sábado, abril 25, 2026

Autor: Redação

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Calor extremo no mar provoca perdas de até 90% na safra de ostras


Ostras e mexilhões Paraná
Foto Everson Bressan/AEN

O estado de Santa Catarina, responsável por cerca de 97% da produção nacional de moluscos, enfrenta uma crise na ostreicultura. Produtores relatam perdas de até 90% da safra de ostras após a temperatura da água do mar atingir níveis críticos durante o verão, comprometendo a produção, a renda das famílias e o futuro da atividade no estado.

A produção catarinense de ostras está concentrada principalmente na região da Florianópolis, nas baías Norte e Sul da ilha, movimentando mais de R$ 8 milhões por ano e sustentando centenas de famílias. No entanto, o aumento acentuado da temperatura da água – que chegou a 34°C – provocou alta mortalidade dos animais, especialmente da espécie Crassostrea gigas, cultivada na região e mais adaptada a águas frias.

“Essa espécie não resiste a essa temperatura. Nós tivemos uma mortalidade de 90% das nossas ostras. Todos os produtores tivermos essa mortalidade, alguns um pouquinho mais, 92%, 93%, mas a gente estimou 90% de perda”, destaca o presidente da Federação das Empresas de Aquicultura de Santa Catarina (Feasc), Vinicius Marcus Ramos.

Redução na oferta

Onde antes eram comercializadas cerca de mil dúzias por dia, agora restam apenas pequenas quantidades, insuficientes para manter o ritmo das vendas.

“Estamos sem ostras para comercializar, apenas algumas poucas dúzias que sobreviveram. Então, a gente está trabalhando todos os dias para retirar uma ou outra ostra viva do meio daquela montanheira de conchas para que no final da semana a gente tenha 10 a 20 dúzias para vender, que o normal era ser vendida a 1000 dúzias por dia”, relata Ramos.

Impactos na produção

O engenheiro de aquicultura, Lincoln Venâncio, que trabalha com o pai em uma fazenda com cerca de 30 anos de produção de ostras e mexilhões, relata uma mudança drástica na atividade.

Nos últimos anos, a propriedade produzia cerca de 2 milhões de sementes de ostras, com média anual de até 70 mil dúzias. Agora, porém, a realidade é de forte retração, com perdas severas causadas pelo aumento da temperatura da água.

“Fica difícil conseguir o dinheiro para adquirir novas sementes para o plantio desse ano, para a safra 2026/2027, porque acaba não tendo rendimento. Praticamente, o que teve de venda foi para pagar só a semente do ano passado” relata Venâncio.

Antecipação de linhas de crédito

Para tentar amenizar os impactos, o governo do estado antecipou linhas de crédito para o setor, com condições facilitadas e prazo para pagamento, mas na prática os produtores têm evitado recorrer ao financiamento.

Apesar da antecipação de linhas de crédito pelo governo estadual, muitos produtores evitam assumir financiamentos diante da insegurança sobre a recuperação da atividade.

“As sementes que nós estamos botando agora para acolher na safra 2026/2027 já tão começando a morrer também. O número está chegando a 50% ou mais, alguns produtores já relatam que passou 50%. Não adianta a gente pegar um empréstimo sendo que não vai ter garantia que vai conseguir pagar”, conta Venâncio.

Medidas

Diante do cenário, o governo de Santa Catarina e instituições de pesquisa trabalham em medidas de médio e longo prazo, como a implantação de sistemas de monitoramento da temperatura e da qualidade da água nas áreas de cultivo.

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Colheita de soja avança com dificuldades e qualidade é afetada no RS, aponta Emater


Reprodução Aprosoja RS

A colheita de soja no Rio Grande do Sul avançou de forma descontínua e já atinge 50% da área cultivada, conforme relatório semanal da Emater-RS divulgado nesta quinta-feira (16). O avanço ocorreu em curtas janelas de clima favorável, especialmente nos dias 6, 11 e 12 de abril, enquanto a recorrência de chuvas, com volumes irregulares entre regiões, manteve elevada a umidade do solo e das plantas, dificultando a trafegabilidade e interrompendo as operações.

Atualmente, predominam lavouras em maturação (36%), enquanto 14% ainda estão em enchimento de grãos e floração, reflexo da ampla janela de semeadura no estado. Em áreas mais representativas, a Emater aponta perda gradual da qualidade dos grãos, com retenção foliar, presença de grãos verdes e aumento de impurezas, problemas associados à alta umidade no momento da colheita.

A produtividade apresenta grande variabilidade entre regiões e até dentro de um mesmo município, impactada pela irregularidade das chuvas ao longo do ciclo, especialmente no período crítico de enchimento de grãos. Em áreas com melhor distribuição hídrica e manejo mais tecnificado, os rendimentos seguem adequados, enquanto nas demais as perdas são expressivas, chegando a níveis abaixo do custo de produção em alguns casos.

No aspecto fitossanitário, principalmente nas lavouras tardias implantadas em janeiro, o excesso de umidade prejudicou aplicações de inseticidas e fungicidas, limitando a eficácia dos tratamentos. A produtividade média estimada pela Emater/RS-Ascar é de 2.871 kg/ha, com área cultivada de 6.624.988 hectares.

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Açúcar terá novas quedas em abril apesar dos ganhos de março


açúcar etanol
Foto: Embaixada dos EUA no Brasil

O mês de março foi finalizado com uma alta muito importante no curto prazo para o driver Maio/26 do açúcar, que teve uma média de negociações ao redor de US$/cents 14,81 ao longo do mês. Este valor se mostrou 6,82% mais alto que a média vista em março de 2026, de US$/cents 13,86.

Apesar disto, no ano, a queda fora ainda intensa, de 24% (frente a cotações médias que se viam em março de 2025 a US$/cents 19,53) sendo que o mesmo podemos afirmar da média de cinco anos sobre o mesmo período que teve recuo de 27% (frente a preços médios que são vistos neste mês do ano em US$/cents 20,37).

A Safras & Mercado alerta que tanto o comparativo anual quanto a média de 5 anos sobre o mesmo período estão com preços deflacionados, colocados em valores presentes e corrigidos pelo índice CPI de inflação dos Estados Unidos. Logo, pontuamos que há uma clara divergência entre o comparativo de curto prazo (variação na margem, ou seja, frente ao mês imediatamente anterior) e os comparativos de médio e longo prazo que são o anual e o comparativo frente a média de 5 anos sobre o mesmo período.

Para piorar o cenário, a primeira semana de abril trouxe consigo dois importantes movimentos que ajudaram a derrubar os preços do açúcar em Nova York:

  • 1. O desenvolvimento da fase de queda em solavanco (que vamos detalhar mais à frente);
  • 2. A mudança de posição driver da primeira para a segunda tela.

Com isto, o contrato Julho/26 teve a primeira semana de abril com preços médios de US$/cents 14,60, ao passo que na segunda-feira (13), início da segunda semana do mês, fora possível observar também a perda da base dos 14 cents.

Logo, antes mesmo deste contexto, a Safras & Mercado já espera uma queda na média mensal de preços a ser vista em abril, com cotações médias esperadas sobre a segunda tela Julho/26 na faixa de US$/cents 13,75. Caso se confirme, esta média de preços deverá representar uma queda na margem de 7,13% frente a média de março que fora de US$/cents 14,81, assim como uma queda de 25% frente ao mesmo momento do ano anterior (com preços médios de abril de 2025 em US$/cents 18,50) além de se posicionar 36% mais baixo que a média de 5 anos sobre mesmo período (que para abril de 2026 aponta para o valor de 21,62).

A mudança da posição driver da primeira para a segunda tela (ou seja, de Maio/26 para Julho/26) é um vetor de fragilidade sobre as cotações da primeira tela, mas de alta sobre a segunda e terceira tela. Ainda assim, o saldo geral permanece mais vendedor do que comprador no movimento geral de rolagem de posições.

A Safras & Mercado pontua que a média de 8 anos de entregas físicas sobre a tela Maio oscila em 1,084 milhão e toneladas. Porém, levando em conta a posição driver anterior (Março/26) que teve 1,11 milhão de toneladas de entregas físicas de açúcar, este volume da média de 5 anos tende a se mostrar superestimado.

No mesmo momento do ano passado a tela Maio/25 deteve entregas físicas de 1,54 milhão de toneladas. Porém, levando em conta a fragilidade do mercado de açúcar desde o início de 2025 e projetado sobre a primeiro trimestre de 2026, a expectativa da Safras & Mercado é de entregas físicas sobre Maio/26 ao redor de 700 mil toneladas.

Ainda que ocorra uma tendência elevada de demanda das indústrias em travar volumes de entregas físicas abaixo dos 14 cents, não há contrapartida de oferta de contratos futuros por parte das usinas em ficar vendidas em Nova York nesses níveis de preços que representam cotações dentro da usina (na modalidade PVU) abaixo dos custos de produção que oscila entre US$/cents 13,50 a US$/cents 13,80 a depender da unidade.

Queda em solavanco

Outro ponto é a eclosão do movimento de Queda em Solavanco ocorrida na primeira semana de abril que veio na sequência do movimento de Alta em Solavanco desenvolvido nos primeiros 20 dias de março. Nas edições anteriores deste mesmo relatório semanal de açúcar, a Safras & Mercado já estava alertando para as três fases deste movimento que eram as de Alta em Solavanco, a criação de uma Zona de Conjunção no topo da alta dos preços e, posteriormente, termos a fase de Queda em Solavanco, a qual estamos atravessando agora na primeira e na segunda semana de abril.

Exatamente por isto que a Safras & Mercado projeta a continuidade dos preços mais baixos ao longo de abril com média de cotações em US$/cents 13,50 que, no dia a dia do mercado, podem ser até mais baixas, com mínimas até US$/cents 13,50 onde uma zona de acomodação deverá ser criada junto a esta mínima de médio prazo.

Por enquanto não vemos como provável cotações na casa dos 12 cents sobte Julho/26 e sobre nenhuma tela dos demais contratos futuros do açúcar bruto em Nova York. Ainda que se acumulem os vetores de baixa aos preços, a mínima dos US$/cents 13,50 ou até mesmo dos US$/cents 13,00 deverá ser mantida nos momentos de maior pressão vendedora sobre estes ativos.

Porém níveis de preços ainda nos 14 cents já representam prejuízos operacionais as usinas quando colocados na modalidade PVU, o que deixa as fixações futuras cada vez mais difíceis e serem realizadas, ainda mais com níveis de câmbio muito negativos para as exportações, na base dos R$ 5,00 como tem disso visto na primeira semana de abril sendo que no início da segunda semana deste mesmo mês o dólar chegou até mesmo a operar abaixo dos US$/cents 5,00 nas mínimas do dia.

Com isso, a Safras & Mercado alerta que as usinas têm enfrentado um mês de abril em que as cotações do açúcar bruto em Nova York retornam para as mínimas do ano ao passo que o real forte frente ao dólar também não colabora para a renumeração em dólares das exportações. Neste contexto, a Safras & Mercado reforça a sua leitura de que a safra corrente 2026/27 que fora iniciada em abril terá um míx de produção altamente concentrado ao etanol.

Mix açúcar x etanol

A expectativa de Safras & Mercado é que o mix médio da temporada como um todo tenda a ser de 54% para o etanol e 46% para o açúcar. Em nosso primeiro levantamento de safra realizado em dezembro de 2025 havíamos apontado um valor de 53% para o etanol e 47% para o açúcar que fora ajustado agora em abril com o aceno do governo federal de elevação da mistura de anidro a gasolina de 30% para 32%.

Apenas para se ter uma ideia, a média de 5 anos de mix de produção para o início da safra é de 88% para o etanol, sendo que os dados de março, publicados pela Unica relativos a primeira quinzena do mês apontaram para um mix médio da região em 95% para o etanol. Porém pontuamos que nem mesmo este padrão de mix exponencialmente concentrado ao etanol e nem mesmo o real acentuadamente mas forte frente ao dólar [abaixo dos R$ 5,00] se mostram como vetores de alta fortes o suficiente ao açúcar para motivar uma reação que eleva os preços das primeiras telas de volta aos 14 cents. Além disso, em nossa visão, isto não irá acontecer tão cedo.

Ao longo do início de abril temos apontado como 7 os vetores de baixa aos preços do açúcar em Nova York que fundamentam a nossa visão de preços mais baixos em abril e ao longo do primeiro semestre de 2026:

  1. Movimento de bump and run reverse que segue ativo sobre as duas primeiras telas do açúcar bruto em Nova York;
  2. Expectativa de prolongamento do superávit internacional sobre 2026 por parte do USDA com seu novo reporte de maio de 2026;
  3. Declarações recentes da Índia negando restrições das exportações;
  4. Perda da base dos 14 cents;
  5. Perda da Média Móvel Exponencial de 50 dias;
  6. Redução de 2% na demanda da Índia na safra 2025/26 saindo de 28,3 para 27,7 milhões de toneladas;
  7. Início da moagem da safra nova 2026/27 do Centro-Sul do Brasil.

Alertamos também sobre o descolamento do petróleo e o açúcar em Nova York que se mostrou válido ao longo de todo o mês de março mas que, agora em abril, não mais se observa no mercado. Em momento de alta de 8% no petróleo, o açúcar consegue se mostrar com ganho de apenas 0,5% quando não incorre em perdas.

Maurício Muruci, de Safras & Mercado

*Maurício Muruci é especialista em açúcar, etanol e biodiesel da Safras & Mercado, com mais de 15 anos de experiência em análises econômicas e consultoria para mercados agrícolas


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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AgroNewsPolítica & Agro

Mercado do boi abre estável após altas


O mercado do boi gordo iniciou a quarta-feira (15) com estabilidade nos preços, após as altas registradas no dia anterior para o “boi China” e para a vaca. De acordo com a análise do informativo “Tem Boi na Linha”, da Scot Consultoria, o ambiente seguiu firme, com negociações conduzidas de forma mais cautelosa entre compradores e vendedores.

Segundo a Scot Consultoria, “tanto a ponta vendedora quanto a compradora estiveram realizando negócios de forma mais compassada, em busca de melhores oportunidades no curto prazo”. A escala de abate média permaneceu em oito dias.

No Pará, a oferta reduzida e as escalas curtas, de até seis dias, sustentaram a firmeza do mercado. Ainda conforme a Scot Consultoria, fatores como boas condições de pastagem, desempenho das exportações e melhora no escoamento da carne contribuíram para o cenário, que resultou em valorização nas cotações em algumas regiões.

Na região de Marabá, os preços permaneceram estáveis. Já em Redenção, a cotação da vaca registrou alta de R$ 3,00 por arroba, enquanto o boi gordo e a novilha não apresentaram variações. Para o “boi China”, houve aumento de R$ 2,00 por arroba nas regiões de Marabá e Redenção.

Em Paragominas, o boi gordo teve alta de R$ 3,00 por arroba na comparação diária, enquanto vaca e novilha mantiveram os preços. O “boi China” também apresentou valorização de R$ 2,00 por arroba.

Em Roraima, após as altas registradas no dia anterior, o mercado seguiu firme, com a cotação de referência estável, conforme apontado pela Scot Consultoria.





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17ª edição da Parecis SuperAgro começou nesta semana em Campo Novo do Parecis


Parecis
Foto: reprodução/Planeta Campo

A 17ª edição da Parecis SuperAgro começou nesta semana em Campo Novo do Parecis, no noroeste de Mato Grosso, reunindo 180 marcas e apresentando mais de 100 novidades voltadas ao produtor rural.

Considerada uma das principais vitrines de tecnologia agrícola da região, a feira destaca soluções que vão da lavoura ao mercado em um momento em que eficiência e gestão estratégica se tornam ainda mais essenciais dentro e fora da porteira.

Realizado no Chapadão dos Parecis, uma das regiões mais produtivas do país, o evento reúne lançamentos nacionais em máquinas, insumos, serviços financeiros e ferramentas voltadas ao aumento da produtividade no campo.

Segundo o presidente do Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis, Antônio Brólio, o objetivo da feira é levar ao produtor “o que há de melhor em tecnologia no mundo”, além de oferecer oportunidades de negócio e acesso a informações estratégicas para enfrentar os desafios do setor.

Em meio a um cenário de margens apertadas e incertezas no agronegócio, a programação da Parecis SuperAgro também aposta em palestras e debates para orientar os produtores. A proposta é apresentar alternativas para melhorar a rentabilidade e preparar o agricultor para a próxima safra, mesmo diante das dificuldades enfrentadas nos últimos anos.

“O que nós temos melhor em tecnologia do mundo está aqui para apresentar ao agricultor. O expositor vem preparado para tentar fazer negócios com o agricultor da região e com boas negociações, com prazos e aqui dentro mesmo a gente tem instituições financeiras que ajudam nesse caso”, destaca Brólio.

Apesar do momento delicado, o setor produtivo da região mantém o otimismo. Campo Novo do Parecis ocupa posição de destaque no agronegócio nacional, tendo o quarto maior Produto Interno Bruto (PIB) agrícola do país, além de se destacar na pecuária dentro de Mato Grosso.

Expectativa

A expectativa é que entre 8 mil e 10 mil pessoas passem pela feira ao longo da programação, que segue até sexta-feira (17) com intensa movimentação e oportunidades de negócios.

Além de fortalecer a economia regional, a Parecis SuperAgro reforça a importância da inovação e da troca de conhecimento para garantir competitividade ao produtor rural em um cenário cada vez mais exigente.

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Duas semanas para votar: decida para quem vai o Prêmio Personagem Soja Brasil 25/26!


Imagem gerada por IA

Faltam 15 dias para a votação do Prêmio Personagem Soja Brasil 2025/26 chegar ao fim! Até o dia 30 de abril você ainda pode votar no produtor e pesquisador que fazem a diferença na cadeia da soja no país. Acesse o link, preencha seus dados e escolha seu favorito (a).

Se ainda está em dúvida, relembre os candidatos desta safra:

Pesquisadores

Ricardo Andrade
O pesquisador Ricardo Andrade atua no desenvolvimento de tecnologias que ajudam a soja a produzir bem mesmo em condições climáticas adversas no oeste da Bahia. Engenheiro agrônomo e especialista em fisiologia vegetal, ele trabalha principalmente com estudos voltados à adaptação das plantas a estresses como a seca.

Seu trabalho busca entender como a soja reage ao ambiente e como pode se tornar mais resiliente diante das mudanças climáticas. Entre as linhas de pesquisa estão técnicas com bioestimulantes que aumentam a tolerância da planta a condições adversas e elevam o potencial produtivo.

Andrade também destaca a importância da educação e da formação de novos profissionais para o avanço do agro brasileiro. Para ele, a maior recompensa da pesquisa é ver tecnologias desenvolvidas no laboratório sendo aplicadas nas lavouras pelos produtores.

Fernando Adegas
Pesquisador da Embrapa Soja, Fernando Adegas construiu carreira dedicada ao manejo de plantas daninhas e ao desenvolvimento de estratégias para evitar perdas na produção agrícola.

Filho de família ligada ao campo, decidiu seguir a agronomia ao perceber a importância da agricultura para a economia brasileira. Após atuar na extensão rural no Paraná, aprofundou seus estudos na área de plantas daninhas, tema que se tornou central em sua trajetória científica.

Na Embrapa, acompanha a evolução dos sistemas de produção e o surgimento de plantas resistentes a herbicidas, trabalhando no desenvolvimento de técnicas de manejo integrado. O objetivo é garantir que os produtores consigam controlar as invasoras e manter a produtividade das lavouras, respeitando as diferenças entre regiões e biomas do país.

Leandro Paiola Albrecht
O pesquisador Supra da UFPR, Leandro Paiola Albrecht, desenvolve estudos voltados ao manejo de plantas daninhas e à busca por soluções que aumentem a produtividade e a rentabilidade da soja.

Seu trabalho vai além do uso de herbicidas, envolvendo práticas como rotação de culturas, cobertura do solo e estratégias integradas dentro do sistema produtivo. Ele também participa de pesquisas sobre resistência de plantas daninhas em áreas de soja no Brasil e no Paraguai, avaliando espécies como buva, caruru e capim-amargoso.

Esses estudos ajudam a identificar novas formas de controle e evitar perdas significativas nas lavouras. Segundo o pesquisador, o objetivo é integrar diferentes tecnologias para gerar soluções práticas e acessíveis aos produtores, garantindo produtividade, rentabilidade e sustentabilidade no campo.

Produtores

João Damasceno
Produtor rural do Tocantins, João Damasceno levou o sonho da soja para o Norte do Brasil e ajudou a consolidar a produção na região.

A história da fazenda começou ainda com seu pai, que adquiriu a propriedade na década de 1940. A partir da safra 1993/94, a família passou a investir na soja, substituindo outras culturas e ampliando gradualmente a área plantada e o parque de máquinas.

Com apoio técnico da Embrapa, adotou sistemas de rotação de culturas e integração com a pecuária, garantindo mais sustentabilidade à produção. Hoje a fazenda reúne soja como cultura principal, além de milho safrinha, gergelim, confinamento de gado e seringueira, além de estrutura própria de secagem e armazenamento.

Mesmo com oportunidades de expansão, a família decidiu investir na propriedade original, que carrega valor histórico e sentimental. Para Damasceno, produzir soja também significa preservar o legado familiar construído ao longo de gerações.

Maira Lelis
Produtora rural de Guaíra (SP), Maira Lelis representa uma nova geração do agro que une tradição, tecnologia e sustentabilidade.

A história da fazenda começou há mais de 80 anos com seu avô, quando a área ainda era formada por cerrado. Ao longo do tempo, a propriedade evoluiu com mecanização, adoção de tecnologias e ampliação da produção de grãos.

Hoje a gestão é focada em inovação, eficiência e redução de custos. Entre as práticas adotadas estão: rotação de culturas, uso de plantas de cobertura e aplicação de microrganismos para fortalecer a saúde do solo e aumentar a produtividade da soja.

Uma das iniciativas recentes é a criação de um corredor ecológico com árvores que produzem pólen ao longo do ano, ajudando a atrair inimigos naturais das pragas e equilibrar o sistema produtivo. Para Maira, produzir alimento com responsabilidade ambiental e preparar o solo para as próximas gerações é parte essencial da missão no campo.

Carlos Eduardo Carnieletto
A trajetória de Carlos Eduardo Carnieletto nasceu dentro da agricultura familiar no Paraná. A produção começou com os pais, em uma pequena área cultivada com muito trabalho e dedicação.

Ao longo dos anos, a estrutura da propriedade foi ampliada e consolidada. Formado em agronomia pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), ele manteve a ligação com o campo e hoje administra sua área com foco em eficiência e gestão.

Diante de custos elevados e preços pressionados, busca aumentar a produtividade sem elevar os gastos da lavoura. Entre as práticas adotadas estão o uso de biológicos, coinoculação e acompanhamento constante das lavouras.

Para ele, o solo é o principal patrimônio do agricultor. Por isso investe em conservação, cobertura e manejo adequado da terra. Mesmo diante dos desafios do setor, Carlos acredita nos ciclos da agricultura e mantém a convicção de seguir produzindo. Encerrar uma safra com bons resultados continua sendo sua maior motivação.

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Brasil começará a exportar 11 tipos de frutas para Arábia Saudita, El Salvador e Azerbaijão


melancia cultivo mínimo
Foto: Pexels

O Brasil concluiu negociações para iniciar a exportação de produtos do agro para Arábia Saudita, El Salvador, Jordânia, Azerbaijão e Etiópia.

De acordo com anúncio desta quinta-feira (16) do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), serão vendidos para a Arábia Saudita nove produtos da fruticultura nacional: abacate, atemoia, goiaba, carambola, citros, gengibre, mamão, maracujá e melancia.

O país é um dos principais mercados para o agronegócio brasileiro no Oriente Médio. Em 2025, foram vendidos para lá mais de US$ 2,8 bilhões em produtos agropecuários.

Já em El Salvador, as autoridades locais aprovaram a exportação de maçã e, no Azerbaijão, foi autorizada a venda de uvas. Segundo o sistema Agrostat, em 2025, o Brasil embarcou cerca de US$ 103 milhõs para a nação da América Central e US$ 24 milhões para o país localizado entre a Europa e a Ásia.

Na Jordânia, o aval é para a exportação de feno. No ano passado, o país importou quase US$ 500 milhões em produtos agropecuários brasileiros. Na Etiópia, por fim, foi autorizada a venda de sementes de forrageiras das espécies Brachiaria spp., Panicum spp. e Setaria spp.

Com estes anúncios, o agronegócio brasileiro alcança 591 aberturas de mercado desde o início de 2023.

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Fiscais apreendem carga de cerveja e polpa de açaí avaliadas em mais de R$ 800 mil


apreensão de cerveja e açaí
Foto: divulgação/Sefa

A Secretaria da Fazenda do Pará (Sefa) realizou, nesta quarta-feira (15), duas apreensões de mercadorias em operações de fiscalização no estado, resultando em autuações que somam quase R$ 290 mil entre impostos e multas. As ações ocorreram nos municípios de Novo Progresso, no sudoeste paraense, e Cachoeira do Piriá, no nordeste do estado.

Na Rodovia BR-163, em Novo Progresso, fiscais estaduais apreenderam 257,4 mil unidades de cerveja em lata, avaliadas em R$ 697.605,40. A carga saiu de Frutal (MG) com destino a Santarém (PA).

Segundo coordenador Maycon Freitas, apesar de a mercadoria estar acompanhada de nota fiscal e recolhimento de ICMS por substituição tributária, foram identificadas inconsistências na base de cálculo do imposto.

“Verificou-se que o valor informado na nota fiscal não incluía a devida Margem de Valor Agregado (MVA), conforme exigido pela legislação tributária, o que resultou em recolhimento inferior ao valor devido”, explicou.

Diante da irregularidade, foram emitidos dois Termos de Apreensão e Depósito (TADs), totalizando R$ 263,3 mil em imposto e multa.

Açaí

Já em Cachoeira do Piriá, fiscais da Coordenação de Controle de Mercadorias em Trânsito do Gurupi apreenderam 8,9 toneladas de polpa de açaí avaliadas em R$ 132.211,80. A carga havia saído de Castanhal (PA) com destino a Maracanaú (CE).

“Após o início de fiscalização e entrega dos documentos fiscais os servidores, ao analisarem a nota fiscal, verificaram que o contribuinte não havia feito o pagamento do imposto devido na saída do estado”, disse o coordenador Gustavo Bozola.

Neste caso, foi lavrado um Termo de Apreensão e Depósito no valor de R$ R$ 25.384,67, que ainda aguarda pagamento. As ações fazem parte do trabalho de fiscalização da Sefa para combater irregularidades tributárias no transporte de mercadorias e garantir o recolhimento correto dos tributos estaduais.

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AgroNewsPolítica & Agro

Açúcar perde força após altas recentes


A expectativa de uma safra elevada de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil em 2026/27 deve ampliar o excedente global e manter pressão sobre os preços do açúcar. De acordo com análise da Hedgepoint Global Markets, a produção pode alcançar cerca de 635 milhões de toneladas de cana, com volume superior a 40 milhões de toneladas de açúcar.

Segundo a Hedgepoint Global Markets, esse cenário se soma à recuperação parcial da produção em países do Hemisfério Norte, como Índia, Tailândia e México, ampliando a oferta global e reforçando a tendência de preços mais baixos para o açúcar.

Ainda conforme a Hedgepoint Global Markets, movimentos recentes de alta, que levaram o açúcar a cerca de 16,1 centavos de dólar por libra, perderam força com a redução dos prêmios de risco geopolítico e a queda no complexo energético, indicando limitação desse suporte no curto prazo.

“Embora fatores macroeconômicos e geopolíticos tenham impulsionado a volatilidade de curto prazo, os fundamentos permanecem baixistas, com o etanol recuperando competitividade como principal mecanismo de ajuste por meio de reduções na mistura e estímulo à demanda”, afirma Lívia Coda, coordenadora de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets.

De acordo com a Hedgepoint Global Markets, o etanol voltou a ganhar competitividade frente ao açúcar desde o final de 2025, influenciando o mix produtivo das usinas. Atualmente, o mercado opera com cerca de 48% da produção direcionada ao açúcar, enquanto o nível necessário para equilibrar oferta e demanda estaria próximo de 44,5%.

Ainda segundo a Hedgepoint Global Markets, limitações operacionais e comerciais tendem a restringir ajustes mais rápidos no mix, mantendo o mercado em situação de excedente. Esse desequilíbrio é estimado em pelo menos 3,2 milhões de toneladas, fator que segue pressionando os preços.

Nesse contexto, a Hedgepoint Global Markets indica que o piso do açúcar deve se situar em torno de 13,5 centavos de dólar por libra, considerando o etanol hidratado próximo de R$ 2,2 por litro, referência para o ajuste entre oferta e demanda ao longo da safra.

Apesar do cenário, a Hedgepoint Global Markets aponta fatores que podem trazer volatilidade ao mercado, como mudanças no setor energético e riscos climáticos associados ao fenômeno El Niño, que podem afetar a produção no Hemisfério Norte e influenciar os preços a partir de 2027.





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