Venda escalonada ganha força no mercado da soja
A recomendação é deixar apenas uma parcela da produção em aberto
Agrolink
– Leonardo Gottems

A recomendação é deixar apenas uma parcela da produção em aberto – Foto: Divulgação
A soja mantém fundamentos favoráveis, mas o momento pede disciplina comercial e proteção de margens diante de uma faixa técnica de resistência em Chicago. Segundo análise da TF Agroeconômica, produtores devem aproveitar a recuperação recente para avançar nas vendas da safra disponível e da safra nova com fixações parciais, sem concentrar toda a comercialização na expectativa de novas altas.
A recomendação é deixar apenas uma parcela da produção em aberto, como proteção contra possíveis problemas climáticos nos Estados Unidos durante a floração e o enchimento de grãos. O cuidado se deve à resistência de Chicago entre US$ 12,00 e US$ 12,10 por bushel, nível que pode limitar avanços sem novos fatores altistas.
Para cooperativas e cerealistas, a orientação é intensificar operações de comercialização e hedge enquanto os preços permanecem remuneradores. O acompanhamento diário das previsões para o Corn Belt é decisivo, pois mudanças no regime de chuvas podem ampliar a volatilidade e alterar a direção das cotações.
Indústrias e esmagadoras devem priorizar compras escalonadas, evitando concentração em períodos de maior oscilação. Também é necessário acompanhar o óleo de soja, um dos principais vetores de sustentação do complexo, apoiado pela valorização do petróleo e pelos estoques reduzidos nos Estados Unidos. Fixações parciais podem reduzir a exposição a movimentos bruscos em Chicago.
O cenário reúne demanda internacional firme, compras chinesas e esmagamento elevado nos Estados Unidos. No Brasil, câmbio, prêmios de exportação e demanda doméstica sustentam alta moderada, embora parte desse movimento possa já estar nos preços. A estratégia central é vender gradualmente, manter proteção contra riscos climáticos e evitar decisões concentradas em um único nível de mercado.

