“Foi uma das poucas puladas de cerca que deram resultado”, diz presidente sobre origem do girolando

A história de uma das principais raças leiteiras do país começou com um episódio inusitado no interior paulista. Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, Alexandre Lopes Lacerda, o surgimento do girolando remonta a um cruzamento acidental ocorrido na década de 1940, no Vale do Paraíba (SP).
“Foi talvez uma das únicas puladas de cerca que não deu problema. Pelo contrário, está dando resultado até hoje”, afirmou durante entrevista ao programa Giro do Boi.
O cruzamento entre as raças Gir e Holandês deu origem a um animal adaptado ao clima tropical e capaz de manter produção leiteira em diferentes sistemas de manejo. Com o tempo, a seleção genética transformou o cruzamento em uma das bases da pecuária leiteira nacional. Hoje, o girolando responde por mais de 80% do leite produzido no país.
Confira:
Evolução da raça
O processo de organização da raça ganhou impulso em 1989, quando foi criado o serviço de registro genealógico. Desde então, o número de animais registrados se aproxima de 25 milhões de cabeças.
A associação também registrou novos recordes em 2025, com cerca de 114 mil registros genealógicos entre nascimento e registro definitivo.
Parte desse avanço é atribuída ao trabalho de melhoramento genético realizado em parceria com a Embrapa, que mantém pesquisas voltadas ao aumento de produtividade e adaptação do gado leiteiro ao ambiente tropical.
Segundo Lacerda, o programa de melhoramento já identificou 34 características genéticas da raça. “Nós temos avançado muito nesse processo de seleção e isso se reflete diretamente na produtividade das fazendas”, disse.
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Produção de leite no Brasil
A expansão da raça acompanha o crescimento da produção leiteira brasileira. O país ocupa atualmente a quarta posição entre os maiores produtores de leite do mundo, com cerca de 35 bilhões de litros por ano.
De acordo com o presidente da associação, a atividade está presente em praticamente todo o território nacional. “Hoje temos mais de 1 milhão de propriedades produtoras de leite no Brasil e cerca de 99% dos municípios têm produção”, afirmou.
A maior parte dessas propriedades é formada por pequenos produtores. Estimativas do setor indicam que cerca de 60% das fazendas produzem até 200 litros por dia. Nesse cenário, a raça girolando ganhou espaço por reunir características de rusticidade e produtividade.
Recordes produtivos
O avanço genético também levou a novos patamares de produção individual. De acordo com a associação, vacas da raça já ultrapassaram a marca de 127 litros de leite por dia.
Esse desempenho é resultado da seleção genética combinada com tecnologias reprodutivas, como inseminação artificial, fertilização in vitro e transferência de embriões.
O mercado de genética acompanha essa expansão. No último ano, foram comercializadas cerca de 1,34 milhão de doses de sêmen de animais girolando.
Novas estratégias na pecuária leiteira
Entre as tendências discutidas pelo setor está o uso de vacas leiteiras para produção de bezerros destinados à pecuária de corte, estratégia conhecida como “beef on dairy”.
O modelo, utilizado em países como Estados Unidos e Canadá, consiste em inseminar parte do rebanho leiteiro com sêmen de raças de corte para geração de bezerros voltados à produção de carne.
Segundo Lacerda, a adoção desse sistema depende da realidade de cada propriedade. “Não existe receita de bolo. O melhor sistema depende do manejo, da alimentação e do objetivo de cada produtor”, afirmou.
Pressão das importações
Apesar do avanço tecnológico, o setor leiteiro brasileiro enfrenta desafios no mercado. Entre as principais preocupações estão as importações de leite em pó provenientes de países do Mercosul. Entidades do setor defendem medidas de proteção comercial e políticas públicas voltadas à produção nacional.
Lacerda afirmou que a cadeia produtiva busca condições de concorrência equilibradas. “Nós não queremos vantagem. Queremos apenas competir em igualdade de condições”, disse.
Ele destacou ainda o impacto econômico da atividade no meio rural. Segundo o dirigente, um aumento de R$ 0,20 no preço pago ao produtor poderia gerar cerca de R$ 5 milhões por dia na economia ligada à pecuária leiteira. “É uma atividade que gera renda, mantém o produtor no campo e movimenta milhares de propriedades no país”, afirmou.
Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.
Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.
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