A semana promete ser intensa no Congresso Nacional, com a apresentação do relatório final sobre a proposta de emenda à constituição que altera a jornada de trabalho para 40 horas semanais e duas folgas remuneradas. O relator, deputado Léo Prates, do Republicanos da Bahia, deve apresentar o texto nesta quarta-feira.
Principais pautas da semana
Além da jornada de trabalho, outros projetos importantes estão na pauta da Câmara:
Projeto de lei 1625 de 2026, que cria um crime específico contra o aumento abusivo de preços de combustíveis, com pena de detenção de 2 a 5 anos.
Projeto de lei 699 de 2023, que institui o Profer, visando estimular a produção nacional de fertilizantes.
Projeto de lei 2951 de 2024, que trata da modernização do seguro rural e regulamenta o fundo de catástrofe.
Discussões no Senado
No Senado, a Comissão de Assuntos Econômicos deve discutir a liberação de recursos do Pressal para renegociar dívidas rurais. A frente parlamentar da agropecuária também se reunirá para debater pautas prioritárias, como crédito rural e seguro agrícola.
Julgamento no Supremo Tribunal Federal
O plenário do Supremo Tribunal Federal retoma o julgamento sobre a ação que questiona a redução da área do Parque Nacional do Jamanchim para a construção da ferrogrão. O relator, ministro Alexandre de Moraes, já se manifestou a favor da validade da lei.
Missão do governo no exterior
O ministro da Agricultura, André de Paula, está em missão oficial na China para ampliar o mercado para o agronegócio brasileiro, buscando avançar acordos no setor agropecuário.
A China e os Estados Unidos concordaram em expandir o comércio agrícola por meio da redução de tarifas e do enfrentamento de barreiras não tarifárias. A informação foi divulgada pelo Ministério do Comércio da China após a visita do ex-presidente Donald Trump a Pequim. O representante de comércio dos EUA afirmou que o país espera um aumento de dois dígitos nas compras de produtos agrícolas americanos pela China.
Desafios do comércio internacional
O comentarista Miguel Daúd destacou que existe uma grande distância entre o discurso político e a execução comercial. Ele enfatizou que o comércio internacional não funciona apenas por vontade política, mas também depende da oferta e da demanda. Entre os pontos abordados, estão:
A Casa Branca anunciou um aumento de 17 bilhões de dólares nas compras de produtos agrícolas até 2028.
As conversas sobre compras anteriores não se concretizaram devido a variáveis como disponibilidade e preço.
A China não deve depender dos EUA para sua segurança alimentar, dada a competitividade entre os dois países.
Impactos no Brasil
Apesar das preocupações sobre o impacto do comércio entre China e EUA, Daúd acredita que o mercado chinês para o Brasil está consolidado e não sofrerá alterações significativas. Ele alertou que o foco deve ser nas variáveis que os produtores podem controlar, como:
Taxa de juros
Preço do diesel
Preço do frete
O comentarista também mencionou que o cenário econômico global está se preparando para uma alta nas taxas de juros, o que pode afetar a inflação e a produção agrícola.
Conclusão
Daúd concluiu que é essencial que os produtores rurais se concentrem nas variáveis que podem controlar e não se deixem levar por discursos políticos que não refletem a realidade do comércio internacional.
O setor leiteiro do Rio Grande do Sul se destacou na Fenaçu Expoleite, realizada no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. A feira, uma das maiores do estado, reuniu o que há de melhor em genética e produção, evidenciando a importância de investimentos para enfrentar crises sucessivas e aumentar a eficiência na produção.
Importância dos investimentos
Os investimentos em genética, nutrição e conforto animal são fundamentais para garantir a qualidade do leite produzido. Cláudio, produtor de leite e preparador morfológico, ressalta que mesmo com a queda nos preços, a modernização das propriedades é essencial.
Conforto e manejo adequado são cruciais para a produção de leite.
Investimentos podem variar de 20 a 500 mil reais.
Financiamentos focados em agricultura familiar e cooperativas estão disponíveis.
Desafios e oportunidades
Nos últimos dez anos, 65% dos produtores de leite gaúchos abandonaram a atividade. No entanto, a Eloía, uma cooperativa, se destacou ao agregar valor à produção por meio de uma agroindústria, transformando o leite em produtos lácteos artesanais e aumentando a rentabilidade.
Investimentos em agroindústria geram retorno e reconhecimento pela qualidade.
Sucessão familiar é um fator que incentiva investimentos nas propriedades.
Transformar a propriedade em um negócio rentável requer investimentos contínuos.
O alongamento de dívida rural é tratado por instituições financeiras como uma negociação comercial opcional, mas trata-se de um direito garantido ao produtor em situações específicas previstas na legislação e reconhecidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). O alerta é da advogada Giulia Arndt, especialista do Maffioletti & Arndt Advogados.
Segundo ela, a Súmula 298 do STJ estabelece que o alongamento da dívida originária de crédito rural não depende exclusivamente da vontade do banco quando o produtor comprova incapacidade temporária de pagamento decorrente de fatores como quebra de safra, eventos climáticos ou oscilações severas de mercado.
“O alongamento da dívida rural não é favor do banco. É um direito do produtor reconhecido pela Justiça. Mesmo assim, muitos produtores ainda recebem negativas sem fundamentação adequada, como se a decisão dependesse apenas da instituição financeira”, afirma.
Caixa pressionado
A advogada ressalta que o instrumento disponível ao produtor ganha relevância em meio ao cenário de dificuldade financeira enfrentado pelo setor, ocasionado por problemas climáticos, aumento do custo de produção, juros elevados e queda no preço de commodities, fatores que pressionam o caixa e ampliam discussões sobre renegociação de passivos e acesso ao crédito para as próximas safras.
De acordo com Giulia, um dos principais problemas é a falta de informação sobre as ferramentas legais disponíveis, uma vez que muitos produtores acabam aceitando renegociações em condições mais desfavoráveis, com juros maiores, reforço de garantias ou assinatura de confissões de dívida sem saber que poderiam buscar o alongamento previsto na legislação rural.
“Muitos produtores procuram orientação apenas depois de já terem assinado contratos mais pesados financeiramente. Em vários casos, existia um direito que poderia ter sido acionado antes da formalização dessas novas obrigações”, contextualiza.
A especialista destaca ainda que existe diferença jurídica entre renegociação comercial e alongamento de dívida rural:
A renegociação depende de critérios internos e comerciais da instituição financeira;
O alongamento possui fundamento legal específico e requisitos próprios.
“Essa diferença é importante porque muda completamente a forma como o pedido deve ser apresentado e analisado. Misturar renegociação comercial com pedido de alongamento pode enfraquecer a defesa do produtor”, ressalta.
Para a advogada, o impacto do não alongamento ultrapassa a situação individual do produtor rural. Sem reorganização financeira, muitos produtores perdem acesso ao crédito de custeio da safra seguinte, criando um efeito em cadeia que afeta fornecedores, cooperativas, transportadoras, empregos e a economia de municípios ligados ao agronegócio.
“Quando o crédito trava, o problema deixa de ser apenas da propriedade rural. O reflexo chega à cadeia inteira do agro. O alongamento existe justamente para evitar que uma dificuldade temporária se transforme em um colapso financeiro maior”, afirma.
A especialista acredita que o tema ganhará ainda mais espaço nas discussões relacionadas ao próximo Plano Safra e às medidas de apoio financeiro ao setor.
“O produtor rural precisa entender que existem mecanismos legais criados justamente para protegê-lo em momentos de crise. Conhecer esses instrumentos pode ser decisivo para preservar a atividade e evitar perdas irreversíveis”, conclui.
O pesquisador Guilherme M. Klafke, do Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Saúde Animal Desidério Finamor (IPVDF), ligado à Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), apresentou nesta segunda-feira (18) os avanços e as limitações no diagnóstico da resistência a carrapaticidas em carrapatos bovinos. A exposição ocorreu em Águas de Lindóia (SP), durante a 55ª reunião da Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular (SBBq), que termina nesta terça-feira (19).
Na mesa-redonda “Avanços Recentes em Entomologia Molecular”, Klafke tratou dos marcadores moleculares da resistência a carrapaticidas no carrapato bovino (Rhipicephalus microplus). Segundo o pesquisador, o tema envolve desafios técnicos para transformar descobertas em biologia molecular em testes diagnósticos amplamente aplicáveis no campo.
O carrapato bovino está entre os principais parasitos da pecuária em regiões tropicais e subtropicais. Além da ação direta sobre os animais, ele também atua na transmissão de agentes ligados à tristeza parasitária bovina. O controle ainda depende, em grande parte, de carrapaticidas químicos. De acordo com a apresentação, o uso frequente desses produtos favorece a seleção de populações resistentes, o que dificulta o manejo sanitário.
Klafke explicou que a resistência deve ser entendida como um fenômeno evolutivo e multifatorial. Embora mutações e outros mecanismos associados à resistência já tenham sido identificados, diferentes populações resistentes podem apresentar variantes genéticas distintas. Nesse contexto, um único marcador molecular pode não explicar, isoladamente, o fenótipo observado nas propriedades.
Segundo o pesquisador, as ferramentas moleculares são importantes para ampliar o entendimento sobre como a resistência surge, se dissemina e se mantém nas populações de carrapatos. No entanto, ele ressaltou que o diagnóstico laboratorial fenotípico continua sendo essencial para orientar o uso racional dos carrapaticidas.
O IPVDF informou que mantém atuação histórica no diagnóstico da resistência a carrapaticidas e no apoio técnico a veterinários, produtores e ao serviço veterinário oficial. Atualmente, o centro desenvolve estudos voltados ao aprimoramento de métodos laboratoriais, à vigilância da resistência e ao uso de abordagens genômicas no Rio Grande do Sul, em cooperação com instituições nacionais e internacionais.
A apresentação indicou que a estratégia mais consistente para o controle do carrapato bovino é a integração entre vigilância genômica, bioensaios laboratoriais e dados de campo. Esse modelo pode ampliar a precisão do diagnóstico e apoiar decisões sanitárias mais eficientes na pecuária, embora o conteúdo divulgado não traga prazos ou resultados quantitativos de aplicação dessas ferramentas.
Foto: divulgação/Secretaria da Agricultura e do Abastecimento
Estimativas para a temporada de produção de milho, divulgadas pela Conab, projetam uma crescente nas quantidades entre os relatórios de abril e maio. Por conta disso, pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), apontam que compradores, que hoje tem estoques confortáveis, aguardam um recuo nas cotações para realizar as negociações.
Dados da Conab mostram que a primeira safra 2025/26 está estimada em 28,46 milhões de toneladas, 14% superior ao da temporada anterior e 2% acima do relatório divulgado em abril. O aumento reflete no crescimento em área e produtividade nas regiões produtoras. O Cepea destaca que neste ano os estoques de passagem no início da temporada foram estimados como um dos maiores já registrados, o que ja transmitiu tranquilidade aos consumidores.
Ainda segundo centro de pesquisas, vendedores do cereal seguem flexiveis nas negociações, visto o cenário de quedas de preços, armazéns cheios e safras fortes.
O Ministério da Fazenda manteve em 2,3% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026, segundo o Boletim Macrofiscal divulgado pela Secretaria de Política Econômica (SPE) nesta segunda-feira (18). Para 2027, a estimativa também foi preservada, em 2,6%. No setor agropecuário, a pasta reiterou expectativa de alta de 1,2% em 2026, já considerando os resultados da Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de março.
As projeções da SPE seguem acima das medianas do relatório Focus mais recente, que apontavam expansão de 1,85% para o PIB em 2026 e de 1,77% em 2027. Para o primeiro trimestre de 2026, a Fazenda manteve a estimativa de avanço de 1% na margem e de 1,8% na comparação interanual.
Segundo a secretaria, o cenário incorpora indicadores coincidentes compatíveis com o desempenho projetado para a economia. A pasta afirmou que o efeito contracionista de uma Selic mais elevada tem sido compensado pela alta do preço do petróleo, com reflexos diretos sobre a indústria extrativa, seus encadeamentos produtivos e os termos de troca, além de melhora no saldo da balança comercial observada até abril.
No detalhamento setorial, a projeção para a indústria foi mantida em 2,2%, com compensação do desempenho mais fraco da manufatura no início do ano pelo dinamismo da atividade extrativa. Para os serviços, a expectativa permaneceu em 2,4%, sustentada, segundo a SPE, pela isenção do imposto de renda, expansão do crédito consignado privado e crescimento da massa real de rendimentos.
Para o agro, a manutenção da estimativa de 1,2% indica estabilidade na leitura oficial sobre o comportamento do setor em 2026. Embora o boletim não detalhe culturas, regiões ou cadeias específicas neste recorte, a projeção serve de referência para agentes do campo, cooperativas e empresas ligadas à produção ao sinalizar o ritmo esperado da atividade dentro do cenário macroeconômico.
Para 2027, a SPE atribuiu a manutenção da projeção aos efeitos defasados do ciclo de flexibilização monetária, com redução da Selic ao longo de 2026 e 2027, conforme as expectativas de mercado. A secretaria também citou efeitos graduais da Reforma Tributária e do Plano de Transformação Ecológica. O boletim, no entanto, não detalha nesta divulgação impactos específicos por segmento agropecuário.
A Embrapa Milho e Sorgo realizou, no dia 13 de maio, um dia de campo interno para apresentar resultados validados do Sistema Antecipe em lavouras de sorgo, milheto e forrageiras associadas ao milho. A atividade ocorreu na fazenda experimental da unidade e reuniu empregados, bolsistas e uma representante da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de Minas Gerais (Sedese). O foco do encontro foi consolidar informações técnicas sobre o uso da tecnologia em diferentes culturas e discutir perspectivas de ampliação da adoção.
Segundo a Embrapa, os resultados apresentados envolveram sistemas com sorgo, milheto e forrageiras como Urochloa ruziziensis, Brachiaria brizantha e Panicum maximum cv. Mombaça em associação com o milho. A condução da atividade ficou a cargo do pesquisador Décio Karam.
De acordo com Karam, o conceito do Sistema Antecipe está ligado à redução da exposição ao risco climático. A lógica técnica, segundo o pesquisador, não é priorizar inicialmente o ganho de produtividade, mas reduzir perdas em condições de estresse. Nesse modelo, a manutenção da palhada sobre o solo, sem a movimentação causada pela semeadura após a colheita da soja, contribui para menor perda de água e redução da temperatura do solo.
A Embrapa também destacou que esse ambiente favorece menor impacto sobre a biota do solo, fator relevante para a manutenção das condições físicas e biológicas da área. Karam afirmou ainda que a resposta do sistema depende da genética das cultivares de soja e da cultura intercalar utilizada, o que reforça a necessidade de ajuste técnico conforme o arranjo produtivo.
A abertura do evento contou com a participação da chefe-adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento, Cynthia Damasceno, e do supervisor de Transferência de Tecnologia, Fredson Chaves. O conteúdo divulgado não informou indicadores numéricos de produtividade, área ou comparação econômica, o que limita uma mensuração objetiva dos resultados nesta etapa.
Com base nas informações apresentadas pela Embrapa, o Sistema Antecipe avança como alternativa de manejo voltada à redução de risco climático e à preservação das condições do solo em sistemas de produção. A ampliação da adoção, no entanto, depende da validação contínua em diferentes cultivos, materiais genéticos e ambientes de produção.
O Ministério da Fazenda elevou de 3,8% para 4,6% a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) em 2026. A atualização foi divulgada pela Secretaria de Política Econômica (SPE) no Boletim Macrofiscal publicado nesta segunda-feira (18). Segundo a pasta, a revisão considera a aceleração dos preços de alimentos e o peso maior desse grupo no INPC em relação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
De acordo com a SPE, até abril, o INPC acumulava alta de 4,1% em 12 meses, patamar cerca de 0,3 ponto porcentual abaixo do IPCA no mesmo intervalo. Ainda assim, a secretaria avalia que o INPC acumulado em 2026 deve superar o IPCA, justamente pela influência mais intensa dos alimentos na composição do indicador.
O dado é acompanhado pelo setor agropecuário porque a inflação de alimentos tem relação direta com oferta, custos de produção, logística e repasses ao consumidor. No material divulgado, a Fazenda não detalhou quais produtos puxaram essa aceleração nem apresentou a decomposição por grupos alimentares.
Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!
No mesmo boletim, a projeção para o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) foi mantida em 4,9% para 2026. A SPE informou que os resultados do início do ano vieram abaixo do esperado, mas que o choque geopolítico no Oriente Médio alterou essa trajetória a partir de março. Entre fevereiro e abril, a variação acumulada em 12 meses passou de -2,9% para 0,8%, com destaque para altas em produtos da cadeia petroquímica.
Segundo a secretaria, a apreciação cambial esperada para o ano tende a limitar parte do repasse desse choque externo. A pasta também informou que a projeção foi feita antes da divulgação do IGP-DI de abril, em 8 de maio, resultado que surpreendeu a equipe econômica com inflação mais intensa do que a prevista.
Para as cadeias do agro, o avanço dos alimentos no INPC e a pressão sobre insumos ligados à petroquímica são fatores que exigem monitoramento, porque podem influenciar custos, formação de preços e consumo doméstico.
O Boletim Macrofiscal reforça que alimentos devem seguir com peso relevante na trajetória do INPC em 2026. Sem a abertura dos itens responsáveis pela revisão, a dimensão setorial do movimento ainda depende de detalhamento adicional dos dados oficiais.
As hidrovias da região Norte mantêm papel central na logística brasileira, no escoamento da produção agropecuária e no abastecimento de comunidades ribeirinhas. Dados divulgados pelo Ministério de Portos e Aeroportos e pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes mostram que os rios Amazonas, Madeira, Solimões e Tapajós/Teles Pires concentram corredores estratégicos para cargas, passageiros e serviços públicos em áreas onde o transporte fluvial é, em muitos casos, a principal alternativa.
Segundo a Diretoria de Infraestrutura Aquaviária do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), a região conta com quatro hidrovias administradas pelo órgão: HN-100 Rio Amazonas, HN-117 Rio Madeira, HN-132 Rio Solimões e Hidrovia Tapajós/Teles Pires. Essas rotas conectam municípios, dão suporte ao comércio regional e permitem o transporte de produtos agrícolas, minerais, combustíveis e mercadorias essenciais.
A HN-100 Rio Amazonas tem 1.646 quilômetros de extensão, responde por 65% da carga movimentada no Norte e transporta cerca de 50 milhões de toneladas por ano, de acordo com o governo federal. A via atende 9,2 milhões de pessoas nos estados do Amazonas, Amapá e Pará e opera durante todo o ano. Já a HN-117 Rio Madeira, com 1.060 quilômetros navegáveis entre Porto Velho (RO) e Itacoatiara (AM), é uma das principais rotas para o escoamento de soja, milho e açúcar do Centro-Oeste.
Receba no seu e-mail as notícias mais importantes do dia, análises de mercado e os principais fatos que movimentam o agronegócio: assine a newsletter do Canal Rural
No caso da HN-132 Rio Solimões, são 1.630 quilômetros de extensão e conexão com 87 municípios em áreas do Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima. A hidrovia Tapajós/Teles Pires soma 843 quilômetros e liga polos produtores do Centro-Oeste ao Rio Amazonas e ao Oceano Atlântico, reforçando a saída de cargas agrícolas e reduzindo a dependência de outros modais.
Para o setor agropecuário, a relevância dessas rotas está na capacidade de movimentar grandes volumes com integração entre produção, armazenagem e exportação. Segundo o secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Burlier, a modernização da navegação interior fortalece a logística e amplia o acesso a mercados. O material divulgado, no entanto, não detalha investimentos, cronogramas de obras ou custos operacionais atualizados por corredor.
Além do transporte de cargas, as hidrovias sustentam o abastecimento de alimentos, combustíveis e medicamentos e viabilizam serviços públicos itinerantes. Entre janeiro de 2022 e outubro de 2025, mais de 645 mil pessoas foram atendidas por embarcações da Caixa e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no Amazonas e no Pará. Para a logística do agro, o desempenho dessas rotas segue diretamente ligado à manutenção da navegabilidade e à infraestrutura disponível nos corredores fluviais.