quinta-feira, abril 16, 2026
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Açúcar terá novas quedas em abril apesar dos ganhos de março


açúcar etanol
Foto: Embaixada dos EUA no Brasil

O mês de março foi finalizado com uma alta muito importante no curto prazo para o driver Maio/26 do açúcar, que teve uma média de negociações ao redor de US$/cents 14,81 ao longo do mês. Este valor se mostrou 6,82% mais alto que a média vista em março de 2026, de US$/cents 13,86.

Apesar disto, no ano, a queda fora ainda intensa, de 24% (frente a cotações médias que se viam em março de 2025 a US$/cents 19,53) sendo que o mesmo podemos afirmar da média de cinco anos sobre o mesmo período que teve recuo de 27% (frente a preços médios que são vistos neste mês do ano em US$/cents 20,37).

A Safras & Mercado alerta que tanto o comparativo anual quanto a média de 5 anos sobre o mesmo período estão com preços deflacionados, colocados em valores presentes e corrigidos pelo índice CPI de inflação dos Estados Unidos. Logo, pontuamos que há uma clara divergência entre o comparativo de curto prazo (variação na margem, ou seja, frente ao mês imediatamente anterior) e os comparativos de médio e longo prazo que são o anual e o comparativo frente a média de 5 anos sobre o mesmo período.

Para piorar o cenário, a primeira semana de abril trouxe consigo dois importantes movimentos que ajudaram a derrubar os preços do açúcar em Nova York:

  • 1. O desenvolvimento da fase de queda em solavanco (que vamos detalhar mais à frente);
  • 2. A mudança de posição driver da primeira para a segunda tela.

Com isto, o contrato Julho/26 teve a primeira semana de abril com preços médios de US$/cents 14,60, ao passo que na segunda-feira (13), início da segunda semana do mês, fora possível observar também a perda da base dos 14 cents.

Logo, antes mesmo deste contexto, a Safras & Mercado já espera uma queda na média mensal de preços a ser vista em abril, com cotações médias esperadas sobre a segunda tela Julho/26 na faixa de US$/cents 13,75. Caso se confirme, esta média de preços deverá representar uma queda na margem de 7,13% frente a média de março que fora de US$/cents 14,81, assim como uma queda de 25% frente ao mesmo momento do ano anterior (com preços médios de abril de 2025 em US$/cents 18,50) além de se posicionar 36% mais baixo que a média de 5 anos sobre mesmo período (que para abril de 2026 aponta para o valor de 21,62).

A mudança da posição driver da primeira para a segunda tela (ou seja, de Maio/26 para Julho/26) é um vetor de fragilidade sobre as cotações da primeira tela, mas de alta sobre a segunda e terceira tela. Ainda assim, o saldo geral permanece mais vendedor do que comprador no movimento geral de rolagem de posições.

A Safras & Mercado pontua que a média de 8 anos de entregas físicas sobre a tela Maio oscila em 1,084 milhão e toneladas. Porém, levando em conta a posição driver anterior (Março/26) que teve 1,11 milhão de toneladas de entregas físicas de açúcar, este volume da média de 5 anos tende a se mostrar superestimado.

No mesmo momento do ano passado a tela Maio/25 deteve entregas físicas de 1,54 milhão de toneladas. Porém, levando em conta a fragilidade do mercado de açúcar desde o início de 2025 e projetado sobre a primeiro trimestre de 2026, a expectativa da Safras & Mercado é de entregas físicas sobre Maio/26 ao redor de 700 mil toneladas.

Ainda que ocorra uma tendência elevada de demanda das indústrias em travar volumes de entregas físicas abaixo dos 14 cents, não há contrapartida de oferta de contratos futuros por parte das usinas em ficar vendidas em Nova York nesses níveis de preços que representam cotações dentro da usina (na modalidade PVU) abaixo dos custos de produção que oscila entre US$/cents 13,50 a US$/cents 13,80 a depender da unidade.

Queda em solavanco

Outro ponto é a eclosão do movimento de Queda em Solavanco ocorrida na primeira semana de abril que veio na sequência do movimento de Alta em Solavanco desenvolvido nos primeiros 20 dias de março. Nas edições anteriores deste mesmo relatório semanal de açúcar, a Safras & Mercado já estava alertando para as três fases deste movimento que eram as de Alta em Solavanco, a criação de uma Zona de Conjunção no topo da alta dos preços e, posteriormente, termos a fase de Queda em Solavanco, a qual estamos atravessando agora na primeira e na segunda semana de abril.

Exatamente por isto que a Safras & Mercado projeta a continuidade dos preços mais baixos ao longo de abril com média de cotações em US$/cents 13,50 que, no dia a dia do mercado, podem ser até mais baixas, com mínimas até US$/cents 13,50 onde uma zona de acomodação deverá ser criada junto a esta mínima de médio prazo.

Por enquanto não vemos como provável cotações na casa dos 12 cents sobte Julho/26 e sobre nenhuma tela dos demais contratos futuros do açúcar bruto em Nova York. Ainda que se acumulem os vetores de baixa aos preços, a mínima dos US$/cents 13,50 ou até mesmo dos US$/cents 13,00 deverá ser mantida nos momentos de maior pressão vendedora sobre estes ativos.

Porém níveis de preços ainda nos 14 cents já representam prejuízos operacionais as usinas quando colocados na modalidade PVU, o que deixa as fixações futuras cada vez mais difíceis e serem realizadas, ainda mais com níveis de câmbio muito negativos para as exportações, na base dos R$ 5,00 como tem disso visto na primeira semana de abril sendo que no início da segunda semana deste mesmo mês o dólar chegou até mesmo a operar abaixo dos US$/cents 5,00 nas mínimas do dia.

Com isso, a Safras & Mercado alerta que as usinas têm enfrentado um mês de abril em que as cotações do açúcar bruto em Nova York retornam para as mínimas do ano ao passo que o real forte frente ao dólar também não colabora para a renumeração em dólares das exportações. Neste contexto, a Safras & Mercado reforça a sua leitura de que a safra corrente 2026/27 que fora iniciada em abril terá um míx de produção altamente concentrado ao etanol.

Mix açúcar x etanol

A expectativa de Safras & Mercado é que o mix médio da temporada como um todo tenda a ser de 54% para o etanol e 46% para o açúcar. Em nosso primeiro levantamento de safra realizado em dezembro de 2025 havíamos apontado um valor de 53% para o etanol e 47% para o açúcar que fora ajustado agora em abril com o aceno do governo federal de elevação da mistura de anidro a gasolina de 30% para 32%.

Apenas para se ter uma ideia, a média de 5 anos de mix de produção para o início da safra é de 88% para o etanol, sendo que os dados de março, publicados pela Unica relativos a primeira quinzena do mês apontaram para um mix médio da região em 95% para o etanol. Porém pontuamos que nem mesmo este padrão de mix exponencialmente concentrado ao etanol e nem mesmo o real acentuadamente mas forte frente ao dólar [abaixo dos R$ 5,00] se mostram como vetores de alta fortes o suficiente ao açúcar para motivar uma reação que eleva os preços das primeiras telas de volta aos 14 cents. Além disso, em nossa visão, isto não irá acontecer tão cedo.

Ao longo do início de abril temos apontado como 7 os vetores de baixa aos preços do açúcar em Nova York que fundamentam a nossa visão de preços mais baixos em abril e ao longo do primeiro semestre de 2026:

  1. Movimento de bump and run reverse que segue ativo sobre as duas primeiras telas do açúcar bruto em Nova York;
  2. Expectativa de prolongamento do superávit internacional sobre 2026 por parte do USDA com seu novo reporte de maio de 2026;
  3. Declarações recentes da Índia negando restrições das exportações;
  4. Perda da base dos 14 cents;
  5. Perda da Média Móvel Exponencial de 50 dias;
  6. Redução de 2% na demanda da Índia na safra 2025/26 saindo de 28,3 para 27,7 milhões de toneladas;
  7. Início da moagem da safra nova 2026/27 do Centro-Sul do Brasil.

Alertamos também sobre o descolamento do petróleo e o açúcar em Nova York que se mostrou válido ao longo de todo o mês de março mas que, agora em abril, não mais se observa no mercado. Em momento de alta de 8% no petróleo, o açúcar consegue se mostrar com ganho de apenas 0,5% quando não incorre em perdas.

Maurício Muruci, de Safras & Mercado

*Maurício Muruci é especialista em açúcar, etanol e biodiesel da Safras & Mercado, com mais de 15 anos de experiência em análises econômicas e consultoria para mercados agrícolas


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