De janeiro a agosto, a China importou 930 mil toneladas de milho, recuo de 92,7% na comparação anual, segundo o Gacc. Foto: Pixabay.
O preço do milho segue em alta nesse inicio de mês na região de Campinas. Apesar da alta demanda no mercado, alguns produtores não estão com pressa para realizarem vendas no período. Isso ocorre pois suas atenções estão voltadas para a colheita e novo plantio, visto que estamos no fim da primeira safra anual e iniciando a segunda. Indicadores de mercado mostram que valores chegam a R$ 70/saca, valor que não era registrado desde dezembro de 2025.
Pesquisadores do Cepea relatam que em outras regiões os valores também vem de crescentes, principalmente em locais onde o consumo do grão é grande. Zonas em que a produção de soja vem sendo o foco, elevação de cotações também ocorre.
Na parte mais baixa do país, os preços seguem caindo. O motivo decorre da grande oferta de milho da região. O local ficou marcado no inicio do ano como o maior produtor dessa primeira safra. Outro fator que influencia na queda de valores é fato das colheitas estarem adiantadas no território sulista.
De olho no Oriente Médio
O conflito no Oriente Médio tem deixado agentes consultados pelo Cepea em alerta. Principal importador do milho brasileiro em 2025, o Irã consumiu 9 milhões de toneladas no ano passado. Apesar da preocupação, as exportações do cereal costumas se intensificar apenas no segundo semestre do ano, então os impacto ainda são pequenos nesse momento.
As previsões do mercado financeiro para os principais indicadores econômicos em 2026, a expansão da economia e o índice de inflação, ficaram estáveis na edição desta segunda-feira (9) do Boletim Focus. A pesquisa com instituições financeiras é divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC).
A estimativa para o crescimento da economia brasileira este ano permaneceu em 1,82%. Para 2027, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país) ficou em 1,8%. Para 2028 e 2029, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 2%, para os dois anos.
Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com expansão em todos os setores e destaque para a agropecuária, o resultado representa o quinto ano seguido de crescimento.
Nesta edição do Boletim Focus, a previsão da cotação do dólar está em R$ 5,41 para o fim deste ano. No fim de 2027, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,50.
Inflação
A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ,considerada a inflação oficial do país, permaneceu em 3,91% para este ano. Para 2027, a projeção da inflação passou de 3,79% para 3,8%. Para 2028 e 2029, as previsões são de 3,5%, para ambos os anos.
A estimativa para a variação de preços em 2026 se mantém dentro do intervalo da meta que deve ser perseguida pelo BC. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%.
Em janeiro, a alta dos preços da conta de luz e da gasolina fez a inflação oficial do mês fechar em 0,33%, mesmo patamar de dezembro. De acordo com o IBGE, o resultado levou o IPCA a acumular alta de 4,44% em 2025.
A inflação de fevereiro será divulgada na próxima quinta-feira (12) pelo instituto.
Juros básicos
Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros (Selic), definida atualmente em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. Apesar do recuo da inflação e do dólar, o colegiado não interferiu nos juros pela quinta vez seguida, na última reunião, no fim de janeiro.
A taxa está no maior nível desde julho de 2006, quando se situou em 15,25% ao ano. Em ata, o Copom confirmou que começará a reduzir os juros na reunião de março, caso a inflação se mantenha sob controle e não haja surpresas no cenário econômico. Ainda assim, os juros serão mantidos em níveis restritivos.
A estimativa dos analistas de mercado para a taxa básica foi elevada nesta edição do Boletim Focus – de 12% ao ano para 12,13% ao ano, até o final de 2026. Para 2027 e 2028, a previsão é que a Selic seja reduzida novamente para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve chegar a 9,5% ao ano.
Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida; isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Os bancos ainda consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.
Quando a Taxa Selic é reduzida a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, diminuindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.
O mercado da soja nesse inicio de março vem sendo marcado pelo aumento das vendas. Os fatores para essa crescente são vários. Todo ano já é comum neste período a procura pelo produto ser maior, por conta da entrada de safra. Pesquisadores do Cepea afirmam que países que não tem o costume de comprar com o Brasil devem fechar negócios de importação nos próximos dias.
Influência da guerra no Oriente Médio
Os conflitos travados em outra região do mundo podem influenciar na demanda da soja brasileira. Acontecimentos da guerra devem ocasionar a aproximação de outros países ao mercado do Brasil. Segundo o United States Department of Agriculture (USDA), é previsto que 61% da soja comercializada pelo mundo nas próximas semanas devem ter origem de solos brasileiros.
Outro fator relacionado ao Oriente Médio que pode interferir na demanda é o bloqueio que o Irã fez no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de petróleo do mundo. Esse fechamento pode gerar interferência no aumento do preço de combustíveis, ocasionando no crescimento das tarifas de frete. Diante disso, o valor recebido pelos produtores deve diminuir.
Agentes consultados já apresentam estar mais ativos em suas vendas, na intenção de acelerar o recebimento. O receio é que a valorização do transporte se mantenha nos próximos meses e que seus lucros reduzam ainda mais. Outros pontos que motivam esse adiantamento, é o vencimento de compromissos financeiros estarem próximos e a recuperação cambial recente.
A Valtra, referência global na fabricação de máquinas agrícolas, apresentou ao mercado brasileiro a nova geração de tratores de média potência: a Série A5 e a A5 HiTech. Os novos modelos estarão expostos durante a Expodireto Cotrijal 2026, que ocorre de 9 a 13 de março em Não-Me-Toque (RS).
O lançamento foi acompanhado pelo Canal Rural durante o evento Eu Sou + Valtra, realizado na última semana em Londrina (PR), onde a fabricante revelou em primeira mão os detalhes da nova linha.
A quinta geração representa uma evolução da consagrada Série A4 e chega com renovação no design, atualizações no conjunto de motorização e um avanço tecnológico voltado à agricultura de precisão.
Uma das principais mudanças está no visual. A nova Série A5 passa a seguir o premiado design global da marca, desenvolvido na Finlândia. No Brasil, a linha mantém a tradicional cor amarela da fabricante, mas ganha um capô redesenhado e mais moderno, alinhado a conceitos inspirados no design automobilístico.
Segundo Winston Quintas, coordenador de Marketing e Produto de Tratores da Valtra, a identidade visual também evoluiu nos detalhes. “Ela chega com um novo design da Valtra, trazendo conceitos automobilísticos. A gente deixou de usar adesivos e agora utiliza plaquetas de identificação próximas ao farol”, explica.
Outro avanço importante está na motorização. “A nova geração utiliza motores AGCO Power com potência entre 105 e 145 cavalos, projetados para oferecer maior eficiência térmica. Na prática, isso significa mais desempenho no campo aliado a melhor aproveitamento do combustível”, comenta o coordenador.
A linha também amplia o acesso às tecnologias da marca, com soluções de agricultura de precisão embarcadas em todos os modelos. Entre elas está o piloto automático hidráulico, que permite maior precisão nas operações e reduz a necessidade de traçados manuais por parte do operador.
Entre as ferramentas disponíveis estão o Wayline Assist, que auxilia na criação e no gerenciamento de linhas de orientação dentro da área cultivada, e o TaskDoc, sistema que registra automaticamente dados das operações agrícolas e permite o acompanhamento remoto das atividades da máquina.
Para produtores que buscam versatilidade, a versão A5 HiTech ganha destaque com a transmissão PowerShift HiTech4. Reconhecida pela robustez e facilidade de operação, a tecnologia permite trocas de marcha sem o uso da embreagem e oferece diferentes modos de trabalho para aumentar a produtividade.
“A Série A5 HiTech possui uma versatilidade que faz com que ela seja a solução ideal para operações que exigem agilidade e precisão, como preparo de solo, plantio de grãos graúdos e miúdos e diversas aplicações”, afirma Quintas.
A cabine também recebeu melhorias para ampliar o conforto do operador. O espaço interno foi projetado para oferecer mais amplitude e permitir que duas pessoas permaneçam no interior da cabine com comodidade durante as operações no campo.
Outro destaque é a integração com o sistema SmartTouch, interface que simplifica a interação entre operador e máquina. Segundo a fabricante, em apenas sete toques é possível configurar funções e colocar o trator em operação, enquanto outros sistemas podem exigir até 30 comandos. Com isso, a Valtra busca tornar a operação mais intuitiva, reduzir a complexidade no uso da tecnologia e aumentar a eficiência das atividades no campo.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que não há falta de diesel no Rio Grande do Sul, após receber relatos de produtores rurais sobre dificuldades pontuais na aquisição do combustível no estado.
Segundo a agência reguladora, ao longo do fim de semana dos dias 7 e 8 de março, foram feitos contatos com os principais fornecedores da região para verificar a situação do abastecimento.
A apuração inicial indica que os estoques de diesel no estado são suficientes para garantir o abastecimento regular, e que a produção e a entrega do combustível seguem em ritmo normal pela Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), principal fornecedora da região.
ANP cobra esclarecimentos das distribuidoras
Apesar da avaliação de que não há problema estrutural de oferta, a ANP informou que iniciou uma verificação mais detalhada das instalações e das operações relacionadas ao abastecimento.
As distribuidoras que atuam no estado serão formalmente notificadas para prestar esclarecimentos sobre: volume de diesel disponível em estoque, pedidos recebidos por parte dos consumidores e pedidos efetivamente aceitos e atendidos
De acordo com a agência, caso sejam identificadas irregularidades, medidas administrativas poderão ser adotadas para garantir a continuidade do abastecimento.
Estado produz mais diesel do que consome
A ANP destacou que o Rio Grande do Sul produz mais diesel do que consome, o que reforça a avaliação de que não há justificativa técnica ou operacional para eventuais recusas no fornecimento do combustível.
O órgão regulador também ressaltou que não foram identificados fatores logísticos ou de produção que expliquem restrições na oferta do produto.
Alta de preços também será investigada
Além da análise sobre o fornecimento, a agência informou que eventuais aumentos injustificados no preço do diesel no estado também serão investigados.
A apuração será conduzida pela ANP em conjunto com órgãos de defesa do consumidor, caso sejam identificados indícios de irregularidades na formação de preços.
Segundo a agência, o objetivo é assegurar a normalidade do mercado e evitar práticas que possam prejudicar consumidores e produtores rurais, especialmente em um período de grande demanda por combustível no campo.
Uma massa de ar polar deve provocar queda de temperaturas no centro-sul do Brasil nos próximos dias, marcando o primeiro episódio de frio do outono meteorológico. As informações são do serviço de meteorologia Meteored.
De acordo com a análise da Meteored, enquanto o outono astronômico começa em 20 de março, às 11h45, o outono meteorológico compreende o período entre 1º de março e 31 de maio. Segundo a instituição, “essa divisão trimestral facilita o monitoramento, a organização e a comparação de dados históricos de temperatura, precipitação e outros elementos climáticos”.
Ainda conforme a análise, o outono é considerado uma estação de transição, reunindo características do verão e do inverno. Mapas climatológicos do Instituto Nacional de Meteorologia indicam redução gradual das temperaturas no centro-sul e diminuição das precipitações no Brasil central e no Sudeste, regiões que passam por período seco durante o inverno.
Segundo a Meteored, as condições meteorológicas devem se aproximar gradualmente das características típicas do inverno. A instituição ressalta que “ao contrário do que vem sendo veiculado em algumas mídias digitais, este frio não será extremo ou fora do comum”.
Entre sexta-feira (6) e sábado (7), uma frente fria deve se formar e provocar chuvas irregulares na Região Sul. Conforme a previsão da Meteored, em algumas áreas as precipitações podem ocorrer em forma de tempestades, enquanto em outras localidades pode não haver registro de chuva.
Nas áreas onde houver precipitação, as temperaturas máximas devem diminuir. Ainda assim, a massa de ar quente que atua entre o Paraguai e o oeste das regiões Sul e Centro-Oeste permanece até domingo (8), com possibilidade de temperaturas superiores a 40°C.
No domingo (8), a frente fria deve atuar entre Santa Catarina e o Sudeste. De acordo com a Meteored, a massa de ar frio poderá provocar mínimas em torno de 10°C nas serras gaúcha e catarinense, enquanto no restante do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e centro-leste do Paraná as temperaturas ao amanhecer devem ficar próximas de 15°C.
Durante a tarde, a sensação de frio deve ocorrer principalmente em áreas de maior altitude no leste do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Nas demais regiões, as temperaturas voltam a subir ao longo do dia.
A partir de segunda-feira (9), a massa de ar frio deve ganhar força. Segundo a Meteored, as mínimas próximas de 10°C devem permanecer nas áreas serranas da Região Sul, enquanto valores em torno de 15°C devem abranger uma área maior entre as regiões Sul, parte do Sudeste e do Centro-Oeste durante o amanhecer.
A massa de ar quente perde intensidade e as temperaturas máximas devem ficar abaixo da média em várias áreas do país, influenciadas tanto pela atuação do ar frio quanto pela presença de chuvas. Em áreas das serras gaúcha e catarinense, as temperaturas podem registrar até 8°C abaixo da média.
Nessas regiões, a amplitude térmica deve ser reduzida, e as temperaturas máximas podem não ultrapassar 14°C ao longo do dia.
A terça-feira (10) tende a ser o dia mais frio do período. De acordo com a Meteored, as mínimas entre 10°C e 12°C devem persistir em áreas elevadas e alcançar também a faixa leste do Sudeste.
As temperaturas máximas devem variar entre 18°C e 21°C em uma área que inclui o norte do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e a faixa leste de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Esse padrão de temperaturas mais baixas deve permanecer até quarta-feira (11). Já na quinta-feira (12), a atuação do frio deve ficar restrita às áreas mais elevadas da faixa leste entre as regiões Sul e Sudeste.
O agronegócio brasileiro registrou 1.990 pedidos de recuperação judicial em 2025, o maior volume desde o início da série histórica da Serasa Experian, iniciada em 2021. O número representa alta de 56,4% em relação a 2024, quando foram contabilizadas 1.272 solicitações.
Os dados, divulgados pela datatech nesta segunda-feira (9), consideram pedidos realizados por produtores rurais pessoa física, produtores pessoa jurídica e empresas ligadas à cadeia do agronegócio.
A escalada recente chama atenção. Em 2023, por exemplo, haviam sido registrados 534 pedidos, número quase quatro vezes menor que o observado em 2025.
Segundo o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, o cenário financeiro do setor seguiu pressionado ao longo do último ano.
“O ambiente de crédito mais restritivo, combinado com custos elevados de produção e um nível maior de alavancagem, continuou impactando o fluxo de caixa das operações rurais”, afirma.
Apesar do aumento nos pedidos, o especialista destaca que a renegociação de dívidas e o planejamento financeiro devem ser priorizados, deixando a recuperação judicial como último recurso.
Mato Grosso lidera pedidos no país
Entre os estados brasileiros, Mato Grosso liderou o número de recuperações judiciais em 2025, com 332 solicitações.
Na sequência aparecem:
Goiás: 296 pedidos
Paraná: 248 pedidos
Mato Grosso do Sul: 216 pedidos
Minas Gerais: 196 pedidos
Os números refletem, em grande parte, a concentração da produção agrícola nessas regiões e o peso do crédito rural nas operações do setor.
Produtores pessoa física lideram pedidos
Entre os perfis analisados, os produtores rurais que atuam como pessoa física concentraram o maior número de pedidos.
Foram 853 solicitações de recuperação judicial em 2025, frente a 566 em 2024, o que representa alta de 50,7%.
Já entre produtores rurais pessoa jurídica, foram registrados 753 pedidos, crescimento de 84,1% em comparação aos 409 pedidos contabilizados no ano anterior.
Empresas da cadeia do agro também avançam
As empresas ligadas ao agronegócio, como fornecedoras de insumos, serviços e logística, também registraram aumento nas solicitações.
Ao todo, foram 384 pedidos de recuperação judicial em 2025, contra 297 em 2024, avanço de 29,3%.
Ferramentas de análise podem antecipar risco de inadimplência
Segundo a Serasa Experian, modelos preditivos podem ajudar instituições financeiras e empresas a identificar sinais de deterioração financeira antes mesmo da formalização de pedidos de recuperação judicial.
A empresa destaca o Agro Score, ferramenta que analisa dados financeiros do setor para identificar riscos de inadimplência.
De acordo com levantamento da datatech, é possível identificar sinais de instabilidade até três anos antes do pedido de recuperação judicial, o que pode ajudar o mercado a reduzir riscos na concessão de crédito.
Os dados divulgados pela Serasa Experian foram elaborados a partir de processos registrados nos tribunais de Justiça de todos os estados, considerando produtores rurais de diferentes portes e empresas com atividade econômica vinculada à cadeia do agronegócio.
Os preços do petróleo operam em forte alta nesta segunda-feira (9), impulsionados pelo agravamento das tensões no Oriente Médio e pelas incertezas geradas pela sucessão política no Irã. Investidores avaliam os possíveis impactos da eleição de Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá Ali Khamenei, como novo líder supremo iraniano, além da continuidade do bloqueio no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o transporte global da commodity.
A escalada do conflito na região aumenta o temor de interrupções prolongadas no fornecimento de petróleo, o que tem elevado a volatilidade nos mercados internacionais de energia.
Por volta das 9h31 (horário de Brasília), o contrato do petróleo WTI, negociado na Nymex para entrega em abril, subia 11,04%, cotado a US$ 100,96 por barril. Já o Brent, referência internacional negociada na ICE para maio, avançava 10,92%, sendo negociado a US$ 102,73 por barril.
Mercado teme impacto na inflação global
A disparada dos preços reacende a preocupação dos investidores sobre os possíveis efeitos da alta do petróleo na inflação global e no custo de produtos e serviços.
Segundo o analista da UBS, Giovanni Staunovo, as alternativas para conter a escalada de preços são limitadas.
“As alternativas são restritas, como o uso de reservas estratégicas de petróleo, mas diante do potencial impacto caso o Estreito de Ormuz permaneça fechado por mais tempo, isso seria apenas uma gota no oceano”, avaliou.
O estreito é considerado um ponto crucial do comércio internacional de energia, por onde passa uma parcela significativa do petróleo exportado pelo Oriente Médio para o restante do mundo.
Redução de produção amplia preocupação
Além das restrições logísticas, o mercado também monitora possíveis cortes na produção por parte de países produtores da região.
A Saudi Aramco, maior empresa petrolífera do mundo, já iniciou a redução da produção em dois campos de petróleo. Analistas indicam que outros países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), como os Emirados Árabes Unidos, podem ser forçados a reduzir sua produção caso a crise se prolongue.
Para o analista sênior da XS.com, Antonio Di Giacomo, a interrupção no tráfego marítimo já provocou uma retirada significativa de petróleo do mercado.
“A interrupção do tráfego marítimo removeu efetivamente cerca de 140 milhões de barris do mercado, intensificando a busca por fontes alternativas de oferta”, afirmou.
Nesse contexto, os Estados Unidos passam a ganhar destaque como possível fornecedor alternativo, devido à sua capacidade de produção e infraestrutura de exportação.
Conflito prolongado pode gerar perdas duradouras
Especialistas alertam que uma paralisação prolongada na produção de petróleo no Oriente Médio pode gerar impactos ainda mais profundos na oferta global.
Segundo analistas do Société Générale, interrupções prolongadas podem resultar em perdas permanentes de produção devido a danos em reservatórios, poços e estruturas logísticas.
“O tempo é crucial: quanto mais tempo as interrupções persistirem, maior a probabilidade de que aquilo que inicialmente parece temporário se transforme em perdas mais duradouras de fornecimento”, destacaram os analistas.
Possível ação do G7 reduz parte da alta
Durante a sessão, os preços chegaram a se aproximar de US$ 120 por barril, mas recuaram parcialmente após a notícia de que ministros das Finanças do G7 podem discutir a liberação de reservas estratégicas de petróleo para tentar conter a escalada de preços.
Analistas do Deutsche Bank avaliam que essa medida pode aliviar momentaneamente as pressões no mercado.
“O petróleo está recuando para perto de US$ 110 por barril com a notícia. Ainda assim, a duração e a intensidade do conflito continuarão sendo o principal fator a determinar o comportamento dos preços”, afirmaram.
Mesmo com a possível intervenção das grandes economias, o mercado segue atento à evolução da crise no Oriente Médio, que pode continuar influenciando os preços da energia nas próximas semanas.