quarta-feira, abril 1, 2026
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Oferta limitada e exportações aquecidas sustentam alta da carne bovina


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Foto: Governo de Rondônia

A carne bovina brasileira caminha para um ano de margens apertadas na quantidade, mas folgadas em valor. Números da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apontam que o faturamento da proteína deve ser de R$ 263 milhões em 2026, um aumento de 7,6% frente ao obtido em 2025.

Com as exportações batendo recordes e o rebanho disponível diminuindo, a pressão de alta no preço da carne bovina já era esperada. Quem explica é a analista da HN Agro, Isabella Camargo. “Estamos produzindo menos e exportando mais”, afirma.

Nesse sentido, dados do primeiro bimestre reforçam que o pecuarista está segurando os animais no pasto por mais tempo. Segundo a especialista, já há queda de 4,7% nos abates do período, com recuo de 2,1% nos machos e de 8% nas fêmeas. A consequência é a diminuição de carne bovina disponível no curto prazo.

O cenário para a pecuária de corte, contudo, é positivo. “Quando a carne está valorizada, o frigorífico ganha espaço para pagar mais pela arroba do boi gordo”, afirma Camargo.

Apetite externo segue forte

Se por um lado o número de animais abatidos caiu nos dois primeiros meses de 2026, o volume das exportações continua crescendo. Entre janeiro e fevereiro, o Brasil enviou 557,24 mil toneladas de carne bovina ao exterior, uma alta de 22% em relação ao mesmo período do ano passado, conforme dados da Secex.

O avanço, segundo a especialista, aponta que o apetite pela proteína brasileira continua forte, mesmo diante da cota de importação imposta pela China. “A cota deve ser alcançada no terceiro trimestre, mas também temos outros importantes compradores aumentando suas compras”, observa.

No primeiro bimestre, o Brasil já ocupou 33,64% da cota total de 1,1 milhão de toneladas, indicando ritmo acelerado de embarques para o país asiático. (Leia mais aqui)

Entre os destinos que devem ampliar as importações, Camargo cita os Estados Unidos. “No ano passado, o maior volume embarcado para lá ocorreu em abril, quando eles começam a se preparar para o verão”, explica. Vale ressaltar também que o rebanho norte-americano está no menor patamar dos últimos 75 anos.

Ainda de acordo com ela, a expectativa é de exportar ainda mais no segundo semestre, uma vez que o Brasil não precisa mais se preocupar com o ‘tarifaço’ de Donald Trump.

Oferta ajustada, preços firmes

Camargo explica que com as exportações aquecidas, sobra menos produto no mercado interno, mantendo a oferta ajustada.

“Mesmo em períodos de consumo doméstico mais lento, como a segunda quinzena de março, os preços da carne bovina não caíram”, diz.

Nesse contexto, a analista da HN Agro afirma que não há espaço para uma pressão de baixa mais acentuada, mesmo com um escoamento interno mais fraco. Esse cenário, segundo ela, corrobora para uma visão otimista sobre os preços do boi gordo em 2026.

“Olhando especialmente para o segundo semestre, mais precisamente o último trimestre do ano, há espaço para preços acima do que o mercado futuro aponta hoje”, conclui.

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