Déficit hídrico reduz potencial do milho
O milho depende da disponibilidade de água em momentos específicos do ciclo para expressar seu potencial produtivo. Segundo Junior Costa Beber, engenheiro agrônomo, mesmo pequenos déficits hídricos em fases estratégicas podem comprometer o estande, o crescimento das plantas, a formação dos grãos e a produtividade final.
Na germinação e emergência, a demanda hídrica é baixa a moderada, mas a umidade do solo é essencial para garantir uma emergência uniforme. A falta de água nessa etapa pode provocar falhas no estande e desuniformidade entre plantas, afetando o desenvolvimento inicial da lavoura.
Durante o crescimento vegetativo, entre os estádios V2 e V12, a planta constrói a base produtiva. Nesse período, ocorre a expansão da área foliar e o desenvolvimento do sistema radicular. Quando há déficit hídrico, o crescimento pode ser reduzido, limitando a capacidade da planta de aproveitar água, luz e nutrientes nas fases seguintes.
O florescimento, entre VT e R1, é considerado o momento mais crítico. Nessa fase, o milho apresenta alta exigência hídrica durante a emissão do pendão, a liberação de pólen e a emissão dos estigmas. A falta de água pode causar má fecundação, falhas na formação dos grãos e perdas expressivas de produtividade.
No enchimento de grãos, de R2 a R5, a demanda segue de moderada a alta. É nessa etapa que ocorre o acúmulo de amido nos grãos. O déficit hídrico pode reduzir o peso dos grãos e afetar diretamente o resultado final da lavoura.
Na maturação, em R6, a necessidade de água diminui, pois a planta entra em secagem natural. Ainda assim, o estresse acumulado anteriormente pode já ter limitado o potencial produtivo. Ao longo do ciclo, o milho pode consumir de 400 a 700 milímetros de água, conforme clima, cultivar e manejo. Por isso, monitorar o solo, compreender as fases fenológicas e priorizar períodos críticos são medidas fundamentais para dar maior estabilidade à produção.

