sábado, abril 25, 2026
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Nova tecnologia promete elevar recuperação de petróleo em mais de 50%


extração de petróleo
Foto: Cícero Oliveira/ Agecom/UFRN

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em parceria com a Petrobras, desenvolveram uma tecnologia inovadora voltada à recuperação avançada de petróleo.

O método, que combina a injeção simultânea de vapor com microemulsões formuladas com tensoativos não iônicos, busca aumentar a eficiência da produção em reservatórios de óleo pesado, especialmente em campos maduros.

A invenção foi desenvolvida no âmbito da pós-graduação da Universidade e resultou no depósito de patente da tecnologia.

O dispositivo patenteado funciona a partir da integração de dois mecanismos: o aquecimento por vapor e a ação físico-química das microemulsões.

Enquanto o vapor atua reduzindo a viscosidade do petróleo, as microemulsões diminuem a tensão interfacial entre o óleo e a água e alteram a molhabilidade da rocha. Esse conjunto de processos facilita a mobilização do óleo que permanece preso nos poros do reservatório.

Nova tecnologia supera métodos tradicionais

De acordo com o pesquisador Gregory Vinicius Bezerra de Oliveira, responsável pelo desenvolvimento experimental da tecnologia em sua tese de doutorado, a proposta surgiu da necessidade de superar limitações de métodos já utilizados na indústria.

“A ideia foi integrar mecanismos térmicos e físico-químicos para aumentar a mobilidade do óleo residual, tornando a recuperação mais eficiente”, explica.

Nesse sentido, a professora e orientadora da pesquisa, Tereza Neuma de Castro Dantas, destaca o papel das microemulsões na tecnologia.

“Esses sistemas possuem propriedades capazes de reduzir significativamente a tensão interfacial entre óleo e água e modificar a molhabilidade da rocha, fatores fundamentais para melhorar o deslocamento do petróleo dentro do reservatório”, afirma.

Já o professor Marcos Allyson Felipe Rodrigues, também orientador da pesquisa, ressalta que os pesquisadores pensaram na tecnologia para ampliar o desempenho de técnicas tradicionais de recuperação térmica.

“A injeção de vapor isolada pode apresentar limitações, como canalização preferencial e perda de eficiência. Ao associar o vapor às microemulsões, conseguimos melhorar o chamado varrido do reservatório”, explica.

Os testes realizados em laboratório demonstraram resultados promissores. De acordo com os pesquisadores, a tecnologia alcançou recuperação superior a 50% do óleo presente nas amostras analisadas, superando em mais de 25 pontos percentuais os resultados obtidos com apenas o uso do vapor.

Sistema de core flooding

Além disso, a validação experimental foi realizada em sistema de core flooding, que simula o fluxo de fluidos em rochas reservatório sob condições controladas.

Nos ensaios, os pesquisadores utilizaram vapor superaquecido a cerca de 240 °C a fim de reproduzir condições próximas às encontradas em campos reais de produção.

A tecnologia é especialmente indicada para reservatórios siliciclásticos e campos maduros de óleo pesado, pois nesse tipo de ambiente geológico a elevada viscosidade do petróleo dificulta o escoamento natural do fluido, tornando necessária a aplicação de técnicas de recuperação avançada.

O impacto potencial da inovação também pode alcançar diretamente regiões produtoras, como o Rio Grande do Norte, que possui tradição na produção terrestre de petróleo.

Dessa forma, ao aumentar a eficiência de recuperação em campos já explorados, a tecnologia pode contribuir para ampliar a produção e, consequentemente, a arrecadação de royalties destinados a estados e municípios.

A pesquisadora Maria Clara de Menezes Lourenço destaca que o processo de patenteamento também reforça a importância da inovação dentro da Universidade.

“A proteção da propriedade intelectual é essencial para garantir que o conhecimento gerado na pesquisa científica possa ser transferido para o setor produtivo e aplicado em escala”, afirma.

Próximos passos

Foto: Cícero Oliveira/Agecom/UFRN

Atualmente, o grupo de pesquisa continua avançando em novas linhas de investigação voltadas à recuperação avançada de petróleo, incluindo estudos em reservatórios do pré-sal, com estratégias híbridas que combinam controle de mobilidade, alteração de molhabilidade e melhoria da eficiência de varrido.

A experiência acumulada com a tecnologia patenteada tem servido como base científica para o desenvolvimento dessas novas soluções energéticas.

Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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