terça-feira, abril 28, 2026
News

Etanol: aumento para o E32 deverá elevar a demanda de anidro em 1,76 bilhão de litros em 12 meses


MME confirma mistura de 32% de etanol na gasolina por até 180 dias
Imagem produzida por inteligência artificial

O final de abril tem sido marcado pelo anúncio por parte do ministro de Minas e Energia de que pretende encaminhar ao CNPE, na primeira semana de maio, para análise e possível aprovação, do padrão de 32% de etanol anidro adicionado à gasolina no Brasil.

A Safras & Mercado, ainda em sua segunda estimativa para a safra 2026/27, já havia antecipado que o governo tentava elevar o blend do anidro e gasolina em 2026. Porém, a tratativa inicial observada até então, era sobre o 35%, sem prazo definido para entrar em vigor e com uma clara dependência de testes de eficiência dos motores por parte do CNPE e da ANP.

Porém, ainda no início de abril o próprio governo federal comunicou ao mercado que deveria buscar um nível de blend menor, porém com mais rápida implementação, ainda no primeiro semestre de 2026. De fato, o final da quarta semana de abril foi marcado pela indicação de data e de volume, para a primeira semana de maio (pelo menos por parte da deliberação do CNPE) e de 32%.

Ainda em março, em nosso segundo levantamento da safra 2026/27, havíamos feitos alguns cálculos para tentar estimar o impacto na curva de demanda de anidro da possível implementação do E35, que era acenado até então, o qual também serve de base para estimativa do E32.

A Safras & Mercado observou que, entre abril e junho de 2025, o padrão médio de demanda de anidro fora de 1,02 bilhão de litro. Esse volume é derivado da composição de 27% do consumo de gasolina C em todo o Brasil divulgado pela ANP.

A Safras & Mercado desconsiderou o primeiro trimestre de 2025 em função da sazonalidade do período e dos impactos sobre a demanda de combustíveis em geral. Isso porque em janeiro temos o menor nível de demanda do ano, o qual cresce rapidamente em fevereiro em função do feriado prolongado de Carnaval.

Em nossa visão, o padrão regular de demanda de combustíveis ao longo do ano ocorre mesmo entre abril a novembro, com dezembro também sendo um ponto fora da curva em função da sazonalidade de demanda elevada de combustíveis em função das festas de Natal e Ano Novo. Com isso, partimos da premissa de que o padrão médio de demanda do anidro no E27 em 2025 fora de 1,02 bilhão de litros. Em agosto houve a mudança para o E30, sendo que a demanda de 1,16 bilhão de litros de anidro em agosto fora um nível intermediário de
crescimento do consumo de anidro.

Podemos dizer que a média de demanda de anidro sob o E30 ficou mais clara somente a partir de setembro, onde o mercado se mostrou claramente consolidado. O próprio mês de julho também foi um período intermediário de crescimento na demanda de anidro que não reflete o nível normal de crescimento do consumo de anidro, assim como agosto.

Logo, de setembro a dezembro de 2025 o etanol anidro teve um novo padrão de consumo já sob um mercado sob clara maturação do E30 com uma média mensal de demanda de 1,24 bilhão de litros. Nesse sentido a Safras & Mercado alerta que a mudança do E27 para o E32 gerou um crescimento na demanda de anidro de 21,57% em sua média mensal de consumo que saiu de 1,02 bilhão de litros para 1,24 bilhão de litros.

Com isso, podemos interpretar que a elevação de três pontos porcentuais no blend de anidro de 27% para 30% resultou em um crescimento médio de 220 milhões de litros ao mês de demanda de anidro em todo o Brasil. Pegando esse volume mensal de crescimento e multiplicando por 12 meses chegamos a um padrão de 2,64 bilhões de litros por ano a mais de demanda de anidro com a passagem do E27 para o E30. Aprofundando mais este cálculo, sob o nível recente de consumo de gasolina em 2025, podemos interpretar que cada ponto porcentual de aumento do blend de anidro a gasolina equivale a um crescimento de 880 milhões de litros no acumulado em 12 meses. Partindo desta premissa, podemos antecipar que a elevação de dois pontos porcentuais na composição de anidro a gasolina do E30 atual para o E32 deverá resultar em um acréscimo de demanda em 12 meses de 1,76 bilhão de litros.

Esse volume se mostra próximo aos dados que a própria Unem ventilou a mídia de um aumento anualizado na demanda de etanol com a nova medida de 2,0 bilhões de litros ao ano.Além disso as indicações são de que a medida a ser adotada para a elevação do blend de anidro para 32% será com caráter excepcional, com vigência inicial de 180 dias prorrogáveis por mais 180 dias, que garantiria o E32 ao menos até dezembro.

É interessante contrapor esses dados de neutralização de demanda de gasolina C com as importações da mesma, que é o objetivo do MME, em função dos efeitos das guerras no Oriente Médio e das elevações do petróleo, que comprometem o controle inflacionário no Brasil e prejudicam a atual política de redução das taxas de juros em fase inicial pelo BC.

Os dados mais recentes da ANP mostram que em entre 2024 e 2025 as importações de gasolina A pelo Brasil cresceram 27% saindo de 2,73 para 3,49 bilhões de litros enquanto que a média dos últimos 5 anos de importações de gasolina A por parte do Brasil oscila em 3,44 bilhões de litros, sem considerar os dados de 2026. Com isso o ano de 2025 fora um período de importações 1,63% maiores que a média dos últimos 5 anos, o que mostra um mercado aquecido. Sobre 2026 a ANP tem atualizado apenas os dados de janeiro e fevereiro com volumes respectivos de 269 e 411 milhões de litros. Com isso foi possível ver que em fevereiro houve um aquecimento de curto prazo nas importações de gasolina A na faixa de 52%, o que é muito elevado para o curto prazo.

Além disso, as importações de fevereiro de 2026 (dados mais recentes disponíveis pela
ANP) mostram que os 411 milhões de litros de gasolina A importados se posicionaram 41% mais altos que a média de 5 anos sobre o mesmo período que oscila em 291 milhões de litros. No comparativo anual [fevereiro de 2026 contra fevereiro de 2025] há um crescimento também muito elevado das importações de gasolina, na faixa de 249% contra o volume de 117 milhões de litros importados em fevereiro de 2025.

A expectativa da Safras & Mercado para 2026 é que sejam importadas apenas 3 bilhões de litros de gasolina A por parte do Brasil. Caso se confirme, esse volume representará uma queda de 14% em relação as importações de 3,49 bilhões de litros de 2025. A queda nas importações será resultado tanto do aumento do blend de anidro a gasolina quanto em função dos elevados níveis de defasagem dos preços da gasolina praticadas nas refinarias do Brasil em relação aos preços internacionais que tem oscilado entre 30% a 70% a depender do dia visto ao longo dos quatro primeiros meses de 2026.

A própria elevação do E30 para o E32 deverá neutralizar a necessidade de importação de, ao menos, 1,76 bilhão de litros em 12 meses de gasolina A. Além disso, a Safras & Mercado alerta que a elevação do blend de anidro e gasolina de 27% para 30% deverá neutralizar a importação de 2,64 bilhões de litros em 12 meses. Isso, somado à neutralização de mais 1,76 bilhão de litros em 12 meses da elevação do E30 para E32, o resultado final será a neutralização de 4,40 bilhões de litros de importação de gasolina A em 12 meses com a elevação acumulada do E27 para o E32, o que, em tese, tem a capacidade de deixar o Brasil autossuficiente em gasolina A em um ano.

Pela ótica do açúcar, essa questão soma mais um vetor de força sobre o mesmo na Bolsa de Nova York onde podemos enumerar os seguintes vetores de influência sobre a quinta e última semana de abril e a primeira de maio: Os fatores de alta que têm impactado o açúcar bruto em Nova York ao longo desta semana estão relacionados aos novos dados de oferta e demanda mundial publicados pelo USDA relativos a safra nova 2026/27 e podem ser enumerados em:

  1. queda de 2,97% na produção do Brasil (com um corte de 1,30 milhão de toneladas, saindo de 43,80 para 42,50 milhões de toneladas);
  2. queda de 1,47% nas exportações do Brasil que deverão sair de 34,10 para 33,60 milhões de toneladas, com um corte de 501 mil toneladas;
  3. queda de 9,53% na demanda interna do Brasil que deverá sair de 9,94 para 9 milhões de toneladas, com um corte de 948 mil toneladas;
  4. Queda de 15,62% na produção da Tailândia que deverá recuar de 11,25 para 9,50 milhões de toneladas, com um corte de 1,75 milhão de toneladas;
  5. Queda de 14,29% nas exportações da Tailândia, que deverão recuar 1,00 milhão de toneladas, saindo de 7 milhões para 6 milhões de toneladas.

Já os vetores de queda no mercado se relacionam aos dados da China publicados pelo USDA, também relativos a safra nova 2026/27 como:

  1. Alta de 69,39% nos estoques iniciais da safra nova, com acréscimo de 1,14 milhão de toneladas, com os volumes saindo de 1,63 para 2,78 milhões de toneladas;
  2. Alta de 0,79% na produção da China, que deverá sair de 12,60 para 12,70 milhões de toneladas;
  3. Estabilidade na demanda interna em 15,80 milhões de toneladas;
  4. Alta de 44,56% nos estoques finais da safra nova, com ganhos em volume de 1,24 milhão de toneladas, os quais deverão sair de 2,78 para 4,02 milhões de toneladas; estabilidade nas importações da China em 4,50 milhões de toneladas.
Maurício Muruci, de Safras & Mercado

*Maurício Muruci é especialista em açúcar, etanol e biodiesel da Safras & Mercado, com mais de 15 anos de experiência em análises econômicas e consultoria para mercados agrícolas


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

O post Etanol: aumento para o E32 deverá elevar a demanda de anidro em 1,76 bilhão de litros em 12 meses apareceu primeiro em Canal Rural.



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *