Imagine uma pirâmide de latinhas empilhadas em um corredor de supermercado. A base parece sólida, mas quanto mais alta fica, mais sensível se torna a qualquer vibração. Na economia mundial, essa pirâmide é construída sobre três pilares: produção, consumo e investimento.
No entanto, o “castelo” que habitamos hoje apresenta sinais claros de fadiga. O risco? A “latinha mestre”, o dólar, está sendo sacudida por uma combinação explosiva de endividamento e instabilidade política.
O endividamento global já atinge US$ 350 trilhões, desafiando a sustentabilidade do sistema financeiro.
A atividade econômica é movida pela geração de riqueza, mas nas últimas décadas, esse crescimento foi erguido sobre uma base frágil: uma dívida global que já atinge US$ 350 trilhões, 350% do PIB mundial.
Os Estados Unidos, o coração desse sistema, sustentam uma atividade robusta, mas ancorada em uma dívida pública que supera os US$ 40 trilhões.
Por muito tempo, essa “pirâmide” se manteve em pé baseada em uma confiança infinita no dólar como porto seguro. Contudo, essa confiança está sendo corroída por dentro.
O atual cenário mostra que a economia não é apenas matemática; é psicologia. A gestão de Donald Trump tem sido um fator de instabilidade para os mercados mundiais e principalmente para a economia americana.
Seu comportamento, muitas vezes visto como errático, oscilando entre anúncios de tarifas agressivas e recuos repentinos, cria um ambiente de incerteza que dificulta o planejamento de empresas e investidores.
Ao utilizar o dólar e o acesso ao mercado americano como ferramentas de pressão geopolítica, a Casa Branca acaba por acelerar o que os analistas chamam de desdolarização.
Se o dólar deixa de ser uma moeda neutra e previsível para se tornar um instrumento de política externa imprevisível, os outros países, liderados pela força produtiva da Ásia, começam a retirar suas latinhas da base da pirâmide americana.
Hoje, mais da metade da população do planeta está na Ásia, o grande polo de desenvolvimento atual. Quando vemos o comércio de petróleo sendo liquidado em outras moedas que não o dólar, estamos presenciando o questionamento do modelo estabelecido desde 1971.
Foi nesse ano que o padrão-ouro foi substituído pela confiança pura na autoridade americana. Para o agronegócio, setor que vive da exportação e da importação de insumos cotados em dólar, essa volatilidade é um desafio constante.
A Ásia consolida-se como o novo eixo econômico, desafiando o modelo de confiança estabelecido desde 1971.
O enfraquecimento da moeda americana, embora possa parecer benéfico em alguns momentos para as importações, reflete uma instabilidade sistêmica que pode encarecer o crédito e desorganizar as cadeias de suprimentos globais.
Um sistema econômico baseado em dívida exige confiança mútua. No momento em que a principal potência mundial adota uma postura de confronto e imprevisibilidade, ela retira a “cola” que mantinha as latinhas no lugar.
O risco não é apenas a queda de uma moeda, mas o desmoronamento de uma arquitetur financeira que já não suporta o peso da própria dívida sob o vento forte da incerteza política.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
Em relação ao mesmo momento do ano passado, quando os trabalhos atingiam 94,8% da área, o ritmo atual apresenta uma queda de 2,85%.
Apesar da diferença frente à safra passada, o desempenho está alinhado à média dos últimos cinco anos, também estimada em 92,1%.
Colheita de soja por estado
No recorte por estados, Mato Grosso e São Paulo lideram os trabalhos, com 100% da área colhida. Em seguida aparecem Goiás (99,5%), Mato Grosso do Sul (99%) e Paraná (99%). Minas Gerais e Tocantins registram 98%, enquanto o Piauí soma 96%.
A Bahia alcança 90% da área colhida. Já Santa Catarina tem 71%, e os menores índices são observados no Maranhão e no Rio Grande do Sul, ambos com 65%.
A colheita do milho no Rio Grande do Sul atingiu 90% da área cultivada, segundo o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (23) pela Emater/RS-Ascar. A cultura se encontra em fase final de safra, com avanço limitado das operações devido às precipitações, especialmente na Metade Sul, onde a elevada umidade dos grãos e a restrição ao tráfego de máquinas dificultaram os trabalhos. As áreas remanescentes correspondem a lavouras implantadas em períodos intermediários e tardios, em estádios reprodutivos ou em enchimento de grãos, beneficiadas pelas chuvas desde meados de março.
De acordo com a Emater/RS-Ascar, as condições meteorológicas ao longo do ciclo resultaram em desempenho produtivo heterogêneo. Episódios de déficit hídrico em fases críticas, como pendoamento e floração, impactaram parte das lavouras de plantio intermediário, reduzindo o potencial produtivo.
A qualidade dos grãos é considerada satisfatória nas áreas colhidas em condições adequadas, embora a elevada umidade em períodos chuvosos tenha exigido maior cuidado nas operações de colheita.
A Emater/RS-Ascar estima a área cultivada em 803.019 hectares e produtividade média estadual de 7.424 kg por hectare.
Na região administrativa de Bagé, a Emater/RS-Ascar informa que a colheita evoluiu de forma lenta em razão da elevada umidade dos grãos, decorrente de períodos sucessivos de chuva e nebulosidade. Em Candiota, a colheita iniciou em áreas compostas majoritariamente por pequenas propriedades. Em São Gabriel, 85% dos 3.000 hectares cultivados foram colhidos, com 10% em maturação e 5% em enchimento de grãos, apresentando bom potencial produtivo, apesar de perdas estimadas em cerca de 25% em relação ao potencial inicial devido ao déficit hídrico em fases críticas.
Na regional de Caxias do Sul, o predomínio de tempo seco favoreceu o avanço da colheita, que alcança cerca de 70%. As produtividades variam entre 7.200 e 9.000 kg por hectare, com grãos considerados adequados em termos de qualidade.
Na região de Ijuí, a colheita da safra está praticamente concluída, restando cerca de 2% de áreas de safrinha em fase final de enchimento de grãos, com produtividades que chegam a 9.240 kg por hectare.
Na regional de Pelotas, 45% da área foi colhida, com interrupções provocadas pelas chuvas, que elevaram a umidade dos grãos e dificultaram a entrada de máquinas. As áreas remanescentes estão distribuídas entre enchimento de grãos, maturação e floração, indicando variação no desenvolvimento das lavouras.
Na região de Santa Rosa, 94% da área cultivada foi colhida, com lavouras remanescentes em enchimento de grãos, floração e maturação. Também há intensificação do planejamento para a próxima safra, com aquisição antecipada de insumos e adoção de estratégias como a semeadura precoce para mitigar riscos climáticos.
Na regional de Soledade, a colheita das áreas semeadas no período inicial está praticamente concluída, restando áreas pontuais em relevo acidentado, onde a operação ocorre de forma manual. Cerca de 65% da área total foi colhida, enquanto lavouras tardias seguem em fases reprodutivas sob condições favoráveis de temperatura, umidade do solo e radiação solar.
Especialistas de diversos órgãos se reuniram nesta segunda-feira (27), em Sobradinho (BA), para coletar dados e concluir os estudos técnicos necessários para definir a modelagem econômica da Hidrovia do Rio São Francisco.
A hidrovia é considerada um eixo estratégico para o escoamento de cargas e a integração logística entre regiões do país.
De acordo om a Companhia de Docas do Estado da Bahia (Codeba), o projeto prevê um corredor navegável de 1.371 quilômetros de extensão, abrangendo 505 municípios em cinco estados, com potencial de movimentar até 5 milhões de toneladas de cargas já no primeiro ano de operação.
Pela manhã foi realizada uma reunião de alinhamento dos trabalhos e visita ao Porto de Juacema. À tarde, a equipe percorreu o trecho onde por onde as embarcações carregadas de cargas deverão trafegar quando a Hidrovia estiver em pleno funcionamento.
Foto: Divulgação/Codeba
Participaram da atividade o chefe de gabinete da CODEBA, Carlos Luciano; o superintendente da Infra SA, Fernando Corrêa dos Santos, acompanhado assessores Carla Chaves, Conrado Frezza Guilherme Tasca Mores, Gustavo de Oliveira Lopes e Wagner dos Santos.
Também participaram, Calvin Creech, da Associação Mundial para Infraestrutura de Transporte Aquaviário (PIANC); Dax Rosler Andrade, representando a ANTAQ e Alexandre Vaz, do Ministério de Portos e Aeroportos, além de representantes da Marinha e SOAMAR.
De acordo com o Ministério de Portos e Aeroportos, a primeira etapa contempla intervenções em um trecho de 604 km navegáveis, entre Juazeiro e Petrolina, passando por Sobradinho (BA) e chegando a Ibotirama (BA). As cargas serão escoadas por rodovias até o Porto de Aratu-Candeias (BA).
A segunda etapa abrange 172 km navegáveis entre Ibotirama, Bom Jesus da Lapa e Cariacá (BA), com conexão ferroviária aos portos de Ilhéus e Aratu-Candeias e a terceira ampliação da hidrovia em 670 km, ligando Bom Jesus da Lapa e Cariacá a Pirapora (MG).
Ainda segundo a pasta, também estão previstas a construção de 17 Instalações Portuárias Públicas de Pequeno Porte (IP4), que garantirão o transporte de cargas e passageiros nos estados da Bahia, Pernambuco e Alagoas.
Rio São Francisco em Barra (BA) | Foto: Guilherme Soares/ Marca Comunicação
Navegando pela história
Durante o Juazeiro Open, evento realizado no último fim de semana, o Chefe de Gabinete da Codeba, Carlos Luciano, que é filho de Juazeiro, lembrou do avô que foi comandante de embarcação na Hidrovia e falou com entusiasmo sobre a perspectiva de retomada das atividades.
“Dentro em breve nós teremos já a operação entre a Barragem de Sobradinho, onde está o Porto de Juacema, até a cidade de Ibotirama. Isso vai demonstrar cada vez mais que é possível sonhar junto e tornar realidade. Mas o mais importante que envolve tudo isso não é somente o transporte das cargas. É o reconhecimento e a interiorização do desenvolvimento socioeconômico e a perspectiva de aqui ser o grande e novo vetor de desenvolvimento econômico do Brasil”, ressaltou, Carlos.
Segundo a Codeba, após mais de 14 anos de paralisação, o projeto desperta não apenas interesse econômico, mas também uma comoção regional, por representar a retomada de um importante vetor de desenvolvimento histórico para a região.
Os Emirados Árabes Unidos anunciaram que deixarão a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e a Opep+ a partir de 1º de maio, segundo informou a agência Reuters nesta terça-feira (28).
A decisão foi confirmada pelo ministro de Energia do país, Suhail Mohamed al-Mazrouei, que afirmou que a saída ocorreu após uma revisão das estratégias energéticas nacionais.
Segundo ele, a medida é de caráter político e foi tomada de forma independente, sem negociação prévia com outros membros do grupo, incluindo a Arábia Saudita, principal liderança da organização.
Movimento ocorre em meio a tensões no mercado
A saída dos Emirados, integrante da Opep desde 1967, acontece em um momento de instabilidade no mercado global de energia, marcado por conflitos no Oriente Médio e dificuldades logísticas no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo.
De acordo com a Reuters, o cenário tem afetado o fluxo de exportações, após ameaças e ataques a embarcações na região.
Impacto e bastidores
Apesar do potencial impacto político dentro da Opep+, o ministro afirmou que a decisão não deve provocar grandes efeitos imediatos no mercado, diante do contexto atual.
A saída também ocorre após críticas dos Emirados a outros países árabes, por considerarem insuficiente o apoio diante de ataques atribuídos ao Irã durante o conflito recente.
Aliado estratégico dos Estados Unidos, o país amplia, com a decisão, o distanciamento em relação ao bloco, que historicamente atua de forma coordenada para influenciar a oferta global de petróleo e os preços da commodity.
A prévia da inflação oficial mostrou aceleração dos custos de transportes em abril. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (28) indicam que a gasolina subiu 6,23% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) e foi o item de maior impacto individual no resultado mensal, com contribuição de 0,32 ponto porcentual.
Segundo o IBGE, os combustíveis tiveram alta média de 6,06% em abril. Além da gasolina, o óleo diesel avançou 16,00% e respondeu pela terceira maior pressão individual sobre o índice, com 0,04 ponto porcentual. O etanol subiu 2,17%, enquanto o gás veicular recuou 1,55%.
Com esse movimento, o grupo Transportes passou de alta de 0,21% em março para elevação de 1,34% em abril. A contribuição do grupo para o IPCA-15 do mês foi de 0,27 ponto porcentual. Os números mostram que a aceleração dos combustíveis foi o principal vetor de encarecimento dentro da categoria.
Outros itens de mobilidade tiveram variações mais moderadas. O ônibus urbano subiu 0,44%, o táxi avançou 0,08%, o metrô teve alta de 0,53%, o ônibus intermunicipal aumentou 0,14% e a integração de transporte público registrou elevação de 0,90%.
Na direção oposta, a passagem aérea caiu 14,32% em abril, o maior alívio individual sobre o IPCA-15 no período, com impacto de -0,12 ponto porcentual. Esse recuo reduziu parcialmente a pressão do grupo Transportes, mas não foi suficiente para neutralizar a alta dos combustíveis.
Na prática, o resultado indica aumento mais concentrado nos custos de deslocamento dependentes de combustíveis, com potencial de pressão sobre fretes, mobilidade urbana e despesas operacionais de atividades produtivas. O IBGE não apresentou, nesse recorte, detalhamento adicional sobre repasses futuros.
Os dados de abril mostram que a trajetória do grupo Transportes ficou condicionada ao comportamento dos combustíveis. A continuidade ou não dessa pressão dependerá das próximas variações de preços nas bombas e de eventuais reajustes em outros serviços de mobilidade.
O governador de Minas Gerais anunciou novos investimentos voltados para os produtores de cana de açúcar, com o objetivo de promover a expansão das usinas e a geração de biometano.
Promoção financeira e novos investimentos
O primeiro movimento anunciado pelo governador é a promoção financeira que permitirá às usinas de cana utilizar o crédito acumulado de ICMS em novos investimentos. Essa medida visa transformar as usinas em centros de produção de etanol a partir da cana e do milho.
Gasoduto fechado para biometano
Além disso, foi anunciado um investimento de R$ 50 milhões em um gasoduto fechado, que conectará as usinas de cana e permitirá a geração de biometano, um gás equivalente ao gás natural. Este projeto visa atender os polos industriais de Uberlândia e Uberaba.
O biometano será utilizado na produção de fertilizantes em Uberaba.
O investimento é realizado pela Gasmig com apoio do estado.
A expectativa é que a nova indústria traga avanços significativos para a região.
Importância da comunicação no agronegócio
O governador também destacou a importância da presença do Canal Rural em Minas Gerais, que terá uma equipe dedicada à cobertura diária do agronegócio, especialmente em Uberaba, uma região central na pecuária do estado.
A emissora buscará levar notícias bem apuradas e de qualidade.
A presença do Canal Rural permitirá uma maior interação com os produtores.
O final de abril tem sido marcado pelo anúncio por parte do ministro de Minas e Energia de que pretende encaminhar ao CNPE, na primeira semana de maio, para análise e possível aprovação, do padrão de 32% de etanol anidro adicionado à gasolina no Brasil.
A Safras & Mercado, ainda em sua segunda estimativa para a safra 2026/27, já havia antecipado que o governo tentava elevar o blend do anidro e gasolina em 2026. Porém, a tratativa inicial observada até então, era sobre o 35%, sem prazo definido para entrar em vigor e com uma clara dependência de testes de eficiência dos motores por parte do CNPE e da ANP.
Porém, ainda no início de abril o próprio governo federal comunicou ao mercado que deveria buscar um nível de blend menor, porém com mais rápida implementação, ainda no primeiro semestre de 2026. De fato, o final da quarta semana de abril foi marcado pela indicação de data e de volume, para a primeira semana de maio (pelo menos por parte da deliberação do CNPE) e de 32%.
Ainda em março, em nosso segundo levantamento da safra 2026/27, havíamos feitos alguns cálculos para tentar estimar o impacto na curva de demanda de anidro da possível implementação do E35, que era acenado até então, o qual também serve de base para estimativa do E32.
A Safras & Mercado observou que, entre abril e junho de 2025, o padrão médio de demanda de anidro fora de 1,02 bilhão de litro. Esse volume é derivado da composição de 27% do consumo de gasolina C em todo o Brasil divulgado pela ANP.
A Safras & Mercado desconsiderou o primeiro trimestre de 2025 em função da sazonalidade do período e dos impactos sobre a demanda de combustíveis em geral. Isso porque em janeiro temos o menor nível de demanda do ano, o qual cresce rapidamente em fevereiro em função do feriado prolongado de Carnaval.
Em nossa visão, o padrão regular de demanda de combustíveis ao longo do ano ocorre mesmo entre abril a novembro, com dezembro também sendo um ponto fora da curva em função da sazonalidade de demanda elevada de combustíveis em função das festas de Natal e Ano Novo. Com isso, partimos da premissa de que o padrão médio de demanda do anidro no E27 em 2025 fora de 1,02 bilhão de litros. Em agosto houve a mudança para o E30, sendo que a demanda de 1,16 bilhão de litros de anidro em agosto fora um nível intermediário de crescimento do consumo de anidro.
Podemos dizer que a média de demanda de anidro sob o E30 ficou mais clara somente a partir de setembro, onde o mercado se mostrou claramente consolidado. O próprio mês de julho também foi um período intermediário de crescimento na demanda de anidro que não reflete o nível normal de crescimento do consumo de anidro, assim como agosto.
Logo, de setembro a dezembro de 2025 o etanol anidro teve um novo padrão de consumo já sob um mercado sob clara maturação do E30 com uma média mensal de demanda de 1,24 bilhão de litros. Nesse sentido a Safras & Mercado alerta que a mudança do E27 para o E32 gerou um crescimento na demanda de anidro de 21,57% em sua média mensal de consumo que saiu de 1,02 bilhão de litros para 1,24 bilhão de litros.
Com isso, podemos interpretar que a elevação de três pontos porcentuais no blend de anidro de 27% para 30% resultou em um crescimento médio de 220 milhões de litros ao mês de demanda de anidro em todo o Brasil. Pegando esse volume mensal de crescimento e multiplicando por 12 meses chegamos a um padrão de 2,64 bilhões de litros por ano a mais de demanda de anidro com a passagem do E27 para o E30. Aprofundando mais este cálculo, sob o nível recente de consumo de gasolina em 2025, podemos interpretar que cada ponto porcentual de aumento do blend de anidro a gasolina equivale a um crescimento de 880 milhões de litros no acumulado em 12 meses. Partindo desta premissa, podemos antecipar que a elevação de dois pontos porcentuais na composição de anidro a gasolina do E30 atual para o E32 deverá resultar em um acréscimo de demanda em 12 meses de 1,76 bilhão de litros.
Esse volume se mostra próximo aos dados que a própria Unem ventilou a mídia de um aumento anualizado na demanda de etanol com a nova medida de 2,0 bilhões de litros ao ano.Além disso as indicações são de que a medida a ser adotada para a elevação do blend de anidro para 32% será com caráter excepcional, com vigência inicial de 180 dias prorrogáveis por mais 180 dias, que garantiria o E32 ao menos até dezembro.
É interessante contrapor esses dados de neutralização de demanda de gasolina C com as importações da mesma, que é o objetivo do MME, em função dos efeitos das guerras no Oriente Médio e das elevações do petróleo, que comprometem o controle inflacionário no Brasil e prejudicam a atual política de redução das taxas de juros em fase inicial pelo BC.
Os dados mais recentes da ANP mostram que em entre 2024 e 2025 as importações de gasolina A pelo Brasil cresceram 27% saindo de 2,73 para 3,49 bilhões de litros enquanto que a média dos últimos 5 anos de importações de gasolina A por parte do Brasil oscila em 3,44 bilhões de litros, sem considerar os dados de 2026. Com isso o ano de 2025 fora um período de importações 1,63% maiores que a média dos últimos 5 anos, o que mostra um mercado aquecido. Sobre 2026 a ANP tem atualizado apenas os dados de janeiro e fevereiro com volumes respectivos de 269 e 411 milhões de litros. Com isso foi possível ver que em fevereiro houve um aquecimento de curto prazo nas importações de gasolina A na faixa de 52%, o que é muito elevado para o curto prazo.
Além disso, as importações de fevereiro de 2026 (dados mais recentes disponíveis pela ANP) mostram que os 411 milhões de litros de gasolina A importados se posicionaram 41% mais altos que a média de 5 anos sobre o mesmo período que oscila em 291 milhões de litros. No comparativo anual [fevereiro de 2026 contra fevereiro de 2025] há um crescimento também muito elevado das importações de gasolina, na faixa de 249% contra o volume de 117 milhões de litros importados em fevereiro de 2025.
A expectativa da Safras & Mercado para 2026 é que sejam importadas apenas 3 bilhões de litros de gasolina A por parte do Brasil. Caso se confirme, esse volume representará uma queda de 14% em relação as importações de 3,49 bilhões de litros de 2025. A queda nas importações será resultado tanto do aumento do blend de anidro a gasolina quanto em função dos elevados níveis de defasagem dos preços da gasolina praticadas nas refinarias do Brasil em relação aos preços internacionais que tem oscilado entre 30% a 70% a depender do dia visto ao longo dos quatro primeiros meses de 2026.
A própria elevação do E30 para o E32 deverá neutralizar a necessidade de importação de, ao menos, 1,76 bilhão de litros em 12 meses de gasolina A. Além disso, a Safras & Mercado alerta que a elevação do blend de anidro e gasolina de 27% para 30% deverá neutralizar a importação de 2,64 bilhões de litros em 12 meses. Isso, somado à neutralização de mais 1,76 bilhão de litros em 12 meses da elevação do E30 para E32, o resultado final será a neutralização de 4,40 bilhões de litros de importação de gasolina A em 12 meses com a elevação acumulada do E27 para o E32, o que, em tese, tem a capacidade de deixar o Brasil autossuficiente em gasolina A em um ano.
Pela ótica do açúcar, essa questão soma mais um vetor de força sobre o mesmo na Bolsa de Nova York onde podemos enumerar os seguintes vetores de influência sobre a quinta e última semana de abril e a primeira de maio: Os fatores de alta que têm impactado o açúcar bruto em Nova York ao longo desta semana estão relacionados aos novos dados de oferta e demanda mundial publicados pelo USDA relativos a safra nova 2026/27 e podem ser enumerados em:
queda de 2,97% na produção do Brasil (com um corte de 1,30 milhão de toneladas, saindo de 43,80 para 42,50 milhões de toneladas);
queda de 1,47% nas exportações do Brasil que deverão sair de 34,10 para 33,60 milhões de toneladas, com um corte de 501 mil toneladas;
queda de 9,53% na demanda interna do Brasil que deverá sair de 9,94 para 9 milhões de toneladas, com um corte de 948 mil toneladas;
Queda de 15,62% na produção da Tailândia que deverá recuar de 11,25 para 9,50 milhões de toneladas, com um corte de 1,75 milhão de toneladas;
Queda de 14,29% nas exportações da Tailândia, que deverão recuar 1,00 milhão de toneladas, saindo de 7 milhões para 6 milhões de toneladas.
Já os vetores de queda no mercado se relacionam aos dados da China publicados pelo USDA, também relativos a safra nova 2026/27 como:
Alta de 69,39% nos estoques iniciais da safra nova, com acréscimo de 1,14 milhão de toneladas, com os volumes saindo de 1,63 para 2,78 milhões de toneladas;
Alta de 0,79% na produção da China, que deverá sair de 12,60 para 12,70 milhões de toneladas;
Estabilidade na demanda interna em 15,80 milhões de toneladas;
Alta de 44,56% nos estoques finais da safra nova, com ganhos em volume de 1,24 milhão de toneladas, os quais deverão sair de 2,78 para 4,02 milhões de toneladas; estabilidade nas importações da China em 4,50 milhões de toneladas.
*Maurício Muruci é especialista em açúcar, etanol e biodiesel da Safras & Mercado, com mais de 15 anos de experiência em análises econômicas e consultoria para mercados agrícolas
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
O governador de Minas Gerais anunciou novos investimentos voltados para os produtores de cana de açúcar, com o objetivo de promover a expansão das usinas e a geração de biometano.
Promoção financeira e novos investimentos
O primeiro movimento anunciado pelo governador é a promoção financeira que permitirá às usinas de cana utilizar o crédito acumulado de ICMS em novos investimentos. Essa medida visa transformar as usinas em centros de produção de etanol a partir da cana e do milho.
Gasoduto fechado para biometano
Além disso, foi anunciado um investimento de R$ 50 milhões em um gasoduto fechado, que conectará as usinas de cana e permitirá a geração de biometano, um gás equivalente ao gás natural. Este projeto visa atender os polos industriais de Uberlândia e Uberaba.
O biometano será utilizado na produção de fertilizantes em Uberaba.
O investimento é realizado pela Gasmig com apoio do estado.
A expectativa é que a nova indústria traga avanços significativos para a região.
Importância da comunicação no agronegócio
O governador também destacou a importância da presença do Canal Rural em Minas Gerais, que terá uma equipe dedicada à cobertura diária do agronegócio, especialmente em Uberaba, uma região central na pecuária do estado.
A emissora buscará levar notícias bem apuradas e de qualidade.
A presença do Canal Rural permitirá uma maior interação com os produtores.
O agronegócio brasileiro tem ampliado a estratégia de agregação de valor por meio da agroindústria diante do aumento da produção de commodities, das exigências por sustentabilidade e da demanda global. O movimento ganha visibilidade durante a Agrishow, considerada a principal feira de tecnologia para o setor na América Latina, onde soluções voltadas à inovação e à geração de valor agregado são apresentadas.
Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária indicam que o agronegócio brasileiro registrou Produto Interno Bruto de R$ 775,3 bilhões em 2025. No entanto, levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada aponta que a agroindústria representa 24,3% desse total, evidenciando espaço para expansão dentro da cadeia produtiva.
Para João Carlos Marchesan, o cenário revela potencial de crescimento. “esse dado mostra que existem oportunidades para uma expansão dentro da cadeia produtiva, especialmente diante de um mercado internacional cada vez mais competitivo e exigente”.
A feira apresenta a incorporação de tecnologias nas cadeias produtivas, com soluções como piloto automático, telemetria e inteligência artificial aplicadas às operações agrícolas. Equipamentos mais conectados e eficientes permitem reduzir perdas, otimizar o uso de insumos e ampliar a produtividade, enquanto ferramentas como robôs autônomos, drones e sistemas de agricultura de precisão ampliam o uso de dados na tomada de decisão.
Marchesan afirma que o evento integra diferentes etapas do setor. “A feira é esse ponto de convergência entre as commodities e a agroindústria. Se, por um lado, o campo é exemplo na liderança da produção de alimentos com qualidade e de forma sustentável, capaz de contribuir com a segurança alimentar mundial, a agroindústria encontra no agronegócio brasileiro, produtos que podem ganhar alto valor de mercado, com grande potencial de expansão dos negócios”.
Além das soluções no campo, a Agrishow também reúne tecnologias voltadas ao controle e à qualidade ao longo da cadeia produtiva, incluindo sistemas integrados de gestão, análise de dados, processamento e rastreabilidade. Equipamentos com sensores para medição de carbono e evapotranspiração também são apresentados, alinhados às exigências de mercados internacionais.
“O diferencial competitivo do agronegócio brasileiro, preparado para competir em segmentos de alto valor agregado, está na Agrishow”, finaliza Marchesan.
A 31ª edição da Agrishow ocorre entre 27 de abril e 1º de maio de 2026, com ingressos disponíveis em diferentes faixas de preço e horários de visitação definidos ao longo do período do evento.