sábado, julho 4, 2026

Autor: Redação

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Colheita de soja no Rio Grande do Sul atinge 79% da área, e milho chega a 92%


Colheita de soja no Rio Grande do Sul atinge 79% da área, e milho chega a 92%

A colheita da safra de verão no Rio Grande do Sul perdeu ritmo na semana passada devido ao excesso de umidade e à frequência de precipitações. Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater/RS-Ascar), divulgada nesta segunda-feira (4), a soja foi colhida em 79% da área semeada de 6.624.988 hectares, enquanto o milho alcançou 92% dos 803.019 hectares cultivados.

No caso da soja, a Emater/RS-Ascar informou que 20% das áreas restantes estão em maturação e 1% ainda em enchimento de grãos. Nas lavouras tardias, a entidade registrou aumento na presença de percevejos e de doenças como a ferrugem-asiática.

A produtividade média estadual da oleaginosa está estimada em 2.871 quilos por hectare. O órgão ressalta, no entanto, que há variações regionais expressivas, com perdas superiores a 50% em áreas afetadas anteriormente por restrição hídrica. No mercado, o preço médio da saca de 60 quilos recuou 1,68% e foi fixado em R$ 115,25.

Para o milho, o avanço semanal foi de 1 ponto porcentual. A Emater/RS-Ascar atribui a evolução mais lenta à priorização de outras culturas e às chuvas. A produtividade média projetada é de 7.424 quilos por hectare, favorecida pela recuperação hídrica em áreas de safrinha. A cotação da saca de 60 quilos permaneceu estável em R$ 58,19.

No milho para silagem, a colheita chegou a 89%, com rendimento médio de 37.840 quilos por hectare. Já o arroz entrou em fase final de retirada das lavouras, com 93% da área de 891.908 hectares colhida. Segundo a Emater/RS-Ascar, a umidade do solo e dos grãos reduziu a eficiência operacional das máquinas em pontos específicos. A produtividade estimada é de 8.744 quilos por hectare, e o preço médio da saca de 50 quilos subiu 0,26%, para R$ 60,93.

Os dados indicam que o ritmo da colheita no Estado segue condicionado às condições climáticas de curto prazo, especialmente nas áreas ainda remanescentes de soja e arroz, onde a umidade elevada pode continuar limitando a operação de campo e a qualidade final dos grãos.

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Focus eleva projeção do IPCA de 2026 para 4,89% e mantém pressão acima da meta


Focus eleva projeção do IPCA de 2026 para 4,89% e mantém pressão acima da meta

A mediana das projeções do mercado para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 subiu de 4,86% para 4,89% no relatório Focus divulgado pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira (4). O avanço afasta a estimativa do teto de 4,50% da meta contínua de inflação e ocorre em meio ao aumento das incertezas externas, com destaque para os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços do petróleo.

Segundo o levantamento, a alta para 2026 foi a oitava consecutiva. Considerando apenas as 107 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a mudanças recentes de cenário, a mediana passou de 4,89% para 4,91%.

Para 2027, a projeção intermediária permaneceu em 4,00%, após cinco semanas de elevação. Há um mês, estava em 3,85%. No recorte das 104 atualizações mais recentes, o porcentual também ficou em 4,00%.

A trajetória projetada pelo mercado continua acima da calculada pelo próprio Banco Central. No comunicado da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da última quarta-feira (29), a autoridade monetária revisou sua estimativa para o IPCA de 2026 de 3,9% para 4,6% e a de 2027 de 3,3% para 3,5%.

Na avaliação do Copom, houve aumento da incerteza inflacionária por causa da falta de clareza sobre a duração dos conflitos no Oriente Médio e seus efeitos sobre a cadeia global de suprimentos e os preços de commodities. O petróleo é um dos principais canais de transmissão desse risco, por seu peso direto em combustíveis e indireto em fretes e custos de produção.

No Focus, a mediana para o IPCA de 2028 subiu de 3,61% para 3,64%, enquanto a de 2029 ficou em 3,50% pela 35ª semana seguida.

Desde 2025, a meta de inflação é contínua, com centro de 3,0% e intervalo de tolerância de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo. Se o IPCA acumulado em 12 meses ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, o Banco Central é considerado fora da meta. Nesse cenário, novas altas nas expectativas tendem a manter o mercado atento aos próximos sinais da política monetária.

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Indicador Boi Gordo Cepea fecha abril em queda


pará, boi, vaca louca - protocolo
Foto: Christiano Antonucci/Secom-MT

O indicador do boi gordo do Cepea encerrou o mês cotado a R$ 354,45 por arroba, com queda de 0,44%. O recuo ocorre em meio à menor liquidez no mercado físico, especialmente na véspera do feriado, quando frigoríficos reduziram a atuação e produtores limitaram as vendas.

Na última quinta-feira (30), o mercado operou em compasso de espera. Parte dos compradores ficou fora das negociações, alegando escalas de abate mais alongadas.

Do lado da oferta, pecuaristas resistiram aos preços mais baixos. As vendas ficaram restritas a lotes pontuais, voltados à necessidade de caixa no curto prazo.

Em São Paulo, a liquidez foi ainda mais baixa que em outras regiões. Os negócios ocorreram entre R$ 350 e R$ 360 por arroba.

Praças têm comportamento misto

Apesar da queda no indicador, algumas regiões registraram valorização ao longo do mês. O movimento foi observado em praças como Cuiabá, Colíder e Rondonópolis, em Mato Grosso, além de Rondônia, Tocantins, Pará e Centro-Sul da Bahia, com altas entre 1% e 2%.

Por outro lado, houve pressão baixista em regiões como Norte de Minas Gerais, Norte de Goiás, Cassilândia (MS), Goiânia (GO), Triângulo Mineiro (MG), além de Bauru e Presidente Prudente (SP). Nessas localidades, as quedas variaram de 0,5% a 2%.

Carne no atacado sobe mesmo com consumo cauteloso

No atacado da Grande São Paulo, as vendas de carne bovina foram consideradas moderadas nos últimos dias. Operadores aguardaram o desempenho do consumo durante o feriado e o fim de semana para reavaliar os estoques.

Mesmo com o ritmo mais lento, os preços avançaram no mês. Segundo o Cepea, todos os cortes registraram alta:

  • traseiro: +3,8%
  • dianteiro: +5%
  • ponta de agulha: +6,9%
  • boi casado: +4,5%

Mercado monitora retomada após feriado

O início do novo mês deve ser marcado pela recomposição das negociações. O comportamento da demanda e o posicionamento de frigoríficos e pecuaristas devem definir a tendência dos preços nas próximas semanas.

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AgroNewsPolítica & Agro

Soja sobe, mas produtor vê ganho escapar


O mercado da soja teve comportamento regional distinto, com preços sustentados em portos e algumas praças do interior, enquanto a logística segue como principal fator de pressão sobre a rentabilidade do produtor. Os dados são da TF Agroeconômica.

No Rio Grande do Sul, a colheita chegou a 79% dos 6,62 milhões de hectares cultivados, mas a umidade elevada e as chuvas frequentes ainda restringem as janelas de trabalho no campo. O déficit de armazenagem de 3,5 milhões de toneladas pressiona o escoamento nas áreas já colhidas e reduz a capacidade de retenção do grão. No físico, Passo Fundo, Ijuí, Cruz Alta e Santa Rosa avançaram para R$ 125,00 por saca, enquanto o Porto de Rio Grande permaneceu em R$ 128,00.

Em Santa Catarina, Campos Novos subiu para R$ 125,50 por saca, com influência da paridade com São Francisco do Sul e da demanda industrial regional. Rio do Sul ficou em R$ 118,00 e Palma Sola em R$ 113,00. A produção total é estimada em 3,1 milhões de toneladas, com crescimento de 21,4% na área de segunda safra, que já supera 70 mil hectares. No porto de São Francisco, a cotação foi de R$ 129,20.

No Paraná, Paranaguá chegou a R$ 131,00, enquanto Cascavel e Maringá subiram para R$ 121,00. A produção estimada pelo Deral é de 21,7 milhões de toneladas, mas o déficit de 12,6 milhões de toneladas em armazenagem reduz o poder de negociação. Relatos de diesel até R$ 2,50 acima da referência em regiões do interior aumentam a preocupação com os custos logísticos.

No Mato Grosso do Sul, a colheita alcançou 97,1% da área monitorada. Campo Grande ficou em R$ 112,00, mesmo valor de Dourados, enquanto São Gabriel do Oeste recuou para R$ 107,00. Em Mato Grosso, a colheita foi concluída, com atenção voltada ao escoamento. O estado enfrenta déficit de 53,4 milhões de toneladas em silos, o maior do país, em um cenário de fretes pressionados e necessidade de venda imediata.

 





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Semana começa com chuva forte e risco de geada; veja a previsão do tempo


Imagem gerada por IA para o Canal Rural

A atuação de uma área de baixa pressão entre Paraguai e norte da Argentina, combinada com ventos marítimos e um cavado em médios níveis, mantém o tempo instável em parte do país nesta segunda-feira (4). A chuva ganha força no Sul e no litoral do Sudeste, enquanto o ar seco predomina no interior do Brasil.

Sul

No Sul, a instabilidade atua desde cedo, principalmente no Paraná e em áreas de Santa Catarina. Há previsão de pancadas moderadas a fortes, com risco de temporais no interior e sudoeste paranaense.

Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!

Ao longo do dia, a chuva perde intensidade no Paraná, mas continua em áreas do interior, litoral e leste. Já no oeste catarinense e em partes do norte, oeste e noroeste do Rio Grande do Sul, a instabilidade aumenta entre a tarde e a noite.

O ar frio mantém o tempo firme pela manhã no território gaúcho, mas as temperaturas seguem amenas em toda a região. Há ainda chance de geada na serra do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, além da Campanha Gaúcha.

No litoral sul catarinense, os ventos podem atingir entre 50 km/h e 70 km/h, com mar agitado.

Sudeste

No Sudeste, a frente fria atua na altura do Espírito Santo e mantém a chuva desde cedo no estado e no nordeste e leste de Minas Gerais, com intensidade moderada a forte.
No litoral de São Paulo, a combinação de umidade marítima e cavado favorece chuva persistente, com acumulados elevados. Na Grande São Paulo, as pancadas ocorrem de forma isolada.

Ao longo do dia, a instabilidade continua no litoral, sul e leste paulista e em áreas do Rio de Janeiro. No Espírito Santo e no nordeste mineiro, a chuva pode persistir até a noite.
As temperaturas ficam mais elevadas no interior, mas mais amenas no litoral e no leste da região devido à entrada de ar frio pós-frontal. Rajadas de vento podem chegar a 60 km/h no litoral do Espírito Santo e no norte e nordeste de Minas Gerais.

A umidade relativa do ar segue baixa no norte e noroeste paulista e no Triângulo Mineiro.

Centro-Oeste

No Centro-Oeste, o tempo permanece firme pela manhã. À tarde, há previsão de chuva moderada no norte e noroeste de Mato Grosso, influenciada pela umidade da região Norte e pelo calor.

Nas demais áreas, predomina o tempo estável, com temperaturas elevadas e baixa umidade relativa do ar, entre 30% e 40% nas horas mais quentes, principalmente em Goiás, Mato Grosso e leste de Mato Grosso do Sul.

Nordeste

No Nordeste, a chuva se concentra no litoral e ganha força ao longo do dia. A aproximação de uma frente fria e a atuação de ventos marítimos favorecem instabilidades no sul da Bahia e no litoral baiano.

A Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) mantém pancadas moderadas a fortes no litoral norte, com destaque para áreas como Fortaleza, São Luís e Natal.

As instabilidades se intensificam em estados como Maranhão, norte do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Sergipe, com risco de temporais isolados.

Em Alagoas, Sergipe e no interior da Bahia, a chuva ocorre de forma mais fraca, porém persistente, elevando os acumulados. Já no oeste da Bahia, sul do Maranhão e Piauí, a umidade fica baixa, entre 30% e 40%.

Norte

Na região Norte, a alta umidade mantém o tempo instável desde cedo, especialmente no Amazonas, Pará e Roraima.

A atuação da ZCIT reforça as instabilidades no Amapá e no norte e nordeste do Pará. Durante a tarde, a chuva se intensifica na maior parte da região, com pancadas moderadas a fortes e risco de temporais.

No Acre, a chuva ocorre de forma mais fraca e irregular. Já em Rondônia e no sul do Tocantins, o tempo permanece firme, com predomínio de sol e calor.

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Petróleo acima dos US$ 100 pressiona mercado global


PODCAST Diário Econômico

No morning call desta segunda-feira (4), a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta que o alívio nos mercados na última sessão de abril foi técnico, puxado pela acomodação do petróleo, e não por melhora estrutural.

O Ibovespa subiu 1,39% e o dólar fechou abaixo de R$ 5,00, mas o Brent segue acima de US$ 100 com o Estreito de Ormuz fechado. A semana tem foco na ata do Copom e no payroll nos EUA, com inflação pressionada e espaço reduzido para cortes de juros.

Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.

Para mais conteúdos de mercado financeiro, acesse: Bom Dia Mercado!

Ariane Benedito, apresentadora do podcast Diário Econômico
Foto: divulgação

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AgroNewsPolítica & Agro

No Cazaquistão, clima deve reduzir safra de grãos



No trigo, a produção é projetada em 14 milhões de toneladas


No trigo, a produção é projetada em 14 milhões de toneladas
No trigo, a produção é projetada em 14 milhões de toneladas – Foto: Seane Lennon

A produção de trigo e cevada do Cazaquistão deve recuar em 2026-27, após duas safras próximas de recordes. A queda esperada está ligada ao clima e a fatores de mercado, embora os volumes sigam dentro de patamares normais, segundo relatório do Serviço Agrícola Estrangeiro do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

No trigo, a produção é projetada em 14 milhões de toneladas, ante 18 milhões em 2025-26 e 18,57 milhões em 2024-25. O relatório, divulgado em 29 de abril, aponta que frio fora do normal e chuvas próximas da média podem manter o subsolo congelado ou úmido demais, atrasando o preparo das áreas. A previsão de uma temporada quente e seca também deve reduzir a produtividade.

A área colhida é estimada em 11,5 milhões de hectares, quase estável ante o ciclo anterior, mas 1 milhão de hectares menor que duas safras atrás. A redução é atribuída à expansão das oleaginosas, em busca de maior rentabilidade. Com menor oferta, as exportações devem cair de 11 milhões para 7,5 milhões de toneladas. Os principais destinos recentes foram Ásia Central, Afeganistão e Azerbaijão, enquanto vendas à China recuaram por atrasos em fronteiras.

O consumo de trigo deve diminuir de 8,65 milhões para 8,5 milhões de toneladas, com estoques elevados ajudando a equilibrar oferta e demanda.

Na cevada, a produção deve cair de 3,6 milhões para 3,1 milhões de toneladas, apesar da área maior, de 2,4 milhões de hectares. A ampliação reflete a busca por melhores margens. O consumo deve recuar para 1,7 milhão de toneladas, e as exportações são previstas em 1,5 milhão.

 





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AgroNewsPolítica & Agro

Déficit hídrico reduz potencial do milho


O milho depende da disponibilidade de água em momentos específicos do ciclo para expressar seu potencial produtivo. Segundo Junior Costa Beber, engenheiro agrônomo, mesmo pequenos déficits hídricos em fases estratégicas podem comprometer o estande, o crescimento das plantas, a formação dos grãos e a produtividade final.

Na germinação e emergência, a demanda hídrica é baixa a moderada, mas a umidade do solo é essencial para garantir uma emergência uniforme. A falta de água nessa etapa pode provocar falhas no estande e desuniformidade entre plantas, afetando o desenvolvimento inicial da lavoura.

Durante o crescimento vegetativo, entre os estádios V2 e V12, a planta constrói a base produtiva. Nesse período, ocorre a expansão da área foliar e o desenvolvimento do sistema radicular. Quando há déficit hídrico, o crescimento pode ser reduzido, limitando a capacidade da planta de aproveitar água, luz e nutrientes nas fases seguintes.

O florescimento, entre VT e R1, é considerado o momento mais crítico. Nessa fase, o milho apresenta alta exigência hídrica durante a emissão do pendão, a liberação de pólen e a emissão dos estigmas. A falta de água pode causar má fecundação, falhas na formação dos grãos e perdas expressivas de produtividade.

No enchimento de grãos, de R2 a R5, a demanda segue de moderada a alta. É nessa etapa que ocorre o acúmulo de amido nos grãos. O déficit hídrico pode reduzir o peso dos grãos e afetar diretamente o resultado final da lavoura.

Na maturação, em R6, a necessidade de água diminui, pois a planta entra em secagem natural. Ainda assim, o estresse acumulado anteriormente pode já ter limitado o potencial produtivo. Ao longo do ciclo, o milho pode consumir de 400 a 700 milímetros de água, conforme clima, cultivar e manejo. Por isso, monitorar o solo, compreender as fases fenológicas e priorizar períodos críticos são medidas fundamentais para dar maior estabilidade à produção.

 





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AgroNewsPolítica & Agro

máquinas da linha amarela ganha força no agronegócio


O que antes era visto como apoio pontual começa a ocupar o centro da operação. As máquinas da linha amarela, tradicionalmente ligadas à construção civil, vêm redesenhando sua presença no agronegócio brasileiro. E, na Agrishow, a principal feira de tecnologia para o agronegócio da América Latina, esse movimento deixa de ser tendência para se apresentar como realidade consolidada e se tornarem parte essencial da rotina nas propriedades rurais.

O crescimento do uso da linha amarela no campo deixou de ser apenas uma percepção de mercado para se tornar uma tendência consolidada. Dados da Associação Brasileira de Tecnologia e Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema) indicam que o agronegócio está entre os principais destinos das 34,5 mil máquinas comercializadas em 2025. O levantamento aponta uma mudança estrutural no setor: a integração de equipamentos antes restritos à infraestrutura como ferramentas estratégicas da produção agrícola.

“A integração da linha amarela nas propriedades rurais tem expandido a capacidade operacional do setor”, afirma o presidente da Agrishow, João Marchesan, reforçando que esses equipamentos tornaram-se fundamentais em frentes como manejo de solo, manutenção de vias internas e implementação de sistemas de irrigação e drenagem. “A modernização reflete-se diretamente nos indicadores de produtividade, proporcionando ganho de escala e otimização dos custos fixos”, afirma.

Tecnologia embarcada e versatilidade ampliam o papel da linha amarela

A Komatsu lança na Agrishow a carregadeira WA320-8M1 Sugarcane Application, versão adaptada ao agronegócio que reforça o avanço da Linha Amarela no campo. Com caçamba de 6,0 m³, pneus agrícolas e sistemas voltados a ambientes com alta poeira, o modelo é indicado para movimentação de biomassa, grãos e insumos, entregando controle, estabilidade e eficiência em operações intensas. A empresa apresenta ainda um portfólio que consolida o uso desses equipamentos na infraestrutura e logística das propriedades rurais.

Entre os destaques da Forza está o lançamento de uma minicarregadeira e de uma empilhadeira off-road. A minicarregadeira se destaca pela combinação de agilidade, força e capacidade de atuação em espaços reduzidos no agronegócio. Já a empilhadeira off-road foi projetada para operar com estabilidade e tração em terrenos irregulares, mantendo alto desempenho e produtividade mesmo em condições adversas no campo.

A XCMG Brasil traz sua linha de equipamentos voltada ao agronegócio. A novidade é o trator agrícola conceito XT864-5EBR, primeiro modelo da marca no Brasil equipado com motor da Cummins. O protótipo funcional se posiciona em uma das faixas mais demandadas do mercado brasileiro, com 80 cv de potência e possibilidade de variação até 110 cv. Com cerca de 4.600 kg, tração 4×4 e transmissão com super redutor, o modelo foi projetado para enfrentar operações exigentes em terrenos difíceis, combinando robustez, capacidade de manobra e maior conforto ao operador.





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Governo melhora condições e dobra crédito para compra de caminhões


O governo federal lançou nesta quinta-feira (30) uma segunda etapa do programa Move Brasil, que financia a renovação da frota de caminhões em condições favoráveis para empresas de transporte rodoviário de carga, cooperativas e caminhoneiros autônomos.

O valor total disponibilizado chega a R$ 21,2 bilhões, mais que o dobro dos R$ 10 bilhões da primeira fase do programa, lançado no fim do ano passado, que foram totalmente consumidos com mais de mil contratos de financiamento em poucos mais de três meses.

A nova fase passa a incluir também o financiamento de ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários, como reboques e carrocerias. Do valor de R$ 21,2 bilhões, serão R$ 6,7 bilhões aportados diretamente pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e R$ 14,5 bilhões oriundos do Tesouro Nacional.

O BNDES será o operador do programa, que será oferecido em parceria com outras instituições financeiras. O valor máximo financiável por beneficiário continua sendo de R$ 50 milhões.

“Nós resolvemos melhorar as condições, aumentar os prazos de carência, a quantidade de anos para vocês poderem pagar e diminuir a taxa de juros, que ainda é alta”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em cerimônia de assinatura de duas Medidas Provisórias (MPs) que viabilizam o novo Move Brasil. 

Lula pediu celeridade no ritmo de liberação de crédito para os caminhoneiros autônomos pelos bancos públicos (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e o BNDES). Segundo Lula, de R$ 1 bilhão disponibilizado inicialmente, apenas R$ 200 milhões haviam sido liberados, devido à preferência dos bancos por grandes empresas transportadoras.

“Para o gerente de um banco, é muito melhor receber um cliente só para pedir R$ 2 bilhões, do que receber 1 mil clientes para pegar R$ 2 mil, cada um. Eu quero pedir aos bancos públicos: vamos ver se a gente consegue dar um exemplo de que, uma vez na vida, os mais pobres são tratados como os mais ricos”, cobrou Lula.

O presidente destacou especificamente as condições especiais destinadas aos caminhoneiros autônomos, que agora poderão parcelar o financiamento em até 10 anos (120 vezes), com carência de 12 meses. Até então, a carência era de seis meses e o prazo máximo de pagamento era de cinco anos. 

Os autônomos contarão com R$ 2 bilhões na nova fase do programa. A taxa de juros, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, foi reduzida para 11,3%. Antes, eram superiores a 14%. 

Ele disse esperar que os fabricantes de ônibus e caminhões consigam reduzir os preços dos veículos e assegurar empregos na indústria, como contrapartidas.

“É fundamental que a gente veja as contrapartidas, a redução no valor dos caminhões, o emprego garantido dos trabalhadores. Na minha analogia do corpo humano, o corpo da economia do país fica saudável em todos os sentidos”, disse.

Para o presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Igor Calvet, o programa promove uma política industrial que não favorece apenas o setor automotivo, mas toda a cadeia econômica do país.

“O caminhão, o ônibus, eles são meios. É uma cadeia muito grande. O caminhão é a carne que chega na mesa do trabalhador e das famílias brasileiras, a fruta fresca que chega no Ceasa. O caminhão é a soja que vai para o porto para a gente exportar. O caminhão é a cana que vai para a usina e a gente faz o etanol”, destacou.

Pelas regras do programa, os financiamentos estarão condicionados ao cumprimento de critérios de sustentabilidade ambiental, social e econômica, incentivando a aquisição de veículos com menor consumo de combustíveis e menores emissões.

“Quem entregar um veículo velho para a reciclagem consegue taxas ainda mais reduzidas”, observou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa.

O transporte rodoviário move cerca de 60% das cargas do Brasil, segundo o governo federal, e é considerado crucial para a integração nacional e para o acesso da população a bens e serviços essenciais. 

O setor enfrenta, atualmente, elevado grau de obsolescência da frota, o que aumenta custos de manutenção, reduz a eficiência energética, agrava a emissão de poluentes e aumenta riscos operacionais e de segurança. Também vinha experimentando queda expressiva nas vendas nos últimos anos, números que vêm sendo revertidos com o sucesso do novo programa.

Durante o evento no Palácio do Planalto, Lula assinou duas Medidas Provisórias.

A primeira, além de viabilizar a ampliação do Move Brasil, autoriza a União a aumentar sua participação no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI) em até R$ 2 bilhões. O objetivo é ampliar a capacidade do fundo de oferecer garantias em operações de crédito, principalmente para micro, pequenas e médias empresas, além de estender os prazos de carência e de pagamento dessas operações.

O FGI tem por finalidade facilitar a obtenção de crédito por micro, pequenas e médias empresas, por meio do compartilhamento do risco das operações com os agentes financeiros. O reforço patrimonial do fundo amplia a capacidade de concessão de garantias, preservando o acesso ao financiamento para empresas viáveis.

A segunda MP, de acordo com o MDIC, cria Crédito Extraordinário, no valor de R$ 17 bilhões, com o intuito de dar cobertura ao aporte de R$ 2 bilhões no FGI, à ampliação do Move Brasil, com recursos de R$ 14,5 bilhões e ao aporte de R$ 500 milhões ao Fundo Garantidor de Operações de Comércio Exterior (FGCE), com o propósito de viabilizar a ampliação da oferta de garantias públicas às exportações.





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