Commodities exigem avanço na agregação de valor
A riqueza de um país não depende apenas da quantidade de recursos disponíveis, mas da capacidade de transformá-los em produtos de maior valor. A avaliação é de Carlos Alberto Tavares Ferreira, Global Sustainability Strategist, que aponta a agregação de valor como um desafio do Brasil.
O país desenvolveu competência para produzir matérias-primas e commodities. O avanço econômico, porém, exige que essa produção seja convertida em tecnologia, design, propriedade intelectual, marcas e produtos industrializados.
O cacau resume esse contraste. Enquanto o produtor brasileiro vende a amêndoa, indústrias estrangeiras podem transformar o mesmo insumo em chocolates premium, criar marcas globais e ampliar o valor gerado na cadeia. A lógica se repete no café, que pode virar cápsulas e blends especiais, no couro destinado a artigos de luxo e na celulose usada em papéis e embalagens especiais.
Quartzo, nióbio, terras raras, grafite e lítio também podem sair como matérias-primas e retornar em baterias, componentes eletrônicos e produtos de alta tecnologia. Situação semelhante ocorre com a biodiversidade, quando óleos essenciais, extratos naturais e ingredientes amazônicos deixam o país como insumos e reaparecem em cosméticos, alimentos funcionais e produtos farmacêuticos.
O problema não está na exportação de commodities, mas na permanência apenas no primeiro elo da cadeia. Pesquisa, inovação, industrialização, certificações, propriedade intelectual, marcas e canais de distribuição concentram a parcela da riqueza.
Embrapa Territorial, Embrapa e OCDE são citadas como referências sobre exportações agropecuárias, diferenciação de produtos e participação nas cadeias globais. O desafio é combinar produção e transformação para ampliar a participação do país no valor que ajuda a criar.

