quinta-feira, abril 30, 2026

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Com safra de soja histórica, Brasil caminha para consolidar novo recorde


soja, grãos
Foto: Pixabay

A produção brasileira de soja em 2025/26 deverá totalizar 178,11 milhões de toneladas, com elevação de 3,7% sobre a safra da temporada anterior, que ficou em 171,84 milhões de toneladas. A estimativa é da Safras & Mercado. Em 27 de fevereiro, data da estimativa anterior, a projeção era de 177,72 milhões de toneladas.

Safras indica aumento de 1,8% na área, estimada em 48,48 milhões de hectares. Em 2024/25, o plantio ocupou 47,64 milhões de hectares. O levantamento aponta que a produtividade média deverá passar de 3.625 quilos por hectare para 3.692 quilos.

“Houve alguns ajustes pontuais em determinadas regiões, mas o cenário geral permanece consistente, com a safra agora estimada em 178,1 milhões de toneladas. Trata-se de um novo recorde, consolidando mais uma vez o Brasil como principal fornecedor da commodity no mercado global”, destaca o analista de Safras, Rafael Silveira.

Segundo ele, os ajustes refletem, em grande parte, o avanço da colheita, que já supera 90% da área. No Rio Grande do Sul, houve novo corte na estimativa, com a safra agora projetada em 20,2 milhões de toneladas, impactada pelas condições climáticas ao longo do verão. “Apesar de menos severo que em 2025, o clima apresentou restrição hídrica, limitando o potencial produtivo, com rendimento médio estimado em 49,3 sacas por hectare”, acrescenta Silveira.

Por outro lado, no Centro-Oeste, os ajustes foram positivos. Em Mato Grosso, a safra segue muito robusta, com cerca de 49,6 milhões de toneladas. Já em Mato Grosso do Sul, as condições extremamente favoráveis apontam para uma safra recorde de 16,7 milhões de toneladas, com produtividade média de 3.630 kg por hectare. No Sudeste, Minas Gerais se destaca, com produção estimada em 9,8 milhões de toneladas e rendimento médio de 4.040 kg por hectare, o equivalente a aproximadamente 67,3 sacas por hectare.

“Na região do Matopiba, os trabalhos de colheita ainda avançam, mas o cenário também é favorável ao tamanho da safra. Na Bahia, houve ajustes positivos, e, de forma geral, as revisões pouco alteraram o tamanho total previamente estimado”, conclui o analista.

Oferta e demanda

As exportações de soja do Brasil deverão totalizar 105 milhões de toneladas em 2026, contra 108,18 milhões em 2025, apresentando uma retração de 3%.

A consultoria revisou o esmagamento para 61,8 milhões de toneladas em 2026, uma alta de 6% frente aos 58,5 milhões do ano anterior. A importação para o ciclo 2026 está estimada em 200 mil toneladas, queda acentuada de 79% em relação às 969 mil toneladas de 2025.

No que tange à temporada 2026, a oferta total de soja deverá subir 5%, atingindo 182,82 milhões de toneladas. A demanda total está projetada em 170,22 milhões de toneladas, mantendo-se estável em relação ao ano anterior. Com isso, os estoques finais devem saltar 179%, passando de 4,51 milhões para 12,6 milhões de toneladas.

Segundo o analista de Safras & Mercado, Rafael Silveira, o quadro de oferta e demanda passou por ajustes necessários para refletir o momento do setor. “As estimativas para o esmagamento interno, apesar das incertezas em torno do B16, apontam para uma demanda bastante forte pelo grão, sustentada por margens da indústria que não eram observadas há bastante tempo”, explica.

Ele destaca que a projeção anterior, que indicava um esmagamento próximo de 60 milhões de toneladas, foi elevada para 61,8 milhões de toneladas após as revisões, o que classifica como um “incremento relevante”.

Quanto ao cenário do grão, Silveira avalia que a situação permanece confortável, mesmo com a projeção de estoques elevados. “Os estoques finais de 12,6 milhões de toneladas consideram a hipótese de retorno da China ao mercado americano, com compras ao redor de 25 milhões de toneladas na nova safra dos EUA. Ainda assim, trata-se de um quadro que pode sofrer ajustes”, ressalta o analista.

Ele conclui alertando que o volume expressivo dos estoques de passagem deve atuar como um limitador para a força dos prêmios no segundo semestre.

As informações são da Safras & Mercado.

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AgroNewsPolítica & Agro

Setor hortifruti ganha novo impulso global


A cadeia de frutas e hortaliças ampliou sua presença internacional em 2026 com o avanço de eventos que reúnem diferentes etapas do setor. Um dos principais encontros do segmento registrou crescimento de público e reforçou sua atuação global.

A 43ª edição da Macfrut, realizada no Rimini Expo Centre, apresentou aumento no número total de visitantes, com destaque para a participação estrangeira, que cresceu mais de 12%. O evento reuniu compradores de mais de 80 países e contou com 1.400 expositores, distribuídos em áreas temáticas voltadas a toda a cadeia produtiva.

O resultado foi impulsionado pela atuação conjunta com parceiros institucionais. A Italian Trade Agency ampliou a presença de delegações internacionais, enquanto a AICS contribuiu com iniciativas ligadas à agricultura sustentável. A programação também incluiu conferências científicas com especialistas internacionais.

Durante a abertura, foi anunciado o lançamento do Observatório de Frutas e Hortaliças em parceria com a Nomisma. A participação do varejo italiano também se destacou, com expectativa de crescimento na próxima edição. Para 2027, a organização prevê mudanças no layout e negocia um acordo com a Informa, responsável pela Growtech, com foco no segmento de pré-colheita. A próxima edição ocorre de 20 a 22 de abril.

“Para o próximo ano, já introduzimos diversas novidades, começando por um novo layout de exposição que tornará o evento mais acessível para visitantes e compradores, ao mesmo tempo em que aumentará sua eficácia para os expositores”, disse Patrizio Neri, presidente da Cesena Fiera, organizadora da Macfrut. “Também estamos extremamente satisfeitos com o nível de participação e com o crescente perfil internacional da feira.”

“Também posso anunciar”, acrescentou Neri, “que estamos na fase final de assinatura de um acordo estratégico com a Informa, organizadora da Growtech, o principal evento mundial do setor de pré-colheita, com o objetivo de fortalecer ainda mais esse segmento dentro da Macfrut.”

 





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91ª ExpoZebu é aberta em Uberaba com expectativa de R$ 200 milhões em negócios


Cerimônia de abertura da Expozebu 2026
Foto: ABCZ

A 91ª edição da ExpoZebu foi oficialmente aberta neste sábado (25), no Parque Fernando Costa, em Uberaba (MG), reunindo autoridades políticas, lideranças do agronegócio e representantes internacionais. Promovida pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), a feira segue até o dia 3 de maio e deve movimentar cerca de R$ 200 milhões em negócios.

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Considerada a maior mostra de gado zebuíno do mundo, a ExpoZebu também espera receber mais de 400 mil visitantes ao longo da programação. Delegações de cerca de 40 países já confirmaram presença no evento.

Defesa do agro e investimentos no setor

Durante a cerimônia de abertura, o presidente da ABCZ, Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges, defendeu maior atenção ao setor produtivo nas discussões políticas e reforçou a importância dos produtores rurais para a economia brasileira.

Segundo ele, é necessário ampliar o debate com parlamentares para garantir medidas de apoio ao agro e melhores condições para quem investe no campo.

Arnaldo também destacou a atuação internacional da entidade, citando a criação da Federação Internacional de Criadores de Zebu (Ficebu), que reúne 20 países ligados à pecuária zebuína.

Uberaba destaca impacto econômico da feira

A prefeita de Uberaba, Elisa Araújo, ressaltou a relevância da ExpoZebu para o município, especialmente nos setores de turismo, comércio e serviços. Ela também afirmou que a cidade recebeu apoio do governo estadual para melhorias em estradas rurais e infraestrutura local.

Já o governador de Minas Gerais, Mateus Simões, defendeu políticas públicas voltadas ao campo e afirmou que produtores rurais precisam de condições adequadas para continuar investindo em agricultura e pecuária.

Julgamentos e leilões movimentam programação

A edição deste ano contará com 41 leilões e 11 shoppings de animais. Outro destaque é o número de inscrições para os julgamentos das raças zebuínas: são 2.605 animais confirmados nas competições.

Participam exemplares das raças Brahman, Gir, Gir Leiteiro, Guzerá, Guzerá Leiteiro, Indubrasil, Nelore, Nelore Mocho, Nelore Pelagens, Sindi, Tabapuã e Guzolando. Também haverá avaliações nas modalidades Matriz Modelo e Modelo Frigorífico. O tradicional Concurso Leiteiro reunirá 93 matrizes das raças Gir, Guzerá, Sindi e Sindolando.

O grupo Canal Rural transmite ao vivo 31 leilões da programação, permitindo acompanhamento para criadores e investidores em todo o país.

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Paraná lidera produção de tilápia no Brasil em 2025; SP e MG aparecem logo atrás


tilápia
Foto: divulgação/Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA)

O Paraná manteve a liderança na produção de tilápia no Brasil em 2025, com 273,1 mil toneladas. O volume representa alta de 9,1% em relação ao ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR).

“Esse movimento vindo de empresas privadas e cooperativas mostram a força do setor no estado. São diversos os fatores que contribuem para o desenvolvimento da atividade que vêm se repetindo nos últimos anos, como agregação de tecnologia, orientação técnica e a participação de grandes cooperativas e agroindústrias”, disse o presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros, em comunicado.

Ranking de produção

São Paulo aparece na segunda posição, com 93,7 mil toneladas produzidas em 2025, aumento de 54% na comparação anual. Minas Gerais ocupa o terceiro lugar, com 77,5 mil toneladas, seguido por Santa Catarina, com 63,4 mil toneladas.

O Maranhão fecha a lista dos cinco maiores produtores, com 59,6 mil toneladas. O estado avançou uma posição no ranking.

Crescimento entre estados

Entre os dez principais produtores, o Maranhão registrou o maior índice de crescimento, com alta de 9,36%.

“O Maranhão foi estado com o maior índice de crescimento (9,36%) entre os dez maiores produtores, mais até do que o Paraná, e tem demonstrado um arranjo produtivo local que permitiu essa ampliação nos últimos anos”, afirma Medeiros.

Santa Catarina e Minas Gerais também apresentaram crescimento, com variações de 7,28% e 6,46%, respectivamente.

O Ceará registrou aumento de 29,3% na produção e subiu para a 18ª posição no ranking nacional.

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AgroNewsPolítica & Agro

Com 35% da produção voltada à exportação, carne bovina entra em ciclo de valorização


O mercado da carne bovina no Brasil vive um ciclo de valorização sustentado pelo aumento da demanda, tanto no cenário interno quanto internacional. A avaliação foi apresentada por Felipe Fabbri, analista da Scot Consultoria, durante fórum realizado na Nacional Hereford e Braford, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS), nesta quinta-feira (23).

Segundo o analista, desde 2024 os preços da arroba do boi gordo vêm registrando alta consistente, impulsionada principalmente pelo consumo. “Não é a oferta que está puxando esse movimento, mas sim o crescimento da demanda, que sustenta toda a cadeia produtiva”, afirmou. Ele salientou ainda que a valorização impacta diretamente todos os elos do setor, refletindo tanto na rentabilidade do produtor quanto nos preços ao consumidor final.

No cenário externo, o ambiente também é favorável ao Brasil. Países como China, Estados Unidos e México ampliaram a demanda pela carne brasileira, enquanto novos mercados seguem em processo de abertura. Ao mesmo tempo, concorrentes relevantes enfrentam queda na produção. Os Estados Unidos, por exemplo, registram o menor nível de rebanho em décadas, o que os posiciona como importadores. “O mundo quer carne, e o Brasil tem capacidade para atender essa demanda, inclusive em mercados mais exigentes”, destacou Fabbri.

Atualmente, cerca de 35% da produção nacional é destinada à exportação, enquanto o mercado interno segue como principal destino. Para o consultor, fatores econômicos têm contribuído para sustentar o consumo. De acordo com o especialista, a redução do desemprego e o aumento da renda média têm elevado o padrão de consumo. “Com mais renda, o consumidor passa a buscar produtos de maior valor agregado”, explicou.

Além do cenário geral, o avanço da demanda tem favorecido a valorização de carnes com diferenciação de qualidade. O diretor do Programa Carne Certificada Hereford, Eduardo Eichenberg, destacou que o movimento já é perceptível no mercado. Segundo ele, a combinação entre demanda aquecida e oferta global mais restrita sustenta a tendência de preços firmes. “A perspectiva é positiva, com valorização contínua, ainda que em ritmo moderado”, afirmou.

Esse cenário se reflete também dentro da porteira. De acordo com Eichenberg, remates recentes ligados à entidade registraram valorização média próxima de 20% em relação ao ano anterior. Para o dirigente, o avanço da carne de qualidade está diretamente ligado à mudança no comportamento do consumidor. “Há uma busca crescente por produtos com padrão superior, o que favorece sistemas de certificação”, disse.

Entre os fatores que ganham peso na decisão de compra estão rastreabilidade, sanidade, bem-estar animal e sustentabilidade. “O consumidor está mais exigente. A escolha não passa mais apenas pelo preço, mas pela confiança no produto e na cadeia de produção”, concluiu.

A expectativa, de acordo com os analistas no evento, para 2026 é de manutenção de um mercado firme, sustentado pela combinação entre demanda aquecida e oferta ajustada, com tendência de continuidade na valorização da carne bovina.

Na sequência, houve debates inerentes ao fórum com os representantes da cadeia da carne. Além de Fabbri e Eichenberg, participaram a consultora Ana Doralina Menezes, o presidente da Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB), Eduardo Soares, o gerente executivo da associação, Felipe Azambuja, o representante do Frigorífico Silva, Mateus Silva, a presidente do Instituto Desenvolve Pecuária,  Antonia Scalzilli, e o representante Grupo Mandabrasa, proprietário do 20 Barra 9, Pedro César Bergamaschi.

 





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Nova tecnologia promete elevar recuperação de petróleo em mais de 50%


extração de petróleo
Foto: Cícero Oliveira/ Agecom/UFRN

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em parceria com a Petrobras, desenvolveram uma tecnologia inovadora voltada à recuperação avançada de petróleo.

O método, que combina a injeção simultânea de vapor com microemulsões formuladas com tensoativos não iônicos, busca aumentar a eficiência da produção em reservatórios de óleo pesado, especialmente em campos maduros.

A invenção foi desenvolvida no âmbito da pós-graduação da Universidade e resultou no depósito de patente da tecnologia.

O dispositivo patenteado funciona a partir da integração de dois mecanismos: o aquecimento por vapor e a ação físico-química das microemulsões.

Enquanto o vapor atua reduzindo a viscosidade do petróleo, as microemulsões diminuem a tensão interfacial entre o óleo e a água e alteram a molhabilidade da rocha. Esse conjunto de processos facilita a mobilização do óleo que permanece preso nos poros do reservatório.

Nova tecnologia supera métodos tradicionais

De acordo com o pesquisador Gregory Vinicius Bezerra de Oliveira, responsável pelo desenvolvimento experimental da tecnologia em sua tese de doutorado, a proposta surgiu da necessidade de superar limitações de métodos já utilizados na indústria.

“A ideia foi integrar mecanismos térmicos e físico-químicos para aumentar a mobilidade do óleo residual, tornando a recuperação mais eficiente”, explica.

Nesse sentido, a professora e orientadora da pesquisa, Tereza Neuma de Castro Dantas, destaca o papel das microemulsões na tecnologia.

“Esses sistemas possuem propriedades capazes de reduzir significativamente a tensão interfacial entre óleo e água e modificar a molhabilidade da rocha, fatores fundamentais para melhorar o deslocamento do petróleo dentro do reservatório”, afirma.

Já o professor Marcos Allyson Felipe Rodrigues, também orientador da pesquisa, ressalta que os pesquisadores pensaram na tecnologia para ampliar o desempenho de técnicas tradicionais de recuperação térmica.

“A injeção de vapor isolada pode apresentar limitações, como canalização preferencial e perda de eficiência. Ao associar o vapor às microemulsões, conseguimos melhorar o chamado varrido do reservatório”, explica.

Os testes realizados em laboratório demonstraram resultados promissores. De acordo com os pesquisadores, a tecnologia alcançou recuperação superior a 50% do óleo presente nas amostras analisadas, superando em mais de 25 pontos percentuais os resultados obtidos com apenas o uso do vapor.

Sistema de core flooding

Além disso, a validação experimental foi realizada em sistema de core flooding, que simula o fluxo de fluidos em rochas reservatório sob condições controladas.

Nos ensaios, os pesquisadores utilizaram vapor superaquecido a cerca de 240 °C a fim de reproduzir condições próximas às encontradas em campos reais de produção.

A tecnologia é especialmente indicada para reservatórios siliciclásticos e campos maduros de óleo pesado, pois nesse tipo de ambiente geológico a elevada viscosidade do petróleo dificulta o escoamento natural do fluido, tornando necessária a aplicação de técnicas de recuperação avançada.

O impacto potencial da inovação também pode alcançar diretamente regiões produtoras, como o Rio Grande do Norte, que possui tradição na produção terrestre de petróleo.

Dessa forma, ao aumentar a eficiência de recuperação em campos já explorados, a tecnologia pode contribuir para ampliar a produção e, consequentemente, a arrecadação de royalties destinados a estados e municípios.

A pesquisadora Maria Clara de Menezes Lourenço destaca que o processo de patenteamento também reforça a importância da inovação dentro da Universidade.

“A proteção da propriedade intelectual é essencial para garantir que o conhecimento gerado na pesquisa científica possa ser transferido para o setor produtivo e aplicado em escala”, afirma.

Próximos passos

Foto: Cícero Oliveira/Agecom/UFRN

Atualmente, o grupo de pesquisa continua avançando em novas linhas de investigação voltadas à recuperação avançada de petróleo, incluindo estudos em reservatórios do pré-sal, com estratégias híbridas que combinam controle de mobilidade, alteração de molhabilidade e melhoria da eficiência de varrido.

A experiência acumulada com a tecnologia patenteada tem servido como base científica para o desenvolvimento dessas novas soluções energéticas.

Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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O Brasil grande refém da política pequena


Defesa do Brasil contra ameaças à soberania
Foto: Pixabay

O Brasil vive um paradoxo que desafia a lógica do progresso. De um lado, ostentamos uma vanguarda tecnológica no agronegócio e uma capacidade produtiva de dimensões continentais.

Do outro, esbarramos em um teto de vidro invisível, mas intransponível: a mediocridade estrutural de uma classe política que trocou o projeto de nação pelo projeto de rede social.

A internet, que prometia ser o motor de transformações necessárias para tirar o país de décadas de crescimento medíocre, tornou-se, ironicamente, o combustível para o nosso atraso. O que vemos hoje não é a ascensão dos mais preparados, mas a sobrevivência dos mais barulhentos.

O achatamento cognitivo da liderança

Essa mediocridade não é apenas moral, é cognitiva. Como alerta o neurocientista Miguel Nicolelis, estamos vivenciando um “achatamento” do cérebro humano pelos algoritmos.

Ao trocarem o debate profundo pelo meme, nossos políticos estão abrindo mão da inteligência complexa para se tornarem escravos do engajamento digital.

O cérebro político, que deveria ser capaz de articular soluções para dilemas complexos, torna-se binário, opera apenas no “nós contra eles”.

O resultado é uma liderança incapaz de planejar o país para os próximos vinte anos, pois está viciada na recompensa imediata do clique e da dopamina gerada pelo conflito.

A gestão refém do engajamento

Nesse cenário, o plano de governo tornou-se um acessório descartável. Se a ascensão ao poder baseia-se exclusivamente no ataque às instituições e na desqualificação do “inimigo”, o exercício do cargo será apenas a continuação dessa guerra digital.

É lamentável perceber que temos tecnologia de ponta no campo, mas uma mentalidade de “vila” na capital federal.

O político que vive de likes é um gestor que não entrega; ele precisa do caos para se manter relevante, pois na paz e no progresso técnico, sua figura desaparece por falta de conteúdo.

O despertar necessário para o futuro

Não se faz política de Estado com frases de efeito ou ataques ao Supremo e ao Congresso. Enquanto a população for seduzida pela agressividade digital, que nada mais é do que uma cortina de fumaça para a incapacidade técnica, continuaremos sendo o país do futuro que nunca chega.

O Brasil tem pressa, mas enquanto a mediocridade for aplaudida e o preparo for ignorado, seguiremos presos em um presente de postagens vazias e resultados invisíveis.

É preciso romper o ciclo do algoritmo para que o país, enfim, ocupe o lugar que sua grandeza exige.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Embrapa gera lucro social de R$ 125 bilhões em 2025, alta anual de 17%


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Foto: Divulgação

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) gerou um lucro social de R$ 124,76 bilhões no ano passado. O lucro social é o valor decorrente de benefícios econômicos que o setor produtivo recebe por adotar soluções tecnológicas produzidas pela empresa.

O resultado avalia o impacto econômico de 166 soluções tecnológicas e da adoção de outras 209 tecnologias desenvolvidas pela instituição e efetivamente incorporadas pelo mercado produtivo.

O montante foi 17% superior ao lucro social proporcionado pela empresa em 2024 em termos reais. A receita operacional líquida da empresa foi de R$ 4,6 bilhões, ante R$ 4,228 bilhões reportados em 2024.

Para cada R$ 1 investido pela sociedade brasileira na estatal em 2025, foram gerados R$ 27, segundo a Embrapa, o chamado índice de retorno social. Ou seja, cada R$ 1 investido na Embrapa foi multiplicado em 27 vezes. O índice de retorno social, resultado da relação entre lucro social e receita operacional líquida, também aumentou em comparação com 2024, quando foram aferidos R$ 25,37 para cada R$ 1 investido na empresa.

Expansão internacional

Os números foram apresentados na última quinta-feira (23) pela presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, na abertura da Feira Brasil na Mesa e comemoração de 53 anos da empresa. O evento foi realizado na Embrapa Cerrados, em Planaltina, região administrativa do Distrito Federal. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, participou do evento.

“O orçamento público destinado à Embrapa alcançou R$4 bilhões em 2023 e vem sendo mantido acima desse patamar nos últimos três anos. Assegurar a constância da destinação desses recursos e ampliar o patamar desses valores é essencial para que os impactos econômicos e sociais sejam assegurados também pelas próximas décadas”, disse Massruhá. “Precisamos de mais investimentos em ciência e inovação. Trabalhamos com o BNDES para criar um fundo à Embrapa para menor dependência do orçamento público”, declarou.

A presidente da Embrapa destacou ainda a expansão internacional da estatal com projetos de escritórios na África, na Ásia e na América Central.

Do montante apresentado pela Embrapa, R$ 118,62 bilhões vieram diretamente dos impactos econômicos de 166 tecnologias e R$ 4,63 bilhões de 110 cultivares que a empresa coloca à disposição de produtores. Mais R$ 1,5 bilhão foi proveniente de indicadores sociais e laborais da estatal, conforme balanço social da empresa pública. Além disso, a Embrapa proporcionou 132.115 empregos diretos e indiretos no ano passado.

O levantamento do impacto social das tecnologias da Embrapa é realizado anualmente pelas 43 unidades descentralizadas da empresa pública. O valor é calculado a partir dos benefícios econômicos incorporados pelo setor produtivo com a adoção tecnologias desenvolvidas pela Embrapa. O lucro social é obtido pela soma do rendimento adicional gerado pelas soluções adotadas no campo.

Entre os benefícios econômicos, a Embrapa mensura benefícios por incremento de produtividade na atividade agropecuária – impacto de R$ 63,93 bilhões em 2025. No ano passado, das 166 tecnologias avaliadas pela Embrapa, 105 apresentaram ganhos por incremento de produtividade.

Custo de produção

Outro benefício apurado é a redução do custo de produção. Em 2025, 47 tecnologias da Embrapa geraram redução de custo de produção, somando economia de R$ 45,79 bilhões. A agregação de valor é outro benefício apurado, que gerou aumento de renda aos produtores de R$ 8,72 bilhões em 2025 com 37 tecnologias. Outras 15 tecnologias proporcionaram maior produção na mesma área, com impacto de R$ 180 milhões.

Conforme balanço social da empresa pública, das 166 soluções tecnológicas avaliadas no balanço social, 37 apresentaram mais de um tipo de benefício econômico e geraram um impacto econômico de R$ 8,89 bilhões.

Com as tecnologias desenvolvidas, a Embrapa teve participação de 16% no Produto Interno Bruto (PIB) da Agropecuária em 2025, com R$ 123,25 bilhões dos benefícios econômicos gerado pelas tecnologias da Embrapa e de parceiros, dos R$ 775,3 bilhões do PIB agro, mostra o balanço social da empresa pública.

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IA avança no atendimento técnico do agro


A digitalização no campo avança com novas ferramentas voltadas a tornar o atendimento técnico mais ágil, padronizado e conectado às demandas do produtor rural. Durante a Agrishow 2026, realizada de 27 de abril a 1º de maio, em Ribeirão Preto, será apresentada uma solução inédita de inteligência artificial generativa aplicada ao segmento de pneus agrícolas.

Desenvolvido pela Titan Pneus em parceria com a Inovation AI Global, o agente virtual foi criado para apoiar a rede de revendedores da marca no acesso a informações técnicas sobre um portfólio com mais de 500 SKUs. A ferramenta responde por texto ou áudio, diretamente pelo celular, com dados contextualizados sobre produtos, aplicações e especificações.

Segundo a Titan, a iniciativa surgiu a partir de uma demanda das áreas comercial e de marketing para oferecer informações técnicas de forma clara, rápida e escalável às revendas. A proposta é que o agente atue como um especialista digital, sem substituir pessoas, mas facilitando o processo de atendimento e negociação com clientes.

Na Agrishow, os visitantes poderão testar a versão beta da solução por meio de um QR Code, que direciona o usuário ao WhatsApp. O Atlas Titan poderá detalhar configurações, fichas técnicas, guias de aplicação, imagens de produtos e recomendações de maquinário relacionadas ao portfólio de pneus agrícolas.

A tecnologia também foi projetada para identificar intenção de compra, estruturar leads e, futuramente, direcionar demandas ao revendedor mais próximo. Para a Titan, a plataforma deve ampliar a rastreabilidade das interações e o acompanhamento do funil comercial. A evolução do sistema prevê ainda recursos de hiperpersonalização, com recomendações orientadas pelo perfil e comportamento do cliente.

“A proposta é apoiar a revenda na indicação do produto certo, no momento ideal, com condições alinhadas ao perfil do produtor. Não se trata de envio massivo de informações, mas de uma comunicação altamente personalizada e orientada por dados”, finaliza Rafael Nascimento, CEO da Inovation AI Global.

 





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Frio chega forte nos próximos dias, derruba temperaturas e aumenta risco de geadas no país


Frio e geada em um ambiente de serra
Imagem gerada por IA para o Canal Rural

Uma massa de ar frio deve avançar sobre a região Sul no começo da próxima semana e provocar forte queda nas temperaturas, com risco de geada em áreas serranas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. A previsão é do meteorologista Arthur Müller, do Canal Rural.

Segundo o Müller, as mínimas já começam a cair a partir de segunda-feira (27), quando os termômetros devem marcar menos de 10°C em diversas áreas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

O maior risco de geada está previsto para terça-feira (28), especialmente em municípios da Serra Gaúcha, Serra Catarinense e também em pontos do sul gaúcho próximos à fronteira com o Uruguai, onde as temperaturas podem ficar abaixo de 5°C ao amanhecer.

Em Dom Pedrito (RS), por exemplo, a previsão indica mínima de 7°C na segunda-feira, com possibilidade de geada entre a madrugada e o amanhecer de terça.

Antes da chegada do frio mais intenso, o avanço de uma frente fria mantém o tempo instável na região Sul durante o fim de semana. Há previsão de chuva forte e temporais no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná tanto no sábado quanto no domingo.

Calor no Centro-Oeste e Sudeste

Enquanto o Sul enfrenta instabilidade e posterior queda de temperatura, o tempo segue quente no Sudeste e no Centro-Oeste ao longo do fim de semana.

Já no Norte do país e no litoral do Nordeste, a combinação entre a Zona de Convergência Intertropical e ondas de leste continua favorecendo pancadas de chuva, principalmente nas áreas costeiras nordestinas.

Temperaturas voltam a subir depois do frio

De acordo com Arthur Müller, o frio mais intenso perde força rapidamente e, a partir de quarta-feira (29), as temperaturas voltam a subir em toda a região Sul.

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