Quem vai ao futuro e quem já ficou no passado?

Uma certeza absoluta e inequívoca da vida na Terra está na mudança. Mas não basta ter essa consciência. Existem dois aspectos sagrados na gestão da mudança. O primeiro está na velocidade.
As mudanças fazem parte da história humana desde sempre. No início, ocorriam no clima, nos conflitos, nas pragas e nas doenças. Quem sobrevivia estava na mesma análise de Charles Darwin: “A inteligência não está no mais forte, mas em quem se adapta mais velozmente”.
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Mas isso ainda era lento demais. O ser humano começou a captar antes as inexoráveis mudanças e as impulsionou com seu poder de criação. Criamos o inimaginável, como a eletricidade. Descobrimos as ondas do rádio e da telecomunicação. Desenvolvemos sementes novas, anestesias, medicina e ciência da saúde, o que expandiu consideravelmente a expectativa de vida no planeta. Fomos à Lua e sabemos o destino da Via Láctea, sua velocidade e para onde está indo.
Criamos sistemas, revoluções industriais e tecnológicas, e chegamos à era digital, da robótica e da inteligência artificial. Na agropecuária, nos últimos 50 anos, fizemos uma verdadeira revolução tecnológica. E temos, daqui para frente, a certeza de que os próximos 50 anos irão acontecer dentro dos próximos cinco.
Por isso, quem irá ao futuro? Quem já ficou no passado?
Vai ao futuro quem não perde o foco. Quem não fica distraído em desafios e incômodos paralelos, mas concentra suas atenções na natureza essencial da mudança que transforma todas as demais.
Essa é uma frase que aprendi com meu primeiro mentor empresarial, Shunji Nishimura, fundador da Jacto, em Pompeia. Em uma das crises pelas quais passávamos, ele me disse:
“Nas horas boas, prepare-se para as difíceis. Invista em inovação e tenha segurança de caixa financeira. Nas horas ruins, se você estiver preparado, irá crescer e superar. Não tema os ciclos e as crises, isso sempre existiu.”
Dessa forma, já dentro de uma máquina do tempo que viaja na velocidade da transformação de 50 anos em cinco, fica claro identificar quem está dentro dela e quem ficou na estação reclamando por não entender o que está acontecendo.
Na administração, temos hoje à disposição sistemas avançados com satélites e inteligência artificial que, a partir de uma base infinita de dados, permitem ao empresário identificar com quem deve fazer negócios para ir ao futuro e com quem não deve investir seu tempo — o ativo mais vital dentre todos.
Na velocidade das mudanças, não temos mais tempo para perder tempo com causas equivocadas.
Portanto, foco, decisão e escolha das inovações, além de relações empresariais seguras com clientes que vão ao futuro, alinhamento, alianças e parcerias globais muito além das fronteiras.
Dessa forma, foco, empatia, abertura para o mundo e consciência de que amizades também compõem um dos capitais mais importantes nessa veloz viagem, onde confiança e coragem significam fatores críticos para o sucesso.
Nesse complexo e veloz ambiente de mudanças, onde tudo muda na velocidade da luz, surge o segundo ponto sagrado da inteligência humana, que sempre irá comandar os intervalos infinitos entre os algoritmos: aquilo que nunca mudou, não muda e jamais mudará.
O que é isso?
São valores eternos que superam séculos e milênios. São verdades registradas nas lições e aprendizados da humanidade que nos trouxeram até aqui, sobrevivendo e superando as maiores dores e desgraças.
São os valores que nos prendem à evolução e com os quais podemos parar e pensar, diante de resultados mal-sucedidos: como conseguimos chegar até aqui?
Os valores da coragem, da confiança e da cooperação. Valores da criação, nos quais não apenas nos adaptamos às crises, mas criamos fatores anticrise.
A consciência humana de que podemos evoluir com dignidade de vida para todos. E, sem dúvida, a força heroica da conquista, da determinação de não sermos simplesmente dominados pela mudança, mas sim seus comandantes.
A humildade de sempre saber que nada estará perfeito e que será necessário refletir e corrigir continuamente.
Com isso, adquirimos a força automática da liderança daqueles que irão ao futuro: o caráter. Um dom que não nasce pronto, mas é aprimorado a cada instante, a cada dia.
E, cada vez mais, essa educação para a certeza de que os próximos 50 anos serão feitos nos próximos cinco já precisa ser construída na nova criança que acabou de nascer enquanto escrevo este texto.
As crianças representam esse caráter automático das inexoráveis e velozes mudanças, mas também precisam ser rapidamente educadas para os valores que nunca mudam e que comandam aqueles que mudam a todo instante.
Compreender essa diferença significa forjar, desde o berço, os novos líderes do presente, cuja conclusão é que já somos resultado do futuro.
Ao passado, aquilo que nunca mudou: os valores de caráter. Ao futuro, tudo.
Sucesso será aquilo que você faz com o sucesso — e essa resposta também será intensamente veloz.

*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.
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