quinta-feira, abril 30, 2026

Autor: Redação

AgroNewsPolítica & Agro

Fórum global debate prevenção da influenza aviária


Entre os dias 9 e 11 de setembro de 2025, o Brasil sediou, em Foz do Iguaçu (PR), o Fórum Internacional sobre Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP), promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO Américas), em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O encontro reuniu cerca de 500 especialistas, gestores públicos, acadêmicos, representantes do setor privado e organizações internacionais para discutir estratégias coordenadas de prevenção e controle da doença, que representa uma ameaça crescente à saúde animal, à saúde pública e à sustentabilidade da produção agropecuária.

Conhecida popularmente como gripe aviária, a IAAP é altamente contagiosa e afeta principalmente aves, mas já foi detectada em 83 espécies de mamíferos, incluindo bovinos leiteiros e animais silvestres. Desde 2020, a IAAP tem se espalhado por diversos continentes, dizimando plantéis, afetando a biodiversidade, o comércio internacional e a segurança alimentar – além de acender um alerta global sobre o risco de uma nova pandemia humana.

“A influenza aviária deixou de ser uma ameaça esporádica e se tornou um desafio global. Nenhum país ou setor conseguirá enfrentar esse desafio de forma isolada — e o fracasso não é uma opção. A colaboração prática, baseada na ciência, é essencial para proteger nossos sistemas agroalimentares, os meios de subsistência e a saúde pública”, afirmou Beth Bechdol, diretora-geral adjunta da FAO.

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, ressaltou a relevância da resposta integrada. “Enfrentar a influenza aviária exige esforço coletivo entre países, setor produtivo, comunidade científica e organismos internacionais. Este desafio deve ser tratado com total transparência, só assim construiremos confiança e garantiremos a segurança alimentar global. Quando a influenza aviária foi detectada em uma granja comercial neste ano, o Brasil mostrou uma diferença decisiva. A resposta rápida e eficaz reforçou a credibilidade e a robustez do nosso sistema sanitário”, disse.

Abertura

Pela primeira vez, representantes do setor privado, incluindo associações de produtores de aves e prestadores de serviços de saúde animal, participaram diretamente de um diálogo global ao lado de lideranças científicas e governamentais.

Na abertura do Fórum, o secretário adjunto de Defesa Agropecuária do Mapa, Allan Alvarenga, destacou a política de transparência iniciada em 2023 e o investimento contínuo em equipes e laboratórios. O secretário adjunto, reforçou, ainda, a necessidade de melhorar a regionalização e “discutir a vacinação com base em ciência”.

O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luis Rua, evidenciou a importância de uma comunicação clara e objetiva com mercados e organismos internacionais. Ele ressaltou que, após o foco registrado no Rio Grande do Sul, o Brasil conseguiu manter as exportações em patamar elevado e retomar mercados em poucas semanas, reforçando a credibilidade do país no comércio global.

Durante a abertura também foi anunciado o credenciamento, pela FAO, do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária em São Paulo (LFDA/SP) como centro de referência para Influenza Aviária e Doença de Newcastle.

Temas prioritários

O diálogo global se baseou na Estratégia Global 2024–2033 de Prevenção e Controle da IAAP, lançada pela FAO em parceria com a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), no âmbito do GF-TADs. A iniciativa busca apoiar a criação e implementação de planos nacionais e regionais, fortalecendo a cooperação internacional e a capacidade de resposta a riscos transfronteiriços e pandêmicos.

 





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Pacote de ajuda aos exportadores deve diminuir efeito do tarifaço, avalia Fazenda


As ações do governo brasileiro devem reduzir pela metade o impacto do tarifaço aplicado pelos Estados Unidos na economia brasileira, é o que aponta o boletim Macrofiscal divulgado na quinta-feira (11) pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda.
Segundo dados do boletim, as tarifas aos produtos brasileiros devem levar a uma queda de 0,2 ponto percentual (p.p.) do Produto Interno Bruto. Com a resposta do governo, o impacto cai para 0,1 p.p..

No cenário avaliado, que abrange 22 setores da economia, sem as medidas do governo federal, a perda de empregos ficaria em aproximadamente 138 mil postos de trabalho, concentrada na indústria (71,5 mil), nos serviços (51,8 mil) e, em menor escala, na agropecuária (14,7 mil). Com a adoção das medidas, a perda ficará em 65 mil empregos.

Na inflação, o impacto previsto é de 0,1 p.p. A SPE diminuiu de 4,9% para 4,8% a projeção da inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2025.
Com isso, os efeitos decorrentes do menor saldo de balança comercial são parcialmente compensados pela maior disponibilidade de produtos no mercado interno.

As estimativas não incorporam choques de confiança, aumento da volatilidade financeira ou deterioração das condições de crédito. E levam em conta a aplicação da tarifa de 50% às exportações em comparação com cenário de referência, com tarifas de 10%.

Plano Brasil Soberano

Segundo a secretaria, o Plano Brasil Soberano aliado ao adiamento do pagamento de tributos pelas empresas, manutenção de empregos e compras públicas pode conter os efeitos do tarifaço.

O programa oferta linhas de crédito do Fundo Garantidor de Exportação com condições mais favoráveis a exportadores e micro, pequenas e médias empresas. As linhas disponibilizam capital de giro para compensar a queda com exportações aos EUA e estimular a busca por novos mercados, e capital para aquisição de bens de capital e para investimento, exigindo em contrapartida manutenção dos empregos.

“Embora as tarifas tenham impacto setorial relevante, impactam pouco no agregado da economia, e ainda menos quando consideradas as compensações com o Plano Brasil Soberano. Linhas de crédito e a oferta de garantias e diferimentos de tributos, além de compras governamentais, vão auxiliar o investimento em capital e inovação produtiva por parte de produtores e empresas, facilitando a diversificação dos destinos das exportações”, diz o estudo.



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Pecuaristas dos EUA querem bloqueio das importações de carne bovina do Brasil



Pecuaristas dos Estados Unidos, que já haviam manifestado apoio ao tarifaço contra o Brasil, agora pedem a suspensão completa das importações de carne bovina brasileira até que sejam atendidas exigências de segurança sanitária e transparência.

A National Cattlemen’s Beef Association (NCBA), entidade que representa os pecuaristas norte-americanos, reiterou durante uma audiência da Seção 301, investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA , que o governo brasileiro precisa responder por “práticas comerciais desleais”. Entre essas práticas, a NCBA cita restrições ao acesso de carne dos EUA ao mercado brasileiro, bem como falhas do Brasil em reportar em tempo hábil casos sérios de saúde animal, incluindo a encefalopatia espongiforme bovina (doença da “vaca louca”).

Em nota publicada no site da associação, Kent Bacus, diretor executivo de assuntos governamentais da NCBA, enfatiza: “A NCBA pedo ao governo Trump para suspender as importações de carne do Brasil até que um processo completo de auditoria e inspeção comprove que o Brasil pode atender a um nível equivalente de segurança alimentar e saúde animal.”

A preocupação dos produtores americanos envolve tanto aspectos de saúde animal quanto os impactos comerciais. Segundo a NCBA, o Brasil, nos últimos anos, vendeu bilhões em carne para consumidores dos Estados Unidos enquanto manteve “barreiras técnicas” que dificultam o acesso recíproco da carne americana ao Brasil.

Além disso, reivindicam que atrasos no reporte de casos atípicos da doença da vaca louca, entre outras falhas, põem em dúvida os padrões de segurança alimentar brasileiros.



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AgroNewsPolítica & Agro

“Sem erros políticos, Brasil será potência do agro mundial”, afirma presidente da Farsul


Presidente do Sistema Farsul defende protagonismo do agronegócio brasileiro e critica tentativas de retrocesso em política econômica. Evento debateu rumos do setor no RS e no mundo.

Durante o seminário Campo das Ideias, realizado nesta quinta-feira (11/09) em Porto Alegre (RS), o presidente do Sistema Farsul, Gedeão Pereira, destacou o papel estratégico do Brasil no cenário global de segurança alimentar. Em sua fala no painel de abertura, Pereira alertou para o crescimento acelerado de países asiáticos e o impacto direto desse avanço na demanda por alimentos. “A diferença hoje é que não são mais crianças, mas adultos entrando na sociedade de consumo. E isso exige mais produção. Aí está o Brasil”, afirmou.

Promovido pelo Senar-RS, o seminário Campo das Ideias reuniu especialistas, pesquisadores e lideranças do setor para discutir os principais desafios e oportunidades do agronegócio. O evento ocorreu no Teatro do Bourbon Country e teve inscrição gratuita, com painéis ao longo do dia sobre economia, geopolítica, sustentabilidade e inovação no agro.

Gedeão Pereira citou o exemplo da Indonésia, país com 270 milhões de habitantes e crescimento econômico em torno de 4% a 5%, semelhante ao que a China registrava antes de se tornar potência mundial. “Esse movimento pressiona o mercado por mais alimentos, energia e insumos. O Brasil está exatamente onde deveria estar: como fornecedor estratégico de proteína e grãos”, declarou.

O presidente da Farsul também aproveitou o espaço para criticar decisões políticas que, segundo ele, podem comprometer esse protagonismo. “O Brasil não pode fazer as coisas erradas. E está tentando fazer. Isso é lastimável. Se acertarmos, temos um grande país à frente, especialmente no nosso setor, que é altamente promissor — inclusive no curto prazo”, advertiu.

Pereira ainda mencionou os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos durante a gestão de Donald Trump e como o agronegócio brasileiro conseguiu se adaptar rapidamente. “O agro reagiu, ajustou algumas rotas e seguiu crescendo. Porque no fim das contas, as pessoas precisam tomar café da manhã, almoçar e jantar todos os dias. E aí está o Brasil”, completou.

“O Brasil precisa entender seu papel. Temos o que o mundo precisa, mas não podemos errar o rumo com medidas equivocadas. O agro está pronto, mas depende de políticas públicas sérias”, concluiu.





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Produtor que tem CAF conquista benefícios, oportunidades e apoio do Sebrae


O Cadastro da Agricultura Familiar (CAF) é hoje a principal porta de entrada para que agricultores familiares conquistem políticas públicas, crédito rural e novas oportunidades de mercado. Criado para identificar oficialmente a agricultura familiar no Brasil, o CAF funciona como um documento de identidade, reconhecendo a atividade produtiva desenvolvida na propriedade.

“O CAF é a principal identidade da agricultura familiar. Então, tudo que ele vai conseguir de acesso ao crédito, de benefícios, vem através deste documento”, afirma Larissa Vale Queiroz, gerente de Agronegócio e Indústria do Sebrae no Amapá (AP).

Através desse cadastro, é possível garantir mais transparência e segurança no processo, já que as informações fornecidas pelos produtores são validadas com base em registros existentes nos bancos de dados do governo federal.

Com este documento, o agricultor amplia suas chances de acessar crédito rural, vender para escolas públicas e participar de programas do governo que incentivam a produção e garantem mercado para pequenos produtores.

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Na foto, há uma mulher que usa óculos e está com uma blusa na cor ferrugem.
Larissa Vale Queiroz, gerente de Agronegócio e Indústria do Sebrae/AP. Foto:Fabiana Bertinelli.

Apoio do Sebrae fortalece negócios

“O Sebrae vê o CAF como a nossa microempresa. Então, a gente consegue atender o agricultor em todas as categorias”, reforça Queiroz.

Segundo a gerente, ao emitir o Cadastro, a família passa a ter acesso a importantes programas do governo como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF), o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Além disso, abre caminho para consultorias do Sebrae em gestão, inovação, marketing e tecnologia.

“Ter o CAF não significa apenas acessar crédito ou vender para o governo. O cadastro é um dos instrumentos para que o produtor futuramente possa pleitear a aposentadoria”, acrescenta.

Dicas práticas para obter o CAF

“O CAF é um por núcleo familiar. Se o produtor rural tem o CAF, ele abrange toda a família”, explica a gerente do Sebrae/AP. O cadastro pode ser feito junto à Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), órgãos estaduais e municipais parceiros.

“Quando for uma área de assentamento, quem faz a emissão é o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Caso o Incra não faça, o instituto por meio de parcerias com a Anater e/ou prefeituras, solicita a emissão, neste caso o CAF terá conotação que é numa área de assentamento.”

Para quem ainda não possui o documento, a recomendação é buscar orientação no Sebrae, organizar documentos que comprovem a identidade, propriedade e atividade agrícola da família. Além disso,  aproveitar os programas de capacitação do Sebrae. 

“A gente tem o Sebraetec, que é um produto do Sebrae. E dentro deste nosso programa, a gente pode ajudar a fazer a marca, logomarca, a gente faz tempo de prateleira, etc.”, finaliza Queiroz.

Porteira Aberta Empreender

Quer saber mais? Assista ao programa Porteira Aberta Empreender, uma parceria entre o Sebrae e o Canal Rural, que traz dicas, orientações e mostra histórias reais de micro e pequenos produtores de todo o país.

Às quintas-feiras, às 17h45, no Canal Rural. | Foto: Arte Divulgação



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Embate entre Trump e Fed pode enfraquecer dólar e prejudicar o agro


A tentativa de Donald Trump de forçar o Federal Reserve a cortar juros em um ambiente de inflação persistente levanta preocupações globais. A medida pode enfraquecer o dólar, corroer receitas das exportações agrícolas e expor o Brasil a um quadro crítico: supersafra pressionando preços, custos de produção elevados e uma taxa de juros de 15% que torna o crédito rural praticamente inacessível para milhares de produtores.

Nos últimos meses, a inflação nos Estados Unidos voltou a mostrar resistência, enquanto a criação de empregos perdeu fôlego. Em vez de reforçar a necessidade de cautela, Trump tem exigido cortes imediatos nos juros, alegando impacto negativo sobre crédito, investimentos e mercado imobiliário.

A interferência ameaça a independência do Fed, instituição que construiu sua credibilidade justamente por atuar contra pressões políticas de curto prazo.

Caso o Fed ceda e reduza juros antes do tempo:

  • Investidores buscam outros mercados, reduzindo a atratividade dos ativos americanos.
  • O dólar tende a se desvalorizar globalmente, afetando preços internacionais das commodities.
  • A inflação pode acelerar, deteriorando ainda mais a confiança no sistema financeiro.
  • Para o agro brasileiro, que depende da cotação do dólar para remunerar exportações, um dólar fraco significa perda direta de competitividade:
  • Receita de exportações: preços em dólar mais baixos reduzem os ganhos em reais.
  • Custos de insumos: embora fertilizantes e defensivos importados possam baratear, a volatilidade cambial aumenta o risco de contratos.
  • Competitividade internacional: menor valor das commodities em dólar reduz a atratividade dos produtos brasileiros frente aos concorrentes.
  • Incerteza financeira: o setor perde previsibilidade, essencial para planejar crédito e investimentos de longo prazo.

O problema se torna ainda mais crítico porque o Brasil enfrenta simultaneamente:

  • Supersafra histórica, que aumenta a oferta e pressiona os preços para baixo.
  • Custos elevados de produção, ainda impactados por logística, energia e mão de obra.
  • Taxa de juros de 15%, que encarece brutalmente o crédito rural.

Nesse ambiente, muitos produtores não conseguem financiar a próxima safra. Para parte significativa do setor, crédito caro é simplesmente fatal: inviabiliza operações, trava investimentos e acelera processos de descapitalização.

Cenários possíveis

Moderado: cortes graduais de juros nos EUA, inflação controlada e dólar levemente mais baixo. O agro perde parte da margem, mas mantém a viabilidade.

Adverso: corte abrupto com inflação em alta, dólar em queda global, commodities desvalorizadas, supersafra deprimindo preços e crédito inviável no Brasil. Resultado: margens esmagadas e risco de insolvência para milhares de produtores.

O agronegócio brasileiro prospera em cenários de dólar forte e estabilidade monetária global. A pressão política de Donald Trump sobre o Fed pode produzir exatamente o oposto: juros artificialmente baixos, inflação persistente, dólar enfraquecido e margens menores para o agro.

Com supersafra, custos elevados e juros domésticos de 15%, a equação se torna explosiva para o Brasil. O risco é claro: sem crédito acessível, parte relevante dos produtores pode não resistir, comprometendo não apenas a renda do campo, mas também a sustentabilidade da maior força econômica do país.

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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China troca soja dos EUA pela brasileira e pressiona agricultores americanos



Os agricultores dos Estados Unidos enfrentam uma situação preocupante: a China, um dos principais destinos tradicionais da soja norte-americana, tem cada vez mais deixado de importar do país, optando por embarques da América do Sul, especialmente do Brasil. Esse movimento está gerando perdas bilionárias para os produtores americanos, além de provocar uma mudança estrutural no mercado global de soja.

Desde o início da temporada de comercialização mais importante, as previsões já indicavam que os agricultores dos EUA sofreriam fortes impactos. Para outubro, por exemplo, a China já garantiu cerca de 7,4 milhões de toneladas de soja, quase toda proveniente do Brasil e de outros países sul-americanos, cobrindo cerca de 95% da demanda projetada para o mês.

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Para novembro, os contratos somam aproximadamente 1 milhão de toneladas, apenas 15% do esperado. Em comparação, no ano anterior, os chineses haviam reservado entre*12 e 13 milhões de toneladas de soja americana para o mesmo período.

Esse desvio de demanda evidencia uma perda de espaço consistente da soja dos EUA no mercado chinês. Em 2016, os Estados Unidos respondiam por cerca de 41% das importações de soja da China; em 2024, essa participação caiu para aproximadamente 20%. De janeiro a julho de 2025, o Brasil exportou 42,26 milhões de toneladas de soja para a China, contra 16,57 milhões oriundas dos EUA.

As causas desse deslocamento incluem:

  • Tarifas retaliatórias impostas pela China sobre a soja americana, que encarecem o produto em comparação com fornecedores sul-americanos, mesmo quando o preço de base dos EUA é mais competitivo.
  • Políticas comerciais e negociações estagnadas entre os dois países, que alimentam incerteza sobre novas compras e contratos para entrega futura.
  • Crescimento da produção brasileira, logística, investimentos e acordos comerciais que favorecem o Brasil como fornecedor confiável para a China.

Os efeitos sobre os agricultores americanos já são sentidos:

  • Perda de receita: sem contratos confirmados, especialmente nesse período de pico, muitos produtores ficam com estoque sem comprador certo, o que afeta diretamente o fluxo de caixa.
  • Queda nos preços futuros: os contratos futuros da soja em Chicago já refletem o excesso de oferta (em parte por causa da demanda chinesa enfraquecida) e estão próximos das mínimas dos últimos cinco anos.
  • Risco para a sustentabilidade financeira de fazendas menores, que dependem mais das exportações para pagar custos fixos, dívidas ou empréstimos agrícolas. Sem expectativa de volumes exportáveis, muitos estão retendo o produto ou adiando custos, o que pode gerar problemas logísticos ou de armazenamento.
  • Pressão política: em estados como Minnesota, agricultores têm buscado auxílio ou compensações federais, dado que muitos contratos de venda ainda não foram confirmados para a nova safra.

Se as condições atuais persistirem, tarifas sem modificação, lentidão nas negociações, e preferências chinesas por soja sul-americana, os agricultores norte-americanos precisarão reavaliar sua estratégia: diversificar mercados, buscar competitividade frente aos latino-americanos, ou sofrer perdas cada vez maiores, avaliam especialistas.



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Tempo vira e frio volta em alguns estados; veja a previsão do tempo para hoje



A atuação do sistema de alta pressão associado à massa de ar polar deve manter o tempo firme na maior parte da região Sul nesta sexta-feira (12). De forma localizada, algumas cidades do litoral paranaense ainda podem registrar chuva fraca e passageira, favorecida pela entrada de umidade do oceano. Já entre o oeste e noroeste do Paraná, há chance de pancadas no final do dia devido ao avanço de instabilidades vindas do Paraguai.

Você quer entender como usar o clima a seu favor? Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.

As temperaturas seguem mais baixas no Rio Grande do Sul e a sensação continua mais amena em Santa Catarina. Algumas cidades mais elevadas da serra geral e do sudeste gaúcho, além da serra catarinense, podem contar com a formação de geada isolada nas primeiras horas da manhã. No Paraná, o frio ainda predomina entre o sul e o leste do estado, mas a metade norte volta a registrar calor intenso e índices críticos de umidade relativa do ar.

No Sudeste, a circulação dos ventos associados a essa massa de ar polar mantém o tempo instável e com maior quantidade de nuvens no litoral de São Paulo e do Rio de Janeiro. Entre o litoral sul paulista e a região metropolitana do RJ, a chuva pode engrossar e vir mais forte em alguns momentos.

Na capital paulista, a sexta-feira termina com temperaturas mais baixas e possibilidade de chuva entre a noite e a madrugada seguinte. Em parte do interior de São Paulo, a entrada de ventos mais frescos vindos do oceano deve provocar ligeiro declínio nas temperaturas, além de chance para a ocorrência de algumas pancadas isoladas na parte da tarde. Já entre o norte e noroeste paulista, assim como no triângulo mineiro, o cenário é de atenção ainda para o calor, que permanece intenso durante a tarde, com índices de umidade abaixo dos 12%. No litoral do Espírito Santo, há chance de pancadas isoladas de chuva ao longo do dia, também associadas à circulação de ventos que sopram do oceano, mas que podem vir fortes.

Enquanto no Centro-Oeste, o padrão continua sendo de tempo aberto, com sol e calor intenso em praticamente toda a região. Excepcionalmente, algumas cidades do extremo sul de Mato Grosso do Sul e do noroeste de Mato Grosso podem registrar pancadas de chuva no período da tarde.

Nas demais áreas, o destaque segue sendo o calor e a baixa umidade do ar, que permanece em níveis críticos de alerta (abaixo de 20%) e até mesmo de emergência (abaixo de 12%) durante as horas mais quentes. Em Mato Grosso, Goiás e no norte de Mato Grosso do Sul, as temperaturas podem alcançar ou até superar os 40°C.

Já no Nordeste, ainda pode chover de forma isolada em algumas cidades da costa leste, mas a tendência é de que o tempo siga mais estável em grande parte da região. Ainda assim, há risco de chuva mais expressiva entre Maceió e Recife. No Maranhão, pancadas isoladas podem ocorrer no período da tarde. As demais áreas do interior seguem sob predomínio de tempo quente e seco, com alerta para baixa umidade do ar e risco elevado de queimadas.

E no Norte, a chuva segue concentrada sobre o Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, com risco de episódios fortes e até mesmo temporais ao longo do dia. Já no Pará, Tocantins e Amapá, o tempo continua firme, com predomínio de sol e calor intenso.



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Seguro Pecuário cresce mais de 650% e reforça papel estratégico para a segurança alimentar e econômica do Brasil


Em um país com cerca de nove vezes mais animais de abate do que habitantes, o Seguro Pecuário consolida-se como uma ferramenta estratégica para a segurança alimentar, econômica e financeira do Brasil. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são aproximadamente 220 milhões de pessoas e quase 1,9 bilhão de bovinos, suínos e aves — um dado que evidencia não apenas a força da pecuária nacional, como também a urgência de protegê-la contra riscos sanitários, climáticos e logísticos.

A estimativa do IBGE para 2025 é que o rebanho bovino ultrapasse 234 milhões de cabeças, reforçando o protagonismo do Brasil entre os maiores produtores mundiais de carne. Esse volume se soma aos 1,6 bilhão de galinhas e aos mais de 43 milhões de suínos, compondo um ecossistema robusto de produção de proteína animal.

Os números do primeiro trimestre de 2025 mostram recuperação no setor: em relação ao mesmo período de 2024, o abate de bovinos cresceu 3,8%, suínos 1,4% e frangos 2,3% — reflexo do aumento da demanda interna, das exportações e da maior confiança dos produtores no planejamento de médio e longo prazo.

Nesse contexto, o Seguro Pecuário ganha protagonismo. Levantamento da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) aponta que, de janeiro a maio de 2025, o produto acumulou crescimento de 294% nos últimos cinco anos, passando de R$ 16,5 milhões em 2021 para R$ 65 milhões em 2025. Na comparação anual, a expansão foi ainda mais expressiva: 653,5% de alta, com R$ 170,3 milhões arrecadados em 2024, frente aos R$ 46,9 milhões de 2021. Em relação a 2023, o avanço foi de 72,3%.

Apesar do desempenho impressionante, o seguro para criações ainda representa uma parcela pequena do mercado pecuário. Como o seguro pecuário ainda é novo no Brasil – se comparado com outras modalidades de seguro rural já consolidadas –, a principal barreira é a falta de conhecimento dos produtores sobre seu funcionamento e benefícios.

O Seguro Pecuário oferece cobertura para animais destinados ao consumo e/ou produção, nas fases de cria, recria e engorda, além de abranger animais de trabalho. Entre os principais riscos cobertos estão morte por doenças, acidentes, intoxicação, picada de cobra, raio, ingestão acidental de objetos, complicações no parto, aborto e eutanásia por razões humanitárias, além de variação negativa do preço do animal (causada por eventos externos à produção).

Além de proteger diretamente o produtor, o seguro fortalece a economia do setor — ainda mais relevante diante do cenário recente de tensão comercial com os Estados Unidos, que anunciaram a tarifa de 50% sobre a carne brasileira. Em tempos de incerteza, a apólice ativa garante ao pecuarista mais acesso ao crédito rural, segurança para investir e capacidade de manter a produção diante de imprevistos. Para o país, significa menor necessidade de socorro estatal em crises e mais previsibilidade nas exportações.

Para Daniel Nascimento, vice-presidente da Comissão de Seguro Rural da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), o seguro pecuário tem se mostrado um aliado indispensável para o produtor rural moderno. “Ele protege o rebanho, sustenta a renda em momentos críticos e fortalece a confiança nos negócios agropecuários. Mas ainda é necessário ampliar o conhecimento sobre o produto no campo e avançar em políticas públicas que estimulem sua adoção. O Brasil já é potência na produção de proteína animal. Com mais seguro, podemos ser também referência em estabilidade e gestão de risco na pecuária.”

O avanço do Seguro Pecuário é resposta direta aos desafios contemporâneos da agropecuária brasileira. Diante das mudanças climáticas, da pressão por sustentabilidade e das exigências dos mercados internacionais, o país precisa não apenas manter volume de produção, mas garantir estabilidade, rastreabilidade e competitividade — e o seguro tem papel central nesse caminho.

Na avaliação do representante da FenSeg, com a pecuária cada vez mais intensificada e tecnológica, a gestão de risco é a palavra-chave e deve fazer parte da rotina do produtor e da estratégia da produção. “Desse modo, o seguro surge como mais um mitigador de risco na atividade, apoiando o pecuarista a se manter 





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Brasil acompanha otimismo externo; ouça os destaques econômicos do dia


No morning call de hoje, a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta que pedidos de auxílio-desemprego mais altos nos EUA reforçaram apostas de corte de juros pelo Fed, impulsionando bolsas a recordes e derrubando o dólar global.

No Brasil, o Ibovespa subiu 0,56% a 143 mil pontos e o dólar caiu a R$ 5,39. Hoje, destaque para a Pesquisa Mensal de Serviços, CPI da Alemanha e confiança do consumidor nos EUA.

Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.

Para mais conteúdos de mercado financeiro, acesse: Bom Dia Mercado!

Ariane Benedito, apresentadora do podcast Diário Econômico
Foto: divulgação



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