quarta-feira, abril 22, 2026

Autor: Redação

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Praga do milho provoca prejuízo de R$ 33,6 bilhões por ano, mostra Embrapa


Foto: Pedro Silvestre | Canal Rural Mato Grosso

A cigarrinha-do-milho é o maior pesadelo sanitário dos produtores do cereal no país, com prejuízo anual estimado em US$ 6,5 bilhões, o equivalente a R$ 33,6 bilhões.

Nas quatro safras de 2020 a 2024, as perdas causadas pelo inseto nas lavouras alcançaram US$ 25,8 bilhões, mais de R$ 134,16 bilhões. Os dados fazem parte de um estudo divulgado nesta terça-feira (7) pela Embrapa.

O impacto reflete perda média de produção de 22,7% entre 2020 e 2024, equivalente a cerca de 31,8 milhões de toneladas de milho por ano. Cerca de 2 bilhões de sacas de 60 quilos deixaram de ser produzidas.

Além disso, custos de aplicação de inseticidas para o controle do Dalbulus maidis, nome científico da cigarrinha-do-milho, aumentaram 19% no período, superando US$ 9 (R$ 46) por hectare.

Danos dos enfezamentos do milho

O levantamento foi publicado na edição de abril da revista científica internacional Crop Protection, direcionada à proteção de cultivos agrícolas.

Com base em dados desde 1976 da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), ligada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, os pesquisadores calcularam os danos dos enfezamentos do milho, doença causada por bactérias transmitidas pela cigarrinha-do-milho.

Também participaram do estudo especialistas da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Segundo a Embrapa, a praga é “o maior desafio sanitário do sistema produtivo de milho no Brasil das últimas décadas”.

O levantamento foi conduzido em 34 municípios representativos das principais regiões produtoras do Brasil.

De acordo com o pesquisador da divisão Cerrados da Embrapa, Charles Oliveira, “em cerca de 80% das localidades avaliadas, a cigarrinha ou os enfezamentos foram apontados como fator central para a queda de produtividade”.

Como age a cigarrinha

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Foto: Embrapa

A cigarrinha-do-milho adquire os patógenos causadores do enfezamento (falta de desenvolvimento) do milho ao se alimentar em plantas de milho infectadas e, depois, passa a transmiti-los para as plantas sadias.

A doença se desenvolve no milho de duas formas: o pálido e o vermelho. Também altera a coloração da planta e também leva ao aparecimento de estrias, além, claro, de afetar a produção de grãos.

O pesquisador Charles Oliveira chama atenção para o fato de que não há tratamento preventivo contra o enfezamento causado pela praga, o que pode levar à perda total de lavouras.

Oliveria contextualiza que a doença é conhecida desde a década de 1970, mas que surtos epidêmicos tornaram-se frequentes a partir de 2015.

“Mudanças no sistema de produção ocorridas nas últimas décadas, como a expansão da safrinha [segunda safra de milho no mesmo ano agrícola] e o cultivo de milho durante quase todo o ano, criou um cenário favorável para a sobrevivência da cigarrinha e dos microrganismos”, descreve.

Ameaça à produção

O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de milho e um dos principais exportadores do grão. A estimativa para a safra 2025/2026 é de uma produção de 138,4 milhões de toneladas, segundo a Conab, e um valor de produção de cerca de US$ 30 bilhões (quase R$ 155 bilhões).

O assessor técnico da CNA Tiago Pereira aponta que a praga representa “perdas que impactam diretamente a renda do produtor, a estabilidade produtiva e a competitividade do país”.

A pesquisadora da Epagri, Maria Cristina Canale, aponta que os danos não ficam restritos da porteira das fazendas para dentro.

“Como o milho é base para a produção de proteína animal (aves, suínos e leite) e biocombustíveis, as quebras de safra elevam os preços para o consumidor e afetam a balança comercial brasileira”, diz.

Para ela, estudos que levam a mensurar os prejuízos são úteis para “orientar a destinação de recursos financeiros, orientar o setor de seguro agrícola, definir janelas de plantio, planejar estratégias para mitigar os danos e avaliar a eficácia das práticas adotadas”.

Cuidado com as safras

No cenário em que a cigarrinha-do-milho tem alta capacidade de reprodução e dispersão e sem tratamento preventivo, a Embrapa lista recomendações que podem minimizar o alcance da praga. Há também uma cartilha online para orientar agricultores.

Entre os cuidados sugeridos estão:

  • Eliminação do milho tiguera (plantas voluntárias que surgem na entressafra pela perda de grãos na colheita e no transporte): quebra o ciclo de vida do vetor e do patógeno.
  • Sincronização do plantio: evita janelas de semeadura longas que favorecem a dispersão da cigarrinha entre as lavouras.
  • Uso de cultivares resistentes ou tolerantes mantém níveis elevados de produtividade mesmo sob pressão das doenças.
  • Manejo inicial com aplicação de controle químico e biológico nos estádios iniciais da planta: previne que a infecção cause danos mais severos.
  • Monitoramento: implica vigilância constante e coordenada entre produtores vizinhos.
  • Existe a tentativa de usar controle biológico com fungos entomopatogênicos, inimigos naturais da praga, uma vez que algumas populações de cigarrinha-do-milho já apresentam resistência a certos grupos de inseticidas.

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Saiba como foi o ritmo de negócios no mercado de soja; confira os preços por região


preço soja cotação
Foto: Daniel Popov/ Canal Rural

O mercado brasileiro de soja apresentou um dia de pouca movimentação nesta terça-feira, marcado por preços pouco atrativos e baixa participação dos agentes. De acordo com o analista da consultoria Safras & Mercado, Rafael Silveira, o cenário foi de fraqueza nas cotações, sem estímulo para o produtor avançar nas negociações.

Segundo ele, mesmo com quedas na Bolsa de Mercadorias de Chicago, pequenas altas no dólar e prêmios praticamente estáveis, o conjunto de fatores não foi suficiente para impulsionar o mercado. A ausência de ‘apetite’ para negócios resultou em um dia travado, com produtores buscando melhores oportunidades, principalmente nos portos, mas sem avanço relevante.

Ainda conforme o analista, não houve registro de ofertas com volumes expressivos, com os agentes atuando de forma cautelosa e com baixa exposição. O comportamento reforça o momento de espera no mercado, diante das incertezas externas e da falta de estímulos mais claros.

Preços de soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): manteve em R$ 124,00
  • Santa Rosa (RS): manteve em R$ 125,00
  • Cascavel (PR): manteve em R$ 120,00
  • Rondonópolis (MT): manteve em R$ 110,00
  • Dourados (MS): caiu de R$ 112,00 para R$ 111,50
  • Rio Verde (GO): manteve em R$ 109,00
  • Paranaguá (PR): manteve em R$ 130,00
  • Rio Grande (RS): manteve em R$ 130,00

Soja em Chicago

No cenário internacional, os contratos futuros da soja fecharam em baixa na CBOT, pressionados por liquidação de posições e ajustes de carteiras. O mercado segue atento ao conflito no Oriente Médio e à divulgação do relatório de abril do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), prevista para quinta-feira (9).

A expectativa é de leve redução nos estoques de passagem nos EUA para a safra 2025/26, passando de 350 milhões para 348 milhões de bushels. Já os estoques globais devem ficar em 125,5 milhões de toneladas, acima das 125,3 milhões projetadas anteriormente.

Para a produção, o mercado projeta pequeno corte na safra brasileira, de 180 milhões para 179,8 milhões de toneladas, enquanto a estimativa para a Argentina deve subir de 48 milhões para 48,1 milhões de toneladas.

Contratos futuros de soja

Na CBOT, os contratos com vencimento em maio fecharam a US$ 11,58 1/4 por bushel, com queda de 0,72%, enquanto julho recuou 0,73%, para US$ 11,74 1/2 por bushel. Entre os derivados, o farelo caiu 1,51%, para US$ 311,80 por tonelada, e o óleo recuou 0,32%, para 69,72 centavos de dólar por libra-peso.

Câmbio

No câmbio, o dólar comercial encerrou o dia em leve alta de 0,14%, cotado a R$ 5,1545 para venda, após oscilar entre R$ 5,1359 e R$ 5,1729 ao longo da sessão.

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Uso de água salobra pode viabilizar produção de mudas nativas da Caatinga


Limão tahiti; mudas de porta-enxerto
Foto: Vinícius Braga

A escassez hídrica segue como um dos principais entraves para a produção agrícola no semiárido brasileiro. No entanto, uma alternativa considerada improvável começa a ganhar espaço: o uso de água salobra na produção de mudas nativas da Caatinga.

Pesquisas conduzidas pela Embrapa Semiárido apontam que esse tipo de água, comum em aquíferos da região, pode ser utilizado sem prejuízos ao desenvolvimento das plantas. Pelo contrário, os estudos indicam que as mudas podem se tornar mais resistentes às condições adversas do semiárido, como altas temperaturas e elevada salinidade.

Segundo a pesquisadora Bárbara Dantas, a proposta parte do conceito de agricultura biossalina, que busca adaptar a produção às características naturais do ambiente. “As espécies nativas da Caatinga já estão acostumadas a condições extremas, então conseguem germinar e se desenvolver mesmo em águas com alta concentração de sais”, explica.

“As espécies nativas da catinga já estão adaptadas ao clima da região e as condições extremas da região. Então elas conseguem germinar em altas concentrações de sal, algumas quase numa concentração de água do mar”, destaca a pesquisadora.

Os experimentos mostraram que as mudas irrigadas com água salobra apresentaram crescimento semelhante ao daquelas cultivadas com água tratada.

Impacto ambiental

De acordo com a pesquisadora, não há risco significativo de salinização do solo, já que a irrigação ocorre em substratos, e não diretamente no solo da planta. “Ela vai se desenvolver numa condição que ela pode encontrar no campo, e isso vai tornar ela mais resiliente. Ela vai para o campo já rustificada, já submetida a essa salinidade”, afirma Bárbara Dantas.

Adubação

Mesmo sem adubação, as mudas apresentaram desenvolvimento semelhante, indicando que a salinidade da água não compromete significativamente esse processo.

No experimento, as mudas não receberam adubação justamente para evitar interferências nos resultados e, ainda assim, apresentaram desenvolvimento semelhante. Isso indica que, mesmo em condições salinas, a absorção de nutrientes ocorre.

Bárbara Dantas explica que, embora a adubação possa potencializar o crescimento, o sal não se mostrou um fator determinante nesse processo, permitindo que as plantas se desenvolvam de maneira equilibrada.

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Governo eleva imposto do cigarro para bancar combustíveis; indústria do tabaco reage


cigarro indústria tabaco
Foto: Pixabay

A alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para cigarros subirá de 2,25% para 3,5%, com o preço mínimo da carteira passando de R$ 6,50 para R$ 7,50.

O objetivo da medida, anunciada na segunda-feira (6) pelo governo federal, é compensar a perda de arrecadação com a isenção de tributos sobre o biodiesel e o querosene de aviação (QAV) na tentativa de conter os efeitos da alta dos combustíveis provocada pela guerra no Oriente Médio.

Diante do anúncio, o Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) divulgou nota nesta terça-feira (7) manifestando preocupação. Para a entidade, dados públicos e históricos mostram que o aumento da carga tributária sobre o produto provoca a expansão do mercado ilegal.

“No Brasil, esse mercado já representa parcela relevante do consumo e constitui uma das principais fontes de financiamento do crime organizado, com impactos diretos sobre a segurança pública, a arrecadação tributária e a concorrência leal”, destaca o texto.

Para o sindicato, ao encarecer o produto legal, a medida do governo tende a favorecer exclusivamente operadores ilegais, que não recolhem tributos, não cumprem regras sanitárias e não se submetem à fiscalização do Estado.

“O resultado é o fortalecimento de organizações criminosas, a perda de arrecadação e de controle do poder público sobre o setor, além de um efeito negativo para todo o sistema integrado de produção, uma vez que as indústrias – importante elo da cadeia produtiva – são fortemente impactadas pela ilegalidade”, sublinha.

Com o aumento do IPI sobre o cigarro, a estimativa da equipe econômica é arrecadar cerca de R$ 1,2 bilhão nos próximos dois meses.

Apenas sobre a isenção de PIS/Cofins sobre o querosene de aviação, medida que deve reduzir em cerca de R$ 0,07 o preço por litro do combustível, o impacto fiscal da desoneração é estimado em R$ 100 milhões por mês.

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Evento reúne especialistas para discutir avanço do cultivo de grãos em RR


Produção de grãos na Bahia
Foto: Jefferson Aleffe/Marca Comunicação

Entre os dias 9 e 10 de abril, será realizado, na Embrapa Roraima, um encontro técnico voltado ao cultivo de grãos, que reunirá pesquisadores, produtores, técnicos, professores, estudantes e representantes do setor. O evento acontece a partir das 8h, com uma programação focada na troca de conhecimento e na apresentação de novas tecnologias para o campo.

A iniciativa tem como principal objetivo divulgar projetos de pesquisa em desenvolvimento que contribuam para o aumento da produtividade e o fortalecimento da atividade agrícola no estado. Além disso, o encontro busca aproximar a pesquisa das necessidades do produtor rural, ampliando o impacto prático das soluções apresentadas.

Ao longo dos dois dias, a programação contará com palestras e mesa-redonda, com a participação de especialistas de diferentes áreas e instituições. Entre os temas abordados estão o Plano Nacional de Fertilizantes, sistemas integrados de produção como a integração lavoura-pecuária (ILP) e lavoura-pecuária-floresta (ILPF), além de estratégias para o uso de bioinsumos, controle biológico de doenças e melhoria da fertilidade do solo.

O evento também trará uma análise sobre o cenário atual e as perspectivas para o cultivo de grãos em Roraima, apresentada por representantes do governo estadual. A proposta é oferecer um panorama completo do setor, destacando desafios e oportunidades para os produtores da região.

A programação inclui palestras e mesa-redonda, com a participação de pesquisadores de diferentes unidades da Embrapa, como Soja, Meio Ambiente, Gado de Corte, Trigo, Meio-Norte e Milho e Sorgo. Também haverá a presença de representante do Ministério da Agricultura e Pecuária, que irá abordar o Plano Nacional de Fertilizantes.

O encontro contará ainda com representantes do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação, responsáveis por apresentar o cenário atual e as perspectivas para o cultivo de grãos em Roraima. A realização ocorre em parceria com entidades do setor agropecuário, reforçando a integração entre pesquisa e produção.

As inscrições podem ser realizadas de forma gratuita pelo link.

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Guerra no Oriente Médio encarece fretes e pressiona cadeia de carnes no Brasil


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Foto: Pixabay/montagem

O fechamento do estreito de Ormuz, importante rota de escoamento de commodities ao Oriente Médio, fez com que exportadores de todo o mundo precisassem traçar novos planos logísticos, encarecendo o frete marítimo e onerando operações de embarques. O analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias conta que o segmento de carnes de aves e suínos tem sentido esses efeitos de forma direta em todos os elos da cadeia.

Segundo ele, o problema se estende além das fronteiras da região em guerra, visto que levar o produto brasileiro ao mercado asiático tem se mostrado mais custoso.

O especialista lembra que o Oriente Médio não adquire quantidades significativas de carne suína, mas é o principal mercado para a carne de frango nacional, sendo um entreposto fundamental para as duas proteínas quando o assunto é distribuição ao continente asiático.

De acordo com Iglesias, a alta generalizada do diesel afeta todos os elos da cadeia, do produtor à indústria, sendo que essa pressão inflacionária, muitas vezes, não pode ser absorvida pelo consumidor final.

“Podemos citar exatamente o caso da suinocultura que, agora em 2026, está com as margens mais estreitas, mais apertadas, com os custos mais altos e, mesmo assim, há uma dificuldade muito grande de se repassar esses preços ao longo da cadeia produtiva”.

Perspectivas de aumento

Entretanto, o analista lembra que a perspectiva é de altas nas próximas semanas para o mercado de aves e ovos. “Nós tivemos uma recuperação dos preços bem interessante da carne de frango no atacado na semana passada e isso deve chegar ao consumidor final”, afirma.

De acordo com ele, o mesmo cenário se desenha para a suinocultura. “Conforme a cadeia da carne suína for se adequando, for se ajustando em termos de produção, em termos de peso dos animais, aumenta a possibilidade de recuperação de margens capazes de satisfazer essa cadeia suinícola, que é tão importante aqui no Brasil.”

Iglesias ressalta que há, também, perspectiva de aumento de preços internacionais das proteínas. “Quando nós olhamos para a composição de preços da FAO [Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura] em relação ao preço dos alimentos, realmente devemos ver altas globais de determinados produtos, incluindo os produtos que compõem essa cadeia de proteínas de origem animal”, pontua.

Impacto nos juros altos

Iglesias ressalta que conforme a guerra no Oriente Médio vai se alongando e o Estreito de Ormuz se mantém fechado pela guarda revolucionária iraniana, outras rotas logísticas vão se tornando mais onerosas. “Então há uma dificuldade na produção também de gás natural na região, dos fertilizantes, como ureia e nitrogenados, o que vai impactando todas as cadeias produtivas.”

O especialista lembra que esse cenário externo que se reflete no país tende, inclusive, a dificultar o Banco Central brasileiro a fazer novos cortes na taxa básica de juros (Selic) ao longo do ano.

“Então, quando analisamos esse perfil de mercado, o mercado que nós temos hoje, basicamente veremos ainda um crédito caro, um crédito insuficiente, com juros que vão seguir travando os investimentos dentro do agronegócio aqui no Brasil”, reforça.

Confiança internacional no Brasil

Iglesias reforça que uma disrupção total das exportações brasileiras de proteínas de origem animal é improvável. “[O estreito de] Ormuz é de fato importante, mas quando nós analisamos esse perfil da exportação, as rotas que foram criadas, inclusive a ABPA [Associação Brasileira de Proteína Animal] fez muitos estudos de rotas para que o produto chegasse ao seu destino.”

O especialista pontua que o Brasil está se mostrando resiliente dentro do atual processo global, sendo um parceiro comercial confiável que garante a entrega do produto independentemente das dificuldades logísticas apresentadas.

“O produto está demorando mais para chegar, mas ele de fato está chegando. Isso oferece segurança aos consumidores mundiais e coloca um destaque adicional ao mercado brasileiro. Mesmo em tempos de crise, o Brasil segue exportando em larga escala, alimentando os principais mercados consumidores do mundo. Não há desabastecimento, não há interrupção das exportações. O Brasil segue trabalhando para alimentar o mundo”, conclui.

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Grão ou planta inteira? Veja o que considerar na silagem de milho


Foto: Reprodução/Giro do Boi.
Foto: Reprodução/Giro do Boi.

O programa Giro do Boi desta terça-feira (7) trouxe uma consultoria técnica essencial para o produtor Isael Alves de Souza, de Costa Marques (RO). O zootecnista Edson Poppi esclarece uma dúvida comum entre pecuaristas iniciantes: deve-se olhar para o grão ou para a planta como um todo ao fazer a silagem de milho?

Em um ano marcado por veranicos irregulares e pelos efeitos do El Niño, a precisão nesse momento é crucial para definir se o produtor terá uma reserva de comida de alta qualidade ou um “feno picado” de baixo valor nutricional. A orientação de focar na planta inteira, e não apenas no grão, faz sentido, especialmente sob estresse hídrico.

Confira:

Importância da planta inteira

O milho é uma cultura que sinaliza sua maturação de forma visual, mas nem sempre o grão e o caule evoluem na mesma velocidade. Quando falta chuva, a planta de milho “morre” de baixo para cima para tentar translocar nutrientes e salvar a espiga. Isso resulta em folhas e caule secando rapidamente, enquanto o grão ainda pode estar mole.

Se o produtor concentrar-se apenas no amido do grão e ignorar que a planta está amarelando, o material colhido terá uma quantidade excessiva de matéria seca. Isso compromete a compactação correta no silo, favorecendo a entrada de oxigênio e a proliferação de fungos e micotoxinas.

Umidade ideal para a silagem

O objetivo para uma silagem de excelência é colher o milho quando a planta inteira apresenta uma umidade entre 30% e 35% de matéria seca. Para o produtor de Costa Marques (RO) e de todo o Brasil, Edson Poppi sugere o monitoramento constante da roça neste mês de abril.

Segundo Poppi, “o grão de milho é o indicativo de energia, mas a planta toda é a realidade da conservação”. Ele ressalta que, em 2026, com clima instável, o “olho do dono” deve estar no vigor do caule e das folhas. Se o milho “sentiu” a seca, é fundamental não esperar o calendário: é preciso agir rapidamente para garantir o estoque de comida para o inverno.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.

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AgroNewsPolítica & Agro

Preços dos alimentos voltam a subir e acendem alerta


O índice internacional de preços de alimentos voltou a subir pelo segundo mês consecutivo, refletindo mudanças recentes no mercado global de commodities agrícolas e insumos produtivos. O indicador, que acompanha a variação de preços de um conjunto de produtos, registrou alta em março após já ter avançado em fevereiro, acumulando um nível ligeiramente superior ao observado no mesmo período do ano passado.

De acordo com a FAO, o índice ficou 1% acima do registrado há um ano. A elevação recente tem sido considerada moderada, mesmo diante do impacto de tensões geopolíticas, com influência direta sobre os custos de energia e fertilizantes. A entidade aponta que a alta do petróleo tem pressionado os preços, enquanto a oferta global de grãos tem contribuído para conter movimentos mais intensos.

O economista-chefe da FAO, Máximo Torero, alertou que a continuidade do conflito pode alterar decisões produtivas no campo. Segundo ele, custos elevados e margens reduzidas podem levar produtores a diminuir o uso de insumos, reduzir áreas plantadas ou optar por culturas menos dependentes de fertilizantes, o que pode afetar a produção futura e os preços ao longo deste e do próximo ano.

Entre os produtos, os cereais tiveram alta de 1,5% em março, impulsionados principalmente pelo trigo, que subiu 4,3% diante de preocupações com a seca nos Estados Unidos e menor plantio na Austrália. O milho avançou de forma moderada, enquanto o arroz registrou queda de 3% devido à menor demanda.

Outros grupos também apresentaram elevação, como óleos vegetais, carnes e laticínios, com destaque para o açúcar, que subiu 7,2%. A valorização do petróleo, que avançou 5,1% no mês e está mais de 13% acima do nível de um ano atrás, segue como fator central nesse cenário, especialmente após interrupções logísticas relevantes no comércio global de insumos.

 





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Polícia recupera sete caprinos roubados que eram transportados em carro hatch


sete caprinos
Foto: Dilvulgação/PRF

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) na Paraíba realizou, na última segunda-feira (6), no município de Sobrado, uma intervenção que resultou na recuperação de sete caprinos furtados, na prisão de um indivíduo e na detenção de outros dois.

A ocorrência teve início quando a vítima, um homem de 55 anos, compareceu à Unidade Operacional da PRF para relatar que invadiram e furtaram sua propriedade rural.

De acordo com o denunciante, os suspeitos roubaram sete caprinos de seu rebanho e fugiram em um veículo GM Corsa de cor verde. De posse das características, os policiais iniciaram diligências e localizaram o automóvel ocupado por três homens de 30, 31 e 56 anos.

Durante a revista no interior do veículo, a equipe encontrou os sete animais. Inicialmente, os suspeitos alegaram ser os proprietários dos animais, mas, diante das contradições na entrevista técnica, confessaram o furto e informaram que pretendiam comercializar os caprinos na cidade de Guarabira (PB).

Eles admitiram, ainda, serem reincidentes na prática criminosa.

Procedimentos legais

Durante o processo de identificação, a equipe constatou que contra o homem de 56 anos existiam dois mandados em aberto pelo crime de furto, sendo um de prisão preventiva e outro de recaptura. O indivíduo também possui uma pena restante de mais de cinco anos para cumprir em regime fechado.

Diante dos fatos, os envolvidos foram detidos em flagrante e encaminhados, juntamente com o veículo e os animais recuperados, à Delegacia de Polícia Civil para a lavratura dos procedimentos legais.

Além disso, para reforçar a segurança no campo, a Polícia Rodoviária Federal disponibiliza o Sinal Agro, uma ferramenta digital estratégica voltada ao combate de crimes em propriedades rurais em todo o território nacional.

O sistema funciona como um canal de comunicação ágil que permite ao produtor registrar ocorrências de forma imediata, abrangendo o roubo ou furto de máquinas agrícolas, animais e defensivos agrícolas.

*Sob supervisão de Victor Faverin

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Guerra no Oriente Médio pode gerar crise de fertilizantes e pressionar produção no Brasil


guerra no Oriente Médio
Imagem gerada por IA para o Canal Rural

A escalada das tensões no Oriente Médio acende um alerta no agronegócio brasileiro. A possibilidade de ataques a infraestruturas estratégicas no Irã pode afetar diretamente o abastecimento global de fertilizantes e pressionar os custos de produção no campo.

A avaliação é de Manoel Mário, diretor-presidente da Academia Latino-Americana do Agronegócio (Alagro). Segundo ele, o cenário é preocupante e pode gerar desdobramentos relevantes para o Brasil, que depende majoritariamente de insumos importados.

Estreito de Ormuz no centro do risco global

O principal ponto de atenção é o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 25% do petróleo mundial e grande parte do gás natural.

De acordo com Manoel Mário, um eventual bloqueio ou instabilidade na região afeta diretamente a logística global, podendo elevar os custos de transporte e produção.

“Se houver ataques a estruturas energéticas, o impacto será global. O Brasil pode estar entre os países mais prejudicados”, afirmou.

Dois cenários possíveis para o mercado

O dirigente da Alagro aponta dois caminhos possíveis diante da crise:

  • Desbloqueio da rota marítima: os preços dos fertilizantes permanecem pressionados, mas o fluxo global tende a se normalizar
  • Manutenção das restrições: queda na oferta de insumos e aumento ainda maior dos preços

No segundo cenário, os efeitos seriam mais severos, com impacto direto sobre a produtividade agrícola.

Dependência externa agrava vulnerabilidade

Atualmente, o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome. Essa dependência amplia a exposição do setor a crises internacionais.

Segundo Manoel Mário, o país ainda não estruturou uma resposta estratégica para enfrentar esse tipo de risco.

“É preocupante não termos um comitê para discutir esses impactos. A dependência externa é alta e exige políticas públicas mais robustas”, destacou.

Pressão sobre custos e risco para a produtividade

A possível escassez de fertilizantes ocorre em um momento sensível para o agro. Após safras exigentes, a reposição de nutrientes no solo é essencial para manter a produtividade.

Sem acesso adequado aos insumos, produtores podem enfrentar queda de rendimento e aumento nos custos de produção.

Além disso, o encarecimento do petróleo tende a impactar toda a cadeia, elevando custos logísticos e pressionando ainda mais as margens.

Impacto pode ser global

O alerta não se restringe ao Brasil. A combinação entre conflito geopolítico, energia cara e restrições logísticas pode afetar o abastecimento global de alimentos.

Para Manoel Mário, o cenário exige atenção imediata.

“Espero que esse conflito seja cessado rapidamente. Caso contrário, os impactos serão sentidos em todo o planeta”, afirmou.

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