desafios e incômodos paralelos, mas concentra suas atenções na natureza essencial da mudança que transforma todas as demais.
Essa é uma frase que aprendi com meu primeiro mentor empresarial, Shunji Nishimura, fundador da Jacto, em Pompeia. Em uma das crises pelas quais passávamos, ele me disse:
“Nas horas boas, prepare-se para as difíceis. Invista em inovação e tenha segurança de caixa financeira. Nas horas ruins, se você estiver preparado, irá crescer e superar. Não tema os ciclos e as crises, isso sempre existiu.”
Dessa forma, já dentro de uma máquina do tempo que viaja na velocidade da transformação de 50 anos em cinco, fica claro identificar quem está dentro dela e quem ficou na estação reclamando por não entender o que está acontecendo.
Na administração, temos hoje à disposição sistemas avançados com satélites e inteligência artificial que, a partir de uma base infinita de dados, permitem ao empresário identificar com quem deve fazer negócios para ir ao futuro e com quem não deve investir seu tempo — o ativo mais vital dentre todos.
Na velocidade das mudanças, não temos mais tempo para perder tempo com causas equivocadas.
Portanto, foco, decisão e escolha das inovações, além de relações empresariais seguras com clientes que vão ao futuro, alinhamento, alianças e parcerias globais muito além das fronteiras.
Dessa forma, foco, empatia, abertura para o mundo e consciência de que amizades também compõem um dos capitais mais importantes nessa veloz viagem, onde confiança e coragem significam fatores críticos para o sucesso.
Nesse complexo e veloz ambiente de mudanças, onde tudo muda na velocidade da luz, surge o segundo ponto sagrado da inteligência humana, que sempre irá comandar os intervalos infinitos entre os algoritmos: aquilo que nunca mudou, não muda e jamais mudará.
O que é isso?
São valores eternos que superam séculos e milênios. São verdades registradas nas lições e aprendizados da humanidade que nos trouxeram até aqui, sobrevivendo e superando as maiores dores e desgraças.
São os valores que nos prendem à evolução e com os quais podemos parar e pensar, diante de resultados mal-sucedidos: como conseguimos chegar até aqui?
Os valores da coragem, da confiança e da cooperação. Valores da criação, nos quais não apenas nos adaptamos às crises, mas criamos fatores anticrise.
A consciência humana de que podemos evoluir com dignidade de vida para todos. E, sem dúvida, a força heroica da conquista, da determinação de não sermos simplesmente dominados pela mudança, mas sim seus comandantes.
A humildade de sempre saber que nada estará perfeito e que será necessário refletir e corrigir continuamente.
Com isso, adquirimos a força automática da liderança daqueles que irão ao futuro: o caráter. Um dom que não nasce pronto, mas é aprimorado a cada instante, a cada dia.
E, cada vez mais, essa educação para a certeza de que os próximos 50 anos serão feitos nos próximos cinco já precisa ser construída na nova criança que acabou de nascer enquanto escrevo este texto.
As crianças representam esse caráter automático das inexoráveis e velozes mudanças, mas também precisam ser rapidamente educadas para os valores que nunca mudam e que comandam aqueles que mudam a todo instante.
Compreender essa diferença significa forjar, desde o berço, os novos líderes do presente, cuja conclusão é que já somos resultado do futuro.
Ao passado, aquilo que nunca mudou: os valores de caráter. Ao futuro, tudo.
Sucesso será aquilo que você faz com o sucesso — e essa resposta também será intensamente veloz.
*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
A Receita Federal do Brasil (RFB) e o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (CGIBS) informaram, nesta quinta-feira (29), a prorrogação do prazo para envio de sugestões ao Regulamento do IBS até domingo (15), às 18h. A consulta faz parte do fórum “Diálogos da Regulamentação” e reúne contribuições para as normas que vão orientar a implementação da Reforma Tributária sobre o consumo. As manifestações serão analisadas por equipes técnicas e poderão ser incorporadas a versões futuras do texto.
Segundo a Receita Federal, a prorrogação amplia o período para participação das entidades representativas já inseridas no processo de diálogo sobre a regulamentação do novo tributo. O envio deve ser feito pelo portal Tributação sobre Consumo, na opção “Fale Conosco”, com acesso por conta Gov.br.
O IBS integra a nova estrutura de tributação do consumo prevista na Reforma Tributária. Embora o comunicado não detalhe pontos específicos para o agronegócio, a fase de regulamentação é acompanhada por setores produtivos porque define procedimentos, obrigações e critérios operacionais que podem afetar custos de conformidade, apuração tributária e organização das cadeias econômicas.
Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!
No caso do agro, o tema é acompanhado por produtores, cooperativas, agroindústrias, cerealistas, tradings e entidades setoriais, já que mudanças em regras tributárias podem ter efeito sobre compra de insumos, comercialização, prestação de serviços, logística e industrialização. O alcance exato para cada segmento, no entanto, depende do conteúdo final do regulamento, que ainda está em discussão técnica.
A Receita Federal informou que as contribuições recebidas serão examinadas pelas equipes responsáveis e poderão integrar futuras versões do Regulamento do IBS. O órgão também reiterou a orientação para que os participantes utilizem o canal oficial de atendimento digital. O comunicado não informa o número de sugestões já recebidas nem apresenta cronograma detalhado para consolidação da próxima versão do texto.
A etapa atual é de coleta e análise técnica de propostas. Sem a publicação da versão consolidada do regulamento, ainda não há base suficiente para medir efeitos práticos definitivos sobre o setor agropecuário. Para entidades e agentes econômicos, o prazo até domingo (15), às 18h, é o marco formal para apresentar ajustes e observações ao texto em discussão.
A terceira reunião do Comitê do Fundo de Cooperação Brasil-China para a Expansão da Capacidade Produtiva para o Desenvolvimento Sustentável foi realizada na quarta-feira (27), na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em São Paulo. No encontro, as partes aprovaram o plano de trabalho para 2026-2027, com ênfase em agricultura sustentável, infraestrutura, logística e indústria. O comitê também revisou os avanços desde junho de 2025, incluindo a implementação de projetos prioritários e a mobilização de investimentos.
Segundo as informações divulgadas pelo Ministério da Fazenda, a reunião foi copresidida pelo secretário de Assuntos Internacionais da pasta, Mathias Alencastro, e pela vice-administradora da State Administration of Foreign Exchange (SAFE), Li Hongyan. Também participaram o diretor executivo do BNDES, Nelson Barbosa, e o presidente do ClaiFund, Yang Xiaojun.
De acordo com o comunicado oficial, o fundo mantém como diretrizes a transição ecológica, a infraestrutura sustentável e o desenvolvimento produtivo de baixo carbono. Entre as áreas contempladas estão infraestrutura de transporte, conectividade digital, modernização industrial, rodovias, telecomunicações, geração de energia, mobilidade urbana, data centers e inovação tecnológica. O material não detalha, porém, o volume financeiro dos projetos analisados nesta terceira reunião nem a parcela específica destinada ao setor agropecuário.
Para o público do agronegócio, a menção expressa a agricultura sustentável, logística e infraestrutura é o ponto central da agenda aprovada. Projetos nessas frentes podem influenciar custos de transporte, capacidade de escoamento da produção, acesso à energia e incorporação de critérios ambientais, sociais e de governança (ASG) em cadeias produtivas. Esses efeitos, no entanto, dependem da execução dos projetos e de informações adicionais sobre prazos, valores e regiões atendidas.
O Fundo Brasil-China foi recriado em junho de 2024, por meio de memorando assinado entre o Ministério da Fazenda e a SAFE durante a VII Plenária da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban), em Pequim. A próxima reunião do comitê está prevista para 2027, na China.
Até o momento, o avanço formal está na aprovação da agenda de trabalho para 2026-2027. A dimensão prática para o setor produtivo dependerá da divulgação de projetos, cronogramas, valores e critérios de aplicação dos investimentos previstos no âmbito do fundo.
A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (29), em Laranjeiras (SE), aportes superiores a R$ 70 bilhões em Sergipe. O pacote reúne investimentos em exploração de óleo e gás em águas profundas, descomissionamento de plataformas de águas rasas e retomada da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (Fafen-SE). A agenda ocorreu durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à unidade industrial.
Do total anunciado, mais de R$ 60 bilhões serão destinados ao projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP), previsto no Plano Estratégico da Petrobras. Durante o evento, a companhia assinou com a SBM Offshore os contratos de construção das plataformas P-81 e P-87. Juntas, as unidades terão capacidade para produzir até 240 mil barris de óleo por dia e processar 22 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente.
Segundo a Petrobras, o início da produção de óleo está previsto para 2030, com exportação de gás a partir de 2031. O projeto também prevê 32 poços, além de um gasoduto de escoamento de cerca de 134 quilômetros. A estatal estima que o empreendimento gere mais de 25 mil postos de trabalho diretos e indiretos. A expectativa divulgada pela companhia é elevar a participação do Nordeste na oferta nacional de gás natural de 16% para cerca de 31% até 2035.
Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!
Para o setor agropecuário, o ponto de maior conexão imediata é a Fafen-SE. A fábrica retomou a produção de amônia em dezembro de 2025 e iniciou a produção de ureia em janeiro de 2026. Com investimento de R$ 60 milhões, a planta tem capacidade de produzir 1.800 toneladas diárias de ureia, volume equivalente a aproximadamente 7% da demanda nacional, segundo a Petrobras.
A unidade produz amônia, ureia perolada e granulada, insumos relevantes para a adubação agrícola. A retomada da operação já gerou 530 empregos diretos e cerca de 1.500 indiretos. No mesmo anúncio, a Petrobras informou ainda que pretende investir cerca de R$ 12,5 bilhões até 2035 no descomissionamento de 26 plataformas em águas rasas de Sergipe, com tamponamento de 169 poços e geração estimada de 950 empregos diretos.
Com a reativação da produção de nitrogenados e a ampliação da oferta regional de gás natural, o anúncio reúne dois vetores acompanhados pelo agronegócio: disponibilidade de insumos e custo energético. Os efeitos sobre preços e abastecimento dependerão do avanço operacional dos projetos e de condições de mercado, já que não foram detalhados prazos comerciais para distribuição mais ampla desses insumos ao setor rural.
Um estudo da Embrapa Florestas e do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), publicado no Boletim Técnico nº 110, identificou 69 municípios da porção meridional do estado com condições climáticas favoráveis para o cultivo comercial de oliveiras. O levantamento foi divulgado nesta quinta-feira (29) e reúne mais de 30 anos de dados meteorológicos para reduzir incertezas na implantação de pomares.
As áreas classificadas como de menor risco estão concentradas nos Campos Gerais, Centro-Sul, Sudoeste e Sul do Paraná, em municípios como Guarapuava, Palmas, Pato Branco, São Mateus do Sul e União da Vitória. Segundo o estudo, a aptidão climática foi definida a partir da análise de horas de frio, umidade, chuva e risco de geada.
De acordo com o pesquisador da Embrapa Florestas Marcos Silveira Wrege, primeiro autor do zoneamento, a oliveira não pode ser implantada em qualquer ambiente. Ele afirmou que as regiões serranas do estado apresentam combinação mais favorável de altitude, temperaturas e umidade relativa do ar. O boletim informa que as classes mais adequadas são aquelas com acúmulo de 400 a 1.000 horas de frio, condição importante para florescimento e brotação.
O material também aponta limites climáticos para a cultura. A oliveira necessita de temperaturas inferiores a 12,5 °C entre abril e julho para a indução floral. Já umidade acima de 80% ou chuvas superiores a 50 milímetros durante o florescimento podem comprometer a polinização. O estudo ainda alerta para o risco de geadas tardias em setembro, que podem atingir a floração.
Segundo a engenheira-agrônoma e extensionista do IDR-Paraná Laís Gomes Adamuchio de Oliveira, o sucesso da atividade depende da associação entre cultivar e ambiente. O boletim indica as variedades Arbequina, Arbosana, Koroneiki e Grappolo como promissoras para o estado, por apresentarem menor exigência de frio e maior resistência a doenças, como a antracnose.
Na avaliação técnica dos autores, o zoneamento funciona como ferramenta de planejamento para agricultura familiar e empreendimentos de maior escala. A recomendação é iniciar com áreas menores e ampliar os plantios conforme o desempenho produtivo e a adaptação do manejo local.
O boletim técnico indica que a consolidação da olivicultura no Paraná dependerá de manejo adaptado ao clima subtropical, melhoramento genético e escolha criteriosa das áreas de plantio. Sem esse conjunto de fatores, o estudo não recomenda generalizar a expansão da cultura fora das zonas de menor risco identificadas.
Estimado usuário. Preencha o formulário abaixo para remeter a página.
A reposição continuou como um ponto de atenção para a pecuária – Foto: Alexandre Teixeira
O mercado pecuário brasileiro atravessou a semana com sinais mistos entre o desempenho firme das exportações e a pressão moderada sobre os preços no físico. A avaliação é da StoneX, que apontou escalas de abate ainda confortáveis na maior parte das principais praças como um dos fatores que limitaram a sustentação das cotações do boi gordo, especialmente em Minas Gerais.
No mercado físico, o movimento foi marcado por ajustes pontuais e por uma postura mais cautelosa dos compradores, em um ambiente no qual a oferta disponível seguiu suficiente para atender à demanda dos frigoríficos. Esse cenário manteve pressão sobre os preços, embora sem indicar uma mudança brusca de direção no curto prazo.
A reposição continuou como um ponto de atenção para a pecuária. Os preços ainda elevados do boi magro e do bezerro pressionaram as relações de troca, reduzindo o poder de compra do pecuarista que precisa recompor o rebanho. A piora foi mais evidente em São Paulo, onde a relação entre o boi gordo e os animais de reposição ficou menos favorável ao produtor.
No mercado externo, o quadro seguiu mais positivo. As exportações brasileiras de carne bovina permaneceram em ritmo forte, com volumes elevados e avanço expressivo da receita em relação ao ano passado. Esse desempenho reforçou a presença da proteína nacional no cenário internacional e ajudou a dar suporte ao setor, mesmo diante da pressão observada no mercado doméstico.
Na B3, os contratos futuros do boi gordo oscilaram ao longo da semana, mas encerraram próximos dos níveis registrados no início do período. O comportamento indicou um mercado ainda em consolidação, sem uma definição clara de tendência, e em busca de um novo patamar de equilíbrio entre oferta, demanda interna, reposição e exportações.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta sexta-feira (29) que a estatal pretende avaliar a ampliação da capacidade de todas as suas Fábricas de Fertilizantes (Fafens) localizadas em Sergipe, Bahia e Paraná, além da unidade em construção em Mato Grosso do Sul. Segundo a executiva, a medida ainda depende de estudos técnicos, mas integra a estratégia de elevar a produção nacional de fertilizantes nitrogenados.
O anúncio foi feito durante evento na Fafen Sergipe, com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com Magda, a avaliação da Petrobras deixou de considerar inicialmente a construção de mais cinco plantas e passou a priorizar a expansão das unidades já existentes, a partir da disponibilidade de área e de gás natural.
Segundo a presidente da estatal, a decisão poderá ser tomada ainda neste quinquênio. A estimativa apresentada por ela é que, com maior oferta de gás natural, a produção doméstica possa atender cerca de 70% a 75% da demanda brasileira por fertilizantes nitrogenados. A meta declarada pela companhia é buscar a autossuficiência nesse segmento.
Os fertilizantes nitrogenados são insumos relevantes para culturas de grande escala, como milho, trigo, cana-de-açúcar, café e pastagens, além de influenciarem custos de produção e planejamento de compra por produtores e cooperativas. Hoje, o mercado brasileiro depende de forma expressiva de importações para abastecimento desses produtos, o que expõe o setor à volatilidade internacional de preços, câmbio e logística.
Magda também citou o interesse da Petrobras em potássio, urânio e minerais críticos, mas afirmou que a companhia atualmente não possui objeto social para atuar em mineração. Nesse ponto, não foram informados cronograma, volume de investimento, capacidade adicional por unidade nem detalhes sobre eventual mudança societária ou regulatória.
Sem esses dados, ainda não é possível dimensionar o efeito operacional da proposta sobre oferta, preços ou prazos de entrada da nova capacidade.
No momento, o principal ponto técnico é que a ampliação das Fafens permanece em fase de estudo. Para o setor agropecuário, a relevância da medida dependerá da confirmação dos investimentos, da disponibilidade de gás natural e do cronograma de expansão das unidades.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira (29) que o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre de 2026 sustenta a projeção de crescimento de 2,3% para o ano, estimada pela Secretaria de Política Econômica (SPE). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a economia brasileira avançou 1,1% na comparação com o quarto trimestre de 2025 e 1,8% ante o primeiro trimestre do ano passado.
O dado divulgado pelo IBGE ficou em linha com a mediana das estimativas de analistas consultados pelo Projeções Broadcast. Para a comparação trimestral, as previsões variavam de 0,6% a 1,7%. Já na base anual, o intervalo projetado ia de 1,1% a 3,0%.
Em manifestação publicada na rede X, Durigan disse que, se a estimativa oficial for confirmada, 2026 poderá marcar o quarto ano consecutivo com crescimento do PIB acima de 2%. O ministro também associou o desempenho à política econômica adotada pelo governo federal.
Entre os componentes citados pelo ministro, o principal destaque foi a formação bruta de capital fixo, que registrou expansão de 3,5% em relação ao trimestre anterior. Segundo ele, a taxa de investimento alcançou 16,5% do PIB no período. Esse indicador é acompanhado pelo mercado por sinalizar o ritmo de ampliação da capacidade produtiva da economia.
Para o público do agronegócio, o resultado do PIB funciona como referência do ambiente econômico mais amplo, com efeitos sobre consumo, renda, decisões de investimento e condições gerais de financiamento. No entanto, o conteúdo disponível não detalha, nesta divulgação, o desempenho específico da agropecuária nem apresenta recortes sobre cadeias produtivas, crédito rural ou renda no campo.
Sem a abertura setorial completa no material fornecido, não é possível afirmar, neste momento, quais segmentos do agro contribuíram mais para o resultado agregado do trimestre.
O dado do primeiro trimestre reforça a projeção oficial de crescimento para 2026, mas a avaliação dos efeitos mais diretos sobre o setor agropecuário depende da abertura setorial do PIB e de indicadores complementares, como investimento, crédito, consumo e comércio exterior ao longo dos próximos meses.
A produção de leite no Brasil segue dinâmica e competitiva. É o que mostram dados do Levantamento Top 100 2026, realizado pela MilkPoint em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite). Juntas, as 100 maiores fazendas representam cerca de 4,7% de todo o leite formal captado no Brasil.
Nesse cenário, o relatório trouxe um marco histórico para o agronegócio nacional: pela primeira vez, as duas propriedades no topo do ranking superaram a média anual de 100 mil litros de leite comercializados por dia.
Essa marca também vem acompanhada de uma reviravolta no topo da tabela. A Fazenda Colorado, de Araras (SP), que por 12 anos consecutivos manteve a liderança de produtividade, perdeu a primeira posição para a Fazenda São José, localizada em Tapiratiba (SP).
Ganhos impressionantes de escala
Em 2025, os 100 maiores produtores do Brasil comercializaram 1,29 bilhão de litros de leite, volume 8% maior do que o registrado no levantamento anterior. Considerando a produção média das fazendas listadas no ranking, o crescimento foi de 8,7%, com 35.392 litros de leite produzidos por dia.
Esse avanço também supera o crescimento da produção leiteira no Brasil como um todo. Conforme estimativa da equipe MilkPoint Mercado, a produção formal de leite aumentou 107,4% no ano passado. Enquanto isso, a produção total cresceu aproximadamente 81,2%.
Ao comparar os dados de 2025 com os de 2001, primeiro ano de publicação do ranking, os ganhos de produtividade ficam ainda mais evidentes. A produção atual das propriedades leiteiras aumentou 444% frente ao primeiro levantamento.
Mapa do leite mostra MG no topo e PR na cola
Minas Gerais segue isolada como o estado com mais fazendas no ranking (39 propriedades) , seguida pelo Paraná (23) e São Paulo (12).
No recorte por municípios, Carambeí (PR) retomou a liderança nacional com 8 propriedades no Top 100 , desbancando a vizinha Castro (PR), que ficou com 7. Juntas, apenas as fazendas de Carambeí responderam por 9% de todo o volume do Top 100.
Entre as regiões, o Sudeste concentra 53,3% do volume total do levantamento, mas o Centro-Oeste foi o que mais cresceu percentualmente, expandindo sua produção em 16% em relação ao ano anterior.
O fim do pasto e a soberania da raça holandesa
O levantamento também revela que existe uma consolidação avassaladora dos modelos confinados entre as propriedades do ranking. Das 100 fazendas, 85 operavam em confinamento total em 2025. Em 2020, esse número era 70.
A raça holandesa domina amplamente o Top 100, estando presente em 82% das propriedades. O girolando, cruzamento de gir com holandês, aparece em segundo lugar, com 14%.
Do ponto de vista de produtividade, o destaque fica por conta da região Sul, que alcançou no ano passado uma média de 40,47 litros por animal/dia, contra a média nacional do Top 100 de 36,31 litros.
Custos, rentabilidade e desejos de crescimento
Segundo os dados, o custo médio de produção do grupo ficou em R$ 2,31 por litro. Já as grandes fazendas chegaram a receber em média R$ 2,77 por litro, uma remuneração 23% superior à de produtores de pequeno porte.
Apesar das margens pressionadas, o plano é expandir. Quase metade dos produtores (48%) declarou que a rentabilidade piorou em 2025 frente a 2024. Ainda assim, 91% das fazendas planejam crescer nos próximos três anos. Desse total, 19% delas projetam uma expansão ousada, superior a 50% no volume.