sexta-feira, julho 24, 2026

Autor: Redação

AgroNewsPolítica & Agro

Guerra, clima e comércio pressionam os grãos



Relatório aponta situação das safras


Nos Estados Unidos, a produção de trigo de inverno foi estimada em 1,03 bilhão de bushels
Nos Estados Unidos, a produção de trigo de inverno foi estimada em 1,03 bilhão de bushels – Foto: Canva

Os mercados globais de grãos atravessam julho sob pressão de conflitos, clima adverso e incertezas comerciais. O trigo lidera as altas, enquanto milho e soja refletem riscos de oferta e mudanças na demanda chinesa. Para o Brasil, o cenário importa pela menor disponibilidade exportável de milho e pela disputa com os Estados Unidos no mercado de soja.

A retomada das ações militares no Oriente Médio e as restrições no Estreito de Hormuz aumentaram a preocupação com energia e fertilizantes. No Mar Negro, ataques a portos e embarcações russas levaram ao fechamento do Estreito de Kerch, rota de quase um terço das exportações de trigo da Rússia. Até 15 de julho, os contratos futuros de trigo para setembro acumulavam alta média de 14% ante as mínimas de 30 de junho.

Nos Estados Unidos, a produção de trigo de inverno foi estimada em 1,03 bilhão de bushels em 2026, queda de 27% sobre 2025. A safra de trigo duro vermelho de inverno pode ser a menor desde o fim dos anos 1950. Com estoques globais menores, analistas veem espaço para preços firmes, embora o país tenha pouca margem para ampliar embarques.

No milho, o USDA reduziu os estoques finais americanos de 2026-27 para 1,79 bilhão de bushels. O mercado monitora o clima nos Estados Unidos, a piora das perspectivas na Europa e o risco de novas interrupções na Ucrânia. O Brasil deve colher outra grande safra, mas o avanço do etanol de milho amplia o consumo interno e limita parte da oferta externa.

Na soja, a expectativa de compras chinesas de pelo menos 25 milhões de toneladas por ano entre 2026 e 2028 pode apertar o balanço americano. O esmagamento doméstico também cresce com a demanda por óleo de soja para combustíveis renováveis. A combinação de clima, guerra e decisões comerciais tende a manter a volatilidade adiante.


 





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II Fórum de Irrigação da Bahia reforça papel da gestão hídrica para o futuro do agro brasileiro



Evento promovido pela Aiba chega à segunda edição


Foto: Reprodução/Internet

A Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) lançou em julho a segunda edição do Fórum de Irrigação da Bahia (FIBA), que será realizado nos dias 27 e 28 de novembro, consolidando o evento como um dos principais espaços de discussão sobre inovação, sustentabilidade e gestão eficiente dos recursos hídricos no agronegócio brasileiro.

O lançamento acontece em um cenário de crescimento contínuo da agricultura irrigada no país. Segundo o Atlas Irrigação, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Brasil possui atualmente 6,95 milhões de hectares equipados para irrigação, figurando entre os dez países com maior área irrigada do mundo. Apesar desse avanço, o potencial de expansão ainda é considerado elevado, tornando o uso eficiente da água uma das principais agendas estratégicas para garantir produtividade, segurança alimentar e adaptação às mudanças climáticas.

A Bahia ocupa posição de destaque nesse cenário. Dados da Aiba apontam que o estado é o maior polo de agricultura irrigada do Brasil, com aproximadamente 375 mil hectares irrigados, sendo cerca de 82% dessa área concentrada no Oeste baiano. Os municípios de São Desidério e Barreiras lideram o ranking nacional de áreas irrigadas por pivôs centrais.

Voz do produtor

Para a produtora rural e diretora financeira da Aiba, Cristina Gross, promover um ambiente permanente de debate sobre irrigação é fundamental para manter a competitividade da produção agrícola brasileira.

“A irrigação deixou de ser apenas uma ferramenta para aumentar a produtividade. Hoje ela representa segurança alimentar, eficiência no uso dos recursos naturais, estabilidade diante das mudanças climáticas e maior competitividade para o produtor”, comenta Cristina. À frente do projeto na Aiba, a produtora defende a conexão entre conhecimento, inovação e experiências que permitam ao agro produzir mais com responsabilidade.

Cristina afirma que os desafios da irrigação vão muito além da disponibilidade de água e passam por temas como energia, tecnologia, planejamento e políticas públicas.





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Falta de água no florescimento pode custar metade da safra de milho


O milho tem um ponto fraco bem conhecido dos agrônomos: o florescimento. É nessa fase que a lavoura mais sofre com a falta de chuva — e o preço pode ser alto. Segundo estudos da Embrapa, um veranico mal cronometrado no pendoamento é suficiente para reduzir o número de grãos por espiga e derrubar a produtividade em mais da metade. O alerta vale principalmente para lavouras de sequeiro em regiões de chuva irregular, mas também pede atenção redobrada de quem irriga.

Explicando de forma simples: é no florescimento que o milho troca de fase. As flores masculinas soltam o pólen no pendão, enquanto as espigas abrem os “cabelos” — os estilos-estigmas — para recebê-lo. Esse casamento dura pouco, de uma a duas semanas, mas é justamente aí que a planta bebe mais água do ciclo inteiro, com folhas cheias e transpirando no talo. Falta água nesse momento, e o número final de grãos, que está sendo decidido ali, sai prejudicado — segundo mostram dados técnicos compilados pela Embrapa.

E o que a planta faz quando a água aperta? Ela se fecha, literalmente. Os estômatos se fecham para não perder mais água, só que isso também trava a entrada de CO₂ e a fotossíntese desacelera. O problema é que esse estresse não afeta pendão e espiga do mesmo jeito: de acordo com a Embrapa, os “cabelos” da espiga sofrem mais que o pendão, o que atrasa o encontro dos dois e atrapalha a polinização. Os estigmas podem demorar para sair, secar antes da hora ou simplesmente não pegar bem o pólen. Resultado: a planta aborta flores, óvulos e até grãos que já tinham começado a se formar. No campo, isso vira espiga rala, mal granada ou, nos casos mais graves, espiga vazia.

O tamanho do estrago depende de alguns fatores: quando exatamente bateu o veranico, quanto tempo durou, o quanto esquentou e quantas plantas estão disputando a mesma água por metro quadrado. A janela mais perigosa vai de uma a duas semanas antes do pendoamento até cerca de duas semanas depois — e é nesse intervalo que a quebra pode passar de 50% em situações mais severas, na comparação com uma lavoura bem irrigada. Solo raso, compactado ou pobre em matéria orgânica só piora a conta, mesmo quando o déficit não é tão grave.

Por isso, quem espera o florescimento chegar para agir já está atrasado. A decisão precisa vir antes: olhar o histórico de veranicos da área, entender a capacidade do solo de segurar água, acompanhar a previsão climática da safra e saber quanto a irrigação disponível dá conta de cobrir. A escolha do híbrido é uma das cartas mais importantes desse jogo — priorizando materiais tolerantes ao estresse hídrico e com boa sincronia entre o florescimento macho e fêmea. A população de plantas também entra na conta: lavoura muito adensada em área com pouca água só aumenta a briga por esse recurso.

Plantio direto e palhada bem mantida seguram a umidade, reduzem a evaporação e melhoram a infiltração — além de ir aumentando a matéria orgânica com o tempo. Corrigir acidez e alumínio, e adubar direito com fósforo, potássio, enxofre e micronutrientes, dá à planta uma raiz mais profunda para ir buscar água onde ela ainda existe. E o controle de daninhas cedo, ainda em pós-emergência inicial, evita que a lavoura divida a água disponível com quem não devia estar ali.

Quando o florescimento já bateu na porta, sobra pouco espaço de manobra, mas ainda dá para agir. Em área irrigada, a regra é simples: primeiro a água vai para quem está em pré-florescimento, florescimento ou começando a encher grão — da fase VT até R2 — mesmo que isso signifique deixar para depois a irrigação plena de talhões ainda no vegetativo. Junto disso, cresce a importância de monitorar o solo de perto, com tensiômetro ou sonda de capacitância, e ficar de olho na planta: folha murcha ao meio-dia ou enrolada é sinal de que a hora de agir é agora.

Nem tudo que parece ajudar, ajuda nesse momento. Algumas práticas comuns podem sair pela culatra durante o florescimento: aplicação foliar que corre risco de fitotoxicidade, operação mecânica que machuca raiz superficial, adubação de cobertura tardia que estimula crescimento vegetativo justamente quando a planta já está sob pressão. Se sobrou daninha para controlar nessa fase, a decisão precisa pesar o estádio da cultura e o risco de dano, sempre dentro do que manda rótulo, bula e receituário agronômico.

Nutrição, manejo de pragas e de daninhas também entram nessa equação — não dá para separar. Planta bem nutrida, especialmente em potássio, regula melhor a abertura dos estômatos e aguenta mais o tranco, mas correção de última hora no florescimento tem efeito curto se o manejo não foi pensado desde o início do ciclo. Praga desfolhadora, percevejo e doença de folha sem controle tiram área foliar saudável da planta bem na hora em que ela mais precisa dela para segurar o estresse.

Qualquer intervenção na lavoura durante o florescimento — irrigar, aplicar insumo, passar máquina — exige cuidado redobrado: uso de EPI é obrigatório, e a umidade do solo precisa estar dentro do limite para não compactar. E a decisão de irrigar, segundo o material técnico consultado, deve sempre passar pelo balanço hídrico e pelo monitoramento de solo e planta, sem desperdício de água nem prejuízo ambiental.

 





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Ações europeias avançam com recuperação do setor de luxo mesmo com…


Logotipo Reuters

 

Por Tharuniyaa Lakshmi e Johann M Cherian e Niket Nishant

15 Jul (Reuters) – As ações europeias encerraram a quarta-feira com ganhos modestos já que uma forte recuperação do setor de luxo compensou a fraqueza das ações das empresas de telecomunicações e tecnologia, enquanto a escalada das tensões no Oriente Médio continuou a pesar sobre o ânimo do mercado.

O índice pan-europeu STOXX 600 subiu 0,12%, para 642,84 pontos.

Os investidores esperavam que o início da temporada de balanços nesta semana desviasse a atenção da geopolítica e a voltasse para os fundamentos corporativos, dando um novo impulso às ações.

Mas o STOXX 600 acumula ganhos de apenas 0,27% até agora nesta semana, e a ASML fechou o dia com queda de 0,41%, apagando os ganhos obtidos mais cedo no pregão apesar de ter elevado suas previsões de vendas para 2026.

Embora várias empresas de grande porte ainda não tenham divulgado seus resultados, o otimismo limitado nos mercados nesta quarta-feira ilustra o desafio que as empresas precisam superar para atrair investidores para o mercado de ações, especialmente enquanto o conflito entre os EUA e o Irã continua acirrado.

“Embora haja algumas boas notícias sobre lucros e notícias positivas para algumas ações na Europa, o panorama geral é de que podemos estar um pouco mais na defensiva, simplesmente por causa do risco geopolítico mais uma vez”, disse Michael Metcalfe, chefe de estratégia macroeconômica da State Street.

Os EUA realizaram uma nova onda de ataques contra o Irã, enquanto Teerã ameaçou interromper ainda mais as exportações regionais de energia.

Em LONDRES, o índice Financial Times recuou 0,13%, a 10.515,92 pontos.

Em FRANKFURT, o índice DAX caiu 0,59%, a 24.999,53 pontos.

Em PARIS, o índice CAC-40 ganhou 0,19%, a 8.382,43 pontos.

Em MILÃO, o índice Ftse/Mib teve desvalorização de 0,85%, a 52.411,25 pontos.

Em MADRI, o índice Ibex-35 registrou baixa de 0,42%, a 19.275,50 pontos.

Em LISBOA, o índice PSI20 desvalorizou-se 0,46%, a 9.084,95 pontos.





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Brasil mantém negociação com EUA e não descarta reciprocidade comercial


Coca-Cola, eBay e Tesla pedem recuo de tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quinta-feira (23) que o Brasil seguirá negociando com os Estados Unidos para afastar a tarifa de 25% aplicada a produtos brasileiros e ampliar a lista de exceções à alíquota de 12,5% anunciada por Washington. Segundo o ministro, o governo também manterá aberta a possibilidade de usar a Lei da Reciprocidade, conforme a evolução das negociações.

Ao comentar a decisão dos Estados Unidos, Elias disse que a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é manter a negociação para retirar a cobrança de 25% e ampliar as exceções na tarifa de 12,5%, aplicada ao Brasil e a outros países por suposta falha no combate à importação de bens produzidos com trabalho forçado.

Entre os itens da pauta exportadora brasileira aos Estados Unidos que ficaram excetuados estão carne bovina e café. Segundo o ministro, a lista vale para todos os países abrangidos pela medida e reúne produtos considerados sensíveis à inflação doméstica americana, como alimentos presentes na cesta básica local.

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Elias afirmou ainda que cerca de 2 mil produtos exportados para os Estados Unidos ficaram fora tanto da tarifa de 12,5% quanto da sobretaxa de 25%. Em segmentos como celulose e pescados, incidirá apenas a tarifa de 12,5%. Já produtos como calçados, máquinas, equipamentos, peças, componentes, confecções e químicos, exceto farmacêuticos, poderão ser submetidos à tributação total de 37,5%.

O ministro classificou a tarifa de 12,5% como indevida, ilegítima e ilegal e disse que o Brasil vai contestar a medida, protestar e adotar mecanismos para rechaçar a imposição. Também destacou que o país tem compromissos históricos de combate ao trabalho forçado e que os acordos internacionais celebrados pelo Brasil contêm regras específicas sobre o tema.

Sobre a Lei da Reciprocidade, Elias afirmou que o governo não vai abrir mão do instrumento. Segundo ele, a prioridade imediata é negociar e acolher os setores atingidos, mas a adoção da reciprocidade seguirá como possibilidade. O ministro citou ainda que o plano Brasil Soberano 3, lançado na quarta-feira (22), está pronto para incluir os setores afetados pela nova tarifa e que o comitê criado no programa vai definir, na próxima semana, a aplicação do dever de garantia de emprego nos segmentos atingidos.

De acordo com o MDIC, os produtos desembaraçados nos Estados Unidos a partir do dia 29 ficarão sujeitos à nova tarifa de 12,5%. O governo brasileiro também prepara manifestações à Organização Mundial do Comércio (OMC) e trabalha, ao mesmo tempo, na acolhida dos setores afetados, na diversificação de mercados e na continuidade da negociação com os Estados Unidos.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Fazenda prorroga por 30 dias subsídio de R$ 0,44 por litro da gasolina


Acordo entre Estados Unidos e Irã derruba preços do diesel e da gasolina no Brasil

O Ministério da Fazenda informou na noite desta quinta-feira (23) que prorrogou por 30 dias a subvenção de R$ 0,44 por litro da gasolina a partir de 26 de julho. A medida havia entrado em vigor em 25 de maio e perderia validade em 25 de julho. Segundo a pasta, a decisão foi tomada diante da escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã e da alta do petróleo no mercado internacional.

A portaria foi assinada pelo ministro Dario Durigan. De acordo com o Ministério da Fazenda, a prorrogação busca conter uma alta excessiva nos preços da gasolina em meio ao avanço das cotações externas.

O ministério também informou que a subvenção de R$ 1,12 por litro para o diesel permanece em vigor, sem alterações, com validade até 16 de setembro.

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A subvenção da gasolina foi publicada em 25 de maio. O limite do benefício é de até R$ 0,89 por litro, valor equivalente ao total de tributos federais pagos por litro do combustível, entre PIS, Cofins e Cide. O subsídio atualmente em vigor, de R$ 0,44 por litro, representa cerca de metade dessa cobrança.

O pagamento é feito diretamente a produtores e importadores de gasolina por meio da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O custo da medida era estimado em cerca de R$ 1,2 bilhão por mês, dentro do desenho inicial de dois meses, agora estendido.

Segundo o Ministério da Fazenda, com o barril de petróleo próximo de US$ 100 nesta quinta-feira (23), o governo decidiu manter o arcabouço atual. Em momento anterior, com o arrefecimento da guerra, havia sido retirada uma subvenção semelhante do diesel, de R$ 0,35 por litro.

Com a nova portaria, o subsídio de R$ 0,44 por litro da gasolina segue por mais 30 dias a partir de 26 de julho, enquanto a subvenção de R$ 1,12 por litro do diesel continua válida até 16 de setembro.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Governo diz que acionará Lei da Recriprocidade contra nova sobretaxa dos EUA


Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático - ASEAN. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Foto: Ricardo Stuckert/PR

O governo brasileiro divulgou nota sobre a imposição da nova sobretaxa de 12,5% dos Estados Unidos ao Brasil anunciada nesta quinta-feira (23). A nova cobrança ocorre em função do resultado da investigação da Seção 301 relativa à proibição de importação de produtos relacionados ao trabalho forçado e atinge quase 60 países.

De acordo com o texto assinado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, serão acionados imediatamente os trâmites previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional. A nota ainda cita que o tema será levado ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

“Na ausência de base legal interna para sustentar sua política comercial protecionista, o USTR [Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos] optou por manipular tema caro aos direitos humanos e à luta dos trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo para acusar 59 países e a União Europeia de práticas desleais.”

De acordo com a nota, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) prestou explicações ao longo da investigação e forneceu “farta documentação sobre a legislação brasileira e da atuação das nossas autoridades aduaneiras para coibir importações de bens produzidos por trabalho forçado”, destaca.

Convenções da OIT

O texto assinado pela Secretaria ainda ressalta que o Brasil é reconhecido há décadas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) pelos fortes compromissos assumidos no combate ao trabalho forçado.

"Somos signatários de 66 Convenções em vigor na OIT. Enquanto os Estados Unidos, que se arrogam o direito de nos julgar e de impor sanções, ratificaram apenas 10 dessas Convenções."

O governo federal ainda destaca que o Brasil ratificou todos os quatro instrumentos da OIT relacionados ao trabalho forçado: a Convenções 29 de 1930; a Convenção 105 de 1957; a Recomendação 203 e o Protocolo à Convenção 29, ambos de 2014. Enquanto isso, os EUA só ratificaram um desses instrumentos.

A nota ainda relata que os acordos de livre comércio celebrados pelo Brasil e pelo Mercosul, incluindo com Chile, União Europeia e Associação Europeia de Livre Comércio, contêm compromissos de eliminação do trabalho forçado e compulsório e de aplicação efetiva dessas proibições.

A nota ainda relata que o combate ao comércio internacional de bens relacionados ao trabalho forçado no Brasil é intensificado por políticas domésticas de fiscalização, prevenção, acolhimento pós-resgate das vítimas e combate ao trabalho escravo contemporâneo.

“Tipificamos como crime não apenas a submissão ao trabalho forçado, mas as jornadas exaustivas, as condições degradantes de trabalho e restrição de locomoção. Responsabilizamos as empresas e os indivíduos, aplicando multas severas, e mantemos um cadastro de Lista Suja de empregadores”, diz o texto. Por fim, a nota chama a sobretaxa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos de completamente arbitrária e injustificada.

Leia a nota do governo federal na íntegra:

“O Governo brasileiro rechaça a decisão do governo dos Estados Unidos de impor tarifas de 12,5% sobre produtos brasileiros em função do resultado da investigação da Seção 301 relativa à proibição de importação relacionadas ao trabalho forçado.

Na ausência de base legal interna para sustentar sua política comercial protecionista, o USTR optou por manipular tema caro aos direitos humanos e à luta dos trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo para acusar 59 países e a União Europeia de práticas desleais.

Ao longo da investigação, o Ministério do Trabalho e Emprego prestou explicações e forneceu farta documentação sobre a legislação brasileira e da atuação das nossas autoridades aduaneiras para coibir importações de bens produzidos por trabalho forçado.

Vale ressaltar, ainda, que o Brasil é reconhecido há décadas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) pelos fortes compromissos assumidos no combate ao trabalho forçado.

Somos signatários de 66 Convenções em vigor na OIT. Enquanto os Estados Unidos, que se arrogam o direito de nos julgar e de impor sanções, ratificaram apenas 10 dessas Convenções.

O Brasil ratificou todos os quatro instrumentos da OIT relacionados ao trabalho forçado: a Convenções 29 de 1930; a Convenção 105 de 1957; a Recomendação 203 e o Protocolo à Convenção 29, ambos de 2014. Os EUA só ratificaram um desses instrumentos.

Os acordos de livre comércio celebrados pelo Brasil e pelo MERCOSUL, incluindo com Chile, União Europeia e Associação Europeia de Livre Comércio, contêm compromissos de eliminação do trabalho forçado e compulsório e de aplicação efetiva dessas proibições.

Esse compromisso de combate ao comércio internacional de bens relacionados ao trabalho forçado é intensificado pela abordagem multidimensional de nossas políticas domésticas de fiscalização, prevenção, acolhimento pós-resgate das vítimas e combate ao trabalho escravo contemporâneo.

Tipificamos como crime não apenas a submissão ao trabalho forçado, mas as jornadas exaustivas, as condições degradantes de trabalho e restrição de locomoção. Responsabilizamos as empresas e indivíduos, aplicando multas severas, e mantemos um cadastro de Lista Suja de empregadores.

Tendo em vista o caráter completamente arbitrário e injustificado das tarifas anunciadas contra o Brasil, iniciaremos imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e levaremos o tema ao mecanismo de solução de controvérsias da OMC.”

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Saúde do solo deve estar no centro das decisões do agro


Simpósio Brasileiro de Saúde do Solo reúne especialistas nacionais e internacionais para apresentar estratégias capazes de aumentar a eficiência, reduzir custos e elevar os resultados das propriedades rurais

Em um cenário de margens cada vez mais pressionadas, aumento dos custos de produção e necessidade de produzir mais na mesma área, a saúde do solo deixou de ser apenas um tema técnico para se tornar uma estratégia de negócio. Manejos capazes de melhorar a eficiência no uso de fertilizantes, aumentar a resiliência das lavouras e impulsionar a produtividade estão entre os principais caminhos para elevar a rentabilidade das propriedades rurais.

Esses serão alguns dos temas centrais do Simpósio Brasileiro de Saúde do Solo, que acontece nos dias 5 e 6 de agosto, em Goiânia (GO). Promovido pela Agroadvance, o evento reunirá pesquisadores, professores, consultores, produtores rurais e profissionais do setor para discutir como a ciência e as práticas de manejo podem gerar ganhos econômicos concretos para a agricultura tropical.

A programação foi estruturada para conectar pesquisa e realidade de campo, apresentando experiências que podem ser aplicadas pelos produtores em diferentes sistemas de produção. Os debates abordarão desde os fundamentos da saúde do solo até tecnologias, indicadores biológicos, fertilidade, física do solo, microbiologia e casos práticos que demonstram como práticas regenerativas contribuem para aumentar a produtividade, reduzir custos e tornar os sistemas agrícolas mais eficientes e resilientes.

Entre os destaques da programação está o professor Maurício Roberto Cherubin (Esalq/USP), referência internacional em saúde do solo e agricultura regenerativa, que discutirá o protagonismo do Brasil no desenvolvimento de sistemas agrícolas promotores da saúde do solo em ambientes tropicais.

O evento também contará com a participação internacional de Carlos Bonini Pires, professor da North Dakota State University (EUA), que apresentará a evolução do conceito de saúde do solo e sua aplicação prática na agricultura norte-americana.

Outros nomes confirmados incluem Aurélio Pavinato, CEO da SLC Agrícola; Rodrigo Estevam Munhoz de Almeida, pesquisador da Embrapa; Lucas William Mendes (CENA/USP); Eduardo da Costa Severiano (IF Goiano); Bruna Emanuele Schiebelbein (CCARBON/SOHMA/USP); Lucas Rozas, da Prisma Inteligência Agronômica; e Erick Van Den Broek, CEO da SyncBio. Os palestrantes compartilharão resultados de pesquisas e experiências práticas relacionadas à fertilidade, microbiologia, física do solo, indicadores de qualidade e agricultura regenerativa, sempre com foco na geração de valor para o produtor.

Além das palestras, o simpósio contará com mesas-redondas e debates voltados aos principais desafios da agricultura tropical, estimulando a troca de experiências entre pesquisadores, consultores e produtores e ampliando o acesso a soluções que podem ser incorporadas à rotina das propriedades rurais.

Resumos

Pesquisadores, professores e estudantes de graduação e pós-graduação podem enviar resumos de trabalhos acadêmicos sobre o tema saúde do solo, o prazo foi ampliado até o dia 31 de julho. Os trabalhos devem ser originais e inéditos, não publicados previamente em periódicos científicos ou apresentados em outros eventos

Serviço

Simpósio Brasileiro de Saúde do Solo

Data: 5 e 6 de agosto de 2026

Local: WTC Goiânia – Goiânia (GO)

Inscrições e informações: https://agroadvance.com.br/simposio-brasileiro-de-saude-do-solo

 





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Carne bovina brasileira fica isenta de sobretaxa de 12,5% aplicada pelos EUA


carne bovina estampada com bandeira do brasil
Foto: Pixabay/arte Canal Rural

A carne bovina brasileira, couros, peles e outros subprodutos de origem animal, não foi inclusa na sobretaxa de 12,5% aplicada pelos Estados Unidos no âmbito das medidas relacionadas às investigações sobre trabalho forçado e anunciada nesta quinta-feira (23).

A exclusão foi confirmada após o Escritório Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) publicar os anexos com os produtos que não serão atingidos pela nova cobrança.

Embora o Brasil estivesse incluído entre os países sujeitos à tarifa adicional, os principais produtos da cadeia pecuária nacional foram preservados porque são consideradas “matérias-primas cuja taxação possa provocar escassez no mercado norte-americano”, conforme expresso no documento. Os Estados Unidos convivem atualmente com o menor rebanho bovino dos últimos 70 anos.

Conforme informações da CNN, com a decisão, a proteína brasileira continuará seguindo o regime comercial já existente com o país norte-americano, incluindo o sistema de cotas tarifárias.

Já a exclusão dos couros bovinos, peles e outros couros de origem animal da lista de produtos tarifados atende a demandas da indústria norte-americana, como a automotiva e a de calçados, que utilizam o produto brasileiro como matéria-prima .

O anexo publicado pelo USTR também cita que ficam isentos insumos e subprodutos de origem animal destinados à fabricação de rações para bovinos, aves, animais de estimação e aquicultura.

Caráter político?

A isenção da carne bovina da sobretaxa de 12,5% chama a atenção pelo fato de o governo Trump ter relatado, no âmbito das investigações de trabalho forçado, incômodo com a relação comercial do Brasil com a China. “As exportações brasileiras de carne bovina congelada para a China superaram em muito as exportações norte-americanas, que vêm apresentando uma tendência de queda”, diz o texto do USTR.

O relatório do órgão alega que o trabalho forçado em propriedades rurais ajudou a dobrar as exportações brasileiras de carne para países investigados entre 2015 e 2025. “É notório que o trabalho forçado é utilizado na produção de gado no Brasil”, diz o documento.

Já o governo federal brasileiro contesta a investigação norte-americana e critica as sanções unilaterais. Documento assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, ressalta que as acusações da Casa Branca podem prejudicar políticas internas de combate ao trabalho escravo.

O Itamaraty afirmou que a cobrança é incompatível com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e ressaltou que o Brasil traz o conceito de “condição análoga à de escravizado” no Código Penal e elabora a “lista suja” para combater a prática.

O relatório Global Slavery Index, apresentado em 2023 ao G20 pela fundação Walk Free Brasil, mostra que os Estados Unidos adquirem do exterior 30 vezes mais produtos sob risco de trabalho forçado que o Brasil. Isso porque os norte-americanos importam a cada ano cerca de US$ 169,6 bilhões de mercadorias com esse tipo de suspeita, enquanto o Brasil compra aproximadamente US$ 5,6 bilhões.

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CMN regulamenta renegociação de dívidas rurais e fixa prazo até 12 de novembro


Tereza Cristina diz que PL das dívidas rurais trata de R$ 170 bilhões

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou, nesta quinta-feira (23), a resolução que regulamenta a Medida Provisória (MP) 1.376, de 2026, sobre a renegociação de dívidas rurais. O ato era aguardado para viabilizar a operação da linha de repactuação pelos bancos. A norma fixa 12 de novembro como data limite para as contratações e mantém as diretrizes já previstas para enquadramento dos produtores.

A resolução autoriza as instituições financeiras a operarem a linha de crédito rural destinada à renegociação das dívidas. A adesão, porém, fica a critério de cada banco, e o risco de crédito das operações permanece com as próprias instituições.

A norma preserva a divisão entre duas faixas de atendimento. Na categoria geral, entram produtores com perda de pelo menos 30% da renda bruta em duas ou mais safras entre 2019 e 2025, em razão de intempéries climáticas ou redução nos preços de comercialização. Na faixa excepcional, o enquadramento exige perda mínima de 40% da renda bruta em três ou mais safras no mesmo período, desde que associada exclusivamente a intempéries climáticas.

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A comprovação das perdas deverá ser feita por laudo emitido por profissional habilitado e registrado no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA), no Conselho Federal ou Regional dos Técnicos Agrícolas, no Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV) ou no Conselho Regional de Biologia (CRBio). A resolução também prevê que os bancos poderão solicitar um segundo laudo em caso de irregularidades no documento apresentado. O laudo técnico deverá demonstrar relação direta entre as perdas e as operações inadimplentes, prorrogadas ou renegociadas.

A reunião extraordinária do CMN também confirmou a inclusão das cooperativas de produção agropecuária na medida. Para esse público, foi estabelecido teto de R$ 50 milhões. Os juros podem variar entre 11% e 12%, conforme o nível de perda.

No caso das Cédulas de Produto Rural (CPRs), a resolução autoriza que novas emissões adquiridas pelos bancos para liquidar cédulas inadimplentes emitidas até 31 de dezembro de 2025 se enquadrem na exigibilidade do Manual de Crédito Rural. Poderão ser usados até 5% dos recursos captados por poupança rural e até 55% dos recursos provenientes das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs).

A regulamentação também confirmou o uso de fontes como os recursos obrigatórios para viabilizar as operações. Para a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), a medida provisória representou um acordo para atender a demanda imediata por renegociação e preservar o acesso de produtores ao crédito rural dentro do atual ciclo do Plano Safra.

Fonte: agencia.fpagropecuaria.org.br

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