quinta-feira, abril 2, 2026

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De vinho a seguro rural: cooperativismo gaúcho apresenta demandas a partidos políticos


selo vinho gaúcho
Foto: Divulgação Consevitis-RS

O Sistema Ocergs convidou presidentes de partidos políticos do Rio Grande do Sul para apresentar demandas do cooperativismo gaúcho a serem contempladas nos próximos planos de governo.

O evento aconteceu na segunda-feira (30) e os participantes receberam um documento que reúne propostas estratégicas, de natureza técnica e apartidária, elaboradas por representantes de cooperativas dos sete ramos do cooperativismo gaúcho.

Em relação à agropecuária, o mote da iniciativa é na mitigação dos efeitos climáticos que castigam o Rio Grande do Sul há cinco safras consecutivas. Assim, propõe-se a criação de um fundo específico para apoio aos momentos críticos causados por estiagens e enchentes.

Desta forma, o Sistema Ocergs entende como essencial a implementação de programas efetivos de renegociação das dívidas de cooperativas e associados, considerando as perdas por eventos climáticos e crises de mercado.

“Queremos ser vistos como parceiros do Estado. O cooperativismo está enraizado no Rio Grande do Sul, gera desenvolvimento local e muitas vezes atua onde o poder público não consegue chegar. O Sistema Ocergs e suas lideranças estão à disposição para contribuir com propostas concretas para o estado”, afirmou o presidente do Sistema Ocergs, Darci Hartmann.

Incentivos a crédito e insumos

No documento apresentado aos líderes partidários, o cooperativismo gaúcho também pede a criação de instrumentos de apoio especial a insumos, maquinário agrícola e irrigação, com
linha de crédito permanente e subsidiada.

Tal iniciativa pode, conforme o Sistema Ocergs, seguir o exemplo de políticas existentes em outros estados, como Paraná e Santa Catarina, bem como de iniciativas já adotadas no Rio Grande do Sul, a exemplo do Programa Bônus Mais Leite (SDR) e os programas de irrigação da Secretaria da Agricultura.

A carta direcionada aos partidos ainda prega a necessidade de estímulo ao consumo de suco de uva. Com isso, pede a garantia do cumprimento da Lei 13.247/2009, que assegura a inclusão da bebida na merenda escolar, bem como a articulação de um novo PL para que o produto seja inserido na cesta básica gaúcha como item essencial.

Recursos do Plano Safra

O Sistema Ocergs enxerga baixa disponibilidade de recursos subvencionados no Plano Safra para seguro agrícola. A percepção está ancorada nos números: o setor registrou retração em 2025, interrompendo uma sequência de altas nos últimos anos. Dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg) apontam que a arrecadação do segmento caiu 8,8% no último ano.

Assim, o cooperativismo do Rio Grande do Sul pede que o próximo plano de governo contemple uma política estadual de seguros agrícolas para enfrentar catástrofes climáticas de forma complementar à política do Plano Safra.

Além disso, o setor ressalta que os prazos de financiamento a produtores e cooperativas frequentemente não consideram os ciclos produtivos do estado, sendo necessários prazos de amortização e carência alinhados aos ciclos produtivos do estado.

Proteção ao vinho gaúcho

O Sistema Ocergs chama atenção para o temor de produtores de vinho do Rio Grande do Sul de perder competitividade frente aos produtos do mercado europeu com o acordo entre o bloco e o Mercosul que prevê a isenção de tarifas de importação e exportação.

Diante disso, o setor pede a criação de uma “política inteligente para defender o setor e evitar prejuízos adicionais”. A ideia é que se faça um monitoramento contínuo da entrada de vinhos europeus no país (preço, volume e impactos sobre emprego).

“Uso de cláusulas de salvaguarda em caso de dano grave comprovado; defesa sanitária e técnica rigorosa, sem discriminação; não aceitar medidas contenciosas nas áreas trabalhista e ambiental; e adoção de medidas internas (federais e estaduais) para reduzir o risco de desvantagem competitiva do vinho brasileiro e proteger a cadeia produtiva”, destaca o documento, que também prega estratégias de promoção das exportações de produtos gaúchos para a Europa.

No encontro, os partidos foram apresentados aos principais números que traduzem o tamanho e a capilaridade do movimento: 372 cooperativas, 4,2 milhões de associados (mais de um terço da população) e 78,5 mil empregos diretos, alcançando todos os municípios do estado. Somente em 2025, segundo balanço parcial do Sistema Ocergs, o cooperativismo gaúcho faturou R$ 103,4 bilhões, aumento de 11% em relação ao período anterior.

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Minas Gerais reage ao greening e cria cinturão inédito para proteger citricultura


aplicativos uso de dimetoato nos citros
Foto: Pixabay

Minas Gerais deu um passo estratégico para conter o avanço do greening, a doença mais devastadora da citricultura mundial. Produtores do Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e noroeste do estado lançaram o projeto Cinturão Antigreening, uma iniciativa coordenada pelo Sistema Faemg Senar em parceria com sindicatos rurais.

A proposta é ambiciosa: proteger uma área superior a 150 mil km², incluindo o principal polo citrícola do estado. Só o Triângulo Mineiro concentra cerca de 50% da produção estadual de citros.

Barreira sanitária para conter avanço da doença

O objetivo central é reduzir o risco de disseminação do greening, preservar os pomares e garantir segurança para investimentos no setor.

A estratégia envolve ações diretas no campo, como:

  • eliminação de plantas hospedeiras do inseto transmissor
  • monitoramento constante das lavouras
  • resposta rápida a possíveis focos da doença

Segundo Osny Zago, presidente do Núcleo dos Sindicatos dos Produtores Rurais do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, a iniciativa funciona como uma barreira sanitária.

“Esse cinturão vai proteger uma grande área produtiva e trazer mais segurança para os investimentos”, afirma.

Leis já começam a mudar o cenário

Alguns municípios já saíram na frente. Araxá, Sacramento e Ibiá aprovaram legislações que proíbem o plantio da murta, planta que favorece a proliferação do psilídeo — inseto responsável por transmitir a doença.

A expectativa é ampliar a medida para outras cidades e consolidar Minas como referência nacional em prevenção ao greening.

“É uma legislação simples, mas com grande impacto para o setor”, destaca Osmar Gonçalves, presidente do Sindicato Rural de Araxá.

Produção cresce e exige resposta rápida

Minas Gerais ocupa hoje a segunda posição nacional na produção de laranja, limão e tangerina, segundo o IBGE. Além disso, a área cultivada cresceu cerca de 6% nos últimos cinco anos.

Esse avanço aumenta a necessidade de proteção sanitária. O greening já causou perdas severas em regiões como São Paulo, Bahia e Sergipe — além da Flórida, nos Estados Unidos, referência global na produção de suco.

Produtores seguem investindo, mesmo com risco

Mesmo diante da ameaça, o setor segue em expansão. O produtor Franco Cruz Carvalho, por exemplo, implantou 250 hectares de laranja em Ibiá.

Ele aposta no potencial da região e vê o cinturão como decisivo para evitar prejuízos futuros.

“A iniciativa é fundamental para levar informação e evitar que enfrentemos os mesmos problemas de outras regiões”, afirma.

A expectativa é alcançar produtividade de até 1.200 caixas por hectare a partir do próximo ciclo.

Doença sem cura exige prevenção total

O greening. ta,b[ém chamao de huanglongbing (HLB), é causado por uma bactéria transmitida pelo psilídeo (Diaphorina citri), um inseto altamente móvel, capaz de se deslocar por longas distâncias.

O maior desafio é que não existe cura para plantas infectadas. Por isso, a prevenção se torna a principal estratégia.

Dados do Fundecitrus mostram que, em 2025, houve aumento de 7,4% na incidência da doença na região que inclui São Paulo e parte de Minas.

Apesar disso, o Triângulo Mineiro ainda apresenta níveis mais baixos — o que reforça a importância de agir antes da escalada.

Impacto global acende alerta

A dimensão do problema já foi comprovada em outros países. Na Flórida, o greening gera prejuízos estimados em US$ 1 bilhão por ano, além de reduzir a produtividade em até 30%.

Segundo Mariana Marotta, analista do Sistema Faemg Senar, o tema é estratégico para o Brasil.

“Três de cada quatro copos de suco de laranja consumidos no mundo são produzidos no país. O desafio sanitário é enorme”, destaca.

Com o cinturão antigreening, Minas tenta antecipar o problema — e proteger não apenas a produção, mas toda a cadeia econômica da citricultura.

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A nova missão da Nobel da Agricultura: revolucionar os pastos do Brasil


Foto: Divulgação.
Foto: Divulgação.

Em uma participação histórica no Giro do Boi desta terça-feira (31), a Dra. Mariângela Hungria, pesquisadora da Embrapa e a primeira mulher brasileira a conquistar o Prêmio Mundial da Alimentação, trouxe uma mensagem de soberania para o campo.

Diante da crise global de fertilizantes e da dependência de importações de países em conflito, como Rússia e nações do Oriente Médio, a cientista afirmou que a pesquisa brasileira já dispõe de tecnologias prontas para reduzir drasticamente o uso de adubos químicos.

A Dra. Mariângela destacou que o Brasil possui a faca e o queijo na mão para liderar a agricultura e pecuária biológica mundial, substituindo insumos caros por vida microscópica. “Nós temos soluções na prateleira que permitiriam substituir até 40% ou 50% dos químicos”, afirmou a pesquisadora.

Confira:

Inovações para a pecuária

O uso de bactérias que capturam o nitrogênio do ar elimina a necessidade de ureia na soja, gerando economia de R$ 140 bilhões por safra, e reduz significativamente a demanda em gramíneas e pastagens. O estudo da Dra. Mariângela evitou a emissão de 230 milhões de toneladas de gases de efeito estufa, consolidando a carne e os grãos brasileiros com baixíssima pegada de carbono.

Para o pecuarista, a grande notícia de 2026 é que a tecnologia que revolucionou a soja agora está disponível para o pasto, focando na recuperação de 40 milhões de hectares degradados. O uso de bactérias como o Azospirillum produz fitormônios que fazem a raiz do capim crescer vigorosamente, aumentando a absorção de água e nutrientes.

A saúde do solo como prioridade

Bactérias como a Pseudomonas fluorescens ajudam a “destravar” o fósforo preso no solo, tornando-o disponível para a planta. Pastagens inoculadas apresentam 20% mais biomassa e uma forragem mais rica em proteínas e minerais, resultando em animais mais pesados e terminação mais rápida.

Mariângela defende que o futuro do agro exige um olhar mais atento à saúde do solo. Através da Bioanálise de Solo (BioAS), o produtor pode monitorar a vida microbiana da fazenda, garantindo que o solo retenha água e recicle nutrientes de forma eficiente. Para a pesquisadora, não basta ser sustentável; é preciso regenerar o que foi perdido, devolvendo biodiversidade aos solos exauridos.

O sucesso da agropecuária brasileira em 2026 é biológico. Ao investir em ciência e parcerias público-privadas, o produtor protege seu bolso contra crises globais de fertilizantes. “Se eu incentivei um pecuarista a usar em suas pastagens os biológicos, eu já vou dormir contente hoje”, concluiu a laureada.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.

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Energia e biocombustíveis sustentam preços do óleo e influenciam farelo de soja, aponta Itaú BBA


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Foto: United Soybean Board/CCommons

A correlação entre o mercado de petróleo e os óleos vegetais segue dando suporte ao complexo soja, segundo análise do Itaú BBA. Com a alta do petróleo, cresce a expectativa de maior demanda por matérias-primas utilizadas na produção de biocombustíveis, o que tem sustentado principalmente o óleo de soja no mercado internacional. Esse movimento também impacta o farelo, já que as margens de esmagamento influenciam diretamente a relação de preços entre os derivados.

Atualmente, a mistura obrigatória de biodiesel ao diesel fóssil é de 15%. Embora o aumento para 16% estivesse previsto no cronograma de biocombustíveis para março, a medida não foi implementada. Diante da recente alta do petróleo e do diesel, o setor passou a defender a elevação para 17%, como forma de conter a pressão sobre os preços dos combustíveis.

Nos últimos meses, as margens de esmagamento de soja no Brasil e nos Estados Unidos permaneceram em níveis elevados. O movimento é sustentado pela combinação de grão relativamente mais barato e valorização dos derivados, especialmente do óleo, o que mantém a participação do óleo no valor total do processamento acima da média histórica.

No Brasil, a ampla oferta de soja durante a safra também reforça a competitividade da indústria de esmagamento. Para os próximos meses, a manutenção dessas margens dependerá da evolução da demanda por derivados, principalmente o óleo, e do comportamento dos preços da soja, em um cenário ainda marcado pela volatilidade dos mercados de energia.

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AgroNewsPolítica & Agro

Safra de feijão avança no Rio Grande do Sul


A colheita do feijão da primeira safra no Rio Grande do Sul registra avanço, conforme o Informativo Conjuntural divulgado na última quinta-feira (26) pela Emater/RS-Ascar. Segundo o levantamento, ainda restam áreas mais extensivas no Nordeste do estado, onde está concentrada parte significativa das lavouras em plantio tardio.

De acordo com o relatório, “a cultura apresenta avanço significativo da colheita, restando lavouras mais extensivas no Nordeste do Estado, onde se cultiva 43% da área estadual em plantio tardio, em período próximo da segunda safra nas demais regiões produtoras”. A Emater/RS-Ascar projeta área de 23.029 hectares para o feijão da primeira safra, com produtividade média estimada em 1.781 quilos por hectare.

Na região administrativa de Caxias do Sul, nos Campos de Cima da Serra, 42% das lavouras já foram colhidas, enquanto 50% estão em maturação. A produtividade registrada se aproxima de 2.000 quilos por hectare, abaixo da expectativa inicial. Segundo o informativo, a redução está associada ao período prolongado de restrição hídrica e às altas temperaturas, que afetaram o desenvolvimento das plantas, resultando em abortamento de flores, menor porte e redução do número de vagens por planta.

No caso do feijão da segunda safra, a maior parte das lavouras está em fases de desenvolvimento vegetativo e reprodutivo. Até o momento, 4% da área foi colhida e 11% está em maturação. O avanço do ciclo ocorre de forma relativamente homogênea, com maior presença das lavouras nas fases de desenvolvimento vegetativo, floração e enchimento de grãos, refletindo o calendário mais tardio dessa safra.

Segundo a Emater/RS-Ascar, “as precipitações no período contribuíram para a manutenção do potencial produtivo nas áreas em fases fenológicas críticas, ainda que a irregularidade na distribuição tenha limitado o crescimento em parte das lavouras”. Para a segunda safra, a projeção é de área cultivada de 7.774 hectares e produtividade média de 1.504 quilos por hectare.

O relatório aponta ainda que o quadro fitossanitário permanece estável, com baixa incidência de pragas e doenças na maior parte das áreas monitoradas.

Na regional de Erechim, predominam as fases de desenvolvimento vegetativo e floração, além de áreas em enchimento de grãos. Uma parcela inferior a 1% das lavouras já foi colhida, e a produtividade estimada é de 1.681 quilos por hectare. Na regional de Ijuí, as lavouras estão distribuídas entre desenvolvimento vegetativo, floração e enchimento de grãos, com a colheita ainda em estágio inicial.

Na região de Santa Maria, os cultivos apresentam resposta positiva às chuvas registradas no período, com confirmação dos rendimentos iniciais nas áreas já colhidas. Em Soledade, as precipitações favoreceram a recuperação parcial do desenvolvimento das lavouras, embora a restrição hídrica anterior tenha reduzido o ritmo de crescimento das plantas. Segundo o informativo, “há registro de ocorrência de ácaros e tripes, cuja incidência tem sido favorecida pelas condições de tempo seco”.





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AgroNewsPolítica & Agro

Biofertilizantes ganham espaço no campo


A intensificação dos conflitos no Oriente Médio voltou a pressionar o mercado internacional de fertilizantes e evidenciou a dependência do agronegócio brasileiro de insumos importados. Atualmente, até 90% dos fertilizantes utilizados no país vêm do exterior, fator que amplia a exposição do produtor rural às oscilações geopolíticas e à alta de preços.

O cenário já impacta os custos de produção no campo e reforça a busca por alternativas capazes de reduzir essa dependência. Nesse contexto, empresas do setor têm ampliado investimentos em tecnologias voltadas à nutrição e à saúde do solo, como os biofertilizantes.

Entre elas está a Ambios, empresa mato-grossense da Natter, que atua no desenvolvimento de soluções voltadas à eficiência produtiva e ao manejo do solo. Segundo o CEO da Natter, Rafael Bortoli, o atual cenário reforça a necessidade de mudanças na gestão nutricional das lavouras.

“Diante da instabilidade e da pressão sobre fertilizantes convencionais, o produtor precisa olhar para dentro da porteira. Eficiência no uso de nutrientes e saúde do solo deixam de ser diferencial e passam a ser estratégia para sustentar produtividade e reduzir riscos”, afirma.

Entre as tecnologias desenvolvidas pela Ambios está o Ingrow, recentemente classificado como biofertilizante. O produto é formulado a partir de coprodutos de peixe de água doce e propõe uma abordagem voltada ao metabolismo vegetal.

De acordo com a empresa, a nova geração de biofertilizantes busca atuar além do fornecimento de nutrientes, estimulando processos fisiológicos que ampliam a eficiência das culturas. Ensaios técnicos conduzidos em diferentes regiões indicam incrementos médios a partir de cinco sacas por hectare em culturas como soja, milho e algodão.

Para o gerente de pesquisa e desenvolvimento de mercado da Ambios, Denis Matos, o avanço está na mudança de enfoque na nutrição das plantas. “O metabolismo passa a ser o centro da estratégia. Ao ativar esses processos, a planta aproveita melhor os recursos disponíveis e sustenta eficiência produtiva, mesmo em condições de estresse”, diz.

Segundo o diretor comercial da Ambios, Sandro Fernandes, o objetivo é gerar resultados práticos nas lavouras. “Não se trata apenas de fornecer nutrientes. Quando ativamos essas rotas fisiológicas, a planta responde com mais eficiência, e isso se traduz em ganho real para o produtor”, afirma.

O diretor industrial da Ambios, Nilton Ribeiro, destaca que o biofertilizante foi desenvolvido para se integrar ao manejo já adotado nas propriedades rurais. “Não há restrições de mistura e a aplicação pode ser feita via sulco de plantio ou foliar, sem gerar complexidade ao produtor”, destaca.

Segundo a empresa, ao utilizar coprodutos da cadeia do pescado na formulação de insumos agrícolas, a Ambios busca ampliar o uso de princípios de economia circular no setor, conectando sustentabilidade e eficiência produtiva em um contexto em que o agronegócio busca reduzir custos, aumentar a previsibilidade e otimizar o uso de recursos naturais.





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Diesel: governo prepara anúncio de subsídio de R$ 1,20 por litro


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Foto: Pixabay

O governo federal deve anunciar, nesta terça-feira (31), uma medida provisória para conter a alta do diesel no país, em meio à guerra no Oriente Médio e às oscilações no preço do petróleo. Em março, o combustível soma valorização de 13% nos postos brasileiros.

Discutida na reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), na semana passada, a medida surge como alternativa à desoneração do ICMS, considerada inviável do ponto de vista técnico.

Nesse contexto, a proposta prevê a concessão de um subsídio direto ao combustível, com divisão de custos entre a União e os estados.

Subsídio ao diesel: como vai funcionar?

A proposta do Ministério da Fazenda prevê uma subvenção econômica de R$ 1,20 por litro de óleo diesel. Desse total, R$ 0,60 seriam pagos pela União e R$ 0,60 pelos estados e pelo Distrito Federal, mediante adesão voluntária.

O modelo busca reduzir o impacto da volatilidade internacional dos preços sobre o consumidor final e, ao mesmo tempo, garantir o abastecimento no mercado interno.

Na prática, o subsídio seria direcionado aos importadores de diesel, o que tende a aumentar a oferta do produto no país e ajudar a segurar os preços.

Durante as discussões do Confaz, parte dos estados sinalizou adesão à proposta. Já outros governos regionais pediram mais prazo para análise interna, com expectativa de definição que se encerrou na última segunda-feira (30).

A implementação do subsídio depende da edição de uma medida provisória pelo governo federal. A partir disso, será aberto um prazo de dois meses para adesão dos estados.

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Colheita de soja chega a 74,3% no Brasil, aponta Conab


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Foto: Vinicius Ramos/Canal Rural BA

A colheita de soja no Brasil atingiu 74,3% da área total, segundo o mais recente boletim da Companhia Nacional de Abastecimento. O número representa um avanço de 9,7% em relação à semana anterior, quando os trabalhos estavam em 67,7%.

Na comparação com a média dos últimos cinco anos, de 72,4%, o ritmo atual está 2,6% acima, indicando um desempenho levemente superior ao padrão histórico.

Por outro lado, em relação ao mesmo período do ano passado, quando a colheita atingia 81,4%, o Brasil apresenta um atraso de 8,7%, evidenciando uma diferença mais significativa no andamento dos trabalhos.

Por outro lado, na comparação anual, o atraso ainda é relevante: no mesmo período do ano passado, a colheita já alcançava 81,4%, o que coloca o atual ciclo 7,1 pontos percentuais atrás.

Colheita de soja no Brasil

Regionalmente, o avanço da colheita segue bastante desigual. Mato Grosso lidera com 98% da área já colhida, praticamente encerrando os trabalhos, seguido por Mato Grosso do Sul e Goiás, ambos com 89%. No Paraná, a colheita chega a 82%, enquanto São Paulo registra 75% e Minas Gerais 74%.

Na região do Matopiba, os índices são mais moderados. Tocantins aparece com 73%, Bahia com 60%, Piauí com 50% e Maranhão com 40%. Já no Sul do país, o ritmo é mais lento, com Santa Catarina em 37% e o Rio Grande do Sul com apenas 22% da área colhida.

O cenário reflete o impacto das condições climáticas ao longo do ciclo, que seguem influenciando o ritmo das operações no campo. Embora o Brasil esteja levemente à frente da média histórica, o atraso em relação ao ano passado ainda exige atenção nas próximas semanas.

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Rio Grande do Sul exporta primeira carga de carne com osso ao Chile após novo status sanitário


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Foto: Freepik

O Rio Grande do Sul realizou, na última sexta-feira (27), a primeira exportação de carne bovina com osso para o Chile. A operação ocorre cinco anos após a suspensão da vacinação contra a febre aftosa e marca a entrada do estado em um mercado com exigências sanitárias mais rigorosas.

O envio foi apresentado durante um encontro na embaixada do Brasil em Santiago, no Chile. A autorização para exportação de carne com osso é concedida apenas a regiões reconhecidas como livres de febre aftosa sem vacinação.

Até então, o Chile já importava carne bovina do Rio Grande do Sul, mas não permitia a entrada de produtos com osso devido às restrições sanitárias.

A comitiva brasileira que esteve no país incluiu representantes do setor produtivo e autoridades. O primeiro vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Gedeão Pereira, destacou que a autorização foi concedida exclusivamente ao estado entre os países do Mercosul.

“O Chile autorizou apenas o estado do Rio Grande do Sul a exportar carne com osso e miúdos bovinos para o país”, afirmou.

Operação e habilitação de plantas

A primeira carga foi enviada pela Minerva Foods, a partir da unidade de Alegrete, segundo informações do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados no Rio Grande do Sul (Sicadergs).

Atualmente, três plantas da empresa no estado estão habilitadas para esse tipo de exportação. A expectativa é de que outros frigoríficos também obtenham autorização nos próximos meses, como o frigorífico Silva, em Santa Maria.

A abertura do mercado chileno passa a integrar a estratégia do setor para ampliar o acesso a países que exigem o status sanitário de livre de febre aftosa sem vacinação.

Entre os mercados considerados estão Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos.

O embaixador do Brasil no Chile, Paulo Pacheco, afirmou que o país pode servir como plataforma para ampliação das exportações.

“O Chile possui acordos de livre comércio que alcançam cerca de 80% do PIB mundial”, disse.

Defesa sanitária

Para manter o novo status sanitário, o sistema de defesa animal do estado passa por ajustes.

O Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa-RS) atualizou critérios e valores de arrecadação, com vigência a partir de 1º de abril de 2026.

A medida segue a Lei Estadual nº 16.428/25 e tem como objetivo ampliar a capacidade de resposta a eventuais ocorrências sanitárias e manter as exigências dos mercados internacionais.

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Intransitável: rodovia precária trava escoamento de soja e ameaça safra em MT


Reprodução Canal Rural

A precariedade da rodovia MT-240, em Paranatinga, no interior de Mato Grosso, tem imposto sérios prejuízos ao agronegócio local. Em um trecho de cerca de 40 quilômetros, caminhoneiros e produtores enfrentam atoleiros constantes, longas filas e dificuldades extremas de tráfego, comprometendo diretamente o escoamento da produção de soja.

Com trechos praticamente intransitáveis, o transporte da safra ficou travado. Caminhoneiros relatam jornadas paradas por dias, sem conseguir avançar. Há casos de motoristas que chegam ao local à tarde e permanecem até o dia seguinte sem sair do lugar, presos no barro e aguardando ajuda.

A situação se agrava com as chuvas, que tornam o solo ainda mais instável. Sem estrutura adequada, muitos caminhões não conseguem tração e acabam atolando repetidamente ao longo do trajeto. Em alguns casos, veículos precisam ser resgatados mais de uma vez em poucos quilômetros, o que gera desgaste mecânico, prejuízos com manutenção e atrasos nas entregas. “Muitas noites a gente dorme aqui. Cheguei 3 horas da tarde ontem e agora já é hora do almoço e continuo parado. Isso acontece frequentemente. Não tem tração e o barro é muito”, relata o caminhoneiro Valter José da Silva.

Mesmo quando conseguem sair de um ponto crítico, o problema se repete poucos metros adiante. “Só troquei de lugar. Saí de um ponto e já parei em outro de novo”, afirmou outro motorista.

Além dos caminhoneiros, os produtores rurais também enfrentam impactos diretos. Com a dificuldade de acesso, parte da safra permanece no campo, já em estágio avançado de colheita. A impossibilidade de retirar a produção aumenta o risco de perdas em produtividade e qualidade dos grãos.

Produtores da região relatam que áreas inteiras ainda não foram colhidas por falta de caminhões disponíveis, já que muitos veículos estão presos na estrada. Em alguns casos, as perdas podem atingir centenas de hectares caso a situação persista.

Entre os afetados está o agricultor Heliton, que ainda precisa colher cerca de 800 hectares de um total de 1.800 cultivados nesta safra. Segundo ele, o cenário já compromete a produção. “Não conseguimos colher. Já estamos com risco de perder soja. Os caminhões ficam até três dias atolados ou na fila para serem puxados”, disse.

Mesmo com melhora no clima e previsão de sol, a colheita segue travada. “Não adianta o tempo abrir se não tem caminhão. Está tudo parado. Já estamos começando a calcular perdas”, afirmou. A estimativa é de prejuízo relevante: “Se continuar assim, podemos perder pelo menos 500 hectares”.

Em alguns pontos, a situação é tão crítica que propriedades rurais passaram a ser utilizadas como desvio improvisado. Caminhões atravessam lavouras para contornar os trechos mais danificados, causando ainda mais prejuízos. “Estão passando por cima da lavoura, virou estrada. A gente investe no solo e está vendo tudo ser destruído”, relatou um produtor, que já projeta perdas de cerca de 15%.

Além dos danos à produção, o impacto financeiro é direto. Com custos como arrendamento, estimado em cerca de 10 sacas por hectare, muitos produtores afirmam que não conseguirão sequer cobrir as despesas nesta safra.

A precariedade da rodovia também afasta transportadores. “Quem vai colocar caminhão aqui para estragar tudo? Ninguém vem”, afirmou um produtor. A dificuldade de acesso, agravada pela largura limitada da estrada, compromete inclusive ações de manutenção e atendimento emergencial.

Produtores reforçam que o problema é antigo e já foi alvo de ações junto ao Ministério Público. “Não é novidade. A gente quer saber quando isso vai acabar e qual é a solução. Chega um ponto em que não há mais viabilidade: não conseguimos trafegar, nem retirar a produção da lavoura”, concluiu.

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