sexta-feira, março 13, 2026

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Gestão de risco vai além da Bolsa de Chicago


tela de computador com gráfico de cotações
Foto: Pixabay

O tema é a instabilidade, a insegurança, a incerteza. Eu conversei com a especialista brasileira Roberta Paffaro, com larga experiência nos Estados Unidos e que foi por muitos anos representante da Bolsa de Chicago no Brasil. Perguntei, em sua visão, como ficam os grãos, os preços e as commodities.

Segundo ela, essa é uma pergunta que “vale milhões”. Hoje, afirma, há muita instabilidade e custos em alta, o que certamente acaba sendo repassado, embora não da forma que se gostaria.

Roberta explica que, mesmo quando os preços sobem em Chicago, é preciso considerar a forma como essa referência chega ao Brasil.

“A base de precificação no Brasil é em reais. Então ela tem o desconto ou o acréscimo dependendo da região, então logística tem um peso muito grande.”

Ela destaca que a formação de preços passa por um tripé: a cotação internacional, a conversão para o real e os custos logísticos até o porto. Por isso, trazer o valor da soja negociada em Chicago para regiões produtoras como Mato Grosso ou Goiás pode resultar em preços bastante diferentes.

Ainda assim, a especialista observa que podem surgir oportunidades de mercado.

“Nós temos janelas de oportunidades onde é importante fazer uma gestão de riscos, ter uma estratégia financeira em que você pode realmente utilizar o mercado futuro para fazer uma trava de preços e aproveitar essa janela de oportunidades.”

Nesse contexto, o momento exige planejamento financeiro e também estratégias no mercado futuro para aproveitar eventuais altas.

Então questionei Roberta se a valorização da soja, do milho ou de outros grãos em Chicago automaticamente beneficia o produtor brasileiro que vende aqui. A resposta foi direta:

“Não é uma conta direta.”

Ela explica que a logística pesa muito na equação e lembra que o frete vem aumentando, influenciado pela guerra e pelos impactos no combustível. Com isso, o desconto aplicado ao preço pode ser maior.

“Então não adianta pensar que o preço subiu lá e que vai ser um efeito cascata e vai subir aqui também.”

Ainda assim, reforça que existem momentos favoráveis para travar preços e garantir resultado financeiro.

“Então existem, sim, janelas de oportunidades de que temos de aproveitar para poder fazer uma trava de preços e aproveitar financeiramente essa estratégia.”

Com essa estratégia financeira, afirma, é possível garantir a rentabilidade. Cada vez mais gestão. Gestão de risco. E Roberta acrescenta:

“Exatamente. Uma gestão de risco de preços.”

Segundo ela, existe um trabalho prévio de gestão financeira para entender os gastos e o aumento dos custos, fazer um “raio X” da empresa e, na hora da comercialização, definir as melhores estratégias para garantir rentabilidade, principalmente em tempos de incerteza.

Agradeço muito a Roberta Paffaro, que hoje é gestora e analista desse mundo com muitos anos na Bolsa de Chicago. E fica claro aqui: além de agronomia, zootecnia, veterinária, cada vez mais o agro é gestão, administração.

José Tejon

*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Novas regras para importação de cacau protegem o produtor brasileiro, comemora setor


Foto: Freepik

A redução do prazo para importação de amêndoas de cacau em regime de drawback, de dois anos para seis meses, foi estabelecida via Medida Provisória (MP) 1341/2026, publicada nesta sexta-feira (13), no Diário Oficial da União.

Na visão avaliação da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e das Federações de Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb), Espírito Santo (Faes), Pará (Faepa) e outros estados produtores de cacau, a medida vai garantir proteção e competitividade à cacauicultura nacional.

O drawback é um instrumento que permite a suspensão de tributos incidentes sobre insumos importados quando destinados à produção de bens no país para a exportação, ou seja, os efeitos da MP dificultam que a indústria substitua o cacau brasileiro por amêndoas importadas.

O diretor técnico adjunto da CNA, Maciel Silva, ressalta que o mecanismo, adotado em todo o mundo, serve para evitar a cumulatividade de impostos na cadeia produtiva, melhorando a competitividade dos exportadores brasileiros.

“Como as importações de amêndoas são realizadas predominantemente via regime de drawback, o instrumento pode estar associado ao aumento dos estoques da indústria no mercado interno e prejudica o produtor com baixa remuneração”, detalha.

Como era antes

Antes da edição da MP, as operações de drawback vinculadas à importação de amêndoas de cacau seguiam a regra geral aplicada ao regime. O prazo era de 12 meses, prorrogáveis por mais 12 meses, para que as empresas realizassem a exportação dos produtos industrializados a partir da aquisição de insumos de outros países.

Com a nova medida, o prazo máximo para as operações de importação de amêndoas de cacau com isenção do Imposto de Importação pelo regime de drawback passa a ser de seis meses.

“Ao reduzir o prazo dessas operações para até seis meses, a MP procura limitar distorções no abastecimento e compatibilizar o uso do regime com a necessidade de maior equilíbrio entre a demanda industrial e a sustentação da produção nacional”, completa.

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El Niño no radar com mais de 60% de probabilidade; Brasil pode sofrer com temperaturas elevadas


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Foto: Unsplash/reprodução

O aquecimento das águas do Oceano Pacífico indica o enfraquecimento da La Niña e aumenta a probabilidade de retorno do El Niño nos próximos meses. De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), a chance do fenômeno climático superar 60% entre o fim do outono e o inverno no Hemisfério Sul, podendo se consolidar entre a primavera e o verão, período que coincide com o desenvolvimento da próxima safra de soja no Brasil.

Nos próximos meses, porém, a tendência é de neutralidade climática. Nesse cenário, as chuvas devem se estender até o fim de abril e início de maio em parte das áreas produtoras, sem impactos negativos imediatos para as atividades no campo, especialmente para a retirada da soja e o avanço do milho segunda safra.

O maior ponto de atenção, segundo as previsões, está voltado para o início do plantio da safra 2026/27. A expectativa é de atraso no retorno das chuvas no Brasil central, acompanhado de temperaturas elevadas e possíveis ondas de calor no início da semeadura. Além disso, o Matopiba pode registrar precipitações abaixo da média.

No curto prazo, a chuva deve continuar concentrada em áreas de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, com volumes que podem ultrapassar 50 milímetros nos próximos cinco dias. Já em estados como São Paulo, Paraná e parte da região Sul, além da Bahia, o tempo tende a ficar mais firme, favorecendo o avanço das operações no campo.

Mesmo assim, os produtores devem aproveitar as janelas de tempo seco. Entre os dias 19 e 23 de março, um novo sistema deve provocar o avanço de áreas de instabilidade, trazendo volumes elevados de chuva para diversas regiões produtoras.

Na sequência, entre os dias 24 e 25 de março, a chuva volta a ganhar força na região Sul do país, com acumulados que também podem superar 50 milímetros em cinco dias. Esse cenário mantém o ritmo das lavouras dependente das condições climáticas nas próximas semanas.

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Com alta do petróleo, governo eleva projeção de inflação para 2026


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A volatilidade no mercado internacional de petróleo em meio às tensões no Oriente Médio fez o Ministério da Fazenda revisar para cima a projeção de inflação para 2026.

Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (13) pela Secretaria de Política Econômica (SPE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve encerrar o próximo ano em 3,7%, ante estimativa anterior de 3,6%.

Apesar da revisão na inflação, a pasta manteve a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,3% para 2026.

Segundo o governo, a atualização reflete principalmente o impacto do aumento no preço do petróleo no mercado internacional, que elevou as projeções de custos de combustíveis no Brasil.

Petróleo

A SPE elevou a estimativa do preço médio do petróleo para US$ 73,09 por barril em 2026, contra projeção anterior de US$ 65,97, alta de cerca de 10,8%.

O aumento foi incorporado às projeções macroeconômicas considerando que parte da elevação dos preços nas refinarias será repassada ao consumidor final.

De acordo com o estudo, o cálculo considera um repasse de 20% a 30% do preço praticado pelas distribuidoras para o valor final dos combustíveis.

Por outro lado, a valorização do real em relação ao dólar ajuda a reduzir parte dessa pressão inflacionária.

Inflação

A atualização das projeções considera também o comportamento recente do câmbio. A estimativa para a cotação média do dólar em 2026 caiu de R$ 5,43 para R$ 5,32, o que contribui para moderar parte do impacto inflacionário.

Segundo a SPE:

  • Cada alta de 1% no preço do petróleo pode elevar o IPCA em 0,02 ponto percentual
  • Cada apreciação de 1% do real frente ao dólar pode reduzir a inflação em 0,06 ponto percentual

Além do IPCA, outros indicadores também tiveram revisão:

  • INPC: passou de 3,7% para 3,8%;
  • IGP-DI: subiu de 4,6% para 4,9%.
  • O IGP-DI é mais sensível ao petróleo porque inclui itens do atacado, como produtos da indústria extrativa, derivados de petróleo e fertilizantes.

Crescimento

Mesmo com o choque de preços, o governo manteve a projeção de crescimento econômico de 2,3% para 2026.

Segundo a SPE, a alta do petróleo tende a estimular a atividade econômica brasileira porque o país se tornou exportador líquido de petróleo e derivados.

A valorização da commodity pode ampliar o superávit comercial, elevar a arrecadação com royalties e tributos do setor e impulsionar a atividade extrativa e segmentos relacionados.

Em cenário de choque mais intenso, as simulações da SPE indicam que o PIB poderia ganhar até 0,36 ponto percentual adicional, embora com pressão maior sobre a inflação.

Projeções por setor

As estimativas de crescimento para os principais setores da economia em 2026 foram mantidas com pequenas alterações:

  • Agropecuária: crescimento de 1,2%
  • Indústria: alta de 2,2%
  • Serviços: expansão de 2,4%

Segundo a equipe econômica, o desempenho da indústria em 2025 ficou abaixo do esperado, o que reduziu o chamado “carregamento estatístico” para o crescimento do setor em 2026.

Cenários

A SPE também simulou cenários mais severos ligados ao conflito no Oriente Médio, incluindo impactos de uma guerra prolongada envolvendo o Irã.

No cenário mais extremo:

  • O PIB poderia crescer 0,36 ponto percentual adicional;
  • A inflação subir até 0,58 ponto percentual;
  • A arrecadação federal aumentar até R$ 96,6 bilhões.

Segundo o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, projeções mais adversas dependeriam de interrupções relevantes na oferta global de petróleo.

Medidas

As projeções divulgadas não consideram ainda as medidas anunciadas pelo governo para reduzir o impacto da alta dos combustíveis.

Entre elas estão:

  • redução a zero do PIS/Cofins sobre o diesel;
  • subvenção de R$ 0,32 por litro a produtores e importadores;
  • criação de imposto sobre exportação de petróleo.

Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o foco no diesel ocorre porque o combustível tem forte impacto sobre a inflação, já que é amplamente utilizado no transporte de cargas e no escoamento da produção agrícola.

O governo estima que as medidas podem impedir o preço do diesel de subir R$ 0,64 por litro nas bombas. Nesta sexta, a Petrobras anunciou aumento de R$ 0,38 no litro do diesel nas distribuidoras.

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Mapa apreende mais de uma tonelada de defensivos e interdita fábrica de fertilizantes


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Foto: divulgação/Mapa

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) deflagrou, nesta quarta-feira (11), a Operação Terra Prometida no município de Patrocínio, em Minas Gerais.

Durante a fiscalização, foi identificado um depósito clandestino com mais de uma tonelada de defensivos agrícolas irregulares e cerca de 200 litros de produtos vencidos. Os materiais estavam acondicionados em sacos com rotulagem em língua estrangeira incompatível com a tradução impressa no produto, em desacordo com a legislação brasileira.

Análises preliminares realizadas por espectroscopia no infravermelho médio portátil indicaram fortes indícios da presença dos princípios ativos metsulfuron, abamectina e tiametoxam nas amostras coletadas. Os produtos foram apreendidos e o estabelecimento foi interditado.

A ação teve como objetivo combater a importação e a comercialização irregular de defensivos, além da adulteração de fertilizantes. A operação foi realizada em parceria com o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Outros produtos

No mesmo local, os fiscais também apreenderam aproximadamente 6,5 toneladas de melaço líquido, que seriam destinadas irregularmente à alimentação animal.

A operação também teve como alvo uma fábrica de fertilizantes pertencente ao mesmo responsável pelo depósito de defensivos ilícitos. No local, foram encontradas substâncias incompatíveis com a formulação registrada e com o uso proposto para esse tipo de insumo.

Diante das irregularidades, as atividades da fábrica foram suspensas. Foram apreendidos 320 kg e 416 litros de matérias-primas, além de aproximadamente 10 toneladas de fertilizantes acabados.

Medidas

O valor estimado dos produtos agropecuários irregulares apreendidos é de R$ 1.123.951. O responsável foi preso em flagrante e poderá responder criminalmente pelos crimes de contrabando e falsificação de defensivos, além das medidas administrativas cabíveis, como autuação, apreensão de produtos e suspensão das atividades.

Em relação aos ilícitos ambientais, as multas podem chegar a aproximadamente R$ 3 milhões, além da abertura de procedimentos administrativos e possíveis repercussões penais e civis para reparação de danos ambientais.

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Política externa e agronegócio: o impacto das decisões globais no campo brasileiro


Política externa e agronegócio: o impacto das decisões globais no campo brasileiro
Imagem gerado por inteligência artificial

Em um mundo cada vez mais marcado por disputas comerciais, novas regulações ambientais e tensões geopolíticas, decisões tomadas fora do Brasil passaram a influenciar diretamente o futuro do agronegócio nacional. Durante décadas, o produtor rural brasileiro acostumou-se a acompanhar de perto variáveis como clima, produtividade, custo de insumos e preços internacionais das commodities. Esses fatores continuam sendo determinantes para o desempenho do setor.

Nos últimos anos, porém, uma nova variável passou a influenciar cada vez mais o dia a dia do agro: a política externa. O agronegócio brasileiro tornou-se profundamente integrado ao comércio global. Grande parte da produção nacional de soja, milho, carnes, café, suco de laranja e açúcar tem como destino mercados internacionais. Isso significa que decisões tomadas fora do país, em governos, parlamentos e organismos multilaterais, podem ter impacto direto sobre o acesso do Brasil a esses mercados e sobre a competitividade dos nossos produtos.

Esse movimento pode ser observado em diferentes frentes da política internacional. Nos Estados Unidos, decisões de política comercial como o tarifaço anunciado por Donald Trump evidenciam como medidas adotadas por grandes economias podem alterar fluxos globais de comércio. Na Europa, novas regulações ambientais, como o mecanismo de ajuste de carbono na fronteira (CBAM) e a legislação contra o desmatamento (EUDR), vêm redefinindo as regras de acesso ao mercado europeu. Já em países asiáticos, decisões sanitárias ou comerciais podem levar, de forma repentina, ao fechamento temporário de mercados para determinados produtos, como já ocorreu em momentos específicos com proteínas animais.

Esses exemplos refletem uma transformação mais ampla no comércio internacional. Tarifas comerciais, exigências sanitárias, regras ambientais e padrões de rastreabilidade tornaram-se instrumentos cada vez mais relevantes nas disputas por acesso a mercados. Na prática, uma decisão regulatória em Bruxelas, uma negociação em Washington ou uma nova exigência sanitária em Pequim podem alterar significativamente as condições de concorrência para os produtos brasileiros.

A geopolítica recente também ajuda a explicar essa nova realidade. Tensões e conflitos no Oriente Médio, incluindo a escalada envolvendo o Irã, costumam provocar volatilidade no preço do petróleo e gerar incertezas nos mercados globais. Esses movimentos acabam repercutindo também no setor agropecuário, seja pelo impacto no custo de insumos e logística, seja pelas oportunidades que surgem em áreas como os biocombustíveis.

Nesse cenário, o Brasil ocupa uma posição estratégica. Como um dos maiores produtores agrícolas do mundo e líder na produção de biocombustíveis, o país tem capacidade de contribuir tanto para a segurança alimentar quanto para a segurança energética em um momento de instabilidade internacional. O etanol e o biodiesel, por exemplo, ganham relevância sempre que o mundo busca alternativas mais estáveis e sustentáveis às oscilações do mercado de combustíveis fósseis. Ao mesmo tempo, cresce o papel da diplomacia e da articulação política na defesa do agronegócio brasileiro. Parlamentares e lideranças do setor têm atuado cada vez mais no cenário internacional para acompanhar debates regulatórios, ampliar o acesso a mercados e defender os interesses do país.

A senadora Tereza Cristina, por exemplo, assumiu recentemente a relatoria do acordo entre Mercosul e União Europeia no Senado, um dos temas mais relevantes para o comércio exterior brasileiro. Parlamentares ligados à Frente Parlamentar da Agropecuária também têm participado de missões internacionais voltadas à promoção do agro brasileiro, à defesa comercial e à abertura de novos mercados. Essas iniciativas refletem uma realidade cada vez mais evidente. O sucesso do agronegócio brasileiro não depende apenas da eficiência produtiva dentro da porteira. Ele também está diretamente ligado à capacidade do país de se posicionar estrategicamente no cenário internacional.

A política externa, portanto, deixou de ser um tema distante para o campo. Hoje, ela influencia oportunidades comerciais, padrões regulatórios e as próprias perspectivas de crescimento do setor. Em um mundo marcado por disputas comerciais, transformações energéticas e crescente complexidade regulatória, compreender os movimentos da política internacional tornou-se parte do ambiente de negócios do agro.

*Rebecca Lucena é diretora de Relações Governamentais da BMJ Consultores Associados e cofundadora da rede Women Inside Trade (WIT)


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AgroNewsPolítica & Agro

USDA reduz previsão de exportações de arroz dos EUA


O Relatório de Oferta e Demanda de Produtos Agrícolas (WASDE), divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), indica mudanças nas projeções para o mercado de arroz na safra 2025/26 nos Estados Unidos. De acordo com o documento, a perspectiva para o cereal neste mês aponta menor oferta, consumo doméstico e residual inalterados, redução das exportações e estabilidade nos estoques finais.

Segundo o relatório, “a oferta foi reduzida devido à diminuição das importações, todo o arroz de grão longo, já que as importações da Tailândia, principal origem, continuam abaixo do ritmo recorde do ano passado”. As importações foram revisadas para baixo em 2 milhões de quintais, totalizando 45,7 milhões de quintais.

O documento também aponta revisão nas exportações do cereal. “Todas as exportações de arroz foram reduzidas em 2 milhões de quintais, para 85 milhões de quintais, todo o arroz de grão longo, devido à persistente fraqueza nas vendas e nos embarques de arroz em casca para os mercados do Hemisfério Ocidental”, informa o relatório. Com a redução das importações compensando totalmente a queda nas exportações e sem outras alterações, os estoques finais foram mantidos em 50,3 milhões de quintais.

O relatório também mantém o preço médio da safra do arroz de grão longo nos Estados Unidos. “O preço médio da safra do arroz de grão longo permanece inalterado em US$ 10,50 por quintais”, aponta o documento. Já o preço médio da safra para grãos médios e curtos de Outros Estados foi elevado em US$ 0,40 por cwt, alcançando US$ 14,20, com base nos preços reportados pelo Serviço Nacional de Estatísticas Agrícolas (NASS) e nas expectativas para o restante do ano comercial.

No cenário internacional, o relatório aponta leve redução na oferta global de arroz para 2025/26. De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), “a oferta foi reduzida em 0,1 milhão de toneladas para 732,5 milhões, principalmente devido à redução dos estoques iniciais do Brasil, já que a produção global permanece praticamente inalterada”.

O consumo mundial de arroz também foi revisado para baixo. “O consumo mundial para 2025/26 foi reduzido em 0,8 milhão de toneladas para 541,0 milhões, principalmente devido à redução das estimativas de consumo para vários países africanos”, informa o relatório.

O comércio global do cereal para a temporada foi reduzido em 1,3 milhão de toneladas, totalizando 62 milhões de toneladas. Segundo o documento, a revisão ocorre “em grande parte devido a um ritmo de exportações da Índia mais lento do que o esperado”.

Apesar da queda na oferta, no consumo e no comércio, os estoques finais globais foram revisados para cima. As projeções indicam aumento de 0,7 milhão de toneladas, alcançando 191,5 milhões de toneladas, reflexo principalmente de estoques mais elevados na Índia, que não foram totalmente compensados pelas reduções registradas em outros países.





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Imea aponta colheita da soja em 96,4% em MT; semeadura do milho se aproxima da conclusão


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Fotos: Pixabay

A colheita da safra 2025/26 de soja em Mato Grosso avançou e já alcança 96,42% da área cultivada no estado. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (13) pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Na semana anterior, em 6 de março, os trabalhos estavam em 89,15%, o que indica um avanço expressivo no ritmo das operações no campo. Apesar disso, o índice ainda permanece ligeiramente abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, quando a colheita já havia atingido 97,33% da área.

Com o avanço da retirada da oleaginosa das lavouras, os produtores também aceleram o plantio da segunda safra de milho. Segundo o Imea, a semeadura do cereal chegou a 99,20% da área prevista para a safra 2025/26.

Na semana anterior, o plantio estava em 93,68%. Em comparação com o mesmo período do ciclo passado, no entanto, o ritmo atual também aparece um pouco abaixo, já que naquele momento a semeadura alcançava 99,48% da área cultivada.

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Zerar impostos do diesel ajuda no curto prazo, mas guerra gera incertezas, diz economista


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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

As medidas adotadas pelo governo federal para reduzir o preço do diesel podem ajudar a amenizar os impactos imediatos do aumento do combustível no Brasil. No entanto, a duração desse alívio dependerá da evolução do conflito no Oriente Médio e das oscilações do mercado internacional de petróleo.

A avaliação é do economista Francisco Vila, que analisou os efeitos da decisão do governo de zerar as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel e conceder subsídios temporários ao combustível.

Segundo ele, a iniciativa é positiva no curto prazo, especialmente em um momento sensível para o agronegócio brasileiro, que está em plena fase de colheita.

“O governo reagiu bem ao reduzir impostos e conceder subsídio. Essas medidas ajudam a aliviar o impacto imediato no preço do combustível”, afirma.

Diesel mais caro pressiona transporte e custos do agro

Para o economista, a alta recente do diesel tem origem principalmente no cenário internacional, impulsionado pela escalada do conflito no Oriente Médio, que elevou os preços do petróleo.

Ele lembra que o valor do barril passou por oscilações intensas nos últimos meses.

“O diesel subiu por causa da guerra e da alta do petróleo. O barril chegou a sair de cerca de US$ 80 para perto de US$ 120 e depois recuou novamente”, explica.

Esse movimento tem impacto direto sobre o agronegócio, principalmente nos custos logísticos.

O diesel é o principal combustível do transporte rodoviário de cargas no Brasil, utilizado tanto no escoamento da produção agrícola quanto na distribuição de alimentos.

“Tem impacto no transporte da safra, no custo dos fertilizantes e em várias etapas da produção. No final, isso chega até a mesa do consumidor”, diz Vila.

Colheita amplia sensibilidade do agro aos preços do combustível

O economista destaca que o momento atual aumenta a sensibilidade do setor ao preço do diesel. Isso porque o Brasil está no período de colheita, quando grandes volumes de grãos precisam ser transportados rapidamente.

Segundo ele, a falta de capacidade de armazenagem nas propriedades intensifica essa pressão.

“Estamos na fase da colheita e grande parte da produção precisa ser transportada rapidamente porque não temos silos suficientes para armazenar no campo”, afirma.

Com isso, a produção precisa ser enviada para armazéns ou portos, elevando a demanda por transporte rodoviário e, consequentemente, pelo consumo de diesel.

Além disso, o aumento do combustível também afeta os custos de exportação.

“Os grãos vão para os portos e os navios também passam a cobrar mais. Isso pode aumentar o preço final em até 10% ou 15%”, avalia.

Medidas são temporárias e dependem do cenário externo

Apesar de considerar a reação do governo adequada, Vila ressalta que as medidas são temporárias e têm custo fiscal elevado.

Segundo ele, o pacote de redução de impostos e subsídios pode representar cerca de R$ 30 bilhões, valor que terá impacto nas contas públicas.

“Essas medidas são emergenciais. Alguém vai pagar essa conta, direta ou indiretamente”, afirma.

Para o economista, o cenário ainda é incerto e depende da evolução do conflito no Oriente Médio.

“Hoje ninguém sabe exatamente como essa guerra vai evoluir. Isso cria um ambiente de muita incerteza”, diz.

Logística é gargalo

Além da crise atual, Vila destaca que o aumento do diesel também expõe um problema estrutural da economia brasileira: a dependência excessiva do transporte rodoviário.

Diferentemente de países como os Estados Unidos, que possuem sistemas logísticos mais diversificados, o Brasil depende fortemente do transporte por caminhões.

“Transportamos quase tudo por rodovias, usando diesel. Os Estados Unidos têm navios e ferrovias muito mais desenvolvidos”, afirma.

Segundo ele, ampliar o uso de ferrovias e hidrovias é essencial para reduzir a vulnerabilidade do país às oscilações no preço dos combustíveis.

O economista também aponta oportunidades para melhorar a logística de exportação brasileira.

Um exemplo é o avanço da rota bioceânica, que conecta estados como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul aos portos do Pacífico, facilitando o comércio com a Ásia.

Segundo ele, essa alternativa pode reduzir significativamente o tempo de transporte até mercados como a China.

“A nova rota pode reduzir em cerca de 14 dias o tempo de transporte para a China”, afirma.

Conflitos e clima ampliam incertezas

Para Vila, além da guerra, outro fator que deve continuar pressionando o setor agropecuário é a instabilidade climática.

Ele avalia que eventos climáticos cada vez mais imprevisíveis têm afetado o planejamento agrícola.

“Hoje o clima é muito mais instável. Lugares onde sempre chovia agora enfrentam seca, e regiões onde não chovia passam a ter excesso de chuva”, afirma.

Transição energética ganha importância

Diante desse cenário, o economista destaca que investimentos em biocombustíveis e transição energética podem ajudar a reduzir a dependência de combustíveis fósseis.

Para ele, essa mudança será fundamental para garantir estabilidade de custos no longo prazo.

“Investir em biocombustíveis é um caminho importante para reduzir a vulnerabilidade da economia a choques externos”, conclui.

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Com alta de 0,4%, revisão do IBGE aponta safra de grãos recorde na Bahia em 2026


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Colheitadeiras de soja em fazenda no oeste da Bahia. Foto: Jefferson Aleffe

A segunda estimativa para a safra baiana de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2026 passou a ser, em fevereiro, de que a produção chegará ao recorde de 12.887.308 toneladas neste ano. Isso representa um crescimento de 0,4% (ou mais 47.731 t) em relação ao recorde anterior, registrado em 2025 (12.839.577 t).

Segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nesta sexta-feira (13), houve uma revisão para cima, de 5,3%, frente aos dados da safra em janeiro (de 12.235.097 toneladas), o que equivale a mais 652.211 toneladas. Isso se deveu a novas previsões para as produções de soja,algodão herbáceo e feijão 1ª safra.

Soja

A soja é o principal produto agrícola da Bahia, representando pouco mais de dois terços da safra de grãos no estado (67,6%).

Em 2026, a previsão é que haja uma produção recorde de 8.708.171 toneladas, 1,2% acima do colhido em 2025 (mais 102,0 mil toneladas) e com alta de 7,3% na passagem de janeiro para fevereiro (mais 593,5 mil toneladas).

O aumento da previsão da soja, entre um mês e outro, se deveu a uma maior área plantada, que deve chegar a 2.182.499 hectares, 8,1% superior ao previsto em janeiro.

Algodão

A Bahia deve produzir, em 2026, 1.550.520 toneladas de algodão, 13,6% a menos do que em 2025 (menos 243,5 mil toneladas), porém, 4,7% a mais do que o previsto em janeiro (mais 70,1 mil toneladas).

A variação positiva na estimativa, entre janeiro e fevereiro, também se deveu a um crescimento da área plantada, que passou de 338 mil para 354 mil hectares.

O estado é o 2º maior produtor nacional de algodão e deverá ser responsável por 17,5% da safra brasileira, em 2026, abaixo apenas de Mato Grosso, que deve colher 6.311.280 toneladas, ou 71,4% do total nacional (8,8 milhões de toneladas).

Entre janeiro e fevereiro, também houve, na Bahia, revisão para cima na estimativa de produção do feijão 1ª safra, de 13,6% ou mais 15.950 toneladas.

Com isso, essa safra deve somar 132.850 toneladas em 2026, ficando 53,8% maior (mais 46,5 mil toneladas) do que o registrado em 2025 (86,4 mil toneladas).

Apesar da previsão de recorde na produção de grãos na Bahia em 2026, no país como um todo, a estimativa ainda é de queda frente a 2025.

Safra nacional

A safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas deve totalizar 344,1 milhões de toneladas em 2026. Trata-se de um valor 0,6% menor (menos 2,0 milhões de toneladas) do que o de 2025 (346,1 milhões de toneladas).

Na comparação com janeiro, porém, a estimativa registrou alta de 0,4%, um acréscimo de 1,4 milhão de toneladas.

Mantendo-se essa previsão positiva, em 2026 a Bahia deve sustentar a sétima maior safra de grãos do país, respondendo por 3,7% do total nacional. Mato Grosso continua na liderança (30,2%), seguido por Paraná (13,9%) e Rio Grande do Sul (11,7%).


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