Foto: Secretaria de Energia e Mineração de São Paulo
Os preços do etanol hidratado caíram nos últimos dias na região de São Paulo. De acordo com o Cepea, o avanço da safra 2026/27 aumentou a oferta do biocombustível no mercado, o que influenciou no recuo das cotações. Vendedores também seguem segurando uma maior quantidade em estoque por receio de mais quedas.
O centro de estudos ainda ressaltou que as chuvas recentes, que ocasionaram a interrupção na moagem da cana, não foram suficientes para segurar a baixa dos valores do etanol. A previsão para os próximos dias é de tempo mais seco.
Em relação aos compradores, parte deles chegaram a adquirir volumes maiores, porém o fluxo do hidratado seguiu fraco. Distribuidores seguem cautelosos e fechando apenas boas oportunidades de negócio.
O mercado continua atento às possibilidades de uma crescente na oferta de etanol nos próximos meses da safra, visto que o mercado açucareiro ainda está fraco e o dólar segue em queda.
A colheita de soja no Brasil atingiu 85,7% da área plantada, segundo o mais recente levantamento da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab). Na última semana, o índice era de 82,1%, o que representa um avanço de 3,6%.
Apesar do progresso, o ritmo segue ligeiramente abaixo da média dos últimos cinco anos, que é de 85,9%, com recuo de 0,2 ponto percentual. Em relação ao mesmo período do ano passado, quando a colheita estava em 88,3%, a diferença é de 2,6 pontos percentuais.
Progresso de safra de soja por estado
Regionalmente, o avanço da colheita apresenta variações importantes entre os estados. Do maior para o menor percentual, Mato Grosso e São Paulo já concluíram os trabalhos, com 100% das áreas colhidas, seguidos por Mato Grosso do Sul (99%), Goiás (97%), Paraná (96%), Minas Gerais (94%) e Tocantins (90%). Na sequência aparecem Piauí (84%) e Bahia (75%).
Já os estados com maior atraso são Maranhão (53%), Santa Catarina (47,8%) e Rio Grande do Sul (45,0%).
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Além dos fertilizantes, a cadeia de defensivos também registra elevação de custos – Foto: Pixabay
A escalada de tensões geopolíticas e as restrições comerciais internacionais vêm ampliando as incertezas no mercado global de insumos agrícolas. Segundo Jeferson Souza, analista de inteligência de mercado, o cenário segue indefinido após sete semanas de conflitos envolvendo Estados Unidos e Irã, com informações desencontradas entre as partes e impactos diretos na previsibilidade para o Brasil.
Paralelamente, a China tem reforçado sua postura protecionista ao praticamente interromper as exportações de fertilizantes e, mais recentemente, de ácido sulfúrico. A medida pressiona especialmente o segmento de fosfatados, considerado atualmente um dos principais pontos de atenção. A avaliação é de que o fósforo se tornou um problema relevante, com potencial de impacto superior ao observado em 2022.
Além dos fertilizantes, a cadeia de defensivos também registra elevação de custos. Os preços dos princípios ativos na China avançaram, refletindo o aumento das matérias-primas utilizadas na fabricação desses produtos, o que se traduz em encarecimento para o produtor rural.
O cenário é agravado por uma sequência de pressões sobre o custo de produção. Embora o câmbio próximo de 5 reais por dólar, em alguns momentos, contribua para amenizar decisões de compra, a relação de troca segue deteriorada. Isso ocorre porque commodities como soja e milho também enfrentam desvalorização, limitando o poder de compra do produtor. Na prática, o alívio cambial não compensa as perdas observadas nos preços agrícolas, mantendo o ambiente desafiador e sem sinal claro de melhora no curto prazo.
O dólar continua em trajetória de queda frente ao real e chegou a testar mínimas de R$ 4,97 no começo da manhã desta terça-feira (14). O movimento ocorre após a moeda norte-americana atingir o menor patamar em mais de dois anos no fechamento de ontem, cotada a R$ 4,99.
Segundo o economista Silvio Campos, da Tendências Consultoria, a baixa do dólar decorre de uma soma de fatores. Entre eles, um ambiente internacional mais fraco para a moeda e a política monetária do Banco Central do Brasil.
“Existe um ambiente global pró-diversificação, com investidores buscando alternativas diante de alguma desconfiança em relação aos ativos norte-americanos”, explica. Esse movimento favorece os ativos brasileiros, aumentando a venda de dólares em troca de reais.
No cenário interno, Campos destaca a manutenção da Selic em um patamar elevado por mais tempo. “A avaliação é de que o Banco Central vai ter que ser mais duro na condução da política monetária”, afirma. om isso, os investidores tendem a se aproveitar do diferencial elevado de juros, cenário que contribui para a valorização do real.
Segundo semestre de fortes emoções
A duração dessa tendência, contudo, tende a ser limitada, especialmente por causa das eleições no Brasil. “Acho que o cenário de curto prazo ainda é favorável ao real, então a gente até pode ver a cotação testando patamares um pouco mais baixos. Difícil mesmo dizer até quando, até onde a gente iria”, observa.
Além das eleições, outros temas também devem pesar sobre o dólar e a economia em geral. Nesse contexto, Campos destaca o cenário fiscal brasileiro.
“Temos um problema fiscal não resolvido. Nesse momento isso está sendo deixado de lado, mas em breve vai voltar, especialmente se quem vencer as eleições não deixar claro quais serão os caminhos para corrigir essa situação”, alerta.
Queda do dólar: bom para quem?
“Em linhas gerais, a queda do dólar é um fator positivo para quem importa e negativo para quem exporta”, esclarece o analista da Safras & Mercado, Gil Barabach.
No campo, a desvalorização da moeda pode atenuar os custos de produção em um primeiro momento, mas o encarecimento de fertilizantes, fretes marítimos e a inflação por causa da guerra no Oriente Médio devem anular os efeitos positivos.
Barabach também destaca que a baixa do dólar tem contribuído para a valorização de algumas commodities nas bolsas internacionais. Porém, há ressalvas. “A queda do dólar acaba jogando contra o preço dos produtos de exportação (recebe-se menos em reais por dólar vendido)”, diz.
Na última semana, o mercado do açúcar foi marcado pela estabilidade nos preços. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), ocorreram pequenas oscilações nas cotações na maior parte dos dias. Apesar disso, ao final do período foi registrado uma reação, com os preços próximos de R$ 106,00/sc.
Pesquisadores apontam que o mercado spot segue influenciado pelo início da safra 2026/27. Com isso, parte das usinas priorizaram a produção do açúcar VHP, enquanto a disponibilidade do açúcar cristal permaneceu limitada, fator que impactou no avanço dos preços.
A demanda em relação ao adoçante segue sendo apenas pontual, visto que compradores estão cautelosos, negociando apenas quantidades para recompor o estoque. Por conta disso, as compras seguem mais frias na primeira metade de abril.
Mercado externo
A instabilidade segue presente no mercado internacional. Com uma oferta abundante da mercadoria e um ambiente geopolítico ainda tenso e energético, a situação segue volátil ao redor do mundo.
O Conselho de Administração da Petrobras decidiu, nesta segunda-feira (13), pela retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III, sediada em Três Lagoas (MS).
A implantação da unidade já havia sido aprovada pelo conselho em outubro de 2024, dentro Plano de Negócios 2026-2030. Para a conclusão do projeto, é estimado investimento de cerca de US$ 1 bilhão.
A ideia é que as obras sejam retomadas ainda no primeiro semestre deste ano e que a unidade entre em operação comercial em 2029.
Paralisada desde 2015, a implantação da unidade voltou a ser avaliada a partir de 2023, quando a Petrobras decidiu retornar ao segmento de fertilizantes.
Unidade
O projeto prevê a produção de aproximadamente 3.600 toneladas por dia de ureia e 2.200 toneladas por dia de amônia, das quais 180 toneladas são excedentes e disponíveis para a comercialização.
A produção será destinada majoritariamente aos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo, principais produtores agropecuários do país.
A amônia é matéria-prima para os setores de fertilizantes e petroquímico. A ureia é o fertilizante nitrogenado mais demandado no Brasil, com consumo nacional na ordem de 8 milhões de toneladas por ano.
O agronegócio utiliza do produto nas plantações de milho, cana-de-açúcar, café, trigo e algodão, além de aplicação como suplemento alimentar para ruminantes.
Foto: Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou nesta segunda (13) que 34% da safra de trigo de inverno do país apresentava condição boa ou excelente no último domingo (12), queda de 1 ponto porcentual ante a semana anterior.
No mesmo período do ano passado, essa parcela era de 47%. Os dados constam no relatório semanal de acompanhamento de safra do órgão norte-americano. O USDA disse também que 11% da safra tinha perfilhado, em comparação a 8% um ano antes e 7% na média dos cinco anos anteriores.
Quanto à safra de primavera, o plantio está em 6%, em linha com a data correspondente do ano passado e levemente abaixo da média de cinco anos, de 7%.
O USDA informou também que o plantio de milho estava em 5%, ante 4% em igual período do ano passado e na média de cinco anos. Quanto à soja, a semeadura atingiu 6%, ante 2% um ano antes e na média de cinco anos.
O relatório mostrou também que produtores de algodão tinham semeado até o último domingo (12) o total de 7% da área prevista, em comparação a 5% um ano antes e 7% na média dos cinco anos anteriores.
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), por meio do programa Agrosolidário, atende diversas instituições sociais com a doação de bebida de soja, contribuindo para a segurança alimentar de pessoas em situação de vulnerabilidade. Entre as entidades beneficiadas está o Centro Comunitário de Assistência Social da Legião da Boa Vontade (LBV), em Cuiabá, que há mais de 45 anos desenvolve ações voltadas ao atendimento e ao fortalecimento de famílias em vulnerabilidade social no estado.
Por meio dos serviços Criança: Futuro no Presente e Vida Plena, a instituição presta assistência a cerca de 100 idosos e 145 crianças e adolescentes, com idades entre 6 e 14 anos. O trabalho é desenvolvido com foco no fortalecimento de vínculos familiares e comunitários, com abordagem socioeducativa, além da oferta de quatro refeições diárias aos atendidos, contribuindo para o bem-estar e o desenvolvimento dos participantes.
O gestor administrativo social da LBV, Junio Alcantara, destaca que o serviço prestado aos atendidos no centro comunitário é fundamental para o desenvolvimento e acolhimento de crianças e idosos, oferecendo suporte e preparação para que possam conviver de forma mais integrada na sociedade.
“As atividades vêm por meio de propostas socioeducativas em oficinas de arte, cultura, corpo e movimento, nas quais são trabalhados aspectos culturais, artísticos e esportivos. Todas essas ações estão alinhadas ao propósito da LBV de promover o fortalecimento de vínculos entre os usuários atendidos”, explica ele.
Junio Alcantara conta ainda que uma das maiores vulnerabilidades enfrentadas pelos atendidos é a alimentar. Por isso, o centro mantém o atendimento de forma ininterrupta, mesmo durante o período de férias. “Essa família necessita desse apoio, desse alimento. E muitas vezes o alimento que ele recebe aqui, é a única alimentação do dia dele. Por isso que a LBV tem esse zelo e esse cuidado com os nossos atendidos”, complementa o gestor administrativo social da LBV.
Sobre a parceria com a Aprosoja Mato Grosso, por meio do Agrosolidário, Junio Alcantara conta que, há aproximadamente oito anos, a instituição recebe a bebida de soja, o que é fundamental para o atendimento realizado, especialmente por se tratar de uma entidade filantrópica sem fins lucrativos.
“É tão importante essa ação da Aprosoja MT, acolhendo e oferecendo esse alimento que tanto ajuda as instituições que trabalham com esse público em situação de vulnerabilidade social. Então, é um reforço a mais, que vem para agregar à alimentação que é oferecida às nossas crianças e aos nossos idosos”, finaliza Junio.
A educadora social da LBV, Caroline da Silva Sales, conta que, por meio do esporte e das atividades socioeducativas, os atendidos conseguem trabalhar em conjunto e fortalecer vínculos. “Esses jovens e essas crianças não estão nas ruas, estão aqui sendo alimentadas, aprendendo com diversas atividades. Temos alguns casos de atendidos que já saíram e voltaram para a LBV e relataram a importância que o centro comunitário tem na vida delas”, ressalta a educadora social.
A parceria entre a Aprosoja Mato Grosso e a LBV, por meio do programa Agrosolidário, reforça o compromisso do setor produtivo com iniciativas que geram impacto social positivo. A doação da bebida de soja contribui diretamente para a alimentação e o cuidado oferecido aos atendidos do centro comunitário, fortalecendo ações que promovem dignidade, desenvolvimento e qualidade de vida para crianças, adolescentes e idosos em situação de vulnerabilidade.
O mercado de café viveu dois anos de euforia para quem produz. Entre quebras de safra e estoques críticos, vimos o arábica tocar patamares históricos de 440 centavos de dólar por libra-peso.
Mas o cenário de abril de 2026 é outro: o mercado já precifica a abundância. Com o grão girando em torno de 295 centavos, o ciclo de alta extrema terminou e a “normalização” chegou.
O principal vetor da pressão negativa sobre os preços é, ironicamente, o sucesso do campo brasileiro. O Brasil, que detém 40% do mercado global, caminha para uma colheita que pode ser a maior da história.
Dados da StoneX revisaram a produção para 75,3 milhões de sacas, um salto de 20,8% sobre o ciclo anterior. Mesmo com números mais conservadores da Conab, a realidade mostra que os investimentos em tecnologia surtiram efeito.
O Brasil caminha para uma colheita que pode ser a maior da história.
Para o analista, o número que importa é o balanço global. Projeta-se uma produção mundial de 182 milhões de sacas para um consumo que estacionou na casa dos 172 milhões.
Esse superávit retirou o senso de urgência das torrefadoras internacionais. Elas não precisam mais “brigar” pelo grão verde; podem esperar a safra entrar. Isso deve empurrar as cotações para baixo até o fim de 2026.
A valorização do real agrava o cenário: com o dólar abaixo de R$ 5, a conversão resulta em menos reais no bolso. Você entrega a mesma saca e recebe menos para cobrir custos que continuam altos.
A pergunta recorrente no Canal Rural é: “Mas e se o clima virar?”. Sim, o clima pode rasgar os relatórios. Uma geada severa no segundo semestre pode sustentar os preços, mas esperar pelo desastre não é estratégia, é aposta.
O momento exige hedge e mercado futuro para aproveitar os repiques de preços. É preciso atenção ao câmbio, pois o dólar volátil pode anular os ganhos da queda externa ou salvar a receita em reais.
A qualidade também surge como diferencial. Em anos de superávit, o mercado se torna mais seletivo e os cafés especiais sofrem menos com a queda.
O cafeicultor brasileiro provou sua eficiência tecnológica; agora, precisa provar sua eficiência financeira. O cenário é de preços em busca de um novo piso, mais baixo que o atual.
O lucro se realiza na venda estratégica, não apenas na saca estocada no armazém.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
O cenário macroeconômico global e doméstico deve seguir influenciando diretamente os mercados brasileiros, com impactos sobre câmbio, juros e commodities, segundo análise do CEO da Safras & Mercado, Raphael Juan, durante a 11ª edição do Safras Agri Week.
De acordo com o executivo, a recente piora nos dados de inflação no Brasil levou a uma revisão nas expectativas para a taxa básica de juros. O dado veio pressionado principalmente em serviços, o que exige maior cautela, afirmou. Com isso, a projeção da consultoria passou a indicar uma Selic mais elevada no fim do ano, além de um ritmo mais lento no ciclo de cortes.
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No cenário internacional, a manutenção dos juros nos Estados Unidos tende a sustentar o diferencial de taxas em relação ao Brasil, o que continua atraindo capital estrangeiro. Esse movimento, de acordo com Juan, tem favorecido a valorização do real e impulsionado o mercado de ações brasileiro.
Ainda segundo sua análise, o fluxo externo tem sido um dos principais motores da bolsa, que
apresenta forte desempenho no ano. Ainda assim, empresas ligadas ao agronegócio têm mostrado desempenho mais moderado, pressionadas por custos elevados e margens mais apertadas.
Juan também destacou que as tensões geopolíticas e a volatilidade no preço do petróleo adicionam incertezas ao cenário, com efeitos tanto sobre a inflação quanto sobre o câmbio. Apesar disso, ele avalia que o ambiente segue propício para entrada de recursos no país no curto prazo.