domingo, março 15, 2026
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Pecuarista que investe em genética mantém aposta na tecnologia, diz Asbia


Foto: Reprodução.
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A entrada de doses de sêmen bovino no mercado brasileiro cresceu 15,5% em 2025 na comparação com o ano anterior, segundo relatório da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia) em parceria com o Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea), da USP.

Para a Asbia, o avanço reflete uma mudança estrutural na pecuária nacional. “É um registro claro de que o pecuarista que começa a investir em genética mantém seus investimentos, pois percebe os ganhos reais em produtividade”, afirmou Lilian Matimoto, executiva da entidade.

De acordo com o levantamento, o volume considera o total produzido no país somado às doses importadas. Em 2025, foram produzidas 23.097.678 doses de sêmen, alta de 12,46% em relação a 2024. Já as importações somaram 7.275.207 doses, crescimento de 26,71% na mesma base de comparação.

Tecnologia sustenta crescimento

Ao analisar os dados históricos da venda de sêmen, do uso de inseminação artificial (IA) e adoção da Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), a Asbia avalia que, apesar das variações do ciclo pecuário, o crescimento do mercado está diretamente ligado à adoção de tecnologias de melhoramento genético.

“Estamos falando de uso de tecnologias, que trazem uma maior rentabilidade ao produtor em um menor tempo de produção, um caminho sem volta. O efeito do ciclo pecuário existe sim e talvez seja algo que teremos que repensar como trabalhar a favor (com planejamento), mas a cada mudança de ciclo, os patamares anteriores são sempre superados”, destacou Lilian.

Investimentos acompanham valorização do bezerro

Matimoto explica que entre os anos de 2018 a 2021, observou-se uma relação clara entre a valorização do bezerro, a diminuição do abate de fêmeas e o crescimento dos investimentos em genética. 

Segundo ela, nesse período, as vendas de doses de sêmen para o cliente final subiram de menos de 14 milhões de doses (2018) para mais de 25 milhões (2021). No mesmo intervalo, o bezerro quase dobrou de valor, e o abate de fêmeas caiu cerca de 20%.

“Entretanto, mesmo com a retomada do ciclo a partir de 2021, podemos verificar que os investimentos em genética se mantiveram muito aquecidos, com vendas totais sempre acima das 22 milhões de doses, mesmo em cenários de maior abate de fêmeas e desvalorização do bezerro”, apontou a executiva.

Exportações ampliam presença da genética brasileira 

Ainda em 2025, de acordo com o levantamento da Asbia/Cepea, a saída de sêmen, que considera vendas ao cliente final, exportações e contratos de inseminação por prestação de serviço, cresceu 8,87%, somando 27.979.347 de doses comercializadas. 

Lilian acredita que apesar dos desafios comerciais, a genética brasileira é reconhecida mundialmente e apresenta crescimento contínuo. 

“Hoje nossas exportações se concentram mais nos países da América do Sul e Central, até mesmo pela característica de clima, mas outros mercados têm se interessado pelo nosso trabalho e apontado chances cada vez maiores de aumento das exportações. Isso indica que, depois de um ano de recordes, temos tudo para seguir avançando e levando a genética brasileira para o mundo”, afirmou.

Genética leiteira bate recorde de produção 

Um outro destaque do levantamento feito pela Asbia foi a produção de sêmen com aptidão leiteira, que aumentou 20,90% em relação a 2024, alcançando o recorde histórico de 3.819.753 doses. 

Marcos Barbosa, pesquisador da Embrapa Gado de Leite, acredita que tal crescimento aponta para uma mudança estrutural na pecuária de leite brasileira, impulsionada pela busca por maior eficiência e consolidação do setor. 

Segundo ele, mesmo com a baixa remuneração e a redução do preço do leite, o aumento observado no número de inseminações reflete a adoção de tecnologias reprodutivas e genômicas pelas propriedades, de modo que elas possam se tornar cada vez mais competitivas.

“A genética tem papel fundamental na eficiência alimentar dos rebanhos leiteiros, pois permite identificar e selecionar animais capazes de produzir o mesmo volume de leite e sólidos consumindo menos alimento, sem comprometer a saúde ou a fertilidade. Trata-se de uma característica complexa, mas que permite avanços consistentes por meio de programas de melhoramento”, apontou.

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