Quatro pessoas morreram em decorrência das tempestades que atingem o estado de Pernambuco.
De acordo com o governo do estado, uma mulher e o filho, de 6 anos, foram soterrados na região metropolitana do Recife. Em Olinda, uma mãe e seu bebê também vieram a óbito em um deslizamento de barreira.
Até o momento, a Defesa Civil de Pernambuco registra um total de 422 pessoas desabrigadas e 1.068 pessoas desalojadas. Além disso, 342 vítimas foram resgatadas.
O órgão também informa que tem oferecido serviços emergenciais e já entregou materiais de ajuda humanitária: 150 colchões, 300 lençóis e 38 kits de limpeza, ao município de Goiana.
O governo federal, via Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), já reconheceu a situação de emergência e mobilizou equipes da Defesa Civil Nacional para dar suporte técnico à região atingidas pelos temporais.
A pasta informou que, além de Pernambuco, o governo vai apoiar o estado da Paraíba, que também tem sofrido com os temporais nas últimas 48 horas.
Como agir
Em períodos de chuva forte, os órgãos de defesa civil orientam a evitar áreas de risco como encostas, barreiras, margens de rios ou locais com histórico de deslizamentos. Assim como regiões alagadas, que não devem ser atravessadas a pé ou de carro.
Em situações de risco, deve-se procurar abrigo seguro fora das áreas comprometidas ou buscar abrigo indicado pela Defesa Civil do município.
Durante as tempestades com relâmpagos, áreas abertas devem ser evitadas.
A população também pode solicitar ajuda por meio dos seguintes telefones úteis:
Defesa Civil: 199
Bombeiro Militar: 193
SAMU: 192
Polícia Militar: 190
Alertas
O cidadão pode se cadastrar para receber alertas da Defesa Civil local, sobre a possibilidade de ocorrência de desastres e de eventos adversos, acompanhados de recomendações ou ações emergenciais para a população em situação de risco.
Por meio do WhatsApp (61) 2034-4611 ou pelo link, o acesso ao serviço é gratuito e ocorre imediatamente, após o cadastro do telefone. Em seguida, é preciso interagir com o chatbot (robô de atendimento), enviando um simples “Oi”. O usuário poderá compartilhar a localização atual para receber as mensagens direcionadas à região.
As informações podem ajudar tomar decisões com antecedência.
Foto: Divulgação/Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo
Em maio de 2026, o setor citrícola paulista marca um marco decisivo na defesa sanitária: completa-se um ano da vigência da Resolução SAA nº 24/2025, que proibiu em todo o estado a produção, o comércio, o plantio e o transporte da murta (Murraya paniculata).
A medida, que completa seu primeiro aniversário legislativo este mês, é a ponta de lança da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) para tentar frear o avanço do greening (HLB), a doença mais devastadora da citricultura mundial.
A murta, embora popular no paisagismo urbano por seu aroma e resistência, é a “casa favorita” do psilídeo (Diaphorina citri), o inseto vetor da bactéria causadora do greening.
Como a planta não costuma receber os tratamentos químicos feitos nos pomares comerciais, ela acaba funcionando como um reservatório e centro de disseminação da praga para as laranjeiras de todo o cinturão citrícola.
Fiscalização e rigor sanitário
A Defesa Agropecuária de São Paulo tem reforçado, por meio de seus canais digitais, que a proibição não é apenas para novos plantios. A normativa determina a eliminação obrigatória das murtas existentes em áreas urbanas e rurais.
O descumprimento das normas acarreta penalidades previstas no Decreto Estadual nº 45.211/2000.
Segundo o órgão, o foco da fiscalização tem sido viveiros e o comércio de mudas, mas a colaboração da população é considerada vital. “A conscientização do morador de cidade é tão importante quanto o rigor do produtor no campo”, afirma a pasta em comunicado.
O desafio do greening
Dados recentes do Fundecitrus apontam que a incidência da doença no cinturão citrícola (SP e Triângulo Mineiro) atingiu níveis recordes nos últimos anos, beirando os 48% em 2025.
Sem cura, a única forma de controle é a prevenção: a erradicação de plantas doentes e, crucialmente, a eliminação de hospedeiras como a murta.
A recomendação para quem possui a planta em jardins ou calçadas é a substituição por espécies nativas ou ornamentais que não ofereçam risco à agricultura, garantindo que o estado de São Paulo mantenha sua liderança global na produção de suco de laranja.
Estive na Agrishow com o Ingo Plöger, presidente da Associação Brasileira de Agronegócio (Abag), uma das organizadoras do evento. Perguntei a ele sobre a visão e as perspectivas da feira para este ano.
Segundo Plöger, a Agrishow mantém uma visitação dentro do esperado, com quase 200 mil visitantes e todos os expositores confirmados, apresentando produtos inovadores. No entanto, ele pondera que a perspectiva de vendas deve ser menor do que a do ano passado.
Ele explica que o primeiro trimestre vem sendo marcado por forte pressão nos preços de insumos, o que gera incerteza. Ainda assim, destaca que há mobilização dos empresários para manter os negócios ativos. “Implementos menores estão rodando, mas os maiores dependem de financiamento”, afirma. Nesse cenário, segundo ele, os próprios bancos dos fornecedores têm buscado alternativas, inclusive com juros abaixo da Selic.
Plöger também critica o nível atual dos juros. Para ele, o Banco Central ainda não percebeu o impacto real desse cenário. “Esses juros exorbitantes estão prejudicando muito mais do que eles imaginam”, diz, ao fazer um apelo por maior razoabilidade na política monetária.
Ele ressalta que o Brasil continua avançando, mesmo diante das dificuldades, lembrando que muitos equipamentos têm ciclo de uso entre cinco e dez anos. Destaca ainda a resiliência dos empresários, que seguem investindo mesmo com prejuízo, mas reforça que o setor precisa de uma motivação forte e real. Nesse contexto, avalia que não é o momento para aumento de impostos nem para restrição de crédito. “Nós empresários estamos fazendo de tudo para manter essa confiança acesa”, completa.
Perguntei então se a oferta de R$ 10 bilhões anunciada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin durante a Agrishow ajuda o setor.
Plöger afirma que recebeu o anúncio com entusiasmo, mas demonstra cautela quanto à execução. Ele lembra que, no Brasil, muitas vezes grandes anúncios não se traduzem em acesso efetivo aos recursos. “Quando você chega lá, a dificuldade de colocar esse dinheiro dentro da empresa muda a história”, observa.
Para ele, o ponto central é a agilidade. Caso haja senso de urgência e praticidade por parte do governo, permitindo que os recursos cheguem a quem precisa, a medida será positiva. Caso contrário, o ceticismo permanece. Ele recorda que anúncios anteriores demoraram a se concretizar. “Ótimo que isso tenha sido anunciado, mas que chegue rápido”, conclui.
Muito bem, Ingo, presidente da Abag, sucesso — e vice-presidente Alckmin, acelera aí a liberação dos R$ 10 bilhões. O setor aprovou, mas precisa ver o dinheiro chegar.
*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
A indústria de seguros já faz as contas para mais um ano desafiador no segmento rural, em meio aos drásticos cortes da subvenção federal à contratação de cobertura securitária de áreas plantadas.
Em 2025, o governo bloqueou R$ 445,1 milhões do programa de subsídios, de R$ 1,06 bilhão previstos no orçamento original. A tesourada agravou os efeitos da escalada da Selic ao pico de 15% e de eventos climáticos extremos, que desenharam uma espécie de “tempestade perfeita” para o agronegócio.
Para tentar aplacar o baque, o mercado intensificou a pressão pela retomada do apoio público, mas ainda enfrenta incertezas sobre a reconstituição dos recursos. Como resultado, a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) agora prevê uma queda de 3,9% na arrecadação do setor com o seguro rural em 2026, após o tombo de 8,8% no ano passado, quando somou R$ 12,9 bilhões.
O desempenho esperado representa uma piora significativa em relação à expectativa anterior, de crescimento nominal de 2,3%. Também contrasta com a projeção de expansão de 5,7% nas receitas gerais com todas as linhas, o que sugere que os problemas estão concentrados no agro.
Além dos juros restritivos, a guerra no Irã imprime volatilidade aos preços das commodities e reduz as margens do produtor.
“Somando o custo de produção elevado e o endividamento em alta com a falta de apoio do governo, o produtor acaba não conseguindo comprar o seguro”, explica o presidente da Comissão de Seguro Rural da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Gláucio Nogueira Toyama, em entrevista ao Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado).
“Isso leva o mercado a adotar uma postura mais seletiva”, complementa.
Queda de braço com o governo
O cenário colocou o setor segurador em uma espécie de “queda de braços” com o governo. De um lado, as empresas ainda aguardam o pagamento de mais de R$ 300 milhões da subvenção prometida para 2025, que representa cerca de 70% do total, segundo Toyama.
As seguradoras também cobram previsibilidade para as dotações de 2026 e pressionam pela reversão dos cortes. De acordo com o executivo, ainda não houve uma reunião com o Comitê Gestor Interministerial para o Seguro Rural que definiria os parâmetros usados neste ano. “Estamos no escuro”, reclama.
Do outro lado do balcão, a gestão do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), alega restrições fiscais para justificar os bloqueios. No começo do ano, o petista vetou um trecho da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que blindava os recursos ao seguro rural contra o contingenciamento e o tornava uma despesa obrigatória. O governo afirma que a medida reduziria a flexibilidade na execução do orçamento. Procurado, o ministério da Agricultura não respondeu aos questionamentos da reportagem.
Enquanto persiste a incerteza, o Brasil continua a registrar forte retração na proporção de cultivos cobertos por seguro. Segundo a CNSeg, a área agrícola segurada despencou de 13,7 milhões de hectares no começo desta década para pouco mais de 3 milhões em 2025, o que representa apenas 3,3% no total.
Para efeito de comparação, nos EUA, em torno de 227 milhões de hectares estão protegidos, conforme dados da National Crop Insurance Services Serviços Nacionais (NCIS, associação americana que representa o setor).
Ciclo vicioso
O principal risco gerado pela falta de acesso ao seguro rural é o de que se deflagre um “ciclo vicioso” no agronegócio, alerta o vice-presidente-executivo de Riscos e Operações na seguradora Newe Seguros, Rodrigo Motroni. Sem a cobertura, o produtor que enfrenta perdas não consegue renegociar dívidas, reduz investimentos e fica mais exposto na safra seguinte.
“O produtor que já tem custos muito alta precisa de ajuda estatal para fazer a contratação do seguro”, afirma o executivo. Para Motroni, o seguro rural precisa ser tratado como uma política de estado, que traga mais previsibilidade aos subsídios.
Ele também cita casos no exterior que comprovam a necessidade de um apoio público. “O programa de subvenção chinês investe algo da ordem de US$ 10 bilhões [no seguro rural] e a gente não consegue chegar nem a R$ 1 bilhão”, compara.
Nos últimos meses, o setor vem articulando em Brasília a criação de mecanismos para tornar a subvenção mais perene. A CNSeg propõe, em particular, a estruturação de fundo de estabilização, que permitiria compensar anos de alta sinistralidade e reduzir a volatilidade dos prêmios.
Congresso discute projeto de lei
O tema está em discussão no Congresso. Em dezembro, a Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) aprovou um projeto de lei, de autoria da senadora Tereza Cristina, que busca impedir o contingenciamento de recursos do programa.
O texto propõe alterar a natureza da despesa com os subsídios, de discricionária para obrigatória. Também permite ao governo promover incentivos para a contratação do seguro, como juros mais baixos. “Esse projeto de lei vem para ajudar a criar mais previsibilidade”, comenta Motroni.
Toyama, da FenSeg, também considera a aprovação do projeto de lei importante para pavimentar a recuperação do seguro rural. Segundo ele, representantes do setor estão trabalhando diretamente com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), no Congresso, para evitar novos cortes na subvenção.
“Com isso, em 2027. possivelmente teremos uma melhora nas condições para os produtores”, destacou.
Uma pesquisa feita na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP aliou técnicas de visão computacional e deep learning, um campo da inteligência artificial que tem se desenvolvido aceleradamente, para automatizar a identificação de vespas que podem ser usadas como controle biológico na agricultura.
Usando um banco de dados de mais de 3 mil imagens em alta resolução, a técnica identificou vespas parasitoides por família com alta precisão.
O estudo, apresentado como dissertação de mestrado de João Manoel Herrera Pinheiro, tem potencial para revolucionar o trabalho de especialistas em taxonomia, ciência que classifica, identifica, nomeia e organiza os seres vivos em categorias, na descrição e catalogação de insetos, ajudando também na contenção de pragas.
Essencial para o monitoramento eficaz da biodiversidade, para as pesquisas ecológicas e estratégias de controle biológico, a identificação taxonômica precisa é um trabalho de especialistas que realizam comparações detalhadas para construir o catálogo de seres vivos do qual a biologia depende.
No entanto, o trabalho exige profissionais extremamente qualificados, e, por seu método de comparação manual, consome bastante tempo dos cientistas.
Biólogos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) realizaram o trabalho em parceria com o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) dos Hymenoptera Parasitoides da Região Sudeste (Hympar/Sudeste), que reúne uma coleção de mais de 600 mil espécies de vespas.
“O foco do meu trabalho foi na identificação de vespas parasitoides, da família Ichneumonidae. Essa superfamília é o grupo mais diverso da ordem Hymenoptera, que contém as abelhas, formigas e vespas não-parasitoides, dentro do qual diversas espécies ainda não foram descritas”, diz João Pinheiro.
Ele explica que, por ser o maior grupo, esses invertebrados são abundantes e às vezes muito parecidos, o que aumenta a complexidade no trabalho do entomologista, que é quem identifica e estuda os insetos.
Inventário dos insetos
Apesar de os insetos representarem cerca de metade da biomassa global, cerca de 80% de espécies ainda não são conhecidas, gerando impactos diretos na conservação e em práticas de controle biológico.
De acordo com o pesquisador, o inventário de insetos ainda está incompleto, e essa lacuna na taxonomia, somada ao declínio global das espécies provocado pela ação humana, impacta diretamente o bem-estar humano.
Os insetos têm funções ecossistêmicas cruciais, que incluem polinização, manutenção da saúde de ecossistemas agrícolas, controle natural de pestes e decomposição de matéria orgânica.
“Com esse trabalho eu consegui aprender bastante sobre a importância das vespas. Foi gratificante ver como a engenharia e a inteligência artificial podem ajudar em outras áreas ”, conta.
Tecnologia a favor da ciência
Foto: “Dataset of Parasitoid Wasps and Associated Hymenoptera” (DAPWH)
Nesse sentido, a aplicação do deep learning propõe a utilização de modelos computacionais compostos de múltiplas camadas de processamento para “aprender” a partir de representações que usam dados abstratos, como imagens.
A tecnologia ganhou destaque nos últimos anos e já se aplica em diversas áreas, mas avançou de forma mais lenta no monitoramento de invertebrados e nas pesquisas em biodiversidade. Somente na última década o aprendizado computacional profundo começou a transformar os campos da entomologia e ecologia.
Marcelo Becker, coordenador do Centro de Robótica da USP, docente da EESC e orientador do estudo, reforça que esse trabalho pode poupar muito tempo de especialistas.
“Existe todo um ciclo em que a pessoa pesquisadora coloca armadilhas na mata ou na área de cultivo, coleta os insetos através de redes, coloca todos em receptáculos, manda para a universidade e reserva no frigorífico. Tirando dali, começa a separação entre o que é mosca, formiga, vespa. É preciso um especialista com anos de formação”, explica Becker.
Ele também ressalta que, com esse sistema, seja possível, através da imagem, identificar automaticamente o animal dentro da família, gênero ou espécie, o que deixa o especialista alocado em uma tarefa menos mecânica.
Uma nova ‘visão’
A proposta foi usar aprendizado profundo para que o computador reconhecesse estruturas visuais, com foco em características biologicamente relevantes, como padrões na nervação das asas e no formato da cabeça e do corpo dos insetos.
O material biológico utilizado no estudo foi cedido pela coleção taxonômica DCBU da UFSCar e o conjunto de dados Dataset of Parasitoid Wasps and Associated Hymenoptera (DAPWH), com 3.556 imagens em alta resolução que foram utilizadas para treinar o algoritmo e estão disponíveis publicamente.
“O modelo, de fato, aprendeu a identificar morfologias do inseto. Então, por exemplo, para uma família específica, a rede neural teve mais ativação na asa, ou seja, podemos dizer que o modelo ‘enxergou’ a asa para fazer aquela predição”, diz o autor do estudo.
“Poderíamos especular que o modelo possa vir a ‘enxergar’, no futuro, detalhes que o ser humano não não consegue diferenciar, afinal, nossa visão é limitada dentro do espectro de luz e o computador pode acessar uma faixa mais ampla e encontrar padrões que nós ainda não identificamos”, completa.
Biomimética: tecnologia inspirada na natureza
Foto: “Dataset of Parasitoid Wasps and Associated Hymenoptera” (DAPWH)
As vespas estudadas, majoritariamente nativas brasileiras, são conhecidas por parasitar outros insetos considerados pragas nas plantações. João Manoel Pinheiro, autor da dissertação, explica que essa família de vespas, por ser um grupo pouco explorado em temas de pesquisas, apresenta pouco uso em controle biológico.
“Pense que, ao invés de usar um defensivo agrícola numa plantação de mandioca ou de couve, por exemplo, a vespa, por causa do seu próprio ciclo de parasitismo, consegue matar as pragas dessas plantações, que geralmente são larvas de borboletas, utilizando as larvas para fechar o ciclo reprodutivo delas. É um controle biológico natural”, afirma João Manoel Pinheiro.
Marcelo Becker enfatiza que o acervo disponibilizado pela professora Angélica Maria Penteado-Dias, da UFSCar, foi essencial no potencial de aplicação da pesquisa para a agricultura. Constituído por fotografias de alta qualidade desse tipo de vespa parasitária, o conjunto de dados foi um diferencial.
“O acervo com que trabalhamos é muito específico: um tipo de vespa importante para fazer o controle biológico de pragas em diferentes culturas agrícolas.”
Ele conta que a professora explicou que há vespas que ajudam a controlar pragas na mandioca, cana-de-açúcar, café e muito mais.
“A importância e aplicabilidade dessa pesquisa para a agricultura está na alternativa mais sustentável ao uso de inseticidas e pesticidas, que constitui um impacto muito favorável”, conclui Becker.
O orientador da pesquisa reforça também que é muito importante fazer o reconhecimento de insetos no Brasil, uma vez que muitas espécies ainda não conhecidas podem ter aplicações nos mais diversos campos da economia e oferecer alternativas verdes para o desenvolvimento da sociedade.
*Sob supervisão de Hildeberto Jr.
*Com informações do Jornal da USP/Sthephany Oliveira
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Foto: Divulgação
Segundo o presidente da Agrishow 2026, João Marchesan, o evento tem ampliado a integração entre produtores e indústria. “Mais do que apresentar tecnologia, a feira cria conexões concretas entre indústria e produtores, facilitando o acesso a soluções que cabem na realidade de cada perfil, do pequeno ao grande produtor. O que vemos aqui são inovações que transformam as pequenas propriedades em grandes e essenciais fornecedores de alimentos para o Brasil”, afirmou.
A adoção de tecnologias tem contribuído para ganhos de produtividade entre pequenos produtores. A Thunderstruck AG apresentou soluções voltadas à debulha, como os côncavos Razor’s Edge, que ampliam a velocidade de colheita e reduzem perdas de grãos. Já a AGI Brasil levou ao evento uma unidade compacta de silo, voltada a pequenos e médios produtores, com sistema de carga e descarga por correia para otimizar operações e preservar a qualidade dos grãos.
No campo da gestão, a TOTVS destacou sistemas para multicultivo e bioenergia, incluindo soluções de integração de processos produtivos. A PwC Agtech Innovation promoveu um painel sobre o uso de inteligência artificial no setor, abordando impactos na produtividade e desafios de implementação.
O conjunto de iniciativas apresentadas reforça o papel da tecnologia como instrumento de apoio à agricultura familiar, ampliando a eficiência produtiva e a integração dos pequenos produtores às cadeias do agronegócio.
Palácio do Planalto na Praça dos Três Poderes em Brasília | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Sob o olhar da sociologia e da antropologia, o governo entende que o brasileiro se guia pela “ética do afeto”. Aliados estratégicos já mapearam que existe uma tendência instintiva no povo em proteger quem parece ser o elo mais fraco (o underdog) diante de um sistema que o sabota.
A intenção agora é clara: transformar cada bloqueio do Congresso Nacional em uma peça de marketing político.
A rejeição de Jorge Messias é o exemplo central. Messias, um nome de perfil técnico e evangélico, contava com a simpatia inclusive de alas do Supremo Tribunal Federal (STF). Sua derrubada será usada para mostrar que o Congresso não barra apenas o governo, mas nomes qualificados que buscam o equilíbrio institucional.
A gestão da traição como ferramenta política
A narrativa que está sendo desenhada nos bastidores foca em um conceito poderoso: a “traição do sistema”.
O plano é fazer a população perceber que o Congresso age por interesses próprios, enquanto o Executivo tenta cumprir suas promessas. É aqui que surge o uso estratégico do ditado: “Todos gostam da traição, mas ninguém quer o traidor”.
Ao rotular o Legislativo como o “traidor” das expectativas do povo, o governo busca se posicionar como o único lado que, embora atacado, permanece fiel ao brasileiro comum. Na moralidade das ruas, o traidor do país é a figura que o Planalto quer que o Congresso encarne.
A esquiva estratégica: o gator dosimetria
O exemplo mais recente desse xadrez é o silêncio proposital de Lula sobre o projeto da dosimetria.
Ao deixar o prazo de 48 horas expirar para que a tarefa da promulgação recaia sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, o governo faz um movimento calculado.
Lula sabe que o país está rachado: uma metade clama por anistia, enquanto a outra exige rigor. Ao se recusar a assinar, o presidente se esquiva de uma decisão impopular para parte do país e reforça a tese de que o Congresso está forçando uma pauta que ele não apoia.
É a “vitimização” transformada em omissão estratégica para manter o discurso de mãos atadas.
O jovem e o sentimento de “futuro cancelado”
Essa estratégia mira diretamente o público jovem, movido pela indignação digital.
Aliados do governo acreditam que, ao mostrar o Congresso como o entrave para pautas de desenvolvimento, podem canalizar a frustração dessa geração. O objetivo é fazer o jovem sentir que seu futuro está sendo “cancelado” por parlamentares que jogam contra o progresso em benefício de pautas corporativistas.
O fator religioso: a perseguição a um “irmão”
A rejeição de um nome evangélico querido por seus pares e respeitado por magistrados também evangélicos no Judiciário será o combustível para tentar furar a bolha religiosa.
A narrativa que deve ganhar as redes sociais questionará: “Por que o sistema tem tanto medo de um evangélico preparado no poder?”.
Essa tática busca transformar um veto político em uma percepção de perseguição identitária, tentando reconectar o governo a uma base que preza pela representatividade.
A pena que vira voto: o mártir estratégico
A antropologia das emoções mostra que o ser humano é empático com a dor do perseguido.
Se o governo conseguir consolidar a imagem de um presidente impedido de agir, o sentimento de pena pode se transformar em capital político. O plano do Planalto é simples: fazer o povo acreditar que o que Brasília chama de “vitória do Congresso” é, na verdade, uma crueldade contra o cidadão.
No fim, a ideia é que o Legislativo acabe entregando, involuntariamente, o papel do líder que sofre para tentar proteger o país.
Resta saber: será que este plano vai dar certo? Vamos esperar para ver.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
Os produtores rurais paulistas vêm ampliando o uso de capital próprio e crédito rural para financiar atividades nas propriedades, o que indica mudanças no comportamento financeiro no campo. Dados da 9ª Pesquisa ABMRA Hábitos do Produtor Rural indicam que o uso de recursos próprios para capital de giro passou de 78%, em 2021, para 84%, em 2025.
No mesmo período, o crédito rural também ampliou participação entre as fontes de financiamento, passando de 8% para 17%.
O movimento também aparece na compra de equipamentos agrícolas, como tratores, colheitadeiras e implementos. Em 2021, 59% dos produtores utilizavam recursos próprios para esse tipo de investimento. Em 2025, o índice chegou a 79%.
Segundo a Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA), os dados apontam mudanças na gestão das propriedades e no processo de decisão do produtor.
“O produtor rural paulista está mais protagonista e criterioso nas suas decisões, inclusive financeiras. Para as marcas, isso exige uma comunicação mais conectada à realidade do campo, baseada em dados, confiança e entrega de valor”, afirma o presidente da ABMRA, Ricardo Nicodemos.
Mudança na gestão
A pesquisa aponta maior participação do produtor na condução financeira dos negócios e sinaliza mudanças na relação entre empresas do setor e o público rural.
Com maior presença do capital próprio no financiamento da atividade, cresce o peso da gestão e da tomada de decisão dentro das propriedades.
O levantamento também mostra que questões climáticas concentram atenção dos produtores paulistas.
Segundo a pesquisa, 99% dos entrevistados avaliam que mudanças climáticas terão impacto sobre a produção, seja por secas prolongadas, chuvas intensas ou variações de temperatura.
O clima aparece como principal preocupação para 68% dos produtores ouvidos. Na sequência estão custos de produção, com 41%, e comercialização, com 33%.
Barreiras para adoção de tecnologias
Apesar da percepção sobre a necessidade de adaptação, a pesquisa aponta obstáculos para adoção de tecnologias de manejo.
Entre os entrevistados, 28% classificam como altas ou muito altas as barreiras para implementar essas soluções. Entre os fatores citados estão o custo elevado, a falta de informação, a limitação de apoio técnico, o acesso restrito a recursos e as incertezas quanto aos resultados.
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos divulgou novos dados sobre o desempenho do setor durante coletiva realizada na Agrishow 2026, indicando crescimento no consumo e avanço na utilização da capacidade produtiva. Segundo a entidade, o consumo de máquinas e equipamentos aumentou 1,2% em março de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior, enquanto as importações atingiram US$ 3,1 bilhões, o maior valor da série histórica iniciada em 1999.
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, as importações cresceram 21,4% em março, impulsionadas pela expansão de componentes e de máquinas voltadas à extração de petróleo. No acumulado do primeiro trimestre, a alta de 4,2% foi associada à demanda por máquinas rodoviárias e equipamentos para movimentação e armazenamento de materiais, com avanços de 20% e 28%, respectivamente.
O nível de utilização da capacidade instalada também apresentou elevação. Em março de 2026, o índice alcançou 79,9%, avanço de 1,4% em relação a fevereiro e de 2,3 pontos percentuais frente ao mesmo período do ano anterior, quando estava em 77,6%, indicando operação próxima a 80% do potencial produtivo.
No mercado de trabalho, o setor registrou a criação de 122,594 mil empregos nos últimos 12 meses, crescimento de 6,5% na comparação com o período anterior. Para o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, Pedro Estevão Bastos de Oliveira, as empresas têm buscado manter seus quadros. “O setor fala muito sobre a necessidade de ampliar em 30% as exportações de alimentos. No entanto, isso passa diretamente pela expansão da área plantada e, consequentemente, pela venda de máquinas. Por isso, a avaliação é de que o momento atual seja passageiro. Uma mão de obra já treinada e qualificada dificilmente será dispensada”, afirmou.
Os dados apresentados reforçam a leitura da entidade de que, apesar de oscilações nas vendas, o setor mantém expectativa de melhora no curto prazo, sustentada pela demanda por equipamentos e pela manutenção da força de trabalho.
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Foto: Divulgação
A presença feminina no agronegócio brasileiro ganhou espaço estruturado na programação da Agrishow, com a realização do projeto Agrishow Pra Elas, voltado à valorização da atuação das mulheres no setor. A iniciativa reúne produtoras, gestoras e lideranças empresariais, ampliando a visibilidade de um movimento que, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, já representa 37,9% dos postos de trabalho no campo. Levantamento do Embrapa aponta ainda que mulheres lideram 19% dos estabelecimentos rurais no país.
Durante o evento, o espaço dedicado às mulheres promove encontros entre profissionais de diferentes áreas do agronegócio, conectando experiências que vão da gestão de propriedades à atuação em grandes empresas. A proposta é ampliar o intercâmbio de conhecimento e incentivar a participação feminina em posições estratégicas.
O presidente da Agrishow, João Marchesan, afirmou que a iniciativa consolida o papel do evento para além da apresentação de tecnologias. “Ao integrar essa agenda à sua programação, a Agrishow reforça seu papel não apenas como palco de lançamentos tecnológicos, mas como um ambiente de construção de futuro. Nesse cenário, o Agrishow Pra Elas deixa de ser uma iniciativa complementar e se afirma como um símbolo de uma mudança estrutural, um indicativo claro de que o avanço das mulheres no agronegócio não é pontual, mas parte de uma transformação consistente e, sobretudo, essencial para a competitividade e o desenvolvimento do campo brasileiro”, disse.
Os encontros realizados no espaço destacam trajetórias de mulheres que atuam diretamente na produção rural e na gestão de negócios, abordando também desafios como o acesso a crédito e a presença em cargos de liderança. A programação busca ampliar a participação feminina no setor e estimular novas iniciativas voltadas à equidade no agronegócio.