segunda-feira, abril 6, 2026

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Cápsulas de alho mostram eficácia contra parasitas do pirarucu


Pesquisadores da Embrapa Pesca e Aquicultura, no Tocantins, identificaram que cápsulas de alho comercializadas em farmácias apresentaram efeito no controle de parasitas que atingem alevinos de pirarucu (Arapaima gigas).

O estudo foi realizado em parceria com a Universidade Federal do Tocantins (UFT) e a Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (Uems), com apoio do Sebrae.

O trabalho foi publicado na revista científica Veterinary Parasitology e apontou redução significativa na presença de protozoários tricodinídeos e do verme das brânquias Dawestrema cycloancistrium, organismos que podem causar mortalidade em larga escala nos criadouros.

Resultados do estudo

Os testes utilizaram concentrações de 2,5 mg a 10 mg de alho por litro de água, em banhos estáticos de quatro dias.

“A intensidade de D. cycloancistrium nas brânquias foi significativamente reduzida nos peixes tratados em comparação ao controle (animais que não receberam tratamento), mas não foram observadas diferenças entre as concentrações testadas, indicando que as menores doses são eficazes”, destacou Patricia Oliveira Maciel Honda, pesquisadora da Embrapa.

No caso dos tricodinídeos, a dose de 5 mg/L apresentou eficácia de 77% em quatro dias de exposição. Nenhum dos tratamentos provocou mortalidade ou alterações comportamentais nos alevinos.

Metodologia

Os experimentos utilizaram cápsulas de alho de 500 mg e 1.000 mg, diluídas em água para alcançar as concentrações testadas. “Colocamos, por exemplo, duas cápsulas de 1.000 mg e uma cápsula de 500 mg em um litro de água, e fomos medindo para termos as concentrações de teste. Dessa forma, chegamos à dose de 2,5 mg por litro”, afirma Maciel.

Após 96 horas, amostras de muco e sangue foram analisadas. Para a contagem dos protozoários mortos, os pesquisadores aplicaram corante específico que marca células sem vida.

“Os resultados sugerem que o alho pode ser uma alternativa fitoterápica promissora para o manejo de ectoparasitas na piscicultura, particularmente na concentração de 5,0 mg/L por quatro dias de exposição”, destacou a pesquisadora.

O estudo mostrou que as cápsulas de alho foram capazes de reduzir significativamente a presença de protozoários que causam mortalidade em larga escala nos criadouros de pirarucu (Foto: Divulgação/Embrapa).

Aplicação no manejo

Segundo a Embrapa, o tratamento com alho é indicado durante o treinamento alimentar dos alevinos, fase em que os peixes são colocados em caixas d’água para aprender a consumir ração. Nesse período, é possível observar sinais de parasitose, como perda de apetite, apatia e mudança de coloração nas brânquias.

“Quando são identificados peixes nesse estado, o ideal é descartá-los e tratar o lote restante, de modo profilático, porque quando o animal apresenta esses sinais clínicos, dificilmente tem cura”, orientou Maciel.

O tratamento também pode ser aplicado antes do transporte dos peixes, quando há maior risco de infecção devido ao estresse e à redução da imunidade.

Perspectivas

“O óleo de alho demonstrou ser eficaz no controle desses parasitos, com destaque para a concentração de 5,0 mg/L, que também não induziu toxicidade significativa”, afirmou a pesquisadora.

A Embrapa busca parcerias com empresas do setor para desenvolver produtos fitoterápicos destinados à aquicultura. Interessados podem contatar a instituição pelo e-mail [email protected].



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Reuniões para suspender tarifaço começam ainda hoje, diz Mauro Vieira


O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que as negociações com o governo dos Estados Unidos para a suspensão do tarifaço contra as exportações brasileiras serão iniciadas neste domingo (26), em Kuala Lumpur, na Malásia. 

Segundo o chanceler brasileiro, a autorização para o início das negociações foi dada pelo presidente Donald Trump após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Vieira disse que a primeira reunião deve ser realizada na noite deste domingo (26), no fuso do horário da Malásia, que está 11 horas à frente do horário oficial de Brasília. 

Na conversa, Lula pediu a Trump que as tarifas extras sejam suspensas enquanto os dois países estiverem negociando, o que pode ocorrer após as primeiras conversas entre os representantes brasileiros e norte-americanos.

“A reunião foi muito positiva, o saldo final é ótimo. O presidente Trump declarou que dará instruções a sua equipe para que comece um processo, um período de negociação bilateral, que deve se iniciar hoje ainda, porque é para tudo ser resolvido em pouco tempo”, afirmou. 

As negociações serão conduzidas pelo próprio chanceler, que terá auxílio do secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Fernando Elias Rosa.

Pelo lado norte-americano, as negociações serão conduzidas pelo secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário do Tesouro, Scott Bessent.

Em julho deste ano, Trump anunciou uma tarifaço de 50% sobre todos os produtos brasileiros que são exportados para os Estados Unidos. Em seguida, ministros do governo brasileiro e do Supremo Tribunal Federal (STF) também foram alvo da revogação de vistos de viagem e outras sanções pela administração norte-americana. 



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Suinocultores potiguares ampliam produção com frigorífico e apoio técnico


O setor de suinocultura do Rio Grande do Norte vem colhendo resultados expressivos. Um ano após o lançamento do Projeto de Encadeamento Produtivo da Suinocultura, a cadeia produtiva se fortalece com o apoio técnico do Sebrae-RN e a inauguração do primeiro frigorífico de suínos do estado, localizado em Jucurutu.

Durante o seminário realizado no Palco Juntos Pelo Agro, na Agência Sebrae Festa do Boi 2025, em Parnamirim, produtores e parceiros celebraram os avanços do projeto.

Segundo Gustavo Cosme, gerente da Agência Sebrae Trairi, o programa representa um divisor de águas. “A atividade está consolidada, com apoio técnico desde a produção até a comercialização”, afirmou.

Além disso, o frigorífico produz e comercializa cortes de carne suína e já planeja ampliar sua atuação com a inclusão de embutidos e defumados. Com capacidade para abater até 300 suínos por dia, o empreendimento é a primeira indústria de abate de suínos do Rio Grande do Norte.

Porteira Aberta Empreender

Quer saber mais? Assista ao programa Porteira Aberta Empreender, uma parceria entre o Sebrae e o Canal Rural, que traz dicas, orientações e mostra histórias reais de micro e pequenos produtores de todo o país.

Às sextas-feiras, às 18h, no Canal Rural. | Foto: Arte Divulgação



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Nas redes sociais, Lula comenta “ótima reunião” com Trump na Malásia


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse neste domingo (26) que teve uma “ótima reunião” com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Mais cedo, os presidentes se encontraram em Kuala Lumpur, na Malásia, durante 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).

Pelas redes sociais, Lula disse que discutiu de “forma franca e construtiva” a agenda comercial entre os dois países e acertou que as diplomacias do Brasil e dos Estados Unidos vão avançar nas negociações para suspender o tarifaço contra as exportações e as sanções contra autoridades brasileiras.

Na parte aberta da reunião, que contou com cobertura de imprensa, Lula disse a Trump que não há razão para desavenças com os Estados Unidos. 

Em julho deste ano, Trump anunciou uma tarifaço de 50% sobre todos os produtos brasileiros que são exportados para os Estados Unidos. Em seguida, ministros do governo brasileiro e do Supremo Tribunal Federal (STF) também foram alvo da revogação de vistos de viagem e outras sanções pela administração norte-americana. 





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Lula se reúne com Trump na Malásia e discute relações entre Brasil-EUA


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu neste domingo (26) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Kuala Lumpur, na Malásia. O encontro durou cerca de 50 minutos e ocorreu durante a realização da 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).

Durante a reunião, Lula disse que não há razão para desavenças com os Estados Unidos e pediu a Trump a suspensão imediata do tarifaço contra as exportações brasileiras, enquanto os dois países estiverem em negociação. 

Em julho deste ano, Trump anunciou uma tarifaço de 50% sobre todos os produtos brasileiros que são exportados para os Estados Unidos. Em seguida, ministros do governo brasileiro e do Supremo Tribunal Federal (STF) também foram alvo da revogação de vistos de viagem e outras sanções pela administração norte-americana. 

“O Brasil tem interesse de ter uma relação extraordinária com os Estados Unidos. Não há nenhuma razão para que haja qualquer desavença entre Brasil e Estados Unidos, porque nós temos certeza que, na hora em que dois presidentes sentam em uma mesa, cada um coloca seu ponto de vista, cada um coloca seus problemas, a tendência natural é encaminhar para um acordo”, afirmou o presidente.

Além dos presidentes, também participaram do encontro o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretario de Estado norte-americano, Marco Rubio.

Suspensão das tarifas

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, falou com a imprensa após o encontro e disse Trump autorizou sua equipe a iniciar as negociações para revisão do tarifaço ainda na noite deste domingo, no horário local da Malásia, 11 horas a frente do Brasil. 

“A reunião foi muito positiva, o saldo final é ótimo. O presidente Trump declarou que dará instruções a sua equipe para que comece um processo, um período de negociação bilateral, que deve se iniciar hoje ainda, porque é para tudo ser resolvido em pouco tempo”, afirmou o chanceler.

Admiração

Segundo Vieira, os presidentes tiveram uma conversa descontraída e Trump disse que admira a trajetória política de Lula.

“Trump declarou admirar o perfil da carreira política do presidente Lula, já tendo sido duas vezes presidente da República, tendo sido perseguido no Brasil, se recuperado, provado sua inocência, voltado a se apresentar e, vitoriosamente, conquistando o terceiro mandato”, afirmou.

Visitas

O chanceler brasileiro também confirmou a intenção de Trump vir ao Brasil. A data ainda não está confirmada.

“O presidente Lula aceitou também e disse que irá, com prazer, aos Estados Unidos. Trump disse que admira o Brasil e que gosta imensamente do povo brasileiro”, comentou.



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AgroNewsPolítica & AgroSafra

CNA discute regulamentação da lei de bioinsumos


Grupo de Trabalho da Confederação se reuniu na quinta (18)

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) promoveu, na quinta (18), a reunião do Grupo de Trabalho sobre a regulamentação da Lei de Bioinsumos (nº 15.070/2024) para discutir as contribuições sobre o tema com as federações de agricultura e pecuária estaduais.

Os principais pontos discutidos foram a definição dos casos em que será necessário o acompanhamento de um responsável técnico na produção e como será o cadastro das unidades de multiplicação de bioinsumos para uso próprio, garantindo que seja um processo simplificado para o produtor rural.

Em relação à exigência de responsável técnico, a CNA defende que agrônomos, biólogos, biotecnologistas e engenheiros de bioprocessos, entre outros, possam atuar, desde que habilitados em seus conselhos de classe.

No caso do cadastro de unidades de produção para uso próprio, a entidade propôs que a exigência seja simplificada. Para processos biológicos básicos, como compostagem e silagem, a CNA defende isenção de cadastro.

A assessora técnica Letícia Fonseca afirmou que as considerações do GT vão compor o posicionamento da Confederação que será encaminhado ao Ministério da Agricultura.

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Mercado do boi gordo segue firme e vaca tem alta em São Paulo


De acordo com a análise divulgada nesta sexta-feira (24) pela Scot Consultoria, no informativo “Tem Boi na Linha”, o mercado do boi gordo manteve-se firme durante a quarta semana de outubro, sustentado por uma oferta ajustada e por um bom escoamento da carne bovina. Apesar de uma leve desaceleração em relação à primeira quinzena do mês, o desempenho apresentou melhora significativa quando comparado a setembro.

Entre segunda e quinta-feira, a cotação do boi gordo registrou alta de R$ 4,00 por arroba, enquanto o “boi China” teve aumento de R$ 4,00/@ e a novilha de R$ 1,00/@. Nesta sexta-feira, o mercado abriu com valorização de R$ 2,00/@ para a vaca, enquanto as demais categorias permaneceram estáveis na comparação diária.

Segundo a Scot Consultoria, o cenário de curto prazo aponta para preços firmes. “Os agentes do mercado relatam maior dificuldade em encontrar boiadas, além de a retomada das chuvas favorecer a retenção dos animais e o início das programações de estação de monta”, destacou o boletim.

Em Goiás, a consultoria observou redução na oferta de boiadas, o que resultou em elevação das cotações nos últimos dias. O ritmo de escoamento da carne, contudo, diminuiu, equilibrando a relação entre oferta e demanda. “Frigoríficos com parcerias mantiveram suas referências, enquanto aqueles que buscavam boiadas no mercado acabaram ofertando um pouco mais”, informou a análise. Compradores do Sul do país também adquiriram lotes goianos, o que contribuiu para a sustentação dos preços.

Na região de Goiânia, os preços permaneceram inalterados em relação ao dia anterior. Já na região Sul do estado, houve alta de R$ 3,00/@ para a vaca e de R$ 2,00/@ para a novilha, enquanto o boi gordo manteve estabilidade.





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Banco do Nordeste destina R$ 360 mi para energia renovável



Os financiamentos serão direcionados a empresas privadas


Os financiamentos serão direcionados a empresas privadas
Os financiamentos serão direcionados a empresas privadas – Foto: Pixabay

O Banco do Nordeste (BNB) anunciou que terá, a partir de 2026, cerca de R$ 360 milhões para financiar projetos de transmissão e distribuição de energia proveniente de fontes renováveis na região Nordeste. Os recursos vêm do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do programa de Integração de Energias Renováveis dos Fundos de Investimentos Climáticos (CIF-REI), totalizando US$ 67 milhões, com o objetivo de ampliar a integração de energias limpas ao sistema elétrico regional.

Segundo o presidente do BNB, Wanger Alencar, a iniciativa busca fortalecer a confiabilidade e a eficiência do fornecimento de energia, estimulando a modernização das redes elétricas. Os recursos permitirão financiamento de tecnologias como baterias, hidrogênio verde, redes inteligentes e automação, essenciais para a estabilidade da matriz energética.

“Queremos expandir a capacidade de transmissão e distribuição das redes elétricas na Região, que é grande geradora de energia limpa. Ao estimular o uso de tecnologias de modernização da rede, esperamos aumentar a flexibilidade do sistema elétrico brasileiro”, comenta.

Os financiamentos serão direcionados a empresas privadas, contemplando aquisição de maquinário, equipamentos e sistemas associados à geração, transmissão e armazenamento de energia renovável, promovendo digitalização e automação do setor.

O programa, chamado Programa de Integração de Energias Renováveis do Nordeste (CIF-REI/NE), está alinhado aos objetivos estratégicos do Brasil para o desenvolvimento sustentável do setor elétrico e complementa iniciativas anteriores do BNB, como o Prodepro, reforçando o papel do banco como catalisador de investimentos sustentáveis na região.

 





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Conexão Abisolo mostra evolução da matriz orgânica na agricultura brasileira


Por Flávia Macedo 

A cidade de Campinas (SP) recebeu a primeira edição do Conexão Abisolo, evento promovido pela Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo). Reunindo lideranças do setor, pesquisadores e representantes da indústria, o encontro apresentou os cenários, econômico e científico, dos insumos agrícolas em um momento em que a agricultura brasileira busca integrar produtividade, sustentabilidade e inovação.

Entre os destaques técnicos, o professor e pesquisador da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp (Unesp/FCA), Thiago Assis Rodrigues Nogueira, apresentou resultados de pesquisas sobre o uso de fertilizantes orgânicos compostos à base de lodo de esgoto, destacando o potencial desse insumo em fechar o ciclo entre saneamento e agricultura.

“Esse é um cenário desafiador, porque embora o material seja rico em nutrientes e matéria orgânica, ainda há resistência e pouca estrutura técnica nas empresas de saneamento para utilizá-lo adequadamente na agricultura”, explicou Thiago. “É um produto de alto valor agronômico, que poderia ajudar o país a reduzir a dependência de fertilizantes minerais importados. Mas o caminho envolve capacitação, regulamentação e conscientização sobre o valor real desses compostos”.

Segundo o pesquisador, o uso agrícola de fertilizantes à base de lodo de esgoto já ocorre em algumas regiões, especialmente em áreas próximas a estações de tratamento. “Hoje já existem produtos registrados no Ministério da Agricultura de 3% a 15% de lodo na composição, utilizados em culturas como milho e café. 

Um dos principais entraves é a aceitação pública. O termo “esgoto” ainda causa resistência. “É importante destacar que esse material é extremamente nobre e rico em nutrientes e matéria orgânica, elementos essenciais para o cultivo em solos tropicais, como os do Brasil. O que precisamos é desmistificar o uso desses resíduos, especialmente em um momento em que o país precisa reduzir sua dependência nas importações de fertilizantes minerais”.

Além das palestras e debates, o evento Conexão Abisolo contou com uma área de exposição repleta de novidades tecnológicas, que vão desde fabricantes de máquinas e equipamentos de aplicação, até novas indústrias voltadas ao modelo B2B, mostrando a força e a diversidade do setor de bioinsumos.

Entre os visitantes, o associado da Abisolo e sócio-fundador da Global Biotecnologia, Altamiro Alvernaz, veio de Minas Gerais especialmente para acompanhar de perto as inovações apresentadas.

“É um ambiente de troca e aprendizado, onde conseguimos alinhar o que está sendo pesquisado nas universidades com o que as empresas estão colocando no mercado. Esse tipo de integração é o que faz o setor crescer de forma sustentável e sólida”, destaca.

Fundada com base em estudos sobre o equilíbrio entre ambiente e microrganismos, a Global Biotecnologia desenvolveu a Tecnologia do Consórcio Probiótico (TCP), que atua na sinergia entre bactérias e fungos benéficos para promover o crescimento vegetal e o aproveitamento de nutrientes. 

“Nosso foco é entender como a convivência entre esses microrganismos pode melhorar a eficiência fisiológica e a produtividade das plantas. É um trabalho que vem sendo validado em diferentes culturas e regiões e que reforça a importância da biotecnologia como ferramenta prática para aumentar a produtividade e reduzir o impacto ambiental da agricultura”, completou Alvernaz.

Outro destaque da feira foi a Black Bio, que apresentou um produto inédito no mercado: uma matriz orgânica natural, sem misturas, que atua como condicionador de solo, melhorando a estrutura e estimulando a microbiota.

Drumon Pinheiro Filho, diretor comercial da empresa, explicou que o diferencial do produto está na origem e na estabilidade. “A Black Bio é uma matriz orgânica formada naturalmente há milhões de anos. Por ser um material estabilizado, tem alta capacidade de reter nutrientes e água, o que favorece o vigor e a sanidade das plantas. Além disso, serve como abrigo e alimento para os micro-organismos, o que cria um ambiente de solo mais equilibrado e produtivo.”

Ele ressaltou ainda o papel ambiental do produto. “Toda matriz orgânica contém carbono, e no caso da Black Bio essa reposição ocorre de forma natural, sem emissão adicional de gases. Ao incorporar o produto ao solo, o produtor está devolvendo carbono e melhorando a estrutura física e biológica da área”, conclui.

Além das soluções voltadas ao campo, o evento também abriu espaço para inovações na área de gestão e tecnologia. De olho nas mudanças tributárias que entram em vigor a partir de janeiro de 2026, a Agrotis apresentou um software de gestão atualizado com as novas regras fiscais, automatizando cálculos e adequações para evitar multas.

“Nossa equipe já está adequando o sistema às mudanças que se estendem até 2033. A ideia é garantir que, a partir de 1º de janeiro de 2026, todas as notas fiscais sejam emitidas de forma automática e em conformidade com a legislação, sem impacto na operação do cliente, ressalta André Túlio, gerente comercial da empresa.





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Biofertilizantes e biotecnologia ampliam fronteiras da agricultura regenerativa


Por Flávia Macedo 

Um dos temas mais relevantes debatidos durante o Conexão Abisolo, que contemplou o II Fórum de Fertilizantes de Matriz Orgânica e o III Simpósio de Biofertilizantes, realizados em Campinas (SP), foi a eficácia dos biofertilizantes na redução de estresses das plantas e no aumento da produtividade agrícola. As macroalgas — especialmente as do gênero Ascophyllum nodosum — foram apresentadas como grandes aliadas da agricultura regenerativa, contribuindo tanto para o crescimento vegetal quanto para a sustentabilidade dos sistemas produtivos.

O professor Carlos Alexandre Crusciol, da Unesp/FCA, destacou em sua apresentação o papel desta macroalga marrom no desenvolvimento de culturas como cana-de-açúcar e milho. Segundo ele, o extrato de Ascophyllum Nodosum contém compostos bioativos que ativam rotas metabólicas específicas dentro da planta, tornando-a mais tolerante a doenças e a condições adversas como seca, geada e alta radiação solar.

“Esses extratos funcionam como um estimulante natural, ajudando a planta a se defender melhor contra pragas e enfermidades, sem substituir o uso de fungicidas e inseticidas”, explicou Crusciol. “Além disso, promovem o equilíbrio hormonal, aumentam a formação de raízes e reduzem a temperatura da folha, fazendo com que a planta utilize a água de forma mais eficiente. Isso se traduz em maior estabilidade produtiva e, muitas vezes, em ganhos expressivos de produtividade mesmo em condições de estresse”.

No setor privado, o uso dessas substâncias também tem avançado. O gerente de marketing estratégico da Acadian no Brasil e Paraguai, Bruno Carloto, explicou que a empresa canadense é pioneira na utilização do extrato de Ascophyllum Nodosum em bioestimulantes agrícolas.

“A Acadian está há mais de 20 anos no Brasil com resultados consistentes que comprovam a eficácia dos extratos de algas em diferentes culturas”, destacou Carloto. “Nosso produto contém um complexo de bioativos que atua no metabolismo da planta, estimulando processos enzimáticos e hormonais. O resultado é o desenvolvimento de mais raízes, maior crescimento da parte aérea e, consequentemente, aumento de produtividade”.

Segundo ele, o uso das macroalgas tem se mostrado vantajoso não apenas em termos de desempenho agronômico, mas também de resiliência. “As plantas tratadas apresentam menor fitotoxicidade e suportam melhor situações de estresse por temperatura e falta de água. É uma tecnologia consolidada, utilizada em soja, cana-de-açúcar, milho, algodão, trigo, arroz e até em culturas de frutas, como uva e abacate. E o potencial de expansão no Brasil é enorme — podemos dobrar o mercado de bioestimulação nos próximos cinco anos”.

Além das macroalgas, as microalgas também ganharam espaço nos debates. O professor e pesquisador da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Átila Mógor, apresentou a palestra “Microalgas na agricultura: obtenção de aminoácidos e metabólitos de nitrogênio”, trazendo uma visão atualizada sobre o uso desses microrganismos como fontes biotecnológicas de compostos bioativos.

Em sua fala, Mógor destacou que as microalgas, tradicionalmente utilizadas nas áreas de alimentação, cosmética e saúde humana, despontam agora como insumos promissores na agricultura. Cultivadas em biorreatores, elas fornecem aminoácidos, poliaminas e outros compostos que atuam em processos de crescimento e adaptação ao estresse das plantas. 

Os biofertilizantes à base de extratos vegetais também foram apresentados durante o evento pela professora e doutora em Bioquímica e Biotecnologia da UFPR, Roberta Paulert. A pesquisadora ressaltou que esses produtos contêm princípios ativos orgânicos capazes de atuar direta ou indiretamente nas plantas, promovendo melhorias no crescimento, na resistência e na produtividade.

“Os extratos vegetais têm mostrado bioatividades importantes em diversas culturas, como milho, soja, trigo, tomate e alface”, explicou Roberta. “Eles melhoram o perfil nutricional e ajudam as plantas a lidar com condições adversas, como seca e variações de temperatura. Ainda são poucos os produtos no mercado que utilizam exclusivamente extratos vegetais, mas os resultados de pesquisa mostram um potencial enorme para ampliar o uso e aumentar a eficiência fisiológica das plantas”, ressalta.

No campo do controle biológico de pragas e doenças, o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, Wagner Bettiol, destacou que os agentes biológicos vão além da simples ação de combate — eles também promovem o crescimento vegetal e aliviam o estresse das plantas.

“Os microrganismos aplicados no controle de pragas, como os do gênero Bacillus e Trichoderma, têm mostrado resultados muito positivos”, disse Bettiol. “Eles estimulam a produção de aminoácidos e enzimas que fortalecem a planta contra o calor, a salinidade e a falta de água. Em ensaios com cana-de-açúcar e milho, observamos ganhos médios de até 15% na produtividade, mesmo sem presença significativa de doenças. Ou seja, eles atuam como uma espécie de bioestimulante natural”, afirma.

Já o pesquisador da Embrapa Instrumentação, Ladislau Martin Neto, trouxe à pauta a relação entre matéria orgânica do solo e créditos de carbono. Segundo ele, cerca de 50% da composição da matéria orgânica é carbono — o que faz do solo o terceiro maior reservatório desse elemento no planeta, superando, inclusive, a biomassa das florestas.

Ele destaca que quando falamos em carbono, estamos também falando de matéria orgânica do solo. “Quimicamente, cerca de 60% da matéria orgânica é carbono. Ou seja, ele já está naturalmente presente em todas as propriedades rurais”.

O próximo passo é consolidar o sistema de Medição, Relato e Verificação (MRV), para garantir rastreabilidade e credibilidade, e permitir que projetos de crédito de carbono sejam estruturados de forma consistente.

Premiação de Trabalhos | Conexão Abisolo 2025

A terceira edição do Simpósio de Biofertilizantes, realizada durante o Conexão Abisolo 2025, premiou quatro pesquisas em duas categorias: Mérito Acadêmico e Mérito Inovação. Foram 57 trabalhos inscritos, abordando temas como algas, aminoácidos, substâncias húmicas e extratos vegetais. Os vencedores foram selecionados por um Comitê Científico e receberam R$ 5 mil cada, como reconhecimento às contribuições que impulsionam o desenvolvimento tecnológico da agricultura brasileira.

Prêmio Mérito Acadêmico

 • Categoria Biofertilizantes – Isolamento de frações ativas da parede celular da microalga Chlamydomonas reinhardtii

Autores: Elisa Teófilo Ferreira e Paulo Mazzafera

• Categoria Fertilizantes de Matriz Orgânica – Fontes e épocas de aplicação de fertilizantes especiais na cultura do cafeeiro

Autores: Adailton Agostinho Barbosa Freitas, Raquel Pinheiro da Mota, Reginaldo de Camargo, Igor Cruvinel Pena, Isabela Oliveira Queiroz e João Joaquim Assis Rezende

Prêmio Mérito Inovação

 • Categoria Biofertilizantes – Extrato de Ascophyllum nodosum como estratégia para reduzir o custo metabólico induzido pelo Protioconazol na soja

Autores: Bruno Moço Tessarolli, Samir Geraigire Filho, Mayara Cristina Malvas Nicolau, João William Bossolani, José Roberto Portugal e Carlos Alexandre Costa Crusciol

• Categoria Fertilizantes de Matriz Orgânica – Potássio no sistema solo-planta após adubação com composto orgânico à base de macrófitas aquáticas

Autores: Paulo Sergio Costa Trindade, André Luiz de Freitas Espinoza, André Luís Pirotello, João Lucas Barbosa, Thiago Assis Rodrigues Nogueira e Tiago Tezotto





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