O mercado financeiro voltou a ajustar as projeções para a economia brasileira, com redução da inflação esperada em 2025 e manutenção de um cenário ainda pressionado para 2026. Os dados constam no Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (22).
A mediana das expectativas para o IPCA de 2025 caiu pela sexta semana consecutiva, passando de 4,36% para 4,33%. Para 2026, a projeção também recuou levemente, de 4,10% para 4,06%, permanecendo acima do centro da meta.
O movimento indica melhora gradual na percepção do mercado, embora as estimativas ainda sinalizem inflação resistente no médio prazo.
Para o Produto Interno Bruto (PIB), o mercado elevou marginalmente a projeção de crescimento em 2025, de 2,25% para 2,26%. Em 2026, a expectativa foi mantida em 1,80%, apontando desaceleração da atividade no próximo ano.
Câmbio e juros
No câmbio, a projeção para o dólar no fim de 2025 subiu para R$ 5,43. Para 2026, a estimativa segue em R$ 5,50, indicando percepção de taxa de câmbio mais pressionada ao longo do horizonte.
A expectativa para a taxa Selic permanece em 15% ao ano em 2025. Para 2026, o mercado projeta juros em 12,25%, sinalizando um processo de queda lento e condicionado ao comportamento da inflação.
Cenário fiscal e externo
O Focus manteve a projeção de resultado primário negativo em -0,5% do PIB em 2025 e em -0,6% do PIB em 2026. A dívida líquida do setor público segue estimada em 65,97% do PIB em 2025 e 70,25% do PIB em 2026, mantendo o tema fiscal no centro das atenções.
A expectativa para a balança comercial subiu para US$ 63 bilhões em 2025. Para 2026, a projeção foi mantida em US$ 66,1 bilhões.
Já o déficit em conta corrente é estimado em US$ 74,1 bilhões em 2025 e US$ 67,05 bilhões em 2026, reforçando a dependência da entrada de investimento direto no país.
A Agropecuária Maragogipe, localizada em Mato Grosso do Sul, registrou resultados extraordinários em 2025, consolidando-se como uma referência mundial em eficiência e genética.
Com abates de animais hiperprecoces que atingem 23,5 arrobas aos treze meses de idade e rendimento de carcaça próximo a sessenta por cento, a fazenda tem se destacado no setor.
A combinação rigorosa de seleção de fêmeas, tecnologia de ponta e um sistema de produção circular sustentável são apontados como os principais fatores do sucesso. No ano passado, a Maragogipe foi a grande campeã de abates da raça Angus e alcançou o primeiro lugar no Circuito Nelore de Qualidade, que abrange o Brasil e o Mercosul, reafirmando a força de seus cinquenta e quatro anos de evolução.
Diferente de muitos projetos que focam apenas nos reprodutores, a Agropecuária Maragogipe entende que o sucesso do animal hiperprecoce começa na barriga da vaca. A fazenda combina a tradição da inseminação artificial, prática realizada há quarenta e sete anos, com inovações na gestão de dados e recursos naturais.
Com o intuito de antecipar tendências, a Maragogipe iniciou um projeto com a raça Boran, um Zebuíno de origem africana. O objetivo é utilizar essa genética para realizar um tricross sobre as fêmeas F1 (Angus x Nelore), buscando aumentar a rusticidade e a eficiência em sistemas tropicais, mantendo o padrão de carcaça exigido pelos mercados globais.
Em um cenário onde o Brasil ultrapassou os estados Unidos na produção total de carne em 2025, o desafio da Agropecuária Maragogipe para 2026 é buscar a paridade internacional de preços, elevando ainda mais o marmoreio e o acabamento de seus produtos premium. A fazenda se posiciona para atender às crescentes demandas do mercado global.
A crise venezuelana há muito deixou de ser um assunto interno. O bloqueio recente de petroleiros que saem da Venezuela não é apenas mais um capítulo das sanções. Isso expõe uma realidade incômoda: o petróleo que sai do país hoje, em grande medida, já tem dono econômico.
Desde meados dos anos 2000, a Venezuela passou a financiar sua sobrevivência com um modelo conhecido como loans-for-oil. A China abriu linhas robustas de crédito para infraestrutura, energia e projetos estratégicos. Em troca, recebeu petróleo.
Entre 2007 e 2017, esses empréstimos somaram cerca de US$ 50 bilhões. Mesmo após renegociações, estima-se que ainda restam US$ 10 a 20 bilhões a serem quitados. Em alguns períodos, mais de 300 mil barris por dia eram enviados exclusivamente para amortizar essa dívida. Não se trata de exportação para gerar caixa novo: é pagamento.
Esse arranjo criou uma dependência severa. Grande parte da produção da PDVSA sai do país sem passar pelo caixa do governo. O petróleo já nasce comprometido com credores, sobretudo chineses.
Com o endurecimento das sanções dos Estados Unidos, a logística virou um jogo de sobrevivência. Carregamentos passaram a ser transferidos entre navios em alto-mar, rebatizados e, em alguns casos, rotulados como petróleo de outras origens para driblar restrições. O rótulo muda; a essência, não. O barril continua sendo a moeda de pagamento da dívida com Pequim.
É por isso que os bloqueios recentes não atingem apenas o governo de Nicolás Maduro. Ao interceptar petroleiros, Washington encosta diretamente nos interesses chineses. Não por discurso ideológico, mas por contrato.
A China, aliás, não saiu da Venezuela, dobrou a aposta. Em 2025, a estatal CNPC firmou acordos de longo prazo para desenvolver campos petrolíferos no país, reforçando pesquisas e exploração. Para Pequim, a Venezuela é um ativo energético estratégico, localizado justamente no entorno geopolítico mais sensível para os EUA.
Esse movimento ajuda a entender por que a pressão americana ganhou novo fôlego. Ao firmar contratos de exploração e pesquisa em 2025, a China não apenas garantiu o recebimento de dívidas passadas, mas avançou sobre o acesso direto às maiores reservas de petróleo do planeta. Para Washington, isso soa como uma invasão estratégica do capital chinês em uma área historicamente sensível à influência americana, e ajuda a explicar por que a derrubada de Nicolás Maduro passou a ter, também, um claro componente energético e geopolítico.
Nesse contexto, o risco político para Donald Trump é evidente. Se a estratégia de pressão não resultar na saída de Maduro, o custo é alto. Mobilizar força, endurecer bloqueios e não entregar resultado fragiliza a imagem internacional e também a doméstica. Mais do que isso, abre espaço para um confronto indireto com a China, algo que Washington sempre tentou evitar no Caribe.
Dessa forma o ponto central é : o petróleo venezuelano apreendido no mar não é apenas um ativo de um regime isolado. Em muitos casos, ele representa o pagamento de uma dívida chinesa, firmada em contratos que mantiveram a Venezuela de pé quando ninguém mais estava disposto a emprestar.
Ao confiscar esses barris, os Estados Unidos não pressionam só Caracas. Encostam em Pequim. E quando petróleo, dívida e geopolítica se misturam, a história mostra que os efeitos raramente ficam restritos a um único país.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
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Um estudo publicado na revista Nature Reviews Earth & Environment amplia a compreensão científica sobre os impactos do El Niño–Oscilação Sul (ENOS) sobre o Oceano Atlântico. Segundo os pesquisadores, o fenômeno climático pode determinar se a pesca aumenta ou diminui em regiões da África e da América do Sul.
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ENOS é o nome dado para a alternância entre o esfriamento (El Niño) e o aquecimento (La Niña) do Oceano Pacífico. O fenômeno acoplado nasce de variações da pressão e das circulações oceânicas e atmosféricas.
O estudo reúne evidências científicas de como o ENOS muda padrões de chuva, ventos, temperatura, salinidade do oceano e a descarga de grandes rios, afetando a disponibilidade de nutrientes e oxigênio nas águas. Essas mudanças influenciam o fitoplâncton, base da cadeia alimentar marinha, e têm reflexos na abundância de peixes e crustáceos de importância comercial.
Impactos do El Niño
Segundo o artigo, os impactos do fenômeno não são homogêneos e variam conforme a região, a espécie explorada e o período analisado. No Norte do Brasil, o El Niño atua pela via tropical e está associado à redução das chuvas na Amazônia, como observado em 2023 e 2024. A diminuição das chuvas reduz a pluma do rio Amazonas, que transporta nutrientes essenciais para a costa do Norte e Nordeste.
“Essa pluma, que chega à costa do Norte e Nordeste do Brasil, contém nutrientes que são a base da cadeia alimentar”, explica a professora Regina Rodrigues, da Universidade Federal de Santa Catarina, uma das autoras do artigo.
A redução desse aporte pode prejudicar a produtividade da pesca em algumas áreas, mas, por outro lado, pode favorecer a captura do camarão marrom, beneficiado pela menor turbidez da água e maior penetração da radiação solar.
No Sul do país, o El Niño atua pela via extratropical e está associado ao aumento das chuvas, como ocorreu no Rio Grande do Sul em 2024. O maior aporte de água doce e nutrientes tende a favorecer a pesca de determinadas espécies. Já na região central do Atlântico Sul, o fenômeno está relacionado ao aumento da captura da albacora, um tipo de atum amplamente explorado comercialmente.
A revisão ressalta, no entanto, que essas respostas variam de acordo com a espécie, a estação do ano e até a década analisada.
Objetivos da pesquisa
Segundo Ronaldo Angelini, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e coautor do estudo, a proposta da pesquisa é integrar processos físicos, biogeoquímicos e ecológicos para compreender essas variações.
“Essa abordagem ajuda a explicar por que respostas observadas na pesca nem sempre são lineares ou consistentes ao longo do tempo”, afirma Angelini, especialmente diante de um cenário de mudanças climáticas que afetam a frequência e a intensidade do ENOS.
O artigo também identifica lacunas importantes no conhecimento, como a escassez de séries históricas de dados pesqueiros e limitações das observações por satélite, e propõe caminhos para aprimorar a capacidade de previsão.
“Esse roteiro viabiliza a construção de modelos quantitativos comparáveis com estimativas de incerteza, essenciais para separar sinais de ENOS de outras variabilidades”, explica o pesquisador.
Resultado de um projeto internacional financiado pela União Europeia, com participação de instituições da Europa, África e Brasil, o estudo destaca que não existe uma resposta única do Atlântico ao ENOS. Para os autores, isso reforça a necessidade de estratégias de manejo localizadas, adaptadas à realidade de cada estoque pesqueiro e de cada comunidade.
Diante da escala global do fenômeno, que dificulta o monitoramento por países isoladamente, os pesquisadores defendem a adoção de um monitoramento oceânico coordenado, com a ampliação de redes já existentes e a integração de observatórios costeiros, utilizando protocolos comuns, dados interoperáveis e séries temporais comparáveis.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou, em dois meses, R$ 5,2 bilhões por meio do programa BNDES Liquidação de Dívidas Rurais.
A iniciativa é voltada a produtores que registraram perdas de safra em decorrência de eventos climáticos e passaram a enfrentar dificuldades para cumprir obrigações financeiras. O protocolo do programa foi aberto em 16 de outubro.
Até o momento, foram atendidos agricultores de 642 municípios, em 21 estados. O volume aprovado corresponde a cerca de 19,1 mil operações, com tíquete médio de R$ 273 mil.
Alcance do programa
Além da quitação de dívidas em atraso, o programa permite a reorganização financeira de produtores que renegociaram compromissos anteriores. A medida busca viabilizar a continuidade da atividade produtiva e a manutenção da oferta de alimentos.
“O BNDES é hoje um dos principais financiadores do agro brasileiro. Com esse programa, o governo do presidente Lula está oferecendo aos produtores rurais afetados por eventos climáticos extremos as condições para dar continuidade à sua atividade produtiva”, disse o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
“Cerca de 62% dos recursos aprovados até agora foram destinados a agricultores familiares e produtores de médio porte, que têm papel central na segurança alimentar e no desenvolvimento regional”, completa.
O programa conta com orçamento de R$ 12 bilhões do governo federal. O prazo de pagamento pode chegar a nove anos, com até um ano de carência. A distribuição dos recursos entre as instituições financeiras credenciadas seguiu a proporcionalidade da carteira de crédito rural informada ao Banco Central, conforme a Resolução do Conselho Monetário Nacional nº 5.247/2025.
A norma também definiu uma reserva inicial de recursos para cada agente financeiro, válida por 60 dias após a abertura do protocolo.
Desde o último dia 16 de dezembro, os bancos passaram a ter acesso a recursos adicionais além das reservas iniciais. Atualmente, cerca de R$ 6,8 bilhões ainda não foram comprometidos. As operações podem ser protocoladas no BNDES até 6 de fevereiro de 2026.
Quem pode acessar
O programa pode ser utilizado para liquidação ou amortização de operações de crédito rural de custeio e investimento, além de Cédulas de Produto Rural (CPR), inclusive contratos recentes. Os recursos estão disponíveis para produtores rurais, associações, condomínios rurais e cooperativas agrícolas, por meio de instituições financeiras credenciadas.
Os beneficiários devem estar localizados em municípios que tiveram reconhecimento federal de estado de calamidade pública ou situação de emergência entre 2020 e 2024, com perdas superiores a 20% em duas atividades agrícolas no período. Também é exigido registro de perdas acima de 30% em duas ou mais safras entre 2020 e 2025.
Pelo menos 40% dos recursos são reservados a produtores enquadrados no Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) e no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp). O restante atende produtores de outras linhas de crédito rural, conforme os critérios do programa.
O mercado gaúcho de soja encontra-se virtualmente paralisado, com produtores evitando firmar contratos de venda futura, de acordo com a TF Agroeconômica. “Para pagamento em dezembro, com entrega em dezembro, os preços no porto foram reportados a R$ 142,00/sc (+0,71%) semanal, enquanto no interior as referências se foram em torno de R$ 133,02/sc (+0,51%) semanal em Cruz Alta, salvo por Santa Rosa a R$ 136,00. Já em Panambi, o mercado físico apresentou manutenção, com o preço de pedra recuando para R$ 122,00/sc, sinalizando maior resistência local ao ritmo comprador”, comenta.
Santa Catarina consolida-se como estado importador líquido de soja. “A infraestrutura portuária compartilha espaço entre operações de exportação e recebimento de grãos destinados ao consumo estadual. No porto de São Francisco, a saca de soja é cotada a R$ 142,51 (+0,49%)”, completa.
O Paraná apresenta a situação mais equilibrada e robusta da região Sul. “Em Paranaguá, o preço chegou R$ 143,02 (+0,85%). Em Cascavel, o preço foi R$ 131,22 (-0,45%). Em Maringá, o preço foi de R$ 129,77 (-0,43%). Em Ponta Grossa o preço foi a R$ 132,71 (-0,31%) por saca FOB, Pato Branco o preço foi R$ 142,51 (+0,49%). Os preços em Ponta Grossa ficaram em R$ 122,00”, indica.
O Mato Grosso do Sul beneficia-se de política agressiva de atração de indústrias de esmagamento e biodiesel. “Em Dourados, o spot da soja ficou em R$ 126,02 (-0,78%), Campo Grande em R$ 126,02 (-0,51%), Maracaju em R$ 126,02 (-0,51%), Chapadão do Sul a R$ 122,96 (+0,04%), Sidrolândia a em R$ 126,02 (-0,78%)”, informa a consultoria agroeconômica.
O Mato Grosso vive cenário mais desafiador do país com equação econômica da safra perigosamente desequilibrada. “Campo Verde: R$ 121,62 (-0,27%). Lucas do Rio Verde: R$ 117,52 (+0,22%), Nova Mutum: R$ 117,52 (+0,22%). Primavera do Leste R$ 121,62 (-0,27%). Rondonópolis: R$ 121,62 (-0,27%). Sorriso: R$ 117,26 (+0,00%)”, conclui.
A segunda-feira (22) começa com tempo instável no Sul do Brasil, onde as chuvas se concentram desde a madrugada. No Rio Grande do Sul, a chuva ocorre com moderada a forte intensidade, e há risco de temporais, acompanhados de raios e rajadas de vento que podem chegar aos 80 km/h, especialmente em áreas do interior. As regiões centro-oeste e sudoeste gaúchas devem registrar os maiores volumes de chuva.
Você quer entender como usar o clima a seu favor?Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.
Entre o fim da manhã e o início da tarde, as instabilidades avançam para o leste de Santa Catarina. No noroeste do Paraná, há previsão de pancadas de chuva fracas a moderadas, com possibilidade de trovoadas. Apesar da instabilidade, as temperaturas seguem elevadas em grande parte do Sul, enquanto o sul gaúcho deve ter marcas mais amenas.
Sudeste
No Sudeste, a combinação de calor e alta umidade favorece chuva fraca a moderada nas primeiras horas do dia no oeste de São Paulo, Triângulo Mineiro, Zona da Mata, leste e noroeste de Minas Gerais, além de grande parte do Espírito Santo. Ao longo do dia, também pode chover no norte e nordeste mineiro, com chance de trovoadas. Já em áreas do estado de São Paulo, Rio de Janeiro e centro-sul de Minas Gerais, o tempo tende a ficar mais firme devido à atuação de um bloqueio atmosférico, mantendo o calor intenso e a sensação de abafamento.
Centro-Oeste
No Centro-Oeste, o dia começa com instabilidades em Mato Grosso e em grande parte de Goiás. Há risco de temporais na metade norte e oeste de Mato Grosso, enquanto no norte e oeste goiano a chuva ocorre de forma moderada, intercalada por períodos de sol. A atuação de uma baixa pressão sobre o Paraguai também reforça as instabilidades em Mato Grosso do Sul, com chuva mais intensa no norte do estado e precipitações fracas a moderadas no leste e na capital. Mesmo com a chuva, o calor permanece elevado na região.
Nordeste
No Nordeste, as instabilidades atuam com mais força no Maranhão e Piauí, e ganham intensidade no Ceará, oeste de Pernambuco e Paraíba. Também há previsão de pancadas moderadas a fortes no sul da Bahia, com risco de temporais, principalmente entre o interior do Maranhão e do Piauí e em pontos do oeste baiano. No litoral da Bahia, entre Sergipe e Pernambuco, e na metade sul baiana, a chuva ocorre de forma fraca a moderada. Nas demais áreas da região, o tempo segue firme.
Norte
Já no Norte do país, a chuva é mais fraca no extremo oeste, entre Amazonas e Acre. Em contrapartida, na metade leste do Amazonas, Pará, Amapá, Tocantins e em Rondônia, a previsão é de chuva moderada a forte, com risco de temporais. Mesmo com a instabilidade, as temperaturas continuam elevadas em toda a região.
As exportações brasileiras de ovos registraram crescimento em novembro de 2025, apesar dos impactos provocados pela tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), os embarques do setor, considerando ovos in natura e processados, totalizaram 1.893 toneladas no mês, volume 5,8% superior ao registrado no mesmo período de 2024. Em receita, o desempenho alcançou US$ 5,247 milhões, avanço de 32,8% na comparação anual.
Segundo o Boletim de Conjuntura Agropecuária de quinta-feira (18) elaborado pelos analistas do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), no acumulado de janeiro a novembro de 2025, as exportações somaram 38.637 toneladas, crescimento de 135,4% frente ao mesmo intervalo do ano passado. A receita cambial no período chegou a US$ 92,130 milhões, alta de 163,5% em relação aos onze primeiros meses de 2024. Para a ABPA, o desempenho reflete a ampliação da presença brasileira em mercados internacionais. “Os volumes exportados seguem em ritmo elevado frente aos anos anteriores, agora com novos destinos de maior valor agregado, o que vem favorecendo a rentabilidade dos embarques”, avaliou a entidaden
De acordo com o boletim, entre os principais destinos em novembro, o Japão liderou simultaneamente, com 757 toneladas, seguido por México, Chile, Emirados Árabes Unidos e Uruguai. O avanço em alguns mercados compensou a retração observada nos Estados Unidos, afetada principalmente pelo chamado “tarifaço”.
A tarifa de 50% sobre diversos produtos brasileiros foi anunciada em 9 de julho de 2025 pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com vigência a partir de 6 de agosto. A medida atingiu também a avicultura de postura, em um momento em que o país norte-americano passou a importar ovos para surpreender o mercado interno, afetado por surtos de gripe aviária desde 2015, que resultaram na eliminação de milhões de aves.
Os efeitos da sobretaxa ficaram mais evidentes a partir de setembro. Naquele mês, os Estados Unidos importaram apenas 100 toneladas de ovos do Brasil, com gasto de US$ 80.027, queda de 41,2% em volume e de 72% em valor na comparação anual. Em outubro, as compras recuaram ainda mais, somando 41 toneladas e US$ 36.535, reduções de 82,9% em volume e 90,9% em receita. Uma análise indicou que a tarifa conseguiu reduzir o volume físico exportado para o mercado norte-americano.
Mesmo diante desse cenário, a ABPA avalia que o setor mantém trajetória de crescimento. Para 2025, a entidade projeta que a produção brasileira de ovos com alcance de até 62,25 bilhões de unidades, aumento de 7,9% em relação a 2024. Em 2026, a expectativa é de nova expansão, com produção estimada em até 66,5 bilhões de unidades.
As exportações também devem avançar. A projeção é de até 40 mil toneladas embarcadas em 2025, crescimento de 116,6% frente ao volume de 2024. Para 2026, a expectativa é de até 45 mil toneladas exportadas. No mercado interno, o consumo per capita deve subir de 269 unidades por habitante em 2024 para 287 unidades em 2025 e alcançar 307 unidades em 2026.
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“A mancha-alvo teve aumento de 33% ao ano na área tratada no Brasil” – Foto: Alabama Extension
A mancha-alvo tem ampliado sua presença nas lavouras de soja e se consolidado como uma das principais preocupações fitossanitárias da cultura no Brasil. Causada pelo fungo Corynespora cassicola, a doença apresenta elevada severidade, histórico de resistência e crescimento contínuo da infestação a cada safra, com impactos diretos sobre o rendimento e a qualidade dos grãos.
“Nos últimos anos, a mancha-alvo teve aumento de 33% ao ano na área tratada no Brasil. Esse percentual de crescimento anual é maior que outras problemáticas na soja, como ferrugem, mofo-branco e antracnose, no mesmo período. Isso comprova que o manejo da cultura deve avaliar o complexo de doenças de cada região” destaca Fábio Lemos, engenheiro agrônomo e gerente de culturas e portfólio da FMC, empresa de ciências para agricultura.
Entre os fatores que explicam a evolução da doença estão a adoção de materiais altamente produtivos, porém mais suscetíveis, a ampla extensão de áreas cultivadas, a sucessão soja-algodão e a diversidade genética das populações do fungo, submetidas a diferentes condições ambientais e de seleção. De acordo com o especialista, quando as condições são favoráveis e não há controle preventivo, as perdas podem variar de 15% a 20% do potencial produtivo.
“Juntos, os manejos biológico e químico aumentam o controle e a eficiência dos produtos. Além de oferecerem, por meio do portfólio da FMC, uma gama diversificada de soluções sustentáveis de alto desempenho, com novos modos de ação e excelentes características de sustentabilidade”, conclui ele.
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro (PSD-MT), disse nesta 5ª feira (18.dez.2025) que caso o STF (Supremo Tribunal Federal) decida pela inconstitucionalidade do marco temporal para a demarcação de terras indígenas, o Estado deve indenizar os produtores rurais que receberam títulos de propriedade concedidos pelo próprio poder público.
“Acredito na capacidade dos ministros do STF de ponderar se o Estado brasileiro irá mudar a destinação das terras. Só que então dê a compensação legítima para aqueles produtores que em algum momento histórico o próprio Estado foi lá e os titulou. Titulou aquelas terras, escriturou. Eles fizeram naquilo ali um patrimônio, a dedicação e a produção de alimentos através dessas propriedades”, afirmou em entrevista a jornalistas na sede do Ministério da Agricultura e Pecuária, em Brasília (DF).