Policiais militares do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) apreenderam, na tarde de segunda-feira (30), 1.810 quilos de maconha escondidos em uma carreta carregada com óleo de soja. A ação ocorreu na BR-163, nas proximidades do distrito de Vila Vargas, em Dourados, no Mato Grosso do Sul.
A apreensão aconteceu durante um bloqueio policial na rodovia. Ao abordar o caminhão com semirreboque, os agentes perceberam inconsistências nas informações prestadas pelo motorista, de 36 anos, além de sinais de nervosismo durante a entrevista.
Durante a vistoria no compartimento de carga, os policiais identificaram o odor característico da droga e localizaram 81 fardos de maconha ocultos entre os paletes do produto lícito.
O condutor confessou que, após carregar o óleo de soja em uma empresa de Dourados, levou o veículo até um barracão, onde a droga foi inserida. Segundo ele, o destino final seria o estado de São Paulo, e o transporte renderia pagamento de R$ 30 mil.
O suspeito, o veículo e a carga apreendida, avaliada em aproximadamente R$ 3,35 milhões, foram encaminhados à Delegacia de Repressão aos Crimes de Fronteira, também em Dourados.
A operação foi realizado no âmbito no Programa Protetor das Fronteiras e Divisas, em parceria entre a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública e o Ministério da Justiça e Segurança Pública, além de integrar a Operação Ágata Tempestade no Oeste I, com apoio do Exército Brasileiro.
Mudanças nas projeções meteorológicas indicam um cenário mais favorável para a chegada de uma massa de ar frio ainda em abril no Brasil. De acordo com informações do Meteored, o avanço desse sistema pode ocorrer antes do que indicavam as tendências anteriores e deve alterar o padrão de temperaturas no centro-sul do país nas próximas semanas.
Segundo a análise, a mudança já começa a ser observada durante a Semana Santa, com aumento das chuvas e redução do calor em parte do centro-sul. Ainda não há, neste momento, a atuação de uma frente fria responsável por essa alteração nas condições atmosféricas. O fenômeno ocorre devido a uma configuração nos níveis mais elevados da atmosfera, que favorece a formação de instabilidades nas regiões Sul e Sudeste e no estado de Mato Grosso do Sul.
O levantamento aponta que a intensificação dos sistemas de chuva sobre o centro-sul ocorre de forma mais tardia neste ano, mas deve se tornar mais evidente nas próximas semanas. A tendência é de antecipação da atuação de uma frente fria mais intensa e, posteriormente, da primeira massa de ar frio mais significativa do outono.
De acordo com o Meteored, as projeções ainda são consideradas uma tendência e podem sofrer alterações. Os detalhes sobre intensidade, alcance territorial e impactos do sistema frontal e da massa de ar frio ainda dependem da evolução dos modelos meteorológicos.
Durante o fim de semana da Páscoa, a atuação de um sistema de chuva sobre o Uruguai pode provocar aumento temporário das temperaturas no centro-sul do Brasil. O fenômeno ocorre devido ao acúmulo de ar quente sobre a região, o que pode gerar um novo período de temperaturas acima da média em estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul.
Na semana seguinte, o sistema sobre o Uruguai tende a avançar em direção ao Sul do Brasil, ganhando intensidade e formando uma área de baixa pressão que pode originar um ciclone extratropical acompanhado de frente fria. Segundo o Meteored, o período entre os dias 6 e 10 de abril deve marcar a primeira redução mais significativa das temperaturas.
As projeções indicam que, no final dessa semana, especialmente na sexta-feira (10), as temperaturas máximas podem ficar próximas de 20 °C em grande parte da Região Sul e no leste do estado de São Paulo. As mínimas devem variar entre 10 °C e 15 °C, com valores menores em áreas de serra. Nesse mesmo período, a frente fria também deve influenciar o Sudeste, contribuindo para reduzir as temperaturas máximas para cerca de 24 °C a 25 °C em outros estados da região.
Na sequência, por volta dos dias 12 e 13 de abril, a frente fria tende a perder força, mas a massa de ar frio associada pode continuar atuando e ampliar sua área de influência sobre o centro-sul do país. Com isso, o padrão de temperaturas mais amenas pode persistir ao longo dos dias, caracterizando condições típicas do outono, com madrugadas e noites mais frias em diversas localidades.
O Sistema Ocergs convidou presidentes de partidos políticos do Rio Grande do Sul para apresentar demandas do cooperativismo gaúcho a serem contempladas nos próximos planos de governo.
O evento aconteceu na segunda-feira (30) e os participantes receberam um documento que reúne propostas estratégicas, de natureza técnica e apartidária, elaboradas por representantes de cooperativas dos sete ramos do cooperativismo gaúcho.
Em relação à agropecuária, o mote da iniciativa é na mitigação dos efeitos climáticos que castigam o Rio Grande do Sul há cinco safras consecutivas. Assim, propõe-se a criação de um fundo específico para apoio aos momentos críticos causados por estiagens e enchentes.
Desta forma, o Sistema Ocergs entende como essencial a implementação de programas efetivos de renegociação das dívidas de cooperativas e associados, considerando as perdas por eventos climáticos e crises de mercado.
“Queremos ser vistos como parceiros do Estado. O cooperativismo está enraizado no Rio Grande do Sul, gera desenvolvimento local e muitas vezes atua onde o poder público não consegue chegar. O Sistema Ocergs e suas lideranças estão à disposição para contribuir com propostas concretas para o estado”, afirmou o presidente do Sistema Ocergs, Darci Hartmann.
Incentivos a crédito e insumos
No documento apresentado aos líderes partidários, o cooperativismo gaúcho também pede a criação de instrumentos de apoio especial a insumos, maquinário agrícola e irrigação, com linha de crédito permanente e subsidiada.
Tal iniciativa pode, conforme o Sistema Ocergs, seguir o exemplo de políticas existentes em outros estados, como Paraná e Santa Catarina, bem como de iniciativas já adotadas no Rio Grande do Sul, a exemplo do Programa Bônus Mais Leite (SDR) e os programas de irrigação da Secretaria da Agricultura.
A carta direcionada aos partidos ainda prega a necessidade de estímulo ao consumo de suco de uva. Com isso, pede a garantia do cumprimento da Lei 13.247/2009, que assegura a inclusão da bebida na merenda escolar, bem como a articulação de um novo PL para que o produto seja inserido na cesta básica gaúcha como item essencial.
Assim, o cooperativismo do Rio Grande do Sul pede que o próximo plano de governo contemple uma política estadual de seguros agrícolas para enfrentar catástrofes climáticas de forma complementar à política do Plano Safra.
Além disso, o setor ressalta que os prazos de financiamento a produtores e cooperativas frequentemente não consideram os ciclos produtivos do estado, sendo necessários prazos de amortização e carência alinhados aos ciclos produtivos do estado.
Proteção ao vinho gaúcho
O Sistema Ocergs chama atenção para o temor de produtores de vinho do Rio Grande do Sul de perder competitividade frente aos produtos do mercado europeu com o acordo entre o bloco e o Mercosul que prevê a isenção de tarifas de importação e exportação.
Diante disso, o setor pede a criação de uma “política inteligente para defender o setor e evitar prejuízos adicionais”. A ideia é que se faça um monitoramento contínuo da entrada de vinhos europeus no país (preço, volume e impactos sobre emprego).
“Uso de cláusulas de salvaguarda em caso de dano grave comprovado; defesa sanitária e técnica rigorosa, sem discriminação; não aceitar medidas contenciosas nas áreas trabalhista e ambiental; e adoção de medidas internas (federais e estaduais) para reduzir o risco de desvantagem competitiva do vinho brasileiro e proteger a cadeia produtiva”, destaca o documento, que também prega estratégias de promoção das exportações de produtos gaúchos para a Europa.
No encontro, os partidos foram apresentados aos principais números que traduzem o tamanho e a capilaridade do movimento: 372 cooperativas, 4,2 milhões de associados (mais de um terço da população) e 78,5 mil empregos diretos, alcançando todos os municípios do estado. Somente em 2025, segundo balanço parcial do Sistema Ocergs, o cooperativismo gaúcho faturou R$ 103,4 bilhões, aumento de 11% em relação ao período anterior.
Minas Gerais deu um passo estratégico para conter o avanço do greening, a doença mais devastadora da citricultura mundial. Produtores do Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e noroeste do estado lançaram o projeto Cinturão Antigreening, uma iniciativa coordenada pelo Sistema Faemg Senar em parceria com sindicatos rurais.
A proposta é ambiciosa: proteger uma área superior a 150 mil km², incluindo o principal polo citrícola do estado. Só o Triângulo Mineiro concentra cerca de 50% da produção estadual de citros.
O objetivo central é reduzir o risco de disseminação do greening, preservar os pomares e garantir segurança para investimentos no setor.
A estratégia envolve ações diretas no campo, como:
eliminação de plantas hospedeiras do inseto transmissor
monitoramento constante das lavouras
resposta rápida a possíveis focos da doença
Segundo Osny Zago, presidente do Núcleo dos Sindicatos dos Produtores Rurais do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, a iniciativa funciona como uma barreira sanitária.
“Esse cinturão vai proteger uma grande área produtiva e trazer mais segurança para os investimentos”, afirma.
Leis já começam a mudar o cenário
Alguns municípios já saíram na frente. Araxá, Sacramento e Ibiá aprovaram legislações que proíbem o plantio da murta, planta que favorece a proliferação do psilídeo — inseto responsável por transmitir a doença.
A expectativa é ampliar a medida para outras cidades e consolidar Minas como referência nacional em prevenção ao greening.
“É uma legislação simples, mas com grande impacto para o setor”, destaca Osmar Gonçalves, presidente do Sindicato Rural de Araxá.
Produção cresce e exige resposta rápida
Minas Gerais ocupa hoje a segunda posição nacional na produção de laranja, limão e tangerina, segundo o IBGE. Além disso, a área cultivada cresceu cerca de 6% nos últimos cinco anos.
Esse avanço aumenta a necessidade de proteção sanitária. O greening já causou perdas severas em regiões como São Paulo, Bahia e Sergipe — além da Flórida, nos Estados Unidos, referência global na produção de suco.
Produtores seguem investindo, mesmo com risco
Mesmo diante da ameaça, o setor segue em expansão. O produtor Franco Cruz Carvalho, por exemplo, implantou 250 hectares de laranja em Ibiá.
Ele aposta no potencial da região e vê o cinturão como decisivo para evitar prejuízos futuros.
“A iniciativa é fundamental para levar informação e evitar que enfrentemos os mesmos problemas de outras regiões”, afirma.
A expectativa é alcançar produtividade de até 1.200 caixas por hectare a partir do próximo ciclo.
Doença sem cura exige prevenção total
O greening. ta,b[ém chamao de huanglongbing (HLB), é causado por uma bactéria transmitida pelo psilídeo (Diaphorina citri), um inseto altamente móvel, capaz de se deslocar por longas distâncias.
O maior desafio é que não existe cura para plantas infectadas. Por isso, a prevenção se torna a principal estratégia.
Dados do Fundecitrus mostram que, em 2025, houve aumento de 7,4% na incidência da doença na região que inclui São Paulo e parte de Minas.
Apesar disso, o Triângulo Mineiro ainda apresenta níveis mais baixos — o que reforça a importância de agir antes da escalada.
Impacto global acende alerta
A dimensão do problema já foi comprovada em outros países. Na Flórida, o greening gera prejuízos estimados em US$ 1 bilhão por ano, além de reduzir a produtividade em até 30%.
Segundo Mariana Marotta, analista do Sistema Faemg Senar, o tema é estratégico para o Brasil.
“Três de cada quatro copos de suco de laranja consumidos no mundo são produzidos no país. O desafio sanitário é enorme”, destaca.
Com o cinturão antigreening, Minas tenta antecipar o problema — e proteger não apenas a produção, mas toda a cadeia econômica da citricultura.
Em uma participação histórica no Giro do Boi desta terça-feira (31), a Dra. Mariângela Hungria, pesquisadora da Embrapa e a primeira mulher brasileira a conquistar o Prêmio Mundial da Alimentação, trouxe uma mensagem de soberania para o campo.
Diante da crise global de fertilizantes e da dependência de importações de países em conflito, como Rússia e nações do Oriente Médio, a cientista afirmou que a pesquisa brasileira já dispõe de tecnologias prontas para reduzir drasticamente o uso de adubos químicos.
A Dra. Mariângela destacou que o Brasil possui a faca e o queijo na mão para liderar a agricultura e pecuária biológica mundial, substituindo insumos caros por vida microscópica. “Nós temos soluções na prateleira que permitiriam substituir até 40% ou 50% dos químicos”, afirmou a pesquisadora.
Confira:
Inovações para a pecuária
O uso de bactérias que capturam o nitrogênio do ar elimina a necessidade de ureia na soja, gerando economia de R$ 140 bilhões por safra, e reduz significativamente a demanda em gramíneas e pastagens. O estudo da Dra. Mariângela evitou a emissão de 230 milhões de toneladas de gases de efeito estufa, consolidando a carne e os grãos brasileiros com baixíssima pegada de carbono.
Para o pecuarista, a grande notícia de 2026 é que a tecnologia que revolucionou a soja agora está disponível para o pasto, focando na recuperação de 40 milhões de hectares degradados. O uso de bactérias como o Azospirillum produz fitormônios que fazem a raiz do capim crescer vigorosamente, aumentando a absorção de água e nutrientes.
Bactérias como a Pseudomonas fluorescens ajudam a “destravar” o fósforo preso no solo, tornando-o disponível para a planta. Pastagens inoculadas apresentam 20% mais biomassa e uma forragem mais rica em proteínas e minerais, resultando em animais mais pesados e terminação mais rápida.
Mariângela defende que o futuro do agro exige um olhar mais atento à saúde do solo. Através da Bioanálise de Solo (BioAS), o produtor pode monitorar a vida microbiana da fazenda, garantindo que o solo retenha água e recicle nutrientes de forma eficiente. Para a pesquisadora, não basta ser sustentável; é preciso regenerar o que foi perdido, devolvendo biodiversidade aos solos exauridos.
O sucesso da agropecuária brasileira em 2026 é biológico. Ao investir em ciência e parcerias público-privadas, o produtor protege seu bolso contra crises globais de fertilizantes. “Se eu incentivei um pecuarista a usar em suas pastagens os biológicos, eu já vou dormir contente hoje”, concluiu a laureada.
A correlação entre o mercado de petróleo e os óleos vegetais segue dando suporte ao complexo soja, segundo análise do Itaú BBA. Com a alta do petróleo, cresce a expectativa de maior demanda por matérias-primas utilizadas na produção de biocombustíveis, o que tem sustentado principalmente o óleo de soja no mercado internacional. Esse movimento também impacta o farelo, já que as margens de esmagamento influenciam diretamente a relação de preços entre os derivados.
Atualmente, a mistura obrigatória de biodiesel ao diesel fóssil é de 15%. Embora o aumento para 16% estivesse previsto no cronograma de biocombustíveis para março, a medida não foi implementada. Diante da recente alta do petróleo e do diesel, o setor passou a defender a elevação para 17%, como forma de conter a pressão sobre os preços dos combustíveis.
Nos últimos meses, as margens de esmagamento de soja no Brasil e nos Estados Unidos permaneceram em níveis elevados. O movimento é sustentado pela combinação de grão relativamente mais barato e valorização dos derivados, especialmente do óleo, o que mantém a participação do óleo no valor total do processamento acima da média histórica.
No Brasil, a ampla oferta de soja durante a safra também reforça a competitividade da indústria de esmagamento. Para os próximos meses, a manutenção dessas margens dependerá da evolução da demanda por derivados, principalmente o óleo, e do comportamento dos preços da soja, em um cenário ainda marcado pela volatilidade dos mercados de energia.
A colheita do feijão da primeira safra no Rio Grande do Sul registra avanço, conforme o Informativo Conjuntural divulgado na última quinta-feira (26) pela Emater/RS-Ascar. Segundo o levantamento, ainda restam áreas mais extensivas no Nordeste do estado, onde está concentrada parte significativa das lavouras em plantio tardio.
De acordo com o relatório, “a cultura apresenta avanço significativo da colheita, restando lavouras mais extensivas no Nordeste do Estado, onde se cultiva 43% da área estadual em plantio tardio, em período próximo da segunda safra nas demais regiões produtoras”. A Emater/RS-Ascar projeta área de 23.029 hectares para o feijão da primeira safra, com produtividade média estimada em 1.781 quilos por hectare.
Na região administrativa de Caxias do Sul, nos Campos de Cima da Serra, 42% das lavouras já foram colhidas, enquanto 50% estão em maturação. A produtividade registrada se aproxima de 2.000 quilos por hectare, abaixo da expectativa inicial. Segundo o informativo, a redução está associada ao período prolongado de restrição hídrica e às altas temperaturas, que afetaram o desenvolvimento das plantas, resultando em abortamento de flores, menor porte e redução do número de vagens por planta.
No caso do feijão da segunda safra, a maior parte das lavouras está em fases de desenvolvimento vegetativo e reprodutivo. Até o momento, 4% da área foi colhida e 11% está em maturação. O avanço do ciclo ocorre de forma relativamente homogênea, com maior presença das lavouras nas fases de desenvolvimento vegetativo, floração e enchimento de grãos, refletindo o calendário mais tardio dessa safra.
Segundo a Emater/RS-Ascar, “as precipitações no período contribuíram para a manutenção do potencial produtivo nas áreas em fases fenológicas críticas, ainda que a irregularidade na distribuição tenha limitado o crescimento em parte das lavouras”. Para a segunda safra, a projeção é de área cultivada de 7.774 hectares e produtividade média de 1.504 quilos por hectare.
O relatório aponta ainda que o quadro fitossanitário permanece estável, com baixa incidência de pragas e doenças na maior parte das áreas monitoradas.
Na regional de Erechim, predominam as fases de desenvolvimento vegetativo e floração, além de áreas em enchimento de grãos. Uma parcela inferior a 1% das lavouras já foi colhida, e a produtividade estimada é de 1.681 quilos por hectare. Na regional de Ijuí, as lavouras estão distribuídas entre desenvolvimento vegetativo, floração e enchimento de grãos, com a colheita ainda em estágio inicial.
Na região de Santa Maria, os cultivos apresentam resposta positiva às chuvas registradas no período, com confirmação dos rendimentos iniciais nas áreas já colhidas. Em Soledade, as precipitações favoreceram a recuperação parcial do desenvolvimento das lavouras, embora a restrição hídrica anterior tenha reduzido o ritmo de crescimento das plantas. Segundo o informativo, “há registro de ocorrência de ácaros e tripes, cuja incidência tem sido favorecida pelas condições de tempo seco”.
A intensificação dos conflitos no Oriente Médio voltou a pressionar o mercado internacional de fertilizantes e evidenciou a dependência do agronegócio brasileiro de insumos importados. Atualmente, até 90% dos fertilizantes utilizados no país vêm do exterior, fator que amplia a exposição do produtor rural às oscilações geopolíticas e à alta de preços.
O cenário já impacta os custos de produção no campo e reforça a busca por alternativas capazes de reduzir essa dependência. Nesse contexto, empresas do setor têm ampliado investimentos em tecnologias voltadas à nutrição e à saúde do solo, como os biofertilizantes.
Entre elas está a Ambios, empresa mato-grossense da Natter, que atua no desenvolvimento de soluções voltadas à eficiência produtiva e ao manejo do solo. Segundo o CEO da Natter, Rafael Bortoli, o atual cenário reforça a necessidade de mudanças na gestão nutricional das lavouras.
“Diante da instabilidade e da pressão sobre fertilizantes convencionais, o produtor precisa olhar para dentro da porteira. Eficiência no uso de nutrientes e saúde do solo deixam de ser diferencial e passam a ser estratégia para sustentar produtividade e reduzir riscos”, afirma.
Entre as tecnologias desenvolvidas pela Ambios está o Ingrow, recentemente classificado como biofertilizante. O produto é formulado a partir de coprodutos de peixe de água doce e propõe uma abordagem voltada ao metabolismo vegetal.
De acordo com a empresa, a nova geração de biofertilizantes busca atuar além do fornecimento de nutrientes, estimulando processos fisiológicos que ampliam a eficiência das culturas. Ensaios técnicos conduzidos em diferentes regiões indicam incrementos médios a partir de cinco sacas por hectare em culturas como soja, milho e algodão.
Para o gerente de pesquisa e desenvolvimento de mercado da Ambios, Denis Matos, o avanço está na mudança de enfoque na nutrição das plantas. “O metabolismo passa a ser o centro da estratégia. Ao ativar esses processos, a planta aproveita melhor os recursos disponíveis e sustenta eficiência produtiva, mesmo em condições de estresse”, diz.
Segundo o diretor comercial da Ambios, Sandro Fernandes, o objetivo é gerar resultados práticos nas lavouras. “Não se trata apenas de fornecer nutrientes. Quando ativamos essas rotas fisiológicas, a planta responde com mais eficiência, e isso se traduz em ganho real para o produtor”, afirma.
O diretor industrial da Ambios, Nilton Ribeiro, destaca que o biofertilizante foi desenvolvido para se integrar ao manejo já adotado nas propriedades rurais. “Não há restrições de mistura e a aplicação pode ser feita via sulco de plantio ou foliar, sem gerar complexidade ao produtor”, destaca.
Segundo a empresa, ao utilizar coprodutos da cadeia do pescado na formulação de insumos agrícolas, a Ambios busca ampliar o uso de princípios de economia circular no setor, conectando sustentabilidade e eficiência produtiva em um contexto em que o agronegócio busca reduzir custos, aumentar a previsibilidade e otimizar o uso de recursos naturais.
O governo federal deve anunciar, nesta terça-feira (31), uma medida provisória para conter a alta do diesel no país, em meio à guerra no Oriente Médio e às oscilações no preço do petróleo. Em março, o combustível soma valorização de 13% nos postos brasileiros.
Discutida na reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), na semana passada, a medida surge como alternativa à desoneração do ICMS, considerada inviável do ponto de vista técnico.
Nesse contexto, a proposta prevê a concessão de um subsídio direto ao combustível, com divisão de custos entre a União e os estados.
A proposta do Ministério da Fazenda prevê uma subvenção econômica de R$ 1,20 por litro de óleo diesel. Desse total, R$ 0,60 seriam pagos pela União e R$ 0,60 pelos estados e pelo Distrito Federal, mediante adesão voluntária.
O modelo busca reduzir o impacto da volatilidade internacional dos preços sobre o consumidor final e, ao mesmo tempo, garantir o abastecimento no mercado interno.
Na prática, o subsídio seria direcionado aos importadores de diesel, o que tende a aumentar a oferta do produto no país e ajudar a segurar os preços.
Durante as discussões do Confaz, parte dos estados sinalizou adesão à proposta. Já outros governos regionais pediram mais prazo para análise interna, com expectativa de definição que se encerrou na última segunda-feira (30).
A implementação do subsídio depende da edição de uma medida provisória pelo governo federal. A partir disso, será aberto um prazo de dois meses para adesão dos estados.
A colheita de soja no Brasil atingiu 74,3% da área total, segundo o mais recente boletim da Companhia Nacional de Abastecimento. O número representa um avanço de 9,7% em relação à semana anterior, quando os trabalhos estavam em 67,7%.
Na comparação com a média dos últimos cinco anos, de 72,4%, o ritmo atual está 2,6% acima, indicando um desempenho levemente superior ao padrão histórico.
Por outro lado, em relação ao mesmo período do ano passado, quando a colheita atingia 81,4%, o Brasil apresenta um atraso de 8,7%, evidenciando uma diferença mais significativa no andamento dos trabalhos.
Por outro lado, na comparação anual, o atraso ainda é relevante: no mesmo período do ano passado, a colheita já alcançava 81,4%, o que coloca o atual ciclo 7,1 pontos percentuais atrás.
Colheita de soja no Brasil
Regionalmente, o avanço da colheita segue bastante desigual. Mato Grosso lidera com 98% da área já colhida, praticamente encerrando os trabalhos, seguido por Mato Grosso do Sul e Goiás, ambos com 89%. No Paraná, a colheita chega a 82%, enquanto São Paulo registra 75% e Minas Gerais 74%.
Na região do Matopiba, os índices são mais moderados. Tocantins aparece com 73%, Bahia com 60%, Piauí com 50% e Maranhão com 40%. Já no Sul do país, o ritmo é mais lento, com Santa Catarina em 37% e o Rio Grande do Sul com apenas 22% da área colhida.
O cenário reflete o impacto das condições climáticas ao longo do ciclo, que seguem influenciando o ritmo das operações no campo. Embora o Brasil esteja levemente à frente da média histórica, o atraso em relação ao ano passado ainda exige atenção nas próximas semanas.