terça-feira, abril 28, 2026

Autor: Redação

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Com alta em todos os grupos, IPPA/CEPEA avança 3% em março


Em março, o Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA/CEPEA) registrou alta de 3,02% em relação ao mês anterior. O resultado mensal refletiu aumentos em todos os subgrupos, com destaque para o IPPA-Hortifrutícolas (15,94%), seguido por IPPA-Grãos (3,01%), IPPA-Pecuária (2,65%) e IPPA-Cana-Café (1,20%), indicando um movimento de recuperação dos preços agropecuários no período. No grupo de grãos, os principais destaques de alta foram algodão, arroz, soja e trigo, enquanto o milho exerceu pressão negativa.

Na pecuária, houve elevação nos preços de boi gordo, leite e ovos, ao passo que frango vivo e suíno vivo apresentaram quedas. No segmento hortifrutícola, os aumentos de batata, banana e uva contrastaram com as retrações de tomate e laranja. Já em Cana-Café, o avanço do café foi parcialmente compensado pela queda da cana. 

O IPA-OG-DI registrou alta de 1,02% no mês, indicando que, em março, os preços agropecuários apresentaram desempenho superior ao dos preços industriais. No cenário internacional, os preços dos alimentos avançaram 2,4% em dólares e, com a leve depreciação cambial (0,38%), resultaram em aumento de 2,79% quando medidos em reais. 

Na comparação entre períodos (jan-mar/2026 contra jan-mar/2025), o IPPA/CEPEA apresenta queda de 9,79%, com retrações em todos os grupos: IPPA-Cana-Café (-16,61%), IPPA-Hortifrutícolas (-14,05%), IPPA-Grãos (-9,85%) e IPPA-Pecuária (-5,73%). No mesmo período, o IPA-OG-DI recua 2,55%, enquanto os preços internacionais de alimentos acumulam queda de 14,29% em reais e de 4,59% em dólares, refletindo também a valorização de 10,12% do real no período. 





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Após 12 anos tocando uma granja sozinha, produtora vê filho assumir comando e ampliar negócios


A trajetória de Maria Elisa, em Orleans (SC), é um testemunho de resistência. Durante 12 anos, ela foi o rosto e a força por trás de uma granja de 30 mil aves, assumindo a liderança em um setor majoritariamente masculino. Vinda de uma rotina exaustiva na lavoura de fumo e milho, onde a tração animal e o trabalho manual eram a regra desde os onze anos, Elisa encontrou na avicultura, em 2012, a oportunidade de mudar o destino da família e abandonar as incertezas das safras a céu aberto.

O início foi um mergulho no desconhecido. Sem experiência prévia, ela aprendeu o manejo na prática, chegando ao extremo de dormir dentro do aviário para garantir o controle térmico dos pintinhos. Tudo isso enquanto conciliava a produção intensiva com o cuidado de pais doentes e as demandas da casa. “Foi um período de muito desafio, mas de muito aprendizado”, afirmou a produtora, que se tornou referência em dedicação dentro do sistema de integração.

Sucessão familiar

A história de Maria Elisa ganhou um novo capítulo em 2023, quando o filho Guilherme decidiu trocar a vida na cidade pelo retorno às raízes. A sucessão familiar, muitas vezes um gargalo no campo, aconteceu de forma planejada. Guilherme trouxe o fôlego da juventude e o foco exclusivo na técnica, transformando a gestão da granja climatizada em uma operação de alta performance.

Com a entrada do filho, a propriedade atingiu novos índices de produtividade. A divisão de tarefas permitiu que Maria Elisa seguisse como mentora e braço direito, enquanto Guilherme aplica o rigor técnico exigido pela indústria. Essa união entre a experiência de quem “sentia” o lote noites a fio e a visão moderna de quem busca eficiência máxima resultou em premiações e no reconhecimento da qualidade do frango produzido em Orleans, que hoje abastece mercados no Brasil e no exterior.

Legado e futuro

Para Dona Elisa, o maior troféu não são os prêmios de produtividade, mas ver o filho prosperando na terra que ela defendeu sozinha por mais de uma década. A avicultura proporcionou à família não apenas estabilidade financeira, mas o orgulho de pertencer a uma cadeia global de alimentos. A transição da enxada e da tração animal para os painéis de controle da granja climatizada simboliza a evolução da mulher no agro e a força da sucessão familiar catarinense.

Hoje, a família de Elisa olha para o futuro com a segurança de quem construiu um legado sólido. O plano é consolidar os ganhos de eficiência e, quem sabe, expandir. Mas o objetivo principal já foi alcançado: manter a família unida no campo, com a certeza de que a produção de alimentos é um propósito de vida que atravessa gerações.

Sob supervisão de Hildeberto Jr.

Com informações de: interligados.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.

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Quando o frio chega? Meteorologista do Canal Rural aponta data da virada no tempo


frio
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Durante a semana predomina temperaturas elevadas e tempo seco em boa parte do Centro-Sul do Brasil. Segundo o meteorologista Arthur Müller, do Canal Rural, o padrão de calor será prolongado, com a chegada do frio mais significativo apenas na virada para maio.

No último domingo (19), os termômetros chegaram a 40,6 °C em Porto Estrela (MT), de acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Além do calor, a baixa umidade relativa do ar, abaixo dos 30% em algumas áreas, aumenta o risco para focos de incêndio, especialmente no interior do Centro-Oeste e do Sudeste.

De acordo com Müller, a tendência para os próximos 10 dias é de manutenção desse cenário, com um “bolsão” de ar quente e seco predominando sobre o Brasil central. As máximas podem voltar a atingir entre 38 °C e 39 °C em áreas do Mato Grosso do Sul e sul de Mato Grosso.

Enquanto isso, a chuva se concentra em outras regiões. No Norte, os volumes podem variar entre 40 e 100 milímetros em cinco dias, com acumulados mais elevados em pontos isolados. Já no Sul, a expectativa é de retorno das precipitações mais significativas na próxima semana, com até 100 mm, beneficiando principalmente áreas do Paraná que enfrentam restrição hídrica.

Frio demora, mas pode trazer geada

Apesar de amanheceres mais amenos no Sul e Sudeste, com mínimas entre 12 °C e 15 °C, o frio mais intenso ainda está distante. Segundo o meteorologista, a mudança mais consistente no padrão de temperatura deve ocorrer apenas na virada de abril para maio.

Entre os dias 26 e 30 de abril, as mínimas voltam a cair no Sul, ficando abaixo dos 10 °C, mas ainda sem risco de geada. Já no início de maio, há संभावना de incursões de ar frio mais fortes, especialmente no Rio Grande do Sul, com possibilidade de geadas fracas em áreas de fronteira com o Uruguai.

Em municípios como Dom Pedrito (RS), os termômetros podem registrar mínimas entre 5 °C e 6 °C nas primeiras semanas de maio, indicando a chegada mais efetiva do outono.

Chuva irregular e atenção no campo

Para regiões produtoras como Bataguassu (MS), o calor continua sendo destaque, com máximas entre 35 °C e 36 °C até o início de maio, o que pode provocar estresse térmico no gado em confinamento.

A chuva será irregular nessas áreas, com dois episódios previstos: um na virada do mês e outro no fim da primeira semana de maio. Ainda assim, os acumulados não devem ultrapassar 50 mm.

No Sul, por outro lado, a previsão indica volumes mais expressivos no começo de maio. Em partes do Rio Grande do Sul, os acumulados podem chegar a 150 mm na primeira semana do mês, o que pode atrapalhar os trabalhos no campo.

Além disso, modelos climáticos já apontam sinais de atuação do fenômeno La Niña nas próximas semanas, o que tende a favorecer chuvas acima da média na região Sul.

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Novas cultivares de cana serão apresentadas na Agrishow 2026



Setor sucroenergético recebe novas cultivares



Foto: Canva

O Instituto Agronômico apresentará duas novas variedades de cana-de-açúcar durante a Agrishow 2026, realizada entre 27 de abril e 1º de maio, em Ribeirão Preto. As cultivares IACCTC09-6166 e IAC07-2361 serão exibidas no espaço do instituto, onde também funciona a Divisão Avançada de Pesquisa e Desenvolvimento de Cana, vinculada à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Além dos novos materiais, o Instituto Agronômico levará ao evento outras dez cultivares já difundidas no país, além de informações sobre tecnologias como o Sistema de Mudas Pré-Brotadas (MPB) e a Tecnologia do Terceiro Eixo. O sistema de mudas tem produção anual estimada em 200 milhões de unidades, enquanto a tecnologia de plantio já é adotada em parte do setor com o objetivo de reduzir a exposição da cultura ao déficit hídrico.

Segundo o líder do Programa Cana IAC, Marcos Guimarães de Andrade Landell, o evento permitirá a aproximação com o público. “Será uma oportunidade para o público interagir com os nossos pesquisadores e conhecer os materiais mais recentes liberados pelo Programa Cana IAC ao setor sucroenergético, com alto potencial produtivo e com características que agradam produtores e indústria”, afirmou.

De acordo com o pesquisador, as variedades IAC07-2361 e IACCTC09-6166 são indicadas para a região Centro-Sul do Brasil e ampliam as alternativas disponíveis aos produtores. As cultivares apresentam características voltadas à produtividade agroindustrial e à adaptação ao manejo mecanizado ao longo dos ciclos produtivos.

A variedade IAC07-2361 é descrita como adaptada à mecanização no plantio e na colheita, com população de colmos estável ao longo dos cortes e resistência ao acamamento. Já a IACCTC09-6166 apresenta manutenção uniforme de colmos, adaptação a diferentes ambientes e longo período de utilização industrial, além de características compatíveis com sistemas mecanizados.





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Alta da gasolina mantém etanol competitivo em SP, mostra Itaú BBA


Posto de combustível - etanol
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Os preços do etanol hidratado registraram alta no mercado spot de São Paulo entre o fim de março e o início de abril. Dados da Consultoria Agro do Itaú BBA mostram que o biocombustível foi negociado a R$ 3,02 por litro em 31 de março, aumento de 4% em relação aos 30 dias anteriores.

No dia 10 de abril, a cotação chegou a R$ 3,04 por litro, mantendo o movimento de valorização no período.

Oferta e paridade influenciam cotações

Na região de Paulínia, principal polo de comercialização, os preços acompanharam a tendência de alta. O movimento reflete menor disponibilidade do produto, maior firmeza das distribuidoras e melhora da paridade com a gasolina.

O período coincide com a transição para o início da safra 2026/27 no Centro-Sul, com retomada da moagem pelas usinas.

Mercado externo impacta combustíveis

O cenário internacional influenciou o mercado no período. A variação do petróleo, associada a tensões no Oriente Médio, afetou os preços da gasolina no Brasil.

Sem reajustes formais, a gasolina registrou aumento indireto, o que ampliou a competitividade do etanol e sustentou a demanda no curto prazo.

Expectativa para a safra

Para a safra 2026/27, a previsão é de aumento na produção, com crescimento da moagem e maior direcionamento para o etanol no Centro-Sul.

No curto prazo, o mercado segue condicionado às oscilações do setor de energia.

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STF dá ultimato sobre a Moratória da Soja


STF
Foto: Ascom STF

A soja brasileira, motor do PIB nacional, vive um momento de definição. O epicentro é a Moratória da Soja, um pacto que, embora vendido como selo de sustentabilidade, hoje é visto por muitos como uma ferramenta de exclusão que fere a soberania do Código Florestal e o direito à livre concorrência.

O movimento agora é de contagem regressiva. O STF fixou o dia 30 de abril como o prazo final para que as partes entreguem propostas de acordo. Enquanto isso, o Cade já reafirmou seu entendimento de que o pacto tem contornos de prática restritiva e deveria ter sido encerrado no início deste ano, mantendo a pressão sobre a ilegalidade da medida.

A moratória transmite ao mundo a falsa ideia de que o produtor tenta burlar normas, quando o desrespeito ambiental é a exceção

A grande crítica que surge do campo é a penalização injusta. Ao impor regras paralelas ao que já diz a lei brasileira, a moratória transmite ao mundo a falsa ideia de que o produtor tenta burlar normas, quando o desrespeito ambiental é a exceção, não a regra. Cria-se uma sensibilidade negativa: quanto mais se tenta “remediar” um problema inexistente para quem cumpre a lei, mais o produtor paga a conta de uma desconfiança descabida.

O produtor brasileiro já segue uma das legislações ambientais mais rigorosas do planeta. Punir quem está dentro da legalidade é ignorar o esforço de quem preserva e produz.

O Brasil não pode aceitar que acordos privados se sobreponham à soberania das nossas leis.

O encerramento é claro: o Brasil não pode aceitar que acordos privados se sobreponham à soberania das nossas leis. O que se espera do STF e do Cade não é um novo pacto de restrições, mas o respeito definitivo ao Código Florestal. É hora de parar de penalizar quem carrega o país nas costas e reconhecer, de uma vez por todas, a legalidade e a competência do produtor rural brasileiro.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Boi gordo acumula alta superior a 13% no ano e lidera valorização na cadeia da pecuária


pará, boi, vaca louca - protocolo
Foto: Christiano Antonucci/Secom-MT

Os preços ao longo da cadeia da pecuária de corte registram movimentos distintos em 2026, com destaque para a valorização mais intensa do boi gordo no acumulado do ano e uma reação recente no atacado. É o que mostram dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que analisou desde o mercado de reposição até a venda de carne.

Considerando o período de janeiro até 17 de abril, o animal pronto para o abate apresentou a maior alta, de 13,32%, superando outras categorias da cadeia. Na sequência, aparece a carne bovina no atacado, com avanço de 9,00%.

Já no recorte específico de abril, o comportamento muda: a carne lidera as valorizações no mês, com alta de 3,38%, seguida pelo bezerro, que acumula ganho de 2,36% no período.

Apesar do avanço mais forte do boi gordo no acumulado do ano, os dados revelam diferenças importantes entre os elos da cadeia. O bezerro segue com os preços mais elevados, reflexo da oferta mais restrita de animais para reposição. Enquanto isso, boi magro e boi gordo operam em níveis intermediários.

No segmento final, a carcaça casada no atacado da Grande São Paulo indica uma recomposição de margens, sinalizando melhora nas condições para o setor frigorífico.

De acordo com o Cepea, esse cenário aponta para um ajuste gradual entre oferta e demanda, com pressão maior sobre os preços dos animais terminados ao longo do ano e uma reação mais recente no mercado atacadista durante abril.

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Justiça libera cobrança de imposto sobre exportação de petróleo



Justiça autoriza imposto de 12% sobre exportação de petróleo após suspensão


Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A Advocacia-Geral da União (AGU) informou nesta sexta-feira (17) que a Justiça Federal no Rio de Janeiro suspendeu a decisão que proibiu a cobrança da alíquota de 12% de imposto sobre a exportação de petróleo.

A decisão foi proferida pelo presidente do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), desembargador Luiz Paulo da Silva Araújo Filho.

O magistrado concordou com os argumentos apresentados pela AGU, que alegou que a proibição de cobrança pode causar grave lesão à economia.

A cobrança do imposto foi questionada na Justiça por cinco empresas multinacionais de petróleo: Total Energies (França), Repsol Sinopec (Espanha e China), Petrogal (Portugal), Shell (anglo-holandesa) e Equinor (Noruega).

“As impetrantes possuem plena capacidade econômica para arcar com a exigência tributária, bem como poderão pleitear repetição de indébito, caso a juridicidade da exigência não se confirme ao final”, decidiu o desembargador.

A cobrança de 12% de Imposto de Exportação consta na Medida Provisória (MP) 1.340/2026, publicada em 12 de março.

A MP foi editada pelo governo federal como uma tentativa de conter a escalada no preço de derivados de petróleo no país, notadamente o óleo diesel, em meio à guerra no Oriente Médio, que levou distúrbios à cadeia produtiva do petróleo, diminuindo a oferta do óleo.





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Tiradentes: feriado será de calor no país e chuva em duas regiões; veja quais


Chuva; calor
Foto: Pixabay

O feriado de Tiradentes nesta terça-feira (21) será marcado por temperaturas elevadas em grande parte do país e chuva em áreas do Norte e do Nordeste. A atuação de sistemas atmosféricos mantém o tempo estável no Sudeste e provoca pancadas isoladas em outras regiões.

Confira a previsão por região:

Sul tem pancadas isoladas

Na Região Sul, uma frente fria se afasta para o oceano no feriado, mas ainda provoca pancadas de chuva isoladas no Paraná, em Santa Catarina e no norte do Rio Grande do Sul. As precipitações ocorrem em pontos específicos e não impedem atividades ao ar livre.

Sudeste com tempo estável

No Sudeste, o sol predomina no feriado. A atuação de um sistema de alta pressão mantém o tempo sem chuva em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. As temperaturas seguem elevadas ao longo do dia.

Centro-Oeste registra calor e pancadas

No Centro-Oeste, o feriado terá calor em todos os estados. Há previsão de pancadas de chuva no Mato Grosso do Sul por causa da passagem de uma frente fria. Em Mato Grosso, a chuva ocorre em áreas do oeste e sul. Goiás e o Distrito Federal seguem sem previsão de precipitação.

Nordeste tem chuva em várias áreas

No Nordeste, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) mantém a chuva no norte da região. Há precipitação no Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte. No litoral leste, a circulação de ventos favorece pancadas em capitais como Salvador, Recife e João Pessoa.

Norte segue com instabilidade

Na Região Norte, a presença de umidade e da Zona de Convergência Intertropical mantém pancadas de chuva em todos os estados. Há possibilidade de volumes elevados em áreas como Amazonas, Pará e Amapá ao longo do feriado.

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Mulheres empreendem em bioeconomia e mudam de vida no Sudoeste do Pará


Em Paraupebas, no sudeste do Pará, a força criativa de mulheres tem transformado vidas. Seja com a produção de mel, cerâmica ou de biojoias feitas com sementes, essas mulheres mostram que é possível liderar negócios aliando a realização pessoal com a valorização cultural da região, a preservação da floresta e a geração de renda.

Essas mulheres vivem próximas à Floresta Nacional de Carajás e à maior mina de ferro a céu aberto do mundo. E é ali que elas vêm coletando materiais para suas produções e conquistando também sua independência financeira, além de um papel de protagonismo na comunidade.

Uma dessas iniciativas impulsionadas por mulheres é a Associação Filhas do Mel da Amazônia (AFMA). A associação existe há cerca de dez anos e trabalha tanto com mel proveniente da apicultura, com as abelhas mais conhecidas, quanto da meliponicultura, que consiste na criação de abelhas sem ferrão, que são resgatadas de zonas de supressão.

O incentivo à criação de abelhas contribui não só para a preservação da natureza como também oferece alternativas de geração de renda para essas mulheres.

“A gente só sabia passar e cozinhar”, contou Ana Alice de Queiroz, uma das fundadoras da associação. “Mas, quando colocaram essa ideia nas nossas cabeças, de que a gente podia fazer outras coisas fora de casa, abraçamos. Isso foi nos transformando. Até saímos para estudar”.

A fundadora conta que voltou a estudar com 51 anos e que muitas dessas mulheres eram analfabetas.

“Saímos de dentro da cozinha, de dentro daquela vida que era só a mesma, e hoje estamos empreendendo e, para nós, isso é muito gratificante”, ressaltou.

Agora, diz Ana Alice, elas já não têm mais tempo para cuidar dos afazeres domésticos. “Mudou tudinho. A gente não tem mais muito tempo para cozinhar, não. Nem para organizar a casa”.

A AFMA é composta atualmente por 23 famílias, reunindo tanto mulheres quanto homens. À semelhança das colmeias, as fêmeas cuidam dos principais afazeres desse trabalho, como cuidar das finanças e de envasar, rotular e colocar o preço no produto.

“Os homens vão para o apiário, mas quem administra são as mulheres”, disse Ana Alice, que já foi presidente da associação. “A gente vai organizando todo mundo e fazendo o que é melhor para produzir e para aumentar essa produção, assim como as abelhas fazem”, destacou.

Só no ano passado, mais de 2 milhões de pequenos negócios abertos no Brasil foram liderados por mulheres. Os dados são do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com base em dados da Receita Federal.

Segundo esse levantamento, quatro entre cada dez pequenos negócios abertos no país em 2025 foram criados por mulheres, superando em mais de 320 mil o verificado no ano anterior.

Em entrevista à Agência Brasil, a gerente da Unidade de Sustentabilidade e Inovação do Sebrae no Pará, Renata Batista,  destacou que o número de mulheres donas de negócios passou de 8,2 milhões, em 2015, para 10,4 milhões, em 2025 – um crescimento de 27% em dez anos, acima do avanço observado entre os homens.

“Isso acontece por uma combinação de fatores: maior escolarização feminina, a busca por autonomia financeira, a necessidade de geração de renda e a ampliação do acesso à formalização, especialmente via MEI [microempreendedor individual]. Ao mesmo tempo, o empreendedorismo tem sido uma porta de entrada para as mulheres transformarem o conhecimento, o talento e o vínculo com o território e o negócio”, acrescentou.

Apesar desse crescimento, as mulheres ainda não representam nem metade dos novos pequenos empreendimentos abertos no país. No estado do Pará, por exemplo, apenas 37,6% das pequenas empresas criadas em 2025 eram lideradas por mulheres.

Mesmo com dificuldades, essas mulheres vêm buscando abrir espaços nesse mercado, contando com apoio do Poder Público ou de empresas privadas.

Diretora de soluções baseadas na natureza da mineradora Vale, Patricia Daros, afirma que os negócios tocados por mulheres extrapolam a questão da geração de renda, levantando também a questão de empoderamento feminino que começa a ser mais percebido. Na mineradora, 30% dos 50 projetos de bioeconomia apoiados recentemente são liderados por mulheres.

“A gente começou a perceber, desde quando a gente começou esse trabalho [de fomento], uma mudança do ponto de vista desse perfil de quem está à frente desses negócios, e as mulheres começaram, de fato, a aparecer um pouco mais ultimamente, principalmente em negócios relacionados à bioeconomia”, destacou.

Emancipado em 10 de maio de 1988, após plebiscito que o desmembrou de Marabá, o município de Parauapebas tem nome de origem tupi, que significa “rio de águas rasas”. Sua formação populacional é resultado de intenso fluxo migratório, impulsionado pela descoberta e exploração de minérios na Serra dos Carajás, a partir da década de 1960.

Hoje, a mineração responde por boa parte da economia, com destaque para o minério de ferro, mas também cobre, manganês, níquel e ouro.

Apesar da mineração, têm crescido na cidade projetos de bioeconomia, como o que transforma mais de 100 tipos de sementes em biojoias que misturam arte e sustentabilidade.

Secretária da Associação Preciosidades da Amazônia e futura presidente da Cooperativa de Trabalho Artesanal da Amazônia, Luciene Padilha, contou que a associação impacta não só a vida financeira, mas também a parte social, econômica e emocional das 12 mulheres participantes.

“Quando fizemos o curso, éramos mulheres em situação de vulnerabilidade, mulheres que não saíam de casa porque tinham medo. Seus provedores diziam: ‘você não sabe, você não pode’. Hoje elas já se posicionam, já se sentem mais fortalecidas e trabalham com empreendedorismo feminino”, comemorou.

A Associação Preciosidades da Amazônia tem apoio da prefeitura, da Vale, do Sebrae e da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra). Tesoureira do grupo, Sandra Brasil explicou que é da natureza que elas extraem as sementes e também sua renda.

“Nós trabalhamos com materiais vegetais e tudo o que a natureza nos permite usar. Nós estamos com um tesouro na mão. Não é só ouro e prata que são tesouros. Nós aprendemos a reconhecer a natureza como o verdadeiro tesouro da humanidade”, destacou.

Após terem aprendido a confeccionar suas peças, essas artesãs agora têm sido mentoras de novas gerações de empreendedoras. “Quando nós saímos da sala de aula, já saímos com conhecimento suficiente para repassar [para outras pessoas]. Hoje em dia, todas nós vamos para a sala de aula. Já demos até oficinas”, ressaltou.

As biojoias produzidas por essas artesãs têm fortalecido a economia local e contribuído para o sustento de muitas famílias. Mais do que contar histórias, essas peças têm fortalecido laços e também ajudado a preservar a Amazônia.

Para Renata Batista, projetos desse tipo são estratégicos porque mostram, na prática, que é possível gerar renda com a floresta preservada, agregando valor à biodiversidade, ao conhecimento local e a cultura brasileira.

“No caso das biojoias, ainda há um componente muito forte de identidade e diferenciação. O Sebrae aponta que esse mercado vem ganhando espaço porque une materiais naturais, processo artesanal e valorização de histórias, crenças e tradições do país”.

Já o grupo Mulheres de Barro, formado por ceramistas de Parauapebas, surgiu durante a implantação do projeto Salobo, maior projeto de exploração de minério de cobre do país, tocado pela Vale no interior da Floresta Nacional do Tapirapé-Aquiri (Flonata), em Marabá.

Durante o projeto Salobo, foram encontrados artefatos arqueológicos presentes na floresta e que datam de 6 mil anos atrás. E foi a partir dos trabalhos de prospecção e de salvamento arqueológico desses artefatos, conduzidos pelo Museu Paraense Emílio Goeldi e pela Vale, que o grupo se formou. Em oficinas de educação patrimonial, essas mulheres conheceram a história local e tiveram acesso a ensinamentos sobre a cerâmica, o que permitiu que criassem peças inspiradas nesse passado.

Nessas oficinas, elas aprenderam que a cerâmica produzida pelos povos que habitavam as proximidades do Rio Itacaiúnas e seus afluentes eram utilizadas para rituais ou como objetos de uso cotidiano. Desde então, a partir dessa memória, essas artesãs começaram a produzir novas histórias e a moldar peças contemporâneas com referências arqueológicas.

As formas e grafismos dessas novas peças são inspiradas nos vestígios recuperados nesses sítios arqueológicos da Serra dos Carajás. Já a base da pintura são pigmentos provenientes de minerais da região, como minério de ferro, manganês e argilas coloridas.

Presidente do Centro Mulheres de Barro, Sandra dos Santos Silva contou que, depois de 2002, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) incluiu no processo de licenciamento das pesquisas arqueológicas uma obrigação de fazer educação patrimonial para informar a comunidade do entorno sobre os resultados.

“E foi aí que eu digo que o universo conspirou a nosso favor, porque a gente estava buscando isso: participamos dessa formação durante seis anos. A gente não sabia fazer cerâmica, aprendemos do zero”, contou ela, que lidera uma cooperativa formada por 18 mulheres e quatro homens, que não só fabricam peças como também ministram cursos e oficinas.

Agora, essas mulheres ajudam a preservar a memória ancestral da região e também a floresta onde esses vestígios de cerâmicas foram encontrados. Para isso, elas deixam de coletar a argila diretamente da natureza, o que seria um processo degradante, para utilizar sobras de construções para a produção de suas peças.

“Com essa ideia de sustentabilidade, observamos que sempre há sobra [de argila] em todas as construções na cidade. Era uma quantidade imensa de argila descartada. A gente usa esse descarte das obras para fazer um processo de peneiramento da argila: a gente dilui, peneira, bate numa betoneira, dilui muito bem, coloca para decantar e aí vai tirando a água até ela ficar na consistência de um açaí do grosso. Daí, coloca para desidratar até chegar ao ponto de modelagem”, explicou Sandra.

Por meio desses trabalhos, o Centro Mulheres de Barro vem mudando a vida de várias mulheres de Parauapebas. E esse conhecimento ancestral, que chegou às fundadoras do Mulheres de Barro, agora começa também a ser repassado para as novas gerações.

“Eu nunca tinha mexido com barro. Mas agora me sinto muito feliz”, contou Maria do Socorro Assunção Teixeira, 62 anos, uma das fundadoras do grupo. “Agora eu me vejo como multiplicadora de conhecimento. Nós passamos [esse conhecimento] para outras pessoas”, ressaltou.

Essas pequenas iniciativas lideradas por mulheres no Pará são exemplos de projetos de bioeconomia, um modelo econômico baseado no uso sustentável de recursos naturais.

“Quando uma mulher lidera um negócio de economia no território amazônico, ela não está apenas vendendo um produto, mas ela está ajudando a construir uma economia mais enraizada no território, com mais identidade, mais valor agregado e mais capacidade de distribuir renda localmente”, destacou a gerente do Sebrae no Pará.

“Negócios como biojoias, artesanato de base sustentável, cosméticos naturais e outros produtos da sociobiodiversidade mostram que a Amazônia pode ser também o espaço de inovação econômica baseada em ativos da floresta e não só em atividade de baixo valor local”, acrescentou.

Além desses projetos serem sustentáveis, eles também fortalecem as tradições locais e as cadeias produtivas. Na Amazônia, os resultados positivos dessa forma sustentável de negócio têm atraído, cada vez mais, investimentos de governos e da iniciativa privada.

Todos os projetos citados nesta matéria, por exemplo, receberam apoio do Fundo Vale, associação sem fins lucrativos mantida pela mineradora e que busca acelerar negócios de impacto que valorizam a floresta em pé e o uso sustentável da terra.

“Quando a Vale lançou o Fundo Vale, nós olhamos numa perspectiva de pensar essa economia da floresta numa lógica mais justa e de desenvolvimento territorial. Já aportamos mais de R$ 430 milhões em mais de 146 iniciativas na região”, destacou Patricia Daros.

A cada ano, essa bioeconomia da sociobiodiversidade tem movimentado R$ 13,5 bilhões no estado do Pará, impulsionada por cadeias produtivas ligadas à floresta, aos rios e à agricultura familiar. No entanto, esses negócios ligados à biodiversidade, principalmente os tocados por mulheres, ainda enfrentam algumas dificuldades para se manterem em pé.

“Há desafios que são comuns a qualquer empreendedor, como acesso ao mercado, gestão financeira, capital de giro, planejamento e competitividade. Mas, no caso das mulheres, existem ainda barreiras adicionais. O Sebrae destaca que, logo que elas abrem os negócios em proporções semelhantes às dos homens, mesmo elas sendo em média mais escolarizadas, esses empreendimentos tendem a faturar menos”, disse Renata Batista.

Além disso, ressaltou ela, as mulheres tendem a ter mais dificuldade de acesso ao crédito e enfrentam sobrecarga no trabalho, pois tendem a acumular outras atividades relacionadas a afazeres domésticos e ao cuidado de pessoas, o que afeta o tempo disponível para qualificação, gestão, capacitação e expansão do negócio.

Por isso, o Sebrae destaca que, para que um negócio relacionado à sociobiodiversidade possa dar bons frutos, é necessário não só produzir bem, mas também estruturar bem a cadeia, a comercialização do produto e o financiamento para o projeto – que deve ser compatível com a realidade no campo.

Para fortalecer esses projetos de bioeconomia, o governo federal apresentou recentemente o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio). Um dos eixos desse plano é voltado para projetos relacionados à sociobioeconomia e os ativos ambientais.

*A repórter viajou a convite da Vale.





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