Alckmin promete R$ 10 bilhões na Agrishow — agora é acelerar para o dinheiro chegar

Estive na Agrishow com o Ingo Plöger, presidente da Associação Brasileira de Agronegócio (Abag), uma das organizadoras do evento. Perguntei a ele sobre a visão e as perspectivas da feira para este ano.
Segundo Plöger, a Agrishow mantém uma visitação dentro do esperado, com quase 200 mil visitantes e todos os expositores confirmados, apresentando produtos inovadores. No entanto, ele pondera que a perspectiva de vendas deve ser menor do que a do ano passado.
- Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!
Ele explica que o primeiro trimestre vem sendo marcado por forte pressão nos preços de insumos, o que gera incerteza. Ainda assim, destaca que há mobilização dos empresários para manter os negócios ativos. “Implementos menores estão rodando, mas os maiores dependem de financiamento”, afirma. Nesse cenário, segundo ele, os próprios bancos dos fornecedores têm buscado alternativas, inclusive com juros abaixo da Selic.
Plöger também critica o nível atual dos juros. Para ele, o Banco Central ainda não percebeu o impacto real desse cenário. “Esses juros exorbitantes estão prejudicando muito mais do que eles imaginam”, diz, ao fazer um apelo por maior razoabilidade na política monetária.
Ele ressalta que o Brasil continua avançando, mesmo diante das dificuldades, lembrando que muitos equipamentos têm ciclo de uso entre cinco e dez anos. Destaca ainda a resiliência dos empresários, que seguem investindo mesmo com prejuízo, mas reforça que o setor precisa de uma motivação forte e real. Nesse contexto, avalia que não é o momento para aumento de impostos nem para restrição de crédito. “Nós empresários estamos fazendo de tudo para manter essa confiança acesa”, completa.
Perguntei então se a oferta de R$ 10 bilhões anunciada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin durante a Agrishow ajuda o setor.
Plöger afirma que recebeu o anúncio com entusiasmo, mas demonstra cautela quanto à execução. Ele lembra que, no Brasil, muitas vezes grandes anúncios não se traduzem em acesso efetivo aos recursos. “Quando você chega lá, a dificuldade de colocar esse dinheiro dentro da empresa muda a história”, observa.
Para ele, o ponto central é a agilidade. Caso haja senso de urgência e praticidade por parte do governo, permitindo que os recursos cheguem a quem precisa, a medida será positiva. Caso contrário, o ceticismo permanece. Ele recorda que anúncios anteriores demoraram a se concretizar. “Ótimo que isso tenha sido anunciado, mas que chegue rápido”, conclui.
Muito bem, Ingo, presidente da Abag, sucesso — e vice-presidente Alckmin, acelera aí a liberação dos R$ 10 bilhões. O setor aprovou, mas precisa ver o dinheiro chegar.

*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
O post Alckmin promete R$ 10 bilhões na Agrishow — agora é acelerar para o dinheiro chegar apareceu primeiro em Canal Rural.

