maricultor turbinou renda com ostras
O maricultor Renato Wilmar Martins, de Santa Catarina, decidiu mudar de vida quando percebeu que o salário fixo que recebia em outra empresa não era suficiente para sustentar. Foi nesse momento que enxergou na maricultura, especialmente no cultivo de ostras, uma oportunidade de empreender e melhorar seus ganhos.
O que começou como uma atividade complementar acabou se transformando em um pequeno negócio de sucesso. “A ideia de produzir ostra surgiu devido ao salário né… trabalhava em outra empresa e meu salário era baixo. Aí, pra completar a renda familiar, eu trabalhava na maricultura”, relembra Martins.
Hoje, o maricultor é exemplo de como o empreendedorismo pode gerar renda e desenvolvimento, principalmente quando aliado a gestão eficiente e apoio técnico. Ele faz parte de um setor estratégico: a maricultura catarinense, responsável por 95% da produção nacional de moluscos no Brasil e que movimenta a economia com milhares de toneladas por ano.
Números que reforçam a importância da maricultura
Segundo dados da Epagri/Cedap, apenas em 2023, Santa Catarina produziu 1.707 toneladas de ostras do Pacífico, consolidando o estado como líder nacional. Florianópolis respondeu por 1.312 toneladas, seguida de Palhoça com 194 toneladas e São José com 178 toneladas. Além dos números expressivos, a atividade emprega cerca de 1.500 pessoas diretamente, garantindo renda e oportunidades para muitas famílias no litoral.
A maricultura não é apenas uma alternativa de renda, mas uma cadeia que movimenta a economia catarinense e coloca o estado em destaque no cenário nacional e internacional.
O sucesso do setor, no entanto, depende de organização, gestão eficiente e acesso a mercados compradores. Foi justamente nesse ponto que Martins encontrou os maiores desafios.
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Da dificuldade de vender à gestão eficiente
No início, produzir não era o problema. O grande obstáculo estava na hora de vender as ostras. O produto exigia agilidade, prazos curtos e qualidade garantida para conquistar compradores exigentes. “Os maiores desafios que eu encontrei na profissão foram a comercialização… a venda é meio complicada”, conta o maricultor.
Com capacitação em gestão e orientação sobre comercialização, Martins e sua esposa passaram a ter mais clareza sobre custos, margens de lucro e estratégias de mercado. Essa virada foi fundamental para transformar o cultivo de ostras em um negócio viável e competitivo.
Comercialização exige velocidade e qualidade
No entanto, o setor enfrenta um desafio único: o prazo de prateleira das ostras é de apenas cinco dias. Isso significa que o produto precisa ser comercializado praticamente em tempo real, o que aumenta a pressão sobre os produtores.
“A gente trabalha com a ostra que é um animal comercializado majoritariamente vivo. Isso gera um tempo de prateleira de praticamente cinco dias. Temos desafios de abrir mercado por essa dificuldade e pelas exigências sanitárias”, explica Gustavo Ruschel Lopes, técnico da Faesc/Senar.
Mas, grande parte da produção catarinense é direcionada para os mercados de São Paulo e Rio de Janeiro, que têm alta demanda e consumidores dispostos a pagar por qualidade.
A história de Renato e Rosinete mostra como o microempreendedorismo de base familiar pode prosperar quando aliado a gestão eficiente e apoio técnico. O setor, segundo a Epagri, cresce entre 10% e 15% ao ano, movimentando mais de R$ 70 milhões anuais no estado.
Esse crescimento não é apenas econômico. Ele representa também desenvolvimento social, já que muitas famílias encontram na maricultura uma oportunidade de trabalho digno e renda estável. O sucesso da família Martins inspira outros produtores a enxergarem no agro não apenas um meio de subsistência, mas um negócio sustentável.
Porteira Aberta Empreender
Quer saber mais sobre maricultura? Assista ao programa Porteira Aberta Empreender, nesta sexta-feira (10), às 18h. O programa é uma parceria entre o Sebrae e o Canal Rural, que traz dicas, orientações e mostra histórias reais de micro e pequenos produtores de todo o país.



