domingo, junho 14, 2026

Autor: Redação

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Aves raras nascem em São Paulo e reforçam estratégia global de preservação


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Foto: divulgação/Zoológico de São Paulo

O nascimento de duas araras-azuis-de-lear (Anodorhynchus leari) no Zoológico de São Paulo representa mais do que um novo registro reprodutivo de uma espécie ameaçada. Os filhotes, nascidos em abril passam a integrar uma estratégia internacional de conservação genética considerada essencial para a sobrevivência da espécie no longo prazo.

Endêmica da caatinga baiana, a arara-azul-de-lear esteve próxima da extinção há cerca de três décadas. A combinação entre tráfico de animais silvestres, destruição do habitat e baixa distribuição geográfica reduziu drasticamente a população da espécie nos anos 1990.

Hoje, embora os números indiquem recuperação gradual, especialistas afirmam que a preservação ainda depende de ações integradas entre conservação em campo e manejo sob cuidados humanos.

Em 2015, o Zoológico de São Paulo tornou-se a primeira instituição da América Latina a reproduzir a espécie com sucesso. Desde então, contabiliza 23 filhotes nascidos em onze anos, resultado considerado expressivo para uma ave de reprodução complexa e elevada sensibilidade ambiental.

Os novos filhotes são descendentes do casal Maria Clara e Francisco, responsável por todos os nascimentos da espécie registrados no zoológico. Parte das aves nascidas na instituição já foram incorporadas ao programa de revigoramento populacional na região do Boqueirão da Onça, na Bahia, uma das áreas conhecidas de ocorrência natural da espécie.

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Foto: divulgação/Zoológico de São Paulo

Segundo a bióloga responsável pelo setor de aves do Zoológico de São Paulo, Fernanda Guida, cada nascimento possui relevância estratégica para o manejo populacional global da espécie.

“A reprodução da arara-azul-de-lear exige condições bastante específicas. Cada filhote amplia a variabilidade genética da população sob cuidados humanos e fortalece as possibilidades de conservação futura”, afirma.

Os dois filhotes permanecem sob alimentação assistida e monitoramento veterinário. O exame genético que identificará o sexo das aves será realizado após o desenvolvimento das penas, utilizadas como amostra laboratorial.

Engenharia genética da conservação

Além da reprodução, um dos principais pilares do programa é o manejo genético internacional da população mantida sob cuidados humanos.

As aves nascidas no Zoológico de São Paulo passam a integrar o studbook internacional da espécie, banco de dados que reúne informações sobre origem, parentesco, reprodução e variabilidade genética dos indivíduos distribuídos em instituições de conservação.

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Foto: divulgação/Zoológico de São Paulo

A ferramenta funciona como um sistema de gestão populacional. Com base nesses dados, especialistas definem cruzamentos mais adequados, transferências entre zoológicos e estratégias para evitar consanguinidade, problema capaz de reduzir a resistência genética e comprometer a sobrevivência da espécie ao longo das gerações.

Como parte dessa articulação internacional, o zoológico paulista prepara o envio de dois machos para o Loro Parque, na Espanha. A expectativa é ampliar a formação de novos casais e diversificar geneticamente a população mantida em programas de conservação fora do Brasil.

Recuperação ainda exige vigilância

Dados do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave) apontam crescimento gradual da população da arara-azul-de-lear na natureza. O censo contabilizou 2.273 indivíduos em 2022 e 2.548 em 2024.

Apesar da recuperação, pesquisadores alertam que a espécie ainda enfrenta elevada vulnerabilidade. A distribuição geográfica restrita, concentrada em áreas da caatinga baiana como o Raso da Catarina e o Boqueirão da Onça, torna a ave particularmente suscetível à degradação ambiental e às mudanças climáticas.

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Foto: divulgação/Zoológico de São Paulo

Em 2019, apenas dois indivíduos foram avistados na região do Boqueirão da Onça, situação que acelerou iniciativas de reforço populacional e monitoramento intensivo da espécie.

A arara-azul-de-lear é classificada como “em perigo” pela União Internacional para a Conservação da Natureza e como “vulnerável” pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.

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Foto: divulgação/Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística

A recuperação da espécie se tornou um dos exemplos mais emblemáticos da conservação integrada da fauna brasileira, modelo que combina pesquisa científica, reprodução assistida, cooperação internacional e preservação de habitat natural.

Funcionamento do Zoológico de São Paulo

Segunda a sexta-feira: das 9h às 16h (visitação até 17h)

Sábados, domingos e feriados: das 8h30 às 17h (visitação até 18h)

Endereço: Av. Miguel Estéfano, 4241, Água Funda, São Paulo – SP CEP 04301-905

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AgroNewsPolítica & Agro

Greening continua sendo o maior entrave da citricultura brasileira


Com safra estimada abaixo do ciclo anterior, setor debateu desafios e estratégias durante os Citros em São Paulo

A citricultura brasileira enfrenta em 2026 um cenário de pressão dupla: a safra 2026/27 deve registrar queda em relação ao ciclo anterior, com estimativa de 255 milhões de caixas de laranja segundo o Fundecitrus, ao mesmo tempo em que o Greening — principal doença da cultura — já compromete quase 50% das árvores do cinturão citrícola de São Paulo e do sul do Triângulo Mineiro. O alerta foi feito por Dirceu Mattos Junior, diretor do Centro de Citricultura do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), durante os Citros em São Paulo 2026, evento que reuniu produtores, pesquisadores e empresas do setor.

A estimativa divulgada pelo Fundecitrus aponta 255 milhões de caixas para a safra 2026/27, volume inferior ao colhido no ano anterior. Para Mattos Junior, essa queda na oferta deve movimentar as relações de preço ao longo do semestre, tanto para o mercado de fruta fresca quanto para a produção de suco de laranja. Segundo ele, as definições ainda estão em aberto e o momento dos Citros em São Paulo é estratégico para que os diferentes elos da cadeia discutam os caminhos. “A relação de oferta diminui em relação à demanda de fruta, tanto para o mercado de fruta fresca como para a produção de suco de laranja”, afirmou o pesquisador, ressaltando que as negociações devem se intensificar ao longo dos próximos meses.

O Greening, continua sendo o maior entrave da citricultura brasileira e mundial, na avaliação de Mattos Junior. O problema, causado por bactéria transmitida pelo psilídeo Diaphorina citri, provoca queda de frutos e deterioração da produção — e hoje já atinge uma parcela expressiva dos pomares. “Dentro do cinturão citrícola, afeta quase que 50% das árvores, causando queda de frutos, afetando a produção, assim como a qualidade do suco”, declarou o diretor do Centro de Citricultura. A abrangência do problema torna o manejo da doença um dos maiores custos e desafios operacionais dos citricultores da região, que engloba o estado de São Paulo e o sul do Triângulo Mineiro — as principais áreas produtoras do país.

Além do impacto direto na produção, o Greening tem comprometido a qualidade do suco de laranja brasileiro — e esse efeito já chegou ao consumidor. Mattos Junior alertou para uma cadeia de consequências que começa no pomar e termina no mercado: a pior qualidade do suco tem resultado em menor consumo, o que por sua vez pressiona as relações de preço em toda a cadeia. “Um suco de menor qualidade tem trazido menor consumo, e isso se reflete em termos de relações de preço que vemos”, disse ele, ressaltando que todas as partes do setor precisam observar esse movimento para garantir a continuidade do negócio. O pesquisador destacou que o Centro de Citricultura do IAC tem participado de esforços para manter a atividade sustentável e competitiva diante desse cenário.

Mesmo pressionado pelo Greening, o Brasil segue como um dos principais players do mercado mundial de suco de laranja — posição construída sobre dois pilares, segundo Mattos Junior: a capacidade de produzir fruta em condições de clima tropical e a logística de exportação desenvolvida junto com a indústria de suco ao longo de décadas. O pesquisador avalia que o país conseguiu manter produtividade elevada mesmo em área menor e com custos mais altos. O diferencial competitivo fica mais evidente quando comparado a rivais como a Flórida, que foi afetada de forma ainda mais severa pela doença. “Outros países que o Greening afetou de forma bastante severa permitiram que o Brasil continue competitivo”, pontuou ele, ao explicar como a pressão sobre os concorrentes abriu espaço para a citricultura brasileira se manter relevante no cenário global.

Os Citros em São Paulo 2026 foram descritos por Mattos Junior como um ponto alto em termos de público e expositores, com foco na transferência de tecnologia para o setor. Na avaliação do pesquisador, o evento cumpre papel estratégico ao apoiar uma das atividades com maior valor de produção agrícola do estado de São Paulo — reunindo produtores, empresas, pesquisadores e cooperativas num momento em que o setor precisa definir rumos diante de uma safra menor e dos desafios persistentes do manejo fitossanitário.





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São Paulo atualiza regras de combate ao greening nos pomares; confira


Foto: Governo de São Paulo/Divulgação.
Foto: Governo de São Paulo/Divulgação.

O Governo de São Paulo publicou na última quinta-feira (28) uma resolução que atualiza os procedimentos de prevenção e controle do greening, doença que afeta a citricultura. As medidas incluem mudanças no monitoramento da praga, classificação de municípios por incidência da doença, regras para erradicação de plantas e exigências para o transporte interestadual de frutas.

A Resolução SAA nº 32/2026 considera uma portaria do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) que amplia as competências da Defesa Agropecuária estadual no controle da doença.

Municípios terão classificação por incidência

A nova norma divide os municípios em duas categorias. Cidades com até 10% dos pomares contaminados serão classificadas como áreas de baixa incidência. Municípios acima desse índice serão considerados de alta incidência.

Segundo o engenheiro agrônomo e diretor do Departamento de Defesa Sanitária Vegetal, Alexandre Paloschi, a medida busca ampliar as ações locais de controle da doença.

“A medida tem como objetivo incentivar os municípios a intensificarem, junto a produtores, suas ações de controle e sobretudo, de erradicação de plantas doentes em suas áreas de produção”, afirmou.

Monitoramento do psilídio será quinzenal

A resolução também estabelece o monitoramento quinzenal do psilídio Diaphorina citri, inseto transmissor do greening. A exigência vale para pomares de qualquer idade.

De acordo com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento, a medida pretende interromper o ciclo de desenvolvimento do inseto. O secretário da pasta, Geraldo Melo Filho, afirmou que o estado registra sinais de desaceleração da doença.

“Há sinais importantes de desaceleração da doença, resultado de um trabalho técnico permanente de monitoramento, fiscalização e orientação aos produtores. A nova resolução atualiza a estratégia do Estado para garantir mais eficiência no controle do HLB, com equilíbrio entre proteção sanitária, sustentabilidade para o produtor e competitividade da citricultura paulista”, disse.

Regras de erradicação mudam em áreas de alta incidência

A publicação também altera as regras para eliminação de plantas doentes. Em municípios de alta incidência, produtores com árvores adultas contaminadas deixam de ser obrigados a realizar a erradicação compulsória. Nesses locais, a exigência passa a valer apenas para plantas de até três anos.

Já nos municípios classificados como de baixa incidência, a erradicação segue obrigatória para plantas de qualquer idade.

“A atualização na legislação tenta adaptar-se à dura realidade do impacto da doença no estado de São Paulo e trazer um equilíbrio para o setor citrícola em áreas de alta incidência, poupando a erradicação de pomares adultos desde que estejam sob correto manejo”, explicou Paloschi.

Transporte interestadual terá novas exigências

Outra mudança prevista na resolução trata do transporte de frutas para outros estados. A partir da atualização, frutas cítricas deverão passar por processamento e escovação antes do trânsito interestadual.

Segundo o governo paulista, a medida busca eliminar folhas e ramos que possam transportar o vetor da doença. A exigência não se aplica à Tangerina Ponkan.

As regras abrangem plantas dos gêneros Citrus spp., Fortunella spp. e Poncirus spp.

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Projeto abre visitação educativa sobre cavalos-marinhos no Rio de Janeiro


Projeto abre visitação educativa sobre cavalos-marinhos no Rio de Janeiro

O Projeto Cavalos Marinhos abre ao público, entre domingo (1º) e terça-feira (3), o Espaço Educativo instalado na Universidade Santa Ursula, em Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro. A visitação ocorre das 9h às 14h, com inscrição gratuita por formulário. A iniciativa integra a primeira edição da Rio Nature & Climate Week e reúne modelos dos animais, jogos e laboratório com exemplares vivos reproduzidos em cativeiro.

Criado em 2002, o projeto atua há 23 anos na conservação de cavalos-marinhos e dos ecossistemas associados, com base em pesquisa técnico-científica. Segundo a coordenação, o espaço foi estruturado para apresentar o habitat da espécie e o trabalho de reprodução em cativeiro da população de segurança do cavalo-marinho de focinho longo, descrita pela instituição como inédita no Brasil em termos de rastreamento genético e manejo reprodutivo.

De acordo com a coordenadora geral do Projeto Cavalos Marinhos, Natalie Freret-Meurer, a estrutura reúne filhotes, jovens e adultos, além de elementos educativos ligados ao manguezal. A iniciativa também busca ampliar a conscientização sobre os fatores que pressionam a espécie, como destruição de habitat, captura acidental pela pesca industrial e retirada de exemplares para o comércio de aquários.

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Além da frente de conservação, o projeto mantém ações com comunidades costeiras. Uma delas é a formação de mulheres pescadoras para atividades de renda complementar durante o defeso. Em São Pedro da Aldeia, uma turma foi capacitada para produção de biojoias a partir de escamas de peixe. A proposta é criar alternativa econômica em período de restrição da atividade pesqueira.

Segundo o projeto, somente em 2024 as ações alcançaram 2 milhões de pessoas. Nos últimos dois anos, seis regiões com populações de cavalos-marinhos no estado do Rio de Janeiro foram monitoradas mensalmente. O trabalho também atendeu mais de 100 pescadores e promoveu mais de 20 oficinas para mulheres caiçaras, agentes de unidades de conservação, jovens e professores.

Atualmente, o monitoramento abrange áreas das baías de Guanabara, Ilha Grande e Sepetiba, além de Búzios, Arraial do Cabo e Laguna de Araruama. Desde dezembro de 2025, o projeto também se expandiu para Ubatuba (SP), Vitória e Aracruz (ES).

Os dados apresentados pelo projeto indicam avanço no monitoramento e na capacitação de comunidades ligadas à pesca e à conservação costeira. A evolução das populações de cavalos-marinhos e os efeitos dessas ações sobre o manejo local dependem de acompanhamento contínuo, segundo as informações disponíveis.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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Medida provisória fixa subsídio de R$ 1,12 por litro de diesel até dezembro


Mercadante defende atuação do Estado contra choque do petróleo

A medida provisória publicada em edição extra do Diário Oficial no sábado (30) criou um subsídio de R$ 1,12 por litro de diesel rodoviário entre 1º de junho e 31 de dezembro de 2026. O texto substitui os programas de auxílio adotados desde março e unifica o benefício para produtores e importadores autorizados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Segundo a norma, o objetivo é estabilizar preço e oferta diante do choque no mercado de petróleo associado ao conflito no Oriente Médio.

A nova regra sucede duas medidas provisórias anteriores que perdem validade neste domingo (31). A MP nº 1.340, editada em 12 de março, previa auxílio de R$ 0,32 por litro. Já a MP nº 1.349, publicada em 7 de abril, elevou o valor para R$ 0,80 por litro no diesel produzido no país e para R$ 1,20 por litro no combustível importado, com parte do financiamento dividida entre União, Estados e Distrito Federal. Com o novo texto, o valor passa a ser único: R$ 1,12 por litro.

O benefício será destinado a agentes autorizados pela ANP. Para receber os recursos, produtores e importadores deverão aderir formalmente ao programa, comprovar o repasse da subvenção ao preço de venda e identificar o desconto nas notas fiscais eletrônicas. A ANP ficará responsável pela apuração dos valores e pelos pagamentos, com prazo de até 30 dias após a apresentação dos requerimentos.

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Para o setor agropecuário, a medida tem relação direta com o custo logístico, já que o diesel é insumo central no transporte rodoviário de grãos, fertilizantes, rações, combustíveis e alimentos. A medida provisória, no entanto, não detalha estimativas oficiais de impacto sobre frete ou redução final de custos para produtores rurais, cooperativas e agroindústrias.

O texto também autoriza o Ministério da Fazenda a interromper o programa ou alterar o valor do subsídio ao fim de cada período de dois meses, mediante comunicação prévia aos beneficiários. A medida entrou em vigor na data da publicação e ainda será analisada pelo Congresso Nacional.

No curto prazo, o subsídio cria uma referência temporária para a formação de preços do diesel até o fim de 2026. Como a medida permite revisão bimestral e depende de regulamentação operacional e adesão das empresas habilitadas, o efeito sobre abastecimento e custos logísticos deverá ser acompanhado ao longo da vigência do programa.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Exportações do agro mineiro somam US$ 5,8 bilhões no 1º quadrimestre do ano 


Foto: Reprodução/Giro do Boi.
Foto: Reprodução/Giro do Boi.

As exportações do agronegócio mineiro alcançaram US$ 5,8 bilhões, no primeiro quadrimestre do ano (janeiro a abril), com o embarque de 4,8 milhões de toneladas.

O resultado significou retração de -11,9% no valor e -9,3% em volume frente ao mesmo período de 2025. Ainda assim, Minas Gerais ficou entre os três maiores estados exportadores do agronegócio brasileiro no período, com 10,6% de participação no valor nacional.

Segundo a assessora técnica da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Manoela Teixeira, a queda não foi generalizada.

“A redução se concentrou em poucas cadeias de grande peso, especialmente café e complexo sucroalcooleiro. Já as carnes, sementes, algodão, papel, animais vivos, couros, frutas e bebidas trouxeram resultados positivos de diversificação”, detalha. 

O agronegócio mineiro respondeu por 71% das exportações brasileiras de café, 30,5% de produtos apícolas, 20,4% de lácteos, 12,8% de rações para animais e 11,9% de produtos hortícolas, leguminosas, raízes e tubérculos.

Café 

Principal produto exportado pelo agro mineiro, o café alcançou US$ 3,2 bilhões e volume de 7,4 milhões de sacas, com quedas de 17,5% e 26%, respectivamente, em relação ao primeiro trimestre do ano anterior. 

Complexo soja 

O complexo soja (grão, farelo e óleo) ocupou a segunda posição entre os principais grupos exportados, com US$ 1,14 bilhões (-2,8%) e volume de 2,71 milhões de toneladas (-8,9%).  

Carnes 

O segmento das carnes (bovina, suína e de frango) foi o principal destaque de crescimento no quadrimestre, puxado pela valorização da carne bovina. O grupo exportou US$ 576,7 milhões e 160 mil toneladas, com alta de 8,2% no valor e 0,7% em volume frente ao mesmo período de 2025.  

Complexo sucroalcooleiro 

O complexo sucroalcooleiro exportou US$ 268,7 milhões, queda de 22,9%, enquanto o volume recuou -2,7%. A retração valor médio da tonelada contribuiu para o desempenho.   

União Europeia 

A União Europeia comprou US$ 1,7 bilhão do agronegócio mineiro no quadrimestre, o equivalente a 29,6% da pauta. Houve queda moderada de -2,9% em valor e -2,5% em volume, com valor médio praticamente estável. O bloco permanece estratégico pela combinação de escala, exigência regulatória e capacidade de absorção de produtos de maior valor unitário. 

A pauta para a UE é fortemente concentrada em café com 94,4% do valor exportado ao bloco. Produtos florestais cresceram 42,8% em valor e carnes mais que dobraram, ainda em base menor, o que sugere oportunidades de diversificação intrabloco. 

Mercosul 

Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia compraram US$ 82 milhões do agronegócio mineiro, 1,4% da pauta. O valor caiu -2,1%, mas o volume cresceu +10,1%, com redução do valor médio. Argentina respondeu por 63,2% das vendas mineiras ao bloco, seguida por Uruguai, Paraguai e Bolívia. 

A composição do Mercosul é mais diversificada que a da União Europeia. Café respondeu por 38,3% do valor, seguido por cacau e seus produtos, carnes, demais produtos de origem vegetal, hortícolas, leguminosas, raízes, tubérculos e produtos florestais. Essa diversidade torna o bloco interessante para alimentos processados, ingredientes, bebidas, lácteos, chocolates, cafés e itens de consumo regional. 

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AgroNewsPolítica & Agro

Stay Up inaugura nova era de produtividade e manejo fisiológico na soja


Em um cenário de custos elevados, margens mais apertadas e avanço mais moderado da área plantada de soja no Brasil, o ganho de produtividade dentro da porteira deve se consolidar como um dos principais caminhos para sustentar a rentabilidade do produtor nas próximas safras.

A avaliação ganha força diante das primeiras projeções para a safra 2026/27. O crescimento da área de soja no País deve ocorrer de forma marginal, pressionado pelo alto custo de fertilizantes, riscos climáticos e menor espaço para expansão agrícola. Em Mato Grosso, principal Estado produtor do País, a estimativa inicial do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) aponta avanço inferior a 0,3% na área plantada.

É nesse contexto que tecnologias voltadas à regulação do crescimento excessivo, eficiência fisiológica e ao aumento do potencial produtivo passam a ganhar protagonismo no campo. Apostando nessa nova fronteira tecnológica, a Nitro acaba de lançar o Stay Up, solução inédita desenvolvida no Brasil para atuar na regulação do crescimento da soja e do feijão.

Resultado de mais de uma década de pesquisas, o produto inaugura uma nova abordagem no manejo agrícola ao equilibrar o crescimento vegetativo das plantas e potencializar a formação e retenção de vagens. A tecnologia atua diretamente na modulação do transporte de auxina, hormônio responsável pelo crescimento vegetal, promovendo redução controlada do porte das plantas, encurtamento dos entrenós e estímulo ao engalhamento.

Na prática, a proposta é otimizar a arquitetura das plantas para melhorar o aproveitamento fisiológico. O avanço genético das cultivares e o uso intensivo de fertilizantes, bioestimulantes e defensivos elevaram significativamente o vigor das lavouras nos últimos anos. Entretanto, plantas excessivamente altas e com dossel muito fechado podem aumentar o risco de acamamento, dificultar a penetração de defensivos e favorecer ambientes mais propícios ao desenvolvimento de doenças.

“O desafio agora não é apenas produzir mais, mas produzir melhor, com mais eficiência e estabilidade produtiva. A regulação de crescimento deve se tornar um novo padrão de manejo na soja brasileira”, afirma Vinícius Marongoni, Gerente de Portfólio de Nutrição, Fisiologia e Adjuvantes da Nitro.

Segundo a companhia, a tecnologia já foi validada em mais de 100 cultivares e em 400 campos experimentais e comerciais em diferentes regiões produtoras do Brasil, registrando incremento médio aproximado de cinco sacas por hectare na safra 25/26, além de retorno sobre investimento superior a duas vezes o valor aplicado. 

Além da eficácia agronômica, o Stay Up passou por processo regulatório junto ao Ministério da Agricultura, Ibama e Anvisa, atendendo critérios de segurança ambiental e ao consumidor.

Com o lançamento, a Nitro reforça sua estratégia de investir em tecnologias proprietárias voltadas ao aumento sustentável da produtividade agrícola. Em um momento em que expandir área tende a ser cada vez mais desafiador, soluções capazes de elevar a eficiência dentro das lavouras devem ganhar relevância crescente no agronegócio brasileiro.





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Embrapa desenvolve calcário granulado com função corretiva e nutritiva


Embrapa desenvolve calcário granulado com função corretiva e nutritiva

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolveu um calcário nanoestruturado em forma granulada que corrige a acidez do solo e pode incorporar nutrientes à formulação. A tecnologia foi criada pelo Laboratório de Nanobiotecnologia (LNANO) da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília (DF), e já passou por testes em soja e trigo, com produção em escala de laboratório, de 10 gramas, até escala industrial, em toneladas.

Segundo a Embrapa, o novo insumo foi obtido por moagem de alta energia, processo que reduz materiais a escalas próximas de átomos e moléculas, seguido pela aglutinação de partículas para formar grânulos com maior resistência mecânica e uniformidade. Na prática, o produto deixa de ser aplicado como pó, o que reduz a dispersão pelo vento e diminui perdas na operação.

Outro ponto técnico destacado pela estatal é a menor sensibilidade à umidade durante armazenamento e transporte. No calcário convencional, a umidade pode provocar empedramento, comprometendo o uso no maquinário agrícola. Com a formulação granulada, a proposta é ampliar a estabilidade física do material e reduzir esse tipo de limitação operacional.

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Além da função corretiva, o insumo pode atuar como fertilizante misto. De acordo com o pesquisador Luciano Paulino da Silva, da área de nanobiotecnologia da Embrapa, foram desenvolvidos protótipos com diferentes concentrações para atender culturas como algodão, café, cana-de-açúcar, milho, soja e pastagens. A formulação pode combinar cálcio ou magnésio com nutrientes como nitrogênio, fósforo, potássio, boro, cobre e zinco.

Em nota técnica, a Embrapa informou que os protótipos mantiveram poder de neutralização adequado e apresentaram potencial para ganhos de produtividade e redução de operações no campo. A estatal, no entanto, não divulgou no material disponível percentuais de aumento de produtividade, custos, dosagens ou prazo para oferta comercial em larga escala.

Os testes fora do ambiente laboratorial estão sendo conduzidos pela empresa Perical, com unidades em Goiás e Tocantins, em parceria firmada há mais de três anos com a Embrapa.

Do ponto de vista técnico, a inovação avança sobre três pontos de interesse do produtor: correção do solo, nutrição vegetal e eficiência logística. Os efeitos agronômicos e econômicos em maior escala, porém, ainda dependem da ampliação dos testes de campo e da divulgação de resultados quantitativos por cultura e sistema de produção.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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Amazonas reduz desmatamento em 14,6% em 2025, aponta relatório do MapBiomas


europa, floresta, desmatamento
Foto: Pixabay

O Amazonas registrou redução de 14,6% na área desmatada em 2025, conforme aponta o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD) de 2025, divulgado no dia 27 de maio pela iniciativa MapBiomas Alerta. O estado passou de 79.569 hectares desmatados em 2024 para 67.986 hectares ano passado.

O levantamento também mostra queda de 30% no número de alertas de desmatamento, que passaram de 5.235 para 3.667 registros no período analisado. O material completo está disponível em no site do MapBiomas.

O diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, destacou que a redução dos índices está diretamente ligada ao planejamento estratégico das operações ambientais, à ampliação das ações de fiscalização em áreas prioritárias e ao fortalecimento do monitoramento realizado pelo Centro de Monitoramento Ambiental e Áreas Protegidas (CMAAP), responsável pelo acompanhamento dos alertas ambientais no estado.

“Os dados demonstram que o trabalho integrado entre os órgãos ambientais e de segurança pública vem produzindo resultados importantes para a proteção da floresta. O Amazonas tem intensificado as ações de monitoramento remoto, por meio do CMAAP, fiscalização em campo e resposta rápida aos alertas ambientais, fortalecendo a presença do Estado nas regiões mais sensíveis ao desmatamento ilegal”, afirmou Picanço.

Segundo o secretário de Estado do Meio Ambiente, Eduardo Taveira, os resultados alcançados refletem uma estratégia contínua do governo do Amazonas voltada à proteção da floresta, combinando ações de fiscalização com iniciativas que impulsionam a economia sustentável no estado.

“Os avanços na redução do desmatamento demonstram o fortalecimento de uma atuação integrada do Governo do Amazonas, que é uma determinação do governador Roberto Cidade. Assim, trabalhamos tanto na repressão aos crimes ambientais quanto na promoção de alternativas sustentáveis para a população”, avaliou o secretário.

Taveira também destacou o direcionamento de investimentos importantes para essas áreas, especialmente por meio do Programa Floresta em Pé, que prevê mais de R$ 70 milhões destinados ao fortalecimento da fiscalização, da conservação ambiental e da geração de renda nas comunidades.

Cenário nacional

O levantamento também aponta que a área desmatada no bioma Amazônia caiu 23,5%, passando de 378.254 hectares em 2024 para 289.478 hectares em 2025. O número de alertas de desmatamento também apresentou redução de 36,2%, passando de 29.470 registros para 18.796 no período analisado.

O RAD 2025 destaca ainda que, pela primeira vez desde o início da série histórica do MapBiomas Alerta, o Brasil registrou menos de 1 milhão de hectares desmatados em um único ano. Em 2025, foram contabilizados 984.794 hectares desmatados em todo o país, representando redução de 20,6% em comparação com 2024.

Segundo o relatório, todos os biomas brasileiros apresentaram redução na área desmatada no período analisado. O documento também reforça a importância dos sistemas de monitoramento ambiental e da atuação integrada dos órgãos estaduais no enfrentamento ao desmatamento ilegal.

No Amazonas, o Ipaam atua de forma contínua no monitoramento de alertas ambientais, fiscalização em campo e responsabilização de infratores ambientais, além de integrar operações estratégicas de combate a ilícitos ambientais em diferentes regiões do estado.

Produzido pela iniciativa MapBiomas Alerta, o relatório reúne dados consolidados de diversos sistemas de monitoramento ambiental e utiliza imagens de satélite de alta resolução para validação e refinamento dos alertas de desmatamento em todos os biomas brasileiros.

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Atualização de rebanhos: entenda a importância de declarar a vacinação contra a raiva


Vacinação; rebanhos
Foto: IMA/divulgação

A doença fatal para os herbívoros e com potencial de transmissão aos seres humanos, a raiva exige atenção constante dos produtores rurais. Em Minas Gerais, o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) reforça a importância da vacinação e orienta que a imunização dos animais seja declarada durante a etapa de atualização de rebanhos, que ocorre até o dia 30 de junho.

A coordenadora estadual do Programa Nacional de Controle da Raiva dos Herbívoros (PNCRH), Daniela Bernardes, alerta que os produtores que ainda não realizaram a vacinação contra a raiva devem providenciá-la o quanto antes. Caso a imunização ocorra após o término da etapa de atualização de rebanhos, a declaração pode ser feita normalmente, ao longo do ano corrente. Assim, ela não impede que a atualização dos dados das criações seja realizada.

Doença 100% letal

Segundo a coordenadora, a doença é 100% letal para os herbívoros. “Ela não possui tratamento e evolui para a morte dos animais infectados. A imunização é a principal forma de prevenção e, por isso, mantê-la em dia contribui para reduzir os riscos da raiva nos rebanhos e os prejuízos econômicos decorrentes da perda de animais”, afirma.

Bernardes destaca que um animal sadio não transmite doenças para o homem. Como a raiva é uma zoonose, pessoas que manipulam animais com sinais clínicos sugestivos da doença, como dificuldade de engolir, salivação intensa e andar cambaleante, podem correr risco de infecção. Por isso, a notificação da suspeita ao IMA é primordial para o diagnóstico da raiva.

Declaração

A coordenadora reforça a importância da declaração da vacinação, por meio da qual os produtores informam quantos animais foram vacinados. “A partir desses dados, conseguimos identificar regiões mais vulneráveis e planejar políticas públicas mais eficazes para o controle da doença”, destaca. O procedimento pode ser feito pelo Portal do Produtor ou em uma unidade de atendimento do órgão.

Dicas para a vacinação

Devem ser vacinados bovinos, bubalinos, equinos, asininos, muares, caprinos e ovinos com idade igual ou superior a três meses, podendo outras faixas etárias também receber a imunização, conforme orientação do médico veterinário.

Os animais vacinados pela primeira vez precisam receber duas doses da vacina, com intervalo de 30 dias entre as aplicações. Após esse protocolo inicial, a vacinação deve ser realizada anualmente, com dose única.

Em caso de dificuldade para encontrar o imunizante, o produtor deve comunicar a situação ao IMA, presencialmente ou pelos canais oficiais, informando os municípios onde houve a falta. Bernardes reforça que a compra da vacina pode ser feita em qualquer município do estado, independentemente de onde esteja localizado o rebanho.

Notificação

A notificação imediata de casos suspeitos da doença e de ataques de morcegos aos animais é uma ação imprescindível e deve ser comunicada imediatamente ao instituto. No meio rural, o principal transmissor da raiva dos herbívoros é o morcego hematófago (Desmodus rotundus).

Após a notificação, um médico veterinário do IMA realiza atendimento na propriedade e, caso a suspeita seja compatível com raiva, faz a coleta de material para diagnóstico laboratorial gratuito. Quando há confirmação da doença, o instituto adota medidas como ações de vigilância epidemiológica, conscientização, comunicação aos órgãos de saúde e controle do morcego hematófago transmissor.

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