segunda-feira, junho 29, 2026

Autor: Redação

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Medida provisória cria subvenção para gasolina e diesel produzidos no Brasil ou importados


Medida provisória cria subvenção para gasolina e diesel produzidos no Brasil ou importados

A Medida Provisória (MP) 1358/26 instituiu uma subvenção para a gasolina e o óleo diesel produzidos no Brasil ou importados, com o objetivo de reduzir a pressão de preços associada ao conflito no Oriente Médio. O texto foi publicado em edição extraordinária do Diário Oficial da União (DOU) na quarta-feira (13). A medida já está em vigor, mas ainda depende de votação no Congresso Nacional para se tornar lei.

A MP determina que os valores da subvenção serão definidos por ato do Ministério da Fazenda, respeitando como limite o total dos tributos federais incidentes sobre os combustíveis. Atualmente, a gasolina tem carga de R$ 0,89 por litro, considerando Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide). No diesel, a tributação de R$ 0,35 por litro referente a PIS e Cofins está suspensa desde março.

Segundo o texto, o pagamento será destinado a produtores e importadores, com operacionalização pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A vigência inicial será de dois meses a partir da edição do ato ministerial que fixará os valores, com possibilidade de prorrogação por decisão do governo federal.

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A gasolina será a primeira a receber a nova subvenção, já que não havia sido contemplada por subsídio ou redução tributária desde o início da guerra. No caso do diesel, a nova sistemática passará a valer após o fim da subvenção prevista na MP 1340, aplicável em abril e maio.

Durante a apresentação da medida, o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou que o mecanismo funcionará como uma devolução do tributo na forma de subvenção, semelhante a um cashback tributário. Pelas estimativas do ministro, uma subvenção de R$ 0,40 a R$ 0,45 por litro de gasolina teria impacto fiscal de cerca de R$ 1 bilhão por mês. Para o diesel, mantido o patamar de R$ 0,35 por litro, o custo estimado é de R$ 1,7 bilhão mensais.

Além dos combustíveis, a MP também altera a Medida Provisória 1355/26, que trata do Programa Extraordinário de Reequilíbrio Financeiro das Famílias – Novo Desenrola Brasil. No curto prazo, o efeito prático da nova subvenção dependerá do ato do Ministério da Fazenda que regulamentará valores, prazo de execução e alcance operacional do benefício.

Fonte: camara.leg.br

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Bolsas da Europa fecham em alta e Milão atinge maior nível desde 2000


Bolsas da Europa fecham em alta e Milão atinge maior nível desde 2000

As bolsas da Europa encerraram o pregão desta quinta-feira (14) em alta, com avanço disseminado entre os principais índices do continente. O movimento foi sustentado pela avaliação de investidores sobre sinais de distensão entre Estados Unidos e China, após encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, em um ambiente ainda marcado por riscos geopolíticos e incertezas políticas na Europa.

Em Londres, o FTSE 100 subiu 0,36%, aos 10.362,80 pontos. Em Frankfurt, o DAX avançou 1,31%, aos 24.452,62 pontos. Em Paris, o CAC 40 ganhou 0,93%, aos 8.082,27 pontos. Em Milão, o FTSE MIB teve alta de 1,15%, aos 50.050,27 pontos, no maior nível de fechamento desde os anos 2000. Em Madri, o Ibex 35 subiu 0,86%, aos 17.806,00 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 avançou 0,57%, aos 9.124,26 pontos. As cotações são preliminares.

Segundo comunicados dos governos dos Estados Unidos e da China, Trump e Xi concordaram em buscar uma relação com maior estabilidade estratégica. O mercado também repercutiu sinais de redução de tensão nas agendas comercial e geopolítica, além de menções à cooperação em inteligência artificial.

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Ao mesmo tempo, o ambiente seguiu cauteloso por causa do conflito no Oriente Médio. Israel voltou a indicar prontidão para agir contra o Irã, enquanto o tema inflacionário permaneceu no foco de autoridades monetárias. Martins Kazaks, presidente do banco central da Letônia, afirmou que a inflação pode permanecer elevada por “algum tempo”, mesmo em caso de resolução rápida da guerra, o que mantém atenção sobre a trajetória de juros do Banco Central Europeu (BCE).

No noticiário corporativo, o setor de defesa mostrou desempenho misto: a alemã Rheinmetall subiu 2%, enquanto a britânica Rolls-Royce caiu 0,3%. A Burberry recuou 6% após balanço, mas o segmento de luxo ainda registrou ganho próximo de 1%.

Fonte: Estadão Conteúdo

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FMI informa que 12 países pediram ao menos US$ 15 bilhões em auxílio por crise de energia


FMI informa que 12 países pediram ao menos US$ 15 bilhões em auxílio por crise de energia

O Fundo Monetário Internacional (FMI) informou nesta quinta-feira (14) que 12 países já solicitaram à instituição ao menos US$ 15 bilhões em auxílio, em meio ao choque nos mercados de energia associado ao conflito no Oriente Médio. A informação foi apresentada por Julie Kozack, diretora de Comunicações do FMI, durante coletiva de imprensa. Os países não foram identificados pelo Fundo.

De acordo com Kozack, além dos pedidos de assistência financeira, vários governos também procuraram o FMI para discutir como conduzir a política monetária diante da alta de custos de energia e da pressão inflacionária. Segundo uma fonte da Reuters, autoridades do Iraque estão entre as que buscaram apoio da instituição.

A diretora afirmou que o Fundo mantém coordenação com o Banco Mundial e com a Agência Internacional de Energia (AIE) para tratar da crise energética. No diagnóstico do FMI, o cenário global segue próximo ao quadro adverso apresentado na Reunião de Primavera de abril, quando a instituição projetou expansão de 2,5% para a economia mundial em 2026 e inflação de 5,4%.

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Segundo Kozack, as expectativas de inflação de curto prazo aumentaram, enquanto as de médio prazo seguem ancoradas. Ela acrescentou que as condições financeiras ainda permanecem acomodatícias, o que, na avaliação técnica do Fundo, ajuda a preservar espaço de resposta por parte de governos e bancos centrais.

No mesmo evento, Kozack disse que o desembolso de US$ 1 bilhão para a Argentina, referente à segunda revisão do programa no âmbito da Linha de Crédito Ampliada, pode ser liberado na próxima semana. Sobre a Venezuela, informou que as conversas continuam, mas que não houve, até o momento, pedido de acordo em nível técnico.

Ao comentar a reunião entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, Kozack afirmou que medidas voltadas à redução de tensões comerciais são recebidas de forma positiva pelo FMI.

Os dados apresentados pelo Fundo indicam que o impacto econômico da crise de energia já se traduz em maior demanda por crédito emergencial e por orientação de política econômica. O alcance adicional desse movimento dependerá da evolução dos preços de energia, do conflito regional e da resposta coordenada entre organismos multilaterais.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Comissão da Câmara aprova inclusão de plano de saúde animal entre benefícios trabalhistas


Comissão da Câmara aprova inclusão de plano de saúde animal entre benefícios trabalhistas

A Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quinta-feira (14), o projeto de lei que autoriza empresas a oferecer plano de saúde animal como benefício aos trabalhadores. A proposta estabelece que os valores destinados a serviços médico-veterinários e veterinário-odontológicos para animais domésticos não serão incorporados ao salário nem à base de contribuição previdenciária. O texto ainda segue em tramitação na Casa.

Corpo** A matéria aprovada foi o substitutivo do relator, deputado Paulo Guedes (PT-MG), ao Projeto de Lei 5.636/23, de autoria do deputado Felipe Becari (Pode-SP). Segundo a Câmara dos Deputados, o relator promoveu ajustes de redação, mas manteve o objetivo central da proposta original.

O texto altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e a Lei Orgânica da Seguridade Social para permitir que o empregador custeie esse tipo de benefício sem reflexo direto sobre remuneração e encargos previdenciários. Também prevê que o Poder Executivo poderá regulamentar critérios para a concessão.

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No parecer aprovado, Paulo Guedes afirmou que a medida poderá contribuir para as relações de trabalho, para a qualidade de vida dos empregados e para ações de responsabilidade social das empresas. Já Felipe Becari declarou que, assim como a legislação já prevê tratamento específico para benefícios ligados à saúde humana, o cuidado com animais domésticos também pode ser contemplado.

Na prática, a proposta cria uma base legal para que empresas ofereçam assistência veterinária como benefício acessório, sem natureza salarial. Isso pode influenciar a composição dos pacotes de benefícios corporativos, caso o projeto avance. Não há, no material divulgado pela Câmara, estimativas de impacto fiscal, número potencial de beneficiários ou custo médio da medida para empregadores.

O projeto será analisado, em caráter conclusivo, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para se tornar lei, ainda precisará ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.

Fonte: camara.leg.br

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El Niño de 2026 pode ser um dos mais fortes dos últimos anos, alerta ONU


El Niño
Imagem gerada por IA

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) realizou nesta quinta-feira (14) uma reunião para discutir medidas de mitigação dos impactos do El Niño na América Latina. A entidade avalia o fenômeno climático como uma ameaça à segurança alimentar da região.

De acordo com o prognóstico apresentado por Julian Báez Benítez, diretor da Organização Meteorológica Mundial (OMM), o El Niño de 2026 pode ser um dos mais intensos dos últimos anos, provocando ondas de calor, secas prolongadas e inundações em diferentes regiões da América Latina, especialmente nos países andinos e na América Central.

No Brasil, os principais impactos devem ocorrer no Sul, com excesso de chuvas e risco de inundações, e no Nordeste, onde a previsão é de secas severas, segundo Báez.

Segundo os participantes da reunião, o fenômeno também deve afetar a produção agrícola da região e elevar ainda mais os custos de produção, que já enfrentam pressão devido à alta dos combustíveis e fertilizantes em meio à guerra no Oriente Médio.

O alerta foi reforçado por Rocio Medina Bolívar, diretora regional do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA).

Entre as principais medidas apontadas pela representante do FIDA para reduzir os impactos climáticos nos próximos seis meses estão a restauração de solos, a conservação de ecossistemas, o acesso à informação climática e a ampliação do financiamento ao setor rural.

Outro ponto destacado durante o encontro foi a maior vulnerabilidade dos pequenos e médios produtores rurais diante dos efeitos do El Niño. Por isso, os participantes defenderam o fortalecimento dos sistemas de proteção social e a ampliação do seguro rural.

Para Lena Savelli, diretora regional do Programa Mundial de Alimentos (PMA), os eventos climáticos extremos tendem a se tornar mais frequentes e intensos nos próximos anos.

Segundo ela, é necessário evitar que esses fenômenos resultem em crises humanitárias, por meio da combinação de instrumentos como seguro rural, crédito e sistemas de proteção social.

A diretora também ressaltou a importância dos sistemas de alerta climático, afirmando que eles permitem aos governos atuar com maior eficiência e reduzir os custos das ações emergenciais, priorizando a prevenção.

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EUA e China discutem retirada de tarifas em setores específicos e criação de conselhos bilaterais


EUA e China discutem retirada de tarifas em setores específicos e criação de conselhos bilaterais

Os governos dos Estados Unidos e da China discutem a remoção de tarifas em setores específicos, além da criação de mecanismos permanentes de diálogo sobre comércio e investimentos. A informação foi apresentada nesta quinta-feira (14) pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, em entrevista à CNBC. Segundo ele, as conversas incluem produtos considerados não críticos e antecederam uma reunião entre o presidente Donald Trump e o líder chinês, Xi Jinping, em Pequim.

De acordo com Bessent, Washington e Pequim avaliam retirar tarifas sobre cerca de US$ 30 bilhões em comércio bilateral. O secretário afirmou que a discussão envolve setores classificados como não estratégicos, com foco em bens de consumo de menor valor agregado. Ele disse que se trata de itens que os Estados Unidos não pretendem repatriar em termos produtivos.

Além da possível flexibilização tarifária, os dois países discutem a criação de um Conselho de Comércio e de um Conselho de Investimentos. A proposta, segundo Bessent, é estabelecer canais formais para tratar da relação comercial e de eventuais aportes chineses nos Estados Unidos em áreas fora do escopo de segurança nacional.

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O secretário também afirmou que a intenção é delimitar previamente setores não sensíveis, reduzindo a necessidade de análise pelo Comitê de Investimentos Estrangeiros nos Estados Unidos (CFIUS, na sigla em inglês). Até o momento, não foram divulgados prazos, lista de produtos ou setores contemplados nas negociações.

Na avaliação apresentada por Bessent, os Estados Unidos têm posição favorável nas tratativas por serem o país deficitário na balança bilateral. Ele também declarou que o governo Trump pressiona a China a fortalecer o consumo doméstico e a reduzir a dependência de manufatura e exportações.

Para o comércio internacional, o avanço dessas conversas pode alterar fluxos setoriais e custos de importação em segmentos específicos. No entanto, o impacto efetivo dependerá da definição técnica das mercadorias envolvidas e da formalização dos acordos.

No estágio atual, as negociações indicam tentativa de reabrir canais institucionais entre as duas maiores economias do mundo. Sem detalhamento oficial sobre setores, tarifas e calendário de implementação, a evolução das conversas deve seguir condicionada a anúncios formais dos dois governos.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Receita Federal anuncia live sobre conformidade tributária da Operação Caixa Rápido


Receita Federal anuncia live sobre conformidade tributária da Operação Caixa Rápido

A Receita Federal do Brasil informou, nesta quarta-feira (14), que realizará uma live de conformidade no âmbito da Operação Caixa Rápido. A transmissão online está marcada para sexta-feira (15), das 10h às 11h30, no canal do órgão no YouTube. Segundo a Receita, o objetivo é apresentar os principais pontos identificados durante a operação e orientar contribuintes, associações e profissionais contábeis sobre formas de regularização espontânea.

De acordo com a Receita Federal, a ação faz parte de uma estratégia de atuação orientadora e preventiva. A proposta, conforme o órgão, é ampliar o diálogo com os contribuintes e reduzir a necessidade de litígios tributários.

Durante a transmissão, servidores especializados da administração tributária vão detalhar os achados da Operação Caixa Rápido e explicar os caminhos técnicos disponíveis para correção de eventuais inconsistências. Também haverá espaço para esclarecimento de dúvidas de caráter geral.

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A Receita informou que a iniciativa busca quatro objetivos centrais: promover esclarecimento técnico sobre os resultados da operação, oferecer orientação qualificada para regularização, estimular a autorregularização e aperfeiçoar o relacionamento entre o Fisco e os contribuintes.

Na prática, a live tende a interessar especialmente empresas, entidades representativas e escritórios de contabilidade que precisem entender procedimentos de conformidade e possíveis ajustes documentais ou fiscais. Como a regularização espontânea pode evitar desdobramentos administrativos mais longos, a orientação prévia passa a ser um instrumento de organização para quem precisa revisar informações tributárias.

A transmissão terá duração de 1h30. A Receita Federal não informou, no material divulgado, se haverá disponibilização posterior da gravação nem detalhou link direto de acesso além da indicação do canal oficial no YouTube.

A orientação da Receita é que os interessados acompanhem a live para obter esclarecimentos técnicos sobre a operação e verificar medidas de regularização aplicáveis a cada caso, dentro da política de conformidade tributária adotada pelo órgão.

Fonte: gov.br

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AgroNewsPolítica & Agro

guerras elevam custos e preocupam o agro


O avanço das tensões geopolíticas no Oriente Médio, somado à instabilidade climática e ao aumento dos custos de produção, tem ampliado a preocupação do agronegócio brasileiro diante de um cenário de incertezas para os próximos meses. A valorização do petróleo, impulsionada pelos conflitos internacionais, já pressiona os custos logísticos, fertilizantes e insumos utilizados no campo, enquanto especialistas alertam para riscos de desabastecimento e perda de competitividade.

O tema foi debatido na 31ª edição do talk show “A Voz do Mercado”, realizada nesta quarta-feira (13), com mediação de Ivan Wedekin e Suelen Farias. O encontro teve como tema “O Agro e as Guerras: Impactos sobre o setor, a economia e o futuro” e reuniu representantes do mercado, da indústria e da logística para discutir os reflexos dos conflitos globais sobre cadeias de abastecimento, fertilizantes, comércio internacional, segurança alimentar e infraestrutura.

Participaram do debate Alfredo Kober, CEO da ICL América do Sul, José Roberto, sócio fundador da MB Associados, e Maxwell Rodrigues, empresário, palestrante e apresentador de TV. A transmissão foi realizada ao vivo pelo canal do Portal Agrolink no YouTube.

Para assistir o programa na íntegra, clique aqui.

José Roberto alerta para risco de recessão e desabastecimento

Durante o debate, José Roberto afirmou que o cenário internacional já provoca efeitos concretos sobre os preços globais e aumenta o risco de desaceleração econômica. Segundo ele, os impactos começaram a ser sentidos logo nos primeiros meses do conflito.

“O risco está maior. Até uns dois meses do conflito, nós já tivemos um choque de energia de forma bastante significativa. Que se traduziu numa pressão de preços que se espalhou pelo mundo todo. Tanto no ponto de vista do petróleo e os seus derivados, fertilizantes, petroquímicos, um conjunto grande de produtos. Até mesmo o enxofre está sendo afetado pela importância da região, mas a atividade econômica nessa primeira fase, ela não sofreu tanto diretamente porque de um lado quando a guerra começou existiam muitos navios que estavam em direção aos países consumidores e essa viagens levam 20, 25 ou 30 dias. Então nessa primeira fase da guerra continuou chegando produtos nos países consumidores e ao mesmo tempo eles começaram a se utilizar dos estoques disponíveis, então teve um efeito imediato no preço, expectativas, mas não teve um efeito na produção.”

Na avaliação do economista, o prolongamento do conflito e a permanência de gargalos logísticos elevam o risco de escassez de produtos e de medidas protecionistas adotadas por diferentes países. “Dado o impasse do cessar fogo, e dado o Estreito de Ormuz continuar fechado, os países começam a entrar perigosamente numa fase onde o perigo de faltar coisas acontece. E nós já estamos vendo essas situações e as defesas que os países fazem. Por exemplo, a China proibiu a exportação de certos tipos de produtos e derivados. Outros países estão fazendo o mesmo.”

José Roberto também destacou que o agronegócio brasileiro já enfrenta aumento nos custos operacionais devido à valorização do diesel e dos fertilizantes. “Para a agricultura brasileira, já é um choque de custos, porque o diesel subiu de preço, preços de fertilizantes também subiram. Nós estamos entrando nessa fase que é muito perigosa, e o pior é que não há expectativa nenhuma quanto a um cessar fogo.”

Segundo ele, mesmo que haja um acordo diplomático nos próximos dias, os impactos econômicos ainda devem persistir por meses. “No momento em que um cessar fogo com credibilidade possa ser assinado ainda levaram 6, 8 ou 10 semanas para os fluxos de vendas de produção e distribuição começarem a se normalizar. E você voltar a ter melhora nos estoques dos países consumidores, ou seja, nós já temos um problema contratado para os próximos 2 ou 3 meses por mais que se faça um acordo.”

Maxwell Rodrigues aponta fragilidade logística brasileira

Ao abordar os reflexos da crise sobre o transporte marítimo e os custos de frete, Maxwell Rodrigues afirmou que o Brasil sofre impactos imediatos sempre que há instabilidade no mercado internacional, principalmente pela dependência logística externa e pela deficiência estrutural do país. “no nosso micro sistema, no Brasil a gente sofre naturalmente o reflexo imediato com qualquer marola no mercado internacional se torna um grande tsunami dentro do nosso país. Um tsunami porque nós não temos uma indústria estabelecida dentro do país, uma estrutura muito bem elaborada.”

Segundo ele, a ausência de uma logística eficiente de retorno para cargas importadas aumenta os custos para o agronegócio brasileiro. “Nós temos uma falta de infraestrutura significativa, e quando eu ouço questões direcionadas a importação de insumos para o nosso agronegócio, nós temos um impacto logístico significativo porque a gente não trata do frete de retorno, a gente exporta muito e obrigatoriamente a gente não consegue ter fluidez logística para que tenhamos um bom frete de retorno e façamos uma redução do nosso custo.”

Maxwell Rodrigues afirmou ainda que o cenário internacional passa por uma reorganização das rotas marítimas globais, o que pode abrir oportunidades para o Brasil, desde que o país avance em infraestrutura e políticas públicas. “Nós temos hoje um novo arranjo logístico mundial, nós nos acostumamos e sabemos que boa parte com o maior percentual das transações comerciais no mundo é feito por mar, e no Brasil são 90% de tudo aquilo que nós temos de transação com o mundo é feito por mar.”

Para ele, o país precisa aproveitar o momento para reduzir gargalos históricos e ampliar a competitividade do agronegócio. “A grande pergunta é, ‘se nós estamos preparados para fazer essa lição de casa, se nós estamos com políticas públicas para que a gente possa fazer o enfrentamento da falta de infraestrutura.’ Particularmente no meu entendimento o esforço desprendido pelo agronegócio é um sucesso alcançado e a próxima etapa está ligada diretamente a infraestrutura que nós temos no nosso país. Infraestrutura essa extremamente crítica e que afeta diretamente a nossa competitividade.”

Alfredo Kober destaca pressão financeira no campo

Representando a indústria de insumos, Alfredo Kober afirmou que o aumento dos custos das matérias-primas e dos juros tem ampliado a dificuldade financeira dos produtores rurais. “ O grande impacto que a gente viu é o aumento das matérias primas, se nós retrocedemos uns anos, em 2021 no período da pandemia, começamos o ano com um índice de 2% na taxa Selic e terminamos com 9%. E agora estamos numa taxa de 15%, com a perspectiva que havia de redução de juros que não se confirma para esse ano.”

Segundo o executivo, o aumento dos custos compromete diretamente a capacidade de compra de insumos pelos agricultores e reduz as margens das principais culturas do país. “Nós temos um primeiro grande impacto pelo do aumento nos custos nessas matérias primas e na dificuldade do produtor de adquirir os insumos. Todos os insumos com esse crescimento exorbitante impactam na capacidade de pagamento e na projeção de rentabilidade dos agricultores.”

Kober afirmou que a soja, principal cultura agrícola brasileira, já opera com margens próximas de zero em algumas regiões, especialmente diante do avanço das dívidas acumuladas nos últimos anos. “A principal cultura, a soja, neste ano a perspectiva é com a margem próxima a 0, isso sem considerar esse acúmulo de juros (taxa Selic + Spread), nós estamos falando de produtores que estavam endividados a quatro anos atrás e a dívida deles quase dobrou nesse período.”

O executivo também alertou para possíveis problemas de abastecimento de fertilizantes na próxima safra, uma vez que a indústria ainda trabalha com estoques reduzidos. “Isso complica bastante o cenário porque 3 meses para fazer um ajuste na oferta, nós vamos estar exatamente no começo da safra e com risco de volatilidade que diferente do ano de 2023, onde o mercado estava abastecido e depois houve uma redução no preço desses insumos, nesse momento nós temos um baixo abastecimento.”

Segundo Alfredo Kober, o cenário já provoca retração nas compras e menor aplicação de fertilizantes pelos produtores. “A indústria não está com o estoque preparado para atender toda a safra, porque ela está aguardando também essa confirmação. E isso é um aspecto que vai levar a uma redução da aplicação de fertilizantes. Esse aumento tem resultado numa paralisia no mercado”.

A edição do talk show contou com apoio da Abisolo e do Programa de Estudos dos Negócios do Sistema Agroindustrial, ligado à Fundação Instituto de Administração, com foco na ampliação do debate sobre temas estratégicos para o agronegócio brasileiro.





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Encontro entre Trump e Xi Jinping pode impactar agro brasileiro


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou à China para um encontro com o presidente chinês, Xi Jinping, que não ocorria desde 2017. A reunião, marcada para a manhã de quinta-feira, horário local, é considerada crucial para as relações comerciais entre as duas maiores economias do mundo e pode ter repercussões significativas em outros países, incluindo o Brasil.

Impactos nas exportações brasileiras

Entre os principais temas da reunião estão:

  • A guerra no Oriente Médio
  • A autonomia de Taiwan
  • A exploração de minerais críticos
  • As tarifas comerciais entre Estados Unidos e China

Um dos pontos centrais para Trump é a tentativa de reverter a proibição da China à carne americana, que antes gerava quase 2 bilhões de dólares em receita. Atualmente, o Brasil se destaca como o maior fornecedor de carne para a China.

Questões sobre a soja

Outro aspecto importante é a soja, onde os Estados Unidos perderam espaço para o Brasil. Entre janeiro e agosto de 2025, a China importou apenas 5,8 milhões de toneladas de soja americana, uma queda de quase 80% em relação ao ano anterior, enquanto o Brasil exportou 109 milhões de toneladas.

Expectativas para o agronegócio brasileiro

O agronegócio brasileiro deve se manter forte, mesmo com as negociações entre Trump e Xi. Especialistas afirmam que o Brasil possui um mercado robusto e que a soja pode ser utilizada para a produção de biodiesel, garantindo a segurança alimentar do país. O foco deve ser em melhorar a estrutura econômica interna para evitar impactos negativos nas exportações.

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Amaggi compra 40% da FS e amplia atuação no etanol de milho


Amaggi compra 40% da FS e amplia atuação no etanol de milho

A Amaggi anunciou, nesta quinta-feira (14), a compra de 40% do capital social da FS, produtora de etanol de milho com operações em Mato Grosso. Segundo as empresas, a transação reforça a estratégia de industrialização e diversificação da Amaggi e deve ampliar a integração entre originação de milho, logística e bioenergia. O acordo foi protocolado no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e segue sujeito à análise concorrencial no Brasil.

A operação une duas companhias com forte presença no agronegócio mato-grossense. Em nota, as empresas informaram que a parceria terá foco na captura de sinergias em áreas estratégicas, como suprimento de milho, estrutura logística e exportações. Os valores do negócio não foram detalhados.

A FS registrou receita líquida de R$ 12,8 bilhões no acumulado de 12 meses até dezembro de 2025. A empresa processa mais de 6 milhões de toneladas de milho por safra, produz 2,6 bilhões de litros de etanol e 2,2 milhões de toneladas de DDG, insumo destinado à nutrição animal. Já a Amaggi comercializa 24,7 milhões de toneladas de grãos e fibras no mercado global e mantém relacionamento comercial com cerca de 5,6 mil produtores rurais.

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Segundo Judiney Carvalho, CEO da Amaggi, a companhia estudava há alguns anos entrar no segmento. De acordo com ele, a escolha pela FS está alinhada à estratégia de inovação e às metas de descarbonização do grupo. Rafael Abud, CEO da FS, afirmou que a combinação entre a estrutura da Amaggi e a especialização da FS em combustíveis de baixa intensidade de carbono tende a reforçar a competitividade da empresa.

Com base nos dados operacionais divulgados, a transação amplia a presença da Amaggi em uma cadeia com maior integração entre produção agrícola, processamento industrial e coprodutos. Na prática, isso pode aumentar a exposição da companhia ao mercado de combustíveis renováveis e ao consumo de milho fora do mercado tradicional de exportação.

O avanço da operação dependerá da aprovação do Cade. Até essa definição, não há prazo informado pelas companhias para conclusão do negócio. Se confirmada, a parceria tende a aprofundar a participação da Amaggi no setor de bioenergia em um contexto de expansão do etanol de milho no Brasil.

Fonte: Estadão Conteúdo

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