A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que não há falta de diesel no Rio Grande do Sul, após receber relatos de produtores rurais sobre dificuldades pontuais na aquisição do combustível no estado.
Segundo a agência reguladora, ao longo do fim de semana dos dias 7 e 8 de março, foram feitos contatos com os principais fornecedores da região para verificar a situação do abastecimento.
A apuração inicial indica que os estoques de diesel no estado são suficientes para garantir o abastecimento regular, e que a produção e a entrega do combustível seguem em ritmo normal pela Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), principal fornecedora da região.
ANP cobra esclarecimentos das distribuidoras
Apesar da avaliação de que não há problema estrutural de oferta, a ANP informou que iniciou uma verificação mais detalhada das instalações e das operações relacionadas ao abastecimento.
As distribuidoras que atuam no estado serão formalmente notificadas para prestar esclarecimentos sobre: volume de diesel disponível em estoque, pedidos recebidos por parte dos consumidores e pedidos efetivamente aceitos e atendidos
De acordo com a agência, caso sejam identificadas irregularidades, medidas administrativas poderão ser adotadas para garantir a continuidade do abastecimento.
Estado produz mais diesel do que consome
A ANP destacou que o Rio Grande do Sul produz mais diesel do que consome, o que reforça a avaliação de que não há justificativa técnica ou operacional para eventuais recusas no fornecimento do combustível.
O órgão regulador também ressaltou que não foram identificados fatores logísticos ou de produção que expliquem restrições na oferta do produto.
Alta de preços também será investigada
Além da análise sobre o fornecimento, a agência informou que eventuais aumentos injustificados no preço do diesel no estado também serão investigados.
A apuração será conduzida pela ANP em conjunto com órgãos de defesa do consumidor, caso sejam identificados indícios de irregularidades na formação de preços.
Segundo a agência, o objetivo é assegurar a normalidade do mercado e evitar práticas que possam prejudicar consumidores e produtores rurais, especialmente em um período de grande demanda por combustível no campo.
Uma massa de ar polar deve provocar queda de temperaturas no centro-sul do Brasil nos próximos dias, marcando o primeiro episódio de frio do outono meteorológico. As informações são do serviço de meteorologia Meteored.
De acordo com a análise da Meteored, enquanto o outono astronômico começa em 20 de março, às 11h45, o outono meteorológico compreende o período entre 1º de março e 31 de maio. Segundo a instituição, “essa divisão trimestral facilita o monitoramento, a organização e a comparação de dados históricos de temperatura, precipitação e outros elementos climáticos”.
Ainda conforme a análise, o outono é considerado uma estação de transição, reunindo características do verão e do inverno. Mapas climatológicos do Instituto Nacional de Meteorologia indicam redução gradual das temperaturas no centro-sul e diminuição das precipitações no Brasil central e no Sudeste, regiões que passam por período seco durante o inverno.
Segundo a Meteored, as condições meteorológicas devem se aproximar gradualmente das características típicas do inverno. A instituição ressalta que “ao contrário do que vem sendo veiculado em algumas mídias digitais, este frio não será extremo ou fora do comum”.
Entre sexta-feira (6) e sábado (7), uma frente fria deve se formar e provocar chuvas irregulares na Região Sul. Conforme a previsão da Meteored, em algumas áreas as precipitações podem ocorrer em forma de tempestades, enquanto em outras localidades pode não haver registro de chuva.
Nas áreas onde houver precipitação, as temperaturas máximas devem diminuir. Ainda assim, a massa de ar quente que atua entre o Paraguai e o oeste das regiões Sul e Centro-Oeste permanece até domingo (8), com possibilidade de temperaturas superiores a 40°C.
No domingo (8), a frente fria deve atuar entre Santa Catarina e o Sudeste. De acordo com a Meteored, a massa de ar frio poderá provocar mínimas em torno de 10°C nas serras gaúcha e catarinense, enquanto no restante do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e centro-leste do Paraná as temperaturas ao amanhecer devem ficar próximas de 15°C.
Durante a tarde, a sensação de frio deve ocorrer principalmente em áreas de maior altitude no leste do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Nas demais regiões, as temperaturas voltam a subir ao longo do dia.
A partir de segunda-feira (9), a massa de ar frio deve ganhar força. Segundo a Meteored, as mínimas próximas de 10°C devem permanecer nas áreas serranas da Região Sul, enquanto valores em torno de 15°C devem abranger uma área maior entre as regiões Sul, parte do Sudeste e do Centro-Oeste durante o amanhecer.
A massa de ar quente perde intensidade e as temperaturas máximas devem ficar abaixo da média em várias áreas do país, influenciadas tanto pela atuação do ar frio quanto pela presença de chuvas. Em áreas das serras gaúcha e catarinense, as temperaturas podem registrar até 8°C abaixo da média.
Nessas regiões, a amplitude térmica deve ser reduzida, e as temperaturas máximas podem não ultrapassar 14°C ao longo do dia.
A terça-feira (10) tende a ser o dia mais frio do período. De acordo com a Meteored, as mínimas entre 10°C e 12°C devem persistir em áreas elevadas e alcançar também a faixa leste do Sudeste.
As temperaturas máximas devem variar entre 18°C e 21°C em uma área que inclui o norte do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e a faixa leste de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Esse padrão de temperaturas mais baixas deve permanecer até quarta-feira (11). Já na quinta-feira (12), a atuação do frio deve ficar restrita às áreas mais elevadas da faixa leste entre as regiões Sul e Sudeste.
O agronegócio brasileiro registrou 1.990 pedidos de recuperação judicial em 2025, o maior volume desde o início da série histórica da Serasa Experian, iniciada em 2021. O número representa alta de 56,4% em relação a 2024, quando foram contabilizadas 1.272 solicitações.
Os dados, divulgados pela datatech nesta segunda-feira (9), consideram pedidos realizados por produtores rurais pessoa física, produtores pessoa jurídica e empresas ligadas à cadeia do agronegócio.
A escalada recente chama atenção. Em 2023, por exemplo, haviam sido registrados 534 pedidos, número quase quatro vezes menor que o observado em 2025.
Segundo o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, o cenário financeiro do setor seguiu pressionado ao longo do último ano.
“O ambiente de crédito mais restritivo, combinado com custos elevados de produção e um nível maior de alavancagem, continuou impactando o fluxo de caixa das operações rurais”, afirma.
Apesar do aumento nos pedidos, o especialista destaca que a renegociação de dívidas e o planejamento financeiro devem ser priorizados, deixando a recuperação judicial como último recurso.
Mato Grosso lidera pedidos no país
Entre os estados brasileiros, Mato Grosso liderou o número de recuperações judiciais em 2025, com 332 solicitações.
Na sequência aparecem:
Goiás: 296 pedidos
Paraná: 248 pedidos
Mato Grosso do Sul: 216 pedidos
Minas Gerais: 196 pedidos
Os números refletem, em grande parte, a concentração da produção agrícola nessas regiões e o peso do crédito rural nas operações do setor.
Produtores pessoa física lideram pedidos
Entre os perfis analisados, os produtores rurais que atuam como pessoa física concentraram o maior número de pedidos.
Foram 853 solicitações de recuperação judicial em 2025, frente a 566 em 2024, o que representa alta de 50,7%.
Já entre produtores rurais pessoa jurídica, foram registrados 753 pedidos, crescimento de 84,1% em comparação aos 409 pedidos contabilizados no ano anterior.
Empresas da cadeia do agro também avançam
As empresas ligadas ao agronegócio, como fornecedoras de insumos, serviços e logística, também registraram aumento nas solicitações.
Ao todo, foram 384 pedidos de recuperação judicial em 2025, contra 297 em 2024, avanço de 29,3%.
Ferramentas de análise podem antecipar risco de inadimplência
Segundo a Serasa Experian, modelos preditivos podem ajudar instituições financeiras e empresas a identificar sinais de deterioração financeira antes mesmo da formalização de pedidos de recuperação judicial.
A empresa destaca o Agro Score, ferramenta que analisa dados financeiros do setor para identificar riscos de inadimplência.
De acordo com levantamento da datatech, é possível identificar sinais de instabilidade até três anos antes do pedido de recuperação judicial, o que pode ajudar o mercado a reduzir riscos na concessão de crédito.
Os dados divulgados pela Serasa Experian foram elaborados a partir de processos registrados nos tribunais de Justiça de todos os estados, considerando produtores rurais de diferentes portes e empresas com atividade econômica vinculada à cadeia do agronegócio.
Os preços do petróleo operam em forte alta nesta segunda-feira (9), impulsionados pelo agravamento das tensões no Oriente Médio e pelas incertezas geradas pela sucessão política no Irã. Investidores avaliam os possíveis impactos da eleição de Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá Ali Khamenei, como novo líder supremo iraniano, além da continuidade do bloqueio no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o transporte global da commodity.
A escalada do conflito na região aumenta o temor de interrupções prolongadas no fornecimento de petróleo, o que tem elevado a volatilidade nos mercados internacionais de energia.
Por volta das 9h31 (horário de Brasília), o contrato do petróleo WTI, negociado na Nymex para entrega em abril, subia 11,04%, cotado a US$ 100,96 por barril. Já o Brent, referência internacional negociada na ICE para maio, avançava 10,92%, sendo negociado a US$ 102,73 por barril.
Mercado teme impacto na inflação global
A disparada dos preços reacende a preocupação dos investidores sobre os possíveis efeitos da alta do petróleo na inflação global e no custo de produtos e serviços.
Segundo o analista da UBS, Giovanni Staunovo, as alternativas para conter a escalada de preços são limitadas.
“As alternativas são restritas, como o uso de reservas estratégicas de petróleo, mas diante do potencial impacto caso o Estreito de Ormuz permaneça fechado por mais tempo, isso seria apenas uma gota no oceano”, avaliou.
O estreito é considerado um ponto crucial do comércio internacional de energia, por onde passa uma parcela significativa do petróleo exportado pelo Oriente Médio para o restante do mundo.
Redução de produção amplia preocupação
Além das restrições logísticas, o mercado também monitora possíveis cortes na produção por parte de países produtores da região.
A Saudi Aramco, maior empresa petrolífera do mundo, já iniciou a redução da produção em dois campos de petróleo. Analistas indicam que outros países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), como os Emirados Árabes Unidos, podem ser forçados a reduzir sua produção caso a crise se prolongue.
Para o analista sênior da XS.com, Antonio Di Giacomo, a interrupção no tráfego marítimo já provocou uma retirada significativa de petróleo do mercado.
“A interrupção do tráfego marítimo removeu efetivamente cerca de 140 milhões de barris do mercado, intensificando a busca por fontes alternativas de oferta”, afirmou.
Nesse contexto, os Estados Unidos passam a ganhar destaque como possível fornecedor alternativo, devido à sua capacidade de produção e infraestrutura de exportação.
Conflito prolongado pode gerar perdas duradouras
Especialistas alertam que uma paralisação prolongada na produção de petróleo no Oriente Médio pode gerar impactos ainda mais profundos na oferta global.
Segundo analistas do Société Générale, interrupções prolongadas podem resultar em perdas permanentes de produção devido a danos em reservatórios, poços e estruturas logísticas.
“O tempo é crucial: quanto mais tempo as interrupções persistirem, maior a probabilidade de que aquilo que inicialmente parece temporário se transforme em perdas mais duradouras de fornecimento”, destacaram os analistas.
Possível ação do G7 reduz parte da alta
Durante a sessão, os preços chegaram a se aproximar de US$ 120 por barril, mas recuaram parcialmente após a notícia de que ministros das Finanças do G7 podem discutir a liberação de reservas estratégicas de petróleo para tentar conter a escalada de preços.
Analistas do Deutsche Bank avaliam que essa medida pode aliviar momentaneamente as pressões no mercado.
“O petróleo está recuando para perto de US$ 110 por barril com a notícia. Ainda assim, a duração e a intensidade do conflito continuarão sendo o principal fator a determinar o comportamento dos preços”, afirmaram.
Mesmo com a possível intervenção das grandes economias, o mercado segue atento à evolução da crise no Oriente Médio, que pode continuar influenciando os preços da energia nas próximas semanas.
A tensão no Oriente Médio tem provocado instabilidade no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo. Com a intensificação da guerra na região, a passagem foi bloqueada, dificultando o fluxo da commodity para países do Ocidente e elevando o risco de aumento nos preços internacionais.
Nos mercados globais, os efeitos já começam a aparecer. O preço do barril de petróleo do tipo Brent chegou a superar US$ 83, acumulando alta nas últimas semanas, segundo dados do mercado internacional.
Para o agronegócio brasileiro, a preocupação é direta. O diesel é um dos principais custos operacionais das atividades agrícolas e do transporte de cargas. Além disso, o Brasil importa entre 20% e 30% do diesel que consome, o que torna o país sensível às oscilações do mercado externo.
Entidades pedem medidas ao governo
Diante desse cenário, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou ao Ministério de Minas e Energia a adoção de medidas para ampliar a oferta de combustível no país e reduzir pressões sobre os preços.
Entre as propostas apresentadas pela entidade está o aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel, dos atuais 15% para 17% (B17). Segundo a CNA, a medida poderia ajudar a ampliar a disponibilidade de combustível no mercado doméstico e reduzir o impacto de eventuais altas internacionais.
No ofício encaminhado ao governo, o presidente da entidade, João Martins, afirmou que o avanço da mistura de biodiesel pode funcionar como um mecanismo de proteção diante de crises externas.
“Em um cenário de tensões geopolíticas e volatilidade no preço do petróleo, ampliar a participação do biodiesel representa uma medida importante para fortalecer a segurança energética e reduzir pressões sobre os custos logísticos”, destacou.
A confederação também lembra que, em episódios recentes de tensão global, como no início da guerra entre Rússia e Ucrânia em 2022, o preço do barril de petróleo chegou a subir até 40%, provocando aumentos expressivos nos preços do diesel no Brasil.
Produtores relatam aumento e atraso no diesel
Enquanto o cenário internacional se deteriora, produtores rurais já começam a relatar impactos no mercado interno.
A Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) informou ter recebido relatos de agricultores sobre cancelamentos de pedidos de diesel previamente agendados, além de aumentos superiores a R$ 1,20 por litro nas últimas horas.
A entidade afirma acompanhar a situação com preocupação, principalmente porque o problema ocorre em um momento crítico para os produtores gaúchos, que iniciam a colheita da safra 2025/2026 de arroz, etapa que exige grande volume de combustível para o funcionamento de máquinas agrícolas e transporte da produção.
Segundo a Federarroz, qualquer problema no abastecimento ou elevação abrupta nos preços pode ampliar ainda mais os custos do setor, que já enfrenta dificuldades.
Atualmente, a saca de arroz é comercializada em média por R$ 55, valor considerado abaixo do custo de produção, estimado entre R$ 85 e R$ 90 por saca.
Impactos podem atingir toda a cadeia produtiva
O diesel também representa um dos maiores custos para o transporte rodoviário de cargas, responsável pela maior parte da movimentação de produtos no país.
Com a alta do combustível, empresas de transporte precisam renegociar contratos e revisar tabelas de frete, o que pode provocar aumento nos custos logísticos e pressionar preços em toda a cadeia produtiva.
No agronegócio, o impacto tende a ser ainda mais sensível, já que o combustível é utilizado em praticamente todas as etapas da produção, desde o preparo do solo até o escoamento da safra.
Além disso, o consumo de diesel no Brasil deve continuar crescendo. Projeções da consultoria StoneX indicam que a demanda por diesel B pode atingir 70,8 milhões de metros cúbicos em 2026, impulsionada principalmente pelo aumento da produção agrícola e pelo transporte de grãos.
Diante desse cenário, representantes do setor defendem ações rápidas para evitar que a escalada da tensão internacional se transforme em um novo fator de pressão sobre os custos do agronegócio brasileiro.
Setores do agronegócio brasileiro estão em alerta diante da possibilidade de alta no preço do diesel, combustível essencial para a produção e a logística no campo. Entidades do setor pedem que o governo federal adote medidas para conter eventuais aumentos, após o agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã, que já começa a impactar o mercado internacional de petróleo.
A tensão no Oriente Médio tem provocado instabilidade no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo. Com a intensificação da guerra na região, a passagem foi bloqueada, dificultando o fluxo da commodity para países do Ocidente e elevando o risco de aumento nos preços internacionais.
Nos mercados globais, os efeitos já começam a aparecer. O preço do barril de petróleo do tipo Brent chegou a superar US$ 83, acumulando alta nas últimas semanas, segundo dados do mercado internacional.
Para o agronegócio brasileiro, a preocupação é direta. O diesel é um dos principais custos operacionais das atividades agrícolas e do transporte de cargas. Além disso, o Brasil importa entre 20% e 30% do diesel que consome, o que torna o país sensível às oscilações do mercado externo.
Entidades pedem medidas ao governo
Diante desse cenário, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou ao Ministério de Minas e Energia a adoção de medidas para ampliar a oferta de combustível no país e reduzir pressões sobre os preços.
Entre as propostas apresentadas pela entidade está o aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel, dos atuais 15% para 17% (B17). Segundo a CNA, a medida poderia ajudar a ampliar a disponibilidade de combustível no mercado doméstico e reduzir o impacto de eventuais altas internacionais.
No ofício encaminhado ao governo, o presidente da entidade, João Martins, afirmou que o avanço da mistura de biodiesel pode funcionar como um mecanismo de proteção diante de crises externas.
“Em um cenário de tensões geopolíticas e volatilidade no preço do petróleo, ampliar a participação do biodiesel representa uma medida importante para fortalecer a segurança energética e reduzir pressões sobre os custos logísticos”, destacou.
A confederação também lembra que, em episódios recentes de tensão global, como no início da guerra entre Rússia e Ucrânia em 2022, o preço do barril de petróleo chegou a subir até 40%, provocando aumentos expressivos nos preços do diesel no Brasil.
Produtores relatam aumento e atraso no diesel
Enquanto o cenário internacional se deteriora, produtores rurais já começam a relatar impactos no mercado interno.
A Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) informou ter recebido relatos de agricultores sobre cancelamentos de pedidos de diesel previamente agendados, além de aumentos superiores a R$ 1,20 por litro nas últimas horas.
A entidade afirma acompanhar a situação com preocupação, principalmente porque o problema ocorre em um momento crítico para os produtores gaúchos, que iniciam a colheita da safra 2025/2026 de arroz, etapa que exige grande volume de combustível para o funcionamento de máquinas agrícolas e transporte da produção.
Segundo a Federarroz, qualquer problema no abastecimento ou elevação abrupta nos preços pode ampliar ainda mais os custos do setor, que já enfrenta dificuldades.
Atualmente, a saca de arroz é comercializada em média por R$ 55, valor considerado abaixo do custo de produção, estimado entre R$ 85 e R$ 90 por saca.
Impactos podem atingir toda a cadeia produtiva
O diesel também representa um dos maiores custos para o transporte rodoviário de cargas, responsável pela maior parte da movimentação de produtos no país.
Com a alta do combustível, empresas de transporte precisam renegociar contratos e revisar tabelas de frete, o que pode provocar aumento nos custos logísticos e pressionar preços em toda a cadeia produtiva.
No agronegócio, o impacto tende a ser ainda mais sensível, já que o combustível é utilizado em praticamente todas as etapas da produção, desde o preparo do solo até o escoamento da safra.
Além disso, o consumo de diesel no Brasil deve continuar crescendo. Projeções da consultoria StoneX indicam que a demanda por diesel B pode atingir 70,8 milhões de metros cúbicos em 2026, impulsionada principalmente pelo aumento da produção agrícola e pelo transporte de grãos.
Diante desse cenário, representantes do setor defendem ações rápidas para evitar que a escalada da tensão internacional se transforme em um novo fator de pressão sobre os custos do agronegócio brasileiro.