sexta-feira, abril 24, 2026
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Crise no agro exige reação urgente e nova securitização


A crise no agro brasileiro, marcada por custos elevados, eventos climáticos extremos e juros altos, tem pressionado produtores e ampliado o risco de inadimplência no setor. O cenário, analisado por Maurício Buffon, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja – Aprosoja Brasil, reacende o debate sobre a necessidade de uma nova securitização para garantir a continuidade da produção e evitar impactos na economia nacional.

O agronegócio brasileiro atravessa um dos momentos mais delicados das últimas décadas. No artigo “O Agro Brasileiro no limiar de uma nova securitização”, Buffon avalia que o setor vive uma “tempestade perfeita”, formada pela combinação de fatores econômicos e climáticos.

Segundo ele, a pandemia de Covid-19 e os conflitos geopolíticos elevaram significativamente os custos de produção, especialmente dos fertilizantes — insumo no qual o Brasil depende mais de 90% de importações. Ao mesmo tempo, secas e inundações em regiões como Rio Grande do Sul e Centro-Oeste comprometeram safras e reduziram margens de lucro.

O reflexo direto desse cenário é o avanço do endividamento rural. Com juros reais em níveis elevados e inflação de custos persistente, muitos produtores passaram a enfrentar dificuldades para honrar compromissos financeiros. Buffon destaca que os pedidos de Recuperação Judicial (RJ) no campo cresceram mais de 500% em 2023 em relação ao ano anterior. Para o dirigente, esse avanço da inadimplência deixou de ser um risco pontual e passou a representar uma ameaça sistêmica ao agronegócio e à economia brasileira.

Outro ponto crítico está na estrutura atual de crédito rural. Na avaliação de Buffon, o modelo vigente prioriza garantias para as instituições financeiras, em detrimento da proteção ao produtor. Sem mudanças estruturais, o financiamento da próxima safra já apresenta sinais de desaceleração, o que pode comprometer o setor responsável por grande parte da geração de riqueza e divisas do país.

Nova securitização ganha força no debate

Diante desse cenário, ganha força a defesa de uma solução mais ampla. A proposta vai além de prorrogações pontuais e aponta para um programa estruturado de renegociação de dívidas. Buffon observa que a mobilização da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e do Instituto Pensar Agro (IPA) indica que o tema deve ganhar prioridade legislativa em 2026.

O Projeto de Lei 5122 aparece como peça central dessa estratégia, com potencial de criar uma nova arquitetura de crédito e seguro rural, ampliando a segurança jurídica para os produtores.

A crise atual coloca em xeque a capacidade do Brasil de manter sua posição como protagonista global na produção de alimentos e energia limpa. Na análise de Buffon, a aprovação de medidas estruturantes pode não apenas aliviar o endividamento, mas também permitir que produtores retomem investimentos em produtividade e inovação.

 





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