A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) avaliou como um avanço estratégico a aprovação pelo Senado Federal do projeto que estabelece regras para produtos derivados de cacau. O texto agora segue para a sanção presidencial.
Novas regras de rotulagem
De acordo com o projeto, os produtos que utilizam a denominação chocolate deverão informar de forma clara no rótulo o percentual de cacau presente na composição. As novas diretrizes incluem:
Chocolate: mínimo de 35% de sólidos totais de cacau
Chocolate em pó: 32%
Chocolate ao leite: 25%
Chocolate branco: 20%
Criação da categoria chocolate doce
Transparência ao consumidor
O projeto também prevê que o percentual de cacau deve estar presente na parte frontal da embalagem, ocupando 15% da área com caracteres legíveis. Essa mudança visa garantir uma padronização na comercialização desses produtos no país.
O mercado físico do boi gordo apresenta queda de suas cotações no decorrer desta sexta-feira (17), com os frigoríficos começando a sinalizar para avanços em suas escalas de abate.
O analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias ressalta que a expectativa de perda de qualidade do pasto já faz com que muitos pecuaristas antecipem a entrega de animais na segunda quinzena de abril, aproveitando preços que ainda são chamativos.
“Vale destacar que o mercado segue temeroso em relação à progressão da cota chinesa, com expectativa de encerramento em meados de junho, o que tem aumentado a pressão baixista no mercado futuro”, destaca.
Por fim, Iglesias diz que é válido mencionar que a questão sanitária ainda tem grande peso sobre a composição de mercado, considerando os indícios de novos focos de aftosa na Rússia, próximos à fronteira com a China, colocando o terceiro maior produtor global de carne bovina em alerta.
Preços do boi gordo
São Paulo: R$ 367,67 — ontem: R$ 368,33
Goiás: R$ 355,36 — ontem: R$ 355,89
Minas Gerais: R$ 355,59 — ontem: R$ 357,65
Mato Grosso do Sul: R$ 358,98 — ontem: R$ 359,66
Mato Grosso: R$ 363,45 — ontem: R$ 364,05
Mercado atacadista
O mercado atacadista ainda se depara com preços acomodados no decorrer da sexta-feira, em um ambiente que ainda sinaliza para alguma alta dos preços, considerando a boa reposição entre atacado e varejo durante a primeira quinzena do mês.
“Como limitador para altas mais consistentes precisa ser mencionado a menor competitividade da carne bovina em relação às proteínas concorrentes, em especial se comparado com a carne de frango”, diz Iglesias.
Quarto dianteiro: ainda é cotado a R$ 23,00 por quilo;
Quarto traseiro: permanece cotado a R$ 28,00 por quilo;
Ponta de agulha: se sustenta a R$ 21,00 por quilo.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão com baixa de 0,18, sendo negociado a R$ 4,9933 para venda e a R$ 4,9813 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,9502 e a máxima de R$ 4,9922. Na semana, a moeda acumulou desvalorização de 0,54%.
Mercado de ovos encerrou a primeira quinzena de abril com cotações em queda
Estimado usuário. Preencha o formulário abaixo para remeter a página.
Foto: Pixabay
O mercado de ovos encerrou a primeira quinzena de abril com cotações em queda, uma vez que a tradicional retomada da demanda de início de mês não foi suficiente para sustentar os valores. O menor ritmo de vendas fez com que a pressão por descontos se intensificasse, provocando o recuo nos preços da proteína em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea.
Segundo o Centro de Pesquisas, a procura por ovos esteve abaixo do esperado no período, enquanto, do lado da oferta, o cenário divergiu entre as regiões. Em algumas praças não houve aumento dos estoques nas granjas, já em outras, diante do menor volume de negociações, a disponibilidade começou a aumentar.
Esse cenário de baixa acende um alerta para o setor, que deve se atentar ao equilíbrio entre a oferta interna e a demanda pela proteína nos próximos meses. Levantamentos do Cepea apontam que, nos últimos dois anos, após o final do período da Quaresma, os preços recuaram por vários meses consecutivos, pressionados pela maior disponibilidade interna.
Em um intervalo de poucas horas neste mês de abril de 2026, o mundo viu um Donald Trump transformado. O líder que prometia levar o Irã “de volta à Idade da Pedra” subitamente mediou um cessar-fogo no Líbano e anunciou estar “quase lá” em um acordo com Teerã. Para os observadores atentos, não se tratou de um milagre diplomático, mas de um freio institucional: o alto escalão das Forças Armadas Americanas deixou claro que não cruzaria a linha dos crimes de guerra.
A Constituição acima do comandante
Diferentemente de regimes autocráticos, o juramento militar nos Estados Unidos é feito à Constituição, e não a um indivíduo. Quando a retórica da Casa Branca passou a mirar alvos civis e infra-estruturas vitais, como usinas de energia e abastecimento de água, o Pentágono reagiu.
O alerta foi direto: ordens que visem o extermínio de populações ou a destruição de estruturas essenciais à vida são ilegais. Pelo Código Militar, os oficiais têm o dever de desobedecer a ordens que violem as Convenções de Genebra. Trump foi confrontado com o risco real de uma insurreição legal em sua própria cadeia de comando e a possibilidade de desonrar a farda americana perante tribunais internacionais.
O alerta da Palestina
O fantasma do conflito em Gaza serviu como o argumento definitivo. O presidente foi alertado de que a estratégia de Israel na Palestina — onde a busca por cerca de 25 mil militantes resultou na morte de mais de 75 mil civis, em sua maioria mulheres e crianças — não poderia ser replicada com o apoio dos EUA.
Embora o combate ao terrorismo seja legítimo, o uso desse pretexto para aniquilar a infraestrutura de uma nação inteira constitui crime de guerra. Os militares americanos foram enfáticos: os Estados Unidos não emprestaram seu poderio para um massacre de civis. Ao perceber que sua “política de força” poderia levar à desmoralização total de sua liderança frente ao exército, Trump optou pelo recuo estratégico, forçando Israel a aceitar a trégua.
O triunfo da regra
O recuo ensina que, mesmo no auge do populismo, as instituições possuem limites inegociáveis. A “segurada” que Trump deu em seus aliados e em si mesmo não foi um gesto de benevolência, mas uma rendição à realidade jurídica e ética. No final das contas, o dever onstitucional de proteger a humanidade contra massacres indiscriminados falou mais alto que qualquer postagem ou ameaça de palanque. A paz venceu, desta vez, por enquanto, pelo medo da lei.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
A previsão do tempo indica mudanças importantes no padrão climático do país nos próximos dias, com destaque para a formação de um ciclone extratropical que deve provocar o retorno das chuvas na região Sul. Estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina podem registrar acumulados de pelo menos 50 mm entre os dias 23 e 27 de abril.
Enquanto isso, o tempo segue firme e seco nas lavouras de soja do Centro-Oeste e Sudeste. Em Mato Grosso do Sul e em estados do Sudeste, as temperaturas continuam elevadas, com máximas entre 35°C e 36°C e sem previsão de chuvas significativas pelos próximos 10 dias.
No Norte do país, o cenário é oposto. Regiões do Tocantins, Maranhão e Pará devem enfrentar volumes expressivos de chuva nos próximos cinco dias, com acumulados que podem variar entre 100 mm e 150 mm.
Na virada do mês, a tendência é de mudança mais ampla no clima. As chuvas devem retornar com mais regularidade para áreas do Paraná, São Paulo, além de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, com volumes previstos entre 40 mm e 50 mm em cinco dias.
O cenário reforça o contraste climático entre as regiões, com excesso de chuva no Norte, tempo seco no Centro do país e a volta das precipitações no Sul, impulsionadas pela atuação do ciclone extratropical.
O Brasil passará a exportar miúdos bovinos (coração, fígado e rins) para o Vietnã, anunciou o Ministério da Agricultura e Pecuária nesta sexta-feira (17).
Trata-se da segunda abertura de mercado no país asiático nesta semana. Na quarta-feira (15), a pasta noticiou o aval para a venda de pé e miúdos suínos para aquele mercado.
Em 2025, o país de aproximadamente 102 milhões de habitantes importou US$ 3,5 bilhões de produtos brasileiros, com destaque para milho, complexo soja, fibras e têxteis.
“A nova abertura fortalece o comércio com o quarto principal destino das exportações do agronegócio brasileiro e amplia as oportunidades para a cadeia bovina nacional, ao favorecer o aproveitamento integral do animal”, desta o Mapa, em nota.
Com o anúncio, o agronegócio brasileiro alcança 592 aberturas de mercado desde o início de 2023, na atual gestão do governo federal.
Tem episódio novo do Soja Brasil no ar e você não pode ficar de fora. O programa traz um panorama completo dos desafios no campo, começando pela grave situação logística em Mato Grosso. Em Paranatinga, a MT-240 está praticamente intransitável, com caminhões atolados e filas que travam o escoamento da produção. Produtores relatam dificuldade para retirar a soja do campo, com risco real de perdas em áreas que já passaram do ponto ideal de colheita.
No Bahia, especialmente no oeste do estado, a colheita segue atrasada em relação ao ciclo anterior por causa das chuvas. Apesar do ritmo mais lento, a expectativa ainda é positiva, com áreas registrando médias acima de 70 sacas por hectare e possibilidade de uma safra com bons resultados.
Outro destaque é o avanço da ferrugem asiática, uma das principais ameaças à produtividade, além das discussões sobre o Plano Safra 2026/27. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil tem promovido encontros regionais para reunir propostas do setor, com foco em crédito, juros, redução da burocracia e acesso mais eficiente aos recursos.
O cenário financeiro também preocupa. Produtores enfrentam margens cada vez mais apertadas, pressionados pelo aumento dos custos e pela dificuldade de acesso ao crédito. A renegociação de dívidas, o alongamento de prazos e a criação de linhas mais acessíveis aparecem como medidas urgentes para garantir a continuidade da produção.
Por fim, o programa traz a previsão do tempo, que indica mudanças importantes nos próximos meses, com possibilidade de retorno do El Niño. O fenômeno pode impactar diretamente o planejamento da safra 2026/27, com previsão de calor mais intenso e chuvas irregulares em algumas regiões. O episódio ainda atualiza o andamento da colheita no Brasil e convida o público a participar da escolha do personagem da temporada.
O Supremo Tribunal Federal (STF) realizou, nesta quinta feira (16), a primeira audiência de conciliação no âmbito das ADIs 7.774 e 7.775, que discutem os efeitos de leis estaduais relacionadas à Moratória da Soja. A sessão foi conduzida pelo Núcleo de Solução Consensual de Conflitos (Nusol) e marcou o início formal das negociações entre os diferentes atores envolvidos.
Com cerca de três horas de duração, o encontro teve caráter expositivo, reunindo representantes do setor produtivo, como Aprosoja e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), além de entidades ambientalistas, como o WWF. Durante a audiência, os participantes apresentaram seus posicionamentos, sem avanço prático em direção a um entendimento.
As ações analisam leis de Mato Grosso e Roraima que impactam empresas ligadas ao acordo especialmente no que diz respeito à concessão de incentivos fiscais e possíveis efeitos sobre a concorrência e a atividade agropecuária.
Diante da falta de consenso, o STF estabeleceu prazo até o dia 30 de abril para que todas as partes envolvidas apresentem propostas formais de conciliação. A medida ocorre após a suspensão do julgamento das ações, com o objetivo de buscar uma solução negociada antes de uma decisão definitiva.
Caso não haja acordo dentro do prazo, o processo retorna para julgamento no plenário da Corte, que deverá definir os rumos da questão.
O mercado de bioinsumos no Brasil atingiu R$ 6,2 bilhões em vendas em 2025, conforme dados da Croplife Brasil. Esse crescimento é impulsionado pela necessidade de alternativas sustentáveis diante do aumento dos custos de produção e da alta nos preços dos insumos químicos.
Crescimento do setor
O setor de bioinsumos cresceu 28% no último ano, refletindo a adoção crescente dessas soluções por produtores rurais. Marcelo Polete, CEO da Promip, destaca que o Brasil se posiciona como um dos líderes mundiais na produção e uso de bioinsumos, com 194 milhões de hectares tratados.
Fatores impulsionadores
Aumento da confiança dos produtores na eficácia dos bioinsumos.
Maior adoção em culturas como soja (60%) e milho.
Crescimento da capacidade de produção de usinas de etanol.
Registro de mais de 160 novos produtos biológicos pelo Ministério da Agricultura em 2025.
Importância da sustentabilidade
A integração de bioinsumos na agricultura é fundamental para garantir uma produção sustentável e de alta produtividade. O monitoramento e a aplicação adequada desses produtos são essenciais para maximizar os resultados e a competitividade do agronegócio brasileiro.
A análise sobre a iniciativa de crédito no Brasil aponta que essa medida é positiva, desde que existam vantagens financeiras, como carência e taxas de juros mais baixas. No entanto, o acesso ao crédito é frequentemente restrito devido à condição patrimonial e ao cadastro positivo do tomador.
Desafios do crédito
O comentarista Miguel Daúdo destaca que, apesar das intenções do governo em disponibilizar R$ 15 bilhões para empresários, especialmente no setor agro, muitos produtores já se encontram endividados. Isso gera um ciclo em que o crédito se torna um paliativo, sem resolver os problemas financeiros.
Endividamento e restrições
O cenário atual é marcado por um alto nível de endividamento entre pessoas físicas, empresas e até o governo. Daúdo ressalta que, mesmo com juros subsidiados, cerca de R$ 70 bilhões em crédito rural não foram emprestados, pois os bancos hesitam em conceder empréstimos a tomadores considerados de risco.
Conclusão
Embora o crédito possa ser uma solução, ele depende de uma estrutura econômica que permita rentabilidade operacional, algo que atualmente falta no Brasil. A falta de interesse do Congresso e do Executivo em promover mudanças efetivas contribui para a manutenção da população em um estado de dependência financeira.