quarta-feira, março 25, 2026

Autor: Redação

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como engordar o gado em pasto diferido e garantir rentabilidade



A fase de terminação na seca é crucial para a rentabilidade da pecuária, e o desafio é que a qualidade do pasto diferido já não é suficiente. O doutor Iorrano Cidrini alerta que o peso do animal aumenta sua exigência nutricional, e a forragem perde proteína. A solução está em migrar para a Terminação Intensiva a Pasto (TIP), que consiste em uma alta oferta de ração.

A TIP exige o fornecimento de ração em níveis mais elevados, próximos de 1,5% a 2% do peso vivo do animal. Essa intensidade de arraçoamento pode garantir um Ganho Médio Diário (GMD) na ordem de 1.300 g a 1.600 g, mesmo durante o período seco.

O ganho é exponencial: o animal sai de ganhos de 500 g (com suplementação mais baixa) para ganhos que se aproximam de 1,5 kg com a TIP, impulsionando a eficiência.

Confira:

Ajuste fisiológico, carcaça e adaptação da dieta

Na TIP, o objetivo é o ganho de carcaça, e não apenas o ganho de peso vivo. O animal faz um ajuste fisiológico, reduzindo o tamanho do rúmen e selecionando as folhas secas de maior digestibilidade.

Isso resulta em uma eficiência biológica superior, ou seja, uma porcentagem maior do ganho de peso se transforma em carcaça, em comparação com o confinamento tradicional.

Para iniciar a TIP, o produtor deve realizar uma adaptação gradual da dieta, essencial para preparar a microbiota ruminal e as papilas ruminais (que absorvem os ácidos graxos).

  • Período: a adaptação leva de 15 a 21 dias, o tempo necessário para a formação da queratina que reveste as papilas.
  • Manejo: a ração deve ser ofertada em quantidades graduais, com subidas de 1 kg ou 0,25% do peso vivo, a cada 3 ou 4 dias de cocho zerado de forma consecutiva.

É fundamental não ignorar a oferta do pasto, mesmo com 2% do peso vivo em ração. O pasto no rúmen serve para cadenciar a taxa de passagem e permite mais tempo para a atuação das bactérias.

Score de fezes: o indicador de sucesso

Para garantir que o manejo de suplementação e a TIP estejam sendo bem-feitos, o produtor deve utilizar o Score de Fezes como ferramenta indispensável. O Score é o principal “dedo duro” da operação, pois indica se o teor de proteína bruta da dieta precisa ser corrigido.

O Score 3, o mais intermediário, é o padrão ideal: o bolo com a forma de “vulcãozinho” (com um buraquinho no meio). Esse padrão mostra que o conteúdo ruminal teve uma boa taxa de passagem, que o animal foi bem adaptado e que o nível de proteína está ajustado, sem apresentar quadros de acidose.



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Família do RS vive da suinocultura há três gerações e se tornou referência no setor



A suinocultura é mais do que uma atividade econômica para a família Schoffen. Ela é herança, identidade e caminho para o futuro. No município de Harmonia, no Rio Grande do Sul, três gerações já se dedicaram à criação de suínos, unindo esforço, persistência e valores familiares que atravessam o tempo.

Tudo começou com o avô de André Schoffen, que criava suínos de forma independente. Em 1995, seu pai iniciou a atividade de forma profissional, com o primeiro galpão construído com apoio da prefeitura e adesão ao sistema de integração. Hoje, André segue à frente da produção com cinco galpões e 3.500 animais alojados, e com os filhos já aprendendo o valor do trabalho no campo.

“Desde pequeno ajudo na lida. É algo que está no sangue. Acordamos cedo, tomamos nosso chimarrão e vamos para o galpão ver se os animais estão bem. É uma rotina que envolve cuidado, dedicação e amor pela atividade”, conta André.

Do início desafiador ao reconhecimento técnico

Em 2008, já casado com Ângela, André decidiu investir no seu primeiro galpão. No começo, o casal enfrentou dificuldades financeiras, altas prestações e a necessidade de conciliar a granja com empregos fora da propriedade. Com apoio mútuo e trabalho em equipe, venceram os obstáculos e expandiram a produção.

A evolução da granja veio acompanhada de conquistas. Em 2024, a família conquistou o primeiro lugar no prêmio da SuperAgro na categoria de melhor conversão alimentar da integradora JBS/Seara. O resultado foi fruto de manejo eficiente, atenção ao bem-estar dos animais e uma gestão técnica organizada.

“A empresa valoriza esse desempenho. Temos uma rotina bem definida, sabemos o que observar, quando intervir. Isso faz diferença”, destaca Ângela, que hoje atua integralmente na granja.

A suinocultura representa o sustento da família, mas também algo maior: uma missão. “A gente se orgulha de alimentar o mundo com carne de qualidade. É uma sensação boa ver o resultado do nosso trabalho e saber de onde viemos”, diz André.

A família valoriza a convivência, o aprendizado passado entre gerações e o desejo de manter os filhos próximos do campo. “Eles têm interesse. O Matheus tem 12 anos, o Miguel tem 9. A gente torce para que continuem. Mas o mais importante é que escolham com liberdade”, afirma.

Com espírito empreendedor, os Schoffen pensam em ampliar ainda mais a estrutura. “Queremos investir, crescer com responsabilidade e manter esse legado vivo. Não é só negócio. É parte da nossa história”, reforça.

Exemplo de união e valorização da atividade

Para a integradora JBS, a família representa o modelo de suinocultura que o Brasil precisa fortalecer: comprometida com resultados, com as pessoas e com a atividade. “É uma família unida, que busca crescer com planejamento. É gratificante acompanhar três gerações trabalhando com tanto empenho”, afirma o técnico responsável.

O município de Harmonia reconhece na suinocultura uma importante base econômica. Segundo André, a atividade garante renda para dezenas de famílias e contribui com a arrecadação local. “Aqui não temos grandes propriedades, mas cada família consegue viver bem com a produção suinícola. E o município sempre apoiou”, ressalta.

Mais do que números ou premiações, o que sustenta a família é o orgulho de fazer parte de algo maior.

“A gente levanta todo dia sabendo que tem um propósito. Gosto de cuidar dos animais, gosto de estar aqui. E se os filhos quiserem seguir, vão ter onde continuar. Isso é o mais importante”, diz André.



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Pesquisa da Embrapa ‘cria’ bovinos mais resistentes ao carrapato



Os carrapatos continuam entre os maiores inimigos da bovinocultura, provocando perdas financeiras que afetam diretamente a renda do produtor rural. Pesquisas recentes da Embrapa Pecuária Sul mostraram caminhos promissores para enfrentar essa praga, apresentando animais mais tolerantes e produtivos.

A raça brangus, utilizada como base no estudo, vem demonstrando resultados consistentes em campo ao reduzir infestações e diminuir a dependência de produtos químicos. Esse avanço representa uma alternativa de baixo custo e grande impacto econômico para quem trabalha com cria, recria e engorda.

A iniciativa começou em 2009, quando a equipe de pesquisadores buscou soluções acessíveis para atender às demandas de pecuaristas brasileiros. Como o brangus já apresentava certa tolerância natural ao parasita, a raça foi escolhida como base para desenvolver linhagens resistentes.

O grupo utilizou ferramentas de mapeamento genético para identificar regiões do genoma associadas à defesa contra o carrapato. A partir dessa seleção, foi possível multiplicar indivíduos com maior capacidade de resposta imune e menor infestação.

Os cientistas destacam que a resistência ao carrapato depende de vários fatores combinados. A reação do animal à picada, a força do sistema imunológico e até a habilidade de se limpar sozinhos influenciam diretamente o resultado.

Com mais de 100 mil marcadores genéticos avaliados, a pesquisa identificou os genes favoráveis à tolerância e direcionou cruzamentos. Assim, a tecnologia oferece uma forma eficiente de melhorar o desempenho do rebanho, sem elevar custos operacionais.

Genética resistente reduz infestações e garante mais produtividade

A raça brangus tem história na Embrapa desde a década de 1950, quando foi criada a partir do cruzamento de angus com zebuínos como brahman e nelore. Com o passar dos anos, o rebanho evoluiu e ganhou destaque pela rusticidade, adaptação climática e boa performance no campo. Agora, a nova resistência ao carrapato agrega ainda mais valor a essa genética, tornando-a uma opção estratégica para diversas regiões do país.

Testes realizados em campo comprovaram que animais resistentes apresentaram até um terço a menos de infestação. Para chegar a esse número, os pesquisadores realizaram uma infestação controlada de larvas do carrapato Rhipicephalus microplus e fizeram a contagem de parasitas sobreviventes após determinado período. Essa metodologia permite comparar indivíduos da mesma raça, identificar os mais eficientes e selecionar os melhores reprodutores.

Os prejuízos causados pelo carrapato impressionam pela dimensão global. Estima-se que o parasita cause perdas de até US$ 30 bilhões por ano no mundo. Além disso, cada carrapato presente no bovino reduz o ganho de peso diário em 1,37 grama. Quando se calcula esse impacto ao longo de todo o ciclo produtivo de um novilho, o resultado chega a aproximadamente R$ 750 a menos por animal. Essa redução no desempenho influencia diretamente a rentabilidade da fazenda, prolongando o tempo até o abate e encarecendo a produção.

Tecnologia já chega a produtores

Com os resultados positivos comprovados, reprodutores com genética resistente ao carrapato já começam a ser multiplicados em propriedades rurais. A perspectiva é que a adoção desse material genético cresça rapidamente, especialmente entre produtores que enfrentam dificuldades para controlar a praga de forma química. Além de reduzir custos com produtos veterinários, os animais apresentam ganho de peso mais rápido e maior segurança sanitária.

A estimativa da Embrapa mostra que um único touro resistente pode gerar até R$ 28 mil adicionais na renda da fazenda ao longo de sua vida útil. Esse valor representa o ganho distribuído entre os descendentes que herdam a característica, trazendo mais peso, menor custo e eficiência reprodutiva. Como consequência, o pecuarista passa a trabalhar com mais previsibilidade e maior retorno por hectare.

Outro benefício importante está na redução do uso de produtos químicos. Com menor necessidade de aplicações, o produtor economiza e diminui o risco de resistência parasitária, problema comum quando o tratamento é repetido por longos períodos. Ao mesmo tempo, a pecuária se torna mais sustentável, atendendo às exigências de mercados que valorizam boas práticas ambientais e sanitárias.

Inovação genética coloca a pecuária em novo patamar

A combinação entre pesquisa avançada, seleção genética e validação a campo coloca a pecuária brasileira em posição de destaque. A adoção de animais resistentes ao carrapato não apenas reduz prejuízos, mas também melhora o bem-estar do rebanho e fortalece a competitividade do setor. Em um cenário em que produtividade e sustentabilidade caminham juntas, tecnologias como essa mostram que inovação é caminho direto para maior rentabilidade.

Com a genética evoluindo rapidamente, o produtor ganha ferramentas para enfrentar desafios históricos com mais eficiência. A resistência ao carrapato representa uma mudança concreta dentro das porteiras, ajudando a construir uma pecuária mais forte, moderna e preparada para o futuro.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.



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Ciclone provoca chuva e ventos fortes em três estados; veja a previsão do tempo



A formação de um ciclone extratropical próximo ao Sudeste deve provocar chuva volumosa, ventos fortes e risco de granizo em áreas de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. A previsão é do meteorologista Arthur Müller, do Canal Rural, que alerta para condições de tempo severo especialmente entre segunda (24) e terça-feira (25).

Você quer entender como usar o clima a seu favor? Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.

O fenômeno aumenta o risco de alagamentos, quedas de barreira e prejuízos em lavouras , em especial no café em fase de floração, que pode sofrer perdas com ventos acima de 70 km/h e granizo. Veja a previsão do tempo para o semana de 24 a 28 de novembro:

No Sul, o início da semana ainda terá chuvas isoladas no norte do Rio Grande do Sul e na Serra. Em Santa Catarina e no Paraná, as pancadas ganham força à tarde, com risco de temporais no leste e nordeste paranaense.

No restante do RS, o tempo firme predomina. As temperaturas ficam mais altas na metade leste da região, enquanto áreas mais ao sul seguem com marcas amenas.

Ao longo da semana, o calor predomina sobre as áreas produtoras, com máximas acima de 30°C. No litoral norte de SC e PR, os acumulados podem superar 100 mm, causando transtornos urbanos. Nas demais áreas, o tempo seco favorece o avanço de colheita de trigo e a finalização da semeadura de arroz, milho, soja e feijão da 1ª safra.

Instabilidades persistem devido ao calor, à umidade e à atuação de um cavado em níveis médios. As pancadas de chuva serão frequentes em SP, MG e RJ, com risco de temporais.

Mas o grande destaque é a formação do ciclone extratropical próximo à costa, entre segunda e terça-feira, intensificando os volumes no leste e norte de MG, RJ e ES. Nestas áreas, a chuva pode passar de 100 mm, somada a ventos acima de 70 km/h e possibilidade de granizo.

Além de transtornos urbanos, o cenário acende alerta para danos em lavouras de café, sensíveis às quedas bruscas de temperatura e impactos mecânicos da chuva forte.

Em São Paulo e no Triângulo Mineiro, trovoadas devem ocorrer na segunda-feira, com acumulados entre 10 e 20 mm. No restante da semana, o tempo fica mais firme.

Instabilidades seguem em Mato Grosso e Goiás, com pancadas fortes à tarde. No leste de Mato Grosso do Sul, novas áreas de chuva avançam ao longo do dia.

O destaque é o calor extremo em MS, onde as máximas podem chegar aos 40°C, exigindo atenção de produtores e criadores para hidratação no campo e estresse térmico no gado.

MT e o centro-norte de GO terão semana chuvosa, com acumulados entre 60 e 100 mm, garantindo boa umidade do solo e ritmo acelerado no plantio da soja, milho 1ª safra, feijão e arroz.

A metade sul e oeste da Bahia segue com chuva moderada a forte, impulsionada pela passagem de uma frente fria. Na sul do Piauí e Maranhão, instabilidades também persitem, com acumulados de 40 a 50 mm.

Na Bahia, especialmente no centro-sul, o volume pode chegar a 150 mm, prejudicando o avanço dos trabalhos em campo e elevando o risco de alagamentos urbanos.

No norte do PI, o calor continua intenso, com máximas próximas de 40°C e risco para queimadas.

As chuvas ajudam áreas produtoras de soja no MA e PI, mas no sul da Bahia as operações devem ficar praticamente paralisadas ao longo da semana.

Chuvas moderadas a fortes atingem Amazonas e Roraima, com risco de temporais. No Acre e Rondônia, os volumes diminuem, mas ainda são significativos.

No centro-sul do Pará e no Tocantins, as pancadas ganham força novamente, garantindo entre 40 e 60 mm que favorecem a manutenção da umidade do solo sem prejudicar trabalhos em campo.

Já no norte do PA e no Amapá, o calor e o tempo seco persistem, com máximas próximas de 40°C e risco elevado de incêndios.



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COP30 fecha acordo com foco em adaptação, transição justa e financiamento ao agro



Os 195 países participantes da COP30 aprovaram, na tarde de sábado (22), o chamado Pacote de Belém, um conjunto de 29 decisões que amplia metas de adaptação, cria novos mecanismos para a transição climática e fortalece a implementação do Acordo de Paris. O anúncio marca o encerramento da conferência realizada em Belém (PA) e consolida a edição como uma “COP de Implementação”.

Segundo o presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago, o acordo reflete a necessidade de transformar a urgência climática em ações concretas. “Ao sairmos de Belém, esse momento não deve ser lembrado como o fim de uma conferência, mas como o início de uma década de mudança”, afirmou.

Meta de adaptação triplicada e mais apoio a países em desenvolvimento

Entre as decisões aprovadas, destaca-se o compromisso de triplicar o financiamento global da adaptação até 2035. O acordo também pressiona países desenvolvidos a ampliarem os recursos destinados às nações mais vulneráveis , tema central para áreas como agricultura, gestão hídrica, infraestrutura rural e combate a eventos climáticos extremos.

A conferência também finalizou um pacote com 59 indicadores voluntários para monitorar avanços da Meta Global de Adaptação, cobrindo setores como água, alimentos, saúde, ecossistemas, infraestrutura e meios de vida, pontos diretamente ligados ao produtor rural.

Transição justa e inclusão de povos tradicionais

O Pacote de Belém inclui ainda um mecanismo de transição justa, que coloca trabalhadores e comunidades no centro do processo de redução das emissões. O texto reforça assistência técnica, capacitação e cooperação entre países.

Outro avanço foi o Plano de Ação de Gênero, que amplia o apoio financeiro e institucional para lideranças femininas, incluindo mulheres indígenas, afrodescendentes e rurais , na agenda climática.

Lançamento de iniciativas para acelerar implementação

A COP30 também aprovou a Decisão Mutirão, que inaugura uma mobilização global voltada à implementação das metas climáticas. O documento cria dois instrumentos principais:

  • Acelerador Global de Implementação, liderado pelas presidências da COP30 e COP31, para ajudar países a cumprir suas NDCs e planos de adaptação.
  • Missão Belém para 1,5ºC, voltada a aumentar a ambição em mitigação, adaptação e financiamento.

Essas ferramentas dialogam com mais de 480 iniciativas já existentes dentro da Agenda de Ação da COP, envolvendo governos, empresas, investidores e sociedade civil.

Florestas, oceano e agro na linha de frente

Um dos anúncios de maior impacto foi o lançamento do Fundo Florestas Tropicais Para Sempre, que mobilizou US$ 6,7 bilhões em sua primeira fase. O mecanismo pagará, de forma contínua, países com florestas tropicais pela manutenção da vegetação em pé.

Também foram lançadas:

  • Iniciativas de agroecologia e restauração de áreas degradadas, incluindo o Acelerador Raiz, inspirado em programas brasileiros;
  • Compromissos para integrar soluções oceânicas às NDCs, com geração de empregos da chamada “economia azul”;
  • O Plano de Ação de Saúde de Belém, com US$ 300 milhões para fortalecer sistemas de saúde resilientes ao clima no Sul Global.

Roteiros de Belém guiarão debates sobre desmatamento e combustíveis fósseis

A presidência da COP anunciou ainda os Roteiros de Belém, que vão orientar discussões sobre florestas e transição dos combustíveis fósseis. Um deles traz estratégias para deter e reverter o desmatamento; o outro aborda os impactos fiscais e socioeconômicos da transição energética.

Financiamento climático ganha nova estrutura

Outro pilar da COP30 foi a remodelação da arquitetura financeira internacional. O encontro reconheceu o Roteiro Baku–Belém para US$ 1,3 trilhão, que propõe ampliar o financiamento climático anual até 2035. Também foram destacadas reformas nos bancos multilaterais de desenvolvimento e uso ampliado de instrumentos como garantias e blended finance.

A conferência ainda lançou o Quadro Global de Responsabilização do Financiamento Climático, voltado a garantir transparência e credibilidade na entrega dos recursos.

Brasil seguirá na liderança até 2026

Corrêa do Lago reforçou que o Brasil assumirá a presidência da COP até novembro de 2026, com foco em três eixos: fortalecimento do multilateralismo, conexão entre clima e vida das pessoas e aceleração da implementação do Acordo de Paris.

“O trabalho está apenas começando”, afirmou.



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‘Ele veio ao Brasil, mas a cabeça ficou em Berlim’, diz Lula sobre primeiro-ministro da Alemanhã



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a COP30, realizada em Belém, foi “um sucesso”, destacando que a capital paraense superou as dúvidas sobre sua capacidade de sediar a conferência do clima. A avaliação foi feita neste domingo (23), durante coletiva de imprensa no G20, na África do Sul.

Lula também comentou a conversa que teve com o primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, após o líder europeu ter criticado Belém. Segundo o presidente brasileiro, Merz teria formado uma opinião limitada sobre a cidade por não ter visitado seus principais pontos culturais e gastronômicos.

“Eu disse para o primeiro-ministro que a nossa cabeça pensa onde nossos pés pisam. Talvez ele não tenha saído à noite, não tenha comido maniçoba, filhote, não tenha dançado carimbó. Ele veio ao Brasil, mas a cabeça ficou em Berlim, então não conheceu Belém”, afirmou Lula.

O presidente acrescentou que também busca experimentar a cultura local quando visita outros países. “Quando vou a Berlim, eu como joelho de porco, linguiça, salsicha. Não viajo para comer feijoada. Acho que é falta de experiência política. Da próxima vez que ele vier ao Brasil, vai aprender a gostar do Brasil”, declarou.

Debate sobre combustíveis fósseis na COP

Ao comentar as dificuldades para aprovar o Mapa do Caminho , proposta brasileira para a redução global do uso de combustíveis fósseis, Lula afirmou que já esperava resistência. Para ele, o tema é “polêmico”, sobretudo entre países com forte produção de petróleo, mas precisa ser enfrentado diante das mudanças climáticas.

Lula destacou que o Brasil tem experiência consolidada no uso de biocombustíveis e lembrou que a mistura de etanol na gasolina já chega a 40%. “O Brasil já deu uma lição de que é possível reduzir combustíveis fósseis”, disse, ressaltando que o país emite menos gases de efeito estufa que economias comparáveis.

O presidente também lembrou que o Brasil produz cerca de 3,5 milhões de barris de petróleo por dia, mas reforçou que isso não impede o país de liderar a transição energética. “Todo mundo sabe que será necessário diminuir o uso de fósseis. A transição vai acontecer”, afirmou.

Negociações intensas no G20

Lula relatou ainda os bastidores da negociação do documento final do G20. Segundo ele, o consenso entre mais de 80 países só foi alcançado após discussões que avançaram pela madrugada.

“Foi muito difícil. Queríamos um documento único e ficamos conversando até depois das duas da manhã. Liguei para vários líderes, a Marina Silva também. No fim, deu certo e ficou um documento bonito”, afirmou.



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Embrapa cria sistema que economiza 61% da água na produção de hortaliças



Um sistema desenvolvido pela Embrapa Agroindústria Tropical (CE) promete dar um salto na economia de água e fertilizantes em cultivos protegidos de hortaliças. A tecnologia, que coleta, trata e reaproveita a solução nutritiva drenada em sistemas sem solo, elevou em 61% a eficiência no uso da água e reduziu em 29% o consumo de fertilizantes, segundo testes em um cultivo comercial de tomate tipo grape na Serra da Ibiapaba (CE).

O método utiliza filtros de areia de baixo custo e esterilização por luz ultravioleta (UV) para eliminar impurezas e patógenos, permitindo que a solução nutritiva seja reaplicada na fertirrigação sem riscos para a produção. Mesmo com investimento inicial maior, a redução no gasto com insumos e energia faz com que o sistema tenha custo operacional menor ao longo do ciclo produtivo.

Como funciona o sistema

A solução drenada dos vasos é coletada por calhas instaladas sob as plantas e enviada para um reservatório. De lá, passa por filtros de areia construídos com bombonas plásticas, brita e areia fina, em processo de filtragem lenta (100 a 250 L/h por m²). Na etapa seguinte, a solução segue para o esterilizador UV, que elimina micro-organismos, incluindo esporos de fungos como Fusarium. Após o tratamento, ela é encaminhada para um reservatório final, onde é corrigida e retorna ao sistema de fertirrigação.

Os pesquisadores Fábio Miranda e Marlon Valentim explicam que a combinação entre filtragem biológica e esterilização UV garante segurança ao reuso, evitando a disseminação de doenças e contendo o aumento da salinidade, dois dos maiores entraves para adoção desse tipo de sistema no país.

Validação em estufa comercial

Os testes foram realizados em uma área de 2.500 m² em Guaraciaba do Norte (CE). Dois cultivos de mil plantas cada foram comparados: um com reuso e outro no modelo convencional. Os resultados mostraram:

  • 25% menos água aplicada na irrigação diária;
  • Eficiência hídrica de 18,6 kg/m³ de tomate, contra 11,5 kg/m³ no modelo sem reuso;
  • Economia de 900 kg de fertilizantes em um único ciclo de 180 dias;
  • Redução de 24% nos custos com insumos ligados à nutrição das plantas.

Segundo a Embrapa, o sistema também reduz a captação de água subterrânea, recurso predominante na Serra da Ibiapaba, ajudando na preservação dos aquíferos da região.

Aproveitamento da água da chuva

Outro diferencial é a possibilidade de integrar água da chuva ao sistema. Em estufas de 2.500 m², o volume captado foi suficiente para abastecer completamente dois ciclos de cultivo de tomate ao longo de um ano, diminuindo ainda mais a dependência de poços e mananciais.

Tecnologia já está em uso comercial

Desde março de 2025, o sistema também vem sendo aplicado no cultivo hidropônico de folhosas , como alface, rúcula, cebolinha e coentro, em parceria com a empresa Forteagro, em Guaraciaba do Norte. No local, uma vitrine tecnológica demonstra a operação completa do sistema para produtores, técnicos e potenciais compradores.

De acordo com o proprietário da empresa, Gutenberg Pinto, a expectativa é ampliar o uso do cultivo protegido sustentável em toda a região da Ibiapaba, aliando demonstração, capacitação e comercialização de equipamentos.



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AgroNewsPolítica & Agro

Ministro destaca impacto do fim das tarifas adicionais


O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, afirmou nesta quinta-feira (20) que a decisão dos Estados Unidos de retirar as tarifas adicionais sobre produtos agrícolas brasileiros representa um avanço nas relações entre os dois países. Segundo ele, o anúncio confirma que “o diálogo técnico e institucional retomou seu curso natural”.

Fávaro declarou que a medida traz segurança ao agronegócio e aos mercados internacionais. Para o ministro, a decisão evidencia que as tratativas bilaterais evoluíram de maneira técnica após um período de tensão. “Como diz o presidente Lula, não tem assunto proibido. Tudo é possível no diálogo de alto nível”, afirmou. Ele acrescentou que “a relação Brasil–EUA não podia ficar em fofocas e intrigas” e que, após a conversa entre os dois chefes de Estado, “as coisas vieram para a normalidade”.

Com o fim da sobretaxa, produtos brasileiros voltam a acessar o mercado norte-americano com maior competitividade. O ministro destacou que o momento marca a superação de impasses recentes. “Quem ganha com isso são os brasileiros, são os norte-americanos, a América e a relação comercial mundial”, disse.

Fávaro ressaltou que as negociações continuam. “Ainda há muito a negociar, mas, para a agropecuária brasileira, esta decisão foi excelente”, concluiu o ministro.

Produtos brasileiros beneficiados com o fim do tarifaço:

1. Carnes bovinas – o anexo traz todas as categorias de carne bovina — fresca, refrigerada ou congelada — incluindo:

  • Carcaças e meias-carcaças
  • Cortes com osso
  • Cortes sem osso
  • Cortes de “high-quality beef”
  • Miúdos bovinos
  • Carne salgada, curada, seca ou defumada

2. Frutas e vegetais – grande lista, incluindo:

  • Tomate (por sazonalidade)
  • Coco (fresco, desidratado, carne, água de coco)
  • Lima Tahiti / Lima da Pérsia
  • Abacate
  • Manga
  • Goiaba
  • Mangostim
  • Abacaxi (fresco e processado)
  • Papaya (mamão)
  • Diversas raízes tropicais: mandioca

3. Café e derivados

  • Café verde
  • Café torrado
  • Café descafeinado
  • Cascas e películas de café (“husks and skins”)
  • Substitutos contendo café

4. Chá, mate e especiarias – inclui diversas categorias de:

  • Chá verde
  • Chá preto
  • Erva-mate
  • Pimentas (piper, capsicum, paprika, pimenta-jamaica)
  • Noz-moscada
  • Cravo
  • Canela
  • Cardamomo
  • Açafrão
  • Gengibre
  • Cúrcuma
  • Misturas de especiarias

5. Castanhas e sementes

  • Castanha-do-pará
  • Castanha de caju
  • Macadâmia
  • Nozes pignolia e outras
  • Sementes diversas (coentro, cominho, anis, funcho etc.)

6. Sucos de frutas e derivados

  • Suco de Laranja (várias classificações)
  • Suco de limão / lima
  • Suco de abacaxi
  • Água de coco
  • Açaí (polpas e preparados)

7. Produtos de cacau

  • Amêndoas de cacau
  • Pasta de cacau
  • Manteiga de cacau
  • Pó de cacau

8. Produtos processados

  • Polpas de frutas (manga, banana, papaya etc.)
  • Geleias
  • Pastas e purês
  • Palmito
  • Tapioca, féculas e amidos
  • Produtos preservados em açúcar ou vinagre

9. Fertilizantes (importante para o Brasil como exportador/importador)

  • Ureia
  • Sulfato de amônio
  • Nitrato de amônio
  • Misturas NPK
  • Fosfatos (MAP/DAP)
  • Cloreto de potássio (KCl)





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AgroNewsPolítica & Agro

Chicago registra queda na cotação do milho



A produção mundial foi mantida em 1,286 bilhão de toneladas



Foto: Divulgação

A análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), referente ao período de 14 a 20 de novembro e divulgada nesta quinta-feira (20), aponta que as cotações do milho em Chicago recuaram após a divulgação do relatório de oferta e demanda do USDA. A instituição destaca que o cereal “ensaiou uma elevação na semana anterior”, mas voltou aos níveis do início do mês. O fechamento desta quinta-feira ficou em US$ 4,26 por bushel, ante US$ 4,41 na semana anterior.

O relatório publicado em 14 de novembro projeta produção de 425,5 milhões de toneladas de milho nos Estados Unidos. A estimativa ficou acima da média esperada pelo mercado, que apontava para cerca de 420 milhões de toneladas, e abaixo dos 427,1 milhões previstos no relatório de setembro. Sobre os estoques finais, o USDA indicou 54,7 milhões de toneladas, enquanto o mercado aguardava 56 milhões. Em setembro, o volume divulgado havia sido de 53,6 milhões.

A produção mundial foi mantida em 1,286 bilhão de toneladas, e os estoques globais, em 281 milhões. O Ceema informou ainda que a produção brasileira continua estimada em 131 milhões de toneladas, com exportações previstas em 43 milhões para a safra 2025/26. Já o preço médio ao produtor dos Estados Unidos ficou em US$ 4,00 por bushel.





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AgroNewsPolítica & Agro

Trigo fecha em baixa após revisão do USDA



Trigo encerra semana a US$ 5,27/bushel



Foto: Canva

A análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), referente ao período de 14 a 20 de novembro e divulgada nesta quinta-feira (20), aponta que a cotação do trigo em Chicago não sustentou o movimento de alta observado na semana anterior. Segundo o boletim, “a semana acabou encerrando com valores abaixo dos registrados no final da semana anterior”. O contrato do primeiro mês fechou a quinta-feira a US$ 5,27 por bushel, ante US$ 5,35 na semana anterior.

O relatório de oferta e demanda do USDA, publicado em 14 de novembro, revisou para cima a produção de trigo dos Estados Unidos, que passou de 52,4 milhões de toneladas, em setembro, para 54 milhões. Os estoques finais para 2025/26 também foram ampliados, alcançando 24,5 milhões de toneladas, frente aos 23 milhões indicados anteriormente.

A produção mundial foi estimada em 828,9 milhões de toneladas, superior aos 816,2 milhões projetados em setembro. Os estoques globais passaram a 271,4 milhões de toneladas, ante 264,1 milhões no relatório anterior. Para o Brasil, a previsão permanece em 7,7 milhões de toneladas, enquanto a Argentina deve colher 22 milhões. O Ceema destaca ainda que o Brasil deverá importar 7,3 milhões de toneladas no próximo ano comercial.

Com o cenário descrito, o preço médio ao produtor dos Estados Unidos para 2025/26 foi projetado em US$ 5,00 por bushel. Segundo a análise, “no geral, tivemos um relatório baixista para o trigo”.





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