sexta-feira, abril 24, 2026

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Lula e Flávio Bolsonaro: empatados e sem planos


A fotografia da sucessão presidencial tirada pelo Datafolha neste último final de semana não traz apenas números. Ela confirma um diagnóstico clínico da política brasileira: o país permanece cindido em dois blocos de concreto armado.

A poucos meses da eleição de outubro, o cenário de segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (46%) e o senador Flávio Bolsonaro (43%) configura um empate técnico rigoroso.

O que mais salta aos olhos é a asfixia de qualquer alternativa de centro. A chamada “terceira via” segue sem oxigênio para romper a barreira dos dois dígitos.

Votos consolidados e o teto de vidro

A análise atuarial dos dados mostra que não estamos diante de uma flutuação comum de pré-campanha. Os votos de ambos os candidatos estão cristalizados naquilo que os estatísticos chamam de “margem consolidada”.

  • Flávio Bolsonaro: Herdou quase integralmente o espólio eleitoral do pai, mantendo o patamar histórico do bolsonarismo.
  • Lula: Enfrenta um desafio de conexão. Embora a máquina pública insista nos benefícios sociais, o presidente parece falar apenas para sua própria bolha.
  • Rejeição: Os índices seguem altos para ambos (48% para Lula e 46% para Flávio). O eleitor parece escolher o “menos pior” de seu espectro ideológico.

O “vácuo” econômico e o medo do debate

Para o mercado e para o setor produtivo, o cenário é de espera e cautela. Flávio Bolsonaro, embora consolidado como o nome da direita, ainda carece de um projeto econômico estruturado.

O senador evita fixar um nome para o Ministério da Economia. Ele teme que a antecipação abra espaço para debates técnicos que possam causar desgaste antes da hora. Essa indefinição impede que o mercado analise a viabilidade de sua futura política fiscal.

Lula navega em uma gestão com resultados pontuais, mas sem o “tempero” necessário para mobilizar novos eleitores. A insistência em fórmulas antigas de assistencialismo gera uma sensação de estagnação, mantendo a disputa em aberto.

O Datafolha indica que a eleição de 2026 será decidida no detalhe e na economia real. Sem espaço para uma terceira via, o Brasil caminha para uma das disputas mais acirradas de sua história recente.

O vencedor será quem conseguir, até outubro, definir com mais clareza como pretende gerir o bolso do brasileiro, expondo-se ao debate que o país exige.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Exportações do Brasil para os EUA caem e atingem menor participação desde 1997


Empresa suspende aceitação de reservas de cargas para sete países do Oriente Médio
Foto: Wikimedia Commons

As exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram queda no primeiro trimestre de 2026 e atingiram o menor nível de participação na série histórica iniciada em 1997. No período, os embarques somaram US$ 7,8 bilhões, recuo de 18,7% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

Com o resultado, os Estados Unidos passaram a responder por 9,5% das exportações do Brasil, segundo levantamento da Amcham Brasil.

Participação dos EUA recua mesmo com crescimento global

O desempenho contrasta com o avanço das exportações brasileiras para outros mercados. No mesmo período, as vendas externas totais do país cresceram 3,5%, com destaque para parceiros como China e União Europeia.

A corrente de comércio entre Brasil e Estados Unidos, que inclui exportações e importaçõe, somou US$ 17 bilhões no trimestre, queda de 14,8%. Apesar do recuo, os EUA seguem como o segundo principal parceiro comercial do Brasil.

Queda atinge indústria, agro e setor extrativo

A retração das exportações para o mercado americano foi generalizada entre os setores.

  • Indústria de transformação: -14,2%
  • Indústria extrativa: -39,1%
  • Agropecuária: -34,4%

As exportações industriais totalizaram US$ 6,6 bilhões e foram impactadas principalmente por tarifas aplicadas a produtos de maior valor agregado.

Março indica desaceleração da queda

Apesar do resultado negativo no trimestre, os dados de março mostram sinais de melhora.

As exportações para os Estados Unidos recuaram 9,1% no mês, ritmo menor que o observado no acumulado do trimestre. Entre os principais produtos exportados, 7 dos 10 itens registraram crescimento.

Os destaques foram:

  • Petróleo bruto: +321%
  • Aeronaves: +85,8%
  • Máquinas elétricas: +73,4%

As exportações de produtos sem sobretaxas cresceram 15,1% em março, movimento associado, em parte, à redução de tarifas após decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos no fim de fevereiro.

Tarifas continuam pressionando comércio bilateral

As sobretaxas seguem como fator central para o desempenho das exportações brasileiras, especialmente no setor industrial.

Atualmente, cerca de 45% dos produtos brasileiros entram no mercado americano sem tarifas adicionais, enquanto o restante ainda enfrenta barreiras.

Levantamento da Amcham indica que 86% das empresas demonstram preocupação com o risco de novas restrições comerciais, refletindo incerteza no ambiente de negócios.

Importações também recuam

As importações brasileiras provenientes dos Estados Unidos somaram US$ 9,2 bilhões no trimestre, queda de 11,1%.

O recuo foi concentrado principalmente em máquinas e petróleo. Excluindo esses itens, o fluxo de importações apresentou maior estabilidade.

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Semana começa com chuva e calor em boa parte do país


A segunda-feira (13) começa com redução das instabilidades no Sul do Brasil, enquanto áreas do Centro-Oeste e Norte seguem com chuva mais intensa. No Sudeste e Nordeste, a previsão indica variação entre tempo firme e pancadas isoladas.

Sul: chuva fraca e avanço do tempo firme

As instabilidades diminuem na região Sul ao longo do dia. Pela manhã, há chance de chuva fraca no litoral e em pontos isolados do interior do Rio Grande do Sul.

Entre o fim da manhã e a tarde, as precipitações voltam a ganhar força no estado gaúcho e também atingem áreas do Paraná e de Santa Catarina, especialmente nas faixas litorâneas e regiões leste e oeste. Mesmo assim, os volumes tendem a ser baixos, com intensidade fraca a moderada.

Nas demais áreas da região, o tempo segue firme, com sol entre nuvens.

As temperaturas sobem na metade oeste da região e no norte do Paraná. Já no sul e interior do Rio Grande do Sul e em partes de Santa Catarina, os termômetros ficam mais amenos.

Sudeste: tempo firme predomina, mas há risco de pancadas

No Sudeste, o dia começa com tempo estável na maior parte da região.

Há possibilidade de chuva fraca no litoral do Espírito Santo e no norte do Rio de Janeiro pela manhã, influenciada pela umidade marítima. No interior de Minas Gerais, incluindo o Triângulo e o nordeste do estado, a umidade também favorece pancadas isoladas.

Durante a tarde, as chuvas se intensificam no Espírito Santo, norte fluminense e nordeste mineiro, ainda com volumes moderados.

Já no interior de São Paulo, especialmente no norte e noroeste, há risco de chuva moderada a forte devido à atuação de um cavado em níveis médios da atmosfera.

As temperaturas sobem na maior parte da região, mas o clima segue mais ameno no litoral e em áreas do leste paulista e de Minas Gerais.

Centro-Oeste: calor e risco de temporais isolados

O Centro-Oeste registra aumento das instabilidades ao longo do dia.

Desde a manhã, há pancadas de chuva em Mato Grosso, Goiás e no noroeste de Mato Grosso do Sul, com intensidade moderada a forte em alguns pontos.

À tarde, a combinação de calor, umidade e sistemas meteorológicos intensifica as chuvas. Há previsão de temporais isolados no sul e oeste de Mato Grosso, centro-sul de Goiás e em grande parte de Mato Grosso do Sul.

No Distrito Federal e em parte de Goiás, o tempo segue mais firme.

As temperaturas sobem e o calor ganha força na região.

Nordeste: litoral segue em alerta para chuva

No Nordeste, a chuva se concentra principalmente no litoral.

Desde cedo, há precipitações no litoral da Bahia e entre o Rio Grande do Norte e a Paraíba, influenciadas por sistemas atmosféricos como os distúrbios ondulatórios de leste.

A Zona de Convergência Intertropical mantém instabilidades no norte da região, incluindo Maranhão e Ceará.

Ao longo do dia, a chuva se espalha por Maranhão, norte do Piauí e parte do Ceará, mantendo o alerta para acumulados mais elevados.

Já em estados como Pernambuco, Alagoas e Sergipe, a chuva ocorre de forma mais fraca. Nas demais áreas, o tempo segue firme com sol entre nuvens.

As temperaturas aumentam e o calor predomina à tarde.

Norte: chuva forte e tempo abafado

A região Norte segue com alta umidade e instabilidades.

Desde o início do dia, há pancadas de chuva moderadas a fortes no Amazonas, Pará, Acre e Roraima. No Amapá e no norte do Pará, a atuação da Zona de Convergência Intertropical intensifica as precipitações.

Durante a tarde, as chuvas ganham força e se espalham, com risco de temporais isolados em estados como Amazonas, Acre, Rondônia e Pará.

No Tocantins, a chuva ocorre de forma mais isolada, com predomínio de tempo firme em grande parte do estado.

As temperaturas sobem e o tempo permanece abafado em toda a região.

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Inflação acima do esperado pode frustrar expectativa de corte de juros pelo BC


PODCAST Diário Econômico

No morning call desta segunda-feira (13), a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta a reescalada das tensões entre EUA e Irã, que eleva riscos no Estreito de Ormuz e devolve volatilidade aos mercados, com potencial pressão inflacionária via energia. O CPI dos EUA veio forte na margem, sustentando cautela do Fed.

No Brasil, Ibovespa renovou máximas e o dólar caiu a R$ 5, mas o IPCA acima do esperado reforçou a leitura de cortes mais graduais da Selic.

Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.

Para mais conteúdos de mercado financeiro, acesse: Bom Dia Mercado!

Ariane Benedito, apresentadora do podcast Diário Econômico
Foto: divulgação

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AgroNewsPolítica & Agro

Rótulos de alimentos influenciam decisão de compra



O tema foi analisado em estudo conduzido por pesquisadores da USP


O tema foi analisado em estudo conduzido por pesquisadores da USP
O tema foi analisado em estudo conduzido por pesquisadores da USP – Foto: Divulgação

Informações presentes nos rótulos de alimentos e bebidas que destacam benefícios à saúde influenciam o comportamento do consumidor, elevando a percepção de valor e a disposição de pagar mais. Esse efeito, porém, varia conforme fatores individuais e o contexto da compra, como idade, estado de saúde, conhecimento nutricional, preço e sabor.

O tema foi analisado em estudo conduzido por pesquisadores da USP sobre o impacto das alegações funcionais e de saúde nas escolhas alimentares. Entre as mais comuns estão benefícios ligados à saúde cardiovascular, óssea, muscular, metabólica e digestiva, além de promessas relacionadas ao bem-estar, ação antioxidante, suporte imunológico e desempenho cognitivo.

Segundo a professora da Faculdade de Saúde Pública da USP Elizabeth Aparecida Ferraz da Silva Torres, os consumidores estão mais atentos à composição dos produtos e tendem a considerar essas alegações como um diferencial. A compreensão desse comportamento é vista como relevante para orientar políticas públicas, regulamentações e estratégias de comunicação.

A pesquisa revisou 71 artigos publicados entre 2019 e 2024 em bases científicas de mais de dez países. O trabalho, que tem Helena F. Martins Tavares como primeira autora, indica que a decisão de compra é multifatorial e envolve fatores psicológicos, sociais e perceptivos, como escolaridade, tempo disponível, finalidade do consumo e estado emocional.

No Brasil, a regulamentação é feita pela Anvisa, que exige comprovação científica de eficácia e segurança para autorizar o uso dessas alegações. As pesquisadoras apontam que, quando bem fundamentadas, essas informações podem contribuir para escolhas alimentares mais saudáveis.

 





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AgroNewsPolítica & Agro

Reta final da soja pode derrubar até 20% da safra



Entre as principais ocorrências estão a mancha-alvo


Entre as principais ocorrências estão a mancha-alvo
Entre as principais ocorrências estão a mancha-alvo – Foto: Pixabay

A fase final do ciclo da soja concentra riscos decisivos para o desempenho da lavoura e exige atenção redobrada do produtor. Nos 30 a 40 dias que antecedem a colheita, a cultura direciona energia para o enchimento dos grãos, tornando-se mais sensível a danos foliares que afetam diretamente a produtividade e a qualidade.

Nesse período, as chamadas Doenças de Final de Ciclo ganham relevância. Luiz Henrique Marcandalli, da Rainbow Agro, explica que o avanço dessas doenças pode provocar desfolha precoce e encurtar o enchimento dos grãos. Ao infectarem os tecidos, os patógenos causam lesões que reduzem a fotossíntese, com impacto direto no rendimento e na qualidade da produção.

Dados da Embrapa indicam que, sem controle adequado, as perdas podem superar 20%. Como costumam ocorrer simultaneamente e são difíceis de diferenciar em campo, essas enfermidades são tratadas como um complexo. A redução da área foliar sadia se intensifica nas últimas semanas e, em condições climáticas favoráveis, os sintomas evoluem rapidamente, diminuindo o tempo de resposta do produtor.

Entre as principais ocorrências estão a mancha-alvo, a mancha-parda e a cercosporiose, que comprometem as folhas e podem levar à necrose. O manejo envolve o uso de defensivos agrícolas, com escolha e aplicação ajustadas à pressão local, ao estágio da planta e às recomendações técnicas. O acompanhamento especializado também contribui para definir estratégias mais eficientes e equilibrar custo e proteção.

A Rainbow Agro destaca soluções como o fungicida Zerrust Mixx, que reúne diferentes ativos para o controle do complexo de doenças. A empresa afirma oferecer tecnologias voltadas à eficiência e qualidade no enfrentamento das DFCs.

 





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AgroNewsPolítica & AgroSafra

Em Chicago, preços da soja têm novas altas nesta 6ª feira, entre fundamentos…


Petróleo volta a subir, apoia o óleo e puxa também o grão

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Os preços da soja vão encerrando a semana em alta na Bolsa de Chicago nesta sexta-feira (27), sustentados por um movimento de recomposição técnica e pelo suporte vindo do complexo de derivados, especialmente o óleo de sojam que registrou bons ganhos durante os últimos dias. Perto de 7h05 (horário de Brasília), as cotações subiam de 2,75 a 4 pontos nos principais vencimentos, com o maio valendo US$ 11,76  eo julho com US$ 11,92 por bushel.  

Além das questões técnicas e dos ajustes pelos traders de suas posições antes da chegada do novo relatório de área para os EUA pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) no dia 31, o mercado também segue atento ao cenário macroeconômico e às expectativas envolvendo a demanda internacional, em especial da China.

Durante os últimos dias, o mercado se beneficiou da confirmação do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, nos dias 14 e 15 de maio, em Pequim, na esperança de que a cúpula possa definir com mais clareza como serão as compras de soja norte-americana pela nação asiática e se os volumes podem ser maiores do que se observa agora. 

Dados reportados ontem pelo USDA mostraram vendas para exportação acima das expectativas e a China sendo o principal destino da oleaginosa dos EUA. 

O cenário externo também continua no radar dos investidores. As oscilações do petróleo e as tensões geopolíticas recentes mantém a incerteza ainda rondando os mercados de commodities e demais ativos, alimentando uma volatilidade ainda bastante agressiva. Os investidores monitoram possíveis avanços nas negociações entre EUA e Irã para um cessar-fogo, mas com notícias ainda muito desalinhadas e divergentes. 

Nesta manhã de sexta-feira, os preços do petróleo continuam subindo, têm mais de 1% de alta e ainda são combustível para o suporte a alguns mercados, como óleo de soja e milho também na CBOT. 

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Por:

Carla Mendes | Instagram @jornalistacarlamendes

Fonte:

Notícias Agrícolas





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AgroNewsPolítica & Agro

Trigo recua em Chicago após trégua no conflito


A cotação do trigo recuou no mercado internacional ao longo da semana, influenciada pelo anúncio de uma trégua na guerra entre Estados Unidos/Israel e Irã. Segundo análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), divulgada nesta quinta-feira (09), o contrato para o primeiro mês em Chicago fechou o dia a US$ 5,74 por bushel, ante US$ 5,98 registrados na semana anterior.

De acordo com a Ceema, o relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), publicado no mesmo dia, trouxe poucas alterações para o mercado. O órgão manteve praticamente inalteradas as estimativas de produção e estoques finais dos Estados Unidos, enquanto elevou a produção mundial para 844,2 milhões de toneladas. Os estoques globais foram ajustados para 283,1 milhões de toneladas, com aumento superior a 6 milhões de toneladas em relação ao mês anterior. A produção da Argentina foi estimada em 27,9 milhões de toneladas, enquanto a do Brasil foi reduzida para 7,87 milhões.

Os embarques de trigo dos Estados Unidos somaram 334.106 toneladas na semana encerrada em 2 de abril, levemente acima do piso esperado pelo mercado. Com isso, o total exportado no atual ano comercial alcança 20,7 milhões de toneladas, volume 17% superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.

A Ceema avalia que houve pressão vendedora após o anúncio da trégua, ainda que considerada instável, em um contexto de oferta global elevada. O relatório aponta que o comportamento dos fundos de investimento também segue influenciando o mercado, com liquidações de posições especulativas contribuindo para a queda das cotações em momentos de redução das tensões geopolíticas.

No mercado brasileiro, a Safras & Mercado indica que o cenário ainda não apresenta sustentação para um movimento consistente de alta. “o mercado nacional ‘ainda não apresenta fundamentos suficientes para sustentar um movimento consistente de alta’”, aponta a consultoria. Segundo a análise, “o ritmo de negócios segue lento, com moinhos relativamente abastecidos no curto prazo e produtores mais retraídos, acompanhando a queda externa e o comportamento do câmbio antes de tomar decisões. Esse ambiente mantém a liquidez limitada e reforça a necessidade de atenção redobrada por parte do produtor”.

Apesar disso, os preços internos apresentaram recuperação. No Rio Grande do Sul, as principais praças registraram valores entre R$ 60,00 e R$ 61,00 por saca, enquanto no Paraná as cotações ficaram em torno de R$ 66,00. No mercado de pronta entrega paranaense, o preço médio superou R$ 1.280 por tonelada no fim de março, retornando a níveis observados em setembro de 2025.

Parte desse movimento é atribuída ao desempenho das exportações brasileiras e à elevação dos preços do trigo argentino, que subiram 7% em março, encarecendo as importações. As programações de embarque do Brasil somam 2 milhões de toneladas entre agosto de 2025 e março de 2026, com 97% desse volume originado no Rio Grande do Sul. Entre os destinos, Bangladesh lidera, seguido pelo Vietnã e pelo mercado do Nordeste via cabotagem. Já as importações previstas para o período entre agosto de 2025 e abril de 2026 totalizam 3,72 milhões de toneladas, com destaque para Ceará, São Paulo, Bahia e Pernambuco.





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Exportações aceleradas para China e oferta restrita fazem preço do boi gordo disparar


arroba do boi gordo
Foto: Henrique Bighetti/Canal Rural

O mercado físico do boi gordo apresentou preços sustentados e em alta ao longo da semana em grande parte do Brasil, reflexo direto da restrição de oferta. De acordo com o analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, as escalas de abate permanecem encurtadas na maioria das regiões, mantendo o ambiente favorável para a valorização da arroba.

Diante da menor disponibilidade de animais para abate, frigoríficos já avaliam estratégias para ajustar suas operações, incluindo o aumento da ociosidade ao longo de abril e a possibilidade de concessão de férias coletivas. O movimento reflete a dificuldade de originar boiadas em volume suficiente.

No mercado internacional, o ritmo das exportações segue acelerado, com a China absorvendo grandes volumes de carne bovina brasileira neste primeiro quadrimestre. Segundo estimativas, a cota de embarques pode se esgotar entre maio e meados de junho. Esse cenário traz incertezas para o terceiro trimestre, quando há maior oferta de animais confinados, podendo impactar o fluxo exportador. Algumas entidades, inclusive, apontam para um esgotamento ainda mais precoce, já no início de maio.

Os preços da arroba do boi gordo, na modalidade a prazo, registraram avanços consistentes nas principais praças pecuárias até 9 de abril.

  • São Paulo (Capital) – R$ 370,00 a arroba, aumento de 2,78% frente aos R$ 360,00 praticados no final da semana passada
  • Goiás (Goiânia) – R$ 355,00 a arroba, avanço de 4,41% frente aos R$ 340,00 registrados no final da semana passada
  • Minas Gerais (Uberaba) – R$ 350,00 a arroba, avanço de 1,45% ante os R$ 345,00 registrados no fechamento da última semana
  • Mato Grosso do Sul (Dourados) – R$ 360,00 a arroba, acréscimo de 2,86% ante os R$ 350,00 praticados no final da semana anterior
  • Mato Grosso (Cuiabá) – R$ 360,00 a arroba, aumento de 1,41% frente aos R$ 355,00 praticados no fechamento da semana passada
  • Rondônia (Vilhena) – R$ 330,00 a arroba, alta de 3,13% perante os R$ 320,00 registrados no encerramento da última semana

Atacado

No mercado atacadista, os preços da carne bovina permaneceram firmes ao longo da semana, com expectativa de novos reajustes no curto prazo. A entrada dos salários na economia tende a impulsionar a reposição entre atacado e varejo, favorecendo a sustentação dos preços.

Por outro lado, um fator limitante para altas mais expressivas segue sendo o comportamento das proteínas concorrentes, especialmente a carne de frango, que continua com preços mais baixos, aumentando a competitividade frente à carne bovina.

Entre os cortes, o quarto dianteiro foi precificado a R$ 22,50 por quilo, representando alta de 2,27% em relação à semana anterior. Já os cortes do traseiro bovino foram cotados a R$ 27,50 por quilo, mantendo estabilidade no período.

Comércio exterior

No comércio exterior, o desempenho segue robusto. Em março, as exportações brasileiras de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada geraram receita de US$ 1,360 bilhão, considerando 22 dias úteis, com média diária de US$ 61,835 milhões. O volume total exportado atingiu 233,951 mil toneladas, com média diária de 10,634 mil toneladas. O preço médio da tonelada foi de US$ 5.814,80.

Na comparação com março de 2025, houve crescimento expressivo, com alta de 29% no valor médio diário exportado, avanço de 8,7% no volume médio diário e ganho de 18,7% no preço médio. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior, reforçando o bom momento das exportações brasileiras de carne bovina.

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Com apoio da família, produtor de SC transforma pequeno aviário em império


A trajetória de Osvaldo Fávaro na avicultura no Sul do Brasil é um exemplo de como a visão de longo prazo pode transformar a realidade de quem vive no campo. Antes de se destacar nesse setor, Fávaro conheceu a lida pesada de culturas como o fumo e a banana. Na década de 90, ele percebeu a necessidade de um negócio que trouxesse mais previsibilidade e escala para sua família.

Em 1994, Osvaldo e seu irmão ergueram o primeiro aviário, projetado para apenas sete mil quinhentas aves. Esse início modesto não indicava o complexo que ele viria a liderar décadas depois. O ponto de virada em sua trajetória foi a percepção de que “sozinho se vai rápido, mas acompanhado se vai longe”. Ele entendeu que a sociedade na avicultura era fundamental para multiplicar seus resultados.

Expansão e investimento em parcerias

Ao longo de 30 anos, Fávaro buscou parceiros e familiares para investir em novos projetos, transitando da engorda comum para o desafiador segmento de matrizes. Atualmente, ele participa de 21 granjas, um número que só foi possível graças a uma base sólida de confiança e ao sistema de integração com a indústria, que proporcionou tecnologia e segurança em cada novo passo.

Operar no segmento de matrizes envolve um alto nível de exigência, já que são produzidos os ovos que darão origem a milhares de frangos de corte. Fávaro destaca que a gestão das unidades requer um olhar clínico: a coleta correta, a higiene rigorosa e o controle total do ambiente definem o lucro ou o prejuízo.

“O resultado depende da soma entre tecnologia e a dedicação da equipe que está lá dentro”, informa o produtor.

Modelo de gestão e sucessão familiar

No modelo societário que adotou, a engrenagem funciona com uma clara divisão de responsabilidades. Fávaro valoriza cada funcionário e sócio, considerando a sanidade do lote uma meta coletiva.

Ele tem investido constantemente em automação para manter a competitividade, sem abrir mão da presença humana para garantir o padrão de excelência das matrizes. Essa estrutura permitiu um crescimento sustentável, mantendo a essência do cuidado artesanal com a produção.

Um dos maiores orgulhos de Osvaldo Fávaro não está nos números de aves, mas na mesa de jantar. Ver seus filhos crescendo na atividade e assumindo a linha de frente da operação é prova de uma sucessão bem-sucedida.

A transição ocorreu de forma natural, com os filhos trazendo inovação e novas ferramentas de gestão, enquanto Osvaldo atua como mentor estratégico, compartilhando sua experiência.

Conselhos para novos investidores

Para a família Fávaro, o campo é um espaço de aprendizado contínuo. Mesmo após 30 anos, Osvaldo mantém a humildade de quem reconhece que a avicultura está em constante mudança.

Seu conselho para os interessados em investir é claro: exige planejamento, seriedade e, acima de tudo, vontade de aprender. O legado que ele deixa é evidente: com as parcerias certas e a família unida, o crescimento não tem limites.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

Com informações de: interligados.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.

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