quarta-feira, março 25, 2026

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Exportamos mais do que nunca, mas planejamos menos do que precisamos


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Há problemas que só viram problema quando deixamos de celebrar.

No começo de 2026, é fácil abrir o champagne: o Brasil segue sendo um campeão de exportações. Só no primeiro bimestre embarcamos 372 mil toneladas de carne bovina para a China: um número que enche de orgulho qualquer pessoa que vive e respira agronegócio. Mas, olhando com calma, aquilo que celebração não esconde é um relógio que não para de correr.

Em 60 dias, consumimos quase 34% da nossa cota anual com a China. Mantido esse ritmo, faltará cota antes do fim do ano e teremos um quarto do calendário sem espaço para vender ao nosso maior cliente.

O alarme soa com razão: essa falta de previsibilidade é uma bomba-relógio para o segundo semestre. E não é só uma questão de ritmo, é também política externa e concorrência.

Há sinais de que a China não habilitará novos frigoríficos brasileiros pelos próximos três anos. Para quem planeja no médio e longo prazo, isso não é um entrave técnico, mas sim uma política deliberada de contenção. Enquanto isso, concorrentes como a Austrália já ocuparam 35% de sua cota no mesmo período.

Não estamos enfrentando só um problema doméstico: estamos sendo pressionados lá fora.

O mercado chinês continua vital e ninguém aqui sugere abandoná-lo, pelo contrário. O Brasil construiu escala de produção ao longo de décadas e precisa de mercados previsíveis e alternativos.

A Selic a 14,75% é mais que um número macro, o pecuarista sofre com falta de oxigênio para o fluxo de caixa, do frigorífico, do exportador.

Some-se a isso o diesel caro e disputado, novas regras de frete, a tensão com os caminhoneiros, a guerra entre EUA, Israel e Irã. A margem que sai do pasto competitiva volta do porto corroída. Isso não só aperta o presente, mas reduz a vontade e a capacidade de investir no futuro.

Então, para onde vai o excedente quando a cota chinesa satura? Não podemos esperar que a resposta venha por acaso.

Países árabes são uma alternativa imediata mais óbvia para a carne bovina e oferecem janelas reais de oportunidade. Mas janelas não se abrem sozinhas, exigem diplomacia comercial ativa, acordos sanitários negociados com antecedência, logística afinada para um mundo volátil. Diversificar mercados não é slogan, exige trabalho de bastidor, de paciência e estratégia nacional.

O esgotamento precoce da cota em 2026 é sintoma de falhas que precisam de resposta de Estado. Um sistema de monitoramento em tempo real de cotas e fluxos de exportação, com alertas e previsibilidade; uma diplomacia comercial mais proativa e com equipes permanentes dedicadas a abrir mercados e a negociar sanidades antes de emergências… A lista segue.

O Brasil produz com excelência. O que nos falta, muitas vezes, é o Estado à altura desse esforço: previsível, estratégico e ativo.

Ana Paula Abritta, colubista da BMJ

Ana Paula Abritta é diretora de Estratégia e Inovação da BMJ Consultores Associados, onde atua desde 2016 liderando equipes de Relações Governamentais, Inovação e Comércio Internacional. É mestra em Poder Legislativo (Câmara dos Deputados), com MBA em Comércio Internacional (FGV) e graduação em Relações Internacionais (UCB). É cofundadora da rede Women Inside Trade (WIT).


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Viagem de Trump à China foi reagendada para maio


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Foto: Xinhua/Huang Jingwen

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, viajará a Pequim nos dias 14 e 15 de maio para um encontro com o presidente chinês, Xi Jinping. A informação foi confirmada pela Casa Branca.

A visita havia sido planejada anteriormente, mas acabou adiada para que Trump permanecesse em Washington acompanhando o envolvimento dos Estados Unidos no conflito com o Irã. Mesmo com a guerra ainda em andamento, a viagem foi remarcada em meio à pressão americana para que Teerã aceite uma proposta de cessar-fogo.

Com informações da Safras & Mercado.

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AgroNewsPolítica & Agro

Pesquisadora da Embrapa integra iniciativa global de diretrizes alimentares



Pesquisadora passou a integrar o Action Team on Food-Based Dietary Guidelines



Foto: Divulgação

A pesquisadora da Embrapa Gado de Leite Kennya Beatriz Siqueira passou a integrar o Action Team on Food-Based Dietary Guidelines (AT-FBDG), organizado pela Federação Internacional de Laticínios (FIL/IDF).

O AT-FBDG é uma iniciativa global estratégica voltada para discutir a maneira como os países elaboram suas diretrizes alimentares. O grupo reúne especialistas para discutir, analisar e comparar diretrizes alimentares de diferentes países, incluindo aspectos relacionados às recomendações para lácteos e à construção de bases de dados globais sobre o tema. O grupo se reúne duas vezes ao ano ou conforme a necessidade de discussão de tópicos específicos. Inicialmente, cada membro fica responsável por revisar as informações do seu país, bem como auxiliar nas análises comparativas.

O convite para integrar o action team surgiu após a participação de Kennya no World Dairy Summit, realizado pela FIL/IDF em outubro do ano passado. Durante uma reunião sobre “Nutrição e Saúde”, a pesquisadora identificou um alinhamento entre os projetos da federação e os estudos já conduzidos na Embrapa, uma vez que ambas as iniciativas buscavam mapear o consumo e as diretrizes de lácteos dos países. Ao apresentar seus dados à secretaria da instituição, a metodologia da Embrapa mostrou-se em um estágio avançado de maturidade. Após alguns meses, a pesquisadora recebeu o convite formal para que contribuísse diretamente com a iniciativa internacional.

Kennya explica que compor esse Action Team traz grandes oportunidades. “Integrar esse grupo é estar no órgão máximo do setor, onde as diretrizes globais são definidas. Além do networking, essa participação permite levar a realidade e o posicionamento brasileiro para o centro do debate global. É uma oportunidade de contribuir diretamente com os estudos e diretrizes internacionais, garantindo o posicionamento e representatividade do Brasil e da Embrapa nas discussões.”

Conheça o trabalho de Kennya Siqueira na Embrapa Com graduação em Engenharia de Alimentos e mestrado e doutorado em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Viçosa (incluindo um período de doutorado sanduíche na University of Florida), Kennya começou a atuar na Embrapa em 2009 e construiu sua carreira com foco no estudo do mercado consumidor de lácteos. Sua produção científica é vasta, com diversos artigos publicados que analisam os hábitos e comportamentos do consumidor brasileiro. Ela é autora do livro “Na era do consumidor: uma visão do mercado lácteo brasileiro”, um compilado de artigos de mídia que virou referência no país. Seu trabalho desenvolvido na Embrapa a levou a palestrar nos principais eventos mundiais da área, como o World Dairy Summit, o Dairy Vision e, mais recentemente, no First Latin American Congress for Dairy Nutrition. Atualmente, ela representa a Embrapa Gado de Leite no Global Dairy Platform (GDP) e na International Milk Promotion (IMP).





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Governo libera R$ 15 bilhões para setores e empresas afetados por conflitos geopolíticos


Recipiente, Porta, Navio.
Foto: divulgação iStock| Pixabay

O governo federal ampliou em R$ 15 bilhões o orçamento do Plano Brasil Soberano. Gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o plano visa apoiar empresas exportadoras e setores estratégicos da indústria nacional.

A medida foi oficializada por meio da Medida Provisória 1.345/2026, publicada nesta terça-feira (24), em meio ao cenário de instabilidade internacional por causa da guerra no Irã.

No mesmo dia, também foi sancionada a Lei nº 15.359/2026, que cria o Sistema Brasileiro de Crédito Oficial à Exportação, com mudanças no seguro e no financiamento às vendas externas.

Foco em empresas afetadas por tensões globais

Os recursos do Brasil Soberano serão destinados a empresas exportadoras e a setores relevantes para a balança comercial brasileira, especialmente os impactados por fatores geopolíticos. Entre eles, estão companhias afetadas pela guerra no Oriente Médio e pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos.

O pacote também contempla segmentos industriais como siderurgia, metalurgia e automotivo, além de áreas como farmacêutico, máquinas e equipamentos e eletrônicos. Outro ponto de atenção é o impacto da redução na oferta de fertilizantes no mercado internacional.

Segundo o governo, a iniciativa busca garantir a manutenção da competitividade das empresas brasileiras e preservar empregos.

Linhas de crédito e fontes de recursos

Os R$ 15 bilhões poderão ser abastecidos por diferentes fontes, como o superávit financeiro do Fundo de Garantia à Exportação (FGE) e recursos vinculados ao Ministério da Fazenda.

As linhas de crédito vão financiar capital de giro, aquisição de bens de capital, ampliação da capacidade produtiva e investimentos em inovação e adaptação de processos. As condições de financiamento, como prazos e encargos, ainda serão definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Já os critérios de acesso às linhas serão estabelecidos pelos ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Nova lei moderniza crédito à exportação

A criação do Sistema Brasileiro de Crédito Oficial à Exportação traz mudanças no modelo de apoio às vendas externas. A proposta prevê maior alinhamento às práticas internacionais e busca dar mais segurança jurídica às operações.

Entre as medidas, está a criação de um portal único para divulgação das operações aprovadas e a apresentação anual de relatórios ao Senado, ampliando a transparência.

A lei também mantém a regra que impede novos financiamentos a países inadimplentes com o Brasil e inclui incentivos a projetos ligados à economia verde e à descarbonização.

Outro ponto é a ampliação do prazo de cobertura de risco para micro, pequenas e médias empresas na fase de pré-embarque, que passa de 180 para até 750 dias.

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AgroNewsPolítica & Agro

Embrapa avalia temperamento de bovinos da raça Brangus


Pesquisadores da Embrapa Pecuária Sul vêm utilizando uma metodologia simples e objetiva para avaliar o temperamento de bovinos da raça Brangus.  O comportamento dos animais Brangus é um dos focos de um projeto de melhoramento genético da raça, que busca identificar animais mais dóceis, que posteriormente serão utilizados em cruzamentos, para a formação de linhagens com essa característica de comportamento.

O método mede a chamada velocidade de fuga, indicador que revela o grau de reatividade do animal durante o manejo. A metodologia é utilizada em estudos sobre comportamento animal e para a seleção de animais Brangus mais dóceis e adaptados aos sistemas de produção do sul do Brasil. No mês de março, machos e fêmeas entre um e dois anos passaram pela avaliação nos campos experimentais da Embrapa, em Bagé (RS). A iniciativa integra o projeto de melhoramento genético da raça Brangus, que busca aprimorar características produtivas e comportamentais com apoio da genômica. Álvaro Fonseca, médico veterinário da Embrapa Pecuária Sul, salienta que esse é um procedimento que serve como base para classificar os animais com temperamento menos reativo, relacionando a docilidade, podendo servir como ferramenta de seleção ou descarte de animais.

O sistema funciona em um trajeto curto, de cerca de 2,70 metros, equipado com sensores na entrada e na saída. Quando o animal passa pelo primeiro sensor, o tempo começa a ser registrado. Ao cruzar o segundo sensor, o sistema marca a saída e calcula automaticamente o tempo e a velocidade com que o bovino percorreu o percurso. A partir dessa informação, é possível calcular o tempo de fuga e a velocidade de fuga do animal.

 “Os animais mais dóceis têm uma tendência de fazer em maior tempo o trajeto. É um animal que vai sair caminhando lentamente, que vai manter um comportamento mais tranquilo. Então, com isso, conseguimos identificar aqueles animais que serão selecionados pela pesquisa”, explica Fonseca. Já os animais mais reativos deixam o equipamento rapidamente, com maior velocidade de fuga.

Para aumentar a precisão da avaliação, cada animal passa por duas medições, e a média dos resultados gera um índice de temperamento. Esse indicador permite classificar os animais de acordo com o comportamento. Fonseca salienta que a partir desses resultados, conseguimos classificar o temperamento dos bovinos e identificar aqueles com comportamento mais calmo ou mais agitado no rebanho.

A identificação de bovinos mais dóceis é importante para o sistema produtivo, sendo uma das características que Embrapa está mensurando para o melhoramento genético da raça.

Animais com temperamento mais tranquilo facilitam o manejo, reduzem riscos de acidentes e contribuem para o bem-estar animal, além de favorecerem sistemas de produção mais eficientes. Além disso, o temperamento pode influenciar o desempenho e a eficiência produtiva, tornando-se um critério relevante na pecuária de corte.

Brangus – A raça teve origem nos Estados Unidos, no início do século XX, a partir do cruzamento entre animais das raças Aberdeen Angus e Brahman. No Brasil, os trabalhos começaram em 1945, na Fazenda Experimental Cinco Cruzes, em Bagé, onde hoje é a Embrapa Pecuária Sul, com cruzamentos entre animais Nelore e Angus.

Os primeiros animais com a composição genética 3/8 Nelore e 5/8 Angus nasceram em 1955. Inicialmente chamada de Ibagé, a raça passou a ser conhecida como Brangus-Ibagé e, mais tarde, consolidou-se apenas como Brangus. A proposta era desenvolver uma raça bovina adaptada às condições das pastagens naturais do Rio Grande do Sul e também às condições de regiões de clima tropical.





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‘É questão de segurança nacional’, diz Tereza Cristina sobre fertilizantes


tereza cristina
Foto: Arquivo/Canal Rural

O agronegócio acompanha com atenção os desdobramentos da guerra no Irã, que vêm impactando o preço dos fertilizantes no mercado internacional. Prova disso é a recorrência do tema em eventos do setor durante esta semana.

“É um problema de segurança nacional”, afirmou a senadora Tereza Cristina (PP-MS). A fala ocorreu durante conversa com jornalistas em evento realizado na última segunda-feira (23), em São Paulo.

Na avaliação da ex-ministra da Agricultura, falta planejamento. Criado para reduzir a dependência externa brasileira, o Plano Nacional de Fertilizantes ainda não foi implementado totalmente. “Na minha opinião, é falta de visão estratégica do país”, disse.

Tereza Cristina também citou entraves ambientais e regulatórios, como o projeto de Autazes (MA), que obteve licenças ambientais mas enfrentou contestações na Justiça. Com orçamento de cerca de US$ 2,5 bilhões, a iniciativa prevê produção anual de 2,2 milhões de toneladas de cloreto de potássio.

Além de pressionar os fertilizantes, o conflito no Oriente Médio impacta diretamente o preço do petróleo e o mercado energético. No Brasil, os efeitos são sentidos na alta do diesel e no abastecimento do combustível em algumas regiões.

Nesse contexto, a senadora avalia que o país deveria aumentar a mistura de biodiesel no diesel, atualmente em 15%.

“É preciso incentivar essas políticas e esses produtos, para que, em um momento como este, possamos ‘virar a chave’ e usar mais biocombustíveis e etanol na nossa matriz energética”, concluiu.

Economista da FGV tem visão mais otimista

Para o economista Felipe Serigatti, da Fundação Getulio Vargas (FGV), o Brasil não é a economia mais exposta aos impactos da guerra no Irã. Durante palestra no primeiro dia da Fruit Attraction São Paulo, feira voltada ao setor de frutas, ele fez uma análise sobre o cenário.

“A situação do Brasil não é a mais problemática, mas a [falta de] disponibilidade de diesel preocupa”, afirmou. Segundo Serigatti, por se tratar de um ano eleitoral, os efeitos na economia brasileira ficarão mais explícitos em 2027.

Na apresentação, o professor da FGV também analisou o momento de safra vivido pelo país, que deve colher uma produção recorde de grãos. Apesar da avaliação positiva, ele apontou que as margens da atividade seguirão pressionadas diante de um cenário global incerto e preços mais acomodados.

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AgroNewsPolítica & Agro

Conflito no Oriente Médio pode impactar na compra de fertilizantes no Mato Grosso



Insumos representam 45,12% do custo de produção da soja



Foto: Canva

Segundo análise semanal do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgada na segunda-feira (16), a escalada do conflito no Oriente Médio pode afetar a aquisição de fertilizantes para a safra 2026/27 de soja em Mato Grosso. O levantamento aponta que, “apesar do maior impacto sobre os nitrogenados, que no curto prazo afetam mais o milho, também é preciso atenção aos fosfatados”, destacando que, em 2025, 58,91% das importações dessa categoria vieram do Egito e de Israel. Até fevereiro de 2026, os produtores haviam adquirido 44,43% do volume necessário para o ciclo 2026/27, o que representa 13,33 pontos percentuais acima do registrado no mesmo período da safra anterior.

O instituto ressalta que ainda há parte relevante das compras em aberto, com atenção voltada ao segundo e terceiro trimestres do ano, período em que ocorre o pico das importações de fosfatados. “Caso o conflito se prolongue, os sojicultores que optarem por postergar as compras podem enfrentar maior volatilidade nos preços diante de possíveis gargalos logísticos, e com fretes marítimos pressionados”, informa a análise.

Segundo o Imea, como os insumos representam 45,12% do custo de produção da soja, a elevação dos fertilizantes pode levar à redução do pacote tecnológico e comprometer o potencial produtivo da safra.





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Preços do arroz avançam, mas demanda segue baixa, aponta Cepea


Indústria lança primeiro arroz rastreado com tecnologia da Embrapa
Foto: Paulo Lanzetta

O mês de março vem sendo marcado no segmento de arroz por um avanço nos preços. Apesar disso, a liquidez do cereal no Rio Grande do Sul está em baixa nos últimos dias. O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), relata que custos elevados, margens negativas e incerteza de apoio ao setor, são os principais motivos do travamento das negociações.

Compradores tem dado prioridade para aquisições do arroz já disponível nas unidades de beneficiamento, muito por conta da dificuldade de logística, influenciada pela alta nos preços do diesel. Mesmo com o produto valorizado, a rentabilidade ainda não é garantida e isso influencia na demanda do setor.

Segundo especialistas do Cepea, a baixa demanda apresentada no mercado tem influenciado nas decisões dos produtores, que tem aguardado melhores oportunidades de negócio, deixando menor a oferta do produto.

Entidades tentam apoiar o setor

O cenário atual do cereal tem preocupado entidades do segmento, que vem tomando algumas atitudes na intenção de melhorar as condições do mercado. A proposta principal da Farsul e da Federarroz, é a da mudança nas condições que o financiamento da safra é pago. A sugestão é que o repasse, que hoje é feito em 4 vezes, passe a ser dividido em 8 vezes. A ideia é que através de uma divisão em mais partes, o produtor possa ter menos pressão de venda, mais tempo e por consequência melhorar os preços da mercadoria.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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Alta do diesel deve impactar custos da cafeicultura, diz Cepea


Foto: Pixabay.
Foto: Pixabay.

O mercado do café brasileiro segue de olho nos conflitos no Oriente Médio. Segundo o Cepea, o avanço dos preços nos produtos derivados do petróleo tem deixado cafeicultores em alerta, projetando um aumento nos custos de produção para os próximos meses, principalmente na chegada da safra 2026/27

Apesar da maior crescente de preços ser nos fertilizantes, o valor do diesel tem sido a maior preocupação do produtor de café. Pesquisadores relatam que, por conta do grande uso de maquinários nas colheitas, a disparada do combustível deve atingir o campo em curto prazo.

Em março, o preço do óleo diesel disparou em diversas regiões do Brasil. De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a escalada das cotações foi de 23% em Minas Gerais, 20% em São Paulo e 12% no Espírito Santo, por exemplo.

Especialistas do Cepea avaliam o cenário e projetam que, caso os avanços do diesel continuem, as quantias investidas na colheita do grão de café podem saltar em 15% nos próximos meses. Vale ressaltar que essas crescentes devem ocorrer nos custos da produção, não obrigatoriamente refletindo nos preços da saca

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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Embrapa lança plataforma que retrata cadeia produtiva do trigo


trigo
Foto: Freepik

Foi lançada nesta terça-feira (24) a plataforma digital “Trigo no Brasil”, desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A ferramenta utiliza dados de bases públicas e privadas e é uma forma de perseguir a autossuficiência da produção nacional do cereal.

“Agora, podemos continuar sonhando com essa conquista no curto ou médio prazo”, afirmou o presidente da Câmara Setorial das Culturas de Inverno do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Hamilton Jardim, durante evento de apresentação, em Brasília (DF).

Jardim destacou que, por meio da genética e da pesquisa oficial, o setor terá acesso a dados do trigo no campo. Segundo a Embrapa, o aplicativo traz um retrato da cadeia produtiva do cereal em números e mapas, com informações que abrangem desde a produção e importação até o processamento industrial e a exportação.

A plataforma inclui uma estimativa inédita da predominância de sistemas de produção irrigados ou de sequeiro na triticultura do Brasil Central, região em expansão. “Cenários possíveis para aumento da produção no País também estão disponíveis”, informou a instituição.

Durante o evento, Jardim descreveu o momento atual do setor tritícola como “desolador”. “A guerra no Oriente Médio contamina nossos preços, os nossos custos, causando impacto na nossa lucratividade”, afirmou o executivo.

Apesar das dificuldades, Jardim disse que o cenário não desestimula a busca por inovações. Ele citou que os cereais de inverno recebem atenção especial, principalmente no Sul, com projetos voltados à transformação de trigo em energia.

Vantagem tropical

O presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Rubens Barbosa, disse na ocasião que o País ainda não utiliza o potencial de sua agricultura em termos internacionais.

O dirigente declarou que não existe outra nação tropical com agricultura tão desenvolvida e tecnificada como a brasileira.

“O Brasil ainda não capitaliza isso e ainda não nos demos conta da importância que isso representa internacionalmente. O agro tropical é uma vantagem geopolítica do Brasil que devemos reconhecer e aproveitar”, disse o executivo.

O dirigente criticou a falta de planejamento estratégico diante de crises globais, como as guerras na Ucrânia e no Irã. Barbosa citou que 85% dos fertilizantes aplicados no País vem da Rússia e 55% da ureia tem origem no Irã. “Isso não era novidade. É falta de previsibilidade e estratégia. Temos uma deficiência de pensamento estratégico no Brasil”, afirmou.

Sobre o Plano Nacional de Fertilizantes, que prevê reduzir a dependência externa em 50% até 2050, o presidente da Abitrigo questionou o prazo. “Não é possível esperar até 2050. O agro precisa ter um planejamento para ficar mais estável”, defendeu.

Barbosa também apontou falhas na infraestrutura. Segundo ele, há uma “perda grande por falta de armazenagem”, o que prejudica estratégias de exportação. Ele mencionou que o setor enfrenta “portos com dificuldades de acesso e limitações” logísticas que causam impacto na competitividade do setor privado.

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