domingo, abril 19, 2026

Autor: Redação

AgroNewsPolítica & Agro

Safra de café 26/27 pode chegar a 75,8 milhões sacas


A Hedgepoint Global Markets revisou as projeções para a safra brasileira de café 2026/27, indicando aumento na produção diante de condições climáticas favoráveis, expansão da área plantada e melhorias no manejo. A estimativa total é de 75,8 milhões de sacas, sendo 50,2 milhões de arábica e 25,6 milhões de conilon.

Segundo a consultoria, desde outubro as condições climáticas têm favorecido o desenvolvimento das lavouras de arábica, principalmente em Minas Gerais e São Paulo. Apesar de volumes de chuva ligeiramente abaixo da média em 2025, a combinação com temperaturas amenas permitiu boa floração e o início do desenvolvimento dos grãos.

Nas principais regiões produtoras desses estados, as precipitações e o manejo contribuíram para a manutenção das lavouras em boas condições, com impacto também do aumento das áreas cultivadas.

Em 2026, durante a fase de enchimento dos grãos, as chuvas ficaram acima da média em fevereiro e março, favorecendo o ganho de peso e tamanho dos grãos. Esse cenário, aliado à expansão da área plantada, sustenta a projeção de 50,2 milhões de sacas de arábica, alta de 33,2% em relação à safra anterior.

Para o conilon, as condições climáticas também foram favoráveis, com chuvas regulares e temperaturas amenas ao longo do ciclo. O aumento de área e o uso de variedades mais produtivas, além de investimentos em manejo, contribuem para manter a produção em níveis elevados.

A estimativa para o conilon é de 25,6 milhões de sacas, o segundo maior volume já registrado no país, com recuo de 5,3% frente ao ciclo anterior. A colheita já começou em algumas áreas e deve avançar entre o fim de abril e o início de maio.

“O clima favorável ao longo do desenvolvimento da safra, combinado ao aumento de área e aos investimentos em manejo, resultou em cafezais em ótimas condições e sustentou a revisão dos números de produção para a temporada 26/27”, afirma Laleska Moda, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets.

De acordo com a consultoria, a safra 2026/27 deve começar com estoques iniciais mais elevados. As exportações do ciclo 2025/26 seguem abaixo do esperado, refletindo menor disposição dos produtores para vender diante da volatilidade dos preços e incertezas de mercado, além de impactos de tarifas aplicadas pelos Estados Unidos em 2025.

Para a nova temporada, a estrutura de mercado pode permanecer invertida, com contratos de curto prazo acima dos de longo prazo. Os custos financeiros mais elevados tendem a adiar a recomposição de estoques por parte de compradores, influenciando os fluxos globais de exportação, embora haja expectativa de aumento nos embarques brasileiros com base na maior oferta.

No mercado interno, a safra 2025/26 registrou maior uso de conilon nos blends, devido ao diferencial de preços em relação ao arábica. Para 2026/27, a tendência é de manutenção desse padrão, ainda que uma safra maior de arábica possa pressionar as cotações da variedade.

Os estoques iniciais também devem ser mais elevados para o conilon, com produtores capitalizados e menor urgência de venda após os preços registrados nos últimos anos.

Diante desse cenário, a consultoria revisou para baixo as exportações da safra 2025/26 e projeta recuperação em 2026/27, sustentada pela maior oferta e pela demanda global por robusta, favorecida por preços mais baixos em relação ao arábica.

A expectativa é de que os preços do robusta permaneçam menores nos próximos meses, influenciados pelo aumento da oferta no Brasil e pela perspectiva de maior produção em países como Vietnã e Uganda. O comportamento do mercado, no entanto, segue condicionado à evolução climática, incluindo a possibilidade de ocorrência de um evento de El Niño.





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AgroNewsPolítica & Agro

Safra de milho tem desempenho irregular


De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na quinta-feira (9), a colheita de milho no Rio Grande do Sul avançou para 83% da área, ainda em ritmo inferior ao observado nas culturas de soja e arroz. As lavouras remanescentes estão distribuídas entre estádios reprodutivos (7%) e maturação (9%).

Segundo a entidade, o predomínio de tempo firme tem favorecido o avanço dos trabalhos nas áreas aptas, enquanto as lavouras tardias apresentam desenvolvimento adequado, mas ainda dependem de condições hídricas para a consolidação do enchimento de grãos.

A colheita restante em propriedades de menor escala ocorre de forma gradual, muitas vezes associada à secagem natural dos grãos no campo.

O relatório aponta que a variabilidade climática ao longo do ciclo, com irregularidade das chuvas e períodos de déficit hídrico, resultou em diferenças no desempenho produtivo. As perdas são mais evidentes em lavouras implantadas fora da janela preferencial ou conduzidas com menor nível tecnológico, enquanto áreas com melhor disponibilidade hídrica mantiveram desempenho satisfatório.

A Emater/RS-Ascar estima a área cultivada em 803.019 hectares e produtividade média estadual de 7.424 kg por hectare.

Na região administrativa de Bagé, a colheita avançou de forma pontual, concentrada em pequenas propriedades, onde ocorre de forma escalonada ou após maior permanência das lavouras no campo para redução da umidade. Em Quaraí, há registros de danos causados por javalis, com impacto na produtividade.

Na região de Caxias do Sul, a colheita apresentou avanço, embora as últimas áreas tenham registrado redução de rendimento em função da falta de umidade durante o desenvolvimento. As produtividades variam entre 7.200 e 9.000 kg por hectare.

Em Frederico Westphalen, o milho safrinha representa cerca de 5% da área e está majoritariamente em fase reprodutiva, com desenvolvimento heterogêneo em razão da irregularidade das precipitações.

Na região de Ijuí, 98% da área já foi colhida, com produtividade média em torno de 9.200 kg por hectare, restando áreas de safrinha em formação de grãos.

Em Pelotas, a colheita atinge 38% da área, com lavouras remanescentes em diferentes estágios, incluindo enchimento de grãos, florescimento e maturação. As condições de umidade do solo, ainda que desuniformes, têm contribuído para a manutenção do potencial produtivo.

Na região de Santa Rosa, 93% da área foi colhida, com o milho safrinha ainda em desenvolvimento vegetativo, floração e enchimento de grãos. Não há registros relevantes de pragas e doenças no período.

Em Soledade, a colheita do milho precoce está concluída em 61% da área cultivada, restando áreas pontuais em relevo acidentado e operações realizadas de forma escalonada após a secagem natural dos grãos. As lavouras implantadas em períodos intermediários e tardios permanecem em fases reprodutivas.





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Pragas afetam lavouras de mandioca no RS


De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na quinta-feira (9), a cultura da mandioca/aipim apresenta avanço em diferentes estágios no Rio Grande do Sul, com início de colheita em algumas regiões e intensificação das operações em outras.

Na região administrativa de Bagé, a colheita está em fase inicial em Uruguaiana. Os produtores aproveitaram a Feira do Peixe realizada na última semana para ofertar as primeiras porções no mercado local. As raízes ainda apresentam diâmetro reduzido, e a expectativa é de aumento na oferta e na qualidade nas próximas semanas, condicionado à redução das temperaturas.

Na região de Lajeado, em Cruzeiro do Sul, a cultura está em fase avançada de colheita e comercialização. Há registro de atraso em relação ao ciclo anterior, associado à falta de ramas no plantio. As lavouras apresentam desenvolvimento considerado adequado, com produtividade em torno de 15 toneladas por hectare. O preço pago ao produtor pela caixa de 22 quilos varia entre R$ 25,00 e R$ 30,00, com tendência de recuo nos próximos dias.

Na região de Santa Rosa, as lavouras estão em desenvolvimento, com início da colheita de raízes novas em algumas propriedades. Foram registrados danos causados por mosca-branca, que afetaram o desenvolvimento das plantas e exigiram monitoramento. O impacto na produtividade varia conforme a intensidade da infestação, o estágio da cultura e o manejo adotado. Em áreas com colheita antecipada, os efeitos tendem a ser menores, enquanto em lavouras destinadas à colheita tardia o controle contínuo é necessário para evitar perdas acumulativas. O preço médio ao produtor é de R$ 6,00 por quilo in natura e R$ 10,00 por quilo para produto industrializado.

Na região de Erechim, a colheita foi iniciada, com bom desenvolvimento das raízes e ausência de registros de pragas ou doenças.

Na região de Santa Maria, a maior parte das áreas está em fase de crescimento dos tubérculos, maturação e colheita. Há registros de antracnose em algumas propriedades. Parte da produção está sendo comercializada em feiras e no comércio local.





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AgroNewsPolítica & Agro

Boi gordo inicia semana com alta em São Paulo



Exportações sustentam preço do boi gordo



Foto: Canva

De acordo com a análise da segunda-feira (20) do informativo “Tem Boi na Linha”, publicado pela Scot Consultoria, o mercado do boi gordo iniciou a semana com valorização em São Paulo. Segundo a consultoria, “o mercado esteve firme, e a cotação da arroba começou o dia subindo”. Nas ofertas de compra para o “boi China” e para a vaca, a alta foi de R$ 3,00 por arroba, movimento sustentado pelo desempenho das exportações, pela melhora do consumo interno em relação à semana anterior e pela postura da ponta vendedora.

Ainda conforme a Scot Consultoria, frigoríficos com escalas mais confortáveis adotaram menor agressividade nas compras, enquanto parte dos compradores buscou animais em outros estados em busca de melhores condições de negociação. A escala média de abate foi estimada em oito dias.

Na região Oeste do Maranhão, o levantamento aponta valorização de R$ 3,00 por arroba para a novilha, enquanto as demais categorias mantiveram estabilidade nas cotações.

No Rio de Janeiro, o mercado permaneceu firme, sem alteração nas referências de preço. Segundo a análise, “escalas curtas e oferta enxuta sustentavam os preços”. A escala média de abate no estado foi de quatro dias.

No mercado externo, as exportações de carne bovina in natura registraram avanço até a segunda semana de abril. O volume embarcado somou 97,3 mil toneladas, com média diária de 13,9 mil toneladas, alta de 15,1% em relação ao mesmo período de abril de 2025. O preço médio da tonelada atingiu US$ 6,1 mil, aumento de 20,8% na comparação anual.





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Ações da China terminam em alta com lucros industriais fortes e apesar de…


Logotipo Reuters

 

XANGAI, 27 Mar (Reuters) – As ações da China e de Hong Kong fecharam em alta nesta sexta-feira uma vez que dados fortes de lucros industriais melhoraram o sentimento do mercado, apesar das preocupações persistentes com a intensificação das tensões no Oriente Médio.

Os mercados acionários asiáticos reduziram as perdas já que outro prazo adiado na guerra do Oriente Médio fez com que os preços do petróleo caíssem, embora ainda não haja um fim à vista para a crise de energia que se desenrola na economia global.

No fechamento, o índice de Xangai teve alta de 0,63%, enquanto o índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, avançou 0,56%. O índice Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,38%.

No entanto, na semana, o SSEC perdeu 1,1%, registrando sua quarta queda semanal consecutiva, enquanto o CSI300 caiu 1,4%. O Hang Seng caiu 1,3% na semana, registrando a quarta perda semanal consecutiva.

A ligeira força veio depois que as empresas industriais da China relataram um crescimento mais forte dos lucros no início do ano, reforçando os sinais de recuperação na segunda maior economia do mundo, mesmo com a guerra no Oriente Médio ameaçando o crescimento global.

“Embora um conflito prolongado no Oriente Médio represente riscos materiais, acreditamos que a China reduziu significativamente sua vulnerabilidade aos choques do petróleo na última década e está diante de uma oportunidade de oferecer produtos verdes de tecnologia e soluções de infraestrutura acessíveis para nações que buscam alternativas”, disseram os economistas do Barclays em uma nota.

. Em TÓQUIO, o índice Nikkei recuou 0,43%, a 53.373 pontos.

. Em HONG KONG, o índice HANG SENG subiu 0,38%, a 24.951 pontos.

. Em XANGAI, o índice SSEC ganhou 0,63%, a 3.913 pontos.

. O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em XANGAI e SHENZHEN, avançou 0,56%, a 4.502 pontos.

. Em SEUL, o índice KOSPI teve desvalorização de 0,40%, a 5.438 pontos.

. Em TAIWAN, o índice TAIEX registrou baixa de 0,68%, a 33.112 pontos.

. Em CINGAPURA, o índice STRAITS TIMES valorizou-se 0,21%, a 4.898 pontos.

. Em SYDNEY o índice S&P/ASX 200 recuou 0,11%, a 8.516 pontos.





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FPA discute cenário de instabilidade com crédito reduzido e alto endividamento no campo


Agência FPA

A combinação de custos elevados, queda nas commodities e juros altos tem ampliado a pressão sobre o endividamento dos produtores rurais no Brasil, criando um cenário de dificuldade para o setor agropecuário. Nesse contexto, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que reúne 341 parlamentares, levou uma série de propostas ao novo ministro da Agricultura e Pecuária (Mapa), André de Paula, durante reunião realizada nesta terça-feira (14).

O ministro participou do encontro com a bancada, ocasião em que os parlamentares apresentaram o Projeto de Lei 5.122/2023, de autoria do deputado Domingos Neto (PSD-CE), como uma das principais alternativas para aliviar o endividamento no campo. A proposta prevê o uso do Fundo Social para estruturar uma linha de crédito voltada à renegociação de dívidas rurais em diferentes regiões do país.

O texto tramita na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal e será relatado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL). Na última semana, a vice-presidente da FPA no Senado, senadora Tereza Cristina (PP-MS), articulou uma reunião com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o relator da proposta, com o objetivo de avançar na construção do texto.

A solicitação dos parlamentares agora é para que o Ministério da Agricultura também reforce essa articulação dentro do Executivo. A proposta prevê cerca de R$ 30 bilhões para a linha de financiamento, mas o valor já é considerado insuficiente diante do nível atual de endividamento do setor.

“Nós estamos dando todo o apoio necessário para que o projeto tenha celeridade, inclusive pedimos ao ministro o apoio institucional do governo para que a gente consiga achar minimamente um alento. Vamos lembrar que os R$ 30 bilhões que estão previstos no PL 5.122 já são completamente insuficientes para o tamanho do problema enfretado”, destacou o presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR).

A FPA também entregou ao ministro um ofício com os principais pleitos do setor junto ao Mapa, incluindo:

  • Revisão das resoluções do Conselho Monetário Nacional (CMN) que restringem o crédito rural com base exclusiva no PRODES
  • Garantia de que o Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara) tenha função apenas consultiva e técnica, sem sobreposição regulatória ao Mapa e demais órgãos
  • Definição de cronograma para regulamentações da Lei de Pesticidas, Lei do Autocontrole e Lei dos Bioinsumos
  • Ampliação do Plano Safra para facilitar o acesso ao crédito por pequenos e médios produtores
  • Construção de soluções estruturantes para renegociação das dívidas rurais no campo
  • Atuação junto ao Ministério da Fazenda para publicação de lista complementar de insumos agropecuários com redução de 60% de IBS e CBS
  • Participação nas discussões sobre a atualização da Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras, com foco em critérios técnicos
  • Suspensão ou revisão de portaria sobre classificação e comercialização de morangos
  • Articulação nas negociações do Regulamento Europeu de Desmatamento (EUDR)
  • Maior participação do setor produtivo em acordos comerciais internacionais
  • Esclarecimentos sobre portarias de rastreabilidade de pesticidas
  • Revisão da norma de Verificação Agrícola e Conformidade de grãos para garantir caráter opcional e contratual da certificação
  • Definição de cronograma para o Sistema Unificado de Informação, Petição e Avaliação Eletrônica (SISPA)
  • Aprimoramento das regras de uso de drones na agropecuária, com foco em segurança jurídica e viabilidade tecnológica
  • Criação de solução normativa para indenização de serviço voluntário em folga remunerada para auditores fiscais federais agropecuários

Ministro fala em aproximação

O ministro André de Paula ouviu dos parlamentares a demanda por uma maior participação da FPA nas decisões relacionadas às políticas públicas do setor agropecuário. Uma das sugestões apresentadas pela ex-ministra da Agricultura, senadora Tereza Cristina, foi a manutenção de encontros periódicos entre a bancada e a gestão do ministério.

“Todo governo, seja ele de que matiz for, enfrenta problemas, porque a agricultura tem necessidades e o cobertor é curto. Outras áreas também têm as suas demandas, e esse embate é necessário. Mas, quando o senhor tem uma frente como essa, ajudando a remar para a frente, facilita muito a vida”, disse a parlamentar.

O ministro afirmou que pretende acolher a iniciativa. “Eu tenho disposição para isso e vou conversar com o presidente da FPA para que a gente construa essa possibilidade”, destacou André de Paula.

Além da pauta de crédito e endividamento, o vice-presidente da FPA na Câmara, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), também reforçou a necessidade de uma “implantação radical” do Código Florestal.

“Nós falamos das restrições de crédito via PRODES e é urgente. São problemas que vão surgindo porque não há essa matriz da análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR)”, comentou Jardim, ao citar as resoluções do Conselho Monetário Nacional que têm restringido o acesso ao crédito rural para produtores em situação ambiental regular.

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El Niño tem mais de 80% de chance de ocorrer na segunda metade de 2026, aponta Cemaden


El Niño
Imagem gerada por IA

Uma possível ocorrência de El Niño na segunda metade de 2026 acende o alerta no campo. De acordo com estimativas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), as chances do fenômeno se consolidar ultrapassam 80%, com indicativos de um evento de grande intensidade.

“Um fenômeno climático que acontece a milhares de quilômetros do Brasil pode definir o sucesso ou fracasso de uma safra inteira”, afirma o especialista, Renato Rodrigues.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Quando esse aquecimento supera cerca de 2 °C acima da média, configura-se o chamado “super El Niño”, capaz de provocar mudanças climáticas em escala global e impactar diretamente a produção agrícola.

Efeitos do El Niño no Brasil

Segundo Rodrigues, no Norte e Nordeste, há maior risco de seca e estresse hídrico, afetando pastagens e lavouras. Já no Centro-Oeste, a irregularidade das chuvas pode comprometer o plantio da soja e a produtividade do milho safrinha.

No Sul, o excesso de precipitações tende a dificultar a colheita e prejudicar a qualidade dos grãos. No Sudeste, o cenário é mais instável, com alternância entre calor intenso e chuvas mal distribuídas, impactando culturas como café, cana-de-açúcar e grãos.

Outro fator de preocupação é que o fenômeno ocorre em um contexto de temperaturas globais mais elevadas, o que intensifica seus efeitos. Isso significa maior evaporação, eventos climáticos extremos mais frequentes e aumento da volatilidade no campo.

“O El Niño de hoje não é o mesmo de 20 a 30 anos atrás, porque ele tá acontecendo num planeta que já está mais quente. Então isso significa temperaturas ainda mais altas, maior evaporação e eventos extremos ainda mais intensos”, destaca Rodrigues.

Planejamento

Diante desse cenário, Rodrigues reforça que o planejamento é decisivo. A antecipação de estratégias pode reduzir perdas e garantir maior estabilidade produtiva. “Em eventos como o El Niño, o timing faz toda a diferença. Quem se antecipa reduz perdas, quem reage tarde, acaba sofrendo um impacto muito maior”, reforça.

Entre as principais recomendações estão o ajuste do calendário agrícola, com antecipação ou atraso do plantio para evitar períodos críticos; a escolha de cultivares mais resistentes à seca ou ao excesso de água; e o manejo adequado do solo, com aumento da matéria orgânica para melhorar a retenção de água.

A gestão hídrica também ganha importância, com investimentos em irrigação nas regiões mais secas e em sistemas de drenagem onde há excesso de chuva. Além disso, o uso de fertilizantes de liberação controlada surge como alternativa para reduzir perdas de nutrientes em condições adversas, aumentando a eficiência da adubação.

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Boi gordo tem preços firmes, com frigoríficos mais cautelosos e atenção voltada à China


pará, boi, vaca louca - protocolo
Foto: Christiano Antonucci/Secom-MT

O mercado físico do boi gordo teve mais um dia de preços firmes nesta terça-feira (14), mesmo com menor presença dos frigoríficos nas compras. A cautela da indústria está ligada às incertezas sobre a cota chinesa, que pode se esgotar entre maio e junho, o que já começa a influenciar decisões de compra em diversos estados.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, esse movimento de retração dos frigoríficos foi observado em praças como São Paulo, Goiás, Rondônia e Mato Grosso. Além disso, alguns frigoríficos já anunciaram férias coletivas, o que reforça a expectativa de possível pressão sobre os preços ao longo do segundo semestre.

No mercado atacadista, os preços seguem firmes, sustentados pela boa reposição entre atacado e varejo na primeira quinzena do mês. No entanto, a carne bovina enfrenta menor competitividade frente a proteínas mais baratas, especialmente a carne de frango, o que limita altas mais fortes. O baixo poder de compra das famílias também direciona o consumo para alternativas mais acessíveis.

Preços do boi gordo

  • Em São Paulo, a referência média para a arroba do boi ficou em R$ 369,78, na modalidade a prazo
  • Em Goiás, a indicação média foi de R$ 359,64 para a arroba do boi gordo
  • Em Minas Gerais, a arroba teve preço médio de R$ 350,29
  • Em Mato Grosso do Sul, a arroba foi indicada em R$ 361,48
  • Já Mato em Grosso, a arroba ficou indicada em R$ 365,81

Atacado

O mercado atacadista volta a se deparar com firmeza em seus preços no decorrer da terça-feira, em um ambiente ainda pautado pela alta dos preços, considerando a boa reposição entre atacado e varejo durante a primeira quinzena do mês.

Como limitador para altas mais consistentes precisa ser mencionado a menor competitividade da carne bovina se comparado as proteínas concorrentes, em especial se comparado a carne de frango. O baixo poder de compra das famílias direcional o consumo para proteínas mais acessíveis, disse Iglesias.

O quarto dianteiro ainda é cotado a R$ 23,00 por quilo. O quarto traseiro permanece cotado a R$ 28,00, por quilo. Ponta de agulha se sustenta a R$ 21,00, por quilo.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão com baixa de 0,08%, sendo negociado a R$ 4,9929 para venda e a R$ 4,9909 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,9717 e a máxima de R$ 4,9957

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Mercado de soja recua no Brasil com pressão de Chicago e dólar abaixo de R$ 5


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Fechamento da soja. Foto: Daniel Popov/ Canal Rural

O mercado brasileiro de soja registrou mais um dia de pouca movimentação e queda nos preços, refletindo um cenário externo e cambial desfavorável. A combinação entre recuo na Bolsa de Chicago e o dólar abaixo de R$ 5 segue limitando a comercialização no país.

De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, o ambiente atual não contribui para o avanço dos negócios. Apesar de momentos de alta ao longo do pregão, Chicago encerrou o dia no campo negativo, enquanto o câmbio permanece pressionando diretamente as cotações internas.

Com isso, os preços apresentaram recuo, principalmente nos portos, e o spread entre compradores e vendedores continua elevado. A comercialização segue lenta, com vendas concentradas em produtores que precisam fazer caixa. Os prêmios também seguem sem força, o que reforça o cenário de dificuldade.

Preços de soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): caiu de R$ 122,00 para R$ 121,50
  • Santa Rosa (RS): desceu de R$ 123,00 para R$ 122,50
  • Cascavel (PR): manteve em R$ 117,00
  • Rondonópolis (MT): desceu de R$ 107,00 para R$ 106,50
  • Dourados (MS): desceu de R$ 110,00 para R$ 109,50
  • Rio Verde (GO): desceu de R$ 108,00 para R$ 107,00
  • Paranaguá (PR): manteve em R$ 127,00
  • Rio Grande (RS): desceu de R$ 128,00 para R$ 127,50

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja encerraram a terça-feira (14) em baixa na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), refletindo um conjunto de fatores que reforçaram a pressão sobre as cotações. Entre eles, a forte queda do petróleo, influenciada pela perspectiva de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã em meio ao conflito no Oriente Médio, além do bom início do plantio norte-americano e da confirmação de uma safra recorde no Brasil.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou na segunda-feira (13) que o plantio de soja atingiu 6% da área prevista no país. No mesmo período do ano passado, o índice era de 2%, em linha com a média dos últimos cinco anos.

Conab

No Brasil, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou a estimativa de produção da safra 2025/26 para 179,151 milhões de toneladas, avanço de 4,5% em relação ao ciclo anterior, quando foram colhidas 171,48 milhões de toneladas. Na projeção anterior, o número era de 177,85 milhões de toneladas.

Na Bolsa de Chicago, os contratos de soja em grão para maio fecharam em baixa de 4,25 centavos de dólar, ou 0,36%, a US$ 11,58 por bushel. O vencimento julho recuou 4,75 centavos de dólar, ou 0,40%, cotado a US$ 11,72 3/4 por bushel.

Entre os subprodutos, o farelo de soja para maio caiu US$ 2,20, ou 0,66%, a US$ 329,70 por tonelada. O óleo de soja também recuou, com baixa de 0,06 centavo, ou 0,09%, a 66,44 centavos de dólar por libra-peso.

Câmbio

O dólar comercial encerrou o pregão em queda de 0,08%, cotado a R$ 4,9929 para venda e R$ 4,9909 para compra. Ao longo do dia, a moeda norte-americana variou entre a mínima de R$ 4,9717 e a máxima de R$ 4,9957.

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AgroNewsPolítica & Agro

Brasil dobrou as exportações de soja em grão em março


O mercado brasileiro do complexo soja encerrou a última semana sob pressão de baixa, com recuos nos preços de grão, farelo e óleo no âmbito doméstico. Segundo dados divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a combinação entre maior volume de produto disponível e a apreciação do real frente ao dólar enfraqueceu a posição competitiva das exportações nacionais, puxando as cotações para baixo ao longo dos últimos dias.

No cenário externo, o comportamento foi distinto para cada derivado da soja. A demanda internacional aquecida garantiu sustentação às cotações do farelo e da soja em grão nos mercados globais. O óleo, no entanto, foi o único componente do complexo a registrar desvalorização no exterior, reflexo direto da queda nas cotações do petróleo, que costuma influenciar o comportamento dos óleos vegetais negociados em bolsa.

No campo das exportações, o mês de março trouxe números expressivos para a soja em grão. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil embarcou 14,51 milhões de toneladas do produto, volume que representa mais que o dobro do registrado em fevereiro — um crescimento de 105,29%. Em relação a março do ano anterior, o resultado ficou marginalmente abaixo, com queda de 0,96%, sinalizando estabilidade no patamar de embarques sazonais.

O farelo de soja foi o destaque positivo do período. Segundo dados divulgados pelo Cepea com base na Secex, as exportações do subproduto totalizaram 1,92 milhão de toneladas em março, configurando um recorde histórico para o mês. O resultado reflete a intensa demanda internacional pelo ingrediente proteico amplamente utilizado na formulação de rações animais, especialmente em mercados europeus e asiáticos.

O óleo de soja, por sua vez, teve desempenho mais fraco no front externo. Os embarques somaram 176,91 mil toneladas em março, representando uma queda de 13,02% frente ao mês anterior. Segundo dados divulgados pelo Cepea, esse recuo está associado ao menor interesse de compradores tradicionais como Índia e Uruguai, além da ausência da China como demandante relevante no período, fatores que reduziram significativamente o fluxo de saída do produto.

O quadro geral do complexo soja brasileiro reflete um momento de equilíbrio frágil entre oportunidades externas e desafios internos. A valorização do real, ao encarecer as exportações em dólar, retira parte do incentivo ao escoamento da produção e pressiona a formação de preço doméstico. 





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