Cota da China e menor rebanho dos EUA redesenham cenário para exportações brasileiras

O mercado global de carne bovina passa por ajustes neste início de ano, com mudanças relevantes entre os principais players. De um lado, os Estados Unidos registram o menor rebanho em 75 anos. De outro, a China impôs limites às importações de carne brasileira.
Em entrevista ao telejornal Mercado & Companhia, o diretor da Scot Consultoria, Alcides Torres, ressaltou que esse cenário não tira a competitividade do Brasil no comércio internacional.
“O ambiente é preocupante, mas não é aterrorizante. A gente consegue navegar bem nesse mercado”, afirmou.
Menor rebanho dos EUA abre espaço
O rebanho bovino norte-americano caiu para cerca de 86 milhões de cabeças, o menor nível desde 1951, pressionado por secas prolongadas e altos custos de produção.
Para Torres, a redução da oferta nos Estados Unidos tende a abrir oportunidades para o Brasil, que já demonstrou resiliência mesmo diante de barreiras comerciais recentes.
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“A pecuária brasileira hoje é uma fortaleza. Quando os Estados Unidos aplicaram tarifas, nós navegamos sem muitos problemas”, destacou.
A expectativa, segundo Torres, é que os norte-americanos ampliem as compras externas, com potencial de importar volumes próximos de 400 mil toneladas de carne bovina.
Cota da China acende alerta
Ao mesmo tempo, a China estabeleceu uma cota de 1,1 milhão de toneladas para a carne bovina brasileira, com tarifa de 12% dentro do limite e sobretaxa de 55% para volumes excedentes.
Nos dois primeiros meses do ano, o Brasil já exportou cerca de um terço desse total, com 372 mil toneladas enviadas ao país asiático. (Leia aqui)
“Se esse ritmo continuar, até o meio do ano a gente deve ter entregue toda a cota”, afirmou Torres. Apesar do avanço acelerado, ele avalia que o cenário exige atenção, mas não representa um risco mais grave ao setor.
“O ambiente é preocupante, mas não é aterrorizante. A gente consegue navegar bem nesse mercado”, disse.
Além disso, caso o limite seja atingido antes do fim do ano, o setor já avalia mercados alternativos para escoar a produção. Entre as opções estão o Vietnã, que pode atuar como pólo de reexportação, e Hong Kong, que não aplica tarifa de importação para a carne bovina.
O analista lembra também que a produção brasileira deve perder força após dois anos consecutivos de recorde, o que pode aliviar a pressão sobre as exportações.
“A gente teve produção recorde em 2024 e 2025. Agora deve haver uma acomodação, o que ajuda a equilibrar o mercado”, explicou.
Custos logísticos e cenário global
O aumento das tensões geopolíticas também traz impactos para o comércio internacional, especialmente nas rotas marítimas.
Desvios de percurso para evitar áreas de conflito elevam o tempo de transporte e os custos de seguro, que podem ficar até dez vezes mais caros. Apesar disso, Torres avalia que o Brasil segue em vantagem competitiva.
“Se todo mundo tiver que pagar mais caro, o Brasil continua competitivo, porque tem custo mais baixo, boa entrega e produto com maior durabilidade”, disse.
Competitividade segue como diferencial
Mesmo diante de incertezas, o especialista avalia que o Brasil mantém posição estratégica no mercado global de carne bovina, com capacidade de adaptação e diversificação de destinos.
Hoje, a China segue como principal compradora, seguida por Estados Unidos e Chile.
“Se houver bloqueio, tende a ser temporário. E o Brasil tem conseguido abrir novos mercados, o que ajuda a diluir riscos”, concluiu.
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