quinta-feira, abril 2, 2026

Autor: Redação

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Palmito na Semana Santa: demanda explode e vira item disputado no Espírito Santo


palmito
Foto: Letícia Santos

O que o palmito tem a ver com a Semana Santa no Espírito Santo? A resposta começa na cozinha — e termina nas ruas. É nesse período que o ingrediente ganha status de protagonista, impulsionado pela tradição da torta capixaba, prato que atravessa gerações e transforma a rotina de feiras e pontos de venda em toda a Grande Vitória.

Na prática, o que se vê é um verdadeiro movimento sazonal. Barracas montadas, caminhonetes carregadas e consumidores atentos. O palmito fresco, ainda em troncos, vira disputa. E não é exagero: durante essa semana, ele deixa de ser coadjuvante e passa a ser indispensável.

A demanda cresce tanto que o comércio precisa se reorganizar. Prefeituras definem pontos autorizados, vendedores se deslocam de longe e a economia local ganha fôlego. Em bairros movimentados de cidades como Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica, o cenário se repete: filas, negociações rápidas e estoque que não costuma durar até o fim da semana.

Claudia Maria flor, vendedora de palmito. Foto: Letícia Santos

Quem vive dessa venda sabe bem o peso dessa época. A comerciante Claudia Maria Flor, que há uma década trabalha com palmito em Itacibá, resume o que representa esse período: “Tem dez anos que eu trabalho com a venda de palmito neste mesmo local. Essa época é muito lucrativa, é com ela que mantenho a minha casa. Para quem gosta de trabalhar e pensa em ganhar dinheiro, a Páscoa é uma época boa para isso”, conta.

E não é só gente da região que aproveita. O vendedor Sileno Alves atravessou estados para chegar ao Espírito Santo com palmito fresco vindo do Nordeste. Ele percebe rápido o comportamento do consumidor capixaba. “As vendas aqui são muito boas. Eu vim da Bahia e estou desde a semana passada. Já vendi bastante. Acredito que antes de quarta-feira já acaba tudo”, diz.

Sileno Alves vem da Bahia para oferecer o produto no Espírito Santo. Foto: Letícia Santos

Além dos troncos tradicionais, o mercado também se adapta ao ritmo da cidade. Há quem prefira praticidade — e aí entram os palmitos já descascados, higienizados e prontos para o preparo, ampliando ainda mais as possibilidades de venda e atraindo diferentes perfis de consumidores.

O resultado disso tudo é um retrato claro de como cultura e economia caminham juntas. O palmito não é só ingrediente. É tradição, é oportunidade e é também um termômetro do que move o consumo capixaba nesta época do ano.

No fim das contas, entender o palmito na Semana Santa é entender um pedaço da identidade do Espírito Santo.

palmito
Foto: Letícia Santos

Onde comprar palmito na Grande Vitória

📍 Vitória
Avenida Mário Cypreste (próximo ao Sambão do Povo)
⏰ 6h às 20h

📍 Cariacica
Avenida Mário Gurgel (São Francisco, próximo ao Corpo de Bombeiros e Ceasa)
Rodovia Governador José Sette (Itacibá, próximo ao terminal)
Campo Grande (ao lado da Delegacia da Mulher)

📍 Serra
Laranjeiras (Terminal de Laranjeiras)
José de Anchieta (BR-101, posto Arara Azul)
Jardim Limoeiro (BR-101, próximo à Andaimes Vitória)
Serra Sede (posto São Benedito e São Judas Tadeu)
Nova Almeida (rotatória)
Jacaraípe (peixaria, colônia de pescadores e Av. Navegantes)

📍 Vila Velha
Estacionamento do Atacadão – Av. Carlos Lindenberg, 1.723
⏰ Segunda a sábado: 6h às 21h30 | Domingo: 6h às 18h
📅 Até sábado de Aleluia

📍 Viana
Feiras livres em bairros como Vila Bethânia, Marcílio de Noronha, Universal, Viana Sede e Arlindo Villaschi
🗓 Programação varia por dia da semana

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Oferta limitada e exportações aquecidas sustentam alta da carne bovina


carne - exportações - china - embargo - preços
Foto: Governo de Rondônia

A carne bovina brasileira caminha para um ano de margens apertadas na quantidade, mas folgadas em valor. Números da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apontam que o faturamento da proteína deve ser de R$ 263 milhões em 2026, um aumento de 7,6% frente ao obtido em 2025.

Com as exportações batendo recordes e o rebanho disponível diminuindo, a pressão de alta no preço da carne bovina já era esperada. Quem explica é a analista da HN Agro, Isabella Camargo. “Estamos produzindo menos e exportando mais”, afirma.

Nesse sentido, dados do primeiro bimestre reforçam que o pecuarista está segurando os animais no pasto por mais tempo. Segundo a especialista, já há queda de 4,7% nos abates do período, com recuo de 2,1% nos machos e de 8% nas fêmeas. A consequência é a diminuição de carne bovina disponível no curto prazo.

O cenário para a pecuária de corte, contudo, é positivo. “Quando a carne está valorizada, o frigorífico ganha espaço para pagar mais pela arroba do boi gordo”, afirma Camargo.

Apetite externo segue forte

Se por um lado o número de animais abatidos caiu nos dois primeiros meses de 2026, o volume das exportações continua crescendo. Entre janeiro e fevereiro, o Brasil enviou 557,24 mil toneladas de carne bovina ao exterior, uma alta de 22% em relação ao mesmo período do ano passado, conforme dados da Secex.

O avanço, segundo a especialista, aponta que o apetite pela proteína brasileira continua forte, mesmo diante da cota de importação imposta pela China. “A cota deve ser alcançada no terceiro trimestre, mas também temos outros importantes compradores aumentando suas compras”, observa.

No primeiro bimestre, o Brasil já ocupou 33,64% da cota total de 1,1 milhão de toneladas, indicando ritmo acelerado de embarques para o país asiático. (Leia mais aqui)

Entre os destinos que devem ampliar as importações, Camargo cita os Estados Unidos. “No ano passado, o maior volume embarcado para lá ocorreu em abril, quando eles começam a se preparar para o verão”, explica. Vale ressaltar também que o rebanho norte-americano está no menor patamar dos últimos 75 anos.

Ainda de acordo com ela, a expectativa é de exportar ainda mais no segundo semestre, uma vez que o Brasil não precisa mais se preocupar com o ‘tarifaço’ de Donald Trump.

Oferta ajustada, preços firmes

Camargo explica que com as exportações aquecidas, sobra menos produto no mercado interno, mantendo a oferta ajustada.

“Mesmo em períodos de consumo doméstico mais lento, como a segunda quinzena de março, os preços da carne bovina não caíram”, diz.

Nesse contexto, a analista da HN Agro afirma que não há espaço para uma pressão de baixa mais acentuada, mesmo com um escoamento interno mais fraco. Esse cenário, segundo ela, corrobora para uma visão otimista sobre os preços do boi gordo em 2026.

“Olhando especialmente para o segundo semestre, mais precisamente o último trimestre do ano, há espaço para preços acima do que o mercado futuro aponta hoje”, conclui.

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AgroNewsPolítica & AgroSafra

Wall St cai após adiamento de ataque ao Irã oferecer apenas alívio limitado


Logotipo Reuters

 

Por Purvi Agarwal e Twesha Dikshit

27 Mar (Reuters) – Os principais índices de Wall Street caíam nesta sexta-feira, uma vez que a guerra do Oriente Médio, que já dura um mês, se arrastava e pesava sobre o sentimento, enquanto os investidores observam quaisquer sinais de redução das tensão.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na quinta-feira que prorrogará novamente o prazo para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz ou enfrente a destruição de suas usinas de energia, depois que Teerã rejeitou anteriormente uma proposta de 15 pontos dos EUA para acabar com o conflito.

O adiamento, no entanto, não acalmou os mercados, e os preços do petróleo subiram já que os investidores estão céticos quanto à possibilidade de os dois lados chegarem a um acordo.

“Os mercados financeiros continuam sendo movidos pelas manchetes. Os investidores estão sendo influenciados pelas alegações dos EUA de que estão sendo feitos progressos para pôr fim às hostilidades, enquanto o Irã nega que estejam ocorrendo negociações sérias”, disse David Morrison, analista sênior de mercado da Trade Nation.

“Parece óbvio que nenhum dos lados está perto de aceitar as condições de paz do outro, portanto, por enquanto, a guerra continua.”

O S&P 500 e o Nasdaq estavam a caminho de sua quinta semana de perdas. O Dow deve encerrar a semana com poucas alterações.

O Índice de Volatilidade CBOE, considerado o medidor de medo de Wall Street, tinha alta de 2,56 pontos, em 30.

O Dow Jones Industrial Average caía 1,06%, enquanto o S&P 500 perdia 0,94% e o Nasdaq Composite tinha queda de 1,27%.

O índice de serviços de comunicação do S&P 500 permanecia sob pressão e recuava 0,9%, já que a Alphabet e a Meta registraram perdas de 1,2% e 1,7%, respectivamente.

(Reportagem de Purvi Agarwal e Twesha Dikshit em Bengaluru)





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Basf conclui aquisição da AgBiTech para reforçar presença no mercado de biológicos


Produtores rurais procuram atender as exigências dos órgãos reguladores e fiscalizadores para antecipar o plantio da soja antes do término do período de 90 dias, prazo que corresponde ao período de vazio sanitário, definido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Foto: Reprodução/ Canal Rural Bahia

A Basf informou que concluiu nesta terça-feira (31) a aquisição da AgBiTech, empresa especializada em soluções biológicas para o controle de pragas. A operação foi finalizada após a obtenção de todas as aprovações regulatórias, incluindo o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no Brasil.

O objetivo da aquisição é ampliar a presença no mercado de bioinsumos, segmento que registra crescimento no país. A Basf replica dados da CropLife Brasil que indicam que a área tratada com produtos biológicos aumentou mais de 28% em 2025, alcançando 194 milhões de hectares.

O fechamento das negociações ocorre após o acordo firmado em janeiro de 2026 entre a Basf, o fundo Paine Schwartz Partners e demais acionistas da AgBiTech.

Mercado de biológicos

A AgBiTech tem sua atuação no país concentrada em tecnologias voltadas ao controle de lagartas. Fundada em 2000, nos Estados Unidos, a empresa desenvolve soluções baseadas em nucleopoliedrovírus (NPV), vírus que ocorrem naturalmente e são utilizados no controle de insetos.

Segundo Livio Tedeschi, presidente global da Basf Soluções para Agricultura, a aquisição fortalece a atuação da empresa no segmento.

“O mercado de biológicos continua a se expandir em um ritmo forte. A AgBiTech complementa nosso portfólio com tecnologias diferenciadas”, afirma.

Expansão e integração tecnológica

A Basf informou que a operação permite ampliar a escala das tecnologias da AgBiTech, com foco na expansão global dessas soluções.

“O alcance global da Basf e sua estrutura de pesquisa e desenvolvimento devem acelerar a adoção das soluções”, diz Adriano Vilas-Boas, CEO da AgBiTech.

A Basf destaca que a aquisição reforça a oferta de soluções voltadas ao manejo integrado de pragas na América Latina. Segundo Sergi Vizoso, vice-presidente sênior da divisão na região, o objetivo é ampliar a eficiência produtiva com tecnologias alinhadas às demandas do campo.

No Brasil, o vice-presidente da área, Marcelo Batistela, afirma que a operação fortalece a presença da companhia em um mercado que já apresenta avanço na adoção de novas tecnologias agrícolas.

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AgroNewsPolítica & Agro

Colapso no plantio de arroz acende alerta global



A diminuição da área plantada ocorre em um ambiente considerado desafiador


A diminuição da área plantada ocorre em um ambiente considerado desafiador
A diminuição da área plantada ocorre em um ambiente considerado desafiador – Foto: coniferconifer

A intenção de plantio de arroz nos Estados Unidos para 2026 indica uma redução significativa na área cultivada, em um momento marcado por pressões simultâneas de custos, clima e dinâmica de mercado. Os dados são do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgados em 31 de março de 2026.

Segundo Cleiton Evandro dos Santos, analista de mercados de arroz na AgroDados Inteligência em Mercado, a principal retração ocorre no arroz de grão longo, cuja área projetada cai 22% em relação a 2025, passando de 2,118 milhões para 1,648 milhão de acres. O arroz de grão médio apresenta leve queda de 3%, enquanto o grão curto recua 14%. No consolidado, a área total estimada soma 2,319 milhões de acres, redução de 18% frente ao ciclo anterior.

A diminuição da área plantada ocorre em um ambiente considerado desafiador, com alta de preços mesmo durante o pico de colheita e atraso nas operações devido ao alongamento do ciclo das plantas. Ao mesmo tempo, custos elevados de fertilizantes e combustíveis, somados ao risco de ruptura na distribuição, ampliam a pressão sobre os produtores.

O cenário é agravado pela volatilidade do dólar, pela oferta restrita e por uma demanda internacional aquecida que não vem sendo plenamente atendida. A previsão de El Niño adiciona incerteza ao desenvolvimento da safra, enquanto a menor intenção de plantio nos Estados Unidos reforça um quadro global mais apertado para o arroz.

“Números importantes e impactantes que tornam ainda mais complexo um cenário de alta de preços em pleno pico de colheita, alongamento do ciclo das plantas (e atraso na entrada das ceifadeiras), fertilizantes e combustíveis em alta e sob risco de ruptura no sistema de distribuição, dólar oscilando, oferta restrita e alta demanda internacional não sendo atendida… Previsão de El niño, e mais o componente importante da safra estadunidense. Não há colheita de arroz sem drama”, escreveu no LinkedIn.

 





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Trump diz que saída dos EUA da guerra contra o Irã será rápida


Foto: World Economic Forum/Benedikt von Loebell

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em entrevista à Reuters, nesta quarta-feira (1º), que o país deve deixar o conflito com o Irã “bastante rapidamente”, mas não descartou a possibilidade de novos ataques pontuais, caso considere necessário.

Segundo Trump, os EUA acreditam ter neutralizado a capacidade do Irã de desenvolver armas nucleares, afirmação que é negada por Teerã. O presidente também sugeriu que a recente mudança de regime no país pode abrir caminho para um eventual acordo com a nova liderança.

Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!

Ao mesmo tempo, Trump voltou a criticar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Ele acusou aliados de não apoiarem os Estados Unidos durante o conflito e afirmou que considera “absolutamente” a possibilidade de retirar o país da aliança. O republicano classificou a relação como “uma via de mão única”, reforçando o descontentamento com a falta de suporte militar, especialmente no contexto da guerra no Oriente Médio.

No cenário interno, o presidente enfrenta pressão diante da alta nos preços da gasolina. Trump prepara um discurso à nação para detalhar os próximos passos do governo.

Apesar de ter afirmado anteriormente que não buscava uma mudança de regime no Irã, ele declarou que esse cenário acabou ocorrendo como consequência da guerra. Segundo o presidente, essa nova configuração pode facilitar negociações futuras, enquanto os Estados Unidos mantêm vigilância sobre o programa nuclear iraniano.

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Mais tempo para votar: Prêmio Personagem Soja Brasil vai até o dia 19 de abril!


Imagem gerada por IA

A votação para o Prêmio Personagem Soja Brasil 2025/26 foi estendida! Agora, você pode escolher seus favoritos até o dia 19 de abril. Acesse o link da votação e vote no seu produtor e em um pesquisador que fazem a diferença na cadeia da soja no país.

Confira os indicados desta safra:

Pesquisadores

Ricardo Andrade
O pesquisador Ricardo Andrade atua no desenvolvimento de tecnologias que ajudam a soja a produzir bem mesmo em condições climáticas adversas no oeste da Bahia. Engenheiro agrônomo e especialista em fisiologia vegetal, ele trabalha principalmente com estudos voltados à adaptação das plantas a estresses como a seca.

Seu trabalho busca entender como a soja reage ao ambiente e como pode se tornar mais resiliente diante das mudanças climáticas. Entre as linhas de pesquisa estão técnicas com bioestimulantes que aumentam a tolerância da planta a condições adversas e elevam o potencial produtivo.

Andrade também destaca a importância da educação e da formação de novos profissionais para o avanço do agro brasileiro. Para ele, a maior recompensa da pesquisa é ver tecnologias desenvolvidas no laboratório sendo aplicadas nas lavouras pelos produtores.

Fernando Adegas
Pesquisador da Embrapa Soja, Fernando Adegas construiu carreira dedicada ao manejo de plantas daninhas e ao desenvolvimento de estratégias para evitar perdas na produção agrícola.

Filho de família ligada ao campo, decidiu seguir a agronomia ao perceber a importância da agricultura para a economia brasileira. Após atuar na extensão rural no Paraná, aprofundou seus estudos na área de plantas daninhas, tema que se tornou central em sua trajetória científica.

Na Embrapa, acompanha a evolução dos sistemas de produção e o surgimento de plantas resistentes a herbicidas, trabalhando no desenvolvimento de técnicas de manejo integrado. O objetivo é garantir que os produtores consigam controlar as invasoras e manter a produtividade das lavouras, respeitando as diferenças entre regiões e biomas do país.

Leandro Paiola Albrecht
O pesquisador Supra da UFPR, Leandro Paiola Albrecht, desenvolve estudos voltados ao manejo de plantas daninhas e à busca por soluções que aumentem a produtividade e a rentabilidade da soja.

Seu trabalho vai além do uso de herbicidas, envolvendo práticas como rotação de culturas, cobertura do solo e estratégias integradas dentro do sistema produtivo. Ele também participa de pesquisas sobre resistência de plantas daninhas em áreas de soja no Brasil e no Paraguai, avaliando espécies como buva, caruru e capim-amargoso.

Esses estudos ajudam a identificar novas formas de controle e evitar perdas significativas nas lavouras. Segundo o pesquisador, o objetivo é integrar diferentes tecnologias para gerar soluções práticas e acessíveis aos produtores, garantindo produtividade, rentabilidade e sustentabilidade no campo.

Produtores

João Damasceno
Produtor rural do Tocantins, João Damasceno levou o sonho da soja para o Norte do Brasil e ajudou a consolidar a produção na região.

A história da fazenda começou ainda com seu pai, que adquiriu a propriedade na década de 1940. A partir da safra 1993/94, a família passou a investir na soja, substituindo outras culturas e ampliando gradualmente a área plantada e o parque de máquinas.

Com apoio técnico da Embrapa, adotou sistemas de rotação de culturas e integração com a pecuária, garantindo mais sustentabilidade à produção. Hoje a fazenda reúne soja como cultura principal, além de milho safrinha, gergelim, confinamento de gado e seringueira, além de estrutura própria de secagem e armazenamento.

Mesmo com oportunidades de expansão, a família decidiu investir na propriedade original, que carrega valor histórico e sentimental. Para Damasceno, produzir soja também significa preservar o legado familiar construído ao longo de gerações.

Maira Lelis
Produtora rural de Guaíra (SP), Maira Lelis representa uma nova geração do agro que une tradição, tecnologia e sustentabilidade.

A história da fazenda começou há mais de 80 anos com seu avô, quando a área ainda era formada por cerrado. Ao longo do tempo, a propriedade evoluiu com mecanização, adoção de tecnologias e ampliação da produção de grãos.

Hoje a gestão é focada em inovação, eficiência e redução de custos. Entre as práticas adotadas estão rotação de culturas, uso de plantas de cobertura e aplicação de microrganismos para fortalecer a saúde do solo e aumentar a produtividade da soja.

Uma das iniciativas recentes é a criação de um corredor ecológico com árvores que produzem pólen ao longo do ano, ajudando a atrair inimigos naturais das pragas e equilibrar o sistema produtivo. Para Maira, produzir alimento com responsabilidade ambiental e preparar o solo para as próximas gerações é parte essencial da missão no campo.

Carlos Eduardo Carnieletto
A trajetória de Carlos Eduardo Carnieletto nasceu dentro da agricultura familiar no Paraná. A produção começou com os pais, em uma pequena área cultivada com muito trabalho e dedicação.

Ao longo dos anos, a estrutura da propriedade foi ampliada e consolidada. Formado em agronomia pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), ele manteve a ligação com o campo e hoje administra sua área com foco em eficiência e gestão.

Diante de custos elevados e preços pressionados, busca aumentar a produtividade sem elevar os gastos da lavoura. Entre as práticas adotadas estão o uso de biológicos, coinoculação e acompanhamento constante das lavouras.

Para ele, o solo é o principal patrimônio do agricultor. Por isso investe em conservação, cobertura e manejo adequado da terra. Mesmo diante dos desafios do setor, Carlos acredita nos ciclos da agricultura e mantém a convicção de seguir produzindo. Encerrar uma safra com bons resultados continua sendo sua maior motivação.

A votação para escolher o Personagem Soja Brasil da safra 2025/26 vai até o dia 10 de abril. Participe!

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Ambiental, da JBS, recicla 7,6 mil toneladas de plástico em 2025 e registra maior volume da série


Foto: Divulgação/JBS.
Foto: Divulgação/JBS.

A Ambiental, empresa da JBS voltada ao gerenciamento de resíduos sólidos, reciclou 7,6 mil toneladas de plástico em 2025. O volume é o maior desde o início das operações e representa aumento de 51% em relação ao recorde anterior.

Em 11 anos de atuação, a empresa informou que evitou o envio de quase 55 mil toneladas de plástico para aterros sanitários. O material passou por triagem, processamento e foi transformado em resina reciclada e outros produtos industriais.

“O crescimento no volume de plástico reciclado em 2025 não é somente um indicador ambiental, é eficiência operacional. Conseguimos transformar o que antes era um custo de descarte em um recorde de 4,4 mil toneladas de resina de alta qualidade”, afirmou a diretora da Ambiental, Thuany Taves.

Produção de resina reciclada

A produção de resina reciclada chegou a 4,4 mil toneladas em 2025, aumento de 8% em relação a 2024. Parte do material reciclado veio do reaproveitamento de big bags utilizados no transporte de insumos agrícolas e de resíduos plásticos gerados nas operações da JBS, como Friboi, Seara, Swift, Couros e Novos Negócios.

De acordo com a empresa, a resina reciclada é utilizada em produtos como sacos plásticos, bobinas, paletes, móveis, telhas e chapas usadas na construção civil.

Thuany afirma que o modelo também gera novos insumos para o setor industrial. “Na prática, estamos provando que a economia circular na JBS é um motor de valor, gerando insumos industriais que abastecem desde o setor moveleiro até a construção civil”, diz.

Gestão de resíduos

Além do plástico, a Ambiental também atua no gerenciamento de papel, vidro e metal, além da logística reversa de itens como lâmpadas, pilhas e baterias.

Em 2025, a empresa informou que administrou 34 mil toneladas de resíduos sólidos, aumento de 13% em relação ao ano anterior. Todo o volume teve destinação com certificação ambiental.

“Ao gerenciarmos 34 mil toneladas de resíduos, do papel ao vidro, passando por itens complexos como baterias, garantimos que nada se perca ou gere passivo. Esse crescimento de 13% reflete nossa capacidade de oferecer uma solução completa, em que 100% do que sai das fábricas tem destino certo e certificado”, afirma a diretora.

Estrutura e expansão

A Ambiental conta com 22 filiais em estados como Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná. As unidades fazem a triagem e o preparo do material, que depois é enviado para a matriz, em Lins (SP), onde ocorre a transformação em resina.

Em 2025, a empresa também ampliou as operações com uma nova unidade em um centro de distribuição na Anhanguera, em São Paulo. Segundo a companhia, a estrutura permite atender às metas de logística reversa previstas na legislação federal.

Thuany afirma que o modelo já está em operação. “Hoje, entregamos soluções que superam as exigências legais, alcançando até 100% de conteúdo reciclado em alguns filmes plásticos. Não estamos somente cumprindo uma norma; estamos ditando o ritmo de como a indústria pode se desvincular do uso de recursos virgens”, diz.

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Primeiro trimestre de 2026 deve registrar forte movimentação na exportação e importação de soja


Close em mãos segurando um punhado de soja
Foto: Roberto Kazuhiko Zito/Embrapa Soja

O primeiro trimestre de 2026 deve registrar uma movimentação recorde de soja em grão no Brasil, com forte avanço tanto nas exportações quanto nas importações. Segundo números do Agroexport, o cenário reflete o consumo em alta, que tem levado o país a importar volumes históricos mesmo diante de uma safra robusta.

A safra brasileira 2025/26 é estimada em mais de 170 milhões de toneladas, um novo recorde. Ao mesmo tempo, o consumo também atinge níveis inéditos, impulsionado tanto pela demanda interna, com destaque para a indústria de esmagamento, quanto pelas exportações de grão, farelo e óleo.

Soja em grão

Reprodução Canal Rural

No recorte entre janeiro e março, o Brasil deve exportar cerca de 23 milhões de toneladas de soja com a média diária de embarques, considerando uma projeção conservadora para o fechamento de março. Já as importações devem alcançar aproximadamente 340 mil toneladas no período, um volume sem precedentes na série histórica recente.

Grande parte da soja importada pelo Brasil vem do Paraguai, que responde por mais de 90% desse fluxo. O movimento reforça o aquecimento do mercado e a necessidade de complementar a oferta diante da demanda elevada.

O avanço também é visível no comparativo mensal. Em março de 2025, o Brasil importou cerca de 18 mil toneladas de soja. Para março de 2026, a estimativa varia entre 95 mil e 100 mil toneladas. Em termos diários, o volume saltou de menos de mil toneladas para mais de 5 mil toneladas.

No acumulado de 2025, o país exportou cerca de 108 milhões de toneladas de soja e importou menos de 1 milhão de toneladas. Para 2026, a expectativa é de superar ambos os números, com exportações acima de 110 milhões de toneladas e importações ultrapassando 1 milhão de toneladas.

No cenário internacional, o mercado acompanha o início do plantio da safra 2026/27 nos Estados Unidos. A tendência é de aumento da área destinada à soja, o que pode influenciar os preços e a dinâmica global da commodity.

Apesar da combinação de produção elevada e importações em alta, o principal destaque é a força da demanda. O mercado segue aquecido, sustentado tanto pelo consumo interno quanto pelas exportações, abrindo oportunidades para o Brasil, ainda que isso não signifique, necessariamente, preços mais elevados.

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Fethab no Mato Grosso arrecada muito, mas entrega pouco


Patrulheiro Agro MT-240 Nobres atoleiros escoamento 4
Foto: Canal Rural Mato Grosso

Mato Grosso é o coração do agronegócio brasileiro. Produz, exporta e sustenta o superávit do país. Mas, para que essa engrenagem funcione, o produtor aceita pagar o Fethab, um fundo criado para garantir infraestrutura, mas que, na prática, virou um pedágio permanente e cada vez menos transparente.

A arrecadação é bilionária, ultrapassando facilmente os R$ 4 bilhões por ano, dependendo da safra . O produtor paga. E paga muito. O problema é que a estrada, muitas vezes, não aparece.

Arrecadação alta, estrada precária.

O Fethab existe para garantir competitividade via diferimento do ICMS. Em troca, deveria entregar a logística. Mas o que se vê no campo é outra realidade.

A MT-240 e a MT-599 enfrentam dificuldades constantes. Em Paraitinga, o escoamento trava. No norte, a MT-322, entre Peixoto de Azevedo e Matupá, vira um teste de resistência nas chuvas. Já a MT-140, entre Campo Verde e Santa Rita do Trivelato, é o retrato da descontinuidade: começa asfaltada e termina na terra.

Não é exceção. É rotina.

O produtor paga duas vezes.

Sem estrada, o frete sobe, o tempo aumenta e o custo explode. O produtor paga o Fethab e paga novamente pela ineficiência logística.

E o mais grave: muitos trechos já tiveram previsão de obra, já passaram por licitação. O dinheiro existe. A execução não acompanha.

Quando o fundo perde o destino.

Ao longo do tempo, o Fethab deixou de ser exclusivo da infraestrutura. Parte dos recursos passou a atender outras despesas do Estado.

Se o produtor paga por estrada, mas o recurso financia outras áreas, há um descompasso evidente. A conta continua no campo, o retorno, não.

O jogo de empurra.

Uma parte relevante dos recursos vai para os municípios. A função é clara: manter estradas vicinais.

Na prática, o cenário se repete: falta máquina, falta manutenção, sobra justificativa. O recurso se perde entre repasses e execução, e o produtor segue sem estrada.

Sem logística, não há margem.

Estrada ruim encarece tudo. Frete mais caro, perda de eficiência, risco maior. Em um mercado competitivo, isso não é detalhe, é perda direta de renda.

Mato Grosso produz como potência, mas escoa com dificuldade.

A conta precisa fechar.

O problema não é arrecadar. É cumprir o destino do recurso. Sem transparência e sem execução eficiente, o Fethab deixa de ser solução e passa a ser custo.

Enquanto isso não mudar, o agro seguirá avançando com um freio invisível, pago por quem produz e travado na lama da má gestão.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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