Guerra no Oriente Médio encarece fretes e pressiona cadeia de carnes no Brasil

O fechamento do estreito de Ormuz, importante rota de escoamento de commodities ao Oriente Médio, fez com que exportadores de todo o mundo precisassem traçar novos planos logísticos, encarecendo o frete marítimo e onerando operações de embarques. O analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias conta que o segmento de carnes de aves e suínos tem sentido esses efeitos de forma direta em todos os elos da cadeia.
Segundo ele, o problema se estende além das fronteiras da região em guerra, visto que levar o produto brasileiro ao mercado asiático tem se mostrado mais custoso.
O especialista lembra que o Oriente Médio não adquire quantidades significativas de carne suína, mas é o principal mercado para a carne de frango nacional, sendo um entreposto fundamental para as duas proteínas quando o assunto é distribuição ao continente asiático.
De acordo com Iglesias, a alta generalizada do diesel afeta todos os elos da cadeia, do produtor à indústria, sendo que essa pressão inflacionária, muitas vezes, não pode ser absorvida pelo consumidor final.
“Podemos citar exatamente o caso da suinocultura que, agora em 2026, está com as margens mais estreitas, mais apertadas, com os custos mais altos e, mesmo assim, há uma dificuldade muito grande de se repassar esses preços ao longo da cadeia produtiva”.
Perspectivas de aumento
Entretanto, o analista lembra que a perspectiva é de altas nas próximas semanas para o mercado de aves e ovos. “Nós tivemos uma recuperação dos preços bem interessante da carne de frango no atacado na semana passada e isso deve chegar ao consumidor final”, afirma.
De acordo com ele, o mesmo cenário se desenha para a suinocultura. “Conforme a cadeia da carne suína for se adequando, for se ajustando em termos de produção, em termos de peso dos animais, aumenta a possibilidade de recuperação de margens capazes de satisfazer essa cadeia suinícola, que é tão importante aqui no Brasil.”
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Iglesias ressalta que há, também, perspectiva de aumento de preços internacionais das proteínas. “Quando nós olhamos para a composição de preços da FAO [Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura] em relação ao preço dos alimentos, realmente devemos ver altas globais de determinados produtos, incluindo os produtos que compõem essa cadeia de proteínas de origem animal”, pontua.
Impacto nos juros altos
Iglesias ressalta que conforme a guerra no Oriente Médio vai se alongando e o Estreito de Ormuz se mantém fechado pela guarda revolucionária iraniana, outras rotas logísticas vão se tornando mais onerosas. “Então há uma dificuldade na produção também de gás natural na região, dos fertilizantes, como ureia e nitrogenados, o que vai impactando todas as cadeias produtivas.”
O especialista lembra que esse cenário externo que se reflete no país tende, inclusive, a dificultar o Banco Central brasileiro a fazer novos cortes na taxa básica de juros (Selic) ao longo do ano.
“Então, quando analisamos esse perfil de mercado, o mercado que nós temos hoje, basicamente veremos ainda um crédito caro, um crédito insuficiente, com juros que vão seguir travando os investimentos dentro do agronegócio aqui no Brasil”, reforça.
Confiança internacional no Brasil
Iglesias reforça que uma disrupção total das exportações brasileiras de proteínas de origem animal é improvável. “[O estreito de] Ormuz é de fato importante, mas quando nós analisamos esse perfil da exportação, as rotas que foram criadas, inclusive a ABPA [Associação Brasileira de Proteína Animal] fez muitos estudos de rotas para que o produto chegasse ao seu destino.”
O especialista pontua que o Brasil está se mostrando resiliente dentro do atual processo global, sendo um parceiro comercial confiável que garante a entrega do produto independentemente das dificuldades logísticas apresentadas.
“O produto está demorando mais para chegar, mas ele de fato está chegando. Isso oferece segurança aos consumidores mundiais e coloca um destaque adicional ao mercado brasileiro. Mesmo em tempos de crise, o Brasil segue exportando em larga escala, alimentando os principais mercados consumidores do mundo. Não há desabastecimento, não há interrupção das exportações. O Brasil segue trabalhando para alimentar o mundo”, conclui.
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