sábado, março 14, 2026

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Recuperação de pastagens pode quadruplicar produtividade da pecuária, apontam estudos


O período chuvoso é considerado um dos momentos mais estratégicos para pecuaristas que desejam recuperar ou melhorar a qualidade das pastagens. Com maior disponibilidade de água no solo, insumos como calcário e fertilizantes se dissolvem com mais facilidade, favorecendo a correção do solo e estimulando o crescimento das forrageiras.

Esse cenário cria condições ideais para o manejo das áreas de pasto e para a recuperação de áreas degradadas, um desafio ainda presente em grande parte das propriedades pecuárias do país.

Segundo a engenheira agrônoma e mestre em Produção de Ruminantes Letícia Vilela, instrutora do Senar Goiás em treinamentos sobre recuperação de pastagens, aproveitar as últimas chuvas é fundamental para melhorar o desempenho da atividade pecuária.

“A água ajuda na diluição e na ação de insumos como o calcário e os fertilizantes, favorecendo a correção do solo e o desenvolvimento do capim”, explica.

Recuperação de pastagens pode aumentar produtividade

Investir no manejo e na recuperação de pastagens pode trazer ganhos significativos para a pecuária. Estudos indicam que áreas recuperadas podem aumentar a produtividade em até quatro vezes.

Em sistemas bem manejados, a produção pode sair de cerca de cinco arrobas de carne por hectare ao ano para até 20 arrobas, dependendo das condições da propriedade.

O potencial de melhoria é elevado, principalmente porque grande parte das áreas utilizadas pela pecuária brasileira ainda apresenta algum nível de degradação.

Estimativas indicam que mais de 60% das pastagens do Brasil apresentam algum grau de degradação, o que reduz a capacidade de suporte do rebanho e limita a produtividade das propriedades.

Além do ganho produtivo, recuperar pastagens degradadas também pode ser mais econômico do que abrir novas áreas de produção. Estudos apontam que restaurar pastos pode custar até 72% menos do que expandir a produção por meio de desmatamento, além de contribuir para melhorar a fertilidade do solo e reduzir impactos ambientais.

Manejo do pastejo é uma das práticas mais eficientes

Entre as práticas mais simples e acessíveis para melhorar a qualidade das pastagens está o manejo adequado do pastejo.

Segundo Letícia Vilela, organizar melhor a permanência do gado nas áreas já pode trazer benefícios importantes para o desenvolvimento do capim.

“Uma ação que praticamente não tem custo para o produtor é fazer a alternância do gado entre os pastos. O animal permanece por um período em determinada área e depois é transferido para outra, permitindo que o capim descanse e se recupere”, afirma.

Esse sistema evita o sobrepastejo, situação em que o gado permanece por muito tempo na mesma área e compromete o desenvolvimento da pastagem.

A especialista explica que não existe um período fixo para essa troca, já que o tempo de recuperação depende do crescimento da forrageira.

“O pasto precisa ser pastejado e depois descansar. Não existe um número exato de dias para isso. O produtor deve observar o desenvolvimento do capim e permitir que ele atinja novamente a altura adequada antes de retornar com o gado”, orienta.

Divisão das áreas melhora aproveitamento do pasto

Outra estratégia importante para melhorar o manejo das pastagens é a divisão das áreas de pastejo.

Separar um pasto grande em áreas menores permite controlar melhor o tempo de permanência do gado e o período de descanso do capim.

De acordo com Letícia Vilela, a cerca elétrica pode ser uma alternativa eficiente e mais econômica para essa organização.

“Dividir o pasto ajuda muito no manejo. Uma área grande pode ser separada em partes menores, e a cerca elétrica é uma solução prática e mais barata do que a cerca fixa. Isso facilita o rodízio dos animais e melhora o aproveitamento da pastagem”, explica.

Correção do solo é etapa fundamental

A aplicação de calcário também é considerada uma prática essencial no processo de recuperação das pastagens.

Além de corrigir a acidez do solo, o insumo contribui para melhorar as condições de crescimento das plantas.

“O calcário não atua apenas na correção da acidez. Ele fornece cálcio e magnésio, melhora o enraizamento do capim, favorece a infiltração de água no solo e estimula a atividade de microrganismos importantes para a fertilidade”, destaca a agrônoma.

A recomendação é que a aplicação seja feita com base em análise de solo, que indica a quantidade correta do insumo a ser utilizada.

“Mesmo que os resultados não apareçam de forma imediata, aplicar calcário agora, aproveitando as últimas chuvas, ajuda a preparar o solo para que a pastagem responda melhor no próximo período chuvoso”, afirma.

Vedação de pastagens ajuda a garantir alimento no período seco

Outra prática recomendada pelos especialistas é a vedação de áreas de pastagem, especialmente em capins do gênero braquiária.

Nesse sistema, o produtor mantém determinada área sem pastejo por um período para formar uma reserva de forragem.

“O produtor pode vedar uma área e deixar o capim crescer. Quando ele atingir aproximadamente a altura do joelho e ainda houver algumas chuvas, é possível colocar o gado rapidamente para retirar apenas as pontas do capim e depois fechar novamente a área”, explica Letícia.

Essa prática ajuda a manter folhas verdes por mais tempo e garante uma pastagem de melhor qualidade para o período seco, quando a oferta de alimento tende a diminuir.

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Recuperação judicial no agro: agora ficou mais claro


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Foto: Pixabay

O agronegócio brasileiro sempre foi conhecido por sua capacidade de superar crises. Clima adverso, oscilações de preços internacionais, custos elevados de produção e juros altos fazem parte da rotina do produtor rural. Mas, nos últimos anos, um fenômeno relativamente novo começou a ganhar força no campo: o aumento expressivo dos pedidos de recuperação judicial.

Diante desse cenário, o Conselho Nacional de Justiça decidiu agir. O chamado Provimento nº 216 estabelece regras mais claras e uniformes para a recuperação judicial e a falência de produtores rurais em todo o país. Pode parecer um detalhe jurídico, mas na prática é uma mudança importante para quem produz, financia e investe no agronegócio.

Nos últimos anos, o que se viu foi uma verdadeira corrida ao Judiciário. Em muitas regiões do país, produtores passaram a recorrer à recuperação judicial como forma de reorganizar dívidas acumuladas após safras difíceis, queda de preços ou aumento dos custos financeiros. Até aí, nada de anormal. A recuperação judicial é um instrumento legítimo para empresas — e o produtor rural, quando exerce atividade empresarial, também pode recorrer a ele.

O problema é que, em meio a esse movimento, surgiram distorções. Decisões judiciais divergentes, interpretações diferentes da lei e, em alguns casos, o uso estratégico da recuperação judicial acabaram criando insegurança jurídica no mercado de crédito rural.

Bancos, cooperativas, tradings e fornecedores passaram a conviver com dúvidas importantes: quais dívidas realmente entram na recuperação? Quem de fato pode pedir esse tipo de proteção judicial? E quais são os critérios para que a Justiça aceite o pedido?

É justamente nesse ponto que o novo provimento do Conselho Nacional de Justiça tenta colocar ordem na casa.

A partir de agora, o produtor rural que quiser recorrer à recuperação judicial terá que comprovar de forma clara e documentada que exerce atividade empresarial no campo. Não basta apenas alegar dificuldades financeiras. Será necessário demonstrar histórico de atividade, organização contábil e transparência nas informações apresentadas ao Judiciário.

Além disso, o juiz poderá determinar uma verificação prévia da situação da propriedade e da atividade rural antes mesmo de aceitar o processamento da recuperação. Essa etapa funciona como uma espécie de filtro, evitando pedidos frágeis ou inconsistentes.

Outro ponto importante é a delimitação das dívidas que podem ou não entrar no processo de recuperação. Alguns instrumentos muito utilizados no financiamento da produção agrícola passam a ter tratamento mais definido, reduzindo disputas judiciais que vinham se multiplicando.

O objetivo é preservar o produtor que realmente precisa reorganizar suas finanças, mas evitar que a recuperação judicial se transforme em um atalho para suspender obrigações assumidas no mercado.

É importante deixar claro que recuperação judicial não é perdão de dívida. Trata-se de um processo de reorganização financeira supervisionado pela Justiça, que exige negociação com credores e apresentação de um plano realista de pagamento.

Para o produtor rural, a principal mensagem é : organização financeira e gestão profissional passaram a ser ainda mais essenciais. O agro brasileiro cresceu, se sofisticou e se integrou aos mercados globais. Naturalmente, isso também exige mais disciplina na forma de administrar riscos e compromissos financeiros.

O Provimento 216 não resolve os problemas de endividamento do setor — que, em muitos casos, estão ligados ao custo do crédito e às oscilações do mercado agrícola. Mas ele traz algo fundamental para qualquer atividade econômica: previsibilidade jurídica.

E previsibilidade, no campo ou na cidade, é sempre um ativo valioso.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Clima no radar do sojicultor: informação meteorológica ganha peso nas decisões no campo


Freepik

O clima segue como um dos principais fatores de atenção para o produtor rural brasileiro. No novo episódio do podcast Soja Brasil, o meteorologista Arthur Müller explicou como as condições climáticas atuais e as tendências para os próximos meses podem impactar diretamente o planejamento da próxima safra de soja.

Segundo Müller, o fenômeno climático conhecido como El Niño-Oscilação Sul passa por um momento de transição. Após um período marcado pela presença de La Niña, que já apresenta sinais de enfraquecimento, a tendência é de neutralidade climática no outono. No entanto, o rápido aquecimento das águas do Pacífico Equatorial indica a possibilidade de retorno do El Niño ainda entre o fim do outono e o inverno, o que pode influenciar diretamente a safra 2026/27.

O meteorologista destaca que os impactos do clima variam bastante entre as regiões produtoras do país. Enquanto áreas do Sudeste e do Centro-Oeste registram excesso de chuvas, dificultando a colheita em alguns locais, regiões do Sul enfrentam períodos de restrição hídrica. Essa variabilidade ocorre porque o Brasil possui dimensão continental, o que faz com que diferentes sistemas climáticos atuem simultaneamente sobre as lavouras.

De acordo com Müller, acompanhar previsões meteorológicas de curto, médio e longo prazo pode ajudar o produtor a reduzir riscos na tomada de decisões. Embora não seja possível prever com precisão o dia exato em que as chuvas começam meses à frente, análises climáticas permitem identificar tendências, como atrasos no início da estação chuvosa ou períodos de calor intenso que podem comprometer o plantio.

Diante desse cenário, o especialista reforça que a informação climática deixou de ser apenas uma curiosidade para se tornar uma ferramenta estratégica dentro do agronegócio. Para ele, o clima é um dos principais motores da produção agrícola: sem condições favoráveis no campo, o produtor não consegue garantir colheita nem aproveitar oportunidades de mercado.

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AgroNewsPolítica & Agro

26ª Expodireto Cotrijal reafirma protagonismo como movimento de valorização do agro


A Expodireto Cotrijal de 2026 chega ao fim nesta sexta-feira, 13 de março, em Não-Me-Toque/RS, reafirmando a robustez, a persistência e o protagonismo do agronegócio gaúcho. A feira apresentou inovações, tecnologias e lançamentos. Além disso, ao longo da semana, promoveu eventos já consolidados, assim como fóruns e eventos inéditos, debatendo o futuro do setor.

“A Expodireto Cotrijal é um porto seguro onde o produtor busca informações e encontra formas de se manter na atividade, produzindo com qualidade e sustentabilidade, para que tenhamos um mundo cada vez melhor. Portanto, eu acredito muito em todo o processo produtivo e saio daqui, enquanto produtor, muito feliz por tudo aquilo que eu vi, pelas novas tecnologias, pelas novas oportunidades e também com um conhecimento maior sobre o que existe de mais moderno no mundo para o agronegócio”, avalia o presidente da Expodireto Cotrijal, Nei César Manica.

Ao todo, o parque de 130 hectares contou com 613 expositores, incluindo as áreas de máquinas e equipamentos, produção vegetal, produção animal, instituições financeiras e de pesquisa. No Pavilhão da Agricultura Familiar, 224 empreendimentos apresentaram ao público produtos tradicionais e lançamentos. A Arena Agrodigital reuniu mais de 30 empresas, startups e hubs de inovação, apresentando as principais tecnologias e novidades para o agronegócio.

Entre os eventos, os tradicionais fóruns voltados às culturas agrícolas e à pecuária debateram as melhores práticas para produção e oportunidades de mercado. Pela primeira vez na Expodireto Cotrijal, o 1º Fórum de Seguros da Cooperativa Central de Serviços Agropecuários (CCSA) e a Abertura Nacional da Semeadura da Canola apresentaram novas perspectivas para o agronegócio. O cooperativismo também esteve em foco nos eventos promovidos pela Cotrijal para jovens, mulheres e crianças.

A organização também anunciou a data da próxima edição da feira, que será realizada de 8 a 12 de março de 2027, em Não-Me-Toque/RS. “Mesmo num período tão difícil do agro gaúcho e brasileiro, nós registramos grande presença dos produtores rurais, mostrando que o agricultor é resiliente, que ele faz a sua parte, trabalha e se dedica. Mesmo sofrendo com intempéries climáticas, o nosso agricultor acredita no campo e na sua atividade”, ressaltou o vice-presidente da Cotrijal, Enio Schroeder.

Reivindicações

Entre as principais discussões realizadas na 26ª Expodireto Cotrijal, estiveram a demanda por seguro agrícola acessível, renegociação de dívidas e medidas que assegurem condições para a permanência no campo. “O objetivo principal da Expodireto, além de mostrar tecnologia, inovação e oportunidades, é aproximar cada vez mais o produtor da nossa cooperativa, da cadeia do agronegócio e do cooperativismo como um todo. Desta forma, saímos daqui fortalecidos, buscando alternativas para as demandas do nosso produtor”, avalia o presidente Nei César Manica.

O vice-presidente Enio Schroeder lembrou da histórica atuação da feira e da cooperativa em favor dos produtores rurais. “A Expodireto sempre se destacou por dar oportunidade para aqueles que precisavam ter voz. E nós fizemos isso nesta edição novamente. Todos que vieram estão satisfeitos com o que viram, com o que foi discutido e com o acolhimento que receberam”, garante o vice-presidente Enio Schroeder.

Famílias na feira

Mais do que apenas uma feira de negócios e de busca por conhecimento, a Expodireto Cotrijal se caracteriza pela grande presença de famílias no Parque de Exposição, especialmente no Pavilhão da Agricultura Familiar e no Espaço da Natureza.

O casal Dorli Merotto e Calani Tiepo, de Água Santa/RS, trouxe a pequena Olívia, de 3 anos, para passear nos estandes. “Aproveitamos para olhar tudo, mas o que chamou mesmo atenção foi a tecnologia. Todo ano tem algo novo e precisamos nos atualizar”, afirma Merotto, que é engenheiro agrônomo e produtor de leite.

Quem também aprovou esta edição da feira foi o casal Francieli Vescovi e Celso João Herth, de Carazinho/RS. “Apesar de não atuarmos no agro, costumamos visitar a Expodireto todos os anos porque gostamos de ver os caminhões e os tratores. E, claro, sempre aproveitamos para passar no Pavilhão da Agricultura Familiar porque o preço dos produtos é muito bom”, comenta Francieli.

“O movimento de quem acredita no campo”

Em 2026, a Expodireto Cotrijal promoveu a campanha “O movimento de quem acredita no campo”, que evidencia a feira como um sistema em transformação, sempre evoluindo e alcançando novos patamares, sem se distanciar dos objetivos, valores e ideais que basearam sua fundação. A campanha ressaltou a determinação de quem acredita no campo, mesmo diante de desafios, incertezas e adversidades.





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Embrapa se une a Equador para evitar que doenças graves da banana cheguem ao Brasil


banana

Uma carta de intenções para a construção de acordo de cooperação técnica foi assinada por representantes da Embrapa, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Pesca do Equador e da Associação de Exportadores de Banana do Equador (Aebe) no dia 5 de março, no Palácio do Itamaraty, em Brasília.

O foco da iniciativa é o melhoramento genético preventivo de bananeiras do subgrupo Cavendish (popularmente conhecida por Nanica) resistentes à raça 4 Tropical (Foc R4T), a forma mais grave da murcha de Fusarium, causada pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp. cubense (Foc).

“Esperamos que esse problema se converta em uma grande oportunidade para o governo do Equador e para a Embrapa. São mais de 250 mil famílias trabalhando na produção”, disse o ministro de Agricultura, Pecuária e Pesca do Equador, Juan Carlos Vega Melo, durante a assinatura da carta de intenções.

Doença ocorre em 17 países

A Foc R4T é considerada a mais destrutiva doença da cultura em todo o mundo e já ocorre em 17 países da Ásia, África e Oceania.

Ainda não identificada no Brasil, está presente na Colômbia desde 2019, no Peru desde 2020 e na Venezuela desde 2023 — países que fazem fronteira com o Brasil — e foi identificada no Equador em 2025, fatores o que deixa a bananicultura nacional em permanente estado de atenção.

A praga faz parte do sistema de vigilância oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Programa Nacional de Prevenção e Vigilância de Pragas Quarentenárias Ausentes.

O fungo é disseminado por solo contaminado a partir de sapatos e ferramentas, mudas de bananeira (visualmente sadias, mas infectadas) e plantas ornamentais hospedeiras.

Panorama da banana no Brasil e no Equador

O Equador é atualmente o maior exportador de bananas do mundo. Em 2023, embarcou quase 4 milhões de toneladas da fruta, conforme dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Atualmente, o país destina 98% de sua produção para o comércio internacional, com destino a 75 países.

Enquanto isso, o Brasil produziu, em 2024, 7 milhões de toneladas, todas direcionadas para o consumo interno, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A validação de genótipos resistentes sob condições reais de pressão da doença é fundamental para o país e, em especial, para os bananicultores brasileiros que optam por variedades do grupo Cavendish.

“O desenvolvimento de variedades resistentes à Foc R4T e seu plantio em países onde a praga ocorre é uma questão de segurança nacional para o Brasil. Essa estratégia reduz o aumento populacional da praga, bem como o risco de disseminação e de introdução no nosso país”, contextualiza o pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA) e líder do Programa de Melhoramento Genético de Banana e Plátano da Embrapa, Edson Perito Amorim.

Segundo ele, existem apenas duas organizações no mundo que pesquisam o melhoramento de Cavendish, sendo a Embrapa uma delas.

O grupo Cavendish, mais plantado no Equador e exportado para 75 países, à exceção do Brasil, é o mesmo mais plantado no Vale do Ribeira — maior região produtora de banana do Brasil — mas não é maioria no país.

“Apesar de o IBGE não classificar a produção brasileira de banana por variedade, estima-se que 55% sejam de banana tipo Prata, 10% do tipo Maçã e o restante, de outras variedades, incluindo Cavendish e plátanos, também conhecidos como bananas da terra”, salienta Amorim.

Parcerias internacionais

reunião brasil equador embrapa banana
Foto: Maria Clara Guaraldo

A Embrapa destaca que a parceria com instituições estrangeiras tem sido essencial para o avanço das pesquisas brasileiras em busca de variedades resistentes à doença.

De acordo com a entidade, foi graças ao trabalho com a Corporação Colombiana de Pesquisa Agropecuária (AgroSavia) que o Brasil conseguiu comprovar que duas variedades de banana desenvolvidas pela Embrapa — a BRS Princesa (tipo Maçã) e a BRS Platina (tipo Prata) — são naturalmente resistentes à Foc R4T.

Com isso, atualmente, o Brasil é o único país das Américas preparado para enfrentá-la. Pesquisas com a Corporação Bananeira Nacional (Corbana), da Costa Rica, também estão em curso, com foco no grupo Cavendish, o mais consumido em todo o mundo.

“Esta é a primeira de várias oportunidades de parceria com o Equador. A cooperação internacional é fundamental para acelerar o desenvolvimento e a validação de tecnologias capazes de proteger a bananicultura mundial”, destacou a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá.

Segundo ela, a colaboração permitirá avançar em soluções que beneficiem produtores de diferentes países. “A Embrapa tem um histórico sólido de pesquisa em melhoramento genético e de desenvolvimento de cultivares adaptadas a diferentes condições tropicais. Ao unir esforços com o Equador e com o setor produtivo representado pela Aebe, ampliamos nossa capacidade de gerar e validar variedades mais resistentes, contribuindo para a sustentabilidade da produção e para a segurança alimentar”, afirmou.

Massruhá ressaltou ainda que a parceria tem caráter estratégico para o Brasil e para a agricultura global. “Doenças como a raça 4 Tropical do Fusarium representam uma ameaça concreta à produção mundial de bananas. Trabalhar de forma colaborativa com países que já convivem com a praga é essencial para antecipar soluções, reduzir riscos e garantir que os produtores tenham acesso a materiais genéticos mais resilientes”, disse.

Praga quarentenária

O chefe-geral da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Francisco Laranjeira, confirma a relevância do trabalho com países com a presença da Foc, já que a R4T é uma das 20 pragas prioritárias quarentenárias para o Brasil.

“Nunca é demais reforçar a importância desse futuro acordo de cooperação com a Aebe. São dois parceiros que se complementam: a Embrapa com o aporte científico e tecnológico, e a Aebe com a avaliação de características de mercado e de comercialização dos frutos”, diz Laranjeira.

De acordo com ele, a Embrapa pretende resolver um problema real dos plantios do Equador, que deve proporcionar que frutos de cultivares resistentes da Embrapa sejam utilizadas em mais de 75 mercados no mundo todo e diminuam a chance de que os problemas do R4T e do moko cheguem ao Brasil”, ressalta.

Moko da bananeira

Outra doença que faz parte do escopo conjunto de pesquisas é o moko da bananeira, causado pela bactéria Ralstonia solanacearum. Altamente destrutivo, o moko gera sintomas em todos os órgãos da planta que podem levar à perda total da produção.

Por enquanto, não existem medidas de controle eficientes ou cultivares de bananeiras resistentes ao moko, já presente no Equador. “O projeto discutido com o Equador, que já perdeu 3 mil hectares devido à doença, pretende também desenvolver tecnologias que podem auxiliar os produtores brasileiros num eventual aumento da disseminação dessa doença, que hoje está restrita ao Norte do Brasil, ou uma migração para outras regiões produtoras”, complementa Amorim.

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AgroNewsPolítica & Agro

Produtores de leite buscam informações para aumentar produtividade


Opções mais acessíveis para reduzir custos e aumentar a eficiência das propriedades estão entre os objetivos

A presença constante da equipe de assistência técnica da Cotrijal nos espaços da Produção Animal podem ser o fator decisivo na hora de escolher o melhor custo benefício para investir na propriedade. Durante a Expodireto Cotrijal, os pavilhões 5 e 7 se tornaram a casa da Produção Animal, com a presença da equipe técnica da cooperativa, empresas parceiras, além de animais e diversos produtos voltados ao setor.

“A visitação foi intensa durante os cinco dias de Expodireto Cotrijal”, destaca o gerente de Produção Animal, Alan Issa Rahman. “A maioria busca por informação técnica para realizar melhorias na propriedade sem necessariamente precisar investir em financiamento, utilizando de um manejo alternativo e buscando reduzir custos, sem perder a qualidade e até aumentando a produtividade”, explica.

Rahman ressalta que isso acontece principalmente devido ao cenário atual para a produção animal. “Os produtores estão mais comedidos, o que é natural para o momento. Com isso, a presença do técnico para explicar os recursos podem facilitar na hora da decisão”, finaliza.

O objetivo comum é reduzir o desperdício melhorando a utilização do que já existe na propriedade. É o caso do produtor de Não-Me-Toque/RS Victor Markmann, que visitou o espaço da Produção Animal com o objetivo de avaliar o que tem sido usado e a viabilidade. “Eu observo, por exemplo, os equipamentos utilizados aqui, quais são as raças dos animais, o que há de novo em tecnologia e como eu posso inserir isso na minha propriedade”, explica.

Aproximação

Com o objetivo de estar cada vez mais próxima dos clientes e oferecer opções e soluções para as propriedades, a Cotrijal Lojas também esteve presente no espaço da Produção Animal, facilitando o acesso dos produtores às rações produzidas pela cooperativa e disponibilizando condições especiais aos visitantes. “Vale ressaltar que a Cotrijal Lojas esteve aqui com orientações técnicas para esclarecer dúvidas e auxiliar na escolha do produto mais adequado para cada propriedade”, explica Rahman.

Outra presença é de empresas parceiras para quem busca por tecnologia, medicamentos, genética e suplementos. “Para a 26ª Expodireto Cotrijal, aumentamos a presença de empresas parceiras no espaço e devemos aumentar mais para a próxima edição”, ressalta o gerente da Produção Animal. Segundo ele, os segmentos incluem laboratórios, com opções de vacinas, antibióticos, vermífugos e outros produtos; empresas de equipamentos, como ventiladores, aspersores, bebedouros e sistemas de ordenha; além do segmento de genética e de indústrias de suplementos minerais e aditivos.

O visitante Nélio Delazeri, de Santo Antônio do Planalto/RS, é um frequentador assíduo dos pavilhões da Produção Animal. O seu olhar está mais voltado às raças, porém, destaca que todos os anos observa novas tecnologias para o setor: “gostei da organização do espaço, observei que há presença de vacas de leite e gados de corte, mas também empresas que oferecem o que existe de mais moderno no setor”.

A Produção Animal também possibilita que o público veja de perto bovinos leiteiros e de corte dos associados da Cotrijal, cedidos para exibição durante os dias de feira. “Nesta edição, optamos por dar maior representatividade ao gado holandês, já que a grande maioria dos nossos associados trabalha com essa raça. Também contamos com uma pequena participação do Gir Leiteiro — raça originária da Índia, com dupla aptidão, para leite e carne — além de exemplares de gado de corte”, finaliza Rahman.

O espaço da Produção Animal na Expodireto Cotrijal segue se destacando como um ponto de encontro entre conhecimento técnico, inovação e realidade das propriedades rurais. Ao reunir especialistas, empresas parceiras e produtores em um mesmo ambiente, fortalece a troca de experiências e contribui para que os produtores rurais tomem decisões mais seguras e eficientes, buscando sempre aumentar a produtividade com responsabilidade e sustentabilidade no campo.





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Festival Caminhos de Fogo transforma Tiradentes em capital da gastronomia na brasa


caminhos de fogo
Foto: divulgação

A cidade histórica de Tiradentes, em Minas Gerais, será novamente tomada pelos aromas da brasa e da lenha. No dia 25 de abril de 2026, o festival Caminhos de Fogo realiza sua quinta edição consecutiva, reunindo especialistas em carnes, pescados e culinária internacional em experiências ao redor da brasa.

Com o macrotema “Encontros”, o evento propõe conectar técnicas culinárias, ingredientes e culturas gastronômicas de diferentes regiões do Brasil. A proposta é transformar o fogo — seja na parrilla, na defumação, na brasa direta ou no calor lento da lenha — no elemento central que une chefs, produtores e público em torno da experiência gastronômica.

Realizado no Santíssimo Resort, no centro de Tiradentes, o festival reúne cerca de 25 chefs e personalidades da gastronomia, transitando entre a alta cozinha, o churrasco contemporâneo e a cultura gastronômica urbana.

Foto: divulgação

Chefs de todo o país participam da edição 2026

Entre os nomes que estreiam no festival neste ano estão Lierson Mattenhauer, Roberto Raviolli, Roberto Barcellos, André Paganini, Marcelo Corrêa Bastos, Rafa Gomes, Marina Lopes, Mari Mota, Helena Nicolao e Dani França Pinto.

Eles se juntam a assadores e chefs já conhecidos do público do evento, como Cristóvão Laruça, Júlia Carvalho, Marcos Livi, Sati Roig, Paula Labaki, Ligia Karazawa, Jimmy Ogro, Pedro Valsassina, Bruno Panhoca, Adriano Pedro, Adriano Geléia, Priscila Deus, Chico Mancuso, Rafael Soares e Mário Portella, entre outros convidados.

A curadoria busca apresentar diferentes abordagens da cozinha na brasa, reunindo desde técnicas tradicionais até interpretações contemporâneas da gastronomia brasileira e internacional.

Tema “Encontros” marca a quinta edição

Em 2026, o festival adota o conceito “Encontros” como eixo central da programação. A ideia é evidenciar as conexões que surgem no evento: entre cozinheiros, ingredientes, territórios e culturas culinárias.

Segundo Guilherme Macedo, idealizador e sócio do Caminhos de Fogo, a quinta edição representa um marco na trajetória do festival.

“O Caminhos de Fogo nasceu com a ideia de celebrar a cozinha feita no fogo. Agora, chegando à quinta edição, entendemos que ele se transformou em algo maior: um grande encontro da gastronomia na brasa no Brasil”, afirma.

De acordo com ele, Tiradentes se consolida como um ponto de convergência para chefs, produtores, pecuaristas, marcas e amantes da gastronomia.

“O festival também é um encontro entre pessoas, famílias, amigos e viajantes que se reúnem para viver um dia em um ambiente que mistura técnica, cultura e celebração”, destaca.

Foto: divulgação

Carnes maturadas e ingredientes brasileiros estão entre os destaques

Entre as experiências gastronômicas previstas para esta edição está uma praça dedicada às carnes maturadas, comandada pelo chef Cristóvão Laruça, especialista em carnes e técnicas de fogo.

O espaço apresentará cortes preparados com a técnica dry aged, processo de maturação a seco que intensifica sabor e textura das carnes. Algumas peças passam por mais de 30 dias de maturação antes de chegar à grelha.

Outro destaque é a participação do chef Marcelo Corrêa Bastos, pesquisador da gastronomia brasileira e fundador dos restaurantes Jiquitaia e Lobozó, em São Paulo. Seu trabalho valoriza ingredientes nacionais e explora a diversidade da culinária brasileira, com especial atenção aos pescados.

Já o chef Roberto Raviolli estreia no festival trazendo uma leitura contemporânea da cozinha italiana afetiva, inspirada em memórias familiares e tradições culinárias.

A programação também inclui preparos com carne angus, apresentados pelos chefs Júlia Carvalho e Marcos Livi, em parceria com a VPJ e a Associação Brasileira de Angus. A proposta é explorar temas como genética, qualidade da carne e os diferentes terroirs da pecuária brasileira.

Experiência gastronômica e cultural

Além das estações gastronômicas, o Caminhos de Fogo propõe uma experiência que combina gastronomia, cultura e convivência. O festival reúne cozinheiros, produtores e apaixonados pela culinária em torno da valorização da cozinha feita na brasa.

Ao longo das edições, o evento vem se consolidando como um espaço de experimentação culinária e troca de conhecimentos, conectando técnicas tradicionais e inovação na gastronomia brasileira.


Caminhos de Fogo – 5ª edição

Data: 25 de abril de 2026 (sábado)
Local: Santíssimo Resort – Rua dos Inconfidentes, 140, Centro, Tiradentes (MG)

Ingressos: disponíveis no Instagram oficial do evento
https://www.instagram.com/caminhosdefogo/

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Inteligência artificial organiza dados e decisões na gestão das fazendas


Foto: Pixabay.
Foto: Pixabay.

No sexto episódio da série “Tecnologia e Inovação”, no Giro do Boi, o zootecnista e especialista em gestão Antonio Chaker apresenta a revolução da Pecuária 6.0. O destaque é a inteligência artificial (IA) como o cérebro operacional da propriedade. Sob o lema “Sobe informação, desce decisão”, Chaker demonstra como a IA organiza o fluxo de dados para que o produtor tome decisões baseadas em lucro real.

Chaker informa que a gestão eficiente não é sobre acumular números, mas sobre transformá-los em ações. Assim, a inteligência artificial acelera esse ciclo através de quatro pilares. Ele ressalta que coletar dados que não geram atitudes é um desperdício de tempo e capital, e a IA garante que nenhum dado fique “parado” no sistema.

Confira:

Desafios da tecnologia no campo

A complexidade dos aplicativos sempre foi uma barreira para a tecnologia no campo. No entanto, em 2026, a inteligência artificial resolveu isso utilizando ferramentas que o vaqueiro já domina. Além da operação, a IA generativa atua como um consultor de negócios para o pecuarista, permitindo que o produtor suba os resultados da safra e peça à IA que identifique onde a eficiência está sendo perdida.

Além disso, a inteligência artificial pode ser utilizada para simular cenários estratégicos, questionando o sistema sobre como grandes gestores globais tomariam decisões sobre expansão de pastagens ou investimentos. Chaker afirma que a IA não substitui o homem, mas fornece “superpoderes” ao gestor, visando uma fazenda enxuta que minimiza o erro humano e maximiza a margem de lucro.

Inovações em gestão e bem-estar animal

Antonio Chaker destaca o uso de robôs que programam a mudança de pasto e sensores que analisam a qualidade da água, garantindo gestão em tempo real e bem-estar animal. O monitoramento via satélite, sensores de fadiga com IA e carretas com climatização reduzem perdas e garantem bem-estar animal em dez milhões de quilômetros rodados.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.

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News

Diesel mais caro e incertezas nas vendas preocupam sojicultores em meio à guerra no Oriente Médio


Biodiesel e soja
Imagem gerada por IA

A escalada do conflito no Oriente Médio gera reflexos no campo brasileiro. Produtores rurais relatam aumento expressivo no preço do diesel e até restrições na venda do combustível em alguns postos em pleno pico da colheita em alguns estados , o que levanta preocupação em um momento estratégico para o agronegócio.

De acordo com o produtor rural e presidente do Sindicato Rural de Marechal Cândido Rondon, Edio Chapla, o aumento foi percebido principalmente entre o fim de fevereiro e o início de março.

“Estamos vendo uma escalada de preço do diesel de uma forma até absurda na última semana de fevereiro e começo de março. Alguns produtores relataram que, ao buscar combustível nos postos, o volume vendido estava limitado, justamente para evitar que alguns façam grandes estoques enquanto outros fiquem sem”, afirma.

Segundo Chaplan, a região oeste do Paraná já praticamente concluiu as etapas mais intensivas em consumo de combustível da safra de soja. “Aqui no oeste do Paraná já finalizamos a colheita e o plantio. Então o maior consumo de diesel nessas operações já aconteceu. Agora o produtor utiliza mais nas atividades culturais da lavoura e também nas atividades pecuárias”, explica.

Mesmo assim, a preocupação permanece, principalmente porque muitos produtores costumam comprar volumes maiores de diesel para estocar e utilizar ao longo do ano.

“Muitos produtores compram em volumes maiores, em TRRs, para fazer estoque para a próxima safra. Mas esses fornecedores nem sempre têm grande volume para entrega imediata. Muitas vezes o produtor faz o pedido hoje e recebe em dois ou três dias, e o preço final só é confirmado quando o combustível chega da distribuidora”, relata.

Além do impacto direto nas propriedades, Chaplan alerta que o maior risco está na logística do agronegócio.

“A preocupação maior é com a questão da logística, principalmente da porteira para dentro. O diesel é um insumo essencial para o manejo dos animais, para transporte de ração e para diversas operações dentro da propriedade”, diz.

Ele explica que um eventual desabastecimento poderia afetar toda a cadeia produtiva.

“Se houver falta de diesel, como fica a logística das empresas para entregar ração aos produtores? E depois o transporte desses animais até os frigoríficos? A escala de abate é diária, não pode parar. Isso começa a gerar preocupação”, afirma.

O impacto poderia chegar também ao consumidor final, caso a cadeia seja afetada.

“Se o frango, o peixe ou o leite não chegam aos frigoríficos ou laticínios, toda a cadeia é afetada. Esse alimento pode deixar de chegar aos grandes centros ou até de ser exportado. Não estamos dizendo que isso vai acontecer, mas é uma preocupação real diante do cenário”, conclui Chaplan.

Segundo o produtor, o objetivo ao relatar a situação é alertar sobre os possíveis impactos sem gerar alarme desnecessário.

“Não queremos criar pânico, mas estamos atentos e preocupados com essa escalada e com o tempo que essa situação pode durar.”

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AgroNewsPolítica & Agro

Audiência pública promove debate sobre crédito de carbono na Expodireto Cotrijal 2026


A audiência pública da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado, que ocorre sempre na sexta-feira, último dia da Expodireto Cotrijal, neste ano debateu o impacto da regulamentação da Lei 15.042/2024. Sancionada em dezembro de 2024, a lei criou o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE).

O senador Luis Carlos Heinze, organizador do debate, destacou que desde o ano passado várias audiências têm sido promovidas visando ouvir os diversos setores interessados. “Aqui a ideia é evidenciar o que já está sendo feito no país para que o produtor consiga mostrar que o agro não é vilão, mas, sim, preserva, e também como produtores vêm conseguindo entrar nesse mercado”, explicou.

Dirigentes de duas cooperativas brasileiras apresentaram dados de programas que transformam práticas agrícolas sustentáveis que já eram adotadas pelos produtores em créditos comercializáveis no mercado regulado de carbono.

A cooperativa Copagril, de Marechal Cândido Rondon/PR, está com o programa em andamento há cerca de dois anos e em 2025 distribuiu mais de R$ 7 milhões em créditos de carbono. “Cerca de 70% dos nossos associados têm menos de 50 hectares e através da comercialização dos créditos oportunizamos renda adicional aos produtores participantes do programa”, destacou o presidente, Eloi Darci Podkowa, acrescentando que esse é um mercado em expansão. “Há muitas empresas, inclusive de fora do Brasil, interessadas em comprar esses créditos, só precisamos de bons projetos”.

O programa da cooperativa Cotrijuc, de Júlio de Castilhos/RS, também teve seus primeiros passos em 2024. Segundo o diretor executivo, Maicon Buzzati, a estimativa é distribuir R$ 1 milhão em créditos de carbono no segundo semestre deste ano aos associados.

O CEO da NetWord Agro, Marcos Ferronato, empresa parceira da Copagril e da Cotrijuc nos programas, explicou como funciona o monitoramento e a certificação dos produtores e destacou que o setor agropecuário brasileiro é o único capaz de gerar o crédito no volume que será demandado. “Até 2030, pelo Acordo de Paris, o Brasil deverá reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 50%, em comparação com os níveis registrados em 2005. Há muitas oportunidades que podem ser aproveitadas”, afirmou.

Novo olhar sobre a produção

O diretor de Tecnologia da Braspell Bioenergia, Afonso Bertucci, apontou as atividades agropecuária e florestal como a solução para a questão climática. Ele participou de forma online da audiência, apresentando dados especialmente relacionados ao setor florestal, e afirmou que o produtor rural precisa olhar para a sua propriedade não mais apenas como fonte de produção de alimentos, mas também de energia.

“O campo e as florestas brasileiros podem se tornar protagonistas da economia de baixo carbono, gerando receitas por meio da venda de créditos e de bioenergia. O maior desafio ainda é regularizar o mercado e as empresas terem metas que possam ser cumpridas”, defendeu.

O presidente da Cotrijal, Nei César Manica, destacou a relevância do tema e da audiência, que tradicionalmente é realizada durante a feira. “Muitas das questões aqui debatidas já foram solucionadas e esperamos que também haja avanços em relação ao mercado de carbono”, defendeu.

Também se manifestaram durante a audiência empresários, lideranças, pesquisadores e produtores. Na avaliação do presidente do Clube Amigos da Terra, Almir Rebelo, há muita desinformação em relação à emissão de dióxido de carbono (CO₂) pela agropecuária. Ele defendeu que o setor já sequestra muito mais carbono do que emite.

O chefe-geral da Embrapa Trigo, Jorge Lemainski, citou os programas de pesquisa em desenvolvimento no país pela instituição e destacou o posicionamento em buscar respostas de credibilidade. “Temos trabalho vasto em andamento nesse tema sustentabilidade e trabalhando as linhas-base para proteger a agricultura brasileira, com informação de acreditação pública, em parceria com os principais cientistas do mundo”, informou.





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