No morning call de hoje, a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta que o dólar fechou em R$ 5,35 com pressão sazonal por remessas e desempenho inferior do real frente a outras emergentes.
O Ibovespa recuou após realização no setor financeiro, apesar da alta do petróleo e minério. Lá fora, bolsas de NY caíram com bancos e criptomoedas, e o iene se valorizou após sinal do Banco do Japão. Hoje, destaque para a produção industrial no Brasil e inflação na Zona do Euro.
Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.
Uma frente fria decorrente de um ciclone extratropical deve levar chuva forte para áreas do Sul e Sudeste do país. Nas demais regiões, também haverá registro de precipitações, mas com tempo que permanece abafado. Confira:
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Sul
A atuação de um ciclone na costa do Rio Grande do Sul e sua frente fria associadas provocam pancadas de chuva em boa parte da Região. A chuva é irregular, mas pode ocorrer com moderada a forte intensidade na serra e nordeste gaúcho, faixa leste de Santa Catarina e no leste e noroeste do Paraná. Nas demais áreas a chuva ocorre na forma de pancadas com menor intensidade. No oeste e na campanha gaúcha o tempo firme predomina. Rajadas moderadas de vento podem ocorrer a qualquer hora na metade leste dos três estados, enfraquecendo ao final do dia. As temperaturas ficam altas, especialmente no norte e noroeste paranaense.
Sudeste
A frente fria chega à costa da Região Sudeste, deixando o tempo mais nublado e com pancadas de chuva a qualquer hora em São Paulo, podendo ser mais forte a partir da tarde. No Rio de Janeiro e na metade sul de Minas Gerais, as pancadas ocorrem entre a tarde e a noite, com intensidade moderada a localmente forte. No Espírito Santo e nordeste mineiro, o sol predomina. As temperaturas vão seguir altas pela Região com sensação de abafamento.
Centro-Oeste
A chuva se espalha por todos os estados da Região. Em Mato Grosso do Sul e na metade oeste de Mato Grosso o tempo fica mais nublado e com chuva que pode ocorrer a qualquer momento, com moderada a forte intensidade; não se descarta a ocorrência de temporais isolados. Em Goiás, o sol aparece em alguns momentos, mas as pancadas estão previstas a qualquer hora podendo ser localmente fortes. As temperaturas permanecem altas pela Região.
Nordeste
Chove em forma de pancadas na metade sul do Maranhão e do Piauí, além do oeste da Bahia. Nessas áreas a chuva pode vir com até forte intensidade em pontos isolados. Nas demais áreas da Região, o dia será de sol entre poucas nuvens e temperaturas elevadas. A umidade do ar permanece atingindo níveis críticos no sertão e agreste nordestino. Pancadas rápidas e isoladas podem ocorrer no litoral do Ceará e do Rio Grande do Norte até Alagoas.
Norte
Sol alternando com períodos de chuva, que podem ser fortes no Acre, em grande parte do Amazonas, Rondônia, Tocantins e metade sul do Pará, onde não se descartam temporais isolados. No norte paraense e no Amapá, o predomínio é de tempo firme, enquanto em Roraima as pancadas são mais isoladas. A sensação de abafamento persiste em toda a Região.
O Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na quinta-feira (27) aponta avanço uniforme no desenvolvimento dos vinhedos no Rio Grande do Sul, com variações conforme a região e a finalidade produtiva.
Na área administrativa de Caxias do Sul, a Emater informa que os vinhedos da variedade Vênus cultivados na Costa do Rio das Antas, em Bento Gonçalves, estão na fase inicial de maturação. Segundo o boletim, “a previsão de início de colheita dos primeiros cachos para o consumo in natura é em início de dezembro”. A instituição destaca que a sanidade dos parreirais é considerada satisfatória, embora haja registros pontuais de míldio e botritis. Os agricultores concentram o manejo na desfolha e na poda verde, sobretudo nas variedades voltadas à produção de vinhos.
Em Frederico Westphalen, as videiras apresentam diferentes estágios. De acordo com o informativo, a variedade Vênus está “em plena maturação e colheita”, enquanto cultivares como Bordô, Niágara Rosada e Niágara Branca encontram-se em compactação de cachos. Outras variedades, como Seyve Villard, Carmem, Lorena e Itália, estão entre a fase de baga “ervilha” e o início da compactação. A Emater ressalta que há monitoramento constante de doenças típicas da primavera, como míldio, oídio e podridão-da-uva-madura. A variedade Vênus é comercializada a R$ 6,00 o quilo.
Na região de Santa Rosa, a cultura apresenta carga elevada de cachos e bagas bem formadas. O informativo registra ocorrência de antracnose e míldio, especialmente na Niágara Branca. Conforme a Emater, produtores experientes realizaram controle de inverno com calda sulfocálcica e seguem com aplicações de fungicidas e produtos cúpricos. A expectativa regional é de boa safra.
Na área de Soledade, as videiras estão em formação de bagas, com manejos voltados ao controle de antracnose e escoriose, favorecidas pelas noites frias. Em Encruzilhada do Sul, os vinhedos destinados à produção de vinhos finos e espumantes apresentam alto potencial produtivo. Segundo o boletim, isso ocorre “em razão das condições climáticas favoráveis”. O manejo fitossanitário segue calendário rigoroso, principalmente para as uvas europeias, mais suscetíveis a doenças fúngicas.
Um estudo inédito da Embrapa Cerrados (DF) revelou que ajustar o momento da irrigação no trigo pode reduzir pela metade as emissões de gases de efeito estufa (GEEs) sem comprometer a produtividade. A pesquisa identificou que o ponto de equilíbrio ideal ocorre quando as plantas utilizam 40% da água disponível no solo, resultado que promete transformar o manejo do trigo irrigado em regiões tropicais, especialmente no Cerrado — área estratégica para a expansão da cultura no Brasil.
Publicado na revista Sustainability (MDPI), o estudo avaliou pela primeira vez como diferentes estratégias de irrigação afetam a produtividade do trigo, o uso da água, a emissão de gases como óxido nitroso (N₂O) e metano (CH₄), além da atividade biológica do solo.
O trabalho oferece um novo caminho para tornar a produção irrigada mais eficiente e ambientalmente responsável em um cenário de mudanças climáticas.
O ponto ideal: 40% da água do solo
Durante dois anos de experimentos, os pesquisadores compararam quatro níveis de depleção de água no solo: 20%, 40%, 60% e 80%. A reposição da água após o uso de 40% da capacidade de água disponível (CAD) mostrou-se o ponto de equilíbrio — garantindo a maior produtividade (6,8 t/ha) e as menores emissões de óxido nitroso, gás quase 300 vezes mais potente que o CO₂.
Segundo a pesquisadora Alexsandra Oliveira, responsável pelo estudo, essa faixa de umidade no solo proporcionou “o melhor índice de Potencial de Aquecimento Global (PAG)”, reduzindo em 41% as emissões quando comparada ao cenário de irrigação após o uso de 60% da CAD, que apresentou o maior pico de N₂O e o PAG mais elevado (1.185,8 kg de CO₂ equivalente).
“Irrigar no momento certo altera radicalmente a intensidade das emissões de gases de efeito estufa”, afirma Oliveira. “Manter a umidade intermediária, próxima dos 40%, oferece o melhor equilíbrio entre produtividade e sustentabilidade ambiental.”
Por que irrigar tarde aumenta emissões?
A explicação está nos chamados ciclos de reumidificação do solo. Quando a terra seca demais e depois recebe uma carga grande de água, ocorre um estímulo às reações microbianas que produzem óxido nitroso. Por isso, irrigar apenas após depleções de 60% ou 80% aumenta significativamente as emissões.
Para explicar bem o experimento, a Embrapa propõe comparar o solo a uma caixa d’água subterrânea. Quando os pesquisadores falam em “depleção de 60%”, significa que essa caixa foi esvaziada em 60%. Irrigar demais desperdiça água, irrigar de menos causa estresse nas plantas.
“O segredo é monitorar a água do solo como se fosse uma caixa d’água subterrânea”, afirma o pesquisador Jorge Antonini. “Quando ela fica muito vazia, as plantas sofrem. Quando enchemos demais, desperdiçamos água e estimulamos emissões.”
Produtividade alta com menor impacto
Os dados mostram que, ao respeitar o limite dos 40%, é possível manter produtividades próximas a 7 t/ha, com melhor uso dos insumos e menor impacto climático. Para Antonini, isso reforça a necessidade da agricultura tropical avançar em precisão hídrica.
“Não é irrigar mais ou menos, é irrigar com precisão. O Cerrado pode produzir trigo competitivo e de baixo impacto climático”, resume.
Metano vira aliado no Cerrado
Outro achado importante do estudo foi o comportamento do metano. Em vez de emitir CH₄, o solo do Cerrado atuou como um dreno natural, absorvendo o gás da atmosfera nas condições ideais de irrigação — algo raro em sistemas irrigados.
Isso ocorre porque os solos tropicais apresentam boa drenagem, alta aeração e ausência de encharcamento, favorecendo microrganismos que consomem metano.
Como o estudo foi conduzido
O experimento ocorreu entre 2022 e 2024 em Planaltina (DF), em sistema de plantio direto com sucessão soja–trigo, modelo comum entre produtores da região. O monitoramento da umidade foi feito com sondas instaladas a 70 cm de profundidade, enquanto as emissões foram quantificadas por câmaras estáticas, método adotado pelo IPCC.
As cultivares usadas foram BRS 4782 RR (soja) e BRS 264 (trigo), amplamente adotadas no Cerrado.
Impactos para a agricultura sustentável
O trigo irrigado já ocupa mais de 30 mil hectares no Cerrado e é uma alternativa para reduzir a dependência das importações. Segundo os pesquisadores, a descoberta reforça que é possível combinar alta produtividade com baixa emissão, marcando um passo importante para a agricultura tropical de baixo carbono.
“Ajustar o momento da irrigação otimiza o uso da água e do nitrogênio, garantindo rendimento elevado e menor impacto ambiental”, destaca Oliveira.
A equipe continuará avaliando o efeito da irrigação em outras culturas tropicais — como milho, café e soja — para ampliar a adoção de práticas clim smart no campo.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) marcou, na manhã de sexta-feira (28), a entrega de 1 milhão de cestas de alimentos destinadas a populações vulneráveis em todo o país. O ato, realizado na Unidade Armazenadora de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, destacou o papel da estatal no enfrentamento da fome e no apoio a grupos afetados por calamidades. Segundo a Conab, o local foi escolhido por ter se tornado “epicentro da maior operação logística de distribuição de alimentos do país”.
A cerimônia reuniu mais de 300 participantes, incluindo representantes de Cozinhas Solidárias que atuaram durante as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul e beneficiários como quilombolas, indígenas e pescadores. Desde 2023, os investimentos para aquisição das cestas somam R$ 245 milhões, recursos do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), operacionalizados pela Conab.
Desde 2023, a Conab tem atuado em diferentes regiões do país para atender diversos grupos em situação de vulnerabilidade, entre eles indígenas, pescadores, extrativistas, quilombolas, povos de terreiro, comunidades ciganas, catadores, assentados, acampados e atingidos por barragens, estiagens e enchentes. As entregas também abastecem cozinhas emergenciais, defesas civis e prefeituras. Cada cesta é destinada a uma família de quatro pessoas, o que corresponde a “aproximadamente 4 milhões de atendimentos no período ou 9,4 milhões de refeições”.
Durante o evento, a milionésima cesta foi entregue simbolicamente a representantes do público prioritário do programa, reforçando, conforme o texto, o compromisso de “assegurar o direito constitucional à alimentação”. Ainda na solenidade, um caminhão da Companhia foi carregado com 560 cestas, equivalentes a 12,3 toneladas de alimentos, com destino à coordenação regional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), em Passo Fundo.
Além do marco nas entregas, a Conab anunciou novos investimentos no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). De acordo com o informativo, serão destinados R$ 79 milhões para compras da agricultura familiar voltadas ao abastecimento de cozinhas solidárias cadastradas no MDS, com prioridade para proteínas.
O Boletim de Monitoramento Agrícola (BMA), divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), aponta que as chuvas registradas entre 1º e 21 de novembro foram “irregulares e mal distribuídas” em áreas agrícolas do país. Segundo o documento, essa condição afetou a semeadura e o início do desenvolvimento dos cultivos de primeira safra em algumas regiões. Apesar disso, o boletim afirma que “a umidade no solo e as temperaturas máximas não tão elevadas favoreceram o avanço da semeadura”, inclusive no Matopiba, onde as precipitações aumentaram no final do período.
No Centro-Oeste, principal produtor de grãos do país, a Conab relata que o período chuvoso foi instável, com irregularidades que ainda mantinham “áreas com baixa umidade” no sudoeste de Mato Grosso, no Pantanal e em partes de Mato Grosso do Sul e Goiás. A estatal destaca, porém, que houve recuperação do armazenamento hídrico ao longo do mês, o que permitiu o avanço do plantio em regiões com maior capacidade de retenção de água no solo.
A irregularidade das precipitações também marcou a região do Matopiba. De acordo com o boletim, as chuvas se intensificaram apenas na terceira semana do mês, possibilitando a recuperação da umidade do solo em grande parte da área produtora. Ainda assim, a Conab observa que, em áreas da Bahia e do sudeste do Piauí, “os altos índices de precipitação do final do período não foram suficientes para elevar o armazenamento hídrico” a níveis adequados para a semeadura.
No Norte, a estatal registra que Rondônia, Pará e Tocantins sofreram com chuvas irregulares, mantendo baixa umidade em vários pontos, embora tenha ocorrido melhora gradual ao longo do mês. Em contraste, o Amazonas apresentou “chuvas frequentes e abundantes”, que contribuíram para manter o nível dos rios.
Na Região Sudeste, as precipitações foram melhor distribuídas, com maiores acumulados em São Paulo e no centro-sul de Minas Gerais. A Conab destaca que temperaturas mais baixas ajudaram a reduzir a perda de umidade no solo. Mesmo assim, ainda há áreas com baixa umidade no Triângulo, no Noroeste e no Norte de Minas.
O boletim informa que, no Sul, o início de novembro foi marcado por chuvas intensas, especialmente no oeste do Paraná, onde ocorreram “rajadas de vento, tornados e granizo”, resultando em danos às lavouras. Nas demais áreas da região, os acumulados foram menores, mas suficientes para sustentar o desenvolvimento dos cultivos de primeira safra. Para os cultivos de inverno, a Conab avalia que, apesar dos excessos de chuva, “o clima foi favorável para o andamento e a conclusão da colheita”.
Fenômeno meteorológico deve atingir vários estados entre quinta-feira e domingo, trazendo riscos de chuvas intensas
Um ciclone extratropical irá se formar na América do Sul e passará por diversas regiões agrícolas do Brasil entre quinta-feira e domingo. Segundo Maria Clara Sassaki, meteorologista da Tempo Ok, a formação do ciclone atinge primeiramente países vizinhos, como Uruguai, Paraguai e Argentina. No Brasil, a primeira região a ser atingida será a oeste do Rio Grande do Sul. “Entre quinta e sexta-feira, a área de instabilidade vai se movimentando pelo estado gaúcho. No mapa (abaixo), quanto mais vermelho, maior é o risco de chuva forte”, comenta Sassaki.
De sexta para sábado, a tempestade tende a se movimentar e atingir áreas de Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. No domingo, o ciclone segue rumo ao oceano, reduzindo as instabilidades pelo país. No entanto, ainda pode gerar condições de mar agitado e prejudicar áreas portuárias do Sudeste e da região Sul. “Dessa forma, o alerta maior fica para esse período entre sexta e sábado. No final do sábado, as chuvas já vão reduzindo até que o ciclone se afaste e as chuvas se tornem mais pontuais”, explica Sassaki.
No entanto, até chegar a esse momento, as condições serão instáveis, com rajadas de vento, raios e possibilidade de granizo. “Pontualmente, os volumes são muito elevados e podem provocar transtornos, especialmente no Rio Grande do Sul. Conforme o sistema avança, as áreas do Sudeste e do Centro-Oeste também passarão por momentos de grande instabilidade”, detalha a meteorologista.
Veja na sequência das imagens, como será o avanço do ciclone pelo Brasil:
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Foto: Pixabay
O Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na quinta-feira (27) aponta avanço na colheita do pêssego em diferentes regiões do Rio Grande do Sul, com oferta crescente nos mercados e variações de preço conforme calibre e destino da fruta.
Na região administrativa de Caxias do Sul, a Emater informa que “já há boa quantidade de frutas aos consumidores”, com preços mais acessíveis em função do aumento da oferta. Apesar disso, produtores relatam dificuldades na comercialização. A colheita segue concentrada nas variedades BRS Kampai, PS 25399 (cedo), Chimarrita, Fascínio, Serenata, White Delight e Charme, que registram “bom volume de produção” e preço médio de R$ 6,40/kg no Ceasa/Serra. Os frutos menores são vendidos a R$ 5,00/kg. A colheita de nectarina das variedades Mexicana, Bruna e Mina também começou, com valores semelhantes aos do pêssego.
Na região de Pelotas, foram colhidas as cultivares precoces Citrino e Bonão, descritas no boletim como de “excelente rendimento e qualidade”. A maturação uniforme deve concentrar a colheita em poucos dias. As variedades de ciclo médio apresentam desenvolvimento e sanidade dentro do esperado, e os produtores mantêm os tratamentos fungicidas preventivos. Há expectativa positiva caso a distribuição de chuvas permaneça regular até o fim da safra.
A Emater destaca que a mosca-das-frutas, principal praga da cultura, está sob controle com o uso de iscas tóxicas monitoradas por armadilhas. Mesmo assim, produtores manifestam insatisfação com os preços pagos pela indústria, que permanecem em R$ 2,10/kg para pêssegos tipo I e R$ 1,85/kg para tipo II, motivando mobilizações do setor.
O produtor de leite brasileiro enfrenta baixas sucessivas nos preços e muitos veem um cenário de crise formado no setor. Em outubro, a cotação considerada a “Média Brasil” fechou com recuo de 5,9%, com o litro em R$ 2,2996. O resultado marca o sétimo mês seguido de queda, com desvalorização de 21,7% no ano, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Para Allan Tormen, produtor de leite do Rio Grande do Sul, porém, as dificuldades observadas neste momento não são novidade e demandam resiliência. Em entrevista ao Canal Rural, o presidente do Sindicato Rural de Erechim e coordenador da Comissão de Leite e Derivados da Farsul detalhou os principais movimentos e desafios atuais envolvendo a cadeia produtiva.
Quando a produção global aumenta, os principais players aumentam juntos
Tormen explica que a pressão nas cotações do leite se dá pela maior disponibilidade do produto no mercado interno. Além disso, as importações também vêm ganhando força. A oferta elevada, entretanto, não fica restrita somente ao Brasil, que segundo ele deve aumentar a produção em cerca de 8% em 2025.
“Hoje, os grandes blocos estão aumentando produção: Nova Zelândia, os quatro países do Mercosul (Brasil, Argentina, Chile e Uruguai) e os Estados Unidos. Então há maior oferta mundial, o que pressiona os preços nos mercados importadores”, afirma.
Falta poder de barganha e consolidação no setor
Na avaliação de Tormen, um dos pontos mais sensíveis é a “falta de poder de barganha” no setor, tanto para produtores quanto indústrias. “A indústria vê o produtor como fornecedor. Se o volume e a qualidade são interessantes, ela não quer perder. Então valoriza fornecedores-chave”, explica.
Somado a isso, na visão dele, falta consolidação de mercado e a indústria acaba priorizando os fornecedores que conseguem negociar melhor. Mas como seria feita essa reestruturação?
“Quem vai fazer isso é o mercado. Enquanto muitos produtores saem da atividade, outros podem não estar ganhando o que gostariam, mas vão sair vivos e em melhores condições para o próximo ciclo”, afirma. Só que o diagnóstico feito por ele é que o setor tem espaço para reagir. Isso porque ciclos de crise abrem oportunidades para propriedades mais estruturadas e a consolidação tende a trazer um ambiente mais previsível.
Ao ser perguntado sobre o tipo de crise que o setor leiteiro enfrenta atualmente, Tormen é categórico ao afirmar que o caminho é longo e tende a se agravar. “É uma crise longa, mas não chegamos ao fundo do poço”, diz. Ele reforça que o futuro depende de mudanças econômicas, políticas e de comportamento por parte dos produtores.
O que o produtor de leite pode esperar?
Para Tormen, a saída passa por profissionalização e organização. Ele defende que o setor precisa avançar em modelos contratuais que deem previsibilidade para produtores e indústrias, reduzindo a volatilidade típica do mercado. “Sem informação e sem um acordo claro, ninguém consegue tomar decisões assertivas”, resume.
O membro da Farsul lembra que crises anteriores já forçaram mudanças profundas na cadeia e que o momento atual não é diferente. Se de 12 meses, sete foram de queda no preço do leite, o produtor tem que estar preparado para negociar. “Ele vai ter que olhar para o que está acontecendo no mundo e pensar o negócio dele no médio e longo prazo”, alerta. Ferramentas de gestão, seguro rural mais robusto e diálogo entre os elos da cadeia são, segundo ele, essenciais para atravessar o ciclo negativo.
Mesmo reconhecendo que o cenário deve continuar pressionado nos próximos meses, Tormen afirma que propriedades estruturadas podem sair fortalecidas. Para ele, entretanto, o desafio é transformar a atividade em um negócio sustentável, com foco em eficiência, custo e estratégia de longo prazo. “Fica no mercado quem produz o que o cliente quer comprar, com o preço que o mercado diz que é o justo”, conclui.
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O diagnóstico também evidenciou a importância de reduzir áreas de solo exposto – Foto: Pixabay
A identificação detalhada das condições do campo tem papel central na definição de estratégias de manejo mais eficientes e duradouras. Segundo o engenheiro agrônomo Marcos Diones Sousa, uma avaliação recente apontou a presença de plantas daninhas perenes, sinal de falhas anteriores e de que o controle precisa ser mais direcionado. Ele observa que esse tipo de ocorrência exige o uso de herbicidas sistêmicos ou misturas específicas aplicadas no momento adequado, medida essencial para evitar rebrote e aumentar a eficiência operacional.
O diagnóstico também evidenciou a importância de reduzir áreas de solo exposto e fortalecer a cobertura vegetal, prática que contribui para diminuir a reinfestação e o banco de sementes. Para o agrônomo, a análise criteriosa, apoiada em conhecimento técnico e visão comercial ajustada à realidade do produtor, é o caminho para elevar a consistência do manejo.
Sua experiência no setor reforça a ideia de transformar informação técnica em resultados práticos. Isso envolve identificar corretamente os desafios presentes na área, propor soluções que combinem tecnologia, manejo e viabilidade econômica, garantir eficiência no controle dentro do sistema produtivo e orientar decisões que influenciam diretamente a rentabilidade.
Ele destaca que o manejo inteligente depende de diagnóstico preciso, planejamento estruturado e acompanhamento contínuo. Cada visita ao campo passa a ser vista como uma oportunidade de antecipar problemas, ajustar estratégias e converter dados em soluções aplicáveis. As informações foram divulgadas em seu perfil no LinkedIn.