domingo, março 15, 2026

Autor: Redação

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Chuvas de dezembro melhoram umidade do solo e favorecem lavouras de primeira safra


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Foto: AEN

As chuvas registradas na primeira quinzena de dezembro melhoraram a umidade do solo e favoreceram o desenvolvimento das culturas de primeira safra na maior parte do país. A avaliação consta do Boletim de Monitoramento Agrícola, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Segundo o levantamento, os volumes acumulados foram suficientes para sustentar o avanço das lavouras recém-implantadas, sem comprometer a conclusão da colheita dos cultivos de inverno. A análise também aponta que, de forma geral, os indicadores espectrais mostram lavouras em boas condições vegetativas na maioria das regiões produtoras.

O boletim destaca que a regularidade das precipitações foi determinante para a recuperação da umidade do solo, especialmente em áreas que vinham enfrentando restrições hídricas no fim de novembro.

Centro-Oeste e Sudeste

No Centro-Oeste, principal polo de produção de grãos do país, as chuvas foram mais expressivas no nordeste de Mato Grosso e no norte de Goiás. Nessas áreas, os volumes ocorreram de forma mais distribuída, contribuindo para elevar os níveis de água no solo.

De acordo com a Conab, esse cenário favoreceu tanto a semeadura quanto o desenvolvimento inicial das lavouras de primeira safra. No Sudeste, a dinâmica climática foi semelhante, com precipitações que ajudaram a manter condições adequadas para o crescimento das culturas.

Região Sul

No Sul do Brasil, a distribuição das chuvas foi mais irregular. Os maiores acumulados foram observados no norte e no oeste do Paraná. No Rio Grande do Sul, os primeiros dias de dezembro tiveram baixos volumes de precipitação, o que permitiu a finalização da colheita das culturas de inverno.

Já entre os dias seis e dez do mês, as chuvas ganharam intensidade e ajudaram na recomposição da umidade do solo. Esse fator criou condições mais favoráveis para a semeadura e o desenvolvimento das lavouras de verão. No Paraná e em Santa Catarina, o boletim indica que o clima, de modo geral, foi favorável ao avanço das lavouras na primeira quinzena do mês.

Norte e Nordeste

Na região Norte, as chuvas beneficiaram áreas do Tocantins e partes do sul e do noroeste do Pará. Nessas localidades, os volumes registrados contribuíram para a semeadura e para o desenvolvimento das culturas de primeira safra.

O boletim, no entanto, aponta restrições em algumas áreas, especialmente no nordeste do Pará, devido à irregularidade das chuvas combinada com temperaturas elevadas. No Nordeste, os acumulados observados no Matopiba favoreceram o plantio e o crescimento das lavouras. Em contrapartida, os volumes foram insuficientes para atender plenamente áreas do leste, centro e oeste do Maranhão.

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O recesso legislativo garante respiro na turbulência entre poderes


Senado - Câmara -Legislação - Congresso , sessão do marco temporal
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Após um período de instabilidade entre Executivo e Legislativo, marcado pela indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF) e pela prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, o Congresso Nacional encerra 2025 com votações importantes para o governo, culminando na aprovação do projeto de Lei Orçamentária Anual.

A relação harmoniosa que o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), mantinha com o governo rapidamente se deteriorou com a falta de diálogo na escolha de Messias para o STF, marcando o início de uma corrida dos articuladores políticos do Planalto para garantir a deliberação da pauta econômica ainda em 2025. Algumas semanas atrás, o desencontro com as forças do Congresso levou a uma turbulência que costumamos ver mais em ano eleitoral, com a derrubada de 52 dos 59 vetos à Lei Geral do Licenciamento Ambiental, que acendeu um alerta para o Executivo na reta final dos trabalhos legislativos.

O foco do governo estava em garantir aprovações sensíveis e, nesse ponto, sai vitorioso. Conseguiu emplacar o projeto de lei complementar 108/2025, que institui o Comitê Gestor do IBS, dispõe sobre o processo administrativo tributário e altera regras relativas ao ITCMD. e o projeto de lei complementar 128/2025, que garante a redução em 10% parte dos benefícios fiscais federais e eleva a tributação incidente sobre apostas de quota fixa, fintechs e juros sobre capital próprio (JCP).

Esse segundo texto era ainda mais importante, considerando a necessidade de aumentar espaço no orçamento de 2026. Ele integra a estratégia do governo para recompor receitas e evitar um ajuste orçamentário mais severo em ano eleitoral. Para compensar as exceções presentes no texto, o projeto eleva a alíquota do JCP de 15% para 17,5%, aumenta gradualmente a tributação sobre a receita bruta das casas de apostas de 12% para 15% até 2028 e majora a CSLL de fintechs e instituições de pagamento, que passa de 9% para 12% em 2026 e a 15% a partir de 2028.

Com isso, o clima no encerramento dos trabalhos de 2025 foi controlado. O governo conseguiu adiar a disputa entre os poderes e liberou espaço para as aprovações que geram arrecadação, perseguindo o piso da meta fiscal em 2026. Do outro lado, os parlamentares conseguiram os recursos para as emendas e para o fundo eleitoral e, com isso, respiram aliviados.

No entanto, o início de 2026 guarda o enfrentamento de temas difíceis. O presidente já sinalizou que irá vetar integralmente o PL da Dosimetria, que reduz a pena dos envolvidos no 8 de janeiro. Com isso, caberá aos parlamentares a votação da manutenção ou derrubada dos vetos. Antes disso, o governo também passará por uma avaliação de força com a sabatina de Messias no Senado Federal. Esses temas podem mudar o termômetro da popularidade do governo em meses críticos para as eleições.

O presidente Lula tem cobrado uma comunicação mais incisiva dos seus ministros, visando impacto positivo nas eleições de 2026 através do debate com políticas públicas. Há pressa porque dezenas de ministros deixarão os cargos no primeiro escalão para concorrer em outubro. Lula passou a encampar a discussão do fim da escala 6×1 e levantar outras pautas populares visando melhorar seus números. Mas precisará equilibrar esses esforços com o Congresso e, para isso, tem sinalizado que irá procurar Alcolumbre antes do fim do ano em tentativa de reaproximação para pacificar o clima entre os poderes e evitar conflitos em ano eleitoral.

Assim, o recesso parlamentar oferece um bom respiro nas tensões, mas exige cuidado. O que se espera de um ano eleitoral é um jogo político de alta complexidade para o governo.

*Fernanda César é gerente de Análise Política Federal e de Bens de Consumo. Atua desde 2017 na BMJ Consultores Associados, com ampla experiência em relações governamentais. É bacharel em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB) e pós-graduada em Direito e Relações Governamentais pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB).


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Brasil pode exportar material genético avícola para Moçambique


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Foto: Ligados & Integrados

O Brasil concluiu uma negociação sanitária com Moçambique e obteve autorização para exportar material genético avícola ao país africano. A liberação inclui ovos férteis e pintos de um dia, usados na formação de plantéis comerciais.

A abertura amplia a presença do agronegócio brasileiro no mercado internacional e reforça a atuação do país no continente africano. O acordo foi conduzido pelo governo federal e envolve exigências sanitárias acordadas entre as autoridades dos dois países.

Autorização sanitária e impactos no setor

A liberação do mercado moçambicano permite o envio de material genético avícola brasileiro, considerado estratégico para a melhoria dos plantéis locais. Esse tipo de produto é fundamental para elevar padrões produtivos e sanitários na avicultura.

Para o Brasil, a autorização cria novas possibilidades de negócios para empresas do setor, especialmente aquelas especializadas em genética e reprodução avícola. O país é um dos principais exportadores mundiais de proteína animal e também de tecnologia ligada à produção.

A negociação sanitária é etapa obrigatória nesse tipo de comércio, pois define critérios técnicos, controles e garantias sanitárias exigidas pelo país importador. Sem esse acordo, as exportações não podem ocorrer.

Moçambique no radar do agronegócio brasileiro

Com população estimada em cerca de 33 milhões de habitantes, Moçambique tem ampliado suas compras externas de produtos agropecuários. Entre janeiro e novembro de 2025, o país importou mais de US$ 24 milhões em itens do agro brasileiro.

As compras tiveram destaque para proteínas animais, segmento no qual o Brasil mantém posição relevante no comércio internacional. A autorização para material genético avícola reforça esse relacionamento comercial e pode abrir caminho para novos fluxos de exportação no futuro.

O continente africano é visto como uma região com potencial de crescimento econômico e demográfico, o que amplia o interesse brasileiro por novos acordos sanitários e comerciais.

Balanço das aberturas de mercado

Com a autorização concedida por Moçambique, o agronegócio brasileiro chega a 521 aberturas de mercado desde o início de 2023. Esses acessos envolvem 81 destinos diferentes, considerando produtos e categorias diversas.

O resultado reflete a atuação conjunta do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE). O trabalho envolve negociações técnicas, diplomáticas e sanitárias, voltadas à ampliação do acesso de produtos brasileiros ao mercado internacional.

Para o setor produtivo, as aberturas representam novas oportunidades de diversificação de destinos e redução da dependência de mercados tradicionais.

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Com demanda enfraquecida, preços do milho caem


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Foto: Leandro Balbino/Canal Rural Mato Grosso

Os preços do milho seguem em queda em algumas regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Segundo pesquisadores do instituto, a pressão vem da redução na demanda pelo cereal, como típico neste período de final de ano. Boa parte dos consumidores indica que deve voltar ao spot apenas em janeiro. No campo, as atenções se voltam às atividades envolvendo a safra verão de milho.

Pesquisadores do Cepea indicam que, após um período de estiagem, o retorno das chuvas trouxe certo alívio aos agricultores, tendo em vista que favoreceu o desenvolvimento das lavouras da safra verão.

Além de auxiliarem a atual safra, as precipitações e a melhora do clima elevam as expectativas de semeadura da segunda safra no período considerado ideal para a cultura.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo

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Preços do farelo de soja apresentam boa recuperação


Novas cultivares de soja lançadas pela Embrapa
Foto: Embrapa

Os preços do farelo de soja encerram 2025 registrando recuperação parcial das perdas acumuladas ao longo do ano. Isso é o que indicam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Segundo pesquisadores do instituto, a valorização do derivado está relacionada sobretudo à necessidade de recomposição de estoques por parte de avicultores e suinocultores regionais.

O avanço no preço também teve reforço na atual baixa oferta de farelo no spot nacional, tendo em vista que grande parte das indústrias processadoras já encerrou o esmagamento em 2025.

Diante disso, dados do Cepea mostram que os preços domésticos do farelo de soja operaram nos patamares mais elevados desde abril na maior parte das regiões acompanhadas.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo

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AgroNewsPolítica & Agro

Movimento de correção pressiona cotações da soja


O mercado internacional da soja encerrou a semana com movimento negativo, refletindo ajustes de preços e maior cautela dos investidores diante do comportamento da demanda global. Segundo a TF Agroeconômica, os contratos negociados na bolsa de Chicago fecharam o dia e a semana em baixa, com o mercado concentrado em dados oficiais e na evolução do consumo asiático.

O contrato da soja com vencimento em janeiro recuou 0,24%, ou 3,00 centavos de dólar por bushel, encerrando a 1.049,75 dólares. A posição março caiu 0,19%, com perda de 2,50 centavos, a 1.060,00 dólares por bushel. No segmento de derivados, o farelo de soja para janeiro fechou em queda de 0,20%, a 297,8 dólares por tonelada curta, enquanto o óleo de soja do mesmo vencimento recuou 0,52%, a 47,86 centavos de dólar por libra-peso.

De acordo com a análise, a oleaginosa passa por um movimento de correção desde meados de novembro, sem sinais de reação no curto prazo. Mesmo com a divulgação de novas vendas e a atualização dos relatórios semanais, o mercado deixou de operar com base em rumores e passou a considerar apenas números oficiais, que vêm sendo divulgados abaixo das expectativas. Esse cenário reforça a pressão sobre as cotações e limita tentativas de recuperação.

Outro fator de atenção é o ambiente externo, marcado por ruídos comerciais que podem se intensificar com o bloqueio de navios carregados com petróleo venezuelano destinados a portos asiáticos. Internamente, a demanda no principal país importador também mostra desaceleração, com os leilões de soja realizados pela estatal Sinogran registrando redução gradual no volume negociado ao longo das rodadas. Esse enfraquecimento se reflete nas quedas observadas tanto no mercado asiático quanto em Chicago ao longo de dezembro.

No acumulado da semana, a soja em Chicago apresentou baixa de 2,51%, com perda de 27,00 centavos de dólar por bushel. O farelo recuou 1,55%, equivalente a 4,70 dólares por tonelada curta, enquanto o óleo de soja registrou queda mais acentuada, de 4,41%, ou 2,21 dólares por libra-peso no período.

 





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Focus reduz inflação prevista para 2025 e mantém projeções mais altas em 2026


juros câmbio
Foto: Agência Senado

O mercado financeiro voltou a ajustar as projeções para a economia brasileira, com redução da inflação esperada em 2025 e manutenção de um cenário ainda pressionado para 2026. Os dados constam no Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (22).

Inflação e PIB

A mediana das expectativas para o IPCA de 2025 caiu pela sexta semana consecutiva, passando de 4,36% para 4,33%. Para 2026, a projeção também recuou levemente, de 4,10% para 4,06%, permanecendo acima do centro da meta.

O movimento indica melhora gradual na percepção do mercado, embora as estimativas ainda sinalizem inflação resistente no médio prazo.

Para o Produto Interno Bruto (PIB), o mercado elevou marginalmente a projeção de crescimento em 2025, de 2,25% para 2,26%. Em 2026, a expectativa foi mantida em 1,80%, apontando desaceleração da atividade no próximo ano.

Câmbio e juros

No câmbio, a projeção para o dólar no fim de 2025 subiu para R$ 5,43. Para 2026, a estimativa segue em R$ 5,50, indicando percepção de taxa de câmbio mais pressionada ao longo do horizonte.

A expectativa para a taxa Selic permanece em 15% ao ano em 2025. Para 2026, o mercado projeta juros em 12,25%, sinalizando um processo de queda lento e condicionado ao comportamento da inflação.

Cenário fiscal e externo

O Focus manteve a projeção de resultado primário negativo em -0,5% do PIB em 2025 e em -0,6% do PIB em 2026. A dívida líquida do setor público segue estimada em 65,97% do PIB em 2025 e 70,25% do PIB em 2026, mantendo o tema fiscal no centro das atenções.

A expectativa para a balança comercial subiu para US$ 63 bilhões em 2025. Para 2026, a projeção foi mantida em US$ 66,1 bilhões.

Já o déficit em conta corrente é estimado em US$ 74,1 bilhões em 2025 e US$ 67,05 bilhões em 2026, reforçando a dependência da entrada de investimento direto no país.

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Agropecuária Maragogipe se destaca em eficiência e genética em 2025; confira


Foto: Reprodução/Giro do Boi.
Foto: Reprodução/Giro do Boi.

A Agropecuária Maragogipe, localizada em Mato Grosso do Sul, registrou resultados extraordinários em 2025, consolidando-se como uma referência mundial em eficiência e genética.

Com abates de animais hiperprecoces que atingem 23,5 arrobas aos treze meses de idade e rendimento de carcaça próximo a sessenta por cento, a fazenda tem se destacado no setor.

A combinação rigorosa de seleção de fêmeas, tecnologia de ponta e um sistema de produção circular sustentável são apontados como os principais fatores do sucesso. No ano passado, a Maragogipe foi a grande campeã de abates da raça Angus e alcançou o primeiro lugar no Circuito Nelore de Qualidade, que abrange o Brasil e o Mercosul, reafirmando a força de seus cinquenta e quatro anos de evolução.

Confira:

A importância da genética na produção

Diferente de muitos projetos que focam apenas nos reprodutores, a Agropecuária Maragogipe entende que o sucesso do animal hiperprecoce começa na barriga da vaca. A fazenda combina a tradição da inseminação artificial, prática realizada há quarenta e sete anos, com inovações na gestão de dados e recursos naturais.

Com o intuito de antecipar tendências, a Maragogipe iniciou um projeto com a raça Boran, um Zebuíno de origem africana. O objetivo é utilizar essa genética para realizar um tricross sobre as fêmeas F1 (Angus x Nelore), buscando aumentar a rusticidade e a eficiência em sistemas tropicais, mantendo o padrão de carcaça exigido pelos mercados globais.

Em um cenário onde o Brasil ultrapassou os estados Unidos na produção total de carne em 2025, o desafio da Agropecuária Maragogipe para 2026 é buscar a paridade internacional de preços, elevando ainda mais o marmoreio e o acabamento de seus produtos premium. A fazenda se posiciona para atender às crescentes demandas do mercado global.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.

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Confusão à vista: petróleo venezuelano apreendido pelos EUA  pode pertencer à China


Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A crise venezuelana há muito deixou de ser um assunto interno. O bloqueio recente de petroleiros que saem da Venezuela não é apenas mais um capítulo das sanções. Isso expõe uma realidade incômoda: o petróleo que sai do país hoje, em grande medida, já tem dono econômico.

Desde meados dos anos 2000, a Venezuela passou a financiar sua sobrevivência com um modelo conhecido como loans-for-oil. A China abriu linhas robustas de crédito para infraestrutura, energia e projetos estratégicos. Em troca, recebeu petróleo.

Entre 2007 e 2017, esses empréstimos somaram cerca de US$ 50 bilhões. Mesmo após renegociações, estima-se que ainda restam US$ 10 a 20 bilhões a serem quitados. Em alguns períodos, mais de 300 mil barris por dia eram enviados exclusivamente para amortizar essa dívida. Não se trata de exportação para gerar caixa novo: é pagamento.

Esse arranjo criou uma dependência severa. Grande parte da produção da PDVSA sai do país sem passar pelo caixa do governo. O petróleo já nasce comprometido com credores, sobretudo chineses.

Com o endurecimento das sanções dos Estados Unidos, a logística virou um jogo de sobrevivência. Carregamentos passaram a ser transferidos entre navios em alto-mar, rebatizados e, em alguns casos, rotulados como petróleo de outras origens para driblar restrições. O rótulo muda; a essência, não. O barril continua sendo a moeda de pagamento da dívida com Pequim.

É por isso que os bloqueios recentes não atingem apenas o governo de Nicolás Maduro. Ao interceptar petroleiros, Washington encosta diretamente nos interesses chineses. Não por discurso ideológico, mas por contrato.

A China, aliás, não saiu da Venezuela, dobrou a aposta. Em 2025, a estatal CNPC firmou acordos de longo prazo para desenvolver campos petrolíferos no país, reforçando pesquisas e exploração. Para Pequim, a Venezuela é um ativo energético estratégico, localizado justamente no entorno geopolítico mais sensível para os EUA.

Esse movimento ajuda a entender por que a pressão americana ganhou novo fôlego. Ao firmar contratos de exploração e pesquisa em 2025, a China não apenas garantiu o recebimento de dívidas passadas, mas avançou sobre o acesso direto às maiores reservas de petróleo do planeta. Para Washington, isso soa como uma invasão estratégica do capital chinês em uma área historicamente sensível à influência americana, e ajuda a explicar por que a derrubada de Nicolás Maduro passou a ter, também, um claro componente energético e geopolítico.

Nesse contexto, o risco político para Donald Trump é evidente. Se a estratégia de pressão não resultar na saída de Maduro, o custo é alto. Mobilizar força, endurecer bloqueios e não entregar resultado fragiliza a imagem internacional e também a doméstica. Mais do que isso, abre espaço para um confronto indireto com a China, algo que Washington sempre tentou evitar no Caribe.

Dessa forma o ponto central é : o petróleo venezuelano apreendido no mar não é apenas um ativo de um regime isolado. Em muitos casos, ele representa o pagamento de uma dívida chinesa, firmada em contratos que mantiveram a Venezuela de pé quando ninguém mais estava disposto a emprestar.

Ao confiscar esses barris, os Estados Unidos não pressionam só Caracas. Encostam em Pequim. E quando petróleo, dívida e geopolítica se misturam, a história mostra que os efeitos raramente ficam restritos a um único país.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


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El Niño influencia na disponibilidade de peixes e crustáceos no Oceano Atlântico


Oceano Atlântico
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Um estudo publicado na revista Nature Reviews Earth & Environment amplia a compreensão científica sobre os impactos do El Niño–Oscilação Sul (ENOS) sobre o Oceano Atlântico. Segundo os pesquisadores, o fenômeno climático pode determinar se a pesca aumenta ou diminui em regiões da África e da América do Sul.

Você quer entender como usar o clima a seu favor? Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.

ENOS é o nome dado para a alternância entre o esfriamento (El Niño) e o aquecimento (La Niña) do Oceano Pacífico. O fenômeno acoplado nasce de variações da pressão e das circulações oceânicas e atmosféricas.

O estudo reúne evidências científicas de como o ENOS muda padrões de chuva, ventos, temperatura, salinidade do oceano e a descarga de grandes rios, afetando a disponibilidade de nutrientes e oxigênio nas águas. Essas mudanças influenciam o fitoplâncton, base da cadeia alimentar marinha, e têm reflexos na abundância de peixes e crustáceos de importância comercial.

Impactos do El Niño

Segundo o artigo, os impactos do fenômeno não são homogêneos e variam conforme a região, a espécie explorada e o período analisado. No Norte do Brasil, o El Niño atua pela via tropical e está associado à redução das chuvas na Amazônia, como observado em 2023 e 2024. A diminuição das chuvas reduz a pluma do rio Amazonas, que transporta nutrientes essenciais para a costa do Norte e Nordeste.

“Essa pluma, que chega à costa do Norte e Nordeste do Brasil, contém nutrientes que são a base da cadeia alimentar”, explica a professora Regina Rodrigues, da Universidade Federal de Santa Catarina, uma das autoras do artigo.

A redução desse aporte pode prejudicar a produtividade da pesca em algumas áreas, mas, por outro lado, pode favorecer a captura do camarão marrom, beneficiado pela menor turbidez da água e maior penetração da radiação solar.

No Sul do país, o El Niño atua pela via extratropical e está associado ao aumento das chuvas, como ocorreu no Rio Grande do Sul em 2024. O maior aporte de água doce e nutrientes tende a favorecer a pesca de determinadas espécies. Já na região central do Atlântico Sul, o fenômeno está relacionado ao aumento da captura da albacora, um tipo de atum amplamente explorado comercialmente.

A revisão ressalta, no entanto, que essas respostas variam de acordo com a espécie, a estação do ano e até a década analisada.

Objetivos da pesquisa

Segundo Ronaldo Angelini, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e coautor do estudo, a proposta da pesquisa é integrar processos físicos, biogeoquímicos e ecológicos para compreender essas variações.

“Essa abordagem ajuda a explicar por que respostas observadas na pesca nem sempre são lineares ou consistentes ao longo do tempo”, afirma Angelini, especialmente diante de um cenário de mudanças climáticas que afetam a frequência e a intensidade do ENOS.

O artigo também identifica lacunas importantes no conhecimento, como a escassez de séries históricas de dados pesqueiros e limitações das observações por satélite, e propõe caminhos para aprimorar a capacidade de previsão.

“Esse roteiro viabiliza a construção de modelos quantitativos comparáveis com estimativas de incerteza, essenciais para separar sinais de ENOS de outras variabilidades”, explica o pesquisador.

Resultado de um projeto internacional financiado pela União Europeia, com participação de instituições da Europa, África e Brasil, o estudo destaca que não existe uma resposta única do Atlântico ao ENOS. Para os autores, isso reforça a necessidade de estratégias de manejo localizadas, adaptadas à realidade de cada estoque pesqueiro e de cada comunidade.

Diante da escala global do fenômeno, que dificulta o monitoramento por países isoladamente, os pesquisadores defendem a adoção de um monitoramento oceânico coordenado, com a ampliação de redes já existentes e a integração de observatórios costeiros, utilizando protocolos comuns, dados interoperáveis e séries temporais comparáveis.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo

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