quarta-feira, abril 22, 2026

Autor: Redação

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sintoma de uma crise maior


A Câmara dos Deputados sepultou a MP 1.303, que unificava o Imposto de Renda sobre aplicações financeiras e elevava a tributação de fintechs e seguradoras.

Com 251 votos a favor da retirada de pauta e 193 contrários, a medida caducou, e com ela, R$ 17 bilhões de arrecadação previstos para 2026.

Mais do que uma derrota para Fernando Haddad, o episódio expôs um governo sem estratégia política e um Congresso sem coragem.

Ambos parecem esquecer que o Estado não é território de poder, mas instrumento de serviço à nação.

A MP buscava simplificar a tributação com alíquota única de 18%, substituindo a tabela regressiva.

Também repunha receitas do IOF, que será extinto até 2027, e incluía apostas esportivas e criptoativos no radar fiscal.

Mas o relator cedeu à pressão: reduziu a carga sobre as bets, manteve isentas LCIs, LCAs, CRAs e debêntures incentivadas e esvaziou boa parte do texto.
Mesmo assim, a base aliada recuou e retirou o projeto de votação para evitar desgaste.

Nos bastidores, o motivo foi confessado: ninguém queria deixar a digital.
Quem votasse a favor irritaria o mercado; quem votasse contra enfrentaria o Planalto.
A omissão venceu, e com ela, o descrédito político.

O custo da covardia

A decisão abre um rombo fiscal de R$ 17 bilhões e já leva o governo a cogitar bloquear R$ 10 bilhões em emendas.
O Congresso tenta fugir do desgaste, mas será atingido pelos cortes que ele mesmo provocou.

Pior que o impacto fiscal é o rombo moral.
Cada vez que o poder recua diante do voto, o país se acostuma à mediocridade.
O governo legisla por impulso, o Congresso se omite, e o Brasil permanece travado entre lobbies e manobras.

A retirada da MP foi vitória silenciosa dos lobbies, de casas de apostas, fintechs e fundos de investimento, derrota ruidosa da credibilidade do Estado.
Ao preservar privilégios, o Congresso perpetuou um modelo em que quem tem lobby paga menos, e quem produz paga mais.
É o retrato de um país desigual nas leis e frágil nas convicções.

A queda da MP 1.303 sintetiza a crise institucional brasileira: um governo que governa por impulso e um Congresso que se move pelo medo.
Ambos evitam o dever de decidir, como se a omissão fosse virtude.

O Brasil não precisa de mais MPs nem de novos discursos.
Precisa de coragem, coerência e consciência fiscal.
Porque o verdadeiro problema não é a morte de uma medida provisória, é a morte do senso de responsabilidade de quem deveria conduzir a nação.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Após derrubada de MP, Haddad diz que pode haver corte de emendas parlamentares



O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que “pode ser que tenha corte de emendas” do Congresso. A fala ocorre logo após a derrubada pelos parlamentares da Medida Provisória 1303/25, que trazia alternativas ao aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Segundo Haddad, no entanto, o corte aconteceria dentro das regras aprovadas pelo legislativo.

Durante entrevista a jornalistas nesta quinta-feira (9), em Brasília, o ministro também disse que os impactos da MP serão pequenos no orçamento deste ano. Isso porque houve uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou o governo a elevar o IOF, o que garante segurança fiscal até o fim de 2025.

Governo deve apresentar alternativa ao IOF

De acordo com Haddad, os próximos passos incluem a apresentação de propostas que substituam o IOF ao presidente Lula nos próximos dias. O presidente, entretanto, indicou que a reunião sobre o tema deve ocorrer na quarta-feira (15).

A intenção do Ministério da Fazenda é criar uma medida de compensação fiscal sem aumento de carga tributária. Na entrevista, o ministro negou que a MP alternativa represente elevação de impostos e disse que o objetivo é corrigir distorções existentes no sistema.

“Aumento de imposto é subir uma alíquota geral. Nós estamos, na verdade, reduzindo as alíquotas do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil”, afirmou.



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Exportações de suínos batem recorde em setembro



Dados da Secex analisados pelo Cepea mostram que as exportações brasileiras de carne suína atingiram 150 mil toneladas em setembro. O valor representa um recorde considerando a série histórica da secretaria iniciada em 1997. O volume superou em 25% o de agosto e em 26% o de setembro de 2024. 

Em relação aos destinos da carne suína brasileira, desde fevereiro deste ano, as Filipinas se configuram como o principal. Pesquisadores explicam que os embarques intensos ao país, e também a outros destinos, mais que compensam os constantes recuos observados à China.

Ressaltam que esse cenário é fruto de um trabalho que vem sendo realizado com afinco por parte de instituições representativas do setor suinícola nacional, que vem conquistando novos mercados e garantindo outros. 

Foram 49 mil toneladas da carne escoadas às Filipinas em setembro, aumento de 46,5% no comparativo mensal e de 74% no anual. Ou seja, os envios ao país asiático representaram 32,7% do total escoado pelo Brasil em setembro, ainda conforme dados da Secex analisados pelo Cepea.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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AgroNewsPolítica & Agro

Edição genética promete salvar cenouras



O projeto tem foco em variedades de alta precisão


O projeto tem foco em variedades de alta precisão
O projeto tem foco em variedades de alta precisão – Foto: Pixabay

Uma aliança entre empresas da Holanda e do Reino Unido está aplicando edição genética para criar cenouras resistentes a doenças, com potencial para reduzir perdas de até 50% na produção global. A iniciativa envolve a aplicação da tecnologia GEiGS® (Gene Editing induced Gene Silencing), que atua diretamente no genoma da própria planta, sem inserir genes externos, sendo considerada “não transgênica” em diversas regulamentações.

O projeto tem foco em variedades de alta precisão que unem resistência a doenças foliares e transmitidas pelo solo ao melhoramento genético tradicional. As cenouras estão entre os vegetais mais cultivados do mundo, com produção anual superior a 45 milhões de toneladas e previsão de mercado acima de £ 25 bilhões até 2030, mas enfrentam desafios graves de produtividade e qualidade causados por patógenos.

A tecnologia GEiGS® utiliza silenciamento genético direcionado, reaproveitando regiões não codificantes do genoma da própria planta para reforçar suas defesas naturais. As características desenvolvidas são hereditárias e dominantes, oferecendo resistência duradoura sem depender de genes externos. A ideia é combinar biotecnologia de ponta com décadas de experiência em melhoramento genético para gerar soluções sustentáveis para a agricultura.

Para as empresas envolvidas, a colaboração representa um passo estratégico em direção a sistemas agrícolas mais resilientes e sustentáveis. A expectativa é que essas cenouras avançem não apenas em produtividade, mas também em sustentabilidade, reduzindo o uso de defensivos químicos e fortalecendo cadeias de produção em escala global.

 





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Investigações do MP revelam rede de falsificação de defensivos agrícolas do PCC



Segundo reportagens da rádio CBN e da RecordTV, o Ministério Público de Franca (SP) identificou a atuação de membros do PCC (Primeiro Comando da Capital) em uma complexa rede de falsificação e distribuição ilegal de defensivos agrícolas

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado) identificou a infiltração da facção em núcleos que falsificam defensivos agrícolas em Franca, além de sua conexão com outras atividades criminosas como agiotagem e lavagem de dinheiro.

Trocas de mensagens entre integrantes do PCC despertaram a atenção do MP em Franca, sugerindo coordenação da facção no esquema.

As investigações, com mais de dez anos de apuração, revelaram que Franca é considerado um dos principais centros de falsificação de defensivos no país. Os produtos falsificados têm distribuição nacional e são exportados para outros países.

A estrutura criminosa atua por meio de ao menos nove núcleos autônomos, especializados em etapas distintas do esquema: produção de embalagens, falsificação de notas fiscais e comercialização por meio da internet, entre outras.

Os laboratórios clandestinos foram descritos como semi-industriais, com esteiras e máquinas para envasar em larga escala, e contam com rótulos e selos idênticos aos originais para disfarçar a ilicitude. Os produtos chegam a ser compostos por misturas de água, solventes, corantes e apenas uma fração de princípio ativo real.

O promotor Adriano Mellega alertou que a entrada de facções criminosas como o PCC em cadeias produtivas legítimas representa um risco crescente, já que elas passam a atuar “em paralelo” à legalidade e podem, ao longo do tempo, dominar nichos inteiros do mercado.



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Preços do boi iniciam outubro em alta



O mês de outubro trouxe certo aumento na demanda por animais no mercado spot, interrompendo algumas quedas de preços e dando espaço a pequenas altas. Isso é o que indicam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Com isso, pecuaristas retomam algum ânimo para negociar. Esse cenário é observado tanto em São Paulo quanto nas demais regiões acompanhadas pelo Centro de Pesquisas. O tempo seco e a falta de pasto tornam muito baixa a oferta de animais de pasto.

Entre os lotes confinados, pesquisadores explicam que boa parte está comprometida com a indústria, mas aos poucos tem aumentado a parcela ainda por ser negociada. No mercado atacadista da carne com osso da Grande São Paulo, houve leve valorização de todos os cortes (com preços firmes) nos últimos dias, num contexto de vendas consideradas normais para o início do mês, ainda conforme levantamentos do Cepea.

Quanto às exportações, dados da Secex analisados pelo Cepea mostram que foram embarcadas 348 mil toneladas de carne bovina (produtos in natura quanto industrializados) em setembro, o maior volume mensal da série da Secretaria, iniciada em 1997.

Com isso, o total exportado de janeiro a setembro alcançou 2,41 milhões de toneladas, superando em 15,4% o resultado do mesmo período de 2024 e estabelecendo um novo recorde.

China e Hong Kong foram os grandes protagonistas desse movimento, respondendo por 56,7% do total da carne vendida pelo Brasil.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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IPCA sobe 0,48% em setembro, com alta em energia elétrica



O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,48% em setembro, após queda de 0,11% em agosto, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No acumulado de 2025, a inflação acumula alta de 3,64% e, nos últimos 12 meses, o índice atingiu 5,17%. Em setembro de 2024, a variação havia sido de 0,44%.

Energia elétrica foi o principal fator de pressão

O grupo Habitação teve a maior variação do mês, com alta de 2,97% e impacto de 0,45 ponto percentual (p.p) no IPCA. Foi o maior aumento para setembro desde 1995, quando o grupo subiu 4,51%.

A principal influência veio da energia elétrica residencial, que passou de -4,21% em agosto para 10,31% em setembro, representando o maior impacto individual no índice (0,41 p.p.).

“A alta da energia ocorreu em decorrência do fim do Bônus de Itaipu, que concedeu descontos nas faturas de agosto. Além disso, permaneceu em vigor a bandeira tarifária vermelha patamar 2, que adiciona R$ 7,87 na conta de luz a cada 100 kWh consumidos”, disse o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, em comunicado à imprensa.

No acumulado do ano, a energia elétrica residencial subiu 16,42%, o que representa o maior impacto individual (0,63 p.p.) no indicador. Em 12 meses, a alta é de 10,64%, com impacto de 0,44 p.p.

Outros grupos também registram alta

O grupo Despesas pessoais avançou 0,51% e impactou o IPCA em 0,05 p.p. Os principais itens em alta foram pacote turístico (2,87%) e cinema, teatro e concerto (2,75%), após queda de 4,02% em agosto, influenciada pela Semana do Cinema.

O grupo Transportes variou 0,01%, com impacto nulo no índice geral, após recuo de 0,27% no mês anterior. A variação reflete a alta dos combustíveis, que subiram 0,87%. O etanol aumentou 2,25%, a gasolina 0,75% e o óleo diesel 0,38%. Apenas o gás veicular teve queda, de 1,24%. Por outro lado, seguro voluntário de veículos (-5,98%) e passagem aérea (-2,83%) registraram recuo.



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Ciclone provoca ventos acima de 100 km/h e atinge vários estados nos próximos dias



Um ciclone extratropical deve se formar entre o domingo (12) e a segunda-feira (13) na região Sul do Brasil, segundo o meteorologista Arthur Müller, do Canal Rural.

O fenômeno deve provocar temporais, queda de granizo e rajadas de vento que podem ultrapassar os 100 km/h, especialmente no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

Com a formação do sistema, uma frente fria associada ao ciclone deve avançar rapidamente, atingindo, já na madrugada de segunda-feira (13), os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Goiás. A previsão indica chuvas volumosas e fortes temporais nessas regiões.

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maricultor turbinou renda com ostras


O maricultor Renato Wilmar Martins, de Santa Catarina, decidiu mudar de vida quando percebeu que o salário fixo que recebia em outra empresa não era suficiente para sustentar. Foi nesse momento que enxergou na maricultura, especialmente no cultivo de ostras, uma oportunidade de empreender e melhorar seus ganhos. 

O que começou como uma atividade complementar acabou se transformando em um pequeno negócio de sucesso. “A ideia de produzir ostra surgiu devido ao salário né… trabalhava em outra empresa e meu salário era baixo. Aí, pra completar a renda familiar, eu trabalhava na maricultura”, relembra Martins.

Hoje, o maricultor é exemplo de como o empreendedorismo pode gerar renda e desenvolvimento, principalmente quando aliado a gestão eficiente e apoio técnico. Ele faz parte de um setor estratégico: a maricultura catarinense, responsável por 95% da produção nacional de moluscos no Brasil e que movimenta a economia com milhares de toneladas por ano.

Números que reforçam a importância da maricultura

Segundo dados da Epagri/Cedap, apenas em 2023, Santa Catarina produziu 1.707 toneladas de ostras do Pacífico, consolidando o estado como líder nacional. Florianópolis respondeu por 1.312 toneladas, seguida de Palhoça com 194 toneladas e São José com 178 toneladas. Além dos números expressivos, a atividade emprega cerca de 1.500 pessoas diretamente, garantindo renda e oportunidades para muitas famílias no litoral.

A maricultura não é apenas uma alternativa de renda, mas uma cadeia que movimenta a economia catarinense e coloca o estado em destaque no cenário nacional e internacional.

O sucesso do setor, no entanto, depende de organização, gestão eficiente e acesso a mercados compradores. Foi justamente nesse ponto que Martins encontrou os maiores desafios.

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Da dificuldade de vender à gestão eficiente

No início, produzir não era o problema. O grande obstáculo estava na hora de vender as ostras. O produto exigia agilidade, prazos curtos e qualidade garantida para conquistar compradores exigentes. “Os maiores desafios que eu encontrei na profissão foram a comercialização… a venda é meio complicada”, conta o maricultor.

Com capacitação em gestão e orientação sobre comercialização, Martins e sua esposa passaram a ter mais clareza sobre custos, margens de lucro e estratégias de mercado. Essa virada foi fundamental para transformar o cultivo de ostras em um negócio viável e competitivo.

Comercialização exige velocidade e qualidade

No entanto, o setor enfrenta um desafio único: o prazo de prateleira das ostras é de apenas cinco dias. Isso significa que o produto precisa ser comercializado praticamente em tempo real, o que aumenta a pressão sobre os produtores.

“A gente trabalha com a ostra que é um animal comercializado majoritariamente vivo. Isso gera um tempo de prateleira de praticamente cinco dias. Temos desafios de abrir mercado por essa dificuldade e pelas exigências sanitárias”, explica Gustavo Ruschel Lopes, técnico da Faesc/Senar.

Mas, grande parte da produção catarinense é direcionada para os mercados de São Paulo e Rio de Janeiro, que têm alta demanda e consumidores dispostos a pagar por qualidade.

A história de Renato e Rosinete mostra como o microempreendedorismo de base familiar pode prosperar quando aliado a gestão eficiente e apoio técnico. O setor, segundo a Epagri, cresce entre 10% e 15% ao ano, movimentando mais de R$ 70 milhões anuais no estado.

Esse crescimento não é apenas econômico. Ele representa também desenvolvimento social, já que muitas famílias encontram na maricultura uma oportunidade de trabalho digno e renda estável. O sucesso da família Martins inspira outros produtores a enxergarem no agro não apenas um meio de subsistência, mas um negócio sustentável.

Porteira Aberta Empreender

Quer saber mais sobre maricultura? Assista ao programa Porteira Aberta Empreender, nesta sexta-feira (10), às 18h. O programa é uma parceria entre o Sebrae e o Canal Rural, que traz dicas, orientações e mostra histórias reais de micro e pequenos produtores de todo o país.

Às sextas-feiras, às 18h, no Canal Rural. | Foto: Arte Divulgação



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AgroNewsPolítica & Agro

Diálogos pelo Clima encerra sua jornada com debates sobre a Mata Atlântica


A sétima edição do Diálogos pelo Clima, promovida pela Embrapa, no dia 8 de outubro, no Cubo Itaú, em São Paulo (SP), teve como foco a Mata Atlântica. Essa foi a última parada de uma jornada que percorreu todos os sete biomas brasileiros — Brasília, Cuiabá, Corumbá, Manaus, Porto Alegre e Fortaleza — com o propósito de reunir experiências, desafios e soluções frente às mudanças climáticas. Os resultados desses eventos serão apresentados em uma carta para o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, provavelmente, no fim deste mês.

Ao abrir o evento, a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, destacou que esse percurso permitiu colher percepções de produtores, pesquisadores e especialistas de diferentes áreas sobre os principais desafios e oportunidades diante da crise climática. “Todos nós temos um propósito comum: construir práticas mais sustentáveis, garantir a segurança alimentar, preservar os recursos naturais e avançar para uma agricultura de baixo carbono”, afirmou.

A presidente lembrou que o planeta já vive com temperatura 1,5°C acima do período pré-industrial e que os efeitos dos eventos extremos são cada vez mais evidentes. “Nós, que trabalhamos na agricultura, precisamos ser parte da solução climática. Essa é a nossa missão”, disse. Massruhá apresentou exemplos de tecnologias desenvolvidas pela Embrapa e parceiros que já contribuem para a mitigação, como: o café Robusta Amazônico, que sequestra 2,5 vezes mais carbono do que o tradicional; o melhoramento genético de plantas e animais, que tem reduzido em até 75% as emissões de metano; os produtos de baixo carbono e os sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), capazes de sequestrar 110 quilos de carbono por árvore ao ano.

Silvia enfatizou ainda a importância das parcerias público-privadas e da inclusão produtiva de pequenos e médios agricultores. “Cooperativas e associações têm papel fundamental nesse processo”, observou. Ela destacou o Projeto Semear Digital, desenvolvido em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), com dez pilotos em andamento no País — cinco deles em São Paulo.

A presidente encerrou sua fala convidando o público a conhecer a Casa da Agricultura Sustentável (Agrizone), que será apresentada na COP30, em Belém (PA), com vitrines físicas e virtuais sobre sistemas agroflorestais e ILPF, entre outras tecnologias. “O Brasil foi essencial na revolução verde e hoje é uma potência agroambiental”, afirmou.

A mesa de abertura contou ainda com as presenças do representante da Secretaria-Executiva de Mudanças Climáticas da Prefeitura de São Paulo, Alessandro Bender; do presidente do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp (Cosag), Jacir Costa; do coordenador de Operações do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA Brasil), Christian Fischer; do superintendente do Senar-SP, Mário Biral, representando o presidente da Faesp, Tirso Meirelles; e do presidente da Academia Latino-Americana do Agronegócio (Alagro Brasil), Manoel Mário.

Como ponto em comum, os participantes destacaram a importância de encerrar a Jornada pelo Clima na Mata Atlântica, bioma que foi berço da agricultura brasileira — com o café, o leite e a cana-de-açúcar — e que hoje enfrenta os maiores desafios decorrentes do crescimento populacional, por abrigar metade da população do País. Os gestores ressaltaram que o Brasil tem uma agricultura de sucesso a apresentar ao mundo durante a conferência internacional de novembro. Baseado na integração entre ciência e saberes tradicionais, o modelo agrícola brasileiro deve seguir equilibrando produção, conservação e inclusão para enfrentar os desafios climáticos presentes e futuros.

O primeiro painel, “Negociações climáticas: como posicionar o setor agropecuário brasileiro”, foi conduzido por Ana Toni, diretora-executiva da COP30 e secretária nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Em seguida, o ex-ministro da Agricultura e enviado especial da COP30 para o tema da Agricultura, Roberto Rodrigues, debateu “Oportunidades e desafios das diferentes agriculturas brasileiras em relação à COP30”, com moderação de Julio Cargnino, diretor-presidente do Canal Rural.

Participando de forma remota, Ana Toni destacou o protagonismo da agricultura nacional na transição para um modelo de desenvolvimento sustentável. “O Brasil chega à próxima conferência das Nações Unidas de maneira mais destacada e bonita”, afirmou. Segundo ela, o País consolida-se como referência mundial em soluções que conciliam produção de alimentos, conservação florestal e redução de emissões.

“O Brasil é um provedor de soluções climáticas, não apenas no campo da energia ou das florestas, mas também da agricultura. Temos tecnologias únicas, desenvolvidas pela Embrapa e por instituições públicas e privadas, que o mundo ainda desconhece”, observou.

A gestora enfatizou que a agricultura tropical e regenerativa será um dos grandes destaques da COP30. “Será a primeira vez que uma conferência do clima acontecerá em um país tropical, o que nos permite mostrar as especificidades da produção sustentável nos trópicos — do manejo florestal aos sistemas agrícolas que regeneram o solo e preservam a biodiversidade”, disse.

Ana Toni apontou ainda que o Brasil vive um momento de convergência entre as agendas climática, econômica e social. “Estamos diante de um novo modelo de desenvolvimento, em que a ação climática se integra às dimensões econômica e social. Essa visão precisa estar presente nas políticas públicas e nos instrumentos econômicos que estamos desenhando”, destacou.

Entre as iniciativas em curso, ela mencionou a criação de uma cesta de instrumentos econômicos voltados à economia de baixo carbono, incluindo mecanismos de mercado — como o artigo 6.4 do Acordo de Paris — e novos fundos de financiamento climático. “Precisamos fortalecer os instrumentos internacionais que acelerem a implementação do que já foi decidido, garantindo rastreabilidade e credibilidade às ações climáticas”, afirmou.

Ela também reforçou o espaço da Embrapa na COP30 — a ‘Agrizone’, onde serão apresentadas tecnologias e soluções para a agricultura sustentável e a adaptação climática. “A Embrapa vem construindo esse caminho há muitos anos, com contribuição essencial para que o Brasil chegue à Conferência com uma pauta sólida e inovadora”, ressaltou.

Por fim, Ana Toni destacou o simbolismo de o Brasil sediar a COP30 na Amazônia, três décadas após a Conferência Rio-92, marco do debate global sobre meio ambiente e desenvolvimento. “Na Rio-92, começamos a entender que natureza e desenvolvimento não são opostos. Agora, teremos a chance de mostrar ao mundo que a agricultura brasileira alia produção, gestão ambiental e compromisso com o clima. É o Brasil que tanto nos orgulha”, concluiu.

Roberto Rodrigues iniciou sua fala agradecendo à Embrapa pela organização da Jornada pelo Clima e destacou sua admiração pela pesquisa agropecuária brasileira. “A Embrapa é uma instituição que presta um serviço extraordinário ao País. A pesquisa foi o que transformou o Brasil de importador em potência agrícola”, afirmou, lembrando os pioneiros da ciência tropical e os avanços que permitiram a expansão sustentável da agricultura nacional.

O ex-ministro defendeu a necessidade de o setor construir uma narrativa unificada para a COP30. “Se o Brasil levar cinquenta pedidos diferentes à Conferência, corre o risco de não ter nenhum atendido”, alertou. Por isso, tem articulado uma proposta única que represente o conjunto do agro brasileiro, envolvendo entidades como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e o Instituto Pensar Agro (IPA).

“Estamos trabalhando para que todas as vozes do agro se expressem em um único documento, capaz de mostrar a força, a história e as propostas do setor”, explicou.

Rodrigues contou que está coordenando a elaboração de um texto-síntese sobre a trajetória da agricultura brasileira nas últimas cinco décadas, com foco em ciência, tecnologia, inovação e sustentabilidade. O material, produzido com contribuições de diversas instituições e especialistas e será apresentado nos preparativos da COP30.

“O objetivo é mostrar como o sucesso do agro brasileiro se deveu à combinação de pesquisa científica, empreendedorismo e políticas públicas. Essa experiência pode servir de modelo para outros países tropicais, especialmente na América Latina, África e Ásia”, afirmou.

Ele lembrou que o chamado ‘milagre tropical’ foi possível graças ao trabalho de pesquisadores como Alysson Paolinelli, Eliseu Alves e José Cabral, que adaptaram tecnologias ao clima tropical e abriram caminho para uma agricultura mais produtiva e sustentável.

Rodrigues enfatizou que o agronegócio brasileiro tem compromissos inegociáveis com a sustentabilidade. “O agro não admite desmatamento ilegal, invasão de terras públicas ou privadas, incêndio criminoso ou garimpo clandestino. Isso é crime, e crimes devem ser punidos. Esses episódios mancham a imagem do setor e prejudicam todo o País”, alertou.

O documento em elaboração também reunirá proposições sobre crédito agrícola, fertilizantes, defensivos, maquinário, bioeconomia e recuperação de áreas degradadas. Um dos eixos centrais é o aproveitamento de cerca de 40 milhões de hectares de pastagens degradadas, dos quais, segundo Rodrigues, 20 milhões poderiam ser destinados a sistemas integrados de produção de soja, milho e pecuária, gerando energia, proteína e renda.

O ex-ministro destacou ainda o papel das novas gerações no campo. “Vejo com entusiasmo o retorno dos jovens à agricultura. Eles trazem uma nova mentalidade, conectada à tecnologia e à sustentabilidade. Isso renova o setor e aponta para um futuro promissor”, afirmou.

O circuito de debates Diálogos pelo Clima integra a Jornada pelo Clima, iniciativa da Embrapa que visa debater e esclarecer os desafios e as soluções para uma agricultura de baixo carbono, inclusiva e resiliente à mudança do clima, nos diferentes biomas, e evidenciar a ciência na agropecuária brasileira como um pilar essencial para a transformação sustentável.

A Jornada tem o patrocínio Master do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB); a Parceria Institucional do Sebrae; o Apoio Institucional do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA); o patrocínio Diamante da Nestlé, do IICA; da Gates Foundation e da Bayer; o patrocínio Ouro da Caixa Econômica Federal; o patrocínio Biomas do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA); o patrocínio Vitrine do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), da Morfo e da OCP Brasil; e a Parceria de Conteúdo do Canal Rural. A administração dos patrocínios está a cargo da Faped.

 





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