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Diante disso, o controle eficiente de todas as etapas do processo torna-se essencial – Foto: Pixabay
A qualidade do arroz é determinada por diversos fatores ao longo da cadeia produtiva, sendo a integridade dos grãos um dos principais parâmetros de avaliação. Segundo Gervasio Seiala Aguiar, Rice & Flour Mill Supervisor, a percentagem de grãos partidos durante o processamento é um dos indicadores mais relevantes para definir o valor do produto.
Nesse cenátrio,o rendimento de arroz inteiro, conhecido como head rice, tem influência direta na valorização comercial, na aparência e na aceitação pelo consumidor. Quanto maior a proporção de grãos inteiros, melhor é a percepção de qualidade. Em sentido oposto, o aumento de grãos partidos reduz o valor de mercado e compromete a competitividade do produto final.
De acordo com ele, esse cenário não depende apenas das etapas finais de beneficiamento. A formação de grãos partidos começa ainda nas fases iniciais, como a secagem e o armazenamento do paddy, e segue ao longo do processamento industrial. Ajustes inadequados nos equipamentos e falhas operacionais também contribuem para elevar os índices de quebra.
Diante disso, o controle eficiente de todas as etapas do processo torna-se essencial. A adoção de práticas adequadas permite reduzir perdas, otimizar o rendimento industrial e entregar um produto mais uniforme e valorizado. A atenção aos detalhes ao longo da cadeia produtiva garante não apenas melhores resultados econômicos, mas também maior consistência na qualidade. No arroz, a avaliação da qualidade ocorre de forma minuciosa, considerando cada grão como parte fundamental do resultado final.
O ambiente econômico global segue marcado por incertezas crescentes, influenciado por tensões geopolíticas e indicadores domésticos que dificultam a leitura sobre o ritmo da atividade. Segundo análise do Rabobank, o conflito entre Estados Unidos e Irã completa um mês sem avanços concretos, elevando riscos para a inflação e os mercados financeiros.
No cenário interno, a ata do Copom reforçou que a intensidade e a duração do atual ciclo de ajuste monetário serão definidas de forma gradual, conforme novos dados econômicos forem divulgados. A autoridade monetária também indicou necessidade de mais tempo para avaliar os efeitos econômicos do conflito internacional. Ao mesmo tempo, o IPCA-15 de março voltou a surpreender, com alta de 0,44% no mês, acima das expectativas, impulsionado principalmente pelos grupos de Alimentação e Transportes.
A combinação de fatores externos e internos amplia a incerteza. Há preocupação com a escalada de riscos geopolíticos, especialmente na região do Estreito de Ormuz, além dos efeitos ainda indefinidos da alta do petróleo. Mudanças tarifárias em potencial e o quadro fiscal desafiador em ano eleitoral também adicionam pressão ao cenário.
Apesar disso, o real apresentou desempenho positivo recente, encerrando a última semana cotado a 5,2386 por dólar, com valorização de 1,46% no período, destacando-se entre moedas emergentes. Ainda assim, a projeção para o fim de 2026 foi mantida em 5,55 por dólar.
Outros indicadores mostram sinais mistos. A arrecadação federal iniciou o ano em ritmo forte, atingindo R$ 227,1 bilhões em fevereiro. O déficit em conta corrente ficou em US$ 5,6 bilhões, com entrada consistente de investimento estrangeiro direto. Por outro lado, a taxa de desemprego subiu para 5,8%, interrompendo a sequência de quedas observada anteriormente.
A intensificação do conflito no Oriente Médio já começa a provocar reflexos diretos sobre o setor sucroenergético brasileiro, ao alterar a dinâmica de preços no mercado internacional de energia. Segundo análise da StoneX, empresa global de serviços financeiros, a valorização do petróleo tem elevado os custos de produção de açúcar e etanol no Centro-Sul do país.
Desde 28 de fevereiro, o Brent acumula alta superior a 40%, enquanto estimativas do Preço de Paridade de Importação indicam avanço de 48% na gasolina e de 91% no diesel. No mercado interno, o diesel B já registra aumento superior a R$ 1,00 por litro, com média de R$ 1,26 até 21 de março. Em São Paulo, a elevação foi de 12%.
O cenário traz efeitos distintos para o setor. O petróleo mais caro tende a sustentar os preços do etanol, mas a alta do diesel pressiona os custos operacionais, especialmente nas atividades agrícolas. O combustível tem forte peso na estrutura de custos, com correlação de 97,46% com o custo agroindustrial nas últimas 19 safras. A cada R$ 1,00 de aumento no litro, o impacto pode variar entre R$ 29 e R$ 36,5 por tonelada de cana.
Mesmo com a isenção de tributos federais, o reajuste de R$ 0,30 por litro aplicado em março limitou o alívio nos preços. No mercado de fertilizantes, a pressão também cresce, com alta de produtos como ureia e MAP, influenciada por restrições de oferta e aumento nos custos de energia e frete.
Para a safra 2026/27, a estimativa é de custo de produção do açúcar VHP em R$ 1.730 por tonelada na usina e R$ 1.875 FOB. Com o câmbio entre R$ 5,20 e R$ 5,30, o ponto de equilíbrio varia de US¢ 15,40 a 17,01 por libra-peso, enquanto as cotações operam próximas desse nível.
Apesar da pressão, ganhos de produtividade, redução de investimentos no canavial e queda no preço do ATR devem contribuir para aliviar parcialmente os custos. Ainda assim, o cenário tende a favorecer maior direcionamento da cana para o etanol, diante da melhora relativa na competitividade do biocombustível e da compressão das margens do açúcar.
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Ainda em 2017, relatórios oficiais já indicavam uma tendência de redução da área plantada – Foto: USDA
O mercado de arroz no Brasil vem apresentando sinais consistentes de mudança ao longo dos últimos anos, com transformações que vão além de oscilações pontuais de safra. Segundo Jeferson Cardoso, diretor de operações da Itaobi Representações, a análise se baseia em dados históricos e projeções divulgadas pelo Ministério da Agricultura.
Ainda em 2017, relatórios oficiais já indicavam uma tendência de redução da área plantada, enquanto o consumo interno permanecia estável e a produção se mantinha sustentada principalmente por ganhos de produtividade. O cenário mais recente, que considera o período entre as safras 2023/24 e 2033/34, reforça e amplia esse movimento.
Segundo o especialista, os dados apontam que o consumo, antes praticamente estagnado, passa a registrar queda gradual. Ao mesmo tempo, a produção tende à estabilidade ou até a uma leve retração, refletindo diretamente a continuidade da redução de área cultivada. Esse conjunto de fatores indica que o setor não enfrenta apenas um ciclo negativo, mas sim uma mudança estrutural no mercado.
Outro ponto relevante é o avanço de outros países na produção e participação global, ocupando espaços que antes eram mais presentes no cenário brasileiro. Esse movimento amplia a pressão competitiva e exige maior atenção estratégica dos agentes do setor.
Diante desse contexto, a leitura dos dados passa a ser determinante para decisões futuras. A capacidade de adaptação ao novo cenário e o posicionamento dentro desse mercado em transformação tendem a definir quais players conseguirão se destacar nos próximos anos.
A mesa de Páscoa vai pesar menos no bolso do brasileiro pelo segundo ano seguido. Uma cesta de produtos alimentícios, que inclui os tradicionais chocolates e o bacalhau, vai custar 5,73% a menos do que há 12 meses. Em 2025, o recuo nos preços foi de 6,77%.
A constatação é de levantamento do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado às vésperas do domingo de Páscoa (5).
Para efeito de comparação, a inflação geral do consumidor, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor – Mensal (IPC-10) da FGV, marcou alta de 3,18% no período de abril de 2025 a março de 2026.
No entanto, olhando de forma isolada, alguns produtos sobem mais que a inflação geral:
Inflação geral: 3,18%
Bombons e chocolates: 16,71%
Bacalhau: 9,9%
Sardinha em conserva: 8,84%
Atum: 6,41%
Entre os itens que ajudaram a inflação da Páscoa ficar negativa figuram:
Arroz: -26,11%
Ovos de galinha: -14,56%
Azeite: -23,20%
Os pescados frescos subiram 1,74%; e os vinhos, 0,73%.
Nas últimas quatro Páscoas, duas foram de inflação positiva e duas de deflação (queda média de preços), quando comparadas ao ano anterior.
2026: -5,73%
2025: -6,77%
2024: 16,73%
2023: 13,16%
De acordo com o economista Matheus Dias, do Ibre/FGV, a variação acumulada dos preços de Páscoa nos últimos quatro anos foi de 15,37%. Essa alta ficou abaixo da inflação geral ao consumidor, calculada pelo IPC-10, que marcou 16,53% de abril de 2022 a março de 2026.
Nesse período, bombons e chocolates ficaram 49,26% mais caros. O bacalhau subiu 31,21%; o atum, 38,98%, e o azeite, 34,74%.
Viram o preço cair a batata inglesa (-16,02%) e a cebola (-15,44%).
Produtos industrializados
Matheus Dias destaca que os repasses de quedas provenientes de melhoras na produção agrícola são mais complexos e apresentam defasagens mais longas em produtos industrializados.
Ele exemplifica com o chocolate. Mesmo com o cacau, principal matéria-prima, registrando quedas no mercado internacional desde outubro de 2025, chegando a recuar cerca de 60% em relação aos últimos 12 meses, os preços dos chocolates ao consumidor seguiram em alta de 16,71% no período.
“Em produtos mais industrializados, a queda da matéria-prima demora a chegar ao bolso do consumidor nos últimos anos”, destaca.
Menos concorrência
Na terça-feira (31), ao divulgar um estudo sobre a inflação de alimentos no Brasil, o economista Valter Palmieri Junior, doutor em Desenvolvimento Econômico pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), explicou que um dos fatores de alta consistente nos preços é a concentração, que tende a diminuir a concorrência entre empresas.
No levantamento, ele aponta que cinco marcas de bombons e chocolates de três empresas alcançam 83% do mercado.
Resposta da indústria
Procurada para fazer comentários sobre o preço dos chocolates, a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) informou que o valor não é determinado apenas pelo cacau.
“Outros insumos como leite, açúcar, frete (uso de caminhões frigoríficos, já que se trata de carga perecível) e variação do dólar devem ser levados em conta”, ressalta a entidade.
A Abicab explica ainda que cada empresa tem a própria política de preço e que a indústria acompanha oscilações naturais do mercado e cria alternativas de venda de produtos “para todos os paladares e adaptadas às várias faixas de consumo”.
Este ano, de acordo com a associação, foram colocados 800 itens no mercado, com 134 lançamentos, contra 611 ano passado.
Os representantes da indústria detalham que, em 2024, o fenômeno El Niño (aquecimento anormal das águas da porção leste da região equatorial do Oceano Pacífico) devastou plantações.
Os países africanos Gana e Costa do Marfim, responsáveis por 60% da produção mundial de cacau, foram atingidos, e o mercado ficou com um déficit de 700 mil toneladas, segundo a Abicab.
A falta do produto levou o preço da tonelada, negociada na Bolsa de Nova York, a subir quatro vezes, para US$ 11 mil – equivalente hoje a cerca de R$ 56,7 mil. De acordo com a Abicab, “apenas 10% desse impacto se refletiu no preço final”. Hoje a cotação beira US$ 3,3 mil.
Empregos na Páscoa
A indústria de chocolates ressalta que “a expectativa para esta Páscoa é positiva porque vivemos estabilidade econômica, com a menor taxa histórica de desemprego”.
Na estimativa da Abicab, o número de empregos temporários é de 14,6 mil, 50% a mais que em 2025, frisando que as contratações costumam se iniciar em agosto do ano anterior. Desses, 20% acabam se tornando fixos, com carteira assinada, de acordo com a associação.
Uma pesquisa feita pelo Instituto Locomotiva revelou que 90% dos consumidores pretendem comprar produtos relacionados à Páscoa neste ano.
A produção de petróleo e gás natural no país bateu recorde em fevereiro de 2026, segundo balanço divulgado nesta quarta-feira (1º) pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Foram produzidos 5,304 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d), medida que abrange tanto o petróleo quanto o gás natural. O recorde anterior foi registrado em outubro de 2025, com 5,255 milhões de boe/d.
Considerando apenas o petróleo, foram extraídos 4,061 milhões de barris por dia (bbl/d) ─ uma variação positiva de 2,7% na comparação com o mês anterior e um aumento de 16,4% em relação ao mesmo mês de 2025.
Já a produção de gás natural em fevereiro foi de 197,63 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d). Nesse caso, houve crescimento de 2,3% frente a janeiro, e de 24,5% na comparação com fevereiro de 2025.
A produção foi obtida em 6.079 poços, sendo 582 marítimos e 5.497 terrestres. Os campos marítimos produziram 98% do petróleo e 87,8% do gás natural do país.
Os campos operados pela Petrobras, sozinha ou em consórcio com outras empresas, foram responsáveis por 89,46% do total produzido.
Pré-sal
O pré-sal respondeu por 80,2% da produção brasileira, com um total de 4,243 milhões de boe/d em fevereiro. Houve crescimento de 2,3% em relação ao mês anterior e de 20,1% na comparação com o mesmo mês de 2025.
Foram extraídos 3,264 milhões de bbl/d de petróleo e 155,56 milhões de m³/d de gás natural de 181 poços no pré-sal.
O Campo de Tupi, na Bacia de Santos, foi o maior produtor do país tanto para o petróleo quanto para o gás natural, com 865,98 mil barris por dia e 42,87 milhões de m³/d.
Já as instalações com as maiores produções foram o navio-plataforma FPSO Almirante Tamandaré, no Campo de Búzios, para o petróleo, com 197.903 bbl/d; e o navio-plataforma Marechal Duque de Caxias, no campo de Mero, para o gás natural, com 12,37 milhões de m³/d.
O mercado físico do boi gordo volta a se deparar com negociações acima da referência média. Em São Paulo e em Mato Grosso, as negociações quebraram a barreira dos R$ 360 por arroba a prazo de maneira mais consistente.
De acordo com o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, a disponibilidade de gado para abate permanece restrita, mantendo as escalas encurtadas em grande parte do país.
“Sob o prisma da demanda, exportações seguem aceleradas, mais uma vez o avanço das vendas para a China é elemento importante a ser considerado, tanto importadores quanto exportadores aceleram as negociações para ocupar a maior parcela das cotas”, ressalta, em referência ao limite de compra de 1,1 milhão de toneladas da proteína brasileira estabelecido pelo gigante asiático.
Preços médios da arroba do boi
São Paulo: R$ 361,83 — ontem: R$ 360,75
Goiás: R$ 341,96 — ontem: R$ 341,96
Minas Gerais: R$ 350,29 — ontem: R$ 347,35
Mato Grosso do Sul: R$ 351,93 — ontem: R$ 349,32
Mato Grosso: R$ 358,51 — ontem: R$ 356,82
Mercado atacadista
O mercado atacadista segue com preços inalterados para a carne bovina. Segundo Iglesias, a firmeza dos preços está centrada na baixa disponibilidade de produto, que mantém preços em patamares muito elevados, mesmo em um momento de perda de competividade em comparação às proteínas concorrentes.
“Mais uma vez a variável oferta se mostra mais impactante que a variável demanda”, assinalou o especialista.
Quarto traseiro: ainda é precificado a R$ 27,50 por quilo;
Quarto dianteiro: segue cotado a R$ 21,80 por quilo;
Ponta de agulha: se mantém a R$ 20,00 por quilo.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão com baixa de 0,43%, sendo negociado a R$ 5,1576 para venda e a R$ 5,1556 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,1476 e a máxima de R$ 5,1766.
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Os contratos futuros encerraram o dia com ganhos consistentes – Foto: Pixabay
O mercado da soja apresentou valorização no cenário internacional, impulsionado por expectativas em torno da área de plantio e ajustes técnicos. Segundo análise da TF Agroeconômica , o movimento foi sustentado por uma projeção de área nos Estados Unidos abaixo do esperado, o que estimulou compras e elevou as cotações em Chicago.
Os contratos futuros encerraram o dia com ganhos consistentes, refletindo a reação dos agentes ao número divulgado pelo USDA, que indicou plantio de 34,28 milhões de hectares. A leitura do mercado apontava para uma migração maior de áreas do milho para a soja, o que não se confirmou. Esse fator compensou, ao menos inicialmente, os estoques trimestrais mais elevados, estimados em 57,28 milhões de toneladas.
No Brasil, o avanço da colheita segue em ritmo moderado, atingindo 74,3% da área, levemente acima da média histórica, mas ainda abaixo do registrado no ciclo anterior. No Sul, o mercado físico apresentou pouca movimentação, com ajustes pontuais de preços e influência direta de fatores externos, além do custo logístico pressionando as negociações.
Em Santa Catarina, a demanda da agroindústria sustentou as cotações no porto, contrastando com o cenário mais travado em outras regiões. Já no Paraná, questões envolvendo qualidade e custos elevaram a tensão no mercado, enquanto no Mato Grosso do Sul e Mato Grosso o encarecimento do diesel e do frete limitou a comercialização, mesmo diante de uma safra volumosa.
O cenário geral indica um descompasso entre o suporte externo e as dificuldades internas, com logística e custos operacionais reduzindo a capacidade do produtor de capturar melhores preços.
A dependência do Brail pelo trigo importado deve aumentar no ciclo 2026/27. O atual cenário indica compras próximas a 8 milhões de toneladas, o maior volume da história, refletindo a redução da área plantada, margens apertadas e a limitação da produção nacional.
As projeções do setor indicam que a produção brasileira do cereal ficará próxima a 8 milhões de toneladas em 2025/26, frente a uma demanda de 14,8 milhões. Para 2026/27, a estimativa é de queda para cerca de 7,2 milhões.
O tema será destaque do Painel do Trigo Nacional, que abre o Moatrigo no dia 13 de abril, na Fiep, em Curitiba, no Paraná.
O debate contará com a participação do analista de trigo da Safras & Mercado Elcio Bento, do presidente da Abitrigo, Daniel Kümmel, do diretor de Trading e Originação da Bunge para a América do Sul, Eduardo Bulgarelli.
O evento também contará com a leitura do balanço global de trigo, que, embora aponte estoques elevados, apresenta forte concentração em poucos países exportadores. O documento mostra que, ao mesmo tempo, diversas regiões importadoras seguem deficitárias, tornando a fluidez do comércio internacional um fator-chave para a formação de preços.
Outro ponto relevante a ser considerado nas discussões é o cenário de curto prazo, marcado pela entressafra no hemisfério norte, que reduz a oferta imediata e aumenta a sensibilidade do mercado a fatores como clima, geopolítica e movimentação de fundos.
Para o Brasil, essa dinâmica reforça o peso das importações, com destaque para a Argentina, principal fornecedora, embora problemas de qualidade na safra recente possam limitar seu aproveitamento e exigir maior atenção da indústria.
O painel também deve abordar a competitividade das principais origens exportadoras, como Rússia, Estados Unidos e Argentina, além de fatores que influenciam o custo da farinha no Brasil, como energia, custos de produção e desafios logísticos ao longo da cadeia.
Serviço
O que: Moatrigo Quando: Dia 13 de abril Onde: Centro de Eventos Fiep (Av. Com. Franco, 1341 – Jardim Botânico, Curitiba-PR) Inscrições aqui
Com o aumento no custo dos insumos agrícolas e a forte dependência de produtos importados, produtores rurais têm buscado alternativas para manter a rentabilidade no campo.
Entre as principais estratégias está a adoção da agricultura regenerativa e de modelos biossustentáveis, que prometem reduzir custos, preservar o meio ambiente e garantir produtividade.
Na cidade de Chapecó, em Santa Catarina, a família Geller aposta na diversificação de culturas e no uso de práticas sustentáveis após enfrentar queda na produtividade com o sistema convencional.
A propriedade conta com cerca de 20 estufas de cultivo protegido e produção a céu aberto, só de morango, são aproximadamente 10 mil pés em sistema semi-hidropônico. Já nas hortaliças, a produção semanal de alface e rúcula varia entre 5 mil e 8 mil pés, além de outras culturas como couve, repolho e temperos.
Há 18 anos atuando na olericultura, a família decidiu investir em um modelo baseado na agricultura biossustentável. A mudança veio da necessidade de reduzir custos e buscar alternativas menos agressivas à saúde e ao solo.
“Com uma parceria entre faculdade e empresas privadas, estamos tentando buscar algo que seja menos impactante, primeiramente, para nós mesmos, para a saúde e para o bolso”, explica o produtor rural, Lucas Miotto Gheller.
A solução que está em fase de implantação na propriedade prioriza o uso de recursos biológicos com redução de insumos químicos e foco na saúde do solo.
“Nós trabalhamos exatamente o equilíbrio, 14 nutrientes adicionados para equilibrar esse solo. E o principal ácidos úmicos e fúlvicos. Você trabalha uma fórmula de nutrientes mais complemento, o famoso enchimento, um solo extremamente duro, com baixa absorção de água, seco e muito salino”, destaca Wanderlei Enderle.
“Se colocar isso aqui na boca, você vai achar que se colocou um grão de de cloreto de sódio, de sal, mas de verdade é cloreta de potássio e algum afloramento até de fósforo, fosfatos”, completa.
Aplicação
Em outra propriedade acompanhada por pesquisadores, o uso de fertilizantes produzidos dentro da própria fazenda apresentou desempenho superior ao sistema convencional. No cultivo de milho, a média de produtividade em quatro anos chegou a 163 sacas por hectare com manejo biológico, frente a 143 sacas no modelo tradicional.
Além da redução de custos, a produção dentro da fazenda diminui a dependência de insumos externos e aumenta a eficiência econômica. Segundo especialistas, esse é um dos pilares da agricultura regenerativa, que pode ser adotada de forma total ou combinada com o uso de insumos químicos.