segunda-feira, junho 8, 2026

Autor: Redação

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China reconhece todo o Brasil como livre de febre aftosa


China reconhece Brasil como livre de febre aftosa

A China reconheceu todo o território brasileiro como livre de febre aftosa, segundo nota conjunta divulgada nesta segunda-feira (2) pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE). A decisão foi anunciada por ocasião da visita do ministro Mauro Vieira a Pequim e ocorre após mais de 20 anos de negociação entre os dois países. De acordo com o comunicado, a medida amplia oportunidades para exportações de produtos bovinos e suínos do Brasil ao mercado chinês.

Segundo a nota oficial, o reconhecimento sanitário abre espaço para embarques de itens como miúdos e carne com osso, segmentos que dependem de habilitação e aceitação sanitária do país importador. O comunicado não detalha, porém, prazos para novos acessos comerciais, volume potencial de embarques ou lista específica de produtos que poderão ser ampliados a partir da decisão.

O tema tem peso para a pauta exportadora do agronegócio brasileiro. Ainda conforme o texto conjunto de Mapa e MRE, as exportações do agronegócio do Brasil para a China superaram US$ 50 bilhões em 2025. A decisão, portanto, se insere em um fluxo comercial já consolidado e pode ampliar o alcance sanitário de cadeias ligadas à pecuária bovina e suína.

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O avanço ocorre na sequência do Memorando de Entendimento assinado entre o Mapa e a Administração-Geral de Aduanas da República Popular da China durante a missão presidencial ao país asiático, em maio de 2025. Segundo a nota, o documento reforçou o diálogo sanitário e fitossanitário entre os dois governos e contribuiu para o andamento de tratativas de interesse do setor agrícola brasileiro.

Na prática, o reconhecimento do status sanitário é um requisito técnico para o comércio internacional de proteína animal. A medida pode melhorar as condições de negociação para frigoríficos e exportadores, mas os efeitos sobre fluxo de vendas, preços e habilitações específicas ainda dependem de etapas operacionais e regulatórias que não foram detalhadas no anúncio.

Até o momento, a informação oficial disponível indica o reconhecimento sanitário do território brasileiro pela China e a ampliação de oportunidades comerciais. Não foram informados, na nota divulgada nesta segunda-feira (2), cronograma de implementação, novas plantas habilitadas ou estimativa de impacto nas exportações.

Fonte: gov.br

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Inadimplência rural sobe para 8,2% e amplia debate sobre renegociação


Tereza Cristina diz que PL das dívidas rurais trata de R$ 170 bilhões

Dados recentes da Serasa Experian mostram que a inadimplência da população rural encerrou 2025 em 8,2%, acima dos 7,2% registrados no mesmo período de 2024. O avanço ocorre em meio à discussão do Projeto de Lei 5.122/2023, que prevê renegociação de dívidas rurais e avançou na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. O debate também envolve divergências sobre juros, exigência de entrada e uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal.

O levantamento da Serasa Experian considera dívidas vencidas há mais de 180 dias junto a empresas ligadas ao agro, como bancos, transportadoras e seguradoras. Segundo o estudo, a maior parte das pendências segue concentrada no sistema financeiro, o que reforça a relação entre endividamento rural e acesso ao crédito.

Por perfil, os arrendatários apresentaram o maior nível de inadimplência, com 9,9%. Na sequência aparecem os produtores de grande porte, com 9,8%, os médios, com 8,3%, e os pequenos, com 7,8%.

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Os dados do Banco Central, referentes a abril de 2026, mostram que a inadimplência nas operações de crédito rural com recursos direcionados chegou a 7,4%, o segundo maior nível desde 2011, início da série histórica citada. No crédito rural com taxas de mercado, o índice foi de 13,3%. Já nas operações com taxas reguladas, a inadimplência ficou em 3,1%.

Nesse cenário, o PL 5.122/2023 passou pela CAE do Senado, mas enfrenta resistência do Executivo. Um dos pontos de divergência é o desenho da linha especial de renegociação. A proposta defendida pelo governo previa entrada entre 10% e 20% e juros de 6% a 12%. O texto aprovado pela comissão retirou a exigência de entrada e fixou juros entre 3,5% e 7,5%.

Segundo o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), a bancada pretende atuar para manter o texto aprovado no Senado e avançar com a proposta na Câmara.

Os indicadores mostram deterioração no quadro de pagamento de dívidas no campo e ajudam a explicar a pressão por uma solução legislativa. O efeito prático sobre produtores e agentes financeiros dependerá da tramitação do projeto e de eventual apresentação de medida alternativa pelo Executivo, já que ainda não há definição final sobre as regras de renegociação.

Fonte: agencia.fpagropecuaria.org.br

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Tecnofam 2026 reúne cultivares da Embrapa para agricultura familiar em Dourados


Embrapa apresenta cultivares de arroz e feijão na Tecnofam, em Mato Grosso do Sul

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Milho e Sorgo participará da Tecnofam 2026, entre terça-feira (9) e quinta-feira (11), em Dourados (MS), com a apresentação de cultivares voltadas à agricultura familiar. As tecnologias serão exibidas em estações de campo implantadas na Embrapa Agropecuária Oeste. O foco é ampliar o acesso de produtores a materiais adaptados a sistemas de produção de menor investimento e a condições de risco climático.

Entre os destaques está o milho híbrido top-cross BRS 2107, indicado para produção de grãos em lavouras de baixo e médio custo. Segundo a Embrapa, o material tem ciclo precoce-normal, baixa porcentagem de acamamento e quebramento e adaptação para safra e segunda safra em todo o país. A recomendação inclui regiões e épocas de maior risco, como a safrinha tardia, mais sujeita à escassez hídrica.

Outro material em exposição será o milho híbrido triplo BRS 3046, destinado ao mercado de milho verde, com possibilidade de uso também para grãos e silagem. A cultivar é recomendada para Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste e parte do Paraná. De acordo com a Embrapa, o híbrido é superprecoce, tem florescimento masculino em 60,5 dias, espigas com comprimento médio de 18 centímetros e produtividade média de 30 mil a 40 mil espigas por hectare.

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A programação inclui ainda o milho biofortificado BRS 4104, com teores de carotenoides precursores de vitamina A entre 2,5 e 3,2 vezes superiores aos do milho comum, além do milheto BRS 1502, recomendado para sucessão de culturas, áreas com deficiência hídrica e altas temperaturas no Centro-Oeste, Sudeste e norte do Paraná.

No segmento de forragem, a Embrapa levará o sorgo forrageiro BRS 661, indicado para silagem de baixo custo. O material apresenta produtividade de massa verde superior a 70 toneladas por hectare, ponto de colheita entre 110 e 130 dias após o plantio e alta capacidade de rebrota.

Realizada desde 2014, a Tecnofam se consolidou como feira da agricultura familiar em Mato Grosso do Sul. O evento ocorre na Embrapa Agropecuária Oeste, na Rodovia BR-163, km 253,6, e reúne soluções tecnológicas, máquinas, implementos e serviços voltados à produção e à agroindústria familiar.

A apresentação desses materiais permite ao produtor comparar alternativas para grãos, milho verde, silagem, forragem e sistemas de sucessão em condições regionais. A adoção das cultivares depende da finalidade produtiva, da janela de plantio e do nível de investimento de cada propriedade, conforme as recomendações técnicas disponibilizadas pela Embrapa durante o evento.

Fonte: embrapa.br

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AgroNewsPolítica & Agro

Mercado de soja sente impacto da demanda por biodiesel



Valorização do óleo de soja no mercado internacional segue sustentando as cotações



Foto: Divulgação

A valorização do óleo de soja no mercado internacional segue sustentando as cotações da oleaginosa e alterando a rentabilidade da indústria de processamento nos Estados Unidos. Em maio, a forte demanda do setor de biodiesel impulsionou os preços do produto, enquanto, no Brasil, o repasse das altas externas permaneceu limitado, segundo pesquisadores do Cepea.

A alta expressiva do óleo de soja no mercado internacional ampliou a participação do produto nas margens da indústria de processamento nos Estados Unidos. O movimento foi sustentado pela forte demanda do setor de biodiesel, que segue influenciando a formação dos preços da oleaginosa. Segundo dados divulgados pelo Cepea, a valorização externa do óleo contribui para manter as cotações da soja em patamares sustentados. Esse cenário altera a composição da rentabilidade industrial, com maior peso do óleo em relação aos demais derivados.

No mercado brasileiro, o movimento internacional não tem sido repassado integralmente aos preços internos. De acordo com pesquisadores do Cepea, a pressão dos prêmios de exportação e a demanda doméstica enfraquecida limitam os efeitos das altas observadas no exterior.

Esse quadro indica um mercado interno mais cauteloso, em que compradores evitam ampliar aquisições diante de estoques já formados e menor ritmo de consumo.

O farelo de soja também apresentou valorização no mercado externo, segundo o Centro de Pesquisas. A alta foi impulsionada pela expectativa de aumento da procura internacional pelo derivado norte-americano. No Brasil, porém, os preços do farelo recuaram ao longo desta semana. De acordo com pesquisadores do Cepea, a queda foi influenciada pela retração da demanda doméstica. Grande parte dos consumidores segue abastecida e tem adquirido apenas pequenos volumes para reposição de estoques.

Impacto para o setor

O cenário mostra uma diferença clara entre o comportamento externo e o mercado brasileiro. Enquanto o óleo de soja ganha força no mercado internacional e amplia sua relevância para a indústria nos Estados Unidos, o Brasil ainda enfrenta limitações internas, com prêmios pressionados e consumo doméstico mais fraco. Para produtores, indústrias e compradores, o acompanhamento das margens, dos prêmios de exportação e da demanda por derivados segue decisivo para entender a direção dos preços da soja nas próximas semanas.

 





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Pragas quarentenárias: ameaças à soja que podem afetar sua lavoura; você sabe como agir?


pragas soja
Foto: Fernanda Farias/Canal Rural

A preocupação com a presença de pragas quarentenárias nas lavouras brasileiras levou a Aprosoja Brasil a lançar uma cartilha voltada à conscientização e ao manejo preventivo desses organismos. O material foi apresentado nesta terça-feira (2), em Brasília, às vésperas do Congresso Brasileiro dos Produtores de Soja.

Produzida em parceria com a Corteva Agriscience e com apoio técnico do professor e engenheiro agrônomo Mauro Antônio Rizzardi, a publicação busca orientar produtores sobre riscos fitossanitários que podem afetar a competitividade da soja brasileira nos mercados internacionais.

De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), pragas quarentenárias são organismos, como insetos, fungos, bactérias, vírus e plantas daninhas, que representam alto risco econômico e ameaçam a sanidade vegetal. Por isso, são alvo de controle oficial, tanto para impedir sua entrada no país quanto para erradicação e contenção quando já presentes.

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Segundo a classificação técnica apresentada por Rizzardi, essas pragas podem ser divididas em três grupos: quarentenárias ausentes, quando ainda não estão presentes no país; quarentenárias presentes, quando existem no território, mas sob controle oficial; e não quarentenárias regulamentadas, que têm impacto econômico e são controladas conforme exigências de países importadores.

Entre as principais recomendações da cartilha está o manejo outonal, prática realizada na entressafra, entre a colheita e o novo plantio. A estratégia consiste na eliminação de plantas daninhas e voluntárias que servem de abrigo para pragas e doenças, reduzindo a pressão fitossanitária sobre a próxima safra.

Para a entidade, o controle preventivo é essencial para proteger a produtividade e, também, para preservar a reputação da soja brasileira no mercado internacional. Além do lançamento da publicação, a iniciativa incluiu capacitações técnicas e ações de conscientização para produtores e consultores.

Manejo outonal e risco fitossanitário

O manejo outonal é descrito como uma “janela de segurança” no campo, voltada ao controle de plantas daninhas logo após a colheita da soja e antes da próxima safra. O objetivo é eliminar as chamadas “pontes verdes”, que mantêm pragas e doenças ativas na área.

Segundo especialistas envolvidos no material, essa prática reduz o banco de sementes de invasoras e diminui o risco de contaminação durante colheita e beneficiamento, além de contribuir para a qualidade do grão exportado.

Para Rizzardi, a introdução e disseminação de espécies vegetais no sistema produtivo é também uma questão de soberania nacional. Ele destaca que tanto a entrada quanto a saída de organismos via exportação podem afetar diretamente a competitividade do agronegócio brasileiro.

Fabrício Morais Rosa, diretor executivo da Aprosoja Brasil, diz que os episódios recentes de devolução de 20 navios pela China mostram que a conformidade fitossanitária não é opcional. “Com esta cartilha, a Aprosoja continua com o compromisso de alertar os produtores sobre a identificação equivocada de pragas quarentenárias a fim de manter em alta a reputação da soja brasileira frente aos compradores externos”, afirma.

Principais pragas quarentenárias

O Mapa lista entre as principais pragas quarentenárias:

  • Ácaro hindustânico (Schizotetranychus hindustanicus)
  • Broca-do-caroço-da-manga (Sternochetus mangiferae)
  • Cancro cítrico (Xanthomonas citri subsp. citri)
  • Cancro da videira (Xanthomonas campestris pv. viticola)
  • Cancro europeu das pomáceas (Neonectria ditissima)
  • Caruru-palmeri (Amaranthus palmeri)
  • Greening dos citros (Candidatus Liberibacter asiaticus e americanus)
  • Moko da bananeira (Ralstonia solanacearum raça 2)
  • Mosca-da-carambola (Bactrocera carambolae)
  • Vassoura-de-bruxa da mandioca (Rhizoctonia theobromae)

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Café solúvel pode ser taxado em 25% pelos EUA e preocupa setor


Imagem mostra xícara de café com a bebida em cima café moído
Foto: Freepik

A possível elevação da tarifa sobre o café solúvel brasileiro nos Estados Unidos acendeu um alerta no setor cafeeiro. Pela proposta apresentada pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) nesta terça-feira (2), o produto passaria a ser taxado em 25%, acima dos atuais 10%, a partir de 15 de julho de 2026.

A preocupação foi manifestada pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), que acompanha as discussões sobre a política comercial norte-americana.

Maior parte dos cafés ficou de fora

Embora o cenário seja considerado preocupante para o café solúvel, a entidade destaca que a maior parte dos cafés brasileiros foi incluída na lista de exceções apresentada pelo USTR.

Entre os produtos isentos da nova tarifa estão os cafés verdes, torrados, descafeinados, além de cascas, películas e diversos extratos e concentrados derivados do café.

Na avaliação da BSCA, a exclusão desses produtos da proposta é positiva para o setor exportador brasileiro.

Impacto pode atingir toda a cadeia

Apesar disso, a entidade demonstra preocupação com os reflexos que uma eventual taxação maior sobre o café solúvel pode provocar na cadeia produtiva.

Segundo a associação, a medida pode afetar diretamente a indústria brasileira de café solúvel e criar restrições ao comércio entre Brasil e Estados Unidos.

Diante do cenário, a BSCA informou que seguirá em diálogo com o governo brasileiro, entidades do setor e representantes norte-americanos para buscar a isenção também para o café solúvel.

Decisão ainda está em discussão

A proposta apresentada pelo USTR ainda não é definitiva. O processo regulatório segue em andamento e terá novos desdobramentos até 6 de julho, quando o órgão realizará uma audiência para discutir a medida.

Até lá, o setor acompanha as negociações na tentativa de evitar que o café solúvel brasileiro seja incluído na nova tarifa de 25%.

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Tarifaço dos EUA cria ‘barreira artificial’ ao etanol, alerta advogado


etanol usina cana - produção industrial - mato grosso
Foto: Canal Rural

A proposta do governo dos Estados Unidos de taxar em 25% os produtos brasileiros acende um alerta estrutural para o agronegócio nacional.

Segundo o doutor e mestre em Agronegócio e sócio do Lara Martins Advogados, André Aidar, mesmo com o fato de itens primários da pauta alimentar terem sido poupados, a medida vai muito além de uma simples disputa econômica, visto que setores-chave enfrentam o risco de perder mercados e lidar com um aumento severo de exigências documentais.

Para ele, o impacto imediato recai sobre a competitividade do etanol brasileiro nos Estados Unidos, que perde sua vantagem ligada ao diferencial ambiental. A tarifa encarece o produto na entrada do mercado norte-americano e reduz sua atratividade frente ao biocombustível produzido em solo estadunidense.

“Na prática, a tarifa funciona como uma barreira artificial: não discute apenas eficiência ou sustentabilidade, mas altera o preço relativo e pode deslocar contratos, margens e previsibilidade comercial”, considera Aidar.

O especialista lembra que o biocombustível aparece no centro da justificativa norte-americana, já que os Estados Unidos alegam tratamento desigual no acesso ao mercado brasileiro.

Sanção reputacional

Outro ponto considerado crítico pelo especialista é o uso do desmatamento ilegal como justificativa para o tarifaço. “Essa abordagem amplia o risco para cadeias que dependem de rastreabilidade, origem regular e comprovação socioambiental. Mesmo setores que já adotam boas práticas podem ser afetados por uma percepção generalizada de risco ligada ao desmatamento ilegal”, afirma.

Aidar pontua que para mercados de celulose, madeira e couro, tal impedimento significa aumento de exigências documentais, além de pressão sobre certificações, auditorias e contratos internacionais.

“O problema é que a tarifa deixa de ser apenas comercial e passa a carregar uma espécie de ‘sanção reputacional’, que pode penalizar empresas regulares por falhas de fiscalização ou por fragilidades percebidas na cadeia como um todo”, avalia o advogado.

Ao mesmo tempo, as consequências globais da taxação também preocupam. Isso porque a alteração do destino natural das exportações força as empresas a redirecionarem volumes para outros mercados. Na visão de Aidar, isso pode gerar excesso de oferta em alguns destinos, pressão sobre preços, aumento de custos logísticos e renegociação de contratos.

Em consequência disso, compradores norte-americanos podem buscar fornecedores alternativos, também pressionando preços internacionais.

O especialista ressalta que o efeito cascata não é automático nem uniforme, mas é bastante possível em cadeias integradas, como energia, fibras, madeira, couro e insumos agroindustriais.

“A consequência principal desse cenário imposto pela taxação é mais volatilidade e menos previsibilidade para produtores, indústrias e exportadores brasileiros”, conclui Aidar.

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Fiscais apreendem sementes de capim no valor de R$ 60 mil


sementes
Foto: divulgação/Sefa

Na Coordenação de Controle de Mercadorias em Trânsito de Carajás, da Secretaria da Fazenda do Pará (Sefa), no sudeste do estado, foram apreendidas, no domingo (31), sementes de capim, com origem em Tesouro, Mato Grosso e destino a Moju, Pará. A mercadoria foi avaliada em R$ 60.198,00.

A operação ocorreu no posto fiscal da Ponte do Rio Tocantins, na Rodovia BR-150, Km 423, em Marabá.

“Os fiscais realizaram a pesagem da mercadoria e foi constatado que havia uma diferença de 7.260 kg entre o peso da carga e o informado nos documentos. Além disso, foi constatado também que a mercadoria estava sendo transportada sem a nota fiscal”, explicou o coordenador Cincinato Oliveira.

Foi lavrado o Termo de Apreensão e Depósito (TAD) no valor de R$ 20.587,72 cobrando imposto e multa.

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China reconhece Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação


Foto: Divulgação.
Foto: Divulgação.

A China reconheceu oficialmente o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação. A decisão foi confirmada nesta terça-feira (2) e representa um avanço nas relações sanitárias e comerciais entre os dois países.

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, o reconhecimento é resultado das negociações conduzidas durante a missão oficial do ministro André de Paula à China, realizada em maio deste ano.

Durante os encontros com autoridades chinesas das áreas de Agricultura e Comércio, o governo brasileiro apresentou os avanços do sistema nacional de defesa agropecuária e reforçou o pedido pelo reconhecimento sanitário.

A decisão ocorre cerca de um ano após a Organização Mundial de Saúde Animal reconhecer o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação.

Para André de Paula, o reconhecimento demonstra o resultado do diálogo técnico entre os dois países.

“Hoje o dia começou com uma grande notícia. Logo no início da manhã, o ministro Mauro Vieira confirmou que a China reconheceu oficialmente o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação. Esse foi um dos principais temas que levamos como prioridade durante nossa recente missão à China”, afirmou o ministro.

Exportações podem ganhar força

O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Carlos Goulart, destacou que o reconhecimento pode ampliar o acesso de produtos brasileiros ao mercado chinês.

Segundo ele, a medida abre espaço para o avanço das discussões técnicas envolvendo produtos das cadeias bovina e suína, além de contribuir para a diversificação da pauta exportadora brasileira.

“Iniciamos 2026 com o reconhecimento, pela China, do status de país livre de encefalopatia espongiforme bovina para a carne bovina brasileira e, agora, recebemos com grande satisfação a notícia do reconhecimento do status de livre de febre aftosa sem vacinação”, afirmou.

Acordo fortalece cooperação sanitária

Durante a missão presidencial à China, realizada em maio de 2025, Brasil e China também assinaram um memorando de entendimento na área de medidas sanitárias e fitossanitárias.

O acordo foi firmado entre o Ministério da Agricultura e Pecuária brasileiro e a Administração-Geral de Aduanas da China, com foco no fortalecimento da cooperação bilateral em temas ligados à sanidade animal e vegetal.

A China é atualmente o principal destino das exportações do agronegócio brasileiro. Em 2025, as vendas do setor ao país asiático superaram US$ 50 bilhões, segundo o governo federal.

De acordo com o Ministério da Agricultura, o reconhecimento sanitário reforça a confiança nas cadeias produtivas brasileiras e fortalece a parceria estratégica entre os dois países.

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AgroNewsPolítica & Agro

Milho voltou a cair no Brasil


Ausência de compradores no mercado spot e expectativa de avanço da colheita da segunda safra pressionam as cotações em grande parte das regiões acompanhadas pelo Cepea.

Os preços do milho voltaram a recuar na maior parte das regiões acompanhadas pelo Cepea, influenciados pela ausência de compradores no mercado spot e pela expectativa de aumento da oferta com o início da colheita da segunda safra 2025/26. O movimento ocorre em um cenário de pressão interna e externa sobre as cotações.

De acordo com levantamento do Cepea, a colheita da segunda safra 2025/26 ainda está no início e se concentra nos estados do Paraná e de Mato Grosso. Mesmo assim, compradores já mantêm a expectativa de maior disponibilidade do cereal nas próximas semanas, o que tem reduzido o ritmo de negócios no mercado spot.

Segundo o Cepea, os preços atuais estão abaixo dos registrados no início da temporada 2024/25. Nas regiões de Sorriso (MT) e Norte do Paraná, as médias parciais de maio, apuradas até o dia 28, estão 11% e 8% inferiores às de maio de 2025, respectivamente, em termos nominais. Neste contexto, de acordo com pesquisadores do Cepea, compradores esperam que o avanço dos trabalhos de campo a partir de meados de junho possa provocar novas quedas nos preços. A expectativa de maior oferta tem mantido parte dos agentes afastada das negociações, reforçando a pressão sobre as cotações.

Além do cenário doméstico, o bom andamento da semeadura nos Estados Unidos também tem influenciado o mercado. Segundo o Centro de Pesquisas, esse fator pressiona os contratos futuros e limita a paridade de exportação, reduzindo a sustentação externa aos preços brasileiros.

Mesmo com adversidades climáticas em importantes regiões produtoras, as cotações não encontraram força suficiente para se sustentar nos últimos dias. Conforme apontamento do Cepea, altas temperaturas e falta de chuvas em Goiás e em partes de Mato Grosso do Sul, além de geadas no Paraná, seguem no radar do mercado.

Ainda assim, essas preocupações não foram suficientes para conter as quedas na maior parte das praças acompanhadas. A expectativa de avanço da colheita e de maior oferta continuou pesando mais sobre a formação dos preços. Apesar do recuo predominante, o mercado apresentou exceções. De acordo com o Cepea, as cotações ficaram firmes em Santa Catarina e subiram no Rio Grande do Sul, estados que praticamente finalizaram a colheita da safra verão.

Esse comportamento regional mostra que a pressão sobre os preços não ocorre de forma uniforme. Enquanto áreas ligadas ao avanço da segunda safra sentem mais diretamente a expectativa de aumento da oferta, regiões com colheita mais avançada apresentam maior sustentação.

 

 





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